Carta Aberta ao Sr.Presidente da República

Excelentíssimo Senhor

Presidente da Republica Portuguesa

Professor Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa

Assunto: Encerramento do Centro de Dia de Vila Facaia, contra a vontade expressa dos utentes e povo de Vila Facaia – Pedido de intervenção da Presidência da República para defender os interesses e serviços à população

Dirigimo-nos a Vossa Excelência solicitando algum tipo de intervenção ou apoio para evitar o encerramento deste serviço em Vila Facaia, como deverá saber, tão afectada pelos incêndios em Junho 2017, e, naturalmente, com uma população envelhecida que cada vez mais necessita deste tipo de infraestruturas e serviços de apoio.

Este Centro de Dia de Vila Facaia, pela urgente necessidade, foi uma obra conseguida pelo esforço da própria população, em 1996, e pela Junta de Freguesia de Vila Facaia que comprou terrenos. Houve também donativos de oferta de materiais de construção por um comerciante do sector da construção da zona.

O Centro de Dia de Vila Facaia, propriedade da Junta de Freguesia de Vila Facaia, que iniciou actividade a servir 6 utentes, e, actualmente serve 10 utentes, é um monumento à união e força de vontade do povo Pedroguense e de Vila Facaia, e está em risco iminente de ser encerrado definitivamente pelo seu explorador, a Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande, tendo sido necessária uma rápida intervenção, há alguns dias, de elementos da Junta de Freguesia de Vila Facaia e da população, para evitar o retirar de equipamentos do interior do Centro de Dia para assim acelerar o seu encerramento.

A justificação que nos é dada pela SCMPG é a despesa elevada, e que podem transferir os utentes para o seu centro de dia na Graça, que se localiza a 5km, mas sabemos que foram feitas diligências para que o C.D. de Vila Facaia, fosse doado pela JFVF à SCMPG, tal como aconteceu no caso do C.D. da Graça, há vários anos atrás. Não foram oferecidas quaisquer garantias que o Centro se irá manter aberto enquanto necessário. A população e Junta de Freguesia de Vila Facaia têm recusado esta proposta da SCMPG, e esta é a resposta a essa recusa.

Como antecedente, temos o Centro de Dia da Graça que tinha também sido construído pela população, que o terreno até tinha sido doado por locais à junta para construção de uma capela (mas ao invés foi construído um centro de dia, visto que existia maior necessidade deste). Após uns anos, foi tudo doado à SCMPG. Hoje este C.D da Graça, serve apenas 6 utentes, em comparação com o C.D. de Vila Facaia.

Temos também conhecimento que a Câmara Municipal de Pedrógão Grande, anualmente, transfere fundos de apoios sociais para a SCMPG e para os Centros de Dia, além do mais, os relatórios de despesas da SCMPG, demonstram que o saldo negativo do Centro de Dia de Vila Facaia é bastante inferior (menos de metade) do centro de dia da Graça, dificultando ainda  mais a nossa compreensão sobre o cenário que nos é colocado.

Correm, de momento, abaixo-assinados pela população em Vila Facaia, nas instalações da Junta de Freguesia, assim como por via digital, petição pública online.
Em baixo, o comunicado oficial que foi passado à população pela JFVF:
image.png
FONTE: Freguesia de P.Grande

Assim como o último relatório de Gestão, de 2017, pela Santa Casa da Misericórdia de
Pedrógão Grande:

image (1).png
FONTE: Relatório de Gestão de 2017

Pelo exposto, vêm estes cidadãos, através do Movimento Cívico Não Nos Calamos, aqui
representado por mim, solicitar a V.Exa. a providenciar as diligências possíveis que permitam ajudar a impedir o encerramento deste centro.

De V Exa

Atenciosamente,

Cristina Miranda

Andam a gozar com o povo de Vila Facaia

Já não bastava esta gente ter sido vítima dos maiores incêndios mortais de que há memória neste país. Já não bastava muitos deles terem sucumbido na tragédia, deixando pais e filhos órfãos. Já não bastava também, e para cúmulo, terem sido roubados nos donativos que lhes foram doados para ajudas à reconstrução das suas casas e negócios, depois dos grandes fogos! Não! Tinham, também, de lhes arrancar o pouco que ficou de pé e lhes vai dando alguma dignidade – se é que isso é possível a quem tudo perde na vida – à sua pobre velhice: o Centro de Dia de Vila Facaia!

É inacreditável! Depois de ver fracassado o seu pedido de doação daquele edifício pela Junta de Freguesia, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande, de forma unilateral e sem aviso prévio, ordenou o encerramento imediato daquele espaço e transferência dos idosos para a Graça, a 15 kms, alegando que o Centro dá despesa! Mas desde quando é que a assistência a idosos tem por base o lucro? Para que serve o dito Estado Social? Para que raio se desconta e paga impostos neste país?

Acontece que esse edifício foi erguido com donativos da população em materiais, equipamentos e mão de obra há mais de 20 anos. O terreno foi comprado pela Junta de freguesia, presidida à época por João Vaz,  aos populares. Todos na terra sabem disso. Foi com o esforço e vontade dessa gente que se criou aquele espaço indispensável à pequena população muito envelhecida de Vila Facaia. Com que direito, então, a Santa Casa da Misericórdia se tenta apropriar do que não é seu? Com que base legal este Provedor dá início, mesmo assim, a este processo tendo até, tentado proceder à desmontagem dos corrimões na zona de banho dos idosos? Algo aqui não bate certo.

Mas o mais bizarro ainda foi a actuação do Presidente da Junta que, depois de uma emigrante, Manuela Henriques, a residir a 2200kms do país, ter tomado conhecimento do plano do Provedor, e ter pressionado com fervorosa insistência para que impedisse o prosseguimento do processo, a menos de uma semana da data de fecho da unidade, ter colocado um edital anunciando o encerramento consumado do Centro de Dia no próximo dia 30/09! Como é possível a Junta de Freguesia não se ter insurgido contra esta acção, levada a cabo pelo Provedor da Santa Casa, que tudo leva a crer ser uma acção muito pouco transparente? Como pode o Presidente ceder tão facilmente à intenção do Provedor sem luta atempada pelos interesses da população de Vila Facaia, vindo apenas uma semana antes da data de encerramento, num edital, comunicar o mesmo, justificando não ser da sua responsabilidade. Foi apanhado também de surpresa? Só tomou conhecimento da situação no momento em que agiu? Isto não faz sentido.

Este Centro, que tem também apoio domiciliário, é muito mais do que um local onde os idosos passam os seus dias. É uma família. A única maneira de alguns terem companhia e apoio em momentos de aflição quando é por de mais sabido que o interior está completamente abandonado e entregue à sua sorte.

Há aqui qualquer coisa que cheira mal… Aliás, há muitas coisas que “cheiram mal”: seguramente os portugueses merecem melhor: sejam eles do interior, do litoral, do norte, do sul, do centro…ou emigrados: somos portugueses. Merecemos respeito, transparência, honra e dignidade. Compete-nos, a todos e a cada um, exigir o que merecemos. Ou o fazemos, ou somos cúmplices de um qualquer sistema que se foi instalando mas que temos conhecimento que existe: logo, a indiferença não pode ser a desculpa e a inércia não será, seguramente, a solução.

Por isso, já que aqueles que têm o poder fecham os olhos – falta saber porquê – às populações, nós, e em nome do Movimento Cívico que represento, mais uma vez Não Nos Calamos e sairemos em defesa desta gente denunciando, exigindo que a justiça seja reposta indo até onde for necessário para impedir tamanha crueldade contra indefesos.

Cristina Miranda

 

Via Blasfémias

Presidente Marcelo, os donativos de Pedrógão Grande foram desviados!

Já foi encontrado parte do dinheiro dos donativos desaparecidos em Pedrógão, e que pôs a sociedade a questionar seu paradeiro, até o próprio Presidente da República,  ao ver que muita gente, um ano depois, continuava sem ajudas. Aleluia!! Afinal não andava perdido. Não senhor! Nada disso! Estava só “muito  bem guardado”  pelos autarcas locais e seus preciosos colaboradores para ser distribuído pelos familiares, amigos e familiares de amigos! Portanto tratou-se apenas de fazer uma “boa gestão dos dinheiros solidários” por forma a garantir que chegava primeiro e depressa aos que deles não necessitavam antes de esgotar. Exactamente como fazem os  oportunistas, ladrões, salafrários sem um pingo de carácter pelo nosso país fora! 

Numa Reportagem corajosa de Ana Leal na TVI ficamos então  com a confirmação daquilo que já todos suspeitávamos: os cerca de 15 milhões de euros (coisa pouca) doados pelos portugueses solidários  com a tragédia de Pedrógão,  estavam a ser sugados descaradamente pela máfia do costume sempre atenta às boas oportunidades para meter dinheiro ao bolso seja ele do que for.

O plano era simples: fazer com que o dinheiro ficasse todo nos bolsos de gentes da terra sejam vítimas ou não. Para isso, aconselhava-se a quem não viu arder suas casas de 1ª habitação, que aceitassem a falsificação dos dados de modo a serem contemplados. Enquanto isso, os que verdadeiramente viram arder todo o património de uma vida ficavam em lista de espera para receber migalhas ou nada. Falta só  saber o que estes conselheiros levaram em troca. Não há almoços grátis.

Assim, e com a conivência da Câmara Municipal de Pedrógão, foi possível reabilitar com prioridade, casas devolutas inabitadas há anos; palheiros e abrigos para carneiros; casas de férias e até casas que nunca existiram, como sendo de 1ª habitação,  em tempo recorde e por valores exorbitantes que claramente não correspondem ao investimento feito! Isto sem falar dos envelopes entregues em mão com dinheiro vivo sem qualquer controlo como denunciam alguns habitantes.

Enquanto isso, as verdadeiras vítimas,  esperam e desesperam por apoios que nunca vêm ou se vêm, são tão irrisórios que dá vontade de desistir. A uns atolam-nos de burocracias para que se contentem com 5000 euritos. Outros esperam em casas da Segurança Social a conclusão das obras que nunca mais acabam, com o aviso de despejo à porta. Outros valeu-lhes a ajuda de voluntários que fizeram as obras e doaram materiais. Outros ainda, não viram mexer sequer um tijolo na sua propriedade carbonizada.

Confrontados os responsáveis do poder local com estas evidências, a reacção foi a de sempre: não vi nada, não sei de nada, não há ilegalidades, somos todos bons rapazes, isto é calúnia. Até vão apresentar queixa contra a TVI, tadinhos destes injustiçados! Fazem lembrar aqueles putos que foram ao pote de mel e apanhados todos besuntados afirmam que não sabiam do mel. Estão a ver? Canalhas sem vergonha é o que são!

A verdade no entanto, por muito que a neguem, não deixa margens para dúvidas. O fundo Revita (para onde foram canalizados todos os donativos) e a CCDR foram os responsáveis pela selecção  das casas a apoiar. Eram eles que mandavam nos fundos privados. Escusam de mandar areia para os olhos! Curioso porém  foi ver a seguir à exibição da reportagem, o desbloqueio imediato de 350 000 eurospara apoio a agricultores e entrega de electrodomésticos doados. A comprar silêncios?

Infelizmente e por tradição somos assim. Um povo que não vê maldade nenhuma em se apropriar do dinheiro público por achar que “ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão”. Justificamos os nossos delitos com os exemplos que vemos de cima. E por isso, dizemos tal como se viu na reportagem ” fiz porque os outros também fizeram” ou fizemos porque nos mandaram” sem qualquer demonstração de culpa.  É o país real que temos. Por isso seremos eternamente pobres enquanto esta mentalidade persistir.

Aqui há tempos Marcelo queria saber onde parava o dinheiro de Pedrógão Grande. Está aqui. Já pode e deve  pronunciar-se em defesa da honra do nosso país.

Aguardemos.

Cristina Miranda(Sigam a Cristina no Facebook)

Via Blasfémias

Parem com essas lágrimas de crocodilo!

Perdoem-me mas é absolutamente insuportável ouvir certas figuras políticas falar sobre a tragédia de Pedrógão Grande! Com  ar sério fingindo-se preocupados e emocionados com aquele fatídico dia vêm passados 365 dias dizer alarvidades como se os portugueses fossem um bando de estúpidos sem qualquer capacidade de análise. Continuamos com o mesmo SIRESP apenas com umas “melhorias” e  com a mesmas cláusulas vergonhosas que desresponsabilizam em caso de catástrofe; continuamos com 60% de casas por reconstruir; continuamos com vítimas sem água nem luz nem apoio psicológico; continuamos com os mesmos “boys” incompetentes na ANPC; continuamos em meados de Junho sem prazo de entrega de viaturas à GIPS e GNR  para combates a fogos; continuamos sem saber onde estão os donativos; continuamos sem saber porque o Estado compra mais 4 Kamov por ajuste directo depois da experiência desastrosa com esse equipamento; continuamos sem saber porque o  Estado ainda não foi formalmente acusado por negligência depois de três inquéritos independentes que o comprovam. Francamente!

Como se isto já  não bastasse vem o Primeiro Ministro afirmar que “Portugal devia ter estado mais alerta a tempo e horas para evitar Pedrógão” quando foi ele próprio como ministro da Administração Interna que fragilizou o SIRESP alterando clausulas para diminuir custos. Foi seu comparsa Lacerda Machado o autor do brilhante texto que transformou o SIRESP naquilo que ele é hoje – uma nulidade absoluta – com a colaboração de Constança Urbano!! Foi ele também que acabou com os guardas florestais! Foi ele que já primeiro ministro autorizou que gente sem qualquer habilitação para o cargo – professores do ensino básico, advogados, licenciados em Desporto e Lazer, enfermeiros –  integrasse as chefias do ANPC. Foi ele que fez os negócios ruinosos dos Kamov. Foi ele também que rumou para Ibiza enquanto Portugal ardia e morria gente e no regresso foi a correr fazer um Focus Group para avaliar sua popularidade e vem agora dizer que se podia ter evitado Pedrógão como se a culpa fosse dos proprietários dos terrenos que ele fez o favor de perseguir em vez de ajudar?! É preciso realmente fazer de nós todos parvos.

Por outro lado, Marcelo sempre politicamente correcto, a deixar a mensagem outra vez que tudo foi feito – claro, até os políticos foram roçar mato, coisa nunca antes vista – que todos manifestaram empenho e fizeram tudo o que era possível (e de facto o empenho foi tão grande que há bens e dinheiro  doados sem controlo nenhum e até perderam rasto a donativos). Que  “Houve um Portugal metropolitano que acordou para os “Portugais” desconhecidos, os “Portugais” do interior, que são vários. Começou a acordar em Junho e depois continuou a acordar em Outubro”. A sério?!! Como acordar se nunca dormiram sobre o assunto? O abandono do interior é um facto perpetuado ao longo de décadas por não trazer votos. Todos sabemos que poderá continuar a arder, poderá continuar a despovoar, que  o abandono às gentes do interior não vai acabar. Porque aos olhos dos políticos, quem não compensa eleitoralmente é simplesmente ignorado. Vão mas é mentir para longe!

Entretanto,  a lista  de arguidos de Pedrógão que não pára de crescer, não tem um único político  ligado ao governo, como muito convém. Nem mesmo Valdemar Alves, o Presidente da Câmara de Pedrógão Grande durante a tragédia faz parte dela como deveria. Esse, quase que por “milagre”, livrou-se de boa ao contrário dos outros autarcas. Há gente com “sorte”.

Se tudo está a ser feito é no sentido contrário ao que deveria ser. É para encobrir quem de facto teve responsabilidade e incriminar apenas a arraia-miúda. Arrastar depois o processo até entrar no esquecimento com uma condenaçãozita sem importância nenhuma. Fingir depois que nunca se fez tanto pela prevenção e combate aos fogos quando na verdade estão apenas a aplicar as mesmas fórmulas  desastrosas com cosmética. Para depois, caso se registe nova tragédia, com lágrimas de crocodilo no canto do olho, dizer: “fizemos tudo mas as alterações climáticas, os eucaliptos, os raios, os proprietários com as matas por limpar,  são culpados”. Outra vez. Eles? Nunca têm culpa de nada.

Cristina Miranda

Via Blasfémias 

Portugal está mais podre que eu pensava

Antes de falar propriamente da desgraça que hoje vi em Pedrógão, pela primeira vez, vou contar-vos o como e porquê deste artigo diferente dos outros que já fiz. Eu não gosto de políticos, detesto, mas por pragmatismo temos que sempre escolher um, que agora não vem ao agoiro, mas neste burgo à beira mar nós temos um problema mais que secular: O Povo português tem pouca instrução. Esta falta de instrução faz com que nós cidadãos comuns não tenhamos interesse nos problemas mais estruturais, digamos, do nosso País. Os nossos políticos com cartilha, existem excepções, pequenas, mas existem, aproveitam-se para lançar o baile da mediocridade. Podem dizer que vão distribuir flores eleitorais, enquanto estamos num poço sem fundo de dívida externa, podem demorar milhares de anos para entregar doações a quem devem, mas ninguém quer saber é sempre: ” Pois! Normal! São corruptos”, podem ser ou não corruptos mas eles, políticos, não tem medo das conversas de café e sofá.

Portugal não tem uma sociedade activa e que pressione a nossa classe política, é devido a este inércia que eles fazem o que querem quando querem. Daí eu, Mauro Pires, Cristina Miranda minha colega neste blog e escritora no blog Blasfémias, bem como o experiente ex-militar, formador e Bombeiro Luís Filipe criámos um movimento de cidadania para os cidadãos. Se queremos ter voz temos que nos associar, juntar, debater e especialmente discordar. É apartir da discórdia que formamos opinião. O movimento chama-se Não Nos Calamos e estamos a efectuar palestras por todo o País. Começamos em Viana do Castelo dia 16 de Setembro e vamos fazer um Tour do Norte ao Sul. Dia 23 de Setembro estamos no Porto, na Maia, para discutirmos o País.

Falemos agora na desgraça, no dia seguinte à palestra vim embora com o meu amigo e um dos fundadores do Movimento Não Nos Calamos para terras Lisboetas. O Luís quis me mostrar Pedrógão e o nosso 11 de Setembro em plena realidade negra. Num País civilizado, nem é País é mais Estado, ou com algum nível de decência já tinha retirado sinais de trânsito queimados ou árvores igualmente queimadas e caídas perto da estrada. Mas as televisões já se desinteressaram e já ninguém fala disto. Eu já sabia que era mau, mas a realidade é ainda pior. Nem tudo o que a comunicação social debita é verdade e já conhecemos uma das tristes realidades do povo, o que eles dizem está sempre certo. Mas não está. E sabem porquê? Porque o conhecimento, a instrução estão virados para o futebol e para todas as Piromanias possíveis.

A somar a esta podridão volto a dizer e a repetir: Onde está o dinheiro dos donativos? É uma pergunta que mais uma vez não é respondida.

Faço um apelo a quem é do Porto e arredores, venham conversar connosco! Perde-se um tempinho, mas ganha-se em conhecimento  e troca de ideias.

P.S: O evento no Porto é na Cidade da Maia no Quartel dos Bombeiros local, em principio. Estejam atentos à pagina do Movimento Não Nos Calamos (cliquem no nome, coloquem gosto e fiquem atentos)

Mauro Pires

Porque Arde Tanto Portugal?

d6d2a0381bccf79f7e89023e01f588ea.jpg

A minha colega Cristina a ser, mais uma vez, assertiva neste caso. Se temos Pirómanos(incendiários que neste caso são “doentes”), muitos deles seguem em liberdade, que respeito merece o Estado Português? Portugal é um SIRESP em tamanho grande, da esquerda à direita.

BLASFÉMIAS

Não faz sentido nenhum um país tão pequeno e com florestas pouco densas arder todos os anos. Portugal com uma área de cerca de 90.000 km2  representa 1% da área total da Europa. No entanto tem uma área ardida neste momento que corresponde a 33% da área ardida em toda a Europa!! Por muito que se desculpem com SIRESP, com plantações de eucaliptos, com reordenamento territorial, com comandos da ANPC ou MAI, com falta de limpezas das matas, com o diabo da natureza, há muito por explicar que vai além do mencionado e que ninguém aborda: como se dão as ignições e porquê. É por aqui que devemos começar e depois varrer os restantes problemas um a um. Porque são demasiados e alguns roçam a criminalidade.

Portugal não arde por acaso. Arde essencialmente por mão criminosa. Todos os anos. Dezenas de pirómanos são detidos mas nunca são condenados com penas exemplares…

Ver o post original 646 mais palavras

Onde Pára a Ajuda Solidária?

Passou-se um mês. UM MÊS!! Tirando a ajuda fabulosa de voluntários com donativos generosos da população residente e não residente em Portugal, não há vivalma do lado do Estado a fazer o que lhe compete numa situação de calamidade (sim, não é tragédia é calamidade pública!). Continua por entregar a lista de famílias a apoiar e respectivo levantamento das necessidades por parte da Protecção Civil e Câmara Municipal. Enquanto isso os mais de 13 milhões angariados estão a render juros nas contas bancárias de 7 entidades! Como não há pressa nenhuma, também ainda não foi accionado o mecanismo de ajuda da UE. Entretanto, as famílias vão desembolsando   dinheiro que não têm (veja aqui uma carta de uma vítima) , endividando-se, para enterrar mortos, pedir ajuda psicológica, reconstruir casas, anexos e empresas. Sim, porque o ministro do planeamento e infraestruturas já avisou: até 5000 euros podem avançar com as obras TODAS que serão ressarcidos após comprovar a despesa! Ora, força aí a  dar prioridade aos galinheiros! Sim galinheiros!!! Se na minha casa um anexo para guardar lenha com 6m2 custou 700€ que pensam eles que se faz numa casa de habitação ou empresa afectada por um incêndio com 5000? Mas estão a brincar com a vida de quem?

A falta de vergonha não tem limites. Em Moita, Castanheira de Pera, uma empresa, a Serração Progresso, que empregava cerca de 50 trabalhadores ficou completamente destruída. Sandra Carvalho, a gerente, já foi visitada 4 vezes por entidades do Estado. Foi para lhe pedirem o levantamento detalhado e urgente do prejuízos que rondam os 5 milhões de euros? Foi para lhe comunicar que a verba iria ser disponibilizada já no final do mês? Não! Foi para saberem o que pensava ela fazer com os empregados dando-lhe orientações sobre despedimento colectivo!!! Sim, ouviram bem, despedimento COLECTIVO! O problema é que Sandra não quer despedir. Quer reconstruir para continuar com os mesmos postos de trabalho. Alguém quer saber disso para alguma coisa? Não. Só a Sandra que enquanto espera usa o fundo de maneio da empresa para pagar compromissos laborais. Até acabar.

Revoltada com esta situação criei o “Movimento Cívico – Não Nos Calamos” no espaço de uma semana ao qual já se juntaram milhares de pessoas (o número não pára de crescer). Fomos ao terreno tentar perceber o que se passava para ajudar as vítimas Pedrógão Grande intervindo onde fosse necessário. Precisamente no fim de semana onde fizemos visita ao “ground zero” do fogo para investigar as causas do mesmo,  visitamos a loja social onde fomos confrontados com uma situação inédita: um camião carregado de bens doados vindo de Espanha, não tinha ninguém à sua espera. Constatamos ainda,  a anarquia verificada no teatro das operações onde os bens eram guardados em tendas fechadas com cordas, à mercê dos amigos do alheio. Sem vigilância. Amontoados sem condições algumas. Muito útil a quem por trás destes cenários cria sempre uma oportunidade para que alguns de má fé façam negócios. É sempre assim. Quem não se lembra do que aconteceu às ajudas destinadas às vítimas das terríveis cheias ocorridas em Portugal há uns anos atrás?

Como se isto tudo não bastasse, e sem que os incompetentes nos comandos da ANPC fossem destituídos, SIRESP substituído, MAI responsabilizado, eis que a tragédia se repete. Alijó tem neste momento um incêndio incontrolável que já consumiu bens e pôs populações em risco! Ou seja, ainda não se resolveu  nem corrigiu ABSOLUTAMENTE NADA que levou à calamidade de Pedrógão e já estamos com outra tragédia em cima! Vai demorar muito até se varrer a escumalha incompetente e sistema de comunicações medíocre e assassino do comando das operações de socorro a incêndios?? Vai demorar muito a pôr equipas de vigilância preventiva nas  matas? Vai demorar muito a pôr todos os meios disponíveis (e são muitos c’um catano) ao serviço das populações mas de forma séria? E os meninos pirómanos? Vai demorar muito para condená-los deixando-os apodrecer na cadeia? 

Está na hora de agir, urgentemente, porque pela amostra já percebemos perfeitamente que se não for a SOCIEDADE CIVIL a arregaçar as mangas e limpar o lixo governativo que põe suas vidas sistematicamente em risco por inércia, estas e outras tragédias maiores irão repetir-se. #NaoNosCalamos

64 Razões Para Demitir-se Sra. Ministra

1.

1.
Miguel A Lopes – EPA

2.

2.
EPA

3.

3.
LUSA

4.

4.
LUSA

5.   6.   7.

8.

8.
Patricia De Melo Moreira – AFP

9.  10.  11.

12.

12.
Patrícia De Melo Moreira – AFP

13.  14.  15.

16.

16.
DR

17.

17.
Paulo Novais – EPA

18.    19.

20.

20.
Rafael Marchante – Reuters

21.  22.  23.  24.

Será que ainda não percebeu?

Precisa mais?

25.

25.

26.

26.
António Cotrim – Lusa

27.  28.  29.  30.  31.  32.

33.

33.

34.

34.
Lusa

Fracasso.

35.

35.
Paulo Novais – Lusa

Desastre.

36.

36.
Rafael Marchante – Reuters

Um absoluto horror.

37.

37.
Patricia De Melo Moreira – AFP

F. R. A. C. A. S. S. O.

38.  39.  40.  41.

Será que ainda não entendeu a dimensão do que aconteceu?

42.

42.
Patrícia De Melo Moreira – AFP

Perante a dimensão dos estragos, perante a quantidade dos MORTOS, é impensável que ainda não se tenha demitido.

43.  44.  45.  46.  47.  48.  49.

Aconteceu sob a sua vigia.

O caos foi total. O resultado? A pior catástrofe da nossa 3ª República.

Perante a desorganização, quem melhor conhecia o terreno, quem poderia melhor conduzir o combate não teve sequer oportunidade de dar indicações, apresentar as suas opiniões, partilhar a sua experiência. Acreditaram que quem vem de fora sabe sempre melhor que quem lá está, só porque detêm de títulos e “cargos”.

Explique exactamente do que é que serviu a sua presença no terreno?

Para o que é que serviram as afirmações do Presidente da República, dizendo que tudo o que podia ter sido feito tinha sido feito enquanto o número dos mortos aumentava escandalosamente?

Era para se sentirem melhor perante o vosso falhanço colectivo?

Era para não terem que sentir a verdadeira e derradeira responsabilidade do vosso fracasso?

50.

50 - Rafael Marchante Reuters

Demita-se

51.

51.
Patricia de Melo Moreira – AFP

Demita-se.

52.

52.

Demita-se e peça desculpa.

53.

53 - AFP PHOTO PATRICIA DE MELO MOREIRA

Mas diz que não se demite, que teve “os piores dias da sua vida”.

E nós?

E nós que estivemos impotentes enquanto os nossos compatriotas morriam às dezenas?

E nós que passamos horas sem fim a espectar este terror?

Da sua vida???

E a vida de quem voltou às suas casas e encontrou nada, apenas cinza?

E as vidas de quem voltou às suas casas e agora tem que enterrar os seus parentes e vizinhos?

E as vidas de quem voltou às suas casas, que por acaso sobreviveram, só para descobrir que tinham sido saqueadas por escumalha que nem me atrevo a chamar de vida humana?

E as 64 vidas que já não serão vividas?

O “pior dia da sua vida”?

As palavras que deveria proferir, e já, para além de um pedido profundo de desculpas, sublinhado com o resto de dignidade que lhe resta por algum dia ter aceite um cargo para o qual não tem a ponta de competência ou habilidade que se veja para exercer, deviam ser apenas: “demito-me”.

54.

54.
Patricia de Melo Moreira – AFP

55.

55.
Paulo Cunha – EPA

56.

56.
Patricia de Melo Moreira – AFP

57.  58.

59.  60.

61.

61 - LUSA

Perante o enterro das vítimas, está na hora de pedir desculpas. Não é assumir culpa, não foi a Senhora que causou o fogo, mas deve pedir desculpa aos mortos, aos moradores da região, a Portugal.

Isto não se trata de política, trata-se de dignidade, de confiança.

Isto não se trata de esquerda ou de direita, trata-se de sentido de dever, sentido de Estado.

Você não é Ministra. Você está Ministra, e a verdade é que com a extinção da última chama, já não devia estar perto desse cargo.

Entregamos a nossa confiança ao Estado para que o Estado nos proteja, e ao invés o Estado confia no povo.

Falharam gravemente. Já não há confiança.

Deve assumir a responsabilidade perante o que se passou.

Quem detém a responsabilidade perante as autoridades que fracassaram na protecção de 64 almas lusas deve ser responsabilizada.

62.

63 bombeiros galegos

Mesmo na hora em que mais precisávamos, os nossos irmãos galegos vieram para ajudar, movidos por uma força sobre-humana que os impedia de presenciar o terror na televisão. Organizaram-se e puseram-se a caminho.

A entrada deles no nosso território foi recusada por si, demonstrando a sua plena incompetência e a incapacidade da sua equipa em liderar com qualquer eventualidade que fuja ao status quo. Não sabem lidar como o que não se espera, logo não podem ter a vida dos Portugueses nas vossas mãos.

Não só perdeu a nossa confiança como dos nossos amigos, dos nossos vizinhos, dos nossos irmãos.

Como irão confiar em si na próxima vez? Nós pedimos ajuda aos céus, e a Europa respondeu, os Espanhóis responderam e vieram! E nessa hora disse que tinham “excesso de voluntarismo”, insultando a honra quando o que os chamava era das mais nobres das intenções: salvar vidas, salvar vidas Portuguesas.

63.

64 - Joana Bourgard RR

Demita-se Sra. Ministra. Não tem condições para governar. O povo já não confia em si. Não é só confiança no Estado e no governo, é a confiança que temos na Terceira República que está em causa.

Chegamos à severa conclusão que da maneira como isto está organizado, Portugueses morrem. Sem responsabilidade, irão morrer ainda mais.

64.

62

Demita-se Sra. Ministra, porque estamos fartos de ver o nosso país a arder e os nossos heróis a padecer.

Demita-se Sra. Ministra.

Demita-se.