Coisas do Submundo e de Shangri-la

Portugal não tem muito jeito para ser estável num horizonte temporal longo, sempre que as águas tentam acalmar num ponto de equilíbrio, mais ou menos entre um precipício dos credores internacionais e uma mascara de oxigénio de curto prazo, o PS chega sempre como o primeiro e agora não único, elefante branco na loja de porcelana chinesa que é hoje a Economia Portuguesa, não dando espaço para quem quer investir e que tenha capital nos traga investimento reprodutivo, mais e melhores salários, como nos coloca numa posição de País dependente de estupefacientes alheios e de joelhos perante o resto do mundo, mendigando os restos para que a sua oligarquia vigente perdure e ainda tenhamos de aturar as crónicas peludas da Fernanda Câncio escritas numa cama perto de si na Ericeira.

A inércia imutável da realidade portuguesa não se estende somente à permanência de um governo social-comunista ,que tem uma troika de partidos que querem armadilhar o aparelho de Estado para os seus interesses próprios, estende-se também a uma comunicação social que pouco escrutina António Costa e seus muchachos e que deixa passar ao descoberto contas públicas insustentáveis, maquilhadas com cosmética barata comprada no Intendente, um sistema de saúde que está a ser contorcido com a maior da veemência, atrasando pagamentos às farmacêuticas e outros fornecedores, financiando despesas correntes hospitalares e aumentos de salários irresponsáveis, e ainda um governo com tiques de nepotismo, colocando a filha, o sobrinho e o periquito da loja da Dona Amélia num governo suado, acabado e sem rumo.

Costa e Centeno escolheram alocar os recursos, que são escassos por norma económica, num cesto, enquanto que outros estão vazios e com equipamentos hospitalares a perderem valor a cada ano que passa, sem substituição que estes precisam, diminuindo a “barriga artificialmente”, mas não preparando os cortes certos para que, quando no momento de “expiração”, esta atinja o cinto, este não arrebente.

O ciclo económico mudou. O Mundo inteiro sabe e maior parte dos Países europeus fizeram o seu trabalho de casa doméstico no campo orçamental. Portugal ficou para trás porque quis, porque o ego supremo de um individuo ultra narciso assim o quis. Assim vai o País das fantasias do arco da velha que cujos hábitos que se repetem de modo cíclico nunca são alvo de eliminação. A realidade é dura, e nem Shangri-la ou outra terra do mundo esotérico nos salvaram do próximo colapso económico.

Mauro Merali