“Portugal é um País Socialista”- Entrevista a Carlos Guimarães Pinto

Carlos Guimarães Pinto representa, enquanto eleitor e até do ponto de vista pessoal, muito do que eu gosto de ver num verdadeiro político: viajado, cosmopolita, tem vários anos de iniciativa privada e uma enorme bagagem acumulada com as  mais diversas passagens em zonas exóticas do globo, dos quais a Arábia Saudita e Paquistão fazem parte do imenso pacote. Num contexto em que vivemos de compadrio familiar e que junta inclusive laços de amizade de vários anos, tudo em forma exponencial no consolado socialista de António Costa, a competência de certos parlamentares portugueses é claramente colocada em causa face a um currículo competente e forjado a pulso pelo Carlos, que, concorde-se ou discorde-se das suas ideias, é um homem com uma elevação diferente dos mortais apresentados no Palácio de São Bento que cujo mundo cultural e profissional tende para zero, não todos é claro, mas uma maioria é suficiente para consolidar os diversos buracos que temos nas nossas carteiras, especialmente na zona das notas.

Não me querem ler pois não? Leiam o que diz o Carlos, é mais educativo!

1) Concordas que a direita portuguesa tem sido tudo menos direita, nestas últimas duas décadas? Terá a direita culpas indirectas em ter vergonha de se assumir e assim construir um programa verdadeiramente liberal e alternativo?

 A direita é aquilo que os partidos fizeram dela! A direita é definida por aquilo que os partidos mais à direita fizeram nos últimos anos, e por isso é que existem muitas pessoas que hesitam em se dizer de direita. Isto começou muito cedo. Quando o Freitas participava em debates, perguntavam-lhe se o CDS era um partido de direita e ele desviava o olhar do entrevistador, olhava para a câmara e dizia: “Nós estamos rigorosamente ao centro”. Uma vez no Insurgente tentei definir o que era direita e esquerda nos diversos Países, e a nossa direita portuguesa no contexto dos E.U.A seria o partido democrata.

Tivemos mesmo alguém da ala mais à direita do PSD que apoiou Sanders nas últimas eleições americanas. Portanto, a “direita portuguesa” está muito inclinada à esquerda na componente económica.

A direita em Portugal definiu-se de duas formas ao longo destes últimos 20 anos: estatista e conservadora. Um bocado menos estatista que a esquerda? Sim, mas foi uma diferença residual para mudar o estado de coisas, foi assim que a direita se quis definir. Como disse no meu discurso no Movimento 5.7, acho que a direita caiu na armadilha da esquerda de escolher sempre as causas erradas. O País estava-se a afundar economicamente, a endividar-se ainda mais e a direita a discutir se havia de prender toxicodependentes ou se as pessoas do mesmo sexo podiam assinar um contrato civil… Perdeu-se demasiado tempo em discussões que nenhum dos partidos à direita hoje se arrisca a voltar ou propor inverter. Por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Hoje é um assunto encerrado e é ridículo pensar nisso, mas foi uma luta de anos e perda de foco no que era essencial. Isso faz com que muitas pessoas hoje tenham pejo de dizer ou se afirmar de direita porque a direita se definiu como sendo uma área política que se perde em discussões sem sentido enquanto deixa passar assuntos extraordinariamente importantes. Houve uma geração que cresceu a pensar que a direita era o oposto do liberalismo. Não vamos mudar mentalidades de um momento para o outro. Portanto, os meus principais adversários ideológicos, os nossos principais adversários ideológicos, nos assuntos que mais importam, estão hoje à esquerda. Mas não vale apena colocar-me no campo ideológico da direita portuguesa se ela, durante estes anos todos, foi contrária ao que eu sempre defendi: Liberalismo em toda a linha.

 

2) Como é que podemos quebrar a hegemonia do PS e da esquerda, em geral, quer em termos culturais, educacionais e de literacia económica. Como se muda o chip?

Esta é a minha principal missão: a transmissão de ideias. Se alguém quiser tachos ou poder político pode atingi-lo mais facilmente de outra forma, noutro partido. Uma pessoa que tenha características de político, tenha boa imagem e fale bem, mas o seu objectivo seja meramente o tacho, que se junte a um grande partido do sistema.

Nós temos um problema que é ao mesmo tempo uma grande oportunidade: Temos zero votos. Nós não temos nada a perder, podemos ser assertivos na defesa das nossas ideias. Este é o meu objectivo enquanto presidente: transmitir ideias. Não sei se estarei à altura quando o objectivo for outro… Neste momento o objectivo é passar informação, fazer o que os partidos actuais não fazem, um choque cultural de actuação totalmente diferente do habitual e vamos fazê-lo com todos os meios que tivermos disponíveis. Só para terem ideia: neste momento estou à procura de vocalistas! A música e a arte são fundamentais para passar a mensagem. A área não socialista tem dificuldades de comunicação e, por isso, a mensagem não passa para as pessoas, seja ao centro, seja à direita ou à esquerda. Precisamos de imagens, vídeos, cartoons, sempre com considerações éticas. Era fácil ir pelo caminho da alt-right e pegar em casos isolados e generalizar para causar impacto emocional. Podíamos fazer isso em Portugal e ganharíamos talvez um deputado, mas temos que efectuar este processo de transmissão de mensagem com ética e com as ideias certas. Fazer o contrário não seria um desafio. Escolher um conjunto de ideias populistas para eleger alguém não seria um grande desafio. Difícil é eleger alguém com as ideias certas e com ética. Esse sim é um desafio. Daí lançarmos, e comigo será assim, candidatos que sejam liberais e só liberais. Era fácil irmos buscar alguém com reputação elevada e já “batida” para ganharmos eleições. Mas queremos eleger as pessoas certas com as ideias certas, mesmo se este for o caminho mais complicado para o fazer.

 

3) A Economia portuguesa tem um problema estrutural de crescimento, especialmente na sua composição, crescimento esse muito baseado na produção de bens não transacionáveis. No entanto, com o ajustamento melhoramos esse perfil de crescimento mas não totalmente. Quais as reformas estruturais que ainda faltam implementar?

Houve duas reformas estruturais importantes. Uma que é no turismo, onde tenho que dar mérito ao Adolfo. Depois há outra pessoa, que passou mais despercebida e que provavelmente fez a reforma mais importante da última legislatura: O Pedro Martins. Muito ignorado, talvez o secretário de estado mais ignorado de todos, mas aquele que fez a maior reforma da legislatura, reformando o mercado laboral, ainda que com as limitações de acordos de concertação, que ninguém acharia que era possível reformar! O impacto foi quase imediato e 6 meses depois a taxa de desemprego começou a diminuir, até hoje! Tanto que a geringonça não tocou na reforma na sua composição mais profunda, com retoques, mas nada de especial.

Precisamos de muitas mais reformas, precisamos de um choque fiscal a sério! No outro dia, estava a falar com uma jornalista, que nem era de esquerda, e dizia-lhe que era preciso baixar o IRC às empresas. Ela responde: “Mas vamos dar dinheiro às empresas?!…”. Eu entendo a reacção, porque a maior parte das empresas que sobrevivem neste País são as empresas que estão encostadas ao regime e que iriam beneficiar disso, mas temos é que defender as empresas que ainda não existem, os investimentos que hoje não são feitos e deveriam ser! Porque essas é que vão criar o emprego e riqueza. O IRC é dos poucos impostos em que estamos em competição com o resto do mundo e é uma pequena parte das receitas fiscais. Temos que fazer uma reforma fiscal profunda, Portugal tem condições fantásticas para esta nova economia dos serviços.

Cada vez mais vamos trabalhar a partir de casa a fazer consultoria para outras empresas (temos muita gente aqui na IL que o faz). Se eu fosse Norueguês e pudesse trabalhar em qualquer parte do mundo a partir de casa, escolheria Oslo ou vinha trabalhar para Portugal? Vinha trabalhar obviamente para Portugal devido às características que temos. Temos condições fantásticas, mas não temos regime fiscal para isso.

Temos que simplificar a burocracia, temos que descentralizar, que é tremendamente importante, e temos que cortar despesa pública para fazer face ao choque fiscal. O corte de despesa tem que se começar pela parte da eficiência…

É preciso mudar a Constituição(pergunta dentro da pergunta)?

 Temos é que se calhar mudar o Tribunal Constitucional! Todas as medidas do Passos que foram chumbadas foram baseados em princípios que não podem ser retirados da Constituição! Não queremos retirar o princípio da igualdade! O TC aplicou o princípio de forma abusiva porque está povoado de socialistas, e abusaram do princípio. Seria mais indicado alterar o âmbito de actuação do TC, ou definir o que significam aqueles princípio fundamentais do que mudar a Constituição.

Continuando nas reformas, temos que dar mais liberdade de escolha nos serviços públicos, não faz sentido pensarmos que só por ser do Estado que é “serviço público”, uma escola privada que preste serviço à população, logo ao público, é serviço público! Temos que ter essa consciência! Somos todos privados, um professor numa escola pública é tão privado como um professor numa escola privada, o que temos que decidir é qual a melhor forma de todos estes interesses privados se coordenarem ao serviço do público. Portanto, é numa estrutura burocrática como o Ministério da Educação ou uma empresa que ganha mais quantos mais alunos estiverem disponíveis para isso? Acho que é esta segunda! Temos que mudar mentalidades para tal acontecer.

4) E a falta de poupança e investimento directo estrangeiro?

Este é dos nossos, se não o maior, problema macroeconómico que nós temos. Uma coisa que me faz pensar que o País não tem remédio é esta questão actual da falta de poupança. Digo isto porque já estamos em declínio demográfico e países em declínio demográfico são Países que têm que ter elevadas taxas de poupança, e é a poupança que financia o investimento, e é o investimento que eleva os níveis de produtividade que nos permite que seja possível viver num País em que 70% da população não trabalha (como poderá vir a acontecer). A verdade é que estamos a envelhecer, daqui a 30 anos vamos ter uma pirâmide populacional invertida. Por isso é que é preciso ter cuidado com temas como a Eutanásia. Acho que esta deve ser permitida, mas dentro de limites muito apertados, porque daqui a 20-30 anos vamos ter um volume de idosos elevado e isso traz consequências para o isolamento e pode levar a decisões sobre vida e morte tomadas sob pressão. Ainda tenho uma avó viva, outros já morreram e eu vi como foram os últimos dias deles. Os últimos dias do meu avô, principalmente, foram reveladores. Ele tem 5 filhos, precisou de cuidados e foi um esforço muito grande para os filhos devido aos cuidados intensivo. Eles eram 5, partilharam as tarefas e mesmo assim foi complicado. Imaginem agora num cenário futuro, com a baixa taxa de natalidade que temos, se antes tínhamos mais filhos para cuidar de um idoso, agora temos muito menos. Um idoso com dificuldades precisa de um cuidador a tempo inteiro, não podemos ter a população activa praticamente toda a cuidar dos idosos, é impossível! Tínhamos que ter um choque de produtividade tão grande no futuro para que tal acontecesse, coisa que é uma utopia nos dias de hoje e até no futuro próximo.

E não vamos ter isto, pois não temos investimento reprodutivo que traga mais valor acrescentado, não temos poupança que o sustente. É um cenário complicadíssimo que quase ninguém fala. Dou-vos um exemplo palpável que me contaram: há filhos que deixam os pais em centros comerciais no Porto (deve acontecer noutras zonas do país, provavelmente) porque não tem tempo de ficar com eles ou dinheiro para os colocar num lar. Os idosos ficam por lá porque os filhos sabem que, caso aconteça algo, é um local onde têm assistência rápida. Isto hoje é possível, mas daqui a uns anos não vai haver bancos suficientes nos centros comerciais para todos os idosos. Isto vai ser um drama muito grande que tem que ser tratado amanhã, e mesmo amanhã já é tarde! O problema é que pode já ser tarde e, mesmo com taxas de poupança elevadas e maior produtividade, a situação será dificilmente reversível.

Já não vamos lá com poupança interna mas sim externa, temos que para isso baixar o IRC consideravelmente, ter uma justiça muito mais rápida, reduzir as burocracias para investimento. Mas, temos que fazer isto de forma urgente! Temos que reformar a segurança social que é um dos principais motivos para as pessoas não pouparem. Isto implica acordos de regime. Nós vamos ser todos velhos, temos todos a perder com isto. Temos que deixar as ideologias de lado e ser pragmáticos a actuar.

5) A correcção do saldo orçamental com Centeno tem um perfil insustentável? É preciso mudar a Constituição para termos uma reforma a sério na despesa pública?

(Correcção baseada no crescimento económico. Não podemos tirar certos princípios constitucionais dela) Houve um claro ajustamento alicerçado no crescimento económico e portanto facilmente reversível em períodos  de inversão do ciclo económico. O aumento da despesa corrente no período da governação foi compensada pela quebra na despesa de capital, onde o investimento público foi o principal sacrificado. Foi um mero ajustamento orçamental, não uma correcção orçamental efectiva com um toque estrutural. Quanto à Constituição, não podemos retirar certos princípios fundamentais dela. Mas, atenção, não está Constituição nenhum artigo que nos impeça de despedir funcionários públicos, não está lá nenhum artigo que nos impeça de diminuir salários. A interpretação que foi feita teve como base princípios genéricos, como o principio da igualdade ou da proporcionalidade. Todas as Constituições os têm, mas só aqui em Portugal é que os interpretaram de forma a se pensar que a igualdade era os trabalhadores do privado sofrerem o ajustamento salarial normal em tempos de crise, e os funcionários públicos não poderem ter os mesmos cortes.

A correcção do défice não é só insustentável, como é insuficiente, estamos no pico do ciclo e ainda temos défice! As contas do Estado, considerando o ajustamento que foi feito desde 2011, e com os bons ventos da conjuntura externa, devia ter excedentes por volta dos 3 ou 4% mas… estamos com défice! Acho que a próxima crise vai ser light e depois dessa vem claramente uma mais pesada. Até pelo comportamento normal do próprio ciclo económico. Devíamos ter excedentes para compensar a descida normal do ciclo, coisa que não temos.

Em termos de reforma da despesa pública, temos que acabar com muitos institutos que não servem para nada, é difícil dizer onde temos que cortar porque quem não tem acesso ao excel do Centeno não sabe onde estão as principais gorduras do estado. Temos que repensar as funções do Estado. O sector empresarial do Estado é onde podemos cortar bastante. Temos que tornar os serviços essenciais como educação, saúde mais eficientes. Temos que pensar se deter o maior banco do País é uma função do Estado, que é um sorvedouro de dinheiros públicos, ou ter uma empresa de comboios praticamente monopolista. É? Não é! Temos que abrir o mercado dos comboios e privatizar a CP.

  • Portugal vive subjugado a um capitalismo oligárquico de Estado?

Claramente! Vamos ver uma coisa: quando o Estado coloca tantos obstáculos à iniciativa privada quem sobrevive? São as empresas que vivem encostadas ao Estado! É uma questão Darwiniana, quando o Estado impede que haja iniciativa privada de qualidade, os que sobrevivem são aqueles que estão encostados ao Estado ou pelo menos aqueles que não afligem o Estado como as grandes distribuidoras. Nós temos que ser defensores não das empresas que existem, mas, principalmente, das empresas que não existem.

6) O Elitismo e certa arrogância de centralizar a discussão em Lisboa, esquecendo o resto do País, não é criar uma bolha de um País que não existe e que problemas assimétricos grandes? Não se fala demais em descentralização e não se faz pouco? O que a IL defende?

A IL defende que o Estado central delegue mais funções ao poder local, mas que delegue os meios e a receita. Eu tenho um grande receio com os processos de descentralização mal feitos. Por exemplo, na questão da descentralização na educação, se essas competências passam do ministério da educação para as autarquias ou para as escolas em si, que é a minha preferência, quantos funcionários do ministério da educação é que se vão embora? Até porque serão uteis nas escolas ou em outros sítios… Isto é o que deve ser feito, temos que aproximar o poder das pessoas. Há um pensamento com que concordo bastante, nós podemos ter diferentes opções políticas de acordo com o quão próximo o Estado ou poder está de nós. Ou seja, à medida que o poder se aproxima do indivíduo pode-se mudar a forma como pensamos a política. Eu numa perspetiva mundial sou anarquista, acho que o mundo não tem que ter um governo, a ONU não deve ser governo de nada nem ter poder legislativo de nada. Numa perspetiva autárquica posso ser liberal social, na UE libertário. Se fosse presidente de uma autarquia como Espinho e decidisse: “ Agora o IMI vai subir dois pontos para termos um sistema de transportes públicos gratuito”. Considero esta decisão mais legítima de uma perspectiva liberal do que fazê-lo a nível nacional. Se eu enquanto individuo não gostar da decisão, vou viver para o Porto, vou para Gaia. Agora imaginem que este tipo de decisões era tomado ao nível da EU e, no limite, se transformasse numa união soviética! Era muito difícil para nós sairmos. Se eu não gostar do condomínio onde estou, posso ir para o condomínio do lado muito facilmente, se eu não gostar das regras do meu concelho posso sair do mesmo e vou para outro. Mas se eu não gostar das regras do meu País, já é mais complicado sair, mas ainda é exequível. Se eu não gostar das regras do mundo não posso ir para Marte! À medida que o poder se distancia do indivíduo, decisões colectivistas tornam-se mais perigosas. É por isso que prefiro um mundo “anarquista” sem governo, uma UE com poderes de um estado libertário, um país liberal e por ai fora…

7) Estás aberto a acordos com outras forças partidárias com acordos de pré-coligação eleitoral?

Nós estamos abertos a todos que queiram fazer acordos para reformar e liberalizar o País. Acho que, neste momento, não há ninguém com essa vontade genuína, nem de perto nem de longe. Eu juntei-me a este partido com um conjunto de pessoas liberais, na economia e nos costumes, e tenho algum receio em me juntar a forças que não o sejam. Portanto, se isso acontecesse, quebrava toda uma missão que temos aqui. Agora, se quiserem reformar e liberalizar o País é uma coisa, se não quiserem, vou continuar com os meus esforços para poder juntar e aumentar um grupo de pessoas capazes para o fazer.

8) Fazes parte do Movimento 5.7, o que podes dizer sobre ele?

É um grupo de pessoas que sabe pensar muito bem. Conheço o Miguel há muitos anos e nós temos várias discordâncias! Sempre que nos encontramos há sempre uma discussão saudável pelo meio. Aliás, há uns anos aconteceu um episódio caricato, ainda era blogger no Insurgente e fui a um congresso do PSD porque o partido convidou os bloggers para estarem lá. Como eu conhecia o Miguel e estávamos a falar, tivemos uma discussão até bastante audível sobre uma votação recente na AR, que ainda hoje algumas pessoas lá dentro se devem recordar. Eu tenho um enorme respeito intelectual por ele, discordo hoje muito de certas posições dele, mas sei que aquilo que diz, diz de forma informada. Sei que quando vou discutir com ele, vou discutir com uma pessoa que percebe, e não vou ter uma discussão com base em “achismos”, como ele sabe mais do que eu, gosto de discutir com este tipo de pessoas. Aliás, ele sabendo das nossas diferenças não hesitou em contactar-me para o 5.7.

Aquele discurso que eu fiz no movimento, que muita gente não gostou, eu acho que ele já esperava que fizesse algo do género. Ele acha que temos que repensar a direita ou ala não socialista numa perspetiva das ideias, na perspetiva intelectual e é isto mesmo! Este espaço não pode pensar a vida toda em apagar fogos ou a pensar nas eleições seguintes. É um espaço que se tem que estruturar ideologicamente e de se preparar pois, se não fizermos este exercício, vamos acabar sempre por ter uma visão de curto prazo e emocional. O Bloco de Esquerda fez bem este exercício nos anos 90. Quando o BE apareceu o discurso era muito ideológico: “A revolução ainda não está acabada” era a principal mensagem. Esse conjunto de ideias do que deveria ser a esquerda venceu. Hoje em parte o PS é novo BE, só não são mais a nível de doutrina o que o Louçã quis que a esquerda fosse, porque o PS existe para se agarrar ao poder. E a ala socialista nunca fez isto, nunca parou para pensar no que é que vamos ser.  O Miguel falou inclusive que sociais democratas, conservadores, liberais entre outras forças da ala não socialista, se devem juntar para reformar o País. Isto é importante: quem quer liberalizar e reformar o País é necessário. Mas se o que queres é que sectores continuem protegidos e não queres liberalizar o País, então não fazes parte da solução. O que importa são as ideias não de onde vêm as pessoas.

 

9) Esperas uma surpresa para a Iniciativa Liberal nas legislativas? A vossa comunicação tem estado muito bem.

Eu vou ser muito honesto: o nosso objectivo é cumprir a missão de divulgar ideias no dia a dia. A IL é um partido novo sem grande atenção mediática, sem um líder popstar mediático. Eu não sou o André Ventura que está nos programas de futebol ou o Marinho e Pinto que está nos programas da manhã. Portanto, antes de convencermos as pessoas, elas tem que saber que existimos e nós vamos chegar a estas eleições numa situação em que muitas pessoas não saberão sequer que existimos. Isto é perfeitamente normal, as coisas demoraram muito tempo até serem conhecidas. Teremos que fazer esse caminho sem atalhos. Eu acredito que, entre as pessoas que nos conhecem, a adesão vai ser boa. Para mim, o objectivo nesta altura é informar as pessoas, contribuir para o choque cultural que o país precisa. É isto que queremos fazer. Se vier algo por acréscimo? Melhor, seria fantástico! Mas vamos fazê-lo percorrendo este caminho com pequenos objectivos diários. Se os nossos objectivos fossem só eleger alguém, como já disse, de maneiras pouco éticas, não me teria metido nisto.

Quando me convidaram, estava eu de férias, e perguntaram me sobre o que achava do projecto. Eu disse, antes de me convidarem, que achava que o partido teria poucas hipóteses de eleger alguém. Mesmo assim convidaram-me para me candidatar a presidente e eu aceitei. Eu sabia perfeitamente ao que ia. O que interessa nesta fase é informar as pessoas, a divulgação de ideias. Já no meu tempo enquanto blogger e em jornais, achava que um partido era uma plataforma fantástica de fazer chegar informação às pessoas, e hoje ainda mais. Temos meios que nenhum blog ou think thank pode ter: por exemplo colocar cartazes em zonas fantásticas quase de “borla”. Digo que é de borla porque um cartaz no Marquês de Pombal custa-nos cerca de 800€ por ano. Reparem: fazem isto por 800€ ano, não é nada comparado com o que as empresas pagam!

O meu receio é que um resultado eleitoral menos conseguido possa ser um factor de desmotivação e que o partido não se torne tão grande no longo prazo como deveria ser. Existe alguma excitação dentro de uma certa bolha que fora dela talvez não exista e isso pode ser um problema. Mas dizem-me sempre que eu sou excessivamente pessimista.

Porquê que achas que ninguém vos dá atenção mediática…?

Existem 15 partidos que ninguém liga, nós, o MPT, o POUS.. é verdade! Nós temos que provar que merecemos essa atenção, nas urnas, no dia a dia, fabricando conteúdos. Muita da atenção que temos hoje é através de artigos, temos mais de uma pessoa da IL a escrever artigos todos os dias. Produzimos bons conteúdos e é assim que vamos atrair a atenção da imprensa. O caso das Infraestruturas de Portugal, que nos retirou o cartaz de forma ilegal, foi o caso mediático que nos deu mais visibilidade. Foi uma visibilidade gratuita que surgiu inesperadamente, mas que resultou do esforço de recolha de fundos para colocarmos os cartazes. Se não tivéssemos feito o esforço de recolha de fundos para os cartazes, esse caso nem sequer teria acontecido. É preciso sorte, mas é também preciso procurá-la.

 

10) Como olhas para a comunidade muçulmana em Portugal e para a política de refugiados europeu?

Eu vivi a maior parte da minha vida adulta no Dubai, e trabalhava nas áreas envolventes, como a Arábia Saudita, Paquistão entre outros países como a Nigéria e Filipinas. Estive, portanto, muito exposto à cultura islâmica.

Quando falamos em refugiados acho que não é sequer questão. A Europa até pela sua história tem a obrigação de receber todos os refugiados da guerra. Não nos passa pela cabeça que nos anos 40 na fronteira de Espanha tivéssemos limitado a entrada de judeus. Quantos refugiados de guerra europeus saíram para outros continentes, especialmente americano? Faz parte da nossa história. A minha filha actualmente é cuidada por uma refugiada Síria que é educadora no infantário dela. Quanto a refugiados, não tenho qualquer dúvida que temos que os receber. Temos que fazer, portanto, a distinção entre refugiados de guerra e imigrantes económicos. No caso dos refugiados de guerra nem deveria ser questão se os recebemos ou não.

Em relação aos imigrantes, não podemos permitir que, quem venha de barco, arrisque a sua vida e os deixemos à sua sorte, é uma insensibilidade. Agora, os imigrantes económicos que chegam de barco, devem ser salvos, e regressar ao consulado do seu país de origem para se candidatarem como os outros. Não podemos permitir que as pessoas que arriscam a sua vida tenham prioridade face às pessoas que seguem o seu percurso normal. Senão estamos a incentivar o risco e teremos sangue nas mãos cada vez que um imigrante económica morre no Mediterrâneo.

Sobre a comunidade muçulmana especificamente: eu ganhei muito respeito pela comunidade muçulmana quando estive fora. Fui muito bem tratado. Mas vi também no meu tempo na Arábia Saudita o que é que o extremismo religioso pode fazer a um país. É importante integrar estas pessoas, tendo sempre como base os nossos valores europeus. Um desses valores é a tolerância: a Europa cresceu com todas as culturas, mas com um conjunto de valores base que temos que preservar. A comunidade muçulmana em Portugal é relativamente pequena e muito pacífica. Não a vejo como um problema, de todo. Estamos de parabéns pela nossa capacidade de integração.

Entrevista ao líder da Iniciativa Liberal, Carlos Guimarães Pinto, no Hotel Fénix no final de Março. 

Entrevistador: Mauro Merali 

Foto: Jornal Eco Online

2 anos de Politicamente Incorrecto

A construção e manutenção de um blog a longo prazo é um desafio hercúleo mas ao mesmo tempo saboroso. O entusiasmo inicial é fulgurante e dissipa-se com o tempo, assentamos arraiais e ficamos experientes. O PortugalGate arranjou inimigos fora da blogosfera como gerou paixões, a irreverência é isto também, ser incorrecto sem ser malcriado, ser impactante sem querer palco imediato que não se traduz em algo com substrato, portanto sustentável, como se quer que qualquer projecto seja. A credibilidade ganhou-se com artigos de referência, muitos, com certeza, dos mais lidos da blogosfera política de 2018. Um blog com tão pouco tempo conseguiu visualizações extraordinárias em tão pouco tempo e em artigos estruturados.

É extraordinário porque não existem por aqui avençados da esquerda ou de direita, não nos colamos a partidos, só à liberdade, ao liberalismo e lutamos por um Estado que seja menor e cada vez menor mas dentro das suas funções normais de segurança, defesa e justiça. Num ambiente em que outros blogs da direita caem ou ficaram petrificados, sendo mais antigos e maiores em dimensão, e outros, reforçaram-se bem mas pouco mudaram o modo arcaico como funcionam, somos o ar fresco da direita liberal na blogosfera.

Mostro-vos as visualizações, os artigos de 2017 e 2018 mais lidos:

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FONTE: Dados internos

288,761 mil visualizações em 2017 numa estimativa inicial conservadora de 100,000 para um incremento em 2018 para 338,481 mil(ainda não está fechado),  com uma taxa de crescimento de 17% e muita polémica, num total de 627,242 mil visualizações. Em 2019 queremos mais de 1 milhão de visualizações com mudanças que ai vem no site, no layout  e estrutura. Queremos mais artigos, com qualidade e sempre incorrectos, com verdade afectando qualquer quadrante político.

Vamos aos artigos mais lidos de 2017:

Visualizações 2017.png
FONTE: Dados internos;

Em 2017, o nosso ano de nascimento e de muita rotação, aventura, desilusões e alegrias o @ogatopoltico foi o campeão das visualizações com o seu artigo:” As fantasias sexuais de Catarina Martins”, com a sempre irreverente e verdadeira @cristinamiranda505 em segundo e eu @maurooliveirapires em terceiro na categoria de artigos mais lidos.

Em 2018, o cenário muda, mais visualizações, passagens no deserto, alguma desilusão outra vez, mas depois a vitória:

Visualizações 2018.png
FONTE: Dados internos

Ganha o pódio a @cristinamiranda505 que ganha lugar nos três primeiros artigos, nem com geringonças chegávamos lá.  Em quarto o primeiro artigo do @ogatopoltico, e que é muito bom, continua na ribalta ficando eu mesmo com os dois últimos lugares.

Fez-se muito em tão pouco tempo, temos a certeza que revolucionámos a blogosfera com artigos diferentes e directos, pragmáticos e objectivos. O futuro é incerto, não sou a Maya, mas a concorrência tem que sair da toca mais vezes.

Com os meus melhores cumprimentos a todos os nossos leitores!

Mauro Oliveira Pires

Se quiserem seguir a página do @ogatopoltico no facebook estão à vontade: ” O Gato Político

A direita que votaria no marxista Haddad

Respirem fundo. Bolsonaro não vai implantar uma ditadura. Não vai matar opositores. Não vai perseguir homossexuais. Não vai provocar desigualdades entre mulheres e homens. Não vai perseguir nem matar negros. Tudo o que ouviu dos média em campanha foi uma construção falsa contra um candidato, a favor de outro, e contra o qual milhões de brasileiros lutavam. Endeusaram Haddad, um bandido com várias dezenas de processos judiciais activos por corrupção e branqueamento de capitais, com programa eleitoral claramente ditatorial,  e demonizaram Bolsonaro truncando entrevistas, vídeos, alguns com quase 30 anos e citações fora dos contextos para servir uma agenda política aos globalistas apoiantes de uma nova ordem mundial. Foi feita uma clara campanha a FAVOR DO MARXISMO por parte da classe intelectual e dos média. Coisa jamais imaginável em pleno século XXI onde muitos países já viram e  ainda vêem a face negra  do comunismo. É exactamente por isto que o povo, que quer queiram quer não, é quem mais ordena (ironicamente são os comunistas que o afirmam) e democraticamente nas urnas,  há de banir o comunismo e agendas globalistas  do planeta. Temos pena.

Entretanto, preparem-se porque os perdedores, “defensores da democracia, tolerantes, pacíficos e sem ódio”, vão começar os motins e ataques violentos a civis para depois virem vitimizar-se, quando a polícia intervir,  alegando que estão a ser oprimidos na “luta” pela “reposição da democracia” (curiosamente ganha nas urnas  ah! ah! ah!) e contra o “ódio” e contra a perseguição de não sei do quê, nem por quem, mas que servirá para espalhar o terror sob a bandeira hipócrita da defesa pela liberdade. Mas qual liberdade? Aquela que querem usurpar? Agora são eles que escolhem quem vence e não o povo? Mas isso não é ditadura?

Da esquerda tudo espero porque tem sido assim sempre que perdem eleições democráticas, mesmo que totalmente viciadas e manipuladas por eles com a ajuda dos média. Agora a grande surpresa foi descobrir que existe uma #DireitaHaddad!!! Sim, ouviu bem. Uma direita capaz de, como li, votar em consciência sem hesitar em Haddad ou outros que o fariam depois de fechar os olhos. A sério??????? Então votariam, se fossem brasileiros, num marxista puro, que não escondeu ao que vinha com programa eleitoral claramente ditador castrador das liberdades individuais e colectivas, para se perpetuar no governo e soltar os criminosos petistas da cadeia???? Desculpem mas isto é assustador.

O pior pesadelo que me poderia assombrar neste momento é saber que na ala liberal há marxistas vestidos de direita. Sim marxistas. Porque só marxistas votam em marxistas. Escusam de estrebuchar. Porque existe o voto em branco. Existe opção para os objectores de consciência. Se não fazem uso a esse direito, são como eles. Não há volta a dar.

Alegam as criaturas que foi por via de um discurso de “ódio,  machista, racista e homofóbico” inspirados em vídeos com quase 30 anos.  Quem é capaz de me afirmar aqui que suas opiniões, hoje, são as mesmas que há décadas atrás seja sobre homossexualidade, migrantes, sobre a actualidade do seu país ou qualquer outro tema? A forma como hoje resolveriam problemas nacionais seriam iguais há 10, 20, 30 anos? Não precisam de responder. Todos nós vamos crescendo nas nossas visões sobre o que nos rodeia. Que o digam por cá os agora PSD que eram PCTP-MRPP por exemplo. Eu sou do tempo em que a homossexualidade era tabu e quando apareceu a sida –  que inicialmente era atribuída a esse grupo e se acreditava ser contagiosa pelo toque –  tínhamos medo do contágio e dos homossexuais!!! Claro que hoje, depois de muita informação, a sociedade progrediu e são naturalmente aceites sem qualquer problema. Assim foi com Bolsonaro que disse explicitamente em entrevista recente que TODOS são iguais perante a lei e devem ser por isso respeitados ao abrigo da Constituição.

Ele de facto usa muitos eufemismos excessivos quando quer transmitir uma ideia. Curiosamente, o povo entende-o bem porque no dia a dia fala como ele, de forma emotiva e exagerada. Bolsonaro é um ex-militar, pai de família, católico devoto, homem do povo, simples, genuíno e de pavio curto. Precisamente por isso, o povo não só entendeu a mensagem, como não o teme. Já os intelectuais deste país, que não se misturam com o povo, estão perplexos e “assustados”. Sosseguem. Porque a bolsa já disparou;  os investidores estrangeiros já estão de olho no Brasil; os ministros escolhidos são de topo (veja-se o ministro da ciência e tecnologia se tem alguma comparação curricular com os medíocres dos ministros portugueses) e se cumprir com todo o programa, em  pouco mais de 2 anos, o país estará a “bombar” economicamente  tal como Trump, sobre quem agora todos silenciam. Tudo isto, sem cortar liberdades nem matar a democracia.

Mas curiosamente, a #direita Haddad não sentiu medo dos discursos de ódio espalhados pelas esquerdas em campanhas eleitorais no Brasil: “Brasil será incendiado por greves e ocupações– MTST;  É preciso derramar sangue” – Benedita da Silva do  PT; Vamos fazer uma guerra civil” – CUT;  Vamos fuzilar” – Mauro Iasi do  PCB;  Vai ter de matar gente” –  Gleisi do PT;  Eles vão apanhar nas ruas e nas urnas” José Dirceu do PT. Ou seja, o ódio da esquerda é fofinha e não aterroriza ninguém…  da  #direita Haddad. Pois.

Para mim esta eleição foi um abre olhos. Percebi que há entre nós indivíduos perigosos que se dissimulam de direita.  Que por viverem numa redoma de glamour e purpurinas da “socialite chique”, não percebem  o que é viver todos os dias a desviar-se das balas sempre que se vai para a rua trabalhar, que não sabem o que é temer que os filhos morram no regresso da escola, que não sabem sequer o que é viver em dificuldades extremas. Não sabem nem querem saber. Mas sabem com firmeza que votariam Haddad, do mesmo PT que transformou Brasil numa gigantesca organização criminosa de onde se foge para sobreviver!

Cristina Miranda

Via Blasfémias

Precisamos de Liberalismo rock “n” roll em Portugal

Portugal é um país tremendamente sui generis, tem um Partido Comunista agreste por fora, e, por dentro, afável nas negociações – o ex-ministro da Economia de Passos Coelho, Álvaro Santos Pereira, escreveu no seu livro que a CGTP, braço armado do PCP, nas negociações no tempo do resgate financeiro contribuía de bom agrado nas negociações laborais, e, quando abandonava a sala, alterava o seu discurso para agradar aos seus eleitores da luta eterna dos camaradas – portanto, um PCP com poder na estrutura do Estado, capaz de parar um país, e um povo (8%) que vota nisto! A Europa de leste sabe o que é o comunismo e não vota em ditadores disfarçados. Para além disso, temos um Bloco de Esquerda, do chamado “NeoComunismo”, onde tal partido é claramente a favor das liberdades individuais de cada um, e muito bem, mas depois banaliza-os com discursos histéricos, mal estruturados, de ódio, colocando as chamadas “minorias” e outros indivíduos de orientação sexual diferente numa situação ridícula.

Depois temos o partido do regime, que controla os pilares essenciais da nação: a comunicação política, social, a Maçonaria e as faculdades de pensamento económico, social do seu lado, marxizando o ensino e criando futuros robôts votantes de tal agremiação partidária, o PS. É o partido “impoluto” com toques de sagrado, pois arruinou a economia do país três vezes em 44 anos – com três pré-bancarrotas – permanecendo em modo vítima perante um povo que é claramente da área das humanidades e não das matemáticas. O partido da subtracção, do sumir, das contas de sumir, de sumir com as nossas vidas actuais e futuras hipotecando-as com contas de somar, somar em dívidas, impostos e menos liberdade económica de gerarmos recursos de modo livre em prol da prosperidade para Portugal.

Por fim, temos a “direita”, um conjunto de Partidos Sociais Democratas que pouco diferem do PS no modo de política económica, mas com uma política orçamental diferente, para melhor, mas ao mesmo tempo inconsistente. Uma direita que devia ter como pilares, ou como matriz fundamental, a propriedade privada, a liberdade do indivíduo e um Estado menor que nos consumisse menos recursos e que o pouco que fez foram paliativos, cujas mãos estavam igualmente armadilhadas no cerne da questão, a Constituição da República Portuguesa claramente socialista e apologista do sector público. A mesma que não deixou Pedro Passos Coelho seguir o seu caminho reformador na sua totalidade, mas, mesmo assim, deixando um património de credibilidade ao país que jamais outro em democracia deixou. Se não queremos o nosso País na corda bamba constante, ano após ano, com remendos ali e acolá, uns pós aqui e outros ali -não falo dos pós da Catarina – falo da maquilhagem, dos retoques orçamentais conjunturais que se fizeram e que se fazem actualmente.

Precisamos de redefinir o que queremos do Estado, porque com esta dimensão e imensidão não conseguimos financiar um monstro que é ineficaz por natureza, mas que por uma razão de pragmatismo tem que existir. Precisamos igualmente de um líder carismático, impoluto, de preferência que saiba o que é o calo do trabalho, que conheça o sector privado e as suas necessidades, que tenha meios – não é preciso ser rico – mas alguém que não surja no jogo político para arranjar os contactos necessários para chegar às empresas de maior dimensão, mas sim reformar o país de cima a baixo sem pedir autorização aos mesmos de sempre, à oligarquia vigente, às famílias do regime e ao partido da bancarrota, o PS.

Um líder político que seja liberal na economia, mas que ao mesmo tempo seja capaz de explicar o que é isto de liberalismo, um líder genuíno que seja capaz de levantar parte da abstenção e reerguer o orgulho de se amar a liberdade individual e económica. Um líder que não olhe para o liberalismo como uma ciência do passado, com filósofos à mistura, o povo não sabe, não quer e não tem a paciência para saber disso, as contas tem que se pagar ao final do mês, e as políticas socialistas do tira e volta a dar são jogadas caras de hoje e amanhã, o futuro constrói-se olhando para o coração das pessoas, não exaltando o pior delas, mas saber falar sem a cartilha de sempre.

O PSD de Rio não é solução, não por este ser uma má pessoa, é um homem competente no seu ofício, mas, aliado à falta de carisma, Rio nada difere de António Costa, zero! Cristas sabe a pouco, tem boas intenções e tem ao seu redor liberais interessantes, mas falta pimenta. Por isso, meus caros, em quem votar? Se Espanha deu oportunidade aos novos partidos, tendo como o Ciudadanos como exemplo, ou Macron em França – não gostando eu muito do senhor, mas adiante – parece-me que a Democracia21, a Iniciativa Liberal e o Partido Libertário são projectos a seguir de perto. Falar mal de políticos é fácil, difícil é agir, e a acção começa no voto.

Mauro Oliveira Pires

 

Pedro Passos Coelho é Hoje Mais Importante Do que Nunca

Não passaram 2 anos, não passaram 5 anos nem muito menos 10 anos, passaram 4 meses, longos, espinhosos 4 meses, onde a estratégia do Presidente do PSD, Rui Rio, consiste em perder as eleições legislativas de 2019 para as ganhar em 2023, algo demasiado arriscado de uma personagem que até agora não se mostrou muito diferente de António Costa, caciques para ganhar eleições internas, facadas suaves ao líder do Partido de então ao longo do Programa de Ajustamento da Troika e arrumações de tropas e contagens de espingardas para causar sussurro no Magistério de Pedro Passos Coelho.

Passos sabia que os afluentes de Rio eram pedras quentes, incomodavam, pouco, mas estavam lá, as eleições autárquicas fragilizaram politicamente Passos, mas não lhe retiram o brio e muito menos o título de melhor líder do PSD de sempre e do agente mais decente a actuar na política em Portugal, não é brilhante, muito longe disso, mas o sentido de Estado é hoje tão raro quanto o som fonético sem calinadas das palavras de António Costa.

Perceber que as Instituições tem poderes separados, perceber que a meritocracia, o individual que cada um tem em nós e a hombridade são o pilar de um País normal e dito democrático, Passos trouxe isso, trouxe a normalidade da democracia Europeia para um País que tem atracção perigosa pelo abismo, Passos soube ser um liberal pragmático contido, num País onde a liberdade não é apreciada nem percebida como mecanismo que podia transformar o povo no verdadeiro poder de um País, porque um Povo livre de um Estado Monstruoso e sugador de recursos é o motor da criatividade e da geração de valor, é isto que o PS de António Costa, Sócrates e Mário Soares não percebeu, nem quer perceber, porque é mais fácil construir um Estado Oligárquico onde a mediocridade impera e a distribuição do dinheiro pelos amigos onde todos são chico espertos é de facto mais fácil de defender e de executar, só que o dinheiro não dura para sempre, é finito, ao contrário da infinitude da estupidez do Socialismo Português que comete os mesmos erros ao longo de 44 anos de democracia.

Pedro Passos Coelho é hoje mais importante que nunca, porque, além do seu legado histórico de ter conseguido aguentar um barco já em naufrágio, o de ter ganho eleições com um valor simbólico histórico, Passos conseguiu que António Costa invertesse o discurso e passasse a ser mais Papista que o Papa na austeridade, hoje António Costa faz com que planeamento dos serviços seja o caos completo e nem estes sabem com o que contam, em tempos de tempestade financeira, sabiam, é a diferença entre um Estadista e um Caloteiro, só para sermos directos na abordagem.

A saída de Passos foi estratégica, ele está na sombra, o País quando estiver em dificuldades tem de reserva quem o salve, o problema é que a liberdade de governar em tempos normais não parece ser  a sina de Pedro Passos Coelho. Os ensinamentos de Passos não vingaram ainda na democracia portuguesa, mas arranharam o chão, hoje Passos está mais experiente, viu tudo o que nós não vimos, mas sentimos, ele geriu, nós ajudamos, ter alguém de confiança e de valor moral é raro em Portugal, a democracia Portuguesa não sabe o que perdeu.

Mauro Oliveira Pires

 

Liberalismo de Sofá? Jamé!

Portugal tem que ser diferente da Europa, em tudo, até nos pequenos pormenores mais corriqueiros, vejamos, a Europa está a enfrentar a criação de uma vaga de Partidos liberais, ou pelo menos Partidos menos Socialistas que os do establishment, em termos pragmáticos é boa notícia, qualquer política ou ideia que gente nova e empenhada traga para os rumos bafientos da política europeia será sempre um acréscimo de mais liberdade individual para futuro, mais criação riqueza e prosperidade.

Se na Europa temos este cenário, com o Ciudadanos em Espanha à frente dos históricos da bipolaridade da Política Espanhola e até a própria mudança de mentalidades que parece estrutural dos próprios votantes na UE, que votam hoje mais à direita do que o habitual, que se vai traduzindo em mortes lentas e dolorosas de Partidos Socialistas, ou Sociais Democratas, um pouco por toda a Europa, em Portugal ainda estamos a discutir o sexo dos Anjos, ou se Jesus Cristo subiu aos céus, se Maria Madalena era mulher de Jesus, por outras palavras continuamos num processo da táctica do engonhar, um tema clássico em 900 anos de história de Portugal

Falamos, falamos e mandamos postas de pescada sem arrotar as espinhas, depois fazemos grupinhos de facebook e lá se comentam, mandam-se likes, partilhas, beijinhos e abraços, o trabalho de terreno, aquele que deve ser feito sem medo e de modo politicamente incorrecto, essa é para aqueles que os intelectuais da Kandonga chamam de “A bunch os Socialists”. Ficar no Sofá com café é sempre aconchegante, os calos até ficam mornos e sem trincheiras de dores de maior, mas, meus caros, não há nada de mais liberal que a Associação de seres individuais com um programa para liberalizar um País.

Já sei que isto levaria a mais uma eterna discussão entre intelectuais, mas reparem, Margaret Thatcher pediu autorização para ser ela própria? Acham que ela andou a intelectualizar se era preciso um Partido para reformar um País? Com as suas ideias , conquistou os eleitores do Reino Unido e lançou talvez a maior onda liberalizadora, desreguladora e de aumento da liberdade económica que o Mundo já viu.

Só que temos aqui uma diferença, Thatcher era pragmática, um Partido é um meio de poder para se atingir um determinado fim, Thatcher seguiu o seu, reformou o País contra tudo e contra todos inclusive contra o próprio Partido, no final pagou por isso com os Tories a lançarem a facada nas costas da Dama de Ferro. Mas valeu a pena, hoje o Reino Unido é mais Thatcherista que a própria Margaret, ou pelo menos os ensinamentos perduraram e criaram raízes.

Thatcher, conseguia isto sem sair do Sofá? BOLA! Não! Simplesmente era mais uma no meio de tantos outros, a ousadia causa inveja alheia, muita! Se no Reino Unido causa imaginem em Portugal, onde os próprios “Liberais” se sabotam a si próprios. O caminho em Portugal para se promover o liberalismo é o politicamente incorrecto, a capacidade de sermos nós próprios no meio de tanta gente formatada por métodos de carneirada pelos grandes Partidos. A coragem não se consegue, nasce connosco, e talvez se desenvolva com o indivíduo em contextos particularmente difíceis, mas quem tem coragem não cortem as pernas, ajudem, para maluquinho já basta António Costa.

Último ponto, o ranking da liberdade económica de 2017 mostra uma coisa interessantíssima, que os Países do topo da tabela são os Países mais liberais do Mundo, ou seja com menos Estado, impostos mais baixos e menos regulação de actividade económica, actos que em modo sinergético promovem maior liberdade de escolha ao individuo e remete ao Estado um mero papel de espectador, que é isso que ele merece.

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FONTE: Index Of Economic Freedom, 2018 Países Livres

Como sempre, é crónico, Portugal continua o mesmo País pastel de sempre, todos os Países que há anos estavam em dificuldades e sobre vigência internacional, hoje tem um índice de liberdade económica maior que o nosso, como a Roménia, Botswana, Azerbeijão(!), Montenegro(!) entre outros.

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FONTE: Index of Economic Freedom, 2018 Países moderadamente livres

Como vem meus caros, o liberalismo é a solução não o problema, não é porque o Estado lhe diz que não que não deixa de ser verdade, pense caro leitor, um Porco quando quer comer e não tem não come o que lhe põe à frente? É o que o Estado faz, utilizada todas as técnicas de persuasão e propaganda barata para continuar a inchar, depois quem vier a seguir que pague. Pense, ainda não paga imposto.

Mauro Oliveira Pires

 

Passos Coelho Deixou o PSD Órfão

Um Homem não se mede somente pelas suas qualidades intrínsecas, pela sua capacidade inabalável de resistir à pressão e a acontecimentos vários num espaço temporal, também se mede pela sua total abnegação a não virar a cara aos problemas por mais complexos que eles sejam e claro, não fugir para Palma de Maiorca de seguida. É essa a grande barreira de ferro que separa os fracos, os usurpadores, aqueles que tem visão de curto prazo como António tem para o País, aquela navegação à vista típica dos agentes do largo do Rato que, quando sabem que a factura está perto de chegar, abandonam o navio para o outro lado da cortina resolver, aquele que tem espinha dorsal.

Falar, recordar ou até escrever sobre Passos Coelho sendo Rui Rio Presidente do maior Partido Português é preocupante, não se podem apagar as marcas do passado, as trincheiras instaladas bem quiseram e ainda querem, a sombra de Passos paira sobre o PSD, e isso de grosso modo é positivo, quer dizer que ainda temos uma reserva mental que nem todos os Partidos tem socialistas puros ou alguém que se quer aproveitar do “pote”, é sinal que ainda se tem de reserva alguém que quer mais para o País, que tem um plano e que sente que a sua missão não acabou.

Sentir saudade da ética, da disciplina, da ordem institucional que Passos trazia consigo não é algo de outro Mundo, num País civilizado sem trincheiras e toupeiras de maior, qualquer político deixa a comunicação social entrar e resolver-se no seu ciclo natural, verdade que em Portugal maioria tem cor, é canhota nas redacções e de extrema esquerda na táctica do barulho, mas Passos podia ter sido outro, podia ter sido como Sócrates e usar uma empresa Estatal para comprar a TVI ou a SIC, usar a táctica da ameaça que Sócrates e Costa fazem, quem não se recorda do episódio de um Jornalista do Expresso João Vieira Pereira que escreveu um artigo normalíssimo a criticar António Costa na inconsistência do seu programa eleitoral e dos SMS`s que este recebeu de António Costa a dizer que isso era feio?

Podia ter sido assim Passos, mas não foi, ficou na sua vida, o Jornalismo e a Comunicação Social em 4 anos de um Governo democrático em Portugal nunca tiveram tanto à vontade na expressão da sua liberdade de imprensa, mas não, Passos é que é mau. É por tudo isto, pela visão, pela capacidade de sacrifício pelo outro, por ter acredito em si mesmo e na capacidade individual de cada português em ultrapassar o holocausto Socialista, é por isto tudo que Passos merece uma vénia. O PSD sem Passos Coelho e sem uma geração verdadeiramente liberal não passa do PS II, do Partido charneira das causas de António Costa.

Eles são carneiros, enquanto andam aos papeis o diabo come os de cebolada.

Mauro Oliveira Pires

Vem aí o Partido da Sofia Afonso Ferreira

Portugal sempre esteve preso aos mesmos partidos durante décadas. Ora PS ora PSD com ou sem coligação com CDS, o certo é que tem sido sempre isto: vira o disco e toca o mesmo. Em resultado, o país andou estes anos todos a parecer um elástico, a esticar até quase falir com uns e com outros a retomar um pouco a forma no ano seguinte, sem nunca progredir senão em acumulação de dívidas, cada vez maiores, cada vez menos sustentáveis. Ou seja, uns a estragar, outros a remendar, mas nenhum a resolver verdadeiramente.

E isto tudo porque desde que nos livramos da ditadura este grupo – sempre os mesmos, composto de políticos pseudo-intelectuais – encontraram um meio de sobrevivência confortável à conta dos contribuintes onde inclusivamente “fabricaram” lugares para os familiares e amigos. Com favores distribuídos por todos os segmentos de actividade com o intuito de perpetuar a estada no Parlamento, ficaram todos de rabo preso em negociatas que prejudicaram o erário público anos a fio. Daí o facto de nenhum deles tomar todas as medidas estruturais necessárias, quando chegam ao poder, para endireitar o país.

Por isso é com agrado que vejo nascer novos partidos. Porque já o disse várias vezes, Portugal só muda quando alguém fora da política, dos vícios, da corrupção, do compadrio, dos favores, se meter à estrada e rasgue um caminho rumo a uma governação responsável e transparente totalmente dirigida à Nação, ou seja: NÓS!

Porque é na sociedade civil que está a chave para sair deste pântano. Porque é na sociedade civil onde estão aqueles que partiram as unhas a trabalhar para ter algo na vida. É na sociedade civil que estão as pessoas que sabem o quanto custa ganhar a vida a pulso e sem favores. É na sociedade civil que se aprende a ter resiliência, a lutar sem meios, a sobreviver a tudo para pôr pão na mesa. É na sociedade civil que estão os vencedores que não precisaram do Estado para ser alguém. Por isso, é na sociedade civil que está a melhor casta de futuros governantes.

Está mais do que provadíssimo que crescer profissionalmente na política e seguir directo para o Parlamento é a pior das opções para um país. O resultado de quatro décadas não podia ser mais claro. Políticos que nunca fizeram nada na vida real não têm a noção real de nada sobre o país, logo não possuem a valiosa experiência que ensina no terreno. Nunca sofreram desilusões nem fracassos, nunca perderam nada, nunca tiveram de recomeçar, de se superar. Por isso, são uns inaptos para decidir sobre a vida dos portugueses. Porque é caindo e levantando várias vezes que se ganha estofo para as batalhas e sabedoria para as vencer.

Eu não sei se a Sofia vai estar à altura do desafio. Mas agrada-me e muito saber que uma mulher com costela do Norte empunha um projecto liberal de direita – o Democracia21 – numa altura de crise ideológica partidária como nunca se viu no nosso país onde o PS é comunista, o PSD socialista, o BE a ajudar a governar à direita e o CDS a querer ser alternativa SOZINHO ao centro direita. Uma “salganhada” de todo o tamanho onde grande parte dos portugueses não se revê de todo.

É preciso, sim, criar uma alternativa séria à miscelânea que agora vivemos para resgatar aqueles abstencionistas – são quase 50% – que não acreditam na política actual por não se reverem nos malabarismos destes incompetentes. Aqueles também que mesmo votando, andam à toa a fazê-lo, não por convicção, mas por falta de alternativas.

Se for um projecto capaz de servir as pessoas com excelência e devolver a economia TODA à sociedade libertando-a das grilhetas do Estado actual incompetente, castrador e devorador de impostos. Se for um projecto que estimule a criar em vez de estimular a parasitar. Se for um projecto que dê sempre voz aos cidadãos antes de tomar decisões fracturantes como o deve ser numa democracia. Se for um projecto onde o Estado presta contas do que faz com os impostos e os utiliza somente na sociedade. Se for um projecto onde só se permite a permanência daqueles que cumprem com honra seu dever de servir a Nação, então temos gente.

Cristina Miranda

Via Blasfémias 

 

Entrevista a Sofia Afonso Ferreira

Antes de vos mostrar o resultado, acho que ficou tremendamente produtivo e interessante, da entrevista que líder do novo Partido de Direita Liberal em Portugal, Sofia Afonso Ferreira, me concedeu  não posso deixar de eu, pessoalmente, deixar o meu humilde testemunho sobre a Sofia e igualmente sobre o contexto que nos envolve do Reinado das esquerdas unidas. Portugal é um País de gente desenrascada, pessoas boas e atenciosas, carinhosas com o próximo, mas, por outro lado, são ingénuos e com índices de literacia financeira baixíssimos. Logo, qualquer cenário utópico vindo do caviar das nossas esquerdas berrantes em gritaria é facilmente interiorizado por um povo que é facilmente permeável.

A pouca direita com valores liberais, aquela que defende a iniciativa privada, o Estado mínimo, que defende o individuo e a sua capacidade de realização, está com uma representação parlamentar em deputados algo fraca, os que se assumem são raros e os que existem não se assumem. É aqui que entra a Sofia, é aqui que entram todos os projectos liberais que tenham a intenção de o serem, que não ficam no sofá com a filosofia barata. Querem ler o que a Sofia tem a dizer não é? Vamos a isso!

Pergunta 1): O que é a Democracia 21? O que querem trazer de novo ao Palco Partidário? O que vai trazer de novo às pessoas? 

Começando por explicar o que é a Democracia 21, neste momento é um Movimento Cívico, estamos a recolher assinaturas, para constituir Partido e esperamos que a D21 seja no futuro e, vai ser, um Partido Liberal de direita, é bom frisar isto, portanto a diferença que oferece é por um lado um primeiro Partido liberal, ou, pelo menos, o que considero serem os valores fundamentais do liberalismo em Portugal, uma coisa que estamos à espera há muitos anos e que é preciso avançar e faz falta ao espectro político Nacional, não nos podemos esquecer que neste momento é a segunda maior força na Europa, entre muitos outros Partidos que compõe esta força, outros inclinam-se para a esquerda outros para a direita, mas, neste momento é importante que a D21 avance em Portugal bem como outros projectos, eu gostava que houvesse mais Partidos Liberais em Portugal.

Pergunta 2): Numa entrevista recente que deste à MAGG, revista do Observador, disseste que a tua geração estava arredada do poder, como vês um Rui Rio com 55-56 anos e António Costa com 55 anos, um líder partidário do maior Partido do País e outro Primeiro-Ministro e Macron com 40 anos Presidente de França? O que falta à política portuguesa para atrair os gente jovem e competente? 

Temos vários problemas em Portugal(Risos), a primeira tem a ver com a nossa história, tivemos uma revolução há 40 anos, depois de mais de 40 anos de Estado Novo, formaram-se Partidos na altura que conservam o poder até hoje de modo rotativo como o PS e o PSD, os dois maiores Partidos Políticos, o problema é que os mesmos não se renovaram e se actualizaram nos métodos, nas ideias de e formas de fazer política apresentado quase o mesmo projecto aos eleitores e neste momento, a minha  geração, e tenho 41 anos, esta pouco representada apesar do BE e do CDS hoje em dia tem pessoas da minha geração à frente. Na MAGG, como disseste, contei-lhes um episódio que ocorreu no ano passado em que apertei a mão ao Macron que é mais novo que eu e é daqueles momentos da vida de uma pessoa, em que começas a pensar em que estamos a apertar a mão ao Presidente de França com 40 anos e no meu País, percebo a dificuldade e o caminho que tenho pela frente, o nosso Presidente tem 68 anos e aqui se vê a diferença, Macron com 40 e Marcelo perto dos 70 concordemos ou não com as ideias deles, Portugal tem definitivamente um problema de “sangue novo” na política, há algo que tem de mudar rapidamente.

Pergunta 3) És a primeira líder partidária a usar o termo direita liberal, e não de centro direita. Poucos tiveram a tua coragem para usar esse termos, como arranjas explicação para uma “direita” como o PSD que já não se diz de direita, mas sim de esquerda, e muita gente no CDS da Ala mais Conservadora que querem a Assunção Cristas e Adolfo Mesquita Nunes fora? Como explicas a resistência dos lideres partidários da “direita” em se assumirem como liberais?

As coisas estão a mudar, estamos em 2018 e, olhando para o mosaico Partidário na Europa as coisas estão a mudar mais rapidamente, aqui em Portugal estamos atrasados e muito… É com a D21 e com outros projectos políticos de cariz liberal, que estão agora a surgir finalmente, que podemos mudar isto, repara, não há algo de diferente no ar? Se calhar já não é assim tão prejudicial dizermos que somos de direita liberal, o que posso dizer na minha perspectiva muito particular de quem montou a D21 muito recentemente, tivemos muita atenção por parte da imprensa e das pessoas para assinarem, foi dos poucos projectos a afirmar-se de direita logo de inicio e isso deu nos uma visibilidade que, se calhar, outros projectos não tiveram, porque fomos por esse caminho. Há muitas pessoas à espera que venham partidos diferentes, para melhor, face aos actuais.

Pergunta 4) Quais são para ti, os problemas fundamentais que urge resolver em Portugal? 

Essa é fácil(risos)! Menos Estado! Menos Impostos! Menos Despesa!  E mais liberdade individual, com reformas nos principais sectores. 

Pergunta 5) Qual o Político(a) que te mais inspirou a nível interno e externo? 

A nível Nacional é fácil, Sá Carneiro, eu nasci e cresci em 1977 no meio seio familiar, tínhamos esquerda e direita, mas onde a morte de Sá Carneiro foi muito sentida e isso acabou por me condicionar um pouco, a forma como as coisas foram correndo e passado alguns anos, quando cresci, acabei por me tornar apoiante do PSD devido a Sá Carneiro que ainda hoje é uma referência no pessoal da direita. A nível externo, Angela Merkel! A Alemanha é o País mais forte da Europa, nos anos de crise é interessante assistir à conduta política de Merkel e da forma como guiou a tempestade financeira dos Países do Sul, bem como o aguentar do projecto Europeu, por mais falhas que tenha é sempre importante manter um projecto que trouxe paz à Europa e algum liberalismo. Foi a figura que mais me marcou, apesar de não concordar com tudo.

Pergunta 6) Pedro Passos Coelho foi o líder incontornável da direita neste século e talvez da democracia Portuguesa, como lhe descreves? Qual a tua avaliação ao Mandato de Passos? 

Sou uma Passista convicta! Acabei por sair do PSD quando o Pedro saiu, isso acabou por me condicionar, pois estava céptica em relação ao rumo que o PSD estava a tomar e Rio não me agrada particularmente, o PSD entrou num caminho que não concordo. O Pedro, aguentou e governou numa altura muito específica, muito complicada, a crise não foi só aqui, foi na Europa e foi em geral, ele teve 4 anos de governo a apagar fogos, não governou numa altura normal, houve coisas que não concordei outras sim, mas no geral fez um trabalho fantástico. Engraçado que, Tsipras, Primeiro-Ministro Grego, fez um tremendo elogio a Passos agraciando a forma como Portugal manteve o seu rumo pós programa da Troika e portanto vemos que afinal, Passos tinha razão, acho que lhe devemos alguma coisa…

Pergunta 7) Achas que a comunicação social Portuguesa é parcial face ao PS?

A comunicação social é favorável e parcial ao PS e à esquerda em geral, mas tambem isso está a mudar, hoje há mais aceitação e predisposição para surgirem mais partidos liberais, tambem sem dúvida  que na imprensa as coisas estão a mudar, apesar de existir o desfasamento de tratamentos, sendo mais favorável aos Socialismo do que à “direita”. Na comunicação social maioria das “relações” são de esquerda, exceptuando o Independente, anteriormente, e o Observador mais recentemente.

Pergunta 8) Os liberais tem que ser mais pragmáticos e menos sectários na actuação? Concordas?

Concordo em parte, antes não existiam partidos liberais, para seres tens que estar a trabalhar agora e passar da teoria à prática, e é o momento ideal para isso, claro que ainda não existindo formalmente partidos liberais e não estando nos jogos de poder, há uma tendência para ficarem na filosofia, na parte teórica sem serem objectivos, tem que ser mais politicamente incorrectos no debate! Serem mais práticos.

Pergunta 9) O que é para ti um Liberalismo Pragmático?

Está um pouco ligado à aquilo que te já te disse anteriormente, precisamos de Partidos liberais em prática e não na teoria, que é o que conta, temos que criar uma onda positiva.

Pergunta 10) Achas que só o liberalismo pode salvar o País?

Acho! Porque sempre senti como pessoa de direita liberal, não me revendo na ala conservadora, que há no PSD e no CDS, faltava esta “terceira via” à direita que são pessoas que, em temos económico-financeiros, são por uma linha de menos intervenção do Estado, menos impostos, menos socialismo de Estado que já é algo anacrónico na sociedade portuguesa, por outro lado, nos costumes, somos igualmente liberais, achamos que o individuo é que deve escolher e não o Estado a interferir desde a quem queira casar, ao sal que usamos na comida e isto faz falta na direita Portuguesa. Temos reformas económicas a fazer, não temos que obrigar a Sociedade a viver no século passado, nós enquanto indivíduos donos do nosso corpo é que temos que decidir o que é melhor para nós, o Estado é um árbitro e não devia ser um jogador, é isto que temos de explicar às pessoas e que por vezes não sabemos explicar da melhor forma!

Entrevista à Líder do Partido em formação Democracia21(D21), em sua casa no dia 16-03-2017 às 20h00 da noite.

Entrevistador: Mauro Oliveira Pires 

 

 

A Direita tem que estar unida contra a Troika fascista de Esquerda

O Comunismo dos nossos camaradas em Portugal é algo tremendamente peculiar, por um lado, os camaradas vestem-se com fatos todos janotas, feitos por meios de produção, logo capitalismo, por outro lado, os camaradas fumam, outro processo de produção efectuado por uma empresa capitalista. Como os camaradas gostam de se apresentar cheirosos perante a sua religião de carneiros, tem que tomar banho num chuveiro produzido por meios capitalistas. Como os nossos camaradas ainda tem de comunicar entre si, não vá o diabo tecê-las, então lá erguem o punho e a foice e tiram de lá o Iphone do bolso para começarem a praticar charadas por meios tecnologicamente capitalistas.

Já estamos habituados à hipocrisia dos canhotos vermelhos, eles e os seus amigos coadjuvantes mais à esquerda, o Partido das questões fracturantes, o Bloco das Catarinas, Joanas e Mortáguas,  podem isto tudo, criticam do seu pedestal onde ninguém lhes toca, insultam o capitalismo e bebem dele, comem dele e vestem-se dele, mas sinceramente nenhuma boa criatura já liga às toupeiras da nossa política. Mas devíamos ligar, porque a direita quando reclama eles dizem em voz apocalíptica que lhes caracteriza, que a direita não tem direitos, só tem deveres, ouvir e calar, eles podem comer  caviar e serem os intelectuais de Paris, a direita não presta e nem deve existir para os nossas camaradas estrábicos de esquerda.

A direita não liga, deixa passar, faz mal, porque quando defende alguma das questões fracturantes que conduzem à liberdade individual, seja do lado da eutanásia, casamento homossexual, isto devia ser a agenda normal do que é a política de costumes da direita, a esquerda faz com que este tipo de políticas seja seu, adquiriram o monopólio desta discussão, nacionalizaram, a direita ficou sem discurso, tudo por um simples facto, a direita tem vergonha quando não devia ter, o exemplo de Trump gostando dele ou não em diversas situações, é significativo, Trump é ele próprio goste-se ou não, faz-se de “Pândego” mas é estratega como se viu nesta questão das tarifas das importações de aço, onde Trump chegou onde queria, ou seja deitar abaixo a sua medida se a UE eliminar as suas Pautas para o resto do Mundo pelo menos no Aço e diversos.

A direita refugiou-se na cartilha, no fato e gravata, naquele discurso que dá sono até as Najas mais inquietas, isto em Portugal claro, a esquerda em toda a Europa é reduzida a pó, os Partidos Socialistas Europeus voltaram à sua insignificância de Partidos do Taxi, e a “direita liberal” ascende. Em Portugal continuamos a discutir situações utópicas, discussões que na Europa já se efectuaram no século passado, como se devíamos dar mais liberdade aos Municípios na Educação ou se devíamos desenvolver um sistema de saúde baseado no lado dos seguros como o Suiço, temas estas que se discutem a duodécimos aqui no rectângulo à beira mar queimado.

Com um Rui Rio, que não dura até ao natal, Assunção Cristas não tem um discurso poucochinho como o líder do PSD, Cristas chega-se à frente, sabe perfeitamente que o CDS pode não ultrapassar o PSD já nestas eleições, mas que para futuro, construindo bases, pode. A direita portuguesa tem que se reconfigurar, não só com novas caras, mas com gente competente, com provas dadas, não gente do mesmo “círculo” da amizade que nós já conhecemos. Precisamos igualmente de novos Partidos que acrescentem algo, e que atraiam o eleitorado abstencionista. Uma nova direita que faça coligações entre si, cresça e se una perante a Troika fascista de Esquerda.

A União tem que ter como base um programa liberal, sim, liberal, um plano que diminua o Estado, que o retire da frente de quem queira produzir, que se crie estabilidade e previsibilidade fiscal se queremos atrair investimento e criar emprego. Um plano para a dívida, não de défice zero, mas superávit porque com o stock de dívida que temos hoje estamos vulneráveis a choques externos. Um plano, sim, algo que a Troika de esquerda não tem, um Governo de navegação à vista onde se quer decidir o momento ideal para se saltar do barco.

O problema é, chegam-se à frente ou não?

Mauro Oliveira Pires