Citizen Kane: uma análise liberal

 Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=Uy6IZTrpA4A

 Acabei agora mesmo de ver « Citizen Kane », o filme considerado por muitos como o melhor da História cinematográfica americana. De facto vi um grande filme, porém continuo a considerar o Padrinho como o melhor.

 Não posso resistir a fazer um breve paralelo entre a vida de Charles Kane e o liberalismo. Alguns interpretarão esse filme como uma crítica do mesmo, em que um indivíduo foi corrompido pelo dinheiro e estatuto social, que lhe caiu em cima por acaso para mais, e que teria feito melhor ter ficado com a sua mãe numa singela modéstia. Como vêm, tanto podemos agradar à Esquerda como à Direita menos liberal com esta análise.

 Mas essa análise é incorrecta. Charles Kane foi corrompido pelo seu egocentrismo. Existe uma diferença entre egoísmo e egocentrismo :

 O egoísmo é o amor de si próprio. Ora para uma pessoa se amar a si própria precisa de se conhecer, conhecer suas qualidades e defeitos, capacidades e fraquezas. O egoísta usará o mundo ao seu redor para maximizar a sua felicidade. Ora para conseguir isso ele sabe muito bem que não pode esmagar os outros ou comportar-se de forma irracional. Tem de fazer os bons compromissos, tem de criar valor para realizar o seu propósito final que é a sua felicidade. E ao fazer isso também ajuda os demais a atingirem a sua felicidade, porque colaborou de uma maneira satisfatória para ele e os outros. Aliás, a palavra chave no egoísmo é essa mesmo: felicidade. A felicidade é um estado de bem-estar sustentável, e vão ver agora a diferença de fundo na análise do egocentrismo.

 O egocentrismo por o seu lado é uma paixão por si próprio. A paixão é por definição irracional. É um fogo que nos consome, uma procura irresistível de satisfazer os caprichos, os desejos instantâneos. O egocentrista não se preocupa em estar bem de forma sustentável ; quer que os seus desejos sejam satisfeitos imediatamente ou o mais rapidamente possível. Esses desejos podem inclusive fazer-lhe mal. Pensem no caso típico da droga. E não interessa os estragos que possam fazer ao seu redor. O egocentrista é por consequente uma pessoa potencialmente perigosa para si e para os outros.

 O liberalismo é assim a filosofia do egoísta, ao passo que os diversos estatismos são as ideologias dos egocentristas. Nós enquanto liberais defendemos o direito de cada um fazer o que bem lhe apetecer, à condição de não violar a propriedade alheia sem consentimento. Defendemos a cooperação voluntária e a reciprocidade nas relações de conflitos de propriedade. Tudo isso permite assim a cada um de ser como bem entender, sem esmagar os demais.

 Os estatismos não são assim. Valorizam “bens superiores”, defendem “causas” e são abertamente clientelistas (em regra geral, mais à Esquerda dizem defender os pobres – seja lá o que isso for – e mais à Direita dizem defender os honestos, seja lá o que isso for igualmente). Usam o poder para atingir essas finalidades, e os compromissos que eles dizem estar dispostos a fazer são, ora, meras concessões necessárias – porque sabem bem que se forem longe demais os opositores entrarão em guerra com eles – ora caprichos que estão dispostos a aceitar – por exemplo, aceitam pagar imposto porque sabem que podem ter prestações em troca, ou simplesmente porque não se importam de os pagar.

 Charles Kane tornou-se um egocêntrico com o passar do tempo, sobretudo no seu segundo casamento. Não importava mais os desejos de sua mulher, apenas os dele. Apenas a sua imagem importava. Se Kane se tivesse comportado em egoísta, ele teria feito o compromisso muito simples de levar a sua mulher a Nova Iorque. Este pequeno esforço teria salvo o seu casamento e a sua própria felicidade.

 Charles Kane apenas amou três pessoas : Rosebud, a sua mãe e ele próprio. Foi retirado à força das duas primeiras, e o seu egocentrismo matou a última.

 Orson Wells disse que podíamos analisar Charles Kane de duas formas, como um génio trágico ou um pobre idiota. Pessoalmente, tal como o jornalista, tenho dó de Charles Kane.

Anúncios

Quem não “Robles” não mama

Foi delicioso ver o BE apanhado na especulação imobiliária e alojamento local despejando inquilinos e recusando pagar as respectivas indemnizações; com um prédio comprado por 327 mil e posto à venda na Christie’s pelo valor de 5,7 milhões e escapar ao imposto Mortágua porque está avaliado nas finanças pelo preço da uva mijona no tempo do D. Afonso Batata; confirmar que são empresários capitalistas e especuladores imobiliários e que, vejam só, até recorrem a fundos da UE , eles que se dizem anti-europa! Digam lá, sinceramente, se isto não é extraordinário?

Apanhados literalmente a mamar no capitalismo, veio depois as desculpas esfarrapadas dignas dum programa humorístico ao estilo “Malucos do Riso”: “ai e tal porque quem é anti-capitalista não tem necessariamente de ser pobre” ou ” ai e tal porque Robles queria vender por 5,7 milhões mas não vendeu logo não há especulação” ou ” ai e tal porque estão a perseguir o BE por querer acabar com os interesses imobiliários e proteger o direito à habitação (ah! ah! ah!)” ou “ai e tal porque Ricardo Robles manteve com todos os seus inquilinos uma relação inteiramente correta, assegurando os direitos de todos (ah! ah! ah!)” ou – só mais esta porque são tantas – “ai e tal porque foi uma opção privada, forçada por constrangimentos familiares e no respeito pelas regras legais”. De chorar a rir!

Bom, mas isto não se fica por aqui. Analisando os factos mais de perto, percebemos que Robles conseguiu um empréstimo de 500 000€ na CGD com um rendimento declarado de 21.132,05€! Ou seja ficou a suportar uma prestação de 1260€ com um rendimento mensal de apenas 1761€ representando uma taxa de esforço de 72%. Uau!! Que milagre foi este? Isto nem com aval lá vai! E logo na CGD que como é sabido por quem geriu durante décadas empresas como é meu caso, é dos piores bancos a apoiar a economia quando se trata de pequenos e médios empresários. Mais: como obteve Robles autorização para mais um andar num prédio histórico e licenciamento em tempo recorde? Mãozinha do então Presidente António Costa e agora, Medina? E a informação privilegiada que terá recebido sobre a venda do prédio da Segurança Social? Catarina pelo seu lado foi aos fundos do FEDER (dinheirinho da UE, ah! valente!) no valor de 145 000€ para aplicar no Sabugal, em alojamento local, mas onde os clientes não conseguem ver o investimento lá feito de tão fraco e remediado que é, lembrando mais o recheio de uma loja de bens usados. Mais: soube-se que pagava aos dois únicos empregados 1,57/hora de acordo com os dados oficiais. Grande exploradora laboral que esta nos saiu, não?

Perguntam agora vocês e muito bem: mas há algo de errado em ser rico? Ter propriedades e empresas e lucrar com elas, desde que dentro da legalidade? Claro que não! Sejamos todos ambiciosos empreendedores e pró-activos que Portugal bem precisa pois de parasitas está ele cheio. O que não pode, está erradíssimo e é contra todos os princípios da ideologia que apregoam, é ser-se marxista capitalista. Isso é um ultraje. Porque de acordo com o que defendem, a propriedade privada só pode ser para habitação porque as rendas são exploração; as empresas têm de ser do Estado para impedir a exploração laboral; negócios próprios nem pensar porque gerem lucros e isso também é o resultado da exploração laboral. Só o Estado, que segundo eles deve concentrar em si todos os meios de produção, os pode ter para distribuir de acordo com as necessidades de cada um através de um salário igual para todos suprimindo assim qualquer desigualdade. Nesta ideologia só é permito ao Estado ser rico. O povo tem de ser todo igualmente remediado para não dizer pobre para que ninguém possa ter mais poder que o Estado. Ora, como podem estes bandalhos defender o que vem descrito no manifesto de Marx, impingindo-nos este tipo de sociedade disfuncional e depois, em privado, operarem como grandes capitalistas? Mas não há vergonha na cara?

Agora desmascarados duvido que Robles queira repetir o famoso orgulho manifestado em vídeo dos tais “11 meses seguintes ao 25 Abril com ocupações, nacionalizações, cooperativas de habitação e reforma agrária” pois não vá alguém entusiasmar-se com “tão nobre discurso” e ocupar as propriedades que possui. Bem, sinceramente se acontecesse era bem merecido.

Assim, o melhor seria admitirem de uma vez que a ideologia que defendem é “tão boa e gratificante” que nem eles a querem. Que defender o marxismo é impor o fracasso individual e colectivo porque limita as liberdades que eles não dispensam e assumirem sua “transexualidade política” à direita.

Ao menos assim, estarão de acordo com o que praticam. Fica a dica

Cristina Miranda

Via Blasfémias

O Triunfo Dos Porcos

De tragédia de excepção que confirmava a regra durante 7 dias (Costa dixit) a uma grande vitória em 24 horas (Cabrita dixit)

Pelo meio, o maior incêndio de toda a Europa, que deixa um balanço de completa destruição de 27 mil hectares de floresta e exploração agrícola, completamente reduzidos a cinzas, mais de 60 habitações destruídas, mais de 100 pessoas desalojadas, mais de 40 viaturas incendiadas, mais de 80 feridos, dos quais 34 com gravidade, e mais de uma centena de animais domésticos carbonizados, centenas de milhões de euros de danos e prejuízos, que levarão em alguns casos, dezenas de anos para poderem ser recuperados.

Mas segundo o ministro da administração interna, Eduardo Cabrita, foi uma grande vitória, pois podia ter sido pior.

Desta vez temos que lhe dar razão, pois de facto podia ter sido pior.

Podiam ter ardido 28 mil hectares, 61 habitações, 101 desalojados, 41 viaturas carbonizadas, 81 feridos dos quais 35 com gravidade várias centenas de animais domésticos carbonizados e podiam ter sido milhares de milhões de euros de danos e prejuízos.

Piegas estes portugueses. Sempre a queixarem-se e sempre a exigir soluções, eficiência e eficácia aos governantes e aos serviços do Estado, como se isso lá fossem coisas que pudessem ser exigidas ao Estado, a políticos e governantes.

Uma grande vitória de facto, da hipocrisia, da incompetência, do embuste, da falácia, da mentira, da mais asquerosa e vil desenvergonhada falta de vergonha.

Ou como escreveu George Orwell na sua obra “O Triunfo dos Porcos”: todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que outros”, e também em Monchique, uma vez mais, triunfaram os porcos.

porco1.jpg
Ministro Cabrita

Tolere-se o “empreendedorismo dos políticos de esquerda”. Odeie-se o capitalismo

Está na ordem do dia (calculo eu por cerca de 1 semana pois a indignação tuga tem prazo de validade curta) a polémica em torno do vereador da camara de Lisboa pelo bloco de esquerda, Ricardo Nobles que, depois de adquirir em 2014 um imóvel com a irmã por cerca de 347 mil euros, esse imóvel alegadamente deverá originar uma mais-valia na ordem dos 4,7 milhões de euros. [1]

Casos destes ocorrem diariamente. O que origina então esta indignação tipicamente tuga, que surge a uma sexta-feira em estilo fim de semana onde se espera bom tempo para praia para rapidamente ser esquecida? O facto de que estatistas em geral e, em particular esquerdistas, provarem dia após dia a sua hipocrisia na cara de qualquer eleitor, cidadão, ser humano ou animal (este último caso, caso sejam muito apologistas de que não passamos de bichos).

Vamos indignar-nos mais um bocadinho, tal como no caso do nosso primeiro-ministro, que supostamente terá comprado um apartamento em Lisboa, tendo-o vendido pelo dobro do valor meses depois[2] e cuja surpresa e indignação tuga durou uns míseros dias passando novamente a ser adorado por participar no insípido “5 para a meia-noite” e no Rock in Rio com uma tal banda de rock portuguesa.

Vamos fingir-nos chateados pelo partido comunista português ser o partido mais rico[3] e não pagar imposto sobre a Festa do Avante[4] (impostos paguemo-los nós, otários).

Com papas e bolos se enganam os tolos. Com discursos mesquinhos se enganam as pessoas principalmente quem tem memória curta. As pessoas têm uma memória tão curta que se esquecem de todas as restrições ao turismo em Lisboa e ao adorado/odiado alojamento local lisboeta que, progressivamente, se está a querer implementar[5]. Essa aberração que, no final, tornou apenas Lisboa uma cidade finalmente higiénica de vista.

As pessoas odeiam a especulação imobiliária, as casas caras em Lisboa (mas recusam-se a ponderar ir viver para Amadora, sabe-se lá porquê), os empreendedores estrangeiros que vêm para cá reconstruir Lisboa e tentar ganhar dinheiro com isso (essas bestas quadradas repugnantes) enquanto estamos super ansiosos para receber estrangeiros pobres que irão sobrecarregar o tão rico e cheio de superavits estado social português (e diminuir o nível de criminalidade no país certamente).

Os nossos políticos podem comprar e vender casas para sobreviver pois todos temos que comer (aliás para a política só vai quem abdica de si próprio pelo amor ao país) mas todos os outros são escória societal que teima apenas em gerar riqueza. Coitados dos inquilinos que são despejados pelos proprietários (aliás toda a gente sabe que o verdadeiro dono de um imóvel é o inquilino e não o proprietário) mas já vai longe a indignação pelos mortos e feridos dos incêndios, a miséria do serviço nacional de saúde, a polémica de “tancos” que aparece por vezes em rodapé, as subvenções vitalícias que os políticos recebem logo que começam a caminhar e as despesas de deslocação dos desgraçados que vivem no norte[6] mas que todos os dias se apresentam, sem falta, na Assembleia da República.

Em resumo, vamos lá fingir-nos um pouco de chateados só para parecer que acompanhamos a actualidade. Ficaremos à espera que o Ricardo apareça por aí nalguma festa da aldeia, talvez com uma banda de rancho folclórico para não se confundir com o António Costa, para voltar a ser aceite por todos.

Sara Albuquerque

Fontes Maquiavélicas:

[1] http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/respostas-rapidas-o-que-esta-em-causa-no-caso-ricardo-robles-338671

[2] https://observador.pt/especiais/antonio-costa-comprou-casa-no-rato-e-vendeu-a-pelo-dobro-10-meses-depois/

[3] https://observador.pt/2018/01/02/as-financas-dos-partidos-ou-falidos-ou-quase-na-bancarrota/

[4] http://www.sabado.pt/dinheiro/detalhe/avante-bilhetes-sem-iva-e-lucros-sem-imposto-na-festa-do-pcp

[5] https://www.tsf.pt/sociedade/interior/associacao-alerta-que-novas-regras-no-alojamento-local-prejudicam-investidores-9611394.html

[6] https://observador.pt/2018/05/04/ha-mais-deputados-a-receber-subsidios-por-residirem-fora-de-lisboa-quando-tem-casa-na-capital/

 

Jerónimo pode Chumbar o Orçamento

Dizia-se, em tempos, que o Governo de António Costa e os seus gnomos da corte eram uma Geringonça governamental, Costa mudou o jogo, hoje é a Matrioska governamental. Catarina foi engolida, Jerónimo foi a seguir, depois Costa neutralizou Arménio Carlos através dos botões auxiliares que tem no controlo remoto, guardado precisamente naquele famoso e bolorento casaco verde, que o Primeiro-Ministro usa em situações em que normalmente foge para destinos mais paradisíacos.

O objectivo do jogo é ganhar, qualquer um, seja pela via do mérito, ou então, pela via da usurpação, canal que António Costa ao longo dos seus 25 anos na Política(nunca fez nada para além de receber o nosso dinheiro), sempre usou e com orgulho, finalizando com um sorriso ardente de cinismo.

O objectivo era ser Primeiro-Ministro, atingindo tal coisa Costa tinha que usar as suar armas, neutralizando o PCP e o Bloco e dando uma palha ou outra, dizem que a Catarina gosta de rebuçados de mentol, votar PS era a mesma coisa que votar no PCP ou no BE, isto na perspectiva do eleitorado destes dois últimos partidos. Costa sabe que se sugar o eleitorado urbano, “chique”, das construções sociais, por outras palavras, o eleitorado do BE, estruturalmente o PS que já é dono do regime, passa a sê-lo mas de modo vitalício.

Aqui chega a hora de Jerónimo. Se por um lado o PCP tem um eleitorado estanque, que não passa dos 6-8% mas que ao menos não faz uma má figura eleitoral, o Bloco tende para o PS, é volátil, infantil e claramente inconstante, Catarina Martins vende-se por um qualquer cargo- já avisou que os quer- governativo, enchendo o aparelho de Estado com os seus amigos dos acampamentos. Jerónimo chumbando o Orçamento dá a maioria absoluta ao PS, não fazendo parte de mais nenhuma geringonça, Jerónimo coloca o BE numa situação de gritaria, esquizofrenia colocando Catarina Martins, Mariana Mortágua e afins de olhos em bico e em modo de esganiçadas, atitudes diárias que não lhes custa fazer.

Jerónimo perde o poder de pressão legislativa que tem hoje, algum pelo menos, mas não perde muito mais, o PCP controla parte do aparelho de Estado, controla maioritariamente os sindicatos portugueses e pára o País quando quer e quando lhe apetece, basta o caro leitor andar no metro de Lisboa e afins, para se perceber que Portugal continua com um Partido inconstitucional que pratica actos de terrorismo económico. Já Catarina, perde o vestido de noiva, perde o anel de diamantes e o sapatinho. Em resumo, fica insignificante, como sempre foi aliás, mas agora pode ser oficial. Coloquem rolhas nos ouvidos, vão precisar.

Por mais que Catarina queira os cargos, o aparelho, o Estado, se o PS ganha com maioria absoluta é um adeus efectivo, porque Costa não fará um terceiro mandato, ser Presidente da República é outro objectivo da nossa Naja de serviço. E, mais uma vez, Jerónimo sabe disso, a degradação da economia portuguesa começa a acentuar-se, não há reformas novas e as que foram feitas não houve seguimento, Costa sabe que tem que reformar é pragmático, daí os namoriscos à esquerda e à direita.

No fundo, Costa é bígamo, mas de casaco verde e com calinadas dignas de um Show televisivo do Jorge Jesus, parece me outra coisa, mas não me apetece referir, talvez a Catarina quando estiver solteira e voltar ao charro nos saiba dizer o que é.

Mauro Oliveira Pires

A Catástrofe das 35 horas no SNS

Quando criaram a Geringonça e tomaram conta do poder, prometeram tudo e mais um par de botas. Em cima da mesa estavam todas as medidas de austeridade impostas pela Troika por via do desgoverno de Sócrates – e cuja culpa recaiu sobre Passos – que era preciso reverter, custasse o que custasse, só por populismo, sem qualquer responsabilidade. Com os cofres cheio de dinheiro deixado por Maria Luís Albuquerque, a tarefa não foi difícil. Enquanto havia para distribuir, andava tudo bem no “país das maravilhas socialistas”. O problema (o de sempre) foi quando passado um ano o dinheiro esgotou-se. Puf! Dissimuladamente, enquanto Costa continuava a pregar aos burros “boas novas”, Centeno pela calada, cativava. E cativava. E cativava. Tudo mais ou menos “controlado” (diga-se, escondido) até ao momento em que a aplicação das 35 horas dá a machadada final e implode o SNS. Já havia avisos que a catástrofe era iminente: um  aumento colossal da dívida do SNS; falta de equipamentos, medicamentos e materiais como compressas e fios de sutura; falta de enfermeiros; falta de médicos especialistas. Mas o pior estava para vir…

Não é preciso ter um QI sobrenatural para perceber que, para haver redução da carga horária de 40 para 35 horas, ou há gente a mais e estão todos a “lamber sabão” no trabalho – e aí até sobra pessoal, logo a redução não afecta os serviços representando uma poupança –  ou fazem mesmo falta e nesse caso, ao reduzir o horário laboral vai provocar necessidade de novas contratações urgentes e consequente aumento de despesa. Não há aqui milagres. Dizer-se que esta lei não aumenta a despesa é desonesto. Sobretudo quando falamos do SNS que ao contrário doutros serviços (há por aí muitas instituições públicas inúteis e cheias de gente), já estava carente de muitos profissionais já com as 40 horas semanais. Logo, reduzir sem compensar com contratações de mais funcionários era um  “assassinato” previsível ao SNS.

A catástrofe tinha de acontecer a qualquer minuto. Mesmo com a parca compensação das 2000 contratações, a entrada em vigor para o sector da saúde a 1 de Julho das 35 horas provocou um “tsunami” devastador que ainda não parou de fazer estragos sérios no ministério da saúde: o Centro Hospitalar de Vila Real vai encerrar 50 camas e o bloco cirúrgico oncológico; as grávidas do Hospital Alfredo da Costa são transferidas a meio do trabalho de parto; demissões no Centro Hospitalar Lisboa Central onde se exige plano de catástrofe; a maternidade do Alfredo da Costa que encerra 3 salas de parto; o fecho da unidade de cuidados coronários da Guarda; o Hospital S. João que  encerra 70 camas e alguns blocos operatórios; o Hospital de S. José sem urgência de cirurgia vascular; o Hospital de Lamego que vai fechar 6 camas nas especialidades de cirurgia e medicina. Ao todo já encerraram em todo o país mais de 240 camas em diversas unidades hospitalares. Onde estão os activistas dos cordões humanos frente à Maternidade Alfredo da Costa no tempo de Passos? Morreram? Imigraram?

Costa, ao “estilo Gaspar” sem Troika,  já veio dizer alto e bom som no Parlamento que não há dinheiro. Que é preciso estabelecer prioridades (é verdade! quem diria!). Deve ser por isso que  mandou prosseguir com as obras  no IP3, vai avançar com um financiamento a Moçambique no valor de 202 milhões de euros e atribuiu sem qualquer controlo 4 mil milhões em subsídios enquanto a ala pediátrica do S. João continua à espera dos 5 milhões prometidos e o SNS estoura por falta de contratações urgentes e obrigatórias de todo o tipo de pessoal.

Que diz entretanto Marcelo sobre o caos instalado na saúde? Que é preciso esperar para verOk. Foi exactamente o que vimos em Pedrógão. Esperamos e vimos a morte de centenas de cidadãos. Prevenção não é nosso forte e com um Presidente que ao invés de puxar as orelhas e estes “miúdos irresponsáveis” dá-lhes AINDA, depois de todos os falhanços vergonhosos, o benefício da dúvida a qualquer hora, estamos entregues à bicharada. Como se já não bastasse, ainda foi dizer que a dívida (sim, a dívida pública que não parou de subir desde a entrada da Geringonça) subiu mas vai baixar, qual astrólogo do bem aventurado milagre económico e financeiro que nunca acontece a não ser na imaginação dele!

Entre as “prioridades” de Costa e a “fé cega e surda” de Marcelo, venha o diabo e escolha!

Cristina Miranda

Via Blasfémias

 

Passos Coelho é a Alternativa

Vasco Pulido Valente, em entrevista ao Expresso, aborda um tema tremendamente interessante que tenho já desenvolvido aqui e que pessoas mais perto do meu círculo de leitores e amigos mais atentos já conhecem: Passos é o futuro do PSD. É um tema que não largo pela importância em questão da pessoa, Pedro Passos Coelho é tratado pela esquerda caviar e muita gente da “direita”, como se fosse mais um, ou aquele palito que se perdeu na palha que a cor é tão próxima que ninguém consegue mergulhar em tamanha carneirada de palha.

Mas, lá está! Passos não é igual à “manada”, foi tão diferente, irreverente e com um pensamento estruturado para o futuro do País que ninguém lhe perdoa tal indelicadeza de não fazer parte da família Oligarca Socialista vigente. Ser diferente em Portugal paga-se com isso, inveja, jogadas de bastidores, traição e falsos sorrisos. A facada final a Passos foi a mistura disso tudo e tão concentrada que o veneno se virou contra o feiticeiro.

O veneno, esse, as tais facadas, viraram se contra Rio, se o PSD de Passos estava “amorfo”, “acabado” e o de Rio iria trazer os tais ventos de esperança, saiu talvez dos maiores flops de sempre desde Santana e Marcelo.

Rio não tem carisma, não faz oposição a Costa que é mais fácil do que se imagina, pois, para além de tamanhas calinadas gramaticais do Primeiro Ministro, digno de um ser mais recôndito e estranho lugar do planeta, Rio tinha ainda dados orçamentais que este Governo inverteu toda a sua estratégia desde o inicio da sua governação, Centeno cativou em vez de gastar, Centeno elaborou a mais restrita mão de ferro desde Salazar nas Finanças em 1928, Centeno controla todos os outros ministros e Centeno faz o que precisamente Vitor Gaspar fazia em anos de Troika, mas que Costa rejeitou absolutamente nas eleições de 2015 e com o apoio público que deu ao Syriza.

Tudo isto porque a direita em comunicação, em arranjos conjuntos e Marketing vale, como se diz na Amadora, BOLA! Por oposição a este PSD, ou PS II, como queiram chamar, o PSD de Passos Coelho tinha capital político quer se gostasse ou não, tinha o símbolo da resistência e garantia de independência face aos interesses, tinha o capital da credibilidade de ter salvo o País da pior crise financeira de sempre e que muitos hoje falam pouco, mal e como se tivesse sido fácil gerir com pinças um País de aventais e parasitas no poder.

Por isso, não são Sebastianismos, não é falar mal por falar, não é fazer de Maya e elaborar previsões da volta de Passos, é simplesmente constatar o óbvio, a “direita” é socialista, a “direita” não é a alternativa, porque não tem discurso, é politicamente correcta, é enfadonha e pobre de espírito. Pobres ainda mais são os seus eleitores por não terem em quem votar.

Passos agregava os votos dos Liberais, alguns do centro, do CDS e até dos votantes do PS do Norte, tudo porque:” Ele até me retirou o subsidio de natal, mas levou o barco para onde quis, ou seja para bom porto“. Todos subestimaram o efeito da sua saída, até gozaram, hoje é o que se vê, um PSD a caminho de Alcácer Quibir(Obrigado Vasco!).

A estratégia de Costa é tornar-se absoluto no poder no plano interno da governação. Depois da passagem a Primeiro-Ministro, Costa quer enfrentar Marcelo ou substituir-lhe. Este é o medo de Marcelo. Este devia ser o medo de todos nós, perpetuar o poder a um homem perigoso, de mentalidade ainda mais perigosa que só pensa no seu ENORME ego. É pena que o PSD deitou fora o único que o derrotou, sim derrotou, Passos derrotou António Costa por mais geometrias e matemáticas que façam.

Para terminar. Se reparem meus caros, Catarina Martins tinha ataques de gritos semanais, diários ou até à noite com Passos, a Jerónimo até lhe cresciam mais rugas com tanta mão e punho ao ar contra Passos. Já com Rio, esse para eles é uma Jarra e não falam dele, e quando falam são uns minutos. Um líder quando incomoda é porque tem valor e,  como veem, Passos tinha-o.

E não, Passos não é passado, Passos é o futuro, é liberal, acredita na liberdade individual, e também é pragmático, porque sabe que num País com mais de 40 anos de socialismo a cassete não se muda assim, Portugal é um caso à parte da Europa como sempre foi, e não é agora que deixaria de ser tanto para o lado positivo como para o negativo. Não vamos encontrar outro assim,  a não ser que conheçam alguém anti-sistémico e liberal ao mesmo tempo com dotes carismáticos pelo meio. Apontem me se faz favor, é que não encontro.

Mauro Oliveira Pires

 

Os imigrantes ilegais

Certo dia a propósito do meu texto sobre o  caso do pequeno Alfie, deixaram-me um comentário que tomei em consideração. Dizia, em resumo, que a lei pode ser dura mas que era a lei e assim,  os ingleses, sendo cumpridores de leis (ao contrário de nós que só as temos para serem quebradas)  podia-se  contestar pela mudança da lei mas não pela sua execução. Aplicando este princípio que está certíssimo (pese embora o facto de no meu texto estar a criticar o poder exagerado concedido ao Estado e não a aplicação da lei) a  qualquer nação, não podemos entrar em histeria parva só porque os EUA fazem cumprir suas leis fronteiriças. Das duas uma: ou somos sérios naquilo que defendemos ou não o somos.

Todas as nações têm fronteiras e compete a cada um dos países decidir como as quer manter na defesa pela segurança dos seus cidadãos. Ninguém de fora tem o  direito de  impor seja o que for nesta matéria. Na nossa “casa” mandamos nós ou mandam os vizinhos? Não seja hipócrita e responda com verdade. Você, na sua propriedade, só autoriza  a permanência de quem lhe convier e sob regras impostas por si, certo? E também não tem a porta aberta 24 horas por dia  acessível a qualquer um, pois não? Está a fazer discriminação positiva, certo? A questão da imigração ilegal é complexa e é precisamente por isso que não pode ser tratada de forma leviana porque põe em risco a vida das pessoas violando um dos princípios básicos da função do Estado: proteger. Tal como na sua casa em que toma medidas como fechar a porta à chave, vedar a propriedade com muros, para proteger sua família de invasões indesejadas e impedir a exposição aos perigos, as leis das nações servem exactamente o mesmo propósito.

Esta semana atacaram violentamente a Presidência actual dos EUA por fazer cumprir a lei existente criada por Clinton, agravada depois por Obama e aplicada por todos. Para justificar a desumanidade da separação de crianças dos acompanhantes adultos, registada em 2018 socorreram-se de imagens tiradas em 2014 durante a administração de Obama (ups!) e fizeram correr uma estória de uma menina das Honduras que fez capa no Times como tendo sido falsamente arrancada da mãe quando na verdade apenas se tratava de uma mulher retida em 2013, fugida do pai das meninas (tinha três) e que usou a mais nova para conseguir entrar com mais facilidade na fronteira sem nunca terem sido separadas. Mesmo depois de devidamente desmentido pela Reuters a nossa SIC continuou a divulgar essas imagens como sendo de 2018. Porquê?

A verdade é que é preciso promover a todo o custo  as imigrações ilegais  e diabolizar quem se  opõe porque há uma agenda política para cumprir. Mas não se explica, porque claro não convém, que a luta dos EUA não é contra os imigrantes (a sociedade americana só é multi-étnica porque promovem a imigração)  é contra os ilegais (e quem os promove) que assaltam o país pelas suas fronteiras e invadem a sociedade americana de criminosos como o gangue MS-13 responsável por atrocidades indescritíveis espalhando terror e a quem Trump classificou, e muito bem,  de “animais” para “horror” dos democratas. Basta analisar as declarações de Clinton, ObamaHillary e Trump para verificar que todos estão em sintonia sobre esta matéria. Todos querem que a imigração positiva siga seus trâmites legais. Algum problema nisso? Parece que sim.

Os EUA não querem ser uma Europa que já conta com muitos países a braços com problemas sérios de invasão  em curso onde só em França, por exemplo a população islâmica já representa 15% da população total e    conta com 1500 zonas interditas as “no-go zones”. Dá que pensar.

Devemos aceitar imigração? Claro que sim. Mas sem desrespeito pelos cidadãos que já vivem nesses países.  Dito e muito bem dito, por Obama em 2005: “Aqueles que entram ilegalmente no país e aqueles que os empregam desrespeitam o estado de direito. Eles estão mostrando desrespeito por aqueles que estão seguindo a lei. Nós simplesmente não podemos permitir que pessoas entrem nos Estados Unidos sem serem detectadas, não documentadas, sem controle e contornando a linha de pessoas que pacientemente e legalmente se tornem imigrantes.” Alguém arrisca contestar esta declaração? Claro que não. Porque foi dita por… Obama.

Cristina Miranda

Via Blasfémias

 

Decorem este número- 724,300,000,000€

Aqui neste espaço, tenho alertado que o problema não é só a Dívida Pública Portuguesa. A dívida privada, no que diz respeito aos agentes económicos como famílias e empresas não financeiras, também tem que ser levada em conta, porque o seu peso no PIB é de cerca de 206,3% do PIB aproximadamente.

Imaginem um País A com uma geração anual de riqueza de 100 unidades monetárias(esqueçamos os euros…), e com os respectivos agentes económicos privados. Esses agentes económicos privados dos quais as famílias e empresas, são elementos mais representativos, tem uma dívida conjunta de 206,3 unidades monetárias. Percebem a ideia?

O problema da dívida privada Portuguesa tem pontos muito interessantes, porque advêm de políticas económicas erradas dos anos 90 e principalmente as condições tremendamente favoráveis de juros que permitiram uma panóplia de financiamento nunca antes vista para as famílias portuguesas. Além disso, sectores não reprodutivos como a Construção e grupos privados portugueses ditos “grandes” na altura, tornaram-se “gigantes” com pés de barro, mas de manutenção de vida quase que garantida devido ao esquema de rendas que o País apresenta.

Rendas essas concedidas pelo capitalismo de Estado, amigo dos amigos, que sufocam o crescimento da economia portuguesa a prazo, que limitam o crescimento dos nossos salários e que nos tornam reféns da oligarquia instalada. A dívida escraviza, mas um Estado que a promove é o principal traficante.

As duas décadas de irresponsabilidade, no sector privado português, levaram a que tanto as famílias como as empresas não financeiras levassem a sua dependência aos bancos e outros credores em geral a máximos históricos, estrangulando a capacidade das empresas em reinvestirem em si mesmas para a geração de nova produção e por conseguinte aumentar o emprego e a qualidade remuneratória dessa mesmo emprego.

A crise, lá está, é um factor de ajustamento das economias de mercado, a Economia é uma ciência humana, não é exacta, a Economia é como um corpo uno que depois de desdobra e que por um lado se auto regenera sozinha, o Estado faz de médico mas atrapalha com tantas injecções. O factor regenerativo, levou a que muitas empresas portuguesas falissem, mas que as que resistiram e as que abriram, redireccionaram os seus modelos de crescimento para os mercados externos o que leva hoje a Economia Portuguesa ter saldos externos consecutivamente positivos.

As famílias Portuguesas, como novo crédito Europeu e taxas mais baixas, aproveitaram para ser o novo povo Europeu rico e extravagante, mas, como sempre, as aparências custam caro sempre no longo prazo, os BMW`s,  os Mercedes e a casinha comprada são a mentalidade portuguesa no seu auge que nos levaram  no pico da crise de 2009 que tivéssemos uma dívida de particulares superior a 150 mil milhões de euros.

Já as empresas não financeiras tiveram no pico de 2009, uma dívida de qualquer coisa como 260 mil milhões de euros. O gráfico abaixo ajuda a explicar.

divida a
FONTE: Banco de Portugal, Boletim Estatístico

Reparem que, apartir do programa de ajustamento de 2011, a dívida das famílias desceu paulatinamente e tem estabilizado apartir de 2017/2018. A Dívida das empresas privadas também baixou mas o processo de estabilização também é inerente a esta rubrica. Se antes a dívida privada era de 245% do PIB aproximadamente em anos pré crise, hoje anda por volta dos 200% do PIB, valores tremendamente elevados mas que é um mérito no cenário português.

Só que agora é que temos o problema, a divida privada está incluída no que é a dívida externa que é a soma da dívida privada com a divida total das administrações públicas ou do sector público. A dívida externa podia ter baixado muito mais se o Estado tivesse feito outro esforço de consolidação e reforma estrutural.

O sector público não financeiro tem duas rubricas essenciais, as dívidas das administrações públicas e as empresas públicas. As empresas públicas tem a sua dívida a cair devido ao saneamento imposto pelos credores, o problema, lá está, é o consecutivo aumento dos valores em dívida do Monstro Estado que já vai em mais de 300 mil milhões de euros.

Em resumo, num cenário de crescimento estável e saudável, num cenário de mundial de estabilização, num cenário de uma política orçamental responsável, sem truques, maquilhagem e que seja um política estrutural, ou seja, tudo o que este governo não faz(falo da política orçamental), podíamos viver descansados com a inversão do ciclo económico que começa agora. Pois, um Governo responsável tinha aproveitado as drogas do BCE para efectuar “almofadas” contra uma crise vindoura, podia ter começado a reformar e a descer a despesa pública e a gerar saldos orçamentais positivos.

Mas não, Mário Centeno e António Costa nasceram com o síndrome do capitão gancho invertido, olham para o binóculo e a terra é vista em ziguezague, aproveitam um País anémico e ignorante e tratam da vidinha deles enquanto que os problemas estruturais se agravam. Basta um sopro, um pequeno sopro que o Castelo de cartas construído a cuspo caia, mas eles não querem saber.

Resumo de números:

◊ Dívida do Sector Público em ABRL/2018322,534 mil milhões de euros;

Dívida dos Particulares(141 478 mil milhões de euros) + Dívida das Empresas Privadas(260 279 mil milhões de euros) = 401 757 mil milhões de euros( Dívida Privada ou Sector Privado Não Financeiro)

∑(Somatório) da dívida do sector público e dívida privada= 724 290 mil milhões de euros(arredondado 724,3). Não esquecer que o somatório destas duas grandezas dá nos a dívida externa.

E só para ser mau, este valor subiu mais de 4 mil milhões de euros face ao mês anterior e mais de 6 mil milhões face a Abril do ano passado, apesar de que em % do PIB diminuiu, mas como a sorte não dura para sempre, num cenário de muito baixo crescimento devido à inercia geringonçal e a súbida constante da dívida os valores podem começar a subir(cenário idêntico para a divida pública).

Mini Glossário: 

⊗ PIB: Somatório de toda a riqueza produzida(bens e serviços), num determinado local e num determinado período de tempo por agentes económicos vigentes.

⊗ Dívida pública: É o somatório ou acumulação de todos os défices orçamentais que um País tem, quando um Estado tem défice este tem de se financiar para fazer face ás suas necessidades de financiamento que geram então a dívida, que é pública por ser “Estatal”.

⊗ Dívida privada: É o somatório ou acumulação das dívidas dos agentes económicos como as famílias e as empresas.

⊗ Dívida externa: É a soma da dívida pública com a dívida privada, apesar de que é algo mais complexo que isto, mas para perceberem a ideia.

⊗ Agentes Económicos: Podemos dizer que os Agentes Económicos são isso mesmo, agentes, um conjunto de indivíduos e que, através das suas decisões e acções, tomadas racionalmente, influenciam a economia. Quais são os agentes Económicos e o que fazem?

  1. ) Famílias: Tomam decisões como consumir(bens e serviços) como oferecem trabalho. Portanto temos a perspectiva do consumidor e do trabalhador respectivamente.
  2. ) Empresas Não Financeiras: Tem a função e decidem sobre recursos, produzem bens e serviços para os outros indivíduos. São não financeiras porque não tem essa finalidade, ou seja, a de guardar e gerar recursos financeiros como os bancos.
  3. ) Estado: Por mais que não goste deste agente económico, e não o devia ser, é considerado como um. É a entidade que define o conjunto de políticas e detém “áreas estratégicas” da Economia.
  4. ) Empresas Financeiras ou Instituições Financeiras: Ao contrário das empresas não financeiras, as financeiras recolhem recursos, poupanças, para financiar a actividade económica como um todo. São o garante da Estabilidade financeira.
  5. ) Resto do Mundo: Um agente económico com mais preponderância na Economia Portuguesa, é o agente com o qual temos relações comerciais, de troca de fluxos como exportações e importações.

Mauro Oliveira Pires

 

 

Parem com essas lágrimas de crocodilo!

Perdoem-me mas é absolutamente insuportável ouvir certas figuras políticas falar sobre a tragédia de Pedrógão Grande! Com  ar sério fingindo-se preocupados e emocionados com aquele fatídico dia vêm passados 365 dias dizer alarvidades como se os portugueses fossem um bando de estúpidos sem qualquer capacidade de análise. Continuamos com o mesmo SIRESP apenas com umas “melhorias” e  com a mesmas cláusulas vergonhosas que desresponsabilizam em caso de catástrofe; continuamos com 60% de casas por reconstruir; continuamos com vítimas sem água nem luz nem apoio psicológico; continuamos com os mesmos “boys” incompetentes na ANPC; continuamos em meados de Junho sem prazo de entrega de viaturas à GIPS e GNR  para combates a fogos; continuamos sem saber onde estão os donativos; continuamos sem saber porque o Estado compra mais 4 Kamov por ajuste directo depois da experiência desastrosa com esse equipamento; continuamos sem saber porque o  Estado ainda não foi formalmente acusado por negligência depois de três inquéritos independentes que o comprovam. Francamente!

Como se isto já  não bastasse vem o Primeiro Ministro afirmar que “Portugal devia ter estado mais alerta a tempo e horas para evitar Pedrógão” quando foi ele próprio como ministro da Administração Interna que fragilizou o SIRESP alterando clausulas para diminuir custos. Foi seu comparsa Lacerda Machado o autor do brilhante texto que transformou o SIRESP naquilo que ele é hoje – uma nulidade absoluta – com a colaboração de Constança Urbano!! Foi ele também que acabou com os guardas florestais! Foi ele que já primeiro ministro autorizou que gente sem qualquer habilitação para o cargo – professores do ensino básico, advogados, licenciados em Desporto e Lazer, enfermeiros –  integrasse as chefias do ANPC. Foi ele que fez os negócios ruinosos dos Kamov. Foi ele também que rumou para Ibiza enquanto Portugal ardia e morria gente e no regresso foi a correr fazer um Focus Group para avaliar sua popularidade e vem agora dizer que se podia ter evitado Pedrógão como se a culpa fosse dos proprietários dos terrenos que ele fez o favor de perseguir em vez de ajudar?! É preciso realmente fazer de nós todos parvos.

Por outro lado, Marcelo sempre politicamente correcto, a deixar a mensagem outra vez que tudo foi feito – claro, até os políticos foram roçar mato, coisa nunca antes vista – que todos manifestaram empenho e fizeram tudo o que era possível (e de facto o empenho foi tão grande que há bens e dinheiro  doados sem controlo nenhum e até perderam rasto a donativos). Que  “Houve um Portugal metropolitano que acordou para os “Portugais” desconhecidos, os “Portugais” do interior, que são vários. Começou a acordar em Junho e depois continuou a acordar em Outubro”. A sério?!! Como acordar se nunca dormiram sobre o assunto? O abandono do interior é um facto perpetuado ao longo de décadas por não trazer votos. Todos sabemos que poderá continuar a arder, poderá continuar a despovoar, que  o abandono às gentes do interior não vai acabar. Porque aos olhos dos políticos, quem não compensa eleitoralmente é simplesmente ignorado. Vão mas é mentir para longe!

Entretanto,  a lista  de arguidos de Pedrógão que não pára de crescer, não tem um único político  ligado ao governo, como muito convém. Nem mesmo Valdemar Alves, o Presidente da Câmara de Pedrógão Grande durante a tragédia faz parte dela como deveria. Esse, quase que por “milagre”, livrou-se de boa ao contrário dos outros autarcas. Há gente com “sorte”.

Se tudo está a ser feito é no sentido contrário ao que deveria ser. É para encobrir quem de facto teve responsabilidade e incriminar apenas a arraia-miúda. Arrastar depois o processo até entrar no esquecimento com uma condenaçãozita sem importância nenhuma. Fingir depois que nunca se fez tanto pela prevenção e combate aos fogos quando na verdade estão apenas a aplicar as mesmas fórmulas  desastrosas com cosmética. Para depois, caso se registe nova tragédia, com lágrimas de crocodilo no canto do olho, dizer: “fizemos tudo mas as alterações climáticas, os eucaliptos, os raios, os proprietários com as matas por limpar,  são culpados”. Outra vez. Eles? Nunca têm culpa de nada.

Cristina Miranda

Via Blasfémias