Os Comunistas são os novos capitalistas

O título deste artigo é como se fosse um charada, ou como se fosse escrito por uma Catarina Martins em estado de transe depois de ter inalado a canábis da empresa do qual o ex-presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, é consultor. Ou ainda, talvez por um Jerónimo de Sousa que cujos casquilhos cerebrais não tenham sido substituídos pelo seu genro ou afilhado do Carlos César. Mas, ainda assim, o título não deixa de ser o quadro mais realístico da surrealidade que é a política portuguesa desde que o reino da vaca voadora teve início nos tempos idos do final de 2015.

Vamos por partes para que os genros da comunidade política do Avante percebam de modo mais ou menos aprazível. Jerónimo de Sousa, recusou ter qualquer envolvimento ou ainda conhecimento das actividades do seu genro com a câmara de Loures. Mas, Bernardino Soares, Presidente da Câmara do concelho já mencionado, diz em comunicado que de facto houve trabalhos do genro de Jerónimo para a Autarquia e feitos a “preços de mercado”. Tanta sonoridade para chegarmos à conclusão que o comunismo pratica “preços de mercado”, portanto paga consoante o que o mercado paga para este tipo de trabalhos. Marx dá voltas ao túmulo como a Fernanda Câncio dá voltas na poltrona que Sócrates tem na sua casa na Ericeira.

Entretanto o PCP ainda nos diz que:” a reportagem da TVI “uma abjeta peça de anticomunismo sustentada na mentira, na calúnia e na difamação”, acusando aquele canal de televisão de sucumbir à “mercenarização do papel jornalístico”. Se fosse alguém da direita a fazer o mesmo Jerónimo aplaudia de pé e com tachos emprestados pela mãe do Carlos César, como a careca do secretário geral do PCP foi descoberta qualquer peça jornalística, e estamos em democracia claro, que tenha o pudor de investigar o partido português que detém o património imobiliário mais extenso e valioso deste País, dando festas com isenção de imposto, é considerada de extrema-direita e a “Democracia”, tal nome pomposo que reluz da boca dos camaradas, passa do pedestal para a lama em milésimos de segundo.

O problema da extrema-esquerda em Portugal é que a democracia só é considerada democracia, pelo menos aos olhos e sensibilidades deles, quanto esta lhes favorece e lhes amplia o poder de actuação. Tudo o que ponha em causa o poder tentacular do PCP ou outro partido de extrema esquerda em Portugal é um abuso, um devaneio como se fossem donos de uma democracia que foi criada depois de uma tentativa da manutenção de uma ditadura do PCP de Vasco Gonçalves em 1974. O problema não é Jerónimo ter conhecimento ou não do caso, o problema é Jerónimo de Sousa, líder de um partido português que se diz anti-fascista, tecer comentários fascistas contra a liberdade de informação e expressão como: insinuações, boatos e infâmia.

E claro, o genro de Jerónimo não fala com o sogro. É mudo, e também deve ser surdo. O nervosismo de Jerónimo quando lhe perguntaram sobre o tema diz  tudo, bem como a atitude prepotente e autoritária que teve, de certeza com inspiração dos grandes líderes assassinos que apregoa. O genro de Jerónimo também com certeza que não deixou cair nenhuma lâmpada e não comentou com o sogro. Jerónimo não sabia de nada, dizia ele. Não tinha conhecimento, dizia ele. Depois já sabia e a colagem a “cunha” era infâmia, insinuação e boato. A esquerda portuguesa é bastante democrata, é já um facto consumado. A próxima trabalho do genro de Jerónimo é a manutenção da estátua de Hugo Chávez na Amadora. É certo.

Mauro Oliveira Pires