Marcelo Presidente nunca mais!!

Conseguiram tudo. Primeiro com a reversão dos resultados eleitorais que deram ao PS uma estrondosa derrota. Lembram-se? A PAF acabava de obter uma maioria relativa, quando António Costa puxou de um acordo com as extremas esquerdas para governar. Agora, retiram do caminho aquela PGR que, ao contrário de Pinto Monteiro, demonstrou que não misturava a justiça com política. Se dúvidas houvesse sobre os objectivos desta “família socialista”, hoje ficaram todas esclarecidas.

Ninguém mexe em equipa vencedora. Ninguém! A menos claro, que se pretenda um final diferente. E que final é esse? Safar Sócrates, Vara, Manuel Pinho, Ricardo Salgado, Luis Filipe Vieira, Valdemar Alves e por aí fora. A “família” acima de tudo, acima do país. Não importa o quão criminosos foram. Importa fazê-los escapar, pelas malhas largas da lei , para os corruptos de colarinho branco, como tem sido tradição neste país.

Ainda vieram com a conversa para “boi dormir” de um “mandato único e longo”, para justificar a decisão tomada, já desde que assaltaram o poder (sim, salvar a pele deles foi uma das razões para assaltar o governo). Como se nós não soubéssemos que, o que eles mais defendem com unhas e dentes,  são lugares vitalícios desde que sejam da “família socialista”. Quantos deles já “nasceram” no Parlamento e arrastam-se até hoje como múmias? Quantos deles têm também familiares a “fazer carreira” na Assembleia da República, onde já fazem parte do  mobiliário? Quantos deles até já “criaram raízes” agarrados ao sistema durante décadas?  Mas que grande banhada de gozo com que esta gente nos presenteia!

Para não dar nas vistas e parecer uma decisão ponderada e séria, foram buscar uma mulher que, até ao momento, não fazia parte da lista proposta por Costa. Uma estratégia pensada ao pormenor no intuito de acalmar os ânimos. Ora, quem não vai ficar sensibilizado com o facto de a substituta ser outra mulher? Logo, os menos atentos até pensarão que por ser mulher, estará à altura da anterior apenas por associação de género. Boa táctica não haja dúvida. Este PS não brinca em serviço quando se trata de mascarar o cenário.

Acontece que, mesmo sendo uma mulher e  mesmo sem pôr em causa suas capacidades profissionais, esta magistrada quase não tem experiência na área criminal onde precisamente faz muita falta e  basta um pequeno erro para deitar por terra os processos complexos que envolvem ex-governantes e banqueiros. Investigou casos como o das viagens fantasma dos deputados que deu no que deu: nada. Trabalhou com a actual ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, na procuradoria-geral distrital de Lisboa. É  ainda casada com Carlos Gago, que fez parte da PJ no tempo de Fernando Negrão e Luis Bonina, e que foi um importante membro do PCTP/MRPP.

Enquanto nos distraiam com “fake news” sobre a orientação sexual dos bonecos da Rua Sésamo no Jornal de Notícias ou a falsa recondução quase confirmada de Joana Marques Vidal pelo Presidente no Expresso, a panelinha ia sendo feita para apanhar todos de surpresa. Assim, não tivemos tempo de respirar nem de barafustar. Logo que anunciaram  na TV, já a decisão estava consumada e colocada no site da Presidência da República. Exactamente ao estilo Nicolás Maduro na Venezuela. Bravo! Esta foi de mestre!

O Presidente da República tinha todo o poder  nas mãos para interromper este regime ditatorial do Costa, que insiste em pisar as regras democráticas,  tratando o país como se fosse propriedade sua. Mas não. Mesmo podendo à luz da nossa Constituição reconduzir a mulher que notavelmente  trouxe de novo prestígio e confiança à nossa justiça doente, assinou a sua saída. Também ele a justificar que o mandato deverá ser limitado em homenagem à vitalidade da democracia (cof, cof, cof). Quanto apostam que se esta nova PGR se “portar bem” e na altura da renovação estiver o PS e um “Marcelo” no governo, a reconduzem alegando que um “bom trabalho” não deve ser interrompido? Lamento mas por muito que se esforcem em esconder, esta foi uma decisão  política por ser a que mais convinha aos dois intervenientes: Costa e Marcelo ambos com amigos entalados. Se assim não fosse, teriam deixado Joana Marques Vidal seguir seu excelente trabalho, doesse a quem doesse.

Acreditei sempre que o Presidente, apesar das muitas falhas a reboque de um populismo irritante, nos momentos cruciais do país, não falharia com seu dever de isenção pelo interesse superior da Nação que ele representa. Que saberia ser árbitro nos intervalos dos banhos no rio ou dos passeios pelas tascas. Enganei-me redondamente. E não me perdoo por ter contribuído mais uma vez, para a desgraça que vem aí.

Para mim, Marcelo Presidente,  nunca mais!

Cristina Miranda

Via Blasfémias

Chega de Marcelismo!!

Caros leitores, sei que tudo o que possa dizer em relação ao nosso Presidente da República será ignorado por todos vocês pelo simples facto de pensarem que o que vemos na “personagem” de Marcelo Rebelo de Sousa é digno de um Presidente.

Vamos começar pelo início, o que é um Presidente da República?

O Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas, e é o comandante supremo das Forças Armadas. O Presidente da República representa tanto o Estado português quanto a própria comunidade nacional, enquanto entidade histórica, política e cultural. Enquanto representante da República Portuguesa no domínio das relações internacionais, o Presidente da República nomeia e acredita os representantes diplomáticos de Portugal no estrangeiro, aceita as credenciais dos representantes diplomáticos estrangeiros, ratifica os tratados internacionais, declara a guerra e procede à feitura a paz.

Enquanto garante da unidade do Estado, o Presidente da República representa Portugal na sua totalidade perante os outros Estados, tem uma intervenção na dissolução dos órgãos das regiões autónomas, nomeia os respectivos representantes da República e garante a continuidade do Estado perante uma eventual dissolução da Assembleia da República e demissão do Governo. Na função de garante do regular funcionamento das instituições democráticas, o Presidente da República tem competência para solicitar a fiscalização da constitucionalidade das leis (tanto a título preventivo quanto sucessivo), dissolver a Assembleia da República, demitir o Governo (quando esteja em causa o regular funcionamento das instituições democráticas) ou exonerar o Primeiro‑Ministro, e para declarar o estado de sítio e o estado de emergência.

De uma forma clara percebemos que Marcelo é tudo menos um Presidente da República, ninguém é contra os beijinhos às peixeiras, os abraços para as fotografias ou as idas a Pedrogão para dizer que esteve nos incêndios, o que se percebe com tudo isto é que MRS é tudo menos aquilo que é necessário para um Governo de esquerdas encostadas.

É necessário um Presidente que não tenha medo de tomar decisões, que não se esconda por detrás dos problemas e que os deixe passar dia após dia, que seja assertivo e eficaz e sobretudo que não tenha zonas tão cinzentas como Marcelo tem.

Um pequeno exemplo, que não gosto de recordar, é o facto de após todos os falhanços de Pedrogão Grande, ser novamente possível, uma situação idêntica, em 2018: o incêndio em Monchique. Onde a suposta “vitória” assinalada pelo Governo foi não existirem perdas de vida.

E o Presidente da República? Nada faz. Sendo Marcelo o comandante supremo das Forças Armadas não tem uma palavra a dizer? Não pode Marcelo colocar o Exército e a Força Aérea nos extensos terrenos portugueses antes de ocorrerem os incêndios?

 

Nelson Correia Galhofo

Galo de Marcelos

Marcelo faz me lembrar aqueles Pombos cheios de carraças que precisam de atenção, não por festinhas no bico, mas por qualquer tipo de migalha ambulante que lhe apareça à frente. Se o Pombo tem fome, Marcelo tem necessidade extrema de mostrar o seu egocentrismo exacerbado perante as Câmaras, com tons de pavão e de pinguim fofos mas, como sempre, a imprensa Norte Americana pouco ligou, nada a apontar portanto.

O outro grau de provincianismo de Marcelo reside na sua incapacidade de dar beijos técnicos bem feitos, veja-se este exemplo, quando Marcelo visitou a Rainha de Inglaterra Isabel II e lhe deu beijinhos(fora do protocolo) e ainda lhe chamou velha(!), ao vivo dizendo que se recorda muito bem dela a quando da sua visita a Portugal nos tempos do Sr Salazar. Além de uma indelicadeza antropomórfica com a senhora, o ar gélido e distante de sorriso amarelo da Rainha disseram tudo, tal como a reacção de Trump ao Pavão de Belém.

Trump mostrou-se completamente indiferente(What Else?!), com os bocejares da picareta falante. Sabem quando estamos a falar com uma pessoa, ela está a ser super chata, temos que ser simpáticos e dizer:” Isso mesmo, Ok!” e abanar a cabeça cordialmente? As atitudes de Marcelo cansam meio Mundo, mas ninguém lhe diz, quando Marcelo cai do pedestal lá vem a gastroenterite não lhe digam nada.

E claro, uma pessoa rodada como Marcelo, que é um Mestre na arte da comunicação e do maquiavelismo quando está de cabeça fria, devia saber que estar perante as câmaras com o Presidente Norte Americano é um excelente palco de oportunidades para deixar mensagens políticas sublimes e práticas, aquelas jogadas de sorrisos amarelos e mini facadas que os políticos fazem, Marcelo nem isso fez.

Um dos temas a abordar e que está na ordem do dia, era o tema dos refugiados de guerra e dos imigrantes económicos dos Países do Norte de África que querem a Europa para o que sabemos(falo dos imigrantes económicos), Marcelo preferiu falar de Ronaldo, do Vinho da Madeira e de patetices agudas. O povo aplaude, talvez por ser tão provinciano e com a mesma mentalidade pequena do Sr. Presidente, é a verdade e o povo sabe disso.

Além disso, não consigo olhar para Marcelo, amigo dos amigos de sempre das clientelas do regime  e das oligarquias como Ricardo Salgado, de um País socialista e invejoso, como exemplo, prefiro olhar para alguém que gera emprego, produz valor acrescentado e sabe o que é passar dificuldades(Trump já ficou falido) e soube-se reerguer perante as adversidades. Mas o povo aplaude o Pavão, porque diz que o País é bom e até fica todo altivo com tais declarações, mas um País que sabe que é “bom” e tem auto-confiança em si próprio não anda aos sete ventos a dizer que é, simplesmente sabe que é, cala-se e trabalha para ser mais.

Mais uma vez, os emigrantes Portugueses foram humilhados. Os Portugueses em Portugal não se importam, 3 bancarrotas em 44 anos e ninguém se chateia, tem o que merecem.

Mauro Oliveira Pires

Marcelo e dois anos de Presidencialismo

Hiperativo, irreverente, centro das atenções, unificador, o Presidente Sol, Rei Sol, Marcelo Rebelo de Sousa é isto e muito mais. Mas desde a sua eleição em Janeiro de 2016 que outro adjectivo é um excelente quantificador e qualificador da qualidade de Marcelo enquanto político, Marcelo é génio da táctica política. O xadrez das variáveis que dançam estão sempre a seu favor, o Presidente conhece como ninguém os meandros, cada canto, sabe temporizar o que diz, quando diz e porque diz. Experiência é conhecimento dizem uns, a verdade é que são muitos anos disto, muitos anos de sucesso e insucesso, muitos anos de muito marketing político televisivo, Marcelo sabe tudo, de todos e onde buscar quem sabe a informação.

Não foi por mero acaso que o Presidente, quando assumiu as rédeas do Palácio de Belém, construiu uma “central” de comunicação onde foi buscar muitos elementos que o acompanharam durante anos na TVI e Maria João Ruela da SIC que era boa coadjuvante com Marques Mendes, um ajudante passa informações oficial do Presidente Sol. Com isto, Marcelo tem um raio de acção sobre os seus adversários, sabe as coisas primeiro e age em conformidade. Como Professor Catedrático, de imensa qualidade diga-se, as colchas Constitucionais Marcelo sabe as cozer como ninguém, e saber interpretar a Constituição da República a seu favor, se Portugal é uma República Constitucional Semi-Presidencialista, onde o Presidente partilha o poder com o Primeiro-Ministro, tem alguma acção executiva, mas não a que Marcelo desejaria na altura.

Foi aqui que o génio da táctica de Marcelo entrou em acção. O católico fervoroso é e sempre foi afectuoso, gosta das pessoas, nasceu nas elites mas é dos poucos políticos Lisboetas que compreende a linguagem do povo, se Marcelo não pode ter mais poder por via Institucional, mudando a constituição,  e que tal usar a via informal? Ou seja, usar o poder popular para controlar o Governo como se de uma mão invisível fosse? Marcelo hoje tem 10 milhões atrás, é esse o poder de Marcelo, o popular, Costa quando bica queima-se e sabe disso.

Marcelo não é só amor, também é frio, calculista, detalhista, como qualquer político com um jogo de cintura acima da média, porque, consolidado o poder informal Presidencialista, ele é agora o Homem mais poderoso do País, Marcelo pode queimar todo e qualquer adversário, inclusive António Costa quando este não lhe servir. Muitos me dizem  na direita e me falam que, se Marcelo apoia a geringonça não merece o meu voto. Não é bem assim, Marcelo enquanto Presidente tem o dever de apoiar todos os governos de qualquer cor, mas também tem que olhar para as coisas que outros também não veem, um Governo fraco como o de Costa que está sempre em constante processo de equilibrismo, era o que Marcelo queria e desejava, podia finalmente satisfazer o seu ego e utilizar o seu poder. Com Passos era diferente, uma pessoa estável, respeitoso e reformadora tinha respeito institucional suficiente para não estar colado o suficiente a Marcelo, aliás, Costa estava sempre colado a Marcelo.

O afastamento de Marcelo a Costa é outro conteúdo táctico do génio, mas pode ficar para outro artigo. Os presentes são para se desembrulhar devagar…

Mauro Oliveira Pires

 

O que é Marcelo?

Marcelo significa muita coisa, muitas variáveis, muitas jogadas mas, acima de tudo, muito tempo de jogo de cintura. Um grande filósofo da Amadora, tremendamente conhecido dos Portugueses, não é preciso invocar o nome, disse um dia que:” Experiência é conhecimento”, o actual Presidente da República não foge muito deste vector importantíssimo, toda a sua passagem pelo PSD, os consensos com Guterres, comentador durante anos, um verdadeiro “rato” da política, e dos velhos, daqueles tremendamente sabedores do nosso enquadramento como ninguém. Marcelo, até agora, falo na minha óptica, cumpriu boa parte dos seus desígnios enquanto Presidente, falo de três que acho que são as pedras basilares da Presidência do Imperador dos afectos.

  1. ) Consolidação do poder através dos afectos populares, dando uma “mão invisível” de actuação e almofada de conforto perante choques negativos do Governo Tricolor, neste caso, Check. Marcelo é o senhor dos afectos, o todo poderoso, o político e Presidente da República com mais poder de sempre, não constitucional, mas na forma como abordou o seu mandato e os mecanismos que o podiam ajudar na formação de um seguro contra Geringonçal.
  2. ) Afastar Pedro Passos Coelho da liderança do PSD, conseguiu, neste caso em coligação com o governo e com os canhotos unidos Marcelo deitou efectivamente abaixo o líder mais DECENTE que o PSD teve desde Sá Carneiro, conseguiu e vai colocar o PSD aos papéis pós Passos, ganhe Santana ou Rio o PSD vai voltar ao ser camaleão do passado, a espinha, a vértebra que Passos incutiu no PSD pode ruir. Se o Objectivo de Marcelo era desmontar a Geringonça pós Passos colocando Rio e Costa em coligação, esqueça, porque nem Rio vai ganhar, prevendo eu, nem os dois fariam as reformas realmente necessárias que o País precisa, como no sistema de Segurança Social, Caixa Geral de Aposentações, que paga pensões aos funcionários públicos muito acima do que descontaram, cortar despesa pública em áreas estruturais, isso era mexer nas clientelas do PS e pactos de reforma no IRC, que o PS rasgou, portanto nem Costa e Rio são soluções para o País, nem Santana. Aqui está um pilar fraco de Marcelo
  3. ) Se o primeiro Pilar está seguro o terceiro também, pois o terceiro pilar é a consequência do primeiro, se Marcelo é senhor dos afectos, tem o poder popular, é “quente”, conforta, não é frio, cínico e nem distante como Costa, Marcelo em caso de deterioração das variáveis económicas na vertente externa, que basicamente o seu positivismo actual é o que nos segura, Marcelo terá o poder para dizer que ajudou o governo em tudo o que pôde, não foi obstrução, que avisou na hora certa e está seguro do pântano geringonçal canhoto.

Marcelo é isto, é a capacidade de ter uma personalidade desdobrando a mesma em outras várias, para vários contextos de actuação, chama-se a isto experiência e vivência, mas também calculismo e alguma falta de espinha dorsal, mas o governo em questão e tudo o que vem com ele é novo, Marcelo tinha igualmente de ter uma actuação diferente para um contexto novo, com um governo inimaginável, com contas mascaradas, economia que cresce mas que devia crescer mais, um governo de esquerda que faz austeridade e que prometeu não fazer e congratula-se por isso.

No fim da história, Marcelo é um Cow-Boy que monta uma vaca voadora com um parasita gigante na vaca, de nome António Costa, o objectivo é não fazer cair a Vaca no pântano e fazer com que a parasita seja esmagada sem intervenção presidencial. Marcelo é amigo de Costa, mas da Onça. Marcelo odeia Passos, mas secalhar vai ter que engolir uma avestruz das grandes dentro de pouco tempo… Isto se se recandidatar. Termino dizendo, não apoio Marcelo, não gosto de Marcelo mas reconheço lhe qualidades matreiras políticas interessantes para a conjuntura, vamos ver é se Costa não se candidata a Presidente da República em 2021, era o Kharma. Mas isso fica para outro dia….

Mauro Oliveira Pires

Um Marcelo renovado ou entalado?

Quando se olha para Marcelo Rebelo de Sousa pensamos tudo, especulamos tudo, mas no fim, não descodificamos nada, como sempre. O que Marcelo pensa poucos sabem, ele resguarda-se no seu manto de hiperatividade e olhar por vezes distante. Marcelo é da velha guarda, é uma raposa política altamente experiente, conhece todos os cantos à casa, sabe e conhece os ciclos políticos como nenhum comum mortal conhece. O ciclo em que vivemos é nos estranho, José Sócrates, em 2009, ganhou as eleições legislativas sem maioria absoluta, não se associou à esquerda, teve apoio parlamentar à direita para aprovar os seus orçamentos, a direita teve que aprovar tudo, teve que ter sentido de Estado e ser o fiel depositário do PS, o partido dono, parece que por sangue, do País.

Se em 2009 o PSD e o CDS tiveram uma votação conjunta de quase 40%, logo superior aos 36,5% de José Sócrates, não vimos a direita a dizer que tinha mais legitimidade parlamentar que os socialistas, podiam não ter maioria, mas em conjunto tinham mais deputados e enquanto centro ideológico estavam tambem mais representados que o centro esquerda. Quem ganhou as eleições governou, bem ou mal, neste caso pessimamente, porque depois passados 2 anos vimos os resultados da Governação Socrática.

Pedro Passos Coelho, já falei aqui muitas vezes e volto a repetir, não é a melhor coisa do Mundo, não é uma miragem no meio de tantos socialistas de esquerda e de direita, mas foi o homem certo no tempo certo. Soube colocar os interesses do País acima dos interesses partidários e acima de tudo o resto, salvou financeiramente o País e ainda teve em 2015 espaço para distribuir flores eleitorais. Ficou 2 anos a pregar no deserto contra um Governo que não foi eleito, mas que constitucionalmente é correcto mas que a nível ético é errado. Marcelo com Pedro Passos Coelho a governar não tinha muita margem de manobra, não podia ser Marcelo, interventivo, com jogadas de bastidores. Passos não aprecia isso, é recto, vertical faz o que tem a fazer, não gosta de manhas, como se diz na gíria. Com Costa a situação é outra, o Governo é fraco, depende de dois partidos radicais, um que ideologicamente no passado matou 100 milhões de pessoas em todo o Mundo, continuando ainda a matar, e outro que só pensa em medidas estéreis com 98% de conteúdo de lógica da batata.

O Diabo chegou há muito, e não se chama só António Costa, é toda uma frente de esquerda radical que quer continuar a manter o mesmo regime podre, de compadrio, de cunhas, do tio, do padrinho, das rendas excessivas dos oligarcas do regime e de todo o ambiente negativo envolvente que nos impede de crescer sustentadamente, criar mais emprego com salários mais elevados, enfim, um País decente que os Portugueses já mereciam faz 43 anos de democracia. Com a saída de Pedro Passos, gostem uns ou não, cai um pilar de seriedade, um pilar que Marcelo conseguiu deitar a abaixo.

A direita não perdoa a Marcelo a queda de Passos, e faz muito bem, a colagem de Marcelo a Costa foi táctica, permitiu ao Presidente hoje ter o poder informal que tem. Não é só constitucionalmente, o poder popular de Marcelo condiciona, hoje, qualquer manobra de António Costa. Marcelo quer ser popular, tem horror a situações onde é impopular, primeiro está Marcelo, depois o País e de seguida Costa. Primeiro, na óptica de Marcelo claro, está ele porque neste último ano de mandato a sua isenção e colagem a uma cor política foi evidente, não por gostar, mas por necessidade de poder. Em segundo o País porque Marcelo evidentemente ama Portugal como todos nós, e até se redimiu das suas declarações pós Pedrógão onde disse que se fez tudo o que tinha quer ser feito, na sua declaração ao País, a mais recente, foi exemplar, foi Presidente de todos, com pena minha espero que não seja tarde.

Se para o PS Marcelo passa agora a ser inimigo, tenho dúvidas disso, mas que o caldo começa a ficar quente é já um facto irrefutável. O jornal oficial do PS, Acção Socialista, chamou “Jumento”, “Jumento” à principal figura do Estado Português. Nós, cá entre nós, sabemos como funcionam os jornais dos partidos da esquerda à direita, o líder supremo de cada entidade socialista é que manda e dá directrizes, ou os seus trolls de serviço. Se para o Jornal, repito, oficial do PS, Marcelo é Jumento, para Costa também é. Se o disse na cara a Marcelo imagino que não, mas é mais uma demonstração tipo Palma de Maiorca, sempre que o cinto aperta, o caro António foge ou manda alguém falar o que pensa em seu lugar. Ter Marcelo como inimigo é perigoso, e Costa já levou o primeiro tiro, não morreu, mas está quase.

Marcelo já sugou quase tudo o que tinha a sugar de António Costa, encostou-se à esquerda, tem as mais altas taxas de popularidade de sempre, descolou-se, apesar de tarde, e numa futura bancarrota Marcelo dirá que apoiou Costa e fez tudo o que podia para evitar. Derrepente quem usurpa o poder fica sozinho. Será esse o fim de António Costa, sozinho e sem ninguém na política. Porquê? Porque vai nos dar o Tetra, o famoso Tetra para entrarmos no Guinness de uma vez por todas. Um País com a dívida pública e privada que temos, sem qualquer tipo de mudança de fundo e só gerindo a conjuntura só aqueles que disseram que em 2010 estava tudo bem é que hoje dizem o mesmo.

Não se esqueçam, em 15 dias o Mundo muda em Portugal, pode estar tudo igual no resto do Planeta, mas alguma coisa de diferente atinge sempre o casco da Caravela, vá se lá saber porquê…

Mauro Pires

O Presidente Taki Tali Takulá II

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Foto: Expresso

O Presidente das beijocas e dos abraços está, num verdadeiro, momento floral. Tudo à sua volta cheira bem e é bonito, tudo corre bem, não temos das mais altas dívidas públicas do mundo e nem um défice mascarado, quem diz o contrário é Passista, neoliberal, “fassista” e mais pérolas subjacentes. O empinar de António Costa e Marcelo ao capital Árabe é deveras vergonhoso, quem se lembra de José Sócrates fazer, em 2010, peregrinações ao Qatar ,para arranjar investidores, e dizer que era a nossa salvação? Era a última manga no deserto? Era o sucesso das políticas do “Governo”? O crescimento económico português de 2010, que era dos maiores da Europa dizia Sócrates, assemelha-se hoje ao famoso pico e esporádico crescimento de 2,8% neste trimestre, e António Costa a fazer o mesmo que Sócrates, mais uma peregrinação para convencer investidores que está “tudo bem” e que vai ser, mais um, sucesso das políticas Keynesianas da esquerda.

O optimismo de Marcelo ainda é reforçado, pela emissão de dívida a prazos curtos, devido à taxa de juros negativa. O problema não é este, é normalíssimo num contexto de compra de dívida pública por parte do BCE que Portugal se financie a estes valores a prazos tão curtos, aliás, se o caro leitor pedir um empréstimo a um prazo mais curto é porque o seu risco é menor, quer dizer que tem capacidade para pagar, ao contrário do longo prazo, em que as nossas taxas de juro a 10 anos, são as segundas maiores da Europa, só a Grécia nos ultrapassa neste ponto. O verdadeiro problema é a montanha de dívida que temos acumulada em 2018-2020, que temos que reembolsar, e esta gente emite dívida a maturidades mais curtas de uma forma perigosa, pois os picos desses reembolsos vão aumentar e num contexto de instabilidade vamos ter dificuldade em refinanciar-nos nesses anos, imagine o caro leitor chegar a 2019 e tem que reembolsar em dívida 20 bilhões de euros, vai ter que em 2019, e utilizar parte do dinheiro em caixa de 2018, emitir dívida para refinanciar essa mesma dívida, ou seja pedir emprestado e pagar empréstimos antigos com esse dinheiro novo, traduzindo para miúdos, agora imagine taxas de juro de longo prazo a 5%…  Outro problema, como disse acima, é a disparidade entre as taxas de juro de curto prazo e longo prazo, como afirmei as taxas de juro de curto prazo é normal serem baixas, mas não tão baixas, o BCE está a criar uma verdadeira bolha no mercado de dívida daí tal diferencial ou Gap nas taxas de juro. Quando a bolha arrebentar teremos algo precioso, e que nunca devia ter saído daqui, a Troika, é a única que é capaz de nos encostar à parede para fazer reformas, e proponho que só nos libertem tranches de financiamento se as fizermos.

Se houver birras, o governo que explique que não pode pagar pensões e salários, com o dinheiro dos outros também faço a festa. Quando a realidade se impor talvez Marcelo não se recandidate. A Chico-espertice não dura para sempre, nem muito menos pão e circo, é preciso reformas para isso, e a senhora Merkel ainda não foi reeleita, quando o for tratamos do circo. Marcelo Taki ora Tali e ora Tákula, mas nunca sabemos se é Chefe de Estado ou um espírita do Malawi, esses só se vem de dia, à noite estão a passar informações ao Marques Mendes. Tem vergonha Marcelo.

Mauro Pires

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