Vem aí o Partido da Sofia Afonso Ferreira

Portugal sempre esteve preso aos mesmos partidos durante décadas. Ora PS ora PSD com ou sem coligação com CDS, o certo é que tem sido sempre isto: vira o disco e toca o mesmo. Em resultado, o país andou estes anos todos a parecer um elástico, a esticar até quase falir com uns e com outros a retomar um pouco a forma no ano seguinte, sem nunca progredir senão em acumulação de dívidas, cada vez maiores, cada vez menos sustentáveis. Ou seja, uns a estragar, outros a remendar, mas nenhum a resolver verdadeiramente.

E isto tudo porque desde que nos livramos da ditadura este grupo – sempre os mesmos, composto de políticos pseudo-intelectuais – encontraram um meio de sobrevivência confortável à conta dos contribuintes onde inclusivamente “fabricaram” lugares para os familiares e amigos. Com favores distribuídos por todos os segmentos de actividade com o intuito de perpetuar a estada no Parlamento, ficaram todos de rabo preso em negociatas que prejudicaram o erário público anos a fio. Daí o facto de nenhum deles tomar todas as medidas estruturais necessárias, quando chegam ao poder, para endireitar o país.

Por isso é com agrado que vejo nascer novos partidos. Porque já o disse várias vezes, Portugal só muda quando alguém fora da política, dos vícios, da corrupção, do compadrio, dos favores, se meter à estrada e rasgue um caminho rumo a uma governação responsável e transparente totalmente dirigida à Nação, ou seja: NÓS!

Porque é na sociedade civil que está a chave para sair deste pântano. Porque é na sociedade civil onde estão aqueles que partiram as unhas a trabalhar para ter algo na vida. É na sociedade civil que estão as pessoas que sabem o quanto custa ganhar a vida a pulso e sem favores. É na sociedade civil que se aprende a ter resiliência, a lutar sem meios, a sobreviver a tudo para pôr pão na mesa. É na sociedade civil que estão os vencedores que não precisaram do Estado para ser alguém. Por isso, é na sociedade civil que está a melhor casta de futuros governantes.

Está mais do que provadíssimo que crescer profissionalmente na política e seguir directo para o Parlamento é a pior das opções para um país. O resultado de quatro décadas não podia ser mais claro. Políticos que nunca fizeram nada na vida real não têm a noção real de nada sobre o país, logo não possuem a valiosa experiência que ensina no terreno. Nunca sofreram desilusões nem fracassos, nunca perderam nada, nunca tiveram de recomeçar, de se superar. Por isso, são uns inaptos para decidir sobre a vida dos portugueses. Porque é caindo e levantando várias vezes que se ganha estofo para as batalhas e sabedoria para as vencer.

Eu não sei se a Sofia vai estar à altura do desafio. Mas agrada-me e muito saber que uma mulher com costela do Norte empunha um projecto liberal de direita – o Democracia21 – numa altura de crise ideológica partidária como nunca se viu no nosso país onde o PS é comunista, o PSD socialista, o BE a ajudar a governar à direita e o CDS a querer ser alternativa SOZINHO ao centro direita. Uma “salganhada” de todo o tamanho onde grande parte dos portugueses não se revê de todo.

É preciso, sim, criar uma alternativa séria à miscelânea que agora vivemos para resgatar aqueles abstencionistas – são quase 50% – que não acreditam na política actual por não se reverem nos malabarismos destes incompetentes. Aqueles também que mesmo votando, andam à toa a fazê-lo, não por convicção, mas por falta de alternativas.

Se for um projecto capaz de servir as pessoas com excelência e devolver a economia TODA à sociedade libertando-a das grilhetas do Estado actual incompetente, castrador e devorador de impostos. Se for um projecto que estimule a criar em vez de estimular a parasitar. Se for um projecto que dê sempre voz aos cidadãos antes de tomar decisões fracturantes como o deve ser numa democracia. Se for um projecto onde o Estado presta contas do que faz com os impostos e os utiliza somente na sociedade. Se for um projecto onde só se permite a permanência daqueles que cumprem com honra seu dever de servir a Nação, então temos gente.

Cristina Miranda

Via Blasfémias 

 

O Homicídio da III República Pelos Cobardes da Classe Política

Há 3 semanas, ficamos horrorizados com o que se via na televisão: o caos, o inferno, o sofrimento, todo o terror de Pedrógão, num ciclo mediático interminável. O nosso horror perante os 64 mortos acumulou-se ao terror de descobrirmos que o nosso armamento está à mercê de quem quiser levá-lo. Num curtíssimo espaço de tempo percebemos que não temos um Estado, mas sim um repositório de gente inútil a quem chamamos políticos que vivem a boa vida à nossa custa. Parece que sempre que a cortina cai com situações difíceis como estas, vão até aos limites da terra para desvalorizar a tamanha vergonha que é a sua flácida gestão de recursos públicos e o quão impotente o seu desempenho quando as coisas correm mal.

Tenho tido algum receio em escrever este texto, mas o que se tem passado nas últimas semanas força-me a dizer o seguinte: a III República foi morta.

Para verificar este facto temos décadas de uma devastadora e multipartidária rede de corrupção, interesses, manipulações e gastos criminosos do erário público que levou o país a 3 bancarrotas; hipocrisia militante e desonestidade política desta classe de ditos elites é repugnante, ora hoje dizem uma coisa, ora amanhã dizem o contrário; escândalos sucessivos de prevaricação, favoritismo, branqueamento, abuso de poder, destruição de capital, de isto e daquilo, e por aí fora. A história dos últimos 43 anos não é uma que se possa definir como sendo um grande sucesso para a maioria dos Portugueses.

Após décadas de uma aberrante apatia para o bem geral dos portugueses, chegamos ao cúmulo no dia 17-06-2017, aonde 47 pessoas foram mortas numa estrada e outras tantas abandonadas à sua sorte para morrerem no inferno. Depois veio Tancos. Entretanto não há uma responsabilidade que se veja entre uma rede sem fim de falhas, seja no SIRESP, seja na GNR, seja na Proteção Civil, seja na coordenação do MAI, seja do exército, seja do Ministério da Defesa, seja do que seja. Tudo falhou, mas ninguém tem culpa. O sistema fracassou grotescamente, e não há uma alma que nos venha pedir desculpas.

Vou mais longe do que ontem no debate sobre o estado da nação. O Estado entrou em colapso é verdade, e com ela veio outra vítima. Sim, a III República morreu pois deixou efectivamente de haver qualquer gota de confiança, deixamos de acreditar e de confiar na plenitude do que nos dizem e as suas desculpas esfarrapadas e deturpações puxadas já nem sequer queremos engolir.

Sem confiança não há Estado logo sem confiança não há Governo. Sem confiança vemos o que de facto temos: uma aristocracia, gorda e anafada cuja principal preocupação é proteger-se a si própria, alimentada e sustentada por todos nós, o reles plebeu eternamente ingénuo que lhes enche os cofres e as suas grosseiras barrigas.

Nada por acaso, na semana passada dei por mim a reler a Declaração de Independência dos EUA (quem nunca leu, merece perder uns minutos a conhecer este texto todo) e logo no início do texto, encontramos esta frase:

“… a fim de assegurar esses direitos (vida, a liberdade e a procura da felicidade), governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade.”

A principal razão para a independência está aqui, um pressuposto que é aplicável a qualquer nação deste nosso planeta: SEMPRE que um governo se torne DESTRUTIVO da nossa liberdade, das nossas VIDAS, temos o DIREITO, o DEVER de alterar ou abolir esta forma de governo. Se um estado não consegue criar as condições para nos sentirmos felizes e seguros, então não é estado que valha ser mantido. Temos que ser exigentes, tal como são connosco quando chegamos à hora de pagar impostos. Esperam tudo e mais algum de nós, exigem a nossa paciência infinita e depois rezam para que não nos lembremos das suas traições sucessivas que compõem a sua desgovernação continua.

E porque é que toleramos isto? Porque é que devemos passar por sucessivos governos a transferir os lucros do nosso trabalho para financiar falências de bancos e empresas e sucessivas bancarrotas de um Estado criminosamente gerido? Tanto doutore que por ai anda, tanta ciência política, mas ainda não vi ninguem a cienciar coisa nenhuma. Tal como fez a aristocracia durante séculos, estes agora andam a gozar com a nossa cara, e não é por termos eleições de vez em quando que temos democracia. Longe disso. Nós temos democracia porque existem consequenciais verdadeiras e palpáveis para quem viola e abusa do poder que é confiado a quem elegemos. Se não existem consequências, se não existe um sistema de justiça que se veja, se não há respeito pelos cargos que se ocupa, se não se tem noção da diferença entre politiquice e governação, ora então não temos democracia.

A meu ver, a partir do momento em que 64 pessoas foram mortas no inferno, houve uma 65ª morte: a Terceira República. E embora hajam responsabilidades pelas a apurar pelas mortes destas vítimas, os responsáveis pela morte da III República são óbvios. Sabem aquele feeling que têm tido no fundo do vosso estômago ao longo das últimas semanas? Aquele sentimento que algo está muito mal? É o que acontece quando nos deparamos com a realidade por detrás da cortina, a realidade que têm feito de tudo para se manter escondida.

Qual a diferença de outras calamidades? É que hoje em dia os meios de comunicação já não se resumem à televisão, à radio e aos jornais. Hoje temos meios que vão mais longe, que vão até ao terreno se for necessário, e a verdade pode ser exposta perante todo o mundo enquanto temos uma máquina inteira a tentar esconder o sucedido. E a principal diferença com Pedrógão? Houve quem desta vez dissesse BASTA, e essa voz é crescente e não se cala, não se esquece e não vai largar este tema: desta vez cruzaram uma linha e não há volta a dar.

Da comunicação social à classe política, andam a bombar ao máximo para esconder a morte da III República Portuguesa. O Thomas Jefferson dizia são necessárias revoluções de geração em geração, pois os valores naturalmente evoluem e creio que não estou sozinho em dizer que se antes não me revia neste sistema, então agora ainda menos. É elitista, é paternalista, é lento, é demoroso, é incompetente, é o oposto de profissional e pior, é cúmplice da morte dos nossos compatriotas.

Não percebo como é que é aceitável ter um Estado com a dimensão do nosso que funcione tão mal, que serva tão mal a grande maioria das pessoas. Não percebo como é que se despreza tanto quem inova, quem cria, quem trabalha, quem faz acontecer, e valoriza principalmente quem cala, quem obedece, quem concede, quem segue, quem baixa a cabeça. Não percebo.

A 3ª República é constituída por todo um sistema político e económico que não se aplica aos tempos que correm. Não entendo a necessidade de ter uma classe altamente profissionalizada numa única actividade, a política, que não exige experiência profissional para exercer cargos de alta responsabilidade e remuneração. A politica por si só não é razão suficiente para se exercer um cargo, e infelizmente, a grande maioria de quem governa, fá-lo pela sua competência política, e raramente pela sua competência profissional.

E isto trata-se de toda uma classe, que fora aquilo, que sabem eles fazer? Serem advogados? Serem professores universitários? Interpretes eruditos daquelas tretas a que eles chamam de “leis” que são eles que escrevem para posteriormente saber precisamente como furar em interesse deste ou daquele grupo económico?

Podemos e devemos exigir melhor, e temos que começar IMEDIATAMENTE a conceber a IV República. Chegamos a este ponto por alguma razão e deixar atrasar esta transição inevitável para um sistema que seja, de facto, justo, só nos aproxima cada vez mais a um país do terceiro mundo, ou na pior das hipóteses, conforme idealizam Jerónimo e as Mortáguas, a Venezuela.

Temos que garantir que este ciclo de poder que se fixa única e exclusivamente numa pirâmide invertida de corrupção e incompetência é quebrada de vez.

Andam todos a manter o pó bem alto para que não vejamos o cadáver que é a III República, mas um dia, o pó irá assentar, e por detrás desse cadáver, tal como aconteceu com as 64 vítimas dos fogos, estaremos nós. Porque quando a coisa aperta e o povo exige liderança, só podemos contar connosco. Os outros, é sabido, vão para longe, vão para Palma de Maiorca ou vão para a Assembleia da República insultarem-se uns aos outros. Efectivamente nada é feito, e não sentimos nem mais confiança nem mais segurança.

Sendo assim, digam-me, precisamos deles para o quê?

No Reino dos Medíocres, os Génios são decapitados

Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=su_IgEWCRUg&t=1s

Quando era ainda uma criança, achava que as pessoas que se gabavam muito delas próprias (na Suíça dizíamos que “elles se la pêtent”) eram pessoas desprezíveis. Achava aquilo superficial, desadequado, não via razões minimamente objectivas que sustentassem tanta bazófia. Com o passar dos anos as coisas mudaram: eu é que passei a alardear-me! Achava piada, permitia abrir um novo campo humorístico, no novo meio em que passei a me inserir (universitário estatal jurídico) aquilo contrastava tremendamente com o “pensamento” dominante.

Mas aquela nova atitude também era o reflexo de um método de “sobrevivência”: quando era mais novo não me gabava, falava pouco e não chateava ninguém. Meio-caminho andado para ser aquele que sofria as piadas e graçolas dos outros (o que foi que aconteceu). Assim como também decidi adaptar-me e responder, acabei por adoptar parte do comportamento dos “macacos”[1]. A idade, o comodismo e os resultados fizeram que mais que adoptar, entremeei essas atitudes.

O problema é que o contexto mudou: a adolescência tinha acabado, os filhos de operários eram agora filhos de notários, o gosto por sair todos os fins-de-semanas foi substituído pela necessidade de estudar longas horas a fio. E claro alguns dos meus colegas eram também antigos “intellos”[2], à diferença que não quiseram, ou não necessitaram de se adaptar aos gajos “fixes”.

Inevitavelmente isso criou conflitos: eu continuo a usar uma linguagem muito crua, com palavrões, imenso recurso à sexualidade, humor negro quando estou com pessoas que considero meus amigos ou potenciais amigos. O problema é que os ditos não têm a mesma sensibilidade que eu: a vantagem é que isso permite separar o trigo do joio.

Quando mudei de comportamento, também o analisei. Comecei a ter mais compreensão por esses tais “fixes”, que agora estão a um passo de me servirem como meros empregados de limpeza[3]. Eu disse-me a mim próprio “se tu não gostares de ti próprio, como é que alguém o poderá fazer? Mais, quando sentires que o teu mundo se desmoronou, estarás sozinho. Ora como queres sair do poço se não gostares de forma irracional de ti? Como queres subir o poço, algo de tão perigoso se não tiveres uma absoluta confiança em ti próprio?”

Assim, convenci-me que a bazófia era algo de bom, é algo que nos ajuda a avançar, a nos afirmar.

A nos amarmos a nós próprios, o que eu esqueci de fazer durante tantos anos.

Hoje convenci-me ainda mais de isso. Convenci-me ao lembrar dos escritos de Ayn Rand, de toda a filosofia do liberalismo.

E convenci-me a testemunhar de mais um episódio de mediocridade.

Quem consultar a minha página Facebook, virá que ela está cheíssima. Artigos, fotografias, reflexões. Há de tudo e em grande quantidade (ao ponto que tive de instalar um programa para me impedir de perder tanto tempo na rede!).

Encontrarão principalmente artigos, onde ideias são apresentadas, ou onde eu próprio formulo ideias e pistas de reflexão. Tento aplicar a máxima que “gente inteligente discute ideias, gente média discute factos, gente baixa discute pessoas”. Tento assim ficar sempre no Império das Ideias.

No entanto, claro há lugar para o humor e a bazófia. Ora publiquei há tempos uma monumental obra de bazófia.

Eu que passo, o quê, 90% do meu tempo a publicar “coisas sérias” decidi ir para aquele registro. E não é que, pessoas com quem eu não falo há mais de um ano, uma das quais “desamigou-me” do Facebook por, desculpem do pouco, ter ousado dizer que achava que PESSOALMENTE se EU tinha de divorciar consideraria isso como um testemunho de infâmia[4], reaparece no meu mural. E para dizer isto: “Que homem!”. Dois outros foi “Such wow”, e “WOW” em resposta à primeira.

90% das publicações são sobre política, economia, sociologia, filosofia, espiritualidade, e lá aparecem os queridos NUMA publicação mais rasca para deixarem comentários de duas palavras, a cheirarem a troça, porque ousei gabar-me no meu próprio mural!

E é aí que Ayn Rand falou directamente para mim: não temos de nos desculpar dos nossos sucessos. Não existe nenhum motivo de orgulho em ser medíocre. De querer nivelar toda à gente por baixo. De viver na inveja, a desprezar os méritos alheios.

Resumindo: aquela gente odeia bazófia porque não gosta dela própria.

Quem tem um mínimo de autoconfiança, quer lá saber se fulano tal se gaba ou deixa de gabar. Quem gosta o suficiente de si próprio, não perde tempo a fazer reflexões sobre como os outros vivem (e nesse caso direi, não gasta só o tempo dele a preencher a terceira parte da máxima que citei encima).

Pelo contrário, os espíritos livres têm orgulho neles próprios. Será necessário demonstrar o sucesso? Claro que não. O trabalho fala por ele próprio em princípio, e quem se gaba por se gabar rapidamente é descoberto. Ele próprio tem de admitir a realidade; se não o fizer, sofrerá as consequências. E se teimar em ignorar as consequências, costumará deixar a bazófia para enveredar pela inveja pura (tem de encontrar maneira de justificar os seus falhanços sem reconhecer os seus erros). Voltamos ao ponto inicial da mediocridade.

Mas se pessoas geniais não precisam de se gabar, pessoas medíocres terão possivelmente ainda menos recurso à bazófia. Os medíocres estão concentrados em eliminar quem saía da norma que inventaram. Não há tempo para se gabar. Ou se se gabam é porque conseguiram lixar a vida alheia. Veem? Nunca produzem nada de positivo, apenas destroem. Vivem através dos outros, por oposição a eles.

O significado da famosa frase anarquista “nem mestre, nem Deus” é mais que o que aparente ser à primeira vista: escolhe o teu próprio mestre, escolhe o teu próprio Deus. E tu podes ser o teu próprio mestre e o teu próprio Deus. Alguns escolhem seguir o mestre da mediocridade e o Deus dos possíveis, eu prefiro escolher o mestre da grandeza e o Deus dos impossíveis.

Concluirei por mais uma enorme peça de arrogância over 9.000[5]:

 Porque raio os outros teimam em convencer-me que sou superior a eles?

PortugalGate (2)

 

[1] Para quem conhecer bem a série How I Met Your Mother saberá o que entendo por aí. Os outros, ide ver esta série fantástica!!!

[2] Na Suíça da década de 2000 eram os alunos que passavam imenso tempo a estudar, muitas vezes pouco faladores e pouco dados a actividades desportivas. Ou como disse Bill Gates, « aqueles que podem um dia ser o teu patrão ».

[3] Compreensão, nunca disse que eu era alguém de misericordioso!

[4] A pessoa em questão viu os seus pais divorciarem por um dos dois ter descoberto que era homossexual. E eu que sempre tomei as minhas precauções para não a chatear com o tema, aliás tinha explicado que a minha afirmação era estritamente pessoal, se as pessoas queriam divorciar-se, separarem-se, era me totalmente indiferente e bom proveito a elas. Mas na mesma era acusado de montar um ataque velado. Hein?!

[5] Vegeta, Dragon Ball Z versão inglesa (versão original são 8.000).

64 Razões Para Demitir-se Sra. Ministra

1.

1.
Miguel A Lopes – EPA

2.

2.
EPA

3.

3.
LUSA

4.

4.
LUSA

5.   6.   7.

8.

8.
Patricia De Melo Moreira – AFP

9.  10.  11.

12.

12.
Patrícia De Melo Moreira – AFP

13.  14.  15.

16.

16.
DR

17.

17.
Paulo Novais – EPA

18.    19.

20.

20.
Rafael Marchante – Reuters

21.  22.  23.  24.

Será que ainda não percebeu?

Precisa mais?

25.

25.

26.

26.
António Cotrim – Lusa

27.  28.  29.  30.  31.  32.

33.

33.

34.

34.
Lusa

Fracasso.

35.

35.
Paulo Novais – Lusa

Desastre.

36.

36.
Rafael Marchante – Reuters

Um absoluto horror.

37.

37.
Patricia De Melo Moreira – AFP

F. R. A. C. A. S. S. O.

38.  39.  40.  41.

Será que ainda não entendeu a dimensão do que aconteceu?

42.

42.
Patrícia De Melo Moreira – AFP

Perante a dimensão dos estragos, perante a quantidade dos MORTOS, é impensável que ainda não se tenha demitido.

43.  44.  45.  46.  47.  48.  49.

Aconteceu sob a sua vigia.

O caos foi total. O resultado? A pior catástrofe da nossa 3ª República.

Perante a desorganização, quem melhor conhecia o terreno, quem poderia melhor conduzir o combate não teve sequer oportunidade de dar indicações, apresentar as suas opiniões, partilhar a sua experiência. Acreditaram que quem vem de fora sabe sempre melhor que quem lá está, só porque detêm de títulos e “cargos”.

Explique exactamente do que é que serviu a sua presença no terreno?

Para o que é que serviram as afirmações do Presidente da República, dizendo que tudo o que podia ter sido feito tinha sido feito enquanto o número dos mortos aumentava escandalosamente?

Era para se sentirem melhor perante o vosso falhanço colectivo?

Era para não terem que sentir a verdadeira e derradeira responsabilidade do vosso fracasso?

50.

50 - Rafael Marchante Reuters

Demita-se

51.

51.
Patricia de Melo Moreira – AFP

Demita-se.

52.

52.

Demita-se e peça desculpa.

53.

53 - AFP PHOTO PATRICIA DE MELO MOREIRA

Mas diz que não se demite, que teve “os piores dias da sua vida”.

E nós?

E nós que estivemos impotentes enquanto os nossos compatriotas morriam às dezenas?

E nós que passamos horas sem fim a espectar este terror?

Da sua vida???

E a vida de quem voltou às suas casas e encontrou nada, apenas cinza?

E as vidas de quem voltou às suas casas e agora tem que enterrar os seus parentes e vizinhos?

E as vidas de quem voltou às suas casas, que por acaso sobreviveram, só para descobrir que tinham sido saqueadas por escumalha que nem me atrevo a chamar de vida humana?

E as 64 vidas que já não serão vividas?

O “pior dia da sua vida”?

As palavras que deveria proferir, e já, para além de um pedido profundo de desculpas, sublinhado com o resto de dignidade que lhe resta por algum dia ter aceite um cargo para o qual não tem a ponta de competência ou habilidade que se veja para exercer, deviam ser apenas: “demito-me”.

54.

54.
Patricia de Melo Moreira – AFP

55.

55.
Paulo Cunha – EPA

56.

56.
Patricia de Melo Moreira – AFP

57.  58.

59.  60.

61.

61 - LUSA

Perante o enterro das vítimas, está na hora de pedir desculpas. Não é assumir culpa, não foi a Senhora que causou o fogo, mas deve pedir desculpa aos mortos, aos moradores da região, a Portugal.

Isto não se trata de política, trata-se de dignidade, de confiança.

Isto não se trata de esquerda ou de direita, trata-se de sentido de dever, sentido de Estado.

Você não é Ministra. Você está Ministra, e a verdade é que com a extinção da última chama, já não devia estar perto desse cargo.

Entregamos a nossa confiança ao Estado para que o Estado nos proteja, e ao invés o Estado confia no povo.

Falharam gravemente. Já não há confiança.

Deve assumir a responsabilidade perante o que se passou.

Quem detém a responsabilidade perante as autoridades que fracassaram na protecção de 64 almas lusas deve ser responsabilizada.

62.

63 bombeiros galegos

Mesmo na hora em que mais precisávamos, os nossos irmãos galegos vieram para ajudar, movidos por uma força sobre-humana que os impedia de presenciar o terror na televisão. Organizaram-se e puseram-se a caminho.

A entrada deles no nosso território foi recusada por si, demonstrando a sua plena incompetência e a incapacidade da sua equipa em liderar com qualquer eventualidade que fuja ao status quo. Não sabem lidar como o que não se espera, logo não podem ter a vida dos Portugueses nas vossas mãos.

Não só perdeu a nossa confiança como dos nossos amigos, dos nossos vizinhos, dos nossos irmãos.

Como irão confiar em si na próxima vez? Nós pedimos ajuda aos céus, e a Europa respondeu, os Espanhóis responderam e vieram! E nessa hora disse que tinham “excesso de voluntarismo”, insultando a honra quando o que os chamava era das mais nobres das intenções: salvar vidas, salvar vidas Portuguesas.

63.

64 - Joana Bourgard RR

Demita-se Sra. Ministra. Não tem condições para governar. O povo já não confia em si. Não é só confiança no Estado e no governo, é a confiança que temos na Terceira República que está em causa.

Chegamos à severa conclusão que da maneira como isto está organizado, Portugueses morrem. Sem responsabilidade, irão morrer ainda mais.

64.

62

Demita-se Sra. Ministra, porque estamos fartos de ver o nosso país a arder e os nossos heróis a padecer.

Demita-se Sra. Ministra.

Demita-se.

 

 

O Que Eles Querem é Governar Uma Terra Queimada

Hoje, neste mesmo blog, o Gaspar Macedo veio tocar num tema que à data tem sido ignorado, para nosso mal comum, mas ainda bem que o fez, porque acabou por inspirar esta minha contribuição de hoje.

No meio desta barbaridade toda que temos presenciado, especificamente em Londres, confesso que as respostas das autoridades e as medidas que têm sido apresentadas por quem nos “representa” faz bola para nos proteger; no entanto, faz muito proteger a classe a que eles pertencem, sejam as suas carreiras políticas, seja o seu património e dos seus amigos.

A verdade é que a única coisa que tem travado o terrorismo na Europa deve-se a uma intensificação do trabalho policial, de coordenação internacional neste meio e de investigação astuta e eficaz cujas melhorias já tem rendido resultados bastante positivos. Fora isso, os nossos queridos representantes tem feito pouco ou nada para travar está maré de terror que ameaça instalar-se nas nossa vidas.

Mas voltando ao artigo do Gaspar, houve uma frase que me ficou na cabeça: “Comecem por proteger o povo desprotegido e desproteger os políticos superprotegidos.”

E aqui está uma questão crítica que entretanto se perdeu no meio do mediatismo. Não se iludam: tudo o que acontece serve para nos manter focados em tudo menos neles e não vale a pena estar aqui a criar uma lista longa pois vocês sabem perfeitamente de quem falamos, mas é óbvio e está na cara que não se está a fazer nada com base, estrutura e objectivos palpáveis para travar a barbárie do terrorismo na Europa. Todas as soluções são de curto prazo, caras, e más, pois não resolvem nada na origem e não fazem nada a médio-longo prazo, pois primeiro pensa-se nas eleições, o resto que se lixe.

No entanto, temos que ser testemunhos à correria para ver quem é que condena o ataque primeiro no Twitter, quantos líderes mundiais marcham contra o terror, e já está, somos fortes, não nos vencerão. E é esta a imagem que nos é transmitida, a mensagem que nos passam: não precisamos de fazer nada, apenas devemos manter a calma e continuar serenos.

Ora aí está mesmo o problema. Porque não devíamos estar nem calmos nem serenos. Tanto isto como com a apresentação de contas e respostas a TODAS as nossas questões (ainda não percebo como é que um governante tem o desplante de RECUSAR às questões colocadas na Assembleia da República), temos que exigir TODOS OS DIAS que sirvam o maior interesse nacional e Europeu, ou seja, os cidadãos Europeus, seja qual for a raça, religião ou estilo de cabelo, eles estão de serviço, são nossos representantes, devem salvaguardar todos os nossos interesses (e não apenas de alguns) e fazer o seu trabalho. Não o estão a fazer, andam a viver às nossas custas e ainda gozam na nossa cara a dizer que está tudo bem.

E é aqui que entro em divergência com algumas vozes. O ser humano tem uma necessidade de compreender todo o horror reduzindo-o a questões de preto e branco, esquerda e direita, nós contra eles. Mas a realidade é outra, e como sabemos, tudo, mas TUDO é bem mais complexo que isso. Nenhum de nós pode ser definido com uma só categoria e andar a proferir que o problema disto tudo é X ou Y e gritar isso até à exaustão, é redutor e só contribui para a continuação do problema, alias, o excesso de simplificação deste problema do terrorismo, só ajuda o recrutamento do Daesh. Tal como a história do mundo ocidental não é simples, e toda a barbaridade que já cometemos não é reduzível apenas à religião, também temos que ser mais frios nesta analise, porque incrivelmente, o inimigo principal não está numa cave a planear, mas sim nos corredores do poder, a gozar do nosso pânico pleno.

Para ser claro: acuso os nossos governantes de serem responsáveis pelas mortes de cada atentado terrorista. Seja o Al Qaeda, Daesh, IRA, ETA, seja quem for, há responsabilidades que devem ser apuradas, e não somos nós que não estamos a topar a mensagem. Nós ouvimos claramente a mensagem, é aberrante e é contra tudo o que somos como sociedade plural e liberal, e é claro que mexe connosco (acho que move com qualquer pessoa) ver tanta dor e tanto sofrimento por parte dos familiares e dos sobreviventes das bestas que por ai andam.

Agora, temos que ir mais alem e reconhecer que existem responsabilidades, que não há uma acção sem uma reacção, e que enquanto não levantar-mos a nossa voz e exigir o que nos é devido, sem sacrificar direitos civis, não iremos tolerar tanta incompetência institucional.

Vivemos um momento grave existencial que é alimentado por uma tempestade perfeita de crises sociais, políticas, financeiras e económicas, e garanto-vos que é de extrema conveniência para quem nos governa que andemos minados de exaustão e medo.

Nenhum de nós pode aceitar isto, nenhum de nós pode aceitar não sentir segurança nas nossas comunidades, nos nossos países, e para isso necessitamos de ter respostas uniformes e concertadas contra estas ameaças. Só que para isso é necessário tomar atitudes, atitudes que podem ser contrárias aos interesses do poder instalado.

É necessário reconhecer que o terrorismo é financiado principalmente pelo petróleo. É através do petróleo vendido no mercado negro que o Daesh encontra o seu financiamento, petróleo que por sua vez é-nos vendido pelos países árabes. Para além disso, compramos petróleo à Arábia Saudita que notoriamente financia mesquitas Wahabistas, que pregam a versão mais intolerante e retrograda do Islão, que não acolhem um único refugiado, e por cima disso, ainda lhes vendemos armamento aos magotes.

Enquanto andar-mos a chuchar activamente nesta teta de ouro negro, eles continuarão a vender-nos por um lado, e a financiar ataques por outro. E isto não é uma questão de religião, é a maneira deles de destruir a União Europeia, da mesma maneira que a Russia também não perde uma oportunidade de enfraquecer um dos blocos económicos liberais mais importantes do planeta.

Mas veja-se que os nossos líderes, quando enfrentados com estas situações difíceis, fingem ser uns sonsos de primeira, brincam à alta política internacional e mesmo aonde tem havido o maior número de vítimas, andam aos beijinhos e abraços com quem detém responsabilidade pela ideologia. Deixem de comprar petróleo e vão ver o quão rápido a conversa muda.

O que é verdade é que pouco a pouco, por causa do “combate ao terrorismo” vemos as nossas liberdades a desaparecerem. Metadados agora podem ser consultados em “casos de terrorismo”, a resposta da Theresa May ao ataque é que deve-se regular a Internet, e qualquer dia, fazemos como aconteceu nos EUA, com a suspensão de habeas corpus, a implantação de um Patriot Act e de uma NSA capaz de entrar em todos os nossos computadores sem qualquer razão.

Se somos liberais, não podemos ficar só pelas questões económica-financeiras, ou resumir os nossos discursos a gritos que reduzem o tema a algo familiar, o nós contra eles, para arrecadar likes pois temos este hábito teimoso e preguiçoso de procurar uma resposta simples para questões complicadas.

Devemos ter foco: o poder económico e político tem vindo a concentrar-se num número cada vez mais reduzido de pessoas. Abandonamos uma aristocracia no passado para substituí-la com uma “elite”. O exercício do poder e do controlo das massas tem séculos de experiência, e até com a democracia temos uma ilusão de participação, que embora possa atenuar a corrupção que o poder traz, não a elimina.

A única coisa que trava a corrupção e a usurpação do poder pelos poucos às custas dos muitos é a nossa constante e atente vigilância. E hoje em dia temos cada vez mais ferramentas que permitem isso mesmo: a ascendência da Internet, uma geração nascida e criada em liberdade, que conhecem fronteiras e línguas para além das suas, tecnologia que fariam os nossos antepassados há 100 anos achar que era magia. Temos o know-how e a capacidade técnica de controlar, de fiscalizar e de exigir mais de quem nos governa, de quem é pago para nos proteger, de reduzir este cancro mortal que é uma elite corrupta e uma política inerte política que por cá nos reina. Mas isso requer uma reviravolta cultural para não “confiar nos nossos representantes” e andar em cima deles como o patrão que somos. Não admitiria-mos um funcionário a dormir no trabalho, então porque é que admitimos que o façam connosco, e ainda a desperdiçar o dinheiro que contribuímos que nos sai da pele?

Não sei como, mas a verdade é esta, a participação do eleitorado em TODAS as áreas é a única coisa que poderá travar este flagelo pois é nestas alturas de medo e de terror que o exercício anti-democrático floresce. Esta na história. Foi feito nos anos 30, foi feitos em inúmeras circunstancias porque a dita elite não tolera não estar no poder.

A nossa liberdade não é garantida, e não é algo que desapareça assim de um dia para o outro. Pouco a pouco eles vão tentar retirar-nos aquilo que lutamos para obter durante séculos. E sabem porque? Porque a era do político está a acabar, a era partidária está a falecer. O fim chegou para este espectro político-partidário porque já chegamos à conclusão que a grande maioria deles anda a gozar com a nossa cara, e pior, andam todos num constante conluio contra o contribuinte, seja através de contratos com uma Octopharma, sejam rendas de EDP, sejam vistos gold, sejam negócios ruinosos de património público, seja a gestão vergonhosa do nosso capital humano, seja o que for. Recuso-me a acreditar que são todos uns incompetentes desgraçados e que este saque milenar não é algo propositado. É uma questão de perceber a história, e de não ficar preso aos ciclos mediáticos, acordar e reagir, escrever e telefonar e exigir que actuem. O principal interesse do governante devemos ser nós, ao contrário do que muitos deles acham que é o EU. Por isso, a função de político de carreira deve deixar de existir, porque confesso que hoje em dia sou capaz de confiar na Siri para tratar dos meus impostos mais do que o Fisco.

Há uma guerra sim senhor, mas os inimigos não é só o Daesh, ou os seus financiadores bilionários Wahabistas da Arábia Saudita, ou os conservadores evangélicos dos EUA que querem sonham com uma Eretz Yisrael para que o Messias possa finalmente voltar à terra.

Como o Gaspar disse e bem, a religião deve servir para unir, especificamente unir contra o mal. E o facto é que quem tem maior responsabilidade em proteger-nos do mal, não o está a fazer e creio que, honestamente, não o quer fazer.

Não nos protegem do terrorismo, pois fazem negócios bilionários com quem os financia, não nos protegem da corrupção pois são os principais interessados na sua continuidade, não nos protegem de nós mesmos, porque a eles não lhes interessa NADA que estejamos unidos.

A união é a força, e a última coisa que querem é uma humanidade unida e com objectivos concretos: a paz, a liberdade e prosperidade. Uma humanidade unida, em paz, prospera e livre, é ingovernável, logo, eles deixariam de ser desnecessários.

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“Para saber quem te governa, simplesmente procura quem não podes criticar.” – Voltaire

Porquê é que os Barões são espevitados?

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Como sempre, os meus leitores já sabem, vamos ao ponto. Que tipo de sociedade queremos? Como a financiamos? Queremos um Estado gordo, ineficiente, clientelar, cheio de amigos políticos ou um Estado reduzido, ágil, que saia da frente da produção e das pessoas, com impostos reduzidos e estar presente no essencial? São este tipo de questões que uma classe política normal deve responder mas, como sempre, a política portuguesa centra-se no circo e António Costa distribui o pão.

A sociedade Portuguesa tem um olhar, diga-se que enviesado, do que é o Liberalismo económico. Muitos acham que Liberalismo é igual a austeridade, pobreza entre outras pérolas que a máquina do PCP e do BE, em conjunto com a comunicação “social”, fazem querer a um povo que não tem literacia, quase alguma, financeira. Se as pessoas passam 43 anos da sua vida, em democracia, a experimentarem técnicas experimentais socialistas e, como se vê, corre sempre muito mal, porquê é que não mudamos? O que nos impede? Duas coisas: marxismo escolar, formata cabeçinhas, e a própria ignorância e inoperância portuguesa, o que nos faz, alvos fáceis, de abutres socialistas. Mesmo aqueles que querem mudar, mas que se abstêm, pensam como sempre pensaram:« Tenho a minha vidinha», o problema não é só a “vidinha”, é o desconhecimento em causa da matriz em si própria, neste caso, o liberalismo. Como se pode lutar por algo que não se conhece… É mais por ai. Pelo menos é a minha humilde opinião.

O liberalismo é sinal de liberdade individual e do risco que a própria condição humana exige. É o que,o povo português, sempre quer no final do mês e olha para as contas, que o Estado saia da frente e não nos crie complicações mas sim, facilite a nossa vida. É colocar o Estado no seu essencial, deixando a economia privada no seu canto. É fácil, é só não mexer.

Eu costumo dizer, que em Portugal, não temos direita, e os liberais não tem armas para lutar, mas também cortam-lhes as pernas. Temos a esquerda beata, a esquerda social democrata, a esquerda menchevique e a Trotskysta-Estalinista, portanto um pântano. Quem foi diferente, nestes últimos 40 anos, em Portugal? Passos Coelho. E com mérito. Não é um liberal perfeito, nunca o foi secalhar, mas é pragmático. Implementou algumas reformas importantes que permitem que hoje o Governo tricolor se aguente. Hoje Portugal sustenta-se com um modelo de crescimento que Costa sempre  recusou, mas como grande chico-esperto que é, aproveita-se. O esforço dos empresários portugueses é assinalável, só demonstra que somos das economias mais flexiveis da Europa e que quando queremos mudar, existem resultados.

Um dos bons resultados da governação anterior, foi a queda de um dos pilares mais podres do regime, a teia Salgado, mas é a ponta de um gigante icebergue que não foi, de todo, descoberto por inteiro. Quem deixa cair um das teias mais poderosas, tem que levar com a máquina, de sempre, toda em cima desde: Comunicação social, certas “organizações” e até do próprio partido. Passos Coelho tem que ouvir baboseiras de socialistas sociais democratas do seu partido, desde o Professor Karamba Mendes(na imagem), quem passa as informações ao Professor Karamba, Marcelo, entre outras gentes que querem fazer do PSD um partido charneira. Diz-se, em política, quando se fala demais de um líder, é mau sinal, quer dizer que este incomoda, se não se falasse de Passos Coelho é que era preocupante, era sinal que este tinha sucumbido ao socialismo puritano lusitano(não é que este não tenha coisas a melhorar).

Mauro Pires

Portugal com Vida Suspensa à Beira de uma Paragem Cardíaca

Na minha última publicação falei de uma das graves falhas na comunicação social, o fetiche pelo ciclo de indignação-esquecimento. Hoje achei que deveria promover um tipo de jornalismo que não é suficientemente valorizado dado que não é mediático, é mais cerebral, requer trabalho. Existem investigações de grande qualidade feitas por programas como o Sexta às 9 da RTP, os vários trabalhos das Vidas Suspensas ou o Acha Que Conhece o Seu País? da SIC ou como outro exemplo, o último Repórter TVI sobre as Contaminações dos terrenos do Parque das Nações. Entre estas, por vezes também somos expostos a investigações titânicas por parte da SIC que demonstram pequenos exemplos das redes de corrupção e o alcance da podridão que corrói a sociedade portuguesa, como na queda do BES, a operação Marquês, o BPN, BANIF, etc etc.

Este tipo de reportagens não são inconsequentes, alias, necessitamos de um ressurgimento deste tipo de trabalho. Acho que merecemos, acho que precisamos e com muita, mas muita urgência.

Chegamos a uma era em que a transparência é cada vez mais nítida e a informação cada vez menos concentrada nas mãos da auto-intitulada elite. Essa transparência e esse acesso à informação são os principais inimigos de quem se enriquece às nossas custas e de quem faz de nós uns verdadeiros otários dia após dia.

Todas as sextas-feiras fico de boca aberta com a falta de rigor, profissionalismo e qualquer ausência de responsabilização por parte das entidades que sistematicamente desfazem famílias e lançam o caos perante os portugueses. O Sexta às 9 tem feito um trabalho exímio em reportar algumas grandes falhas do nosso sistema, e em alguns casos levaram a consequências e a pequenas reformas. Merecem o reconhecimento disto, mas infelizmente, ainda não é o suficiente.

Ao ver qualquer daquelas reportagens, seja na RTP, SIC ou TVI, chegamos à conclusão que não podemos confiar em quem está em posições de poder. Vivemos num país com mais de 600 mil funcionários públicos, uns com mais poder que outros, mas todos invariavelmente com o poder suficiente para afectar profundamente as vidas de cada um dos milhões de portugueses que vivem dentro e fora de Portugal. Se viver à margem da responsabilização e da supervisão não fosse o suficiente, ainda temos o resto da sociedade para enfrentar, o que me dá a distinta ideia que vivemos de facto num país muito perigoso. Um poder governativo sem supervisão e uma sociedade à viver à margem da lei não são bons ingredientes para garantir “a paz social”.

Podemos não ser alvo das ondas terroristas e xenófobas que esbarram pelo mundo fora, muito devido à nossa ausência de aventuras militares em países que não nos dizem nada e também devido à nossa história e cultura que tendencialmente é aberta a novas ideias e novos horizontes.

Podemos não correr estes riscos mais iminentes e podemos não sofrer destas ameaças à nossa democracia e liberdade, mas corremos perigo, disso garanto-vos.

Neste momento somos governados num ambiente em que nos é encafuado goela abaixo, que nem uns belos patos para fazer foie grás, que nada de mal se passa, tudo é fantástico, e tudo corre bem.

Vivemos bem para além do país das maravilhas e completamente alheios à realidade que suspende as vidas de milhares de portugueses todos os dias. Ignora-se o que é de facto sério para dar foco sem fim à política macroeconómica do país. Baixamos uma percentagem no défice, aumentamos outra no crescimento trimestral, mexe uma vírgula aqui, outra ali.

Passamos noticiários inteiros e programas de “debate” político a “comentar” quem é que tem o mérito da boa nova, porque assim quiçá o plebeu poderá aumentar, um poucochinho, a confiança neste ou naquele grupo de palhaços a orquestrar o próximo ato do circo que são as sessões parlamentares.

Distraem-nos com debates sem fim, sobre a grande obra e a grande luta que combatem, para ajudar os pobres, para combater a precariedade, para lutar contra o grande capital, para ir buscar o dinheiro a quem acumula e a quem foge à tributação. Gritam e batem o pé, e embora não façam assim grande coisa que se veja, ainda se congratulam com tudo o que é de bom. Seja o tetracampeonato do Benfica, seja o centenário de Fátima, seja o Salvador e a conquista daquela “coisa” como o próprio Sobral chamou o troféu da Eurovisão, tudo mas TUDO o que seja de positivo é de obra e mérito única e exclusivamente deles. E aí de vocês se não agradecerem todos os dias ao pai, ao filho, ao espírito santo e à sagrada geringonça por terem comida no prato. Ou neste caso, a engorda que nos eventualmente levará a um fígado bem gordo, pronto para a sua colheita.

Ontem nas Vidas Suspensas da SIC apresentaram uma história, que como todas as outras, me deixou a perguntar, mas que raio é que se passa aqui?

Resumidamente, contaram a história de um senhor que trabalhou a vida toda para construir a sua vida (como muitos), que no próprio dia em que a empresa informou os seus trabalhadores que teriam que trabalhar todos até uma hora mais tarde do que o programado, ele teve o desplante de informar que não poderia fazê-lo pois já tinha compromissos marcados que não podia falhar.

A empresa decidiu retaliar, retirando-lhe horas de trabalho extra, decidindo não pagar o trabalho de feriados e dos tempos extraordinários, e este senhor, mais uma vez, teve a audácia de se queixar ao tribunal do trabalho. Ora a empresa quando descobre, abre processo interno contra o senhor, inventa umas justificações fictícias para o por na rua, despedindo o mesmo, dizem eles, por justa causa.

O senhor no desemprego recorre à justiça que entretanto não lhe atribui advogado. Senhor perde o carro, a casa, a mulher e a família. Pede a múltiplos advogados para o representar, e teve a má sorte em quem aceitou representar, que o faz mal e porcamente. São indicadas 4 testemunhas para falar em defesa dele, só foram convocados 2 no dia antes do julgamento.

As testemunhas da empresa mentem em tribunal, e os dois colegas que tiveram o desplante de falar em defesa do seu colega eventualmente também saíram da empresa por “incompatibilidades”. O senhor tenta interpor recursos mas o advogado diz que não tem tempo pois esbardalhou-se pelas escadas abaixo, que se encontra em recuperação e não pode tratar do assunto. Ora o senhor estando no desemprego vê esse mesmo advogado fino que nem um figo nesse mesmo dia. Enfim. Está neste momento de vida suspensa pois a nossa sempre célere justiça trata estes casos, como tantos outros com a urgência que merece: ou seja, para eles, nenhuma.

E ficamos ali, a pensar que de facto, é mesmo assim. Que vivemos num país em que se te atreves a abrir a boca, a contestar o que for, a reclamar direitos ou no mínimo dos mínimos, dizer que não, então é bom que tenhas uma artilharia de cunhas, connects e amigos que possam ajudar a enfrentar as consequências que vierem.

Uma pessoa diz à sua gestão, que não é competente o suficiente para anunciar as suas escalas de trabalho com antecedência, que não pode trabalhar essa hora extra, e tungas, três funcionários vão para a rua, efectivamente dando cabo de três famílias. É nisto que vivemos, não podemos levantar a cabeça porque não temos quem olhe por nós. 600 mil funcionários públicos que deveriam ter sentido de estado, que deveriam saber que estão lá para nos servir, para nos proteger, para ter em mentes os nossos melhores interesses, querem lá saber dos restantes milhões de portugueses que pagam o ordenado deles. Querem é saber dos seus salários, das suas férias, das suas reformas, dos seus aumentos, do seu crescimento, das suas horas de trabalho, dos seus direitos, etc. E temos a governar-nos quatro partidos que são peritos em proteger esse seu público alvo de 600 mil eleitores, com a sua máquina sindical pelo meio, e é por isso que eles têm direito a tolerância de pontes que não existem e o resto de nós não.

O perigo que existe aqui, é que enquanto uns governam a olhar para o seu umbigo, o resto do país anda a ser categoricamente e consistentemente fodido (tipicamente não uso palavrões mas não havia outra palavra que melhor descrevesse o que sinto). Mas como pintam o ar de cor de rosa, parece que afinal as coisas não andam assim tão mal.

As coisas andam mal, e olhem que eu sou um optimista! As coisas andam mal: perguntem só aos moradores do parque das nações que andam a respirar benzeno, ou às famílias vítimas de técnicas da segurança social que pertencem a esquemas para preencher os orfanatos com crianças retiradas ilegitimamente aos pais, ou aos milhões de portugueses que sofrem todos os dias perante a grossa incompetência de funcionários públicos que querem é ir picar o ponto para ir para casa antes do resto dos plebeu poder sair do trabalho, horas depois, e sem direito a ordenado extra.

O perigo é claro e gritante, e com cada trabalho de jornalismo destes que desmonta um esquema e demonstra a bandalhada que por cá governa e gere o estado, o mais nos aproximamos daquele momento em que um Mohamed Bouazizi (senhor que se auto-imolou e foi estopim dos protestos dos protestos na Tunísia) destas bandas se suicida às portas da Assembleia da República devido à ausência de um estado que sirva para governar para além dos seus clientes imediatos, ou seja, eles. Tenham cuidado, comecem a reformar, e rapidamente pois a coisa não irá correr bem. Reformem e ponham-se a mexer que não estamos assim muito longe daquele momento em que perdemos a cabeça. O povo português é pacato e consegue aguentar muito, mas aguentar muito mesmo. Mas após 40 anos de andarmos a ser enganados e esmiuçados de milhares e milhares de milhões de euros para financiar todo um quadro de bandidos de primeira, já o Thomas Jefferson dizia, que para manter a democracia, eram necessárias revoluções todas as gerações. A próxima revolução não necessitará de tanques e soldados na rua, mas garanto que muita gente irá para a cadeia, porque não admito que os Salgados da vida passem a vida em bem, mas se eu roubar um pão para alimentar a minha família vou preso e custar ainda mais aos contribuintes.

Eu recuso-me a pagar outro resgate. Isso garanto. E vocês?

Crispação, queixume e azedume

Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=ZaSn8YijoQ4
Uma das coisas que mais gosto de fazer é observar e analisar o comportamento das pessoas. Este interesse está muito provavelmente ligado à minha história pessoal, que já tive a oportunidade de esmiuçar noutra ocasião[1].

Ora ultimamente o que mais tem marcado, e tive trocas sobre este tema com algumas pessoas, é que acho a generalidade das pessoas bastante crispadas, queixosas, preconceituosas, piegas ou fechadas.

Não sei se será do tempo – quando escrevi isto estávamos no fim do Inverno – ou dos meios socioculturais nos quais me insiro – o que me parece estranho porque conversei de isso com pessoas inseridas noutros meios, e inclusive países e as constatações são idênticas.

Também ponderei que fosse uma questão de carácter, se calhar as pessoas com quem eu conversei comportam-se da mesma forma que eu e é por isso que depois as reacções dos demais são similares, mas mesmo assim não me parece que as similitudes sejam tão grandes quanto isso.

A questão do tempo será provavelmente a mais pertinente, o Inverno tende a nos tornar mais tensos que durante o Verão, a falta de luz e o frio contribuirão por isso.

No entanto se me parece que com o chegar do Verão e do Sol as pessoas tendem a estar efectivamente menos crispadas, com mais sentido de humor ou tolerantes, parecem-me sempre que estão cheias de tabus ao longo do ano que os levam novamente para a crispação quando são invocados.

O que entendo por tabus? Entendo sobretudo questões relacionadas com a sexualidade, a intimidade, o convívio com pessoas diferentes e desconhecidas e as relações com a hierarquia. Ou seja, temas relacionados com as interacções humanas simplesmente. E a crispação volta a aparecer mal se conversa sobre isso.

Mesmo o humor parece ser incapaz de travar essa crispação. Eu sou uma pessoa que gosta imenso de fazer humor sobre tudo e mais alguma coisa, todo tipo de humor é susceptível de me agradar, à condição de ser bem feito e não ser intencionalmente vexatório. Assim humor negro, sarcástico, sobre a aparência das pessoas, suas nacionalidades, sexualidade etc. agradam-me imenso, gosto de fazê-lo e também não me ralo se alguém usar contra mim humor que poderá parecer ofensivo.

Agora com as demais pessoas isto nem sempre é possível. As pessoas têm graus de sensibilidade variados, e ofuscam-se quando se toca esses temas. Dirão-me que é normal, temos todos um tema que nos revoltam, temos dias menos bons e mais bons e existem diversas maneiras de dizer as coisas. Eu obviamente sou igual aos demais.

No entanto creio ter uma diferença com os outros, é que eu tento em regra geral guardar a calma, e não necessariamente atacar a pessoa porque disse algo, num tom ou a um momento que me desagradasse – não funciona com toda a gente infelizmente, mas a esmagadora maioria sim!

A diferença poderá ser que como eu tento me posicionar mais na posição de aquele que faz piadas, arrisco-me mais facilmente a chocar os demais que eles me choquem a mim. Contudo mesmo quando as conversas são um pouco mais sérias, ou menos ligeiras, parece que há sempre um tabu ou queixume que aparece a determinado momento.

Constato que as pessoas têm uma tendência enorme para desviar para a crítica. Quando isso acontece eu começo por os deixar esvaziar o saco. Por experiência própria sei que às vezes as pessoas só precisam de esvaziar o saco para avançar melhor. O problema é que não raras vezes voltam a vir mais e mais queixas. Eu tenho por hábito de fazer então perguntas de maneira a que a pessoa chegue por si própria a uma solução, ao qual chega geralmente. Só que passado algum momento voltam a vir as queixas…

Inútil dizer que é cansativo estar a conviver com pessoas que passam imenso tempo a se lamuriar. E o pior não é isso. O pior é que quando se tem de fazer algo, tem de se enfrentar uma situação, as pessoas não querem saber. Mais, ofuscam-se quando afirmamos que vamos tomar determinada atitude, sobretudo quando esta lhes parecer pouco banal.

Quando digo banal eu não falo de atitudes ilícitas, atitudes que violem a propriedade ou que ferem o PNA[2]. Falo simplesmente de quebrar certas convenções sociais.

Dou um exemplo: há tempos estávamos a nos queixar que os nossos professores eram incapazes de nos darem uma cópia escrita dos exercícios. Na minha Faculdade de Direito temos sessões em que resolvemos casos, geralmente inspirados de precedentes. Ora acontece que o professor se limita a explicar o caso, e quem se distrai arrisca-se a ter apontamentos incompletos.

Poucos professores se lembraram de fazer um livro com os exercícios todos (alguns o fizeram mesmo assim). Ora eu propus de enviar um email a propor isso mesmo aos professores. Ou a organizar um grupo de estudantes que fizesse os exercícios, supervisionado por um assistente, que depois publicaria os exercícios. Enfim algo que nos deia conteúdos viáveis.

Inútil dizer que ninguém se motivou para isso, e quando se soube que mandei um email, sozinho, aos nossos professores, tive direito ao sarcasmo, quando não critica por propor uma medida que desincentivará os alunos a vir aos exercícios ; pois… alguns professores publicam os seus exercícios e, no entanto, têm as salas tão cheias como aos outros, mas aquilo supostamente desincentiva as pessoas a virem às aulas… E eu ainda a pensar que mais que vir às aulas o importante é termos pessoas bem formadas…

E haverá imensos exemplos parecidos. As pessoas são de uma incrível inércia, deixam-se enlamear em convenções sociais mais que duvidosas sem grande fundamento. Creio que inclusive por causa de isso acabam por ser mais infelizes!

Esses comportamentos são até bastante estatistas, ou antiliberais! Porque vejam, o liberalismo caracteriza-se por ser uma filosofia sobre a liberdade. E liberdade implica responsabilidade, reciprocidade (ou retribuição) e respeito pela propriedade alheia.

Não há lugar no liberalismo para conflitos, ofuscações, censuras ou conspirações. Ser liberal acaba por ter por consequência, pelo menos na minha vida privada, de tentar ser bem-humorado, optimista, ligeiro, despreocupado, generoso, compreensivo e sério na altura de trabalhar. Mas claro também não admitir agressões físicas e responder em consequência.

Não é por nada que se pode afirmar que o capitalismo liberal nos humanizou. Terei tendência a pensar que quanto mais formos liberais (a sério, e não apenas o afirmar), mais felizes somos.

Pelo menos por mim até tem funcionado de esta forma. Não é fácil, não se consegue todos os dias, mas pronto há que tentar sempre. A vantagem é que quanto mais tentamos, menos nos deixamos afectar pelo veneno dos outros e a ser menos dependentes de eles.

E isso, creio que será a definição da felicidade : não depender de ninguém, conseguirmos sempre nos contentar do que temos ou ter mais sem fazer mal aos outros. E cereja no topo do bolo é conseguir tornar outros mais felizes também.

Dito de outra forma: de os ter tornado liberais também 😉

[1] http://mises.org.pt/2016/09/direito-de-secessao/

[2] Princípio de Não Agressão.

Para reformar o País, reforme-se primeiro o esqueleto.

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No seguimento, deste meu artigo sobre o crescimento económico do País, queria aprofundar, ainda mais a temática das reformas estruturais em Portugal. Hoje fala-se de pão e circo na comunicação social, Salvador Sobral é homenageado na Assembleia da República e Tony Carreira, em tantos anos de serviço e de levar o nome de Portugal a todo o lado, nunca o foi, se Salvador tivesse ganho a Eurovisão, no tempo de Passos Coelho, já certos sectores da sociedade falavam coisas abomináveis para o rapaz, já que a esquerda tem esse monopólio, não me admiraria que o fizesse. Fala-se disto, como se fala da Madonna em Portugal, estamos entregues a isto, a notícias de fraque, ninguém discute que daqui a uns anos, a Segurança Social não tenha dinheiro para pagar reformas, ou como manter o actual crescimento de 2,8% de forma  sustentável, e não de forma esporádica.

Um dos factores de tantos actos circenses gratuitos, é agora que o Cardinali vai à falência, é o actual Governo Social-Comunista quer somente sobreviver, fazer a festa e distribuir para as clientelas, para provocar uma crise política para Costa ganhar eleições com maioria absoluta, as contas do País já não aguentam tanta sobreorçamentação e adiar pagamentos aos fornecedores, o défice não aguenta ficar muito mais tempo mascarado. Se queremos reformas,  e mudanças estruturais a sério, primeiro temos que mudar o plano institucional e constitucional que vivemos. Não podemos ter ciclos de Governo de 4 anos e Presidente da República de 5, sempre achei que os Governos devem governar 6 anos e o Presidente da República ter um só mandato de 7 anos. Retirar a influência dos ciclos eleitorais na política económica e orçamental é prioritário para o nosso burgo se reformar, os políticos portugueses tem a mania, eterna, de fazer reformas nos primeiros 2 anos e meio, e no restante mandato distribuírem flores eleitorais para amenizar a coisa, Passos Coelho reformou de 2011-2014, em 2015 houve uma gestão política eficaz para ganhar eleições, e fez bem , ganhou, só não ganhou com maioria devido ao grande aumento de impostos, mas para quem recebeu o País sem um tostão no bolso, e poucos tiveram a coragem de avançar, foi um trabalho hercúleo.

Ter governos com duração de 6 anos, vamos excluir a geringonça da equação, é essencial para adotarmos políticas sectoriais de longo prazo que possam aumentar o potencial de crescimento da economia, permite cortar despesa pública de um modo mais fácil, sem influenciar muito o ciclo eleitoral, e diminuir a dívida. Agora é pedir aos três maiores partidos que se entendam e se reúnem numa mesa, para alterar a constituição, mas derrepente lembro-me que temos um hernesto a líder do PS.

Não basta alterar os ciclos eleitorais, é necessário mudar o modo como se elegem deputados neste País, eu particularmente, gostaria de escolher o meu deputado, olhando para o seu currículo e experiência, para depois não ter que aturar Joãos Galambas no parlamento, colocar os círculos uninominais na mesa para discutir é importante. Além disso, tenham a coragem de ilegalizar a maçonaria no parlamento, sabemos o poder que esta tem nos “bastidores” deste País, talvez certas influências acabem. Mas isto já é pedir que a República Portuguesa tome juízo, não sei se é concretizável.

Mauro Pires

O Português de segunda e o burro de carga

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Vamos ser directos e não vamos engonhar, em Portugal existem duas classes opostas e com funções opostas, o privado tem um só privilégio, trabalhar dia e noite, pode ser despedido e os feriados e tolerâncias de ponto ficam para a outra classe gozar e ainda tem que ter o estofo e a mentalidade de que é um dos intervenientes da actividade produtiva, e logo, ajudam a criar riqueza e a colecta de impostos para o País. O funcionalismo público português serve para uma coisa, votos, não é por culpa dos funcionários, quem cria esta expectativa de mais regalias, mais salários e quem criou este monstro, foram sucessivos governos de esquerda e direita que arranjaram na função pública uma máquina de gelados onde era só tirar e sai os votinhos.

Nas eleições de 2015, Pedro Passos Coelho ganhou as eleições também com votos da função pública, se os quase 650.000 efectivos do Estado somarmos as suas famílias estamos perto de uma influência de 1,5 milhões de eleitores, ora se a teoria do socialismo está correcta, ou seja, dás dinheiro e a carneirada vai atrás, o PS ganharia sempre, quer dizer que as pessoas não tem palas e mesmo dependo directamente dos pagamentos do Estado,  perceberam o Estado em que o País se encontrava.

Ainda bem que temos uma “maioria assim”, mas essa maioria não se manifesta, a outra “maioria” dentro da função pública não quer saber de ninguém, só do seu umbigo, o resto que pague as suas mordomias, alguém me explique o porquê que um funcionário público tem o direito a uma tolerância de ponto e descansa, e o privado tem que ralar? Tem que acordar cedo para ter a mesma rotina para tentar levar os filhos à escola, só que onde os põe se a maioria dos serviços “públicos” está fechado? Ficam em casa dos avós, e é assim com a grande parte das pessoas, são uma tábua de salvação para muitos Pais. A Ana Ávoila e o camarada Arménio faziam muito bem em passar férias prolongadas e, estágio incluído, na Venezuela.

A dicotomia privado-público em Portugal tem que se discutir, não se pode ter medo, isto está mal, o sistema está mal e ninguém muda, quem tenta mudar é neoliberal fascista e outras pérolas vigentes, já não tem criatividade para mais, é uma pena um País estar aprisionado com tantas amarras, impostos, regulações e licenças, funcionalismo entre outros obstáculos, não se cria e nem se vai criar mais riqueza em Portugal com este a tornar-se um embrião Venezuelano quase perfeito, ou mudamos e pensamos no futuro ou podemos estar perante não para uma década, mas para um século perdido.

Mauro Pires

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