O PSD está a destruir o PPD

O sinal mais inequívoco que podíamos ter neste momento, em que não temos oposição ao governo Social-Comunista de António Costa – por mais que Assunção Cristas se esforce, e fá-lo bem – é que o mesmo anda solto, livre, sem amarras, cometendo um sem igual número de disparates por metro quadrado, que assusta qualquer alma desesperada em se ver livre de tal poluição visual. O Primeiro-Ministro, não eleito (é sempre bom recordar) em qualquer País com mecanismos institucionais fortes, era considerado o verdadeiro, enfim, o expoente máximo do que se chama vulgarmente o “bobo da corte”. Não por ser divertido, mas por ser o bobo com uma tromba excessivamente grande que destrói um palácio inteiro – entenda-se por palácio o nosso país – devido aos seus caprichos bastante vulgares que são inatos ao próprio homem, como a excessiva arrogância, a prepotência e uns pós de maquiavelismo pelo meio. Obviamente que esta tipologia ou morfologia de homem – entenda-se um homem perigoso, não o vulgar homem que é o sexo masculino… Por mais que duvide da sexualidade de António Costa, sou pragmático na escolha do sexo do mesmo – adiante, tal criatura não tem alguém que lhe chegue, nem CDS, e como historicamente devia ser, o PPD/PSD. Não conheci Francisco Sá Carneiro, mas, do pouco que lhe conheço – não faço como muitos que usam o nome do dito para se promoverem – era um homem honesto, não “hernesto”, que amava a liberdade, não coletiva, mas individual, que pensava, e muito bem, que cada um de nós tinha o destino na mão e que conseguíamos construir a nossa vida num livre mercado onde cada um arcava com as consequências dos seus atos. Sá Carneiro era liberal, um homem que acreditava num Estado pequeno, mas com uma rede social mínima, um homem que sabia que só o valor das pessoas podiam levar Portugal a outro patamar sem ser a mediocridade neo-comunista da coletivização da produção e da sua nacionalização. Portanto uma matriz em tudo semelhante ao estilo de Pedro Passos Coelho, seu sucessor não de sangue, mas de aspiração política, uma cópia não facial, mas de valores morais e económicos. É verdade que o liberalismo de Sá Carneiro é diferente do de hoje, é verdade que Sá Carneiro, hoje, pode ser considerado um homem de direita liberal e não tão “liberal” como muitos gostariam que fosse – inclusive eu próprio que não gosto que alguém se meta na minha vida, muito menos o Estado, com o qual não assinei nenhum “contrato social” – … mas, dizia eu, o liberalismo de Sá Carneiro e Passos Coelho é o que faz o PPD ser o Partido especial, reformista e que salva o País nos momentos mais difíceis, por mais que tenha igualmente gente que não presta e não valha um chavelho. O PSD de Rio, a Social-Democracia, vulgo Socialismo Democrático, esse sim, o compadrio do Bloco Central de interesses quer destruir os valores que devem e deviam ser a matriz do que é hoje o PPD/PSD, um Partido das pessoas, para as pessoas e liberal, não uma alcofa para os pés de António Costa. Alcofa é Catarina, Alcofa é Jerónimo, Alcofa é Mário Nogueira e Arménio Carlos, Alcofa é toda a escumalha comunista que coloca os seus interesses próprios do tacho governativo, acima da soma dos interesses individuais de cada português, que em conjunto formam uma Nação. Rui Rio – este Rio, seco – é tóxico para a “direita” portuguesa, e ainda mais para o PPD, que está refém do PSD e dos seus interesses socialistas. A distribuição de cargos, a maçonaria, e certos interesses empresariais das oligarquias do regime, movem muita coisa, mas Rio podia e devia ter mão, não tem, é excessivamente fraco. E assim, fraqueja os seus, o “seu Partido”.

Mauro Oliveira Pires

 

 

O tempo é agora

Na direita, e em matéria de liberalismo, não restam dúvidas de que o país necessita urgentemente de novos intervenientes e de edificar uma estratégia alternativa de governação.

A tão proclamada crise na direita não é mais do que uma oportunidade esperada há muito. Desgastada por décadas de erosão política e uma recente crise económica, agora é o momento certo para uma reconfiguração da direita com novas premissas e players fortes. As circunstâncias que tantos se têm dedicado a chamar de divisão à direita é uma mudança das peças no tabuleiro mais do que necessária, ainda que poucos a percepcionem como tal.

Esperava-se que Rui Rio, enquanto líder do maior partido da oposição, fosse o impulsionador de uma aliança entre os partidos e movimentos de direita. O facto de ter optado por uma oposição apagada, e de dar como perdidas as eleições de 2019, decretou a sua morte política. Foi onde era mais preciso que falhou de forma mais estrondosa. Será difícil a Rio, depois de sete meses de liderança ausente, arrumar a casa e congregar apoios ao seu redor. O PSD não pode ser um mero partido de apoio do PS, nem o país pode deixar a democracia entregue a estas circunstâncias.

Não é fácil os novos projectos políticos singrarem – o país continua sob o jugo dos mesmos partidos há quatro décadas. Mas não é por olharmos para projectos falhados, como o Livre de Rui Tavares ou o PDR de Marinho Pinto, ou o caso mais antigo do Partido da Nova Democracia de Manuel Monteiro, que se decreta que lançar um novo partido é um acto destinado a falhar à nascença.

Essas vozes, e são tantas, esquecem o mais importante e ignoram o óbvio, as circunstâncias políticas e os líderes é que ditam a sorte dos projectos, já que na direita, e em matéria de liberalismo, não restam dúvidas de que o país necessita urgentemente de novos intervenientes e de edificar uma estratégia alternativa de governação.

A oito meses das eleições europeias e a pouco mais de um ano das legislativas, a encruzilhada em que a direita se encontra é simples de diagnosticar – ou se reinventa e une em torno de um programa reformista liberal, ou recua e pactua com a actual fragilização da democracia que conduzirá o país a mais um descalabro económico.

Se optar pelo primeiro caminho, urge que comece a encarar a situação actual não como uma crise, mas como o momento crucial há muito esperado de renovação geracional e política.

As mudanças que configuram uma futura nova composição no centro-direita da política portuguesa podem sem dificuldade elevar a fasquia nas sondagens recentes, bastante positivas quanto a novas formações partidárias à direita.

Afinal, estamos no mesmo país que em 2015 deu a vitória à coligação PSD/CDS, depois de uma crise económica violenta e de reformas profundas nem sempre bem aceites. Se isto não diz nada à maioria dos que agora profetizam futuros de castelo de cartas, é por falta de visão e opiniões ausentes da realidade – o futuro é capaz de já se vislumbrar mas poucos deram por isso.

 

Sofia Afonso Ferreira, Fundadora do Partido Democracia 21

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

Inicialmente publicado no Jornal Económico 

Precisamos de Liberalismo rock “n” roll em Portugal

Portugal é um país tremendamente sui generis, tem um Partido Comunista agreste por fora, e, por dentro, afável nas negociações – o ex-ministro da Economia de Passos Coelho, Álvaro Santos Pereira, escreveu no seu livro que a CGTP, braço armado do PCP, nas negociações no tempo do resgate financeiro contribuía de bom agrado nas negociações laborais, e, quando abandonava a sala, alterava o seu discurso para agradar aos seus eleitores da luta eterna dos camaradas – portanto, um PCP com poder na estrutura do Estado, capaz de parar um país, e um povo (8%) que vota nisto! A Europa de leste sabe o que é o comunismo e não vota em ditadores disfarçados. Para além disso, temos um Bloco de Esquerda, do chamado “NeoComunismo”, onde tal partido é claramente a favor das liberdades individuais de cada um, e muito bem, mas depois banaliza-os com discursos histéricos, mal estruturados, de ódio, colocando as chamadas “minorias” e outros indivíduos de orientação sexual diferente numa situação ridícula.

Depois temos o partido do regime, que controla os pilares essenciais da nação: a comunicação política, social, a Maçonaria e as faculdades de pensamento económico, social do seu lado, marxizando o ensino e criando futuros robôts votantes de tal agremiação partidária, o PS. É o partido “impoluto” com toques de sagrado, pois arruinou a economia do país três vezes em 44 anos – com três pré-bancarrotas – permanecendo em modo vítima perante um povo que é claramente da área das humanidades e não das matemáticas. O partido da subtracção, do sumir, das contas de sumir, de sumir com as nossas vidas actuais e futuras hipotecando-as com contas de somar, somar em dívidas, impostos e menos liberdade económica de gerarmos recursos de modo livre em prol da prosperidade para Portugal.

Por fim, temos a “direita”, um conjunto de Partidos Sociais Democratas que pouco diferem do PS no modo de política económica, mas com uma política orçamental diferente, para melhor, mas ao mesmo tempo inconsistente. Uma direita que devia ter como pilares, ou como matriz fundamental, a propriedade privada, a liberdade do indivíduo e um Estado menor que nos consumisse menos recursos e que o pouco que fez foram paliativos, cujas mãos estavam igualmente armadilhadas no cerne da questão, a Constituição da República Portuguesa claramente socialista e apologista do sector público. A mesma que não deixou Pedro Passos Coelho seguir o seu caminho reformador na sua totalidade, mas, mesmo assim, deixando um património de credibilidade ao país que jamais outro em democracia deixou. Se não queremos o nosso País na corda bamba constante, ano após ano, com remendos ali e acolá, uns pós aqui e outros ali -não falo dos pós da Catarina – falo da maquilhagem, dos retoques orçamentais conjunturais que se fizeram e que se fazem actualmente.

Precisamos de redefinir o que queremos do Estado, porque com esta dimensão e imensidão não conseguimos financiar um monstro que é ineficaz por natureza, mas que por uma razão de pragmatismo tem que existir. Precisamos igualmente de um líder carismático, impoluto, de preferência que saiba o que é o calo do trabalho, que conheça o sector privado e as suas necessidades, que tenha meios – não é preciso ser rico – mas alguém que não surja no jogo político para arranjar os contactos necessários para chegar às empresas de maior dimensão, mas sim reformar o país de cima a baixo sem pedir autorização aos mesmos de sempre, à oligarquia vigente, às famílias do regime e ao partido da bancarrota, o PS.

Um líder político que seja liberal na economia, mas que ao mesmo tempo seja capaz de explicar o que é isto de liberalismo, um líder genuíno que seja capaz de levantar parte da abstenção e reerguer o orgulho de se amar a liberdade individual e económica. Um líder que não olhe para o liberalismo como uma ciência do passado, com filósofos à mistura, o povo não sabe, não quer e não tem a paciência para saber disso, as contas tem que se pagar ao final do mês, e as políticas socialistas do tira e volta a dar são jogadas caras de hoje e amanhã, o futuro constrói-se olhando para o coração das pessoas, não exaltando o pior delas, mas saber falar sem a cartilha de sempre.

O PSD de Rio não é solução, não por este ser uma má pessoa, é um homem competente no seu ofício, mas, aliado à falta de carisma, Rio nada difere de António Costa, zero! Cristas sabe a pouco, tem boas intenções e tem ao seu redor liberais interessantes, mas falta pimenta. Por isso, meus caros, em quem votar? Se Espanha deu oportunidade aos novos partidos, tendo como o Ciudadanos como exemplo, ou Macron em França – não gostando eu muito do senhor, mas adiante – parece-me que a Democracia21, a Iniciativa Liberal e o Partido Libertário são projectos a seguir de perto. Falar mal de políticos é fácil, difícil é agir, e a acção começa no voto.

Mauro Oliveira Pires

 

Passos Coelho é a Alternativa

Vasco Pulido Valente, em entrevista ao Expresso, aborda um tema tremendamente interessante que tenho já desenvolvido aqui e que pessoas mais perto do meu círculo de leitores e amigos mais atentos já conhecem: Passos é o futuro do PSD. É um tema que não largo pela importância em questão da pessoa, Pedro Passos Coelho é tratado pela esquerda caviar e muita gente da “direita”, como se fosse mais um, ou aquele palito que se perdeu na palha que a cor é tão próxima que ninguém consegue mergulhar em tamanha carneirada de palha.

Mas, lá está! Passos não é igual à “manada”, foi tão diferente, irreverente e com um pensamento estruturado para o futuro do País que ninguém lhe perdoa tal indelicadeza de não fazer parte da família Oligarca Socialista vigente. Ser diferente em Portugal paga-se com isso, inveja, jogadas de bastidores, traição e falsos sorrisos. A facada final a Passos foi a mistura disso tudo e tão concentrada que o veneno se virou contra o feiticeiro.

O veneno, esse, as tais facadas, viraram se contra Rio, se o PSD de Passos estava “amorfo”, “acabado” e o de Rio iria trazer os tais ventos de esperança, saiu talvez dos maiores flops de sempre desde Santana e Marcelo.

Rio não tem carisma, não faz oposição a Costa que é mais fácil do que se imagina, pois, para além de tamanhas calinadas gramaticais do Primeiro Ministro, digno de um ser mais recôndito e estranho lugar do planeta, Rio tinha ainda dados orçamentais que este Governo inverteu toda a sua estratégia desde o inicio da sua governação, Centeno cativou em vez de gastar, Centeno elaborou a mais restrita mão de ferro desde Salazar nas Finanças em 1928, Centeno controla todos os outros ministros e Centeno faz o que precisamente Vitor Gaspar fazia em anos de Troika, mas que Costa rejeitou absolutamente nas eleições de 2015 e com o apoio público que deu ao Syriza.

Tudo isto porque a direita em comunicação, em arranjos conjuntos e Marketing vale, como se diz na Amadora, BOLA! Por oposição a este PSD, ou PS II, como queiram chamar, o PSD de Passos Coelho tinha capital político quer se gostasse ou não, tinha o símbolo da resistência e garantia de independência face aos interesses, tinha o capital da credibilidade de ter salvo o País da pior crise financeira de sempre e que muitos hoje falam pouco, mal e como se tivesse sido fácil gerir com pinças um País de aventais e parasitas no poder.

Por isso, não são Sebastianismos, não é falar mal por falar, não é fazer de Maya e elaborar previsões da volta de Passos, é simplesmente constatar o óbvio, a “direita” é socialista, a “direita” não é a alternativa, porque não tem discurso, é politicamente correcta, é enfadonha e pobre de espírito. Pobres ainda mais são os seus eleitores por não terem em quem votar.

Passos agregava os votos dos Liberais, alguns do centro, do CDS e até dos votantes do PS do Norte, tudo porque:” Ele até me retirou o subsidio de natal, mas levou o barco para onde quis, ou seja para bom porto“. Todos subestimaram o efeito da sua saída, até gozaram, hoje é o que se vê, um PSD a caminho de Alcácer Quibir(Obrigado Vasco!).

A estratégia de Costa é tornar-se absoluto no poder no plano interno da governação. Depois da passagem a Primeiro-Ministro, Costa quer enfrentar Marcelo ou substituir-lhe. Este é o medo de Marcelo. Este devia ser o medo de todos nós, perpetuar o poder a um homem perigoso, de mentalidade ainda mais perigosa que só pensa no seu ENORME ego. É pena que o PSD deitou fora o único que o derrotou, sim derrotou, Passos derrotou António Costa por mais geometrias e matemáticas que façam.

Para terminar. Se reparem meus caros, Catarina Martins tinha ataques de gritos semanais, diários ou até à noite com Passos, a Jerónimo até lhe cresciam mais rugas com tanta mão e punho ao ar contra Passos. Já com Rio, esse para eles é uma Jarra e não falam dele, e quando falam são uns minutos. Um líder quando incomoda é porque tem valor e,  como veem, Passos tinha-o.

E não, Passos não é passado, Passos é o futuro, é liberal, acredita na liberdade individual, e também é pragmático, porque sabe que num País com mais de 40 anos de socialismo a cassete não se muda assim, Portugal é um caso à parte da Europa como sempre foi, e não é agora que deixaria de ser tanto para o lado positivo como para o negativo. Não vamos encontrar outro assim,  a não ser que conheçam alguém anti-sistémico e liberal ao mesmo tempo com dotes carismáticos pelo meio. Apontem me se faz favor, é que não encontro.

Mauro Oliveira Pires

 

Pedro Passos Coelho é Hoje Mais Importante Do que Nunca

Não passaram 2 anos, não passaram 5 anos nem muito menos 10 anos, passaram 4 meses, longos, espinhosos 4 meses, onde a estratégia do Presidente do PSD, Rui Rio, consiste em perder as eleições legislativas de 2019 para as ganhar em 2023, algo demasiado arriscado de uma personagem que até agora não se mostrou muito diferente de António Costa, caciques para ganhar eleições internas, facadas suaves ao líder do Partido de então ao longo do Programa de Ajustamento da Troika e arrumações de tropas e contagens de espingardas para causar sussurro no Magistério de Pedro Passos Coelho.

Passos sabia que os afluentes de Rio eram pedras quentes, incomodavam, pouco, mas estavam lá, as eleições autárquicas fragilizaram politicamente Passos, mas não lhe retiram o brio e muito menos o título de melhor líder do PSD de sempre e do agente mais decente a actuar na política em Portugal, não é brilhante, muito longe disso, mas o sentido de Estado é hoje tão raro quanto o som fonético sem calinadas das palavras de António Costa.

Perceber que as Instituições tem poderes separados, perceber que a meritocracia, o individual que cada um tem em nós e a hombridade são o pilar de um País normal e dito democrático, Passos trouxe isso, trouxe a normalidade da democracia Europeia para um País que tem atracção perigosa pelo abismo, Passos soube ser um liberal pragmático contido, num País onde a liberdade não é apreciada nem percebida como mecanismo que podia transformar o povo no verdadeiro poder de um País, porque um Povo livre de um Estado Monstruoso e sugador de recursos é o motor da criatividade e da geração de valor, é isto que o PS de António Costa, Sócrates e Mário Soares não percebeu, nem quer perceber, porque é mais fácil construir um Estado Oligárquico onde a mediocridade impera e a distribuição do dinheiro pelos amigos onde todos são chico espertos é de facto mais fácil de defender e de executar, só que o dinheiro não dura para sempre, é finito, ao contrário da infinitude da estupidez do Socialismo Português que comete os mesmos erros ao longo de 44 anos de democracia.

Pedro Passos Coelho é hoje mais importante que nunca, porque, além do seu legado histórico de ter conseguido aguentar um barco já em naufrágio, o de ter ganho eleições com um valor simbólico histórico, Passos conseguiu que António Costa invertesse o discurso e passasse a ser mais Papista que o Papa na austeridade, hoje António Costa faz com que planeamento dos serviços seja o caos completo e nem estes sabem com o que contam, em tempos de tempestade financeira, sabiam, é a diferença entre um Estadista e um Caloteiro, só para sermos directos na abordagem.

A saída de Passos foi estratégica, ele está na sombra, o País quando estiver em dificuldades tem de reserva quem o salve, o problema é que a liberdade de governar em tempos normais não parece ser  a sina de Pedro Passos Coelho. Os ensinamentos de Passos não vingaram ainda na democracia portuguesa, mas arranharam o chão, hoje Passos está mais experiente, viu tudo o que nós não vimos, mas sentimos, ele geriu, nós ajudamos, ter alguém de confiança e de valor moral é raro em Portugal, a democracia Portuguesa não sabe o que perdeu.

Mauro Oliveira Pires

 

Passos Coelho, um Homem do tamanho do seu Sonho

A prática é o critério da verdade, já dizia o Comunista Lenine, em condições normais tal afirmação tem probabilidades de estar 100% correcta, desde que no horizonte não apareçam cenários alternativos com Vacas Voadoras pelo meio. Falar de Passos Coelho em Portugal seja em artigo, na rua, no canto dos cafés, no Shopping ou até num restaurante com tons vocais mais elevados devidos aos efeitos colaterais do vinho verde, é quase que um crime.

Para a esquerda, é crime de indulgência, um crime humanitário, é como se falássemos de algum extraterrestre com armas que pudessem aniquilar a humanidade, Jerónimo salta, fica nervoso, começa com calores por todos os cantos das suas rugas do tempo. Catarina, essa, eleva o tom de voz de um comum mortal ao divino da parolice, depois, lá se acalma, especialmente quando olha para o seu coadjuvante António Costa, que, com  ódio e escárnio nos olhos, olha para Passos Coelho como o pior inimigo do regime, do seu regime, aquele regime quase divino de Partido único, em que só o PS tem o direito a governar, a distribuir as benesses pelas clientelas, em alimentar o seu gado nas empresas dos amigos.

É isto que da esquerda à direita lhes faz ter medo e, pouco a pouco, faz aumentar a hombridade e responsabilidade de gostar e de conhecer melhor as qualidades de Passos Coelho, não basta ser corajoso, valente, ter espírito de sacrifício, ser vertical, é necessário ter o dom de ser ele próprio, de ser o Pedro, alguém que por mais que tenha todos os defeitos que lhe apontam, e tem, quem não os tem, teve a eterna capacidade de colar o que muitos achavam impossível de colar, o PS à extrema esquerda, o de hoje, confundirmos o PS com o PCP, aquele Partido que em tempos ajudou Portugal ser mais Europeu e que até reformou, hoje, é um grande pedaço de cacos com um Ego e  bazófia à mistura do seu líder incontroláveis.

O simples facto de Passos Coelho sair da liderança do PSD não é só um ciclo político que acaba agora, atenção, os ciclos tem essa capacidade, crescem, tem o seu auge, declinam mas em geral nunca morrem, em excepção quando a pessoa fisicamente e mentalmente morre claro. A saída de Passos é a vitória do Socialismo Democrata, vulgo Social Democracia, que cujo prazo terminou nos anos 90, o PSD tem que ter a capacidade de ter um rumo, uma linha e não vejo Rio a ser o Liberal que o PSD precisa, pelo contrário. Se é a vitória do Socialismo Democrático, é a derrota da humildade, a derrota de um País que luta todos os dias, longe dos holofotes erráticos de Lisboa para sobreviver, sim sobreviver, ao Monstro Estado.

A Saída de Passos Coelho é a derrota da DIGNIDADE. É a minha opinião, vale o que vale, mas sinceramente dela não abdico.

Um dia todos vão conceder a Passos o cálice da vitória, só pelo simples facto que afinal, ele tinha razão. O diabo não chegou, governa.

Mauro Oliveira Pires

 

O regresso de Relvas

Relvas oleou a máquina e conseguiu mobilizá-la como ninguém, criou o candidato, credibilizou-o e catapultou-o a líder. Resta saber o gás que ainda tem para dar nas diretas do PSD.

Pedro Passos Coelho ascendeu à liderança do PSD sobre as ruínas do “menezismo” que ajudou a derrubar. Miguel Relvas seria, no entanto, o Geppetto que esculpiria o candidato a primeiro-ministro afastado há anos da política. Relvas começou por convencer Passos a disputar o PSD contra Luís Filipe Menezes, mostrando internamente uma “nova orientação estratégica”. Mas a queda de Menezes, que viria a ocorrer no início de abril de 2008, não daria ainda a Passos a oportunidade para assumir o partido.

Relvas seria o pivot da operação que levaria mais tarde Passos à liderança, trabalhando incansavelmente durante dois anos no sentido de criar um candidato forte e consistente, descolando-o da imagem do pueril líder juvenil. A juventude partidária da qual saíra Passos estava mal vista, enxameada de boys a viverem dos cargos públicos sem formação nem cursos acabados e, por isso, era altura de lhe criar uma nova identidade política e uma nova persona. Mas Relvas não controlava tudo e Passos acabaria por perder nas diretas de maio de 2008 para Manuela Ferreira Leite.

A criação de um think-tank foi a partir daqui essencial para rivalizar com o gabinete oficial do partido. Passos teria que ganhar lastro. Era necessário criar uma nova ideologia com base de sustentação. Mas se a densificação do político era essencial, o marketing que o vendesse tornou-se decisivo. Passos começou a usar fatos à medida e gravatas lisas, o que lhe melhorou a imagem na TV. Relvas influenciou o mood e o sentimento dos jornais, mas conseguiu também efeitos virais nas redes sociais: Facebook, Twitter, vídeos no You Tube e blogues de sucesso como o “Albergue Espanhol”Daqui à conquista de opinion makers foi um breve passo.

Relvas não daria tréguas e fez milhares de quilómetros pelo país para convencer as estruturas locais. Os militantes seriam depois arrastados pelos caciques construídos por ele e a partir daqui a eleição de Passos estava garantida. A vitória interna como líder em março de 2010 dar-lhe-ia o passaporte para suceder a Sócrates em junho de 2011 como primeiro-ministro de Portugal. Mas, sem Relvas, nada disto teria sido possível e após o escândalo da licenciatura, em junho de 2013, reclamaria para si, no discurso da sua saída, os créditos atribuídos a Passos. Oleou a máquina e conseguiu mobilizá-la como ninguém, criou o candidato, credibilizou-o e catapultou-o a líder. Resta saber agora o gás que ainda tem para dar nas diretas do PSD de janeiro do próximo ano. Santana aguarda-o e Rio teme-o. Embora Relvas já não goze da influência que tinha, ainda pode virar o xadrez político e os dois candidatos sabem disso. Aguardemo-lo nos bastidores!

Pedro Borges de Lemos

O Autor escreve segundo o Acordo Ortográfico.

 

 

 

O Homicídio da III República Pelos Cobardes da Classe Política

Há 3 semanas, ficamos horrorizados com o que se via na televisão: o caos, o inferno, o sofrimento, todo o terror de Pedrógão, num ciclo mediático interminável. O nosso horror perante os 64 mortos acumulou-se ao terror de descobrirmos que o nosso armamento está à mercê de quem quiser levá-lo. Num curtíssimo espaço de tempo percebemos que não temos um Estado, mas sim um repositório de gente inútil a quem chamamos políticos que vivem a boa vida à nossa custa. Parece que sempre que a cortina cai com situações difíceis como estas, vão até aos limites da terra para desvalorizar a tamanha vergonha que é a sua flácida gestão de recursos públicos e o quão impotente o seu desempenho quando as coisas correm mal.

Tenho tido algum receio em escrever este texto, mas o que se tem passado nas últimas semanas força-me a dizer o seguinte: a III República foi morta.

Para verificar este facto temos décadas de uma devastadora e multipartidária rede de corrupção, interesses, manipulações e gastos criminosos do erário público que levou o país a 3 bancarrotas; hipocrisia militante e desonestidade política desta classe de ditos elites é repugnante, ora hoje dizem uma coisa, ora amanhã dizem o contrário; escândalos sucessivos de prevaricação, favoritismo, branqueamento, abuso de poder, destruição de capital, de isto e daquilo, e por aí fora. A história dos últimos 43 anos não é uma que se possa definir como sendo um grande sucesso para a maioria dos Portugueses.

Após décadas de uma aberrante apatia para o bem geral dos portugueses, chegamos ao cúmulo no dia 17-06-2017, aonde 47 pessoas foram mortas numa estrada e outras tantas abandonadas à sua sorte para morrerem no inferno. Depois veio Tancos. Entretanto não há uma responsabilidade que se veja entre uma rede sem fim de falhas, seja no SIRESP, seja na GNR, seja na Proteção Civil, seja na coordenação do MAI, seja do exército, seja do Ministério da Defesa, seja do que seja. Tudo falhou, mas ninguém tem culpa. O sistema fracassou grotescamente, e não há uma alma que nos venha pedir desculpas.

Vou mais longe do que ontem no debate sobre o estado da nação. O Estado entrou em colapso é verdade, e com ela veio outra vítima. Sim, a III República morreu pois deixou efectivamente de haver qualquer gota de confiança, deixamos de acreditar e de confiar na plenitude do que nos dizem e as suas desculpas esfarrapadas e deturpações puxadas já nem sequer queremos engolir.

Sem confiança não há Estado logo sem confiança não há Governo. Sem confiança vemos o que de facto temos: uma aristocracia, gorda e anafada cuja principal preocupação é proteger-se a si própria, alimentada e sustentada por todos nós, o reles plebeu eternamente ingénuo que lhes enche os cofres e as suas grosseiras barrigas.

Nada por acaso, na semana passada dei por mim a reler a Declaração de Independência dos EUA (quem nunca leu, merece perder uns minutos a conhecer este texto todo) e logo no início do texto, encontramos esta frase:

“… a fim de assegurar esses direitos (vida, a liberdade e a procura da felicidade), governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade.”

A principal razão para a independência está aqui, um pressuposto que é aplicável a qualquer nação deste nosso planeta: SEMPRE que um governo se torne DESTRUTIVO da nossa liberdade, das nossas VIDAS, temos o DIREITO, o DEVER de alterar ou abolir esta forma de governo. Se um estado não consegue criar as condições para nos sentirmos felizes e seguros, então não é estado que valha ser mantido. Temos que ser exigentes, tal como são connosco quando chegamos à hora de pagar impostos. Esperam tudo e mais algum de nós, exigem a nossa paciência infinita e depois rezam para que não nos lembremos das suas traições sucessivas que compõem a sua desgovernação continua.

E porque é que toleramos isto? Porque é que devemos passar por sucessivos governos a transferir os lucros do nosso trabalho para financiar falências de bancos e empresas e sucessivas bancarrotas de um Estado criminosamente gerido? Tanto doutore que por ai anda, tanta ciência política, mas ainda não vi ninguem a cienciar coisa nenhuma. Tal como fez a aristocracia durante séculos, estes agora andam a gozar com a nossa cara, e não é por termos eleições de vez em quando que temos democracia. Longe disso. Nós temos democracia porque existem consequenciais verdadeiras e palpáveis para quem viola e abusa do poder que é confiado a quem elegemos. Se não existem consequências, se não existe um sistema de justiça que se veja, se não há respeito pelos cargos que se ocupa, se não se tem noção da diferença entre politiquice e governação, ora então não temos democracia.

A meu ver, a partir do momento em que 64 pessoas foram mortas no inferno, houve uma 65ª morte: a Terceira República. E embora hajam responsabilidades pelas a apurar pelas mortes destas vítimas, os responsáveis pela morte da III República são óbvios. Sabem aquele feeling que têm tido no fundo do vosso estômago ao longo das últimas semanas? Aquele sentimento que algo está muito mal? É o que acontece quando nos deparamos com a realidade por detrás da cortina, a realidade que têm feito de tudo para se manter escondida.

Qual a diferença de outras calamidades? É que hoje em dia os meios de comunicação já não se resumem à televisão, à radio e aos jornais. Hoje temos meios que vão mais longe, que vão até ao terreno se for necessário, e a verdade pode ser exposta perante todo o mundo enquanto temos uma máquina inteira a tentar esconder o sucedido. E a principal diferença com Pedrógão? Houve quem desta vez dissesse BASTA, e essa voz é crescente e não se cala, não se esquece e não vai largar este tema: desta vez cruzaram uma linha e não há volta a dar.

Da comunicação social à classe política, andam a bombar ao máximo para esconder a morte da III República Portuguesa. O Thomas Jefferson dizia são necessárias revoluções de geração em geração, pois os valores naturalmente evoluem e creio que não estou sozinho em dizer que se antes não me revia neste sistema, então agora ainda menos. É elitista, é paternalista, é lento, é demoroso, é incompetente, é o oposto de profissional e pior, é cúmplice da morte dos nossos compatriotas.

Não percebo como é que é aceitável ter um Estado com a dimensão do nosso que funcione tão mal, que serva tão mal a grande maioria das pessoas. Não percebo como é que se despreza tanto quem inova, quem cria, quem trabalha, quem faz acontecer, e valoriza principalmente quem cala, quem obedece, quem concede, quem segue, quem baixa a cabeça. Não percebo.

A 3ª República é constituída por todo um sistema político e económico que não se aplica aos tempos que correm. Não entendo a necessidade de ter uma classe altamente profissionalizada numa única actividade, a política, que não exige experiência profissional para exercer cargos de alta responsabilidade e remuneração. A politica por si só não é razão suficiente para se exercer um cargo, e infelizmente, a grande maioria de quem governa, fá-lo pela sua competência política, e raramente pela sua competência profissional.

E isto trata-se de toda uma classe, que fora aquilo, que sabem eles fazer? Serem advogados? Serem professores universitários? Interpretes eruditos daquelas tretas a que eles chamam de “leis” que são eles que escrevem para posteriormente saber precisamente como furar em interesse deste ou daquele grupo económico?

Podemos e devemos exigir melhor, e temos que começar IMEDIATAMENTE a conceber a IV República. Chegamos a este ponto por alguma razão e deixar atrasar esta transição inevitável para um sistema que seja, de facto, justo, só nos aproxima cada vez mais a um país do terceiro mundo, ou na pior das hipóteses, conforme idealizam Jerónimo e as Mortáguas, a Venezuela.

Temos que garantir que este ciclo de poder que se fixa única e exclusivamente numa pirâmide invertida de corrupção e incompetência é quebrada de vez.

Andam todos a manter o pó bem alto para que não vejamos o cadáver que é a III República, mas um dia, o pó irá assentar, e por detrás desse cadáver, tal como aconteceu com as 64 vítimas dos fogos, estaremos nós. Porque quando a coisa aperta e o povo exige liderança, só podemos contar connosco. Os outros, é sabido, vão para longe, vão para Palma de Maiorca ou vão para a Assembleia da República insultarem-se uns aos outros. Efectivamente nada é feito, e não sentimos nem mais confiança nem mais segurança.

Sendo assim, digam-me, precisamos deles para o quê?

64 Razões Para Demitir-se Sra. Ministra

1.

1.
Miguel A Lopes – EPA

2.

2.
EPA

3.

3.
LUSA

4.

4.
LUSA

5.   6.   7.

8.

8.
Patricia De Melo Moreira – AFP

9.  10.  11.

12.

12.
Patrícia De Melo Moreira – AFP

13.  14.  15.

16.

16.
DR

17.

17.
Paulo Novais – EPA

18.    19.

20.

20.
Rafael Marchante – Reuters

21.  22.  23.  24.

Será que ainda não percebeu?

Precisa mais?

25.

25.

26.

26.
António Cotrim – Lusa

27.  28.  29.  30.  31.  32.

33.

33.

34.

34.
Lusa

Fracasso.

35.

35.
Paulo Novais – Lusa

Desastre.

36.

36.
Rafael Marchante – Reuters

Um absoluto horror.

37.

37.
Patricia De Melo Moreira – AFP

F. R. A. C. A. S. S. O.

38.  39.  40.  41.

Será que ainda não entendeu a dimensão do que aconteceu?

42.

42.
Patrícia De Melo Moreira – AFP

Perante a dimensão dos estragos, perante a quantidade dos MORTOS, é impensável que ainda não se tenha demitido.

43.  44.  45.  46.  47.  48.  49.

Aconteceu sob a sua vigia.

O caos foi total. O resultado? A pior catástrofe da nossa 3ª República.

Perante a desorganização, quem melhor conhecia o terreno, quem poderia melhor conduzir o combate não teve sequer oportunidade de dar indicações, apresentar as suas opiniões, partilhar a sua experiência. Acreditaram que quem vem de fora sabe sempre melhor que quem lá está, só porque detêm de títulos e “cargos”.

Explique exactamente do que é que serviu a sua presença no terreno?

Para o que é que serviram as afirmações do Presidente da República, dizendo que tudo o que podia ter sido feito tinha sido feito enquanto o número dos mortos aumentava escandalosamente?

Era para se sentirem melhor perante o vosso falhanço colectivo?

Era para não terem que sentir a verdadeira e derradeira responsabilidade do vosso fracasso?

50.

50 - Rafael Marchante Reuters

Demita-se

51.

51.
Patricia de Melo Moreira – AFP

Demita-se.

52.

52.

Demita-se e peça desculpa.

53.

53 - AFP PHOTO PATRICIA DE MELO MOREIRA

Mas diz que não se demite, que teve “os piores dias da sua vida”.

E nós?

E nós que estivemos impotentes enquanto os nossos compatriotas morriam às dezenas?

E nós que passamos horas sem fim a espectar este terror?

Da sua vida???

E a vida de quem voltou às suas casas e encontrou nada, apenas cinza?

E as vidas de quem voltou às suas casas e agora tem que enterrar os seus parentes e vizinhos?

E as vidas de quem voltou às suas casas, que por acaso sobreviveram, só para descobrir que tinham sido saqueadas por escumalha que nem me atrevo a chamar de vida humana?

E as 64 vidas que já não serão vividas?

O “pior dia da sua vida”?

As palavras que deveria proferir, e já, para além de um pedido profundo de desculpas, sublinhado com o resto de dignidade que lhe resta por algum dia ter aceite um cargo para o qual não tem a ponta de competência ou habilidade que se veja para exercer, deviam ser apenas: “demito-me”.

54.

54.
Patricia de Melo Moreira – AFP

55.

55.
Paulo Cunha – EPA

56.

56.
Patricia de Melo Moreira – AFP

57.  58.

59.  60.

61.

61 - LUSA

Perante o enterro das vítimas, está na hora de pedir desculpas. Não é assumir culpa, não foi a Senhora que causou o fogo, mas deve pedir desculpa aos mortos, aos moradores da região, a Portugal.

Isto não se trata de política, trata-se de dignidade, de confiança.

Isto não se trata de esquerda ou de direita, trata-se de sentido de dever, sentido de Estado.

Você não é Ministra. Você está Ministra, e a verdade é que com a extinção da última chama, já não devia estar perto desse cargo.

Entregamos a nossa confiança ao Estado para que o Estado nos proteja, e ao invés o Estado confia no povo.

Falharam gravemente. Já não há confiança.

Deve assumir a responsabilidade perante o que se passou.

Quem detém a responsabilidade perante as autoridades que fracassaram na protecção de 64 almas lusas deve ser responsabilizada.

62.

63 bombeiros galegos

Mesmo na hora em que mais precisávamos, os nossos irmãos galegos vieram para ajudar, movidos por uma força sobre-humana que os impedia de presenciar o terror na televisão. Organizaram-se e puseram-se a caminho.

A entrada deles no nosso território foi recusada por si, demonstrando a sua plena incompetência e a incapacidade da sua equipa em liderar com qualquer eventualidade que fuja ao status quo. Não sabem lidar como o que não se espera, logo não podem ter a vida dos Portugueses nas vossas mãos.

Não só perdeu a nossa confiança como dos nossos amigos, dos nossos vizinhos, dos nossos irmãos.

Como irão confiar em si na próxima vez? Nós pedimos ajuda aos céus, e a Europa respondeu, os Espanhóis responderam e vieram! E nessa hora disse que tinham “excesso de voluntarismo”, insultando a honra quando o que os chamava era das mais nobres das intenções: salvar vidas, salvar vidas Portuguesas.

63.

64 - Joana Bourgard RR

Demita-se Sra. Ministra. Não tem condições para governar. O povo já não confia em si. Não é só confiança no Estado e no governo, é a confiança que temos na Terceira República que está em causa.

Chegamos à severa conclusão que da maneira como isto está organizado, Portugueses morrem. Sem responsabilidade, irão morrer ainda mais.

64.

62

Demita-se Sra. Ministra, porque estamos fartos de ver o nosso país a arder e os nossos heróis a padecer.

Demita-se Sra. Ministra.

Demita-se.

 

 

Social-democracia nunca!

Texto inicialmente publicado no Instituto Mises Portugal :  http://mises.org.pt/2017/04/social-democracia-nunca/



Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=1jcxu0oyQI4

Num precedente texto[1], fiz a apologia que a social-democracia poderia perfeitamente se enquadrar com o liberalismo. Este texto suscitou alguns apontamentos por parte do Mateus Bernardino que considero extremamente pertinentes e que me permiti de retomar, reorganizar e completar.

  • Definição

Em primeiro lugar, existe um problema relativamente importante para o que diz respeito à definição de social democracia. Esse problema não está associado à categorização em termos de esferas de liberdade que aparentemente o André empreendeu. Ele está associado à natureza mesmo do que define aquele paradigma político. Isso quer dizer, a social democracia é um conjunto de ideias, mas sobretudo, uma estratégia política perfeitamente coerente com esse conjunto de princípios, valores e ideais socialistas. De forma clara, a social democracia é apenas a aceitação de uma estratégia revolucionária menos radical, e procurando utilizar do aparato democrático que se encontra desde o século XIX em determinadas civilizações ocidentais com intuito de implementar, progressivamente, o projeto político socialista, e toda agenda de reformas que possa ajudar nessa estratégia que terminará por moldar as instituições sociais do ocidente de forma a que elas não sejam, depois, mais do que a própria síntese daquele projeto socialista. A ideia geral se expressaria muito bem naquela proposição dizendo, grosso modo, “que todos serão socialistas sem sequer darem conta disso”.

Enquanto estratégia política, a social democracia pode envolver, mobilizar ou instrumentalizar – para aquele projeto –, ao mesmo tempo, a maioria das mais diversas correntes e tendências socialistas, indo desde marxistas radicais até “social-liberais” centristas, e englobando desde respostas concretas e aplicadas aos problemas sociais quotidianos até um ideal de valores sociais, institucionais e socioculturais que terminam por incrustar na vida pública e social a mentalidade coletivista, estatista, assistencialista, igualitarista e de democracia total – desde que compatível com suas aspirações e agenda.

Tudo isso esclarecido, é preciso ter cuidado ao apresentar a social-democracia como uma versão mais liberal de socialismo, por mais que ela seja, de fato, dentro da ótica revolucionária, menos danosa em termos de liberdades. Isso porque ela não tem qualquer vínculo efetivo ou compromisso legítimo com o liberalismo. Vale uma revisão das teorias de Rosa Luxemburgo, do desenvolvimento do movimento Fabiano na Inglaterra e algumas noções sobre Antonio Gramsci para o que diz respeito aos aspectos socioculturais.

  • Prática

A ideia geral de que com governos sociais-democratas é perfeitamente possível alinhar uma produção indireta pelo Estado (regulamentação, parcerias público-privadas, concessões…) a uma certa autonomia para a iniciativa privada, ou ainda, é possível que o governo forneça serviços sociais sem tolher totalmente a liberdade para o empreendedorismo. Deste ponto de vista, a social-democracia é com certeza menos custosa em termos de liberdades que o socialismo desenvergonhado.

No entanto a social-democracia continua a ser um mal menor; é interessante lembrar que o modelo está longe de representar uma pauta ou agenda efetivamente liberal, fundada na propriedade. E se tomarmos como referencia um ambiente de liberdade, o custo de empreender e de gerir negócios é bastante elevado, não fosse pelo peso do fardo fiscal e da papelaria burocrática, que acaba muitas vezes por inviabilizar a entrada nos mercados ou favorecer os produtores consagrados, e limitando o potencial de crescimento dos pequenos negócios. É o ambiente perfeito para o capitalismo de compadres.

Assim, isto demostra que a social democracia não tem verdadeiramente um objectivo. É uma mera constatação, que tanto pode ir para um lado como outro. A famigerada conversa entre Otelo Saraiva de Carvalho e Odolf Palme[2], é um indício que nos explica uma das razões pela qual social-democracia nórdica é mais liberal que, infelizmente até agora, a social-democracia portuguesa.

  • Path dependence

A social-democracia tem por consequente a fraqueza de ser um mero intermédio, a sua vocação liberal apenas se poderá revelar se for pilotada por liberais, ou pelo menos pessoas que apliquem uma agenda mais liberal nem que seja por força das circunstâncias[3]. Essa fraqueza é tanto mais perigosa quando sabemos ao que ponto o Estado está sujeito à “path dependence”.

O que é a “path dependence”? Traduzido literalmente significa a “dependência do caminho”[4], e dito de maneira mais colorida, é simplesmente o comodismo. O Estado, como qualquer um de nós, tem uma certa tendência para se deixar influenciar pelas decisões do passado, em continuar a lógica que vem detrás. A “dependência do caminho” foi particularmente visível com os Governos de Margaret Thatcher que, apesar de toda a retórica liberalizante e várias medidas tomadas nesse sentido, foi por exemplo incapaz de cortar na despesa social do Estado, como se pode ver no gráfico abaixo[5] :

Ora a social-democracia é apesar de tudo uma ideológia que, no mínimo, defende fortes gastos sociais e impostos correspondentes. É pouco provável que venha a aceitar privatizações e liberalizações em troca de esses mesmos gastos e impostos pelo simples peso da História. Além que quem diz impostos e gastos diz administrações, diz burocracia, diz regulamentos. Pois serão necessários funcionários para cobrar e redistribuir os montantes, teremos de lhes dar meios para tal, teremos de edictar regulamentos para saber o que taxar ou não, como redistribuir ou não etc. Ou seja ainda fazer um compromisso sobre os gastos e os impostos, é potencialmente aceitar um compromisso que nada mude!

  • Conclusão

Voltanto assim ao tema do PSD, e de maneira geral ao “entrismo”[6], esperar por si só que aquele partido liberalize a fundo Portugal é ser francamente ingénuo. É certo que a situação de fragilidade financeira do Estado português fez com que dificilmente este possa continuar a inchar continuamente.

No entanto fazendo jus à “dependência do caminho” algumas medidas liberalizadoras tomadas por Passos Coelho poderão ter algum impacto para se continuar no caminho da liberdade. Agora não se trata de defender aqui que a melhor forma de liberalizar é de entrar no PSD.

Cada um faça como bem entender, e tenha sucesso na tarefa. Estes textos serviram para demonstrar sobretudo que não se obterá grande coisa esperando que os outros se mobilizem. Mais, nunca se esqueçam que se o Bom é impossível de alcançar, apenas podemos tender a ele, podemos sempre conseguir fazer pior… #Venezuela.

Também serve de apelo aos militantes e dirigentes do PSD. Em si a social-democracia não é um fim. O fim é o bem-estar sustentável das pessoas. Ora a recente falência do Estado, e a sua incapacidade em resolver os problemas dos nossos compatriotas, quando outros países mais liberais chegam a melhores resultados apenas vos devem incentivar a considerar o liberalismo como algo de bom para implementar.

Mesmo eleitoralmente, ter um discurso e uma prática liberal paga. Lembrem-se da campanha de 2011, em que Passos Coelho era taxado de ultra-liberal. Não acabou por ganhar as eleições? Durão Barroso também ganhou a prometer várias medidas liberalizadoras. Cavaco Silva ganhou duas maiorias absolutas sendo o primeiro a dar a maior machadada ao PREC. Sá Carneiro também ganhou voltando a aproximar-se de ideias mais liberais[7]. E, pelo contrário, em que circunstâncias o PSD perdeu as eleições?

Com Manuela Ferreira Leite, provavelmente a mais estatista dos candidatos em 2008 e como o revela a cada dia que passa desde então. Com Santana Lopes, que já andava a prometer o fim da austeridade (que nem veio…). Com Fernando Nogueira, o mais “consensual” dos candidatos. Com Mota Pinto o mais próximo candidato do PS que fez a seguir o Bloco Central. O próprio Sá Carneiro não ganhou em 1975 e 1976 quando andava a repetir os chavões do PREC, se bem que de forma mais aromatizada. Sobre a campanha de 1999 é difiícil pronunciar-se, Durão Barroso foi chamado um pouco à última da hora depois da desistência de Marcelo. Além de ser difícil ganhar num contexto em que Portugal crescia a bom ritmo (com os alarmes a soarem cada vez mais é certo) e com uma das suas melhores notas em termos de liberalismo económico[8].

Aliás, eu aposto que Passos Coelho teria obtido a maioria absoluta em 2015 caso não tivesse havido o monstruoso aumento de impostos, se a CGD fosse privada como o próprio propus em 2008, se não se tivesse voltado a reverter a Lei do Arrendamento, etc.

Como disse o Carlos Guimarães Pinto, “entre a social-democracia do PS e a social-democracia do PSD, os portugueses tenderão a preferir a primeira, porque ao menos lhes garante paz”[9] (quem diz paz entenda os sindicatos calados e a comunicação social complacente, creio que nos entendemos).

[1] http://mises.org.pt/2017/03/social-democracia-sempre/

[2] Otelo : « Nós em Portugal queremos acabar com os ricos! »

Palme : « Curioso. Nós na Suécia queremos acabar com os pobres. »

[3] O Governo de Passos Coelho pode servir de exemplo, na medida em que a emergência financeira o obrigou a tomar certas medidas liberalizadoras para evitar que o Estado fosse à falência.

[4] http://www.cairn.info/resume.php?ID_ARTICLE=SCPO_BOUSS_2010_01_0411

[5] Thatcher esteve no poder entre 1979 e 1990. O grande corte corte occoreu portanto durante o Governo de John Major, o seu sucessor também conservador.

[6] Por «entrismo » entendo quem defenda que para mudar o sistema tenhamos de entrar nele.

[7] O meu episódio preferido de Sá Carneiro está na biografia « Solidão e Poder » de Maria João Avillez, p. 105 :

Sá Carneiro e mais alguns reuniram-se para elaborar as bases programáticas do PPD. Propuseram a Barbosa de Melo de o reler. Acabou por desistir dizendo : “há um equívoco, realizaram as bases programáticas de um partido liberal”.

[8] https://www.fraserinstitute.org/economic-freedom/graph?page=graph&area1=1&area2=1&area3=1&area4=1&area5=1&type=line&min-year=1970&max-year=2014&countries=PRT ; André Azevedo Alves, “Depois da década perdida”, p. 36, in : “XXI Ter Opinião 2013 – Adeus Liberdade. Viva a Liberdade”, Fundação Francisco Manuel dos Santos.

[9] https://oinsurgente.org/2017/02/15/uma-licao-para-o-psd/