A Economia Portuguesa não resistirá a uma nova Gerigonça

O grande desafio da Economia Portuguesa no período de ajustamento financeiro e, já agora, de intervenção internacional, era o de tentarmos um novo modelo macroeconómico de crescimento que fosse ao mesmo tempo saudável e de longo prazo. Por modelo de crescimento saudável entendemos uma economia de pequena dimensão como a portuguesa mas aberta ao mundo, que consiga crescer em grande medida pelo lado da procura externa- exportações de bens e serviços- bem como pelo lado do investimento privado externo que nos desse retorno depois nas exportações e com mais valor acrescentado. Para que tal façanha fosse sustentável, o governo de Passos Coelho restaurou a credibilidade e o crédito internacional ao erário público como pelo meio ainda fez acordos fiscais com gente responsável do PS que cujo nome do líder traz saudades: António José Seguro.

Este era um modelo que nos escapava faz décadas e foi implementado com sucesso relativo. A continuação de mudança de um modelo estrutural de crescimento depende do que eu costumo chamar de “passagem de testemunho”, ou seja, os governos seguintes tinham que dar continuação e gerar novas reformas estruturais, algo que com António Costa não acontece. Parece masoquismo da minha parte, mas a nossa futura desgraça-devido à laxação e preguiça em reformar- é a bomba relógio principal que Costa e a sua trupe tem na mãos. Os vários pregos no caixão que Costa mandou vão se virar contra o mesmo num futuro muito próximo, pois Centeno já mudou de discurso há muito e até Costa segue a cartilha do seu ministro das finanças. O problema é que chegaram tarde, vejamos porquê:

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FONTE: Trading Economics, via Banco de Portugal

O indicador coincidente de atividade económica do Banco de Portugal, bastante fiável na antecipação da viragem de ciclos económicos, já nos tinha alertado em meados de 2017( barras rosas que mostram a tendência de abrandamento),que a Economia Portuguesa tinha chegado ao “ponto de inflexão” do seu ciclo máximo de crescimento que se iniciou em 2013. Segundo os “analistas” do Largo do Rato, a austeridade de Passos não funcionou, mas o facto é que como se vê no gráfico, a tendência de viragem da recessão inverteu-se em meados de 2012 antecipando crescimentos positivos em 2013 como aconteceu no 2º trimestre desse ano. Sim senhor, Costa este crescimento deve-se única e exclusivamente a Passos Coelho e não a si. A Economia Portuguesa cresceu APESAR DE SI, isso é que é primordial na análise.

A barra a bourdeaux(entrada da geringonça), mostra-nos que a Economia começou a ressentir-se com a mudança de políticas que Costa e Centeno queriam implementar. O facto, é que a economia abrandou no 1º e 2º trimestres de 2016 com os mercados(quem nos financia as nossas luxurias), a recearem uma nova pré-bancarrota para breve, entretanto Costa e Centeno recebem “avisos” de Bruxelas e possíveis sanções caso continuassem com a mesma política orçamental, no final Centeno começa a cativar. Nada é ao acaso, simplesmente a comunicação social encobre a incompetência de um governo que usa políticas orçamentais conjunturais em vez e estruturais e surfa ainda no ciclo económico positivo e ascendente criado por outros. Mais habilidade e matreirice não existem.

Para finalizar. Já está disponível a execução orçamental de 2018 que gostaria de analisar noutra altura mas que já nos mostra o monstro que Costa ajudou a criar. O défice de 2018 desceu cerca de 500 milhões de euros de 2018 face 2017, mas ficou acima da meta e, além disso, o ajustamento orçamental foi totalmente efectuado pelo lado da receita, uma vez que a despesa não desceu mas sim aumentou uns impressionantes 3000 mil milhões de euros de um ano para o outro. Tal aumento foi compensado por um acréscimo de receitas efectivas(5,2%), ou mais de 4 mil milhões de euros de aumento face ao incremento da despesa em 4,5%. Tanta percentagem e números para chegarmos a conclusão que estamos a gastar cada vez mais baseando nos em mais receita que provém de um ciclo económico positivo. Em recessão, a receita diminuirá e a despesa ficará lá toda, cada vez maior e o défice resvalará aumentando a nossa dívida pública para a segunda maior da Europa e a terceira maior do mundo.

Ser o “contabilista chato”, faz parte, nós avisamos, somos maquiavélicos dizem, frios, mas contas são contas. A matemática é a ciência mais mortífera do mundo.

Mauro Merali

 

 

 

Portugal ganhou o Euromilhões?

E não é que, do nada, o país da “Geringonça Esquizofrénica” que ainda há dias definhava a todo o vapor, ressuscita entre os “mortos económicos” e desata a prometer  comprar e investir em tudo e mais alguma coisa como se tivesse ganho o jackpot no Euromilhões? É verdade! Quem diria que tão almejada sorte nos iria bater à porta em 2019. Fantástico! Com tantos milhões disponíveis a ver se com o entusiasmo o governo não nos compre a nós também! Bem… pensando melhor, ele já nos está a comprar desde que entrou, às prestações. Adiante.

O Estado agora milagrosamente  “milionário” em 5 dias anunciou obras e aquisições que vão “resolver” todos os problemas com os quais nos enfrentamos neste momento para daqui a… 10 anos! Sim, 10 anos! Acha muito? Ora essa, uma década passa depressa, não seja pessimista que isso é coisa da direita realista e consciente dos embustes!

Assim, vamos ter mais 22 comboios apesar de neste momento fazerem falta já 35 urgentemente e daqui a 10-15 anos 400 para substituição da frota toda obsoleta que já se encontra em final de vida útil. Entretanto e enquanto esperamos, vamos continuar com as fórmulas de gestão alternativas que é a supressão de comboios substituindo-os por autocarros,  aluguer de comboios a Espanha ou simplesmente ficar apeados por não haver serviço de todo.  Portanto, 22 comboios daqui a 10 anos vão resolver  uma frota  totalmente envelhecida, comboios quase todos avariados, sem dinheiro para peças e oficinas sem pessoal suficiente para tamanha carga de trabalhos. Boa!

Foram anunciados também mais barcos: “Estamos a projectar a entrega do primeiro navio no final de 2020 ou no início de 2021, em princípio no final de 2020. Em 2021 a entrega de três navios e, depois, os seis seguintes serão ao ritmo de dois a cada ano. Significa que, em 2024, teremos os dez navios entregues”, disse à Lusa o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes.”(fonte Observador).  Portanto, será um investimento a conta gotas pequeninas para não estragar o excel do Centeno. Com sorte muito depois das eleições. Até lá aguente-se com a falta de barcos para ir para o trabalho e habitue-se aos atrasos e caos. Se o seu patrão o despedir tem sempre “maravilhosos” apoios socais à sua espera. Não desanime.

Também vem aí mais um aeroporto no Montijo porque, claro está, não interessa para já só  aumentar o de Lisboa porque fica muito mais barato e assim não vem tanto dinheiro da UE para desviar sorrateiramente para outras rubricas do balanço do Estado que disfarçadamente paga “outras despesas correntes” com os fundos, como o denunciou e muito bem João Miguel Tavares afirmando: “o Governo aproveita o maná europeu para pagar os apoios sociais e desorçamentar despesa” (leia aqui o artigo todo no Público). Por outro lado, ao assinar um acordo para a construção do aeroporto no Montijo sem o estudo de impacto ambiental está a pressionar para garantir um facto consumado e influenciar a decisão do estudo. Porquê? Ora porque o governo está “cheio de dinheiro ” para distribuir pelos amigos do costume.

Pelo caminho o “sem palavra honrada” dá garantia de 150 milhões aos lesados do BES. Mais uma vez. É só garantias de coisa nenhuma desde que o BES faliu. Que ternura.  Ah! sem esquecer as propinas à borla para todos que isto de ter curso superior é um bem de “primeira necessidade” que não pode ser apoiado por bolsas, nem pode ser pago, como o meu,  com o estatuto de trabalhador estudante. Trabalhar e estudar faz calos.

Portanto, em apenas cinco dias, tivemos  cerca de 24 mil milhões de euros anunciados em investimentos com… ar.  Porque Portugal não ganhou o Euromilhões, nem em 3 anos criou riqueza para tal. Por isso,  esta treta toda da semana passada não passa de populismo eleitoralista para enganar, porque  a taxa de execução dos Sistemas de Incentivos do Portugal 2020,  no final de 2017, foi de  28,5% como  concluiu uma auditoria do Tribunal de Contas, mas já fazem promessas à conta do Portugal 2023. Francamente.

Na verdade o que temos e não vale a pena fingir que não vemos,   é um país pré-falido que tem todos os serviços do Estado a caminho da implosão por via da asfixia financeira grave imposta por Centeno. Por isso, só o SNS  viu a sua dívida aumentar nesta legislatura em 52,6%. Imagine em que estado estarão todos os restantes serviços. Bom… é melhor não imaginar.

Para piorar ainda mais o cenário, com esta governação, o nosso PIB per capita baixou para 77% da media da zona euro o que nos coloca em 15º lugar em 19 posições. Significa isto  que descemos 3 posições desde que estes assaltantes do poder se instalaram ao leme do país.  A reversão das  35h provocaram ruptura de serviços e aumento de despesa pública. Se juntarmos a reposição compulsiva  de regalias à função pública, temos aqui o sugadouro da pouca riqueza conseguida que, por não ser suficiente, foi depois compensada com o aumento obsceno dos impostos. Nunca o custo de vida foi tão alto com os bens essenciais a subirem acima da inflação. Ainda em 2018, somamos o valor mais alto da dívida pública – 251,1 mil milhões – que não pára de subir. Com novas  medidas fiscais sempre na berra, o investimento caiu. E como se não bastasse, um abrandamento do mercado externo  com a diminuição das exportações e aumento significativo das importações, levou a nossa balança comercial a registar um aumento do défice em 1.157 milhões.

Entretanto, o OE2019 deixa 850 milhões para Fundo de Resolução pôr no Novo Banco.

Se Portugal não ganhou  o Euromilhões, vamos pagar muito caro esta “festa”  toda.

Cristina Miranda

Via Blasfémias

 

Comunismo nunca mais!

Fiquei, o dia todo de 25 de Novembro, à espera que a Comunicação Social dita de referência lembrasse esta data histórica que em 1975, impediu que Portugal fosse tomado pela ditadura comunista. Nadinha! O silêncio foi absoluto. O que não deixa qualquer dúvida: os tempos são de ditadura vermelha e com eles a fazer parceria no governo de Costa, é proibido lembrar o terrorismo  comunista que aconteceu logo a seguir ao 25 de Abril de 1974.

Para começar convém relembrar que o 25 de Abril não foi uma luta pela  liberdade de um povo. Não! Foi uma acção levada a cabo por militares descontentes com a guerra no ultramar e carreira militar,  que levou à queda do governo. Qualquer outra narrativa é falsa. Que o diga o próprio Otelo.  Porém,  os movimentos de esquerda não tardaram a reclamar os louros de uma revolução que nem sequer fora encabeçada por nenhum deles, apanhando-os a todos de surpresa.

Sob a bandeira falsa da liberdade, enganou-se o povo fazendo-o acreditar que toda aquela revolução era em seu nome e para o beneficiar. Assim, legitimou-se o assalto aos cofres do país, a expulsão dos patrões das suas empresas, dos  proprietários das suas terras e herdades – instaurou-se a “reforma” agrária que não foi mais do que um roubo por decreto às terras produtivas mas não foram ocupados latifúndios incultos ou terras abandonadas porque essas davam trabalho a recuperar –  as nacionalizações da  indústria, dos serviços (até do teatro),  as ocupações dos edifícios e casas, o assalto aos jornais, revistas, rádio e televisão.  Muitos trabalhadores da esquerda enriqueceram, um deles bem conhecido, Belmiro Azevedo, e o  próprio PCP hoje detentor do maior património imobiliário existente dentro de partidos.  Tudo em acções pouco democráticas em nome do povo onde não faltou, nalguns casos, o terror para intimidar e expulsar. Objectivo? Impor uma sociedade socialista. A expropriação violenta era o processo “democrático” escolhido para a pôr em marcha. Vá lá, vá lá, não nos puseram a mirrar à fome como na Ucrânia. Menos mal.

Durante este “magnífico” período revolucionário, outras mudanças aconteceram:  os professores passaram a ser colocados por computador; os preços dos bilhetes de comboio e transporte de mercadorias subiram substancialmente com as portarias 404/75 de 30 Junho e 635/75 de 5 Novembro; aumentou-se  exponencialmente  o selo do carro e impostos sobre produtos petrolíferos depois das vendas de carros terem disparado pós 25 Abril.

Assim, em apenas um ano,  começou a sentir-se os efeitos nefastos da revolução na carteira e em consequência, em 79, o país inaugurava já  a primeira bancarrota sem sequer ter ainda criado o tal Estado Social que eles tanto reivindicam hoje como sendo uma conquista de Abril, com o peso que já conhecemos nas finanças nacionais. Ou seja, faliram o país ainda antes de fazerem fosse o que fosse, só com a estatização dos meios de produção e serviços e apropriação violenta de propriedade privada.

Durante o PREC, divergências entre a esquerda democrática e a esquerda radical  revolucionária na aplicação do conceito de sociedade socialista,  levou estes últimos  a perspectivar uma aceleração da revolução com vista à tomada total e absoluta do poder à semelhança de Cuba. Neste contexto dá-se o golpe de 25 Novembro de 75 com os bravos Comandos liderados por Jaime Neves e Ramalho Eanes, a frustrar a tentativa de assalto dos comunistas para impor uma ditadura militar.  O tiro sai completamente ao lado e nas eleições para a Constituinte, o PCP é arrasado ao eleger apenas 30 deputados  junto com seus comparsas  do MDP com 5 e UDP com apenas um.

Não satisfeitos com estes resultados, entraram na clandestinidade criando as FP25 com elementos da esquerda radical das antigas Brigadas Revolucionárias, da LUAR e da ARA , dando início a  acções  terroristas com ataques à bomba, assassinatos e roubos violentos. Esta organização liderada por Otelo opunha-se a um sistema representativo parlamentar de base partidária e a reactivação do sistema económico-social de pendor capitalista. Acusavam serem desvios graves à constituição de 1976, o abandono do socialismo, o abandono da Reforma Agrária e a perda de expressão  da vontade popular. Acabaria por ser desmantelada e graças a indultos, amnistias e absolvições por “falta de provas”, não foram condenados.

Ficamos livres da ameaça vermelha dos comunistas? Não! Infiltrados na comunicação social, mesmo sem conseguirem mais do que 7% dos votos dos portugueses  têm mais palco que quaisquer outros partidos de direita. É vê-los a toda a hora a sair em notícias por cada comentário que façam por muito insignificante ou parvo que seja. São comentadores de TV, fazedores de opinião nos jornais, estando em toda a parte porque controlam os média desde 74. Estão ainda infiltrados nas escolas e universidades onde doutrinam também desde a revolução, desconstruindo os valores sociais para ser mais fácil tomar o poder, como mandam seus líderes ideológicos.

Não podemos jamais esquecer que o PCP e BE de hoje são os herdeiros  revolucionários frustrados  de um golpe que correu mal. Que almejam uma ditadura comunista como os factos históricos inegáveis o comprovam. Lutaram por isso mas  não vingaram. Ainda. E só por isso estão “subsmissos” e pacientes no Parlamento à espera de nova oportunidade. Uma oportunidade que quase quase está chegando com esta coligação negativa que Costa protagonizou e os levou a sonhar com uma integração no seu Governo.

O comunismo que queria nos impor uma ditadura vermelha e que ainda há pouco tempo aprovou votos de pesar pela morte de Fidel Castro (um ditador sanguinário), está inexplicavelmente ainda vivo  no Parlamento, não tendo ainda sido banido, quando nossa Constituição proíbe partidos fascistas em Portugal.  Alguém que explique isto.

Cristina Miranda

Via Blasfémias

Pimenta no cu dos outros é refresco

A geringonça social comunista, com iniciativa do BE e do PCP, conseguiu agravar a taxa do imposto municipal sobre imóveis(IMI), de 1% para 1,5% para imóveis com valor superior a 2 milhões de euros. É mais um prego na asfixia fiscal de António Costa. A Geringonça continua a olhar para o plano orçamental como um menu, uma espécie de carta de intenções ás eleições legislativas de 2019, onde tenta não agitar as águas para passar calmamente sobre elas, sempre com um mordomo ao lado com guarda-chuva-Rui Rio- e outros seres mais pequenos mas igualmente cúmplices do próximo pântano orçamental. Com isto, Costa faz de Marajá Mor do reino, o gestor político primordial do regime, onde todos tem que obrigatoriamente passar para serem “ouvidos” e serem “alguém”.

O IMI é talvez dos impostos mais injustos- como se o imposto em si fosse justo- que a fiscalidade portuguesa tem. É o imposto que vem depois de todos os outros. O problema é que todos nós- calma, nem todos- temos que o pagar, uma vez que o seu não pagamento implica ter problemas com a autoridade que se sabe, que tem os poderes que tem e que a PIDE hoje teria um orgulho enorme em bater palmas. Quem não o paga chama-se PCP, BE, PSD, PS e CDS(entre outros partidos menos relevantes), claro que tudo dentro da legalidade e, como se sabe, a lei assim o permite. Permite mas de modo errado, há partidos com um património imobiliário extenso, alargado, que depois manda tributar o património dos outros sem tributar o seu primeiro, chama-se a isso hipocrisia.

O PCP é o partido mais rico do País, o que pode ser visto de vários prismas do ponto de vista financeiro. É o partido com maior capital próprio, ou seja, todos os activos que detém em balanço(podemos designar activo de modo muito simplista como o conjunto de direitos que a empresa tem e que se espera que estes gerem valor para futuro, como um prédio por exemplo), subtraídos ao passivo( ou seja todo o conjunto de obrigações, portanto dividas, que este tenha e que no futuro faça com que haja saída de dinheiro da sociedade quando é saldada), fazem com que o património líquido do PCP seja o maior dos três partidos. Além disso, é o partido que detêm o maior activo de todos os partidos, dos quais se destaca uma rubrica muito interessante que se chama activos fixos tangíveis e que podem ver abaixo na foto:

Balanço PCP
FONTE: Tribunal Constitucional, contas anuais dos partidos

Um activo fixo tangível representa isso mesmo- algo tangível, que se pode tocar, portanto se comprarmos um apartamento ou um prédio, isto sempre na óptica empresarial, isto é registado como activo tangível em balanço. Portanto, maior parte do activo tangível do PCP é património imobiliário. E, se formos rigorosos, nem todo o património imobiliário do PCP tem um valor individual acima dos 2 milhões de euros, mas com certeza aquele prédio que tem na Avenida da Liberdade vale isso, e é uma pena que não pague imposto, é sempre menos receita que o PCP não contribui para ajudar, por exemplo, os pobres que tanto fala e tanto esperneia e grita.

Ser hoje camarado ou camarada do PCP, é difícil, admito que tenho pena dos militantes do PCP que não saibam que fazem parte de um partido que quer ser “justiceiro” tributando o património dos outros não olhando para o seu e para os 14,7 milhões em imóveis que tem em balanço no final de 2017. Sim Jerónimo, pimenta no cu dos outros é refresco.

Mauro Oliveira Pires

 

 

Precisamos de Liberalismo rock “n” roll em Portugal

Portugal é um país tremendamente sui generis, tem um Partido Comunista agreste por fora, e, por dentro, afável nas negociações – o ex-ministro da Economia de Passos Coelho, Álvaro Santos Pereira, escreveu no seu livro que a CGTP, braço armado do PCP, nas negociações no tempo do resgate financeiro contribuía de bom agrado nas negociações laborais, e, quando abandonava a sala, alterava o seu discurso para agradar aos seus eleitores da luta eterna dos camaradas – portanto, um PCP com poder na estrutura do Estado, capaz de parar um país, e um povo (8%) que vota nisto! A Europa de leste sabe o que é o comunismo e não vota em ditadores disfarçados. Para além disso, temos um Bloco de Esquerda, do chamado “NeoComunismo”, onde tal partido é claramente a favor das liberdades individuais de cada um, e muito bem, mas depois banaliza-os com discursos histéricos, mal estruturados, de ódio, colocando as chamadas “minorias” e outros indivíduos de orientação sexual diferente numa situação ridícula.

Depois temos o partido do regime, que controla os pilares essenciais da nação: a comunicação política, social, a Maçonaria e as faculdades de pensamento económico, social do seu lado, marxizando o ensino e criando futuros robôts votantes de tal agremiação partidária, o PS. É o partido “impoluto” com toques de sagrado, pois arruinou a economia do país três vezes em 44 anos – com três pré-bancarrotas – permanecendo em modo vítima perante um povo que é claramente da área das humanidades e não das matemáticas. O partido da subtracção, do sumir, das contas de sumir, de sumir com as nossas vidas actuais e futuras hipotecando-as com contas de somar, somar em dívidas, impostos e menos liberdade económica de gerarmos recursos de modo livre em prol da prosperidade para Portugal.

Por fim, temos a “direita”, um conjunto de Partidos Sociais Democratas que pouco diferem do PS no modo de política económica, mas com uma política orçamental diferente, para melhor, mas ao mesmo tempo inconsistente. Uma direita que devia ter como pilares, ou como matriz fundamental, a propriedade privada, a liberdade do indivíduo e um Estado menor que nos consumisse menos recursos e que o pouco que fez foram paliativos, cujas mãos estavam igualmente armadilhadas no cerne da questão, a Constituição da República Portuguesa claramente socialista e apologista do sector público. A mesma que não deixou Pedro Passos Coelho seguir o seu caminho reformador na sua totalidade, mas, mesmo assim, deixando um património de credibilidade ao país que jamais outro em democracia deixou. Se não queremos o nosso País na corda bamba constante, ano após ano, com remendos ali e acolá, uns pós aqui e outros ali -não falo dos pós da Catarina – falo da maquilhagem, dos retoques orçamentais conjunturais que se fizeram e que se fazem actualmente.

Precisamos de redefinir o que queremos do Estado, porque com esta dimensão e imensidão não conseguimos financiar um monstro que é ineficaz por natureza, mas que por uma razão de pragmatismo tem que existir. Precisamos igualmente de um líder carismático, impoluto, de preferência que saiba o que é o calo do trabalho, que conheça o sector privado e as suas necessidades, que tenha meios – não é preciso ser rico – mas alguém que não surja no jogo político para arranjar os contactos necessários para chegar às empresas de maior dimensão, mas sim reformar o país de cima a baixo sem pedir autorização aos mesmos de sempre, à oligarquia vigente, às famílias do regime e ao partido da bancarrota, o PS.

Um líder político que seja liberal na economia, mas que ao mesmo tempo seja capaz de explicar o que é isto de liberalismo, um líder genuíno que seja capaz de levantar parte da abstenção e reerguer o orgulho de se amar a liberdade individual e económica. Um líder que não olhe para o liberalismo como uma ciência do passado, com filósofos à mistura, o povo não sabe, não quer e não tem a paciência para saber disso, as contas tem que se pagar ao final do mês, e as políticas socialistas do tira e volta a dar são jogadas caras de hoje e amanhã, o futuro constrói-se olhando para o coração das pessoas, não exaltando o pior delas, mas saber falar sem a cartilha de sempre.

O PSD de Rio não é solução, não por este ser uma má pessoa, é um homem competente no seu ofício, mas, aliado à falta de carisma, Rio nada difere de António Costa, zero! Cristas sabe a pouco, tem boas intenções e tem ao seu redor liberais interessantes, mas falta pimenta. Por isso, meus caros, em quem votar? Se Espanha deu oportunidade aos novos partidos, tendo como o Ciudadanos como exemplo, ou Macron em França – não gostando eu muito do senhor, mas adiante – parece-me que a Democracia21, a Iniciativa Liberal e o Partido Libertário são projectos a seguir de perto. Falar mal de políticos é fácil, difícil é agir, e a acção começa no voto.

Mauro Oliveira Pires

 

Republicação: O meu mundo não é deste reino de Maria João Avillez

Por vezes, alguém consegue colocar preto no branco, exatamente aquilo que penso sobre o nosso estado da nação. Por vezes nem vale a pena citar nem parafrasear nem recriar aquilo que foi dito tão bem. Por isso coloco aqui um dos textos que mais gostei de ler no últimos tempos, que muito diz, muito faz pensar e lança a questão: que fazemos?

O meu mundo não é deste reino de Maria João Avillez

1. Vigiam-nos. Estão atentos. Estão de serviço. Mobilizados pelo pensamento único, uma nova forma de vida. Nunca se cansam. São ferozes na vigilância, implacáveis na perseguição, sonoros na censura. A nova cartilha e os seus mandamentos não incluem desvios. A nobre arte de debater, a esgrima dos argumentos, a relevância da dúvida, o valor da discordância, estão proibidos pela própria natureza da subversão civilizacional em curso.

Os novos proprietários querem-nos fora de pé, ao largo de nos próprios, cortados pela raiz do que somos e representamos. Querem que nos transfiguremos noutros, atraiçoando o nosso “nós” individual e anestesiando o “nós” colectivo.

Querem-no com ferocidade, não usando de contemplação: o castigo terá apenas o limite da sua própria obscenidade: a intimidação, a denúncia, a manipulação, a mentira, o escárnio público, abater-se-ão sobre os prevaricadores, qual raio ou trovão. A extrema-esquerda, radical de seu nome próprio, é aliás exímia na aplicação destes instrumentos que manuseia com a habilidade ácida do ódio. Temo-lo visto. É preciso licença prévia para pensar e depois dizer alto o que se pensou.

Qualquer “forma mentis” que não encaixe no novo código de conduta está automaticamente banida do seu direito de cidade, privada do oxigénio da liberdade e da vitamínica possibilidade da interrogação e debate. Há uma guerra cultural em curso.

2. Os novos proprietários das mentes&costumes não valem grande coisa eleitoralmente, nunca governarão sozinhos, o seu número no país é inversamente proporcional ao eco mediático que os propaga mas para quem não estiver distraído nada disso tem porém grande importância. Não tem, porque não é disso que se trata. É mais substancial, mais fundo, mais grave. Por isso, eles valem pelo que os deixamos conseguir valer.

Valem pelo aparente êxito com que corroem os alicerces que sustentam o berço civilizacional de onde somos, valem pelo modo como vão calcinando o que conhecemos como nosso mundo. Valem porque exibem o fôlego e a mestria dessa demencial empreitada que é o determinarem-nos: formantando-nos as mentes, anestesiando–nos as reações, domesticando-nos o instinto, incutindo-nos o receio de destoar. De ser expulso do coro onde impuseram uma nota só.

E valem, claro, pela desenvolta segurança de quem se implantou – cá dentro e lá fora — com estratégia e método. Ocupando lugares chaves tão relevantes como a Academia e a Media, convocando a Ciência para o festim, não descurando parte dos sistemas partidários, não esquecendo as representações parlamentares, cuidando da propaganda e do espectáculo. Oficializando enfim um novo mapa cultural e um guia moral (?) desconexos, híbridos, convulsivos, sem raiz. Saídos do nada. Em nome de uma abstrata “culpa ocidental” abatem-se valores, padrões, referências, história, memória (mas saberão eles que não há organização social capaz de vencer sem valores e sem passado?). Abatem-se como árvores, em nome do repúdio pela herança civilizacional recebida. Os novos proprietários exigem-nos numa palavra, que mudemos de pele cultural.

A isto se chama uma guerra.

3. Lá fora tudo “isto” está em estado de mais adiantada convulsão mas é fraco consolo: algo nos separa – para pior — do resto da Europa democrática e dos Estados de Direito a que gostamos de dizer que pertencemos. Separa-nos uma fractura que agrava a vulnerabilidade da nossa condição face à dimensão da catástrofe: o caminho está livre (ou parece livre) para ela, não há entrave, nem resposta aos novos proprietários. Refiro-mo obviamente a esse imenso espaço (metade do país?) do PS para a direita. Pouco o representa, poucos dele cuidam a não ser partidos exaustos e envelhecidos e meia dúzia de respeitáveis (e resistentes) políticos ou intelectuais. Não há instituições que se reclamem desse espaço, há pouco vigor, são escassas as iniciativas doutrinadoras ou políticas por ele produzidas. A discordância é expressa quase em surdina e desastradamente, e basta pensar na CIP para só citar um exemplo. Quanto à Universidade, faz pagar caro a professores e mestres fora do reduto da esquerda e agora fora do jardim envenenado do pensamento único ou da tirania do politicamente correcto.

Desde 1974 que a “media” ignora, despreza ou suporta mal a “ideia” de direita ou mesmo de centro-direita, troçando ou destruindo os seus líderes e ajudando a acabar com eles, mesmo que o voto os legitime. Ao contrário da Espanha, França, Bélgica, Alemanha, Holanda, e etc., em Portugal nunca se impôs, com substância e carácter definitivo, um jornal ou algo de parecido com um órgão de comunicação social de centro-direita, conservador ou menos conservador. O qual, como sucede nos países citados, funcionaria também como catalizador/produtor de opiniões, ideias, movimentos, debates ideológicos, pensamento político. Mas nem isso: o espaço continua semi-orfão, inorgânico, mal-amado. É um mistério.

A sociedade civil é tão débil quanto isso? As elites tão frágeis? A dependência do Estado tão avassaladora? Há metade do país sem voz nem vontade? O comprometimento deixou de ter significado e perdeu poder de convocatória? Não sei mas a fractura é grande. Do outro lado da guerra cultural em curso há quase só anestesia, mutismo, distração, indiferença. E simpatia até, quem sabe?

Impressiona. Ou não?

4. Posso parecer um daqueles automobilistas que entram em contra-mão na auto estrada achando que todos os outros estão enganados. Mas, caro leitor, o pior de tudo seria achar que subitamente exibo um fatal pessimismo ou que exagero, ao dizer-lhe que o meu mundo não é deste reino (e o seu, é?). Que me deu para aqui e se calhar acordei mal disposta. Não se iluda. Não conduzo em contra-mão, não estou fora de pé, sempre pude com os inimigos e tenho-me livrado, graças a Deus, dos “amigos”. O que não é mais possível é acordar e constatar que aquilo que na véspera se tinha como normal afinal não é. Por decreto emitido pelos novos proprietários, deixou de ser.

Far-me-ia por isso alguma impressão não ser capaz de contribuir para um alerta vermelho de perigo. Perigo sério, porque isto é a sério.

 

Tomar os portugueses por estúpidos

Texto lido :

https://www.youtube.com/watch?v=FPvjWM_aYJI&feature=youtu.be

 

Somos mesmo governados por cómicos, olhem o que foi publicado dia 1 de Junho de 2017 :

« Das alterações introduzidas em 2012, resultou uma redução de 10 % no montante diário do subsídio de desemprego, após seis meses de concessão. Esta redução opera independentemente do montante de subsídio de desemprego concedido. Tratando-se de uma prestação essencial para aqueles que se encontram em situação de perda involuntária de rendimentos do trabalho, afigura-se necessário introduzir nesta medida limites que assegurem o mínimo de subsistência. Neste sentido, introduz-se um travão a esta redução no valor do indexante de apoios sociais (IAS), enquanto referencial determinante na fixação e atualização das prestações de segurança social. Assim, a redução de 10 % no montante diário do subsídio de desemprego opera quando o seu montante mensal é de valor superior ao valor do IAS, mas desta redução não poderá resultar a atribuição de um montante mensal de valor inferior àquele indexante. »
Se forem ler a tal lei de 2012 descobrirão isto:

« Artigo 29.º […] 1 – O montante mensal do subsídio de desemprego não pode ser superior a duas vezes e meia o valor do indexante dos apoios sociais (IAS) nem inferior ao valor desse indexante, sem prejuízo do disposto nos números seguintes. »

Fontes :
https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/107114288/details/normal?l=1

https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/553468/details/normal?q=+Decreto-Lei+n.%C2%BA%2064%2F2012

 

O Escabeche Comunista

Vivemos num momento político em que a aliança tricolor entre PS/BE/CDU-PEV nos tenta convencer todos os dias, através de uma máquina de comunicação muito bem oleada, que eles sim são a salvação, que eles sim são a mudança e o fim da austeridade. Os coitados do PSD, historicamente, sempre foram asnos da comunicação, não sabendo esmiuçar as boas notícias até à última gota, não sabendo aproveitar todo o valor político que os bons resultados económicos que foram tendo ao longo do seu mandato. Mais, não souberam fazer oposição utilizando estes factos, como vieram a lembrar recentemente. Só agora é que se lembraram que de facto fizeram reformas que levou à liberalização do mercado das rendas, que facilitaram uma série de coisas que ajudou, e muito ao boom turístico que estamos a presenciar.

Não falaram e não insistiram desde o primeiro dia, que o Costa e Companhia Lda. iriam viver em estado de graça durante muito tempo graças ao executivo anterior, que viveriam sempre na sombra dos resultados macroeconómicos do prévio executivo (porque ao contrario do que alguns politico-comentaristas dizem, efeitos na economia devido a reformas não acontecem de hoje para amanhã) e que graças aos Portugueses, a nós os Contribuintes, e graças a grau de pragmatismo que há muito tempo não se via, conseguimos passar de 11% a 3% de défice em 4 anos, e conseguimos colocar Portugal no rumo certo para a recuperação. Agora, CLARO que foi longe de perfeito. Quando o PSD governa, surgem alas conservadoras que mexem em coisas que não deviam, ou pura e simplesmente ignoram outras áreas, ex. Simplex e modernização do estado, e isto não é ideal, tal como não é ideal o clientelismo e a pouca-vergonha que é a governação do PS que parece estar afincadamente focada só nos trabalhadores públicos. Enfim, as coisas vão transitando entre um partido e outro, e o contribuinte reza para que o bicho do fisco não nos prejudique mais do que já o fez.

Só que existem por aí uns tantos políticos, que se acham santos, que se dizem ser protectores do povo e salvadores do trabalhador, que recusam-se a condenar regimes como a do Nicolas Maduro ou do Kim Jong-Un, porque têm laços históricos com uma ideologia política antiga e vencida, logo não se pode criticar. Os nossos queridos Comunistas que tanto gostam de bater na tecla contra o “grande capital” e a burguesia e isto e aquilo, os vingadores que prometem acabar com as desigualdades tanto no público como no privado.

Ora surge hoje uma reportagem do Observador, cujo título é o seguinte: Câmara comunista oferece relógios de 880 euros a trabalhadores. Vou só deixar isso assentar um pouco. Preparados para mais indignação com este belo executivo comunista de Almada? Foram 150,000.00€ em relógios de luxo desde 2011 por ajuste directo a uma ourivesaria do município, sendo que só em maio (mais claro, em ano de campanha) foram €35mil euros em 43 relógios de luxo para homens e mulheres funcionários da câmara. Mais, em Dezembro foram quase €10mil em 65 smartphones para a festa de natal da câmara para os filhos dos funcionários, porque como a tradição era dar uma bicicleta, mas como a maioria já tinha, optaram por smartphones. Em 2015 foram tablets. E em 2017? Frigoríficos, Bimbis, carros? Quiçá uma moradia? Mais, parece que Almada é o único município que tem um festival de música que dá prejuízo, e dá prejuízo de mais de 744mil euros…

Para ser ainda mais claro: o teu dinheiro que sai do teu bolso todos os dias, que contribui para que possamos ter quiçá um estado que no mínimo dos mínimos nos preste um serviço digno no que calha à organização municipal, à saúde, à educação, à manutenção das infraestruturas, etc., está a ir directamente para alimentar um sonho molhado de qualquer comunista: os outros que paguem, para que eu ganhe. €150,000.00 em relógios para os funcionários comunistas e regalias para os filhos dos comunistas todos os anos que custam mais de €10,000.00 ao contribuinte, mais um festival anual na Caparica que custa mais de €700,000.00 em prejuízos. Garantidamente não há de ser a única Câmara a fazer este tipo de porcaria, mas enquanto os outros partidos tentam desvalorizar este tipo de corrupção (porque sim, este tipo de actividade é corrupto), o Partido Comunista anda por aí constantemente a meter-nos pela garganta abaixo que tem que se defender o povo do grande capital e bla bla bla. Se já valia pouco, agora vale ainda menos. Resignem-se ao CGTP, façam um rebranding, e deixem o comunismo na lixeira da história das más ideias cuja execução conseguiu ser sempre ainda pior do que se idealizava.

O facto é que o Jerónimo e o seu comité pertencem à mesma quadrilha que nos anda a assaltar com todas as ferramentas e recursos que têm ao dispor. O objectivo deles torna-se cada vez mais claro: querem como os demais serem senhores disto tudo e viver por conta de todos os contribuintes, para sempre. Querem sentar-se na mesma mesa que o resto do poder, querem poder fazer estas falcatruas sem olharmos. Mas é lixado, existe a informação e quem saiba ler e escrever…

Por isso, se por acaso forem ao Festival Sol da Caparica, e se por acaso se cruzarem com o camarada Joaquim Judas (nome perfeito) ou com um dos outros camaradas com uma bela adição à sua indumentária de luxo, peçam um momento do tempo deles para que eles vos possam, em pessoa, agradecer: afinal, tanto o festival como os relógios foram pagos por vocês.

Portugal com Vida Suspensa à Beira de uma Paragem Cardíaca

Na minha última publicação falei de uma das graves falhas na comunicação social, o fetiche pelo ciclo de indignação-esquecimento. Hoje achei que deveria promover um tipo de jornalismo que não é suficientemente valorizado dado que não é mediático, é mais cerebral, requer trabalho. Existem investigações de grande qualidade feitas por programas como o Sexta às 9 da RTP, os vários trabalhos das Vidas Suspensas ou o Acha Que Conhece o Seu País? da SIC ou como outro exemplo, o último Repórter TVI sobre as Contaminações dos terrenos do Parque das Nações. Entre estas, por vezes também somos expostos a investigações titânicas por parte da SIC que demonstram pequenos exemplos das redes de corrupção e o alcance da podridão que corrói a sociedade portuguesa, como na queda do BES, a operação Marquês, o BPN, BANIF, etc etc.

Este tipo de reportagens não são inconsequentes, alias, necessitamos de um ressurgimento deste tipo de trabalho. Acho que merecemos, acho que precisamos e com muita, mas muita urgência.

Chegamos a uma era em que a transparência é cada vez mais nítida e a informação cada vez menos concentrada nas mãos da auto-intitulada elite. Essa transparência e esse acesso à informação são os principais inimigos de quem se enriquece às nossas custas e de quem faz de nós uns verdadeiros otários dia após dia.

Todas as sextas-feiras fico de boca aberta com a falta de rigor, profissionalismo e qualquer ausência de responsabilização por parte das entidades que sistematicamente desfazem famílias e lançam o caos perante os portugueses. O Sexta às 9 tem feito um trabalho exímio em reportar algumas grandes falhas do nosso sistema, e em alguns casos levaram a consequências e a pequenas reformas. Merecem o reconhecimento disto, mas infelizmente, ainda não é o suficiente.

Ao ver qualquer daquelas reportagens, seja na RTP, SIC ou TVI, chegamos à conclusão que não podemos confiar em quem está em posições de poder. Vivemos num país com mais de 600 mil funcionários públicos, uns com mais poder que outros, mas todos invariavelmente com o poder suficiente para afectar profundamente as vidas de cada um dos milhões de portugueses que vivem dentro e fora de Portugal. Se viver à margem da responsabilização e da supervisão não fosse o suficiente, ainda temos o resto da sociedade para enfrentar, o que me dá a distinta ideia que vivemos de facto num país muito perigoso. Um poder governativo sem supervisão e uma sociedade à viver à margem da lei não são bons ingredientes para garantir “a paz social”.

Podemos não ser alvo das ondas terroristas e xenófobas que esbarram pelo mundo fora, muito devido à nossa ausência de aventuras militares em países que não nos dizem nada e também devido à nossa história e cultura que tendencialmente é aberta a novas ideias e novos horizontes.

Podemos não correr estes riscos mais iminentes e podemos não sofrer destas ameaças à nossa democracia e liberdade, mas corremos perigo, disso garanto-vos.

Neste momento somos governados num ambiente em que nos é encafuado goela abaixo, que nem uns belos patos para fazer foie grás, que nada de mal se passa, tudo é fantástico, e tudo corre bem.

Vivemos bem para além do país das maravilhas e completamente alheios à realidade que suspende as vidas de milhares de portugueses todos os dias. Ignora-se o que é de facto sério para dar foco sem fim à política macroeconómica do país. Baixamos uma percentagem no défice, aumentamos outra no crescimento trimestral, mexe uma vírgula aqui, outra ali.

Passamos noticiários inteiros e programas de “debate” político a “comentar” quem é que tem o mérito da boa nova, porque assim quiçá o plebeu poderá aumentar, um poucochinho, a confiança neste ou naquele grupo de palhaços a orquestrar o próximo ato do circo que são as sessões parlamentares.

Distraem-nos com debates sem fim, sobre a grande obra e a grande luta que combatem, para ajudar os pobres, para combater a precariedade, para lutar contra o grande capital, para ir buscar o dinheiro a quem acumula e a quem foge à tributação. Gritam e batem o pé, e embora não façam assim grande coisa que se veja, ainda se congratulam com tudo o que é de bom. Seja o tetracampeonato do Benfica, seja o centenário de Fátima, seja o Salvador e a conquista daquela “coisa” como o próprio Sobral chamou o troféu da Eurovisão, tudo mas TUDO o que seja de positivo é de obra e mérito única e exclusivamente deles. E aí de vocês se não agradecerem todos os dias ao pai, ao filho, ao espírito santo e à sagrada geringonça por terem comida no prato. Ou neste caso, a engorda que nos eventualmente levará a um fígado bem gordo, pronto para a sua colheita.

Ontem nas Vidas Suspensas da SIC apresentaram uma história, que como todas as outras, me deixou a perguntar, mas que raio é que se passa aqui?

Resumidamente, contaram a história de um senhor que trabalhou a vida toda para construir a sua vida (como muitos), que no próprio dia em que a empresa informou os seus trabalhadores que teriam que trabalhar todos até uma hora mais tarde do que o programado, ele teve o desplante de informar que não poderia fazê-lo pois já tinha compromissos marcados que não podia falhar.

A empresa decidiu retaliar, retirando-lhe horas de trabalho extra, decidindo não pagar o trabalho de feriados e dos tempos extraordinários, e este senhor, mais uma vez, teve a audácia de se queixar ao tribunal do trabalho. Ora a empresa quando descobre, abre processo interno contra o senhor, inventa umas justificações fictícias para o por na rua, despedindo o mesmo, dizem eles, por justa causa.

O senhor no desemprego recorre à justiça que entretanto não lhe atribui advogado. Senhor perde o carro, a casa, a mulher e a família. Pede a múltiplos advogados para o representar, e teve a má sorte em quem aceitou representar, que o faz mal e porcamente. São indicadas 4 testemunhas para falar em defesa dele, só foram convocados 2 no dia antes do julgamento.

As testemunhas da empresa mentem em tribunal, e os dois colegas que tiveram o desplante de falar em defesa do seu colega eventualmente também saíram da empresa por “incompatibilidades”. O senhor tenta interpor recursos mas o advogado diz que não tem tempo pois esbardalhou-se pelas escadas abaixo, que se encontra em recuperação e não pode tratar do assunto. Ora o senhor estando no desemprego vê esse mesmo advogado fino que nem um figo nesse mesmo dia. Enfim. Está neste momento de vida suspensa pois a nossa sempre célere justiça trata estes casos, como tantos outros com a urgência que merece: ou seja, para eles, nenhuma.

E ficamos ali, a pensar que de facto, é mesmo assim. Que vivemos num país em que se te atreves a abrir a boca, a contestar o que for, a reclamar direitos ou no mínimo dos mínimos, dizer que não, então é bom que tenhas uma artilharia de cunhas, connects e amigos que possam ajudar a enfrentar as consequências que vierem.

Uma pessoa diz à sua gestão, que não é competente o suficiente para anunciar as suas escalas de trabalho com antecedência, que não pode trabalhar essa hora extra, e tungas, três funcionários vão para a rua, efectivamente dando cabo de três famílias. É nisto que vivemos, não podemos levantar a cabeça porque não temos quem olhe por nós. 600 mil funcionários públicos que deveriam ter sentido de estado, que deveriam saber que estão lá para nos servir, para nos proteger, para ter em mentes os nossos melhores interesses, querem lá saber dos restantes milhões de portugueses que pagam o ordenado deles. Querem é saber dos seus salários, das suas férias, das suas reformas, dos seus aumentos, do seu crescimento, das suas horas de trabalho, dos seus direitos, etc. E temos a governar-nos quatro partidos que são peritos em proteger esse seu público alvo de 600 mil eleitores, com a sua máquina sindical pelo meio, e é por isso que eles têm direito a tolerância de pontes que não existem e o resto de nós não.

O perigo que existe aqui, é que enquanto uns governam a olhar para o seu umbigo, o resto do país anda a ser categoricamente e consistentemente fodido (tipicamente não uso palavrões mas não havia outra palavra que melhor descrevesse o que sinto). Mas como pintam o ar de cor de rosa, parece que afinal as coisas não andam assim tão mal.

As coisas andam mal, e olhem que eu sou um optimista! As coisas andam mal: perguntem só aos moradores do parque das nações que andam a respirar benzeno, ou às famílias vítimas de técnicas da segurança social que pertencem a esquemas para preencher os orfanatos com crianças retiradas ilegitimamente aos pais, ou aos milhões de portugueses que sofrem todos os dias perante a grossa incompetência de funcionários públicos que querem é ir picar o ponto para ir para casa antes do resto dos plebeu poder sair do trabalho, horas depois, e sem direito a ordenado extra.

O perigo é claro e gritante, e com cada trabalho de jornalismo destes que desmonta um esquema e demonstra a bandalhada que por cá governa e gere o estado, o mais nos aproximamos daquele momento em que um Mohamed Bouazizi (senhor que se auto-imolou e foi estopim dos protestos dos protestos na Tunísia) destas bandas se suicida às portas da Assembleia da República devido à ausência de um estado que sirva para governar para além dos seus clientes imediatos, ou seja, eles. Tenham cuidado, comecem a reformar, e rapidamente pois a coisa não irá correr bem. Reformem e ponham-se a mexer que não estamos assim muito longe daquele momento em que perdemos a cabeça. O povo português é pacato e consegue aguentar muito, mas aguentar muito mesmo. Mas após 40 anos de andarmos a ser enganados e esmiuçados de milhares e milhares de milhões de euros para financiar todo um quadro de bandidos de primeira, já o Thomas Jefferson dizia, que para manter a democracia, eram necessárias revoluções todas as gerações. A próxima revolução não necessitará de tanques e soldados na rua, mas garanto que muita gente irá para a cadeia, porque não admito que os Salgados da vida passem a vida em bem, mas se eu roubar um pão para alimentar a minha família vou preso e custar ainda mais aos contribuintes.

Eu recuso-me a pagar outro resgate. Isso garanto. E vocês?

Da absoluta falta de vergonha

O gráfico em cima mostra qual era a percentagem dos apoios do Estado que iam aos 20% mais ricos e pobres nos países da OCDE em 2011.
Aprendemos assim que em 2011, ou seja antes do Triunvirato e da malvada austeridade do Governo PSD-CDS, o 20% mais rico de Portugal usufruia de 40% dos apoios sociais.
Leram bem, os 20% mais ricos dos nossos compatriotas usufruíam de 40% dos gastos do Estado em apoios sociais.
Pelo contrário, o 20% mais pobre nem 10% de esse montante recebia, enquanto que os 60% restantes, a “classe média”, recebiam os 50% restantes.
Quando o PS, o BE, e o PCP falam de remover a austeridade é isto que eles querem ver continuar.
Quando os esquerdistas vos chateiam com a desigualdade é isso que eles propõem como solução.
Quando vos acusam, homens e mulheres de Direita, de serem egoístas é isto que os vossos inquisidores defendem.
Eles defendem que:

Os 2 milhões de portugueses mais abastados recebam, cada um, de apoios sociais do Estado 8100 euros anuais, 675 euros mensais em média!!!

Eu gostaria que espalhassem esta imagem por todo lado. Estou farto, enquanto liberal, de ser catalogado como um horrível monstro insensível por um bando de ignorantes lacaios do Estado que se estão a borrifar pelos mais carenciados!

Estou farto de ver o meu país ir abaixo, tudo isto para dar meia dúzia de privilégios que permitem aos visados terem ordenados menores que um operário da construção civil na Suíça!