Uma “família” sem vergonha

Não há mais nenhum caso como o nosso na Europa. Nenhum. Somos manifestamente uma “República familiar” onde quase todos os parentes do PS têm lugar no governo. Uma vergonha que nos coloca ao nível dos países mais corruptos e ditatoriais mas que não envergonha nadinha o PS que usa e abusa do nepotismo para se instalar e perpetuar-se no poder. Isto não é uma democracia. Isto é um “polvo”. Uma “família siciliana”. Um negócio.

Não lembra nem ao diabo ter no mesmo governo a família inteira Vieira da Silva:   pai,  mãe e  filha. Como não lembra ter inúmeros cônjuges, filhos, noras, irmãos e amigos (estes nunca podem faltar). Preparados para a lista extensa? Aqui vai:

  • João Gomes Cravinho, ministro da Defesa, é filho do ex-ministro João Cravinho;
  • António Mendonça Mendes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, é irmão de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS;
  • Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, é marido de Ana Paula Vitorino, ministra do Mar;
  • Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, escolheu recentemente o advogado Eduardo Paz Ferreira para presidir à comissão que vai renegociar a concessão do terminal de Sines (em cima da mesa: 100 milhões de euros para expansão do terminal);
  • O advogado Eduardo Paz Ferreira é marido da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem;
  • Maria Manuel Leitão Marques, que agora deixou o governo, irá ocupar em Junho o cargo de deputada do PS no Parlamento Europeu;
  • Esse cargo já antes foi ocupado pelo seu marido, Vital Moreira;
  • A mulher do eurodeputado Carlos Zorrinho, Rosa Matos Zorrinho, deixou de ser secretária de Estado da Saúde, mas foi, entretanto, nomeada para presidir ao conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Central;
  • Guilherme Waldemar d’Oliveira Martins, filho do ex-ministro Guilherme d’Oliveira Martins, também deixou agora de ser secretário de Estado das Infraestruturas, após António Costa ter nomeado para ministro do Planeamento o seu amigo Nelson de Souza;
  • Nelson de Souza vai juntar-se no governo ao grande amigo Pedro Siza Vieira, ministro-adjunto;
  • Há ainda outro grande amigo, Diogo Lacerda Machado, que nunca quis ir para o governo, mas foi ajudando bastante, até acabar administrador da TAP. (Fonte Crónica Miguel João Tavares).

Calma que ainda não acabou:

  •  Pedro Nuno Santos é casado com Ana Catarina Gamboa, também ela com um passado de dirigente da JS e mais recentemente assessora do amigo e ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Duarte Cordeiro;
  •  A mulher de Duarte Cordeiro, Susana Ramos, foi directora do departamento social da autarquia da capital, mas em Março de 2017 foi escolhida para coordenar um organismo criado pelo governo nessa mesma data;
  • O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, trabalhou com a mulher no próprio Ministério. Isabel Marrana foi chefe de Gabinete de uma das secretarias de estado, até ter pedido a demissão há 6 meses;
  • No gabinete do primeiro-ministro, está Patrícia Melo e Castro como assessora, cunhada de Ana Catarina Mendes, a número dois de António Costa no partido, que por sua vez, é irmã do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes;
  • No Ministério dos Negócios Estrangeiros encontramos Francisco, como Técnico Especialista desde 2015. E numa empresa da Defesa Nacional, vemos o irmão mais novo, João Maria, como assessor. (Fonte RTP Notícias)

Espere não se vá já embora. Agora vem a família de César:

  • São cinco: além do líder parlamentar socialista, Carlos César, há outros quatro “césares” na administração pública e em cargos públicos;
  • a mulher foi nomeada pelo Governo regional;
  • o filho foi eleito pelo PS regional;
  • a nora nomeada por uma secretária do governo regional;
  • o irmão escolhido pelo ex-ministro da Cultura do actual Governo. (Fonte Sábado)

Está já cansado? Resista mais um bocado. Em Elvas, um concelho liderado pelo PS, a RTP denunciou recentemente o autarca Nuno Mocinha que abriu um mega-concurso público  onde colocou 27  familiares seus. (Fonte RTP Notícias)

O que é que isto nos diz sobre nosso país? Exactamente aquilo que não queremos ouvir nem admitir: que somos culturalmente uma desgraça, sem princípios, sem valores, sem ética e que a “cunha” e “amiguismo” está no nosso ADN. Uns mais, outros menos. Mas é um facto. Se auditássemos o país  todo tenho a certeza que ficaríamos anos de boca aberta sem a conseguir fechar de tantos “negócios familiares” que encontraríamos no poder público. Esta é a nossa triste realidade que faz de nós um país pobre e mal governado.

Perante tamanha evidência esperava-se que o Presidente da República puxasse as orelhas aos meninos mal comportados ao invés de afirmar vergonhosamente que este governo “tem laços familiares por mérito próprio”. Se já a situação em si nos deixa manchados junto da opinião internacional, o Presidente legitimou a nossa tradição de “chico-espertice”  ao apoia-la. Que tristeza.

É preciso urgentemente pôr um ponto final nisto e tal como na França (e muito bem), proibir estas práticas. O Governo não é o Centro de Emprego para gente inútil  que nunca trabalhou na vida e que mais não tem no currículo que cursos superiores, mestrados  e doutoramentos (alguns feitos aos domingos) com experiência zero fora da vida política, que nunca se submeteu sequer  a uma entrevista de trabalho ou concurso.  Exige-se que quem exerça cargos públicos seja efectivamente competente e com um percurso profissional de pelo menos de 11 anos fora da bolha política. Porque é no terreno que se formam bons profissionais. E só bons profissionais formam bons governantes

Cristina Miranda

Via Blasfémias 

Quem não “Robles” não mama

Foi delicioso ver o BE apanhado na especulação imobiliária e alojamento local despejando inquilinos e recusando pagar as respectivas indemnizações; com um prédio comprado por 327 mil e posto à venda na Christie’s pelo valor de 5,7 milhões e escapar ao imposto Mortágua porque está avaliado nas finanças pelo preço da uva mijona no tempo do D. Afonso Batata; confirmar que são empresários capitalistas e especuladores imobiliários e que, vejam só, até recorrem a fundos da UE , eles que se dizem anti-europa! Digam lá, sinceramente, se isto não é extraordinário?

Apanhados literalmente a mamar no capitalismo, veio depois as desculpas esfarrapadas dignas dum programa humorístico ao estilo “Malucos do Riso”: “ai e tal porque quem é anti-capitalista não tem necessariamente de ser pobre” ou ” ai e tal porque Robles queria vender por 5,7 milhões mas não vendeu logo não há especulação” ou ” ai e tal porque estão a perseguir o BE por querer acabar com os interesses imobiliários e proteger o direito à habitação (ah! ah! ah!)” ou “ai e tal porque Ricardo Robles manteve com todos os seus inquilinos uma relação inteiramente correta, assegurando os direitos de todos (ah! ah! ah!)” ou – só mais esta porque são tantas – “ai e tal porque foi uma opção privada, forçada por constrangimentos familiares e no respeito pelas regras legais”. De chorar a rir!

Bom, mas isto não se fica por aqui. Analisando os factos mais de perto, percebemos que Robles conseguiu um empréstimo de 500 000€ na CGD com um rendimento declarado de 21.132,05€! Ou seja ficou a suportar uma prestação de 1260€ com um rendimento mensal de apenas 1761€ representando uma taxa de esforço de 72%. Uau!! Que milagre foi este? Isto nem com aval lá vai! E logo na CGD que como é sabido por quem geriu durante décadas empresas como é meu caso, é dos piores bancos a apoiar a economia quando se trata de pequenos e médios empresários. Mais: como obteve Robles autorização para mais um andar num prédio histórico e licenciamento em tempo recorde? Mãozinha do então Presidente António Costa e agora, Medina? E a informação privilegiada que terá recebido sobre a venda do prédio da Segurança Social? Catarina pelo seu lado foi aos fundos do FEDER (dinheirinho da UE, ah! valente!) no valor de 145 000€ para aplicar no Sabugal, em alojamento local, mas onde os clientes não conseguem ver o investimento lá feito de tão fraco e remediado que é, lembrando mais o recheio de uma loja de bens usados. Mais: soube-se que pagava aos dois únicos empregados 1,57/hora de acordo com os dados oficiais. Grande exploradora laboral que esta nos saiu, não?

Perguntam agora vocês e muito bem: mas há algo de errado em ser rico? Ter propriedades e empresas e lucrar com elas, desde que dentro da legalidade? Claro que não! Sejamos todos ambiciosos empreendedores e pró-activos que Portugal bem precisa pois de parasitas está ele cheio. O que não pode, está erradíssimo e é contra todos os princípios da ideologia que apregoam, é ser-se marxista capitalista. Isso é um ultraje. Porque de acordo com o que defendem, a propriedade privada só pode ser para habitação porque as rendas são exploração; as empresas têm de ser do Estado para impedir a exploração laboral; negócios próprios nem pensar porque gerem lucros e isso também é o resultado da exploração laboral. Só o Estado, que segundo eles deve concentrar em si todos os meios de produção, os pode ter para distribuir de acordo com as necessidades de cada um através de um salário igual para todos suprimindo assim qualquer desigualdade. Nesta ideologia só é permito ao Estado ser rico. O povo tem de ser todo igualmente remediado para não dizer pobre para que ninguém possa ter mais poder que o Estado. Ora, como podem estes bandalhos defender o que vem descrito no manifesto de Marx, impingindo-nos este tipo de sociedade disfuncional e depois, em privado, operarem como grandes capitalistas? Mas não há vergonha na cara?

Agora desmascarados duvido que Robles queira repetir o famoso orgulho manifestado em vídeo dos tais “11 meses seguintes ao 25 Abril com ocupações, nacionalizações, cooperativas de habitação e reforma agrária” pois não vá alguém entusiasmar-se com “tão nobre discurso” e ocupar as propriedades que possui. Bem, sinceramente se acontecesse era bem merecido.

Assim, o melhor seria admitirem de uma vez que a ideologia que defendem é “tão boa e gratificante” que nem eles a querem. Que defender o marxismo é impor o fracasso individual e colectivo porque limita as liberdades que eles não dispensam e assumirem sua “transexualidade política” à direita.

Ao menos assim, estarão de acordo com o que praticam. Fica a dica

Cristina Miranda

Via Blasfémias

O Triunfo Dos Porcos

De tragédia de excepção que confirmava a regra durante 7 dias (Costa dixit) a uma grande vitória em 24 horas (Cabrita dixit)

Pelo meio, o maior incêndio de toda a Europa, que deixa um balanço de completa destruição de 27 mil hectares de floresta e exploração agrícola, completamente reduzidos a cinzas, mais de 60 habitações destruídas, mais de 100 pessoas desalojadas, mais de 40 viaturas incendiadas, mais de 80 feridos, dos quais 34 com gravidade, e mais de uma centena de animais domésticos carbonizados, centenas de milhões de euros de danos e prejuízos, que levarão em alguns casos, dezenas de anos para poderem ser recuperados.

Mas segundo o ministro da administração interna, Eduardo Cabrita, foi uma grande vitória, pois podia ter sido pior.

Desta vez temos que lhe dar razão, pois de facto podia ter sido pior.

Podiam ter ardido 28 mil hectares, 61 habitações, 101 desalojados, 41 viaturas carbonizadas, 81 feridos dos quais 35 com gravidade várias centenas de animais domésticos carbonizados e podiam ter sido milhares de milhões de euros de danos e prejuízos.

Piegas estes portugueses. Sempre a queixarem-se e sempre a exigir soluções, eficiência e eficácia aos governantes e aos serviços do Estado, como se isso lá fossem coisas que pudessem ser exigidas ao Estado, a políticos e governantes.

Uma grande vitória de facto, da hipocrisia, da incompetência, do embuste, da falácia, da mentira, da mais asquerosa e vil desenvergonhada falta de vergonha.

Ou como escreveu George Orwell na sua obra “O Triunfo dos Porcos”: todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que outros”, e também em Monchique, uma vez mais, triunfaram os porcos.

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Ministro Cabrita

Jerónimo pode Chumbar o Orçamento

Dizia-se, em tempos, que o Governo de António Costa e os seus gnomos da corte eram uma Geringonça governamental, Costa mudou o jogo, hoje é a Matrioska governamental. Catarina foi engolida, Jerónimo foi a seguir, depois Costa neutralizou Arménio Carlos através dos botões auxiliares que tem no controlo remoto, guardado precisamente naquele famoso e bolorento casaco verde, que o Primeiro-Ministro usa em situações em que normalmente foge para destinos mais paradisíacos.

O objectivo do jogo é ganhar, qualquer um, seja pela via do mérito, ou então, pela via da usurpação, canal que António Costa ao longo dos seus 25 anos na Política(nunca fez nada para além de receber o nosso dinheiro), sempre usou e com orgulho, finalizando com um sorriso ardente de cinismo.

O objectivo era ser Primeiro-Ministro, atingindo tal coisa Costa tinha que usar as suar armas, neutralizando o PCP e o Bloco e dando uma palha ou outra, dizem que a Catarina gosta de rebuçados de mentol, votar PS era a mesma coisa que votar no PCP ou no BE, isto na perspectiva do eleitorado destes dois últimos partidos. Costa sabe que se sugar o eleitorado urbano, “chique”, das construções sociais, por outras palavras, o eleitorado do BE, estruturalmente o PS que já é dono do regime, passa a sê-lo mas de modo vitalício.

Aqui chega a hora de Jerónimo. Se por um lado o PCP tem um eleitorado estanque, que não passa dos 6-8% mas que ao menos não faz uma má figura eleitoral, o Bloco tende para o PS, é volátil, infantil e claramente inconstante, Catarina Martins vende-se por um qualquer cargo- já avisou que os quer- governativo, enchendo o aparelho de Estado com os seus amigos dos acampamentos. Jerónimo chumbando o Orçamento dá a maioria absoluta ao PS, não fazendo parte de mais nenhuma geringonça, Jerónimo coloca o BE numa situação de gritaria, esquizofrenia colocando Catarina Martins, Mariana Mortágua e afins de olhos em bico e em modo de esganiçadas, atitudes diárias que não lhes custa fazer.

Jerónimo perde o poder de pressão legislativa que tem hoje, algum pelo menos, mas não perde muito mais, o PCP controla parte do aparelho de Estado, controla maioritariamente os sindicatos portugueses e pára o País quando quer e quando lhe apetece, basta o caro leitor andar no metro de Lisboa e afins, para se perceber que Portugal continua com um Partido inconstitucional que pratica actos de terrorismo económico. Já Catarina, perde o vestido de noiva, perde o anel de diamantes e o sapatinho. Em resumo, fica insignificante, como sempre foi aliás, mas agora pode ser oficial. Coloquem rolhas nos ouvidos, vão precisar.

Por mais que Catarina queira os cargos, o aparelho, o Estado, se o PS ganha com maioria absoluta é um adeus efectivo, porque Costa não fará um terceiro mandato, ser Presidente da República é outro objectivo da nossa Naja de serviço. E, mais uma vez, Jerónimo sabe disso, a degradação da economia portuguesa começa a acentuar-se, não há reformas novas e as que foram feitas não houve seguimento, Costa sabe que tem que reformar é pragmático, daí os namoriscos à esquerda e à direita.

No fundo, Costa é bígamo, mas de casaco verde e com calinadas dignas de um Show televisivo do Jorge Jesus, parece me outra coisa, mas não me apetece referir, talvez a Catarina quando estiver solteira e voltar ao charro nos saiba dizer o que é.

Mauro Oliveira Pires

A Catástrofe das 35 horas no SNS

Quando criaram a Geringonça e tomaram conta do poder, prometeram tudo e mais um par de botas. Em cima da mesa estavam todas as medidas de austeridade impostas pela Troika por via do desgoverno de Sócrates – e cuja culpa recaiu sobre Passos – que era preciso reverter, custasse o que custasse, só por populismo, sem qualquer responsabilidade. Com os cofres cheio de dinheiro deixado por Maria Luís Albuquerque, a tarefa não foi difícil. Enquanto havia para distribuir, andava tudo bem no “país das maravilhas socialistas”. O problema (o de sempre) foi quando passado um ano o dinheiro esgotou-se. Puf! Dissimuladamente, enquanto Costa continuava a pregar aos burros “boas novas”, Centeno pela calada, cativava. E cativava. E cativava. Tudo mais ou menos “controlado” (diga-se, escondido) até ao momento em que a aplicação das 35 horas dá a machadada final e implode o SNS. Já havia avisos que a catástrofe era iminente: um  aumento colossal da dívida do SNS; falta de equipamentos, medicamentos e materiais como compressas e fios de sutura; falta de enfermeiros; falta de médicos especialistas. Mas o pior estava para vir…

Não é preciso ter um QI sobrenatural para perceber que, para haver redução da carga horária de 40 para 35 horas, ou há gente a mais e estão todos a “lamber sabão” no trabalho – e aí até sobra pessoal, logo a redução não afecta os serviços representando uma poupança –  ou fazem mesmo falta e nesse caso, ao reduzir o horário laboral vai provocar necessidade de novas contratações urgentes e consequente aumento de despesa. Não há aqui milagres. Dizer-se que esta lei não aumenta a despesa é desonesto. Sobretudo quando falamos do SNS que ao contrário doutros serviços (há por aí muitas instituições públicas inúteis e cheias de gente), já estava carente de muitos profissionais já com as 40 horas semanais. Logo, reduzir sem compensar com contratações de mais funcionários era um  “assassinato” previsível ao SNS.

A catástrofe tinha de acontecer a qualquer minuto. Mesmo com a parca compensação das 2000 contratações, a entrada em vigor para o sector da saúde a 1 de Julho das 35 horas provocou um “tsunami” devastador que ainda não parou de fazer estragos sérios no ministério da saúde: o Centro Hospitalar de Vila Real vai encerrar 50 camas e o bloco cirúrgico oncológico; as grávidas do Hospital Alfredo da Costa são transferidas a meio do trabalho de parto; demissões no Centro Hospitalar Lisboa Central onde se exige plano de catástrofe; a maternidade do Alfredo da Costa que encerra 3 salas de parto; o fecho da unidade de cuidados coronários da Guarda; o Hospital S. João que  encerra 70 camas e alguns blocos operatórios; o Hospital de S. José sem urgência de cirurgia vascular; o Hospital de Lamego que vai fechar 6 camas nas especialidades de cirurgia e medicina. Ao todo já encerraram em todo o país mais de 240 camas em diversas unidades hospitalares. Onde estão os activistas dos cordões humanos frente à Maternidade Alfredo da Costa no tempo de Passos? Morreram? Imigraram?

Costa, ao “estilo Gaspar” sem Troika,  já veio dizer alto e bom som no Parlamento que não há dinheiro. Que é preciso estabelecer prioridades (é verdade! quem diria!). Deve ser por isso que  mandou prosseguir com as obras  no IP3, vai avançar com um financiamento a Moçambique no valor de 202 milhões de euros e atribuiu sem qualquer controlo 4 mil milhões em subsídios enquanto a ala pediátrica do S. João continua à espera dos 5 milhões prometidos e o SNS estoura por falta de contratações urgentes e obrigatórias de todo o tipo de pessoal.

Que diz entretanto Marcelo sobre o caos instalado na saúde? Que é preciso esperar para verOk. Foi exactamente o que vimos em Pedrógão. Esperamos e vimos a morte de centenas de cidadãos. Prevenção não é nosso forte e com um Presidente que ao invés de puxar as orelhas e estes “miúdos irresponsáveis” dá-lhes AINDA, depois de todos os falhanços vergonhosos, o benefício da dúvida a qualquer hora, estamos entregues à bicharada. Como se já não bastasse, ainda foi dizer que a dívida (sim, a dívida pública que não parou de subir desde a entrada da Geringonça) subiu mas vai baixar, qual astrólogo do bem aventurado milagre económico e financeiro que nunca acontece a não ser na imaginação dele!

Entre as “prioridades” de Costa e a “fé cega e surda” de Marcelo, venha o diabo e escolha!

Cristina Miranda

Via Blasfémias

 

Obama, Catarina Martins e os Cogumelos

Ontem à noite fui obrigado, de modo solene até, o sono já batia à porta, em ver desenhos animados com cães a voar, só faltava a vaca, mas salvo erro tinha um pinguim(Não é diferente do Marcelo..), adiante, tal bonecada fez me lembrar os novos acampamentos do Bloco de Esquerda que tinham já as novas inovações de ponta com os laboratórios de ideias do PS e, claro, com ideias mais ou menos assentes sobre determinadas posições sexuais para os novos géneros criados com as incubadoras de erva da Catarina.

Não me perguntem porquê, mas ver pinguins a voar também me fez recordar os discursos vagos de Obama e Catarina Martins, passo a explicar, imagine que o pinguim vendia à sua plateia de leões carne assada, estes votam no pinguim para Presidente da Câmara e consolida o seu poder sobre a fábrica de gelo mais produtiva. O pinguim tem ideias geringonçais na cabeça, uma espécie de plano secreto de conquista do Mundo livre, fabrica um antídoto qualquer com o gelo e altera o clima da cidade, região e País onde se insere.

Depois, vários Países convidam o Sr.Pinguim para falar de alterações climáticas, o pinguim viaja de Jacto, fica em Madrid, mas dá a conferência no Porto, tudo pelo ambiente, claro, temos que poupar combustível. Depois come sardinhas e bivalves que estavam embalados em plástico, um claro ambientalista à Bloco de Esquerda, se não fosse o pinguim o Sr. Obama.

O Pinguim lá recebeu o seu peso em ouro pelo sorriso mais ou menos cínico, tipo:” É sorrir e acenar rapazes, sorrir e acenar”, recebeu caviar do bom, com gordura abdominal do Sr.Costa, como elementos mais residual da composição claro, e lá regressou mais gordo para casa. Já o Sr.Obama recebeu notas verdes, bastantes, um homem licenciado em direito fala do clima, o Mundo avança e a Catarina não para de fumar cogumelos.

Por falar em cogumelos, é de estranhar que o Sr. do PAN, a sua parceira das construções socais mais à esquerda, resumindo, tais criaturas amorfas do reino do rectângulo, não foram convidados para nos dar mais uma lição de mudanças climáticas. Talvez fique para uma próxima, mas deixo sugestão! Catarina, André, Jerónimo( E Heloísa?), Costa e família do Carlos César, transformem a festa do Avante num mega acampamento, construam a máquina dos cogumelos mágicos, olhem para o céu e verifiquem o aquecimento global, ou esquentamento, escolham vocês!

Mauro Oliveira Pires

De salientar que é um artigo humorístico, o autor tem a sua posição sobre as alterações climáticas mas prefere guardar para si uma vez que não tem argumentos técnicos para construir um artigo de base. 

Porque não vão buscar os venezuelanos?

E não é que nós, um país em pré-falência do Estado Social, que não tem condições mínimas para cuidar dos que estão cá dentro, solidariza-se e prontifica-se a receber milhares de migrantes da Turquia, Egipto e costa Africana onde não há guerra e sob o estatuto de refugiados? Esta semana a nossa bondade foi tanta que aceitamos receber a carga humana do Lifeline, um navio sob suspeita de tráfico humano e retido pelas autoridades, rejeitado e bem por Itália. Mas se é por mera questão humanitária porque não vão buscar os 500 000 luso-descendentes que estão em perigo na Venezuela?

A verdade que ninguém conta é tudo se resume a dinheiro e poder. A crise humanitária na Venezuela só interessa aos EUA que, enquanto o nosso Primeiro Ministro e Presidente da República foram ver a bola à Rússia, os americanos foram pressionar Nicolás Maduro que está literalmente a matar seu povo. Aos olhos da UE e da ONU os venezuelanos bem que podem morrer de fome e violência que não lhes interessa nada. Interessa sim dar seguimento à agenda de Soros que não é mais do que aplicação do Plano Kalergi, que é paga a peso de ouro para colonizar a Europa com gente dependente e submissa a uma nova ordem mundial. Confuso? Acha que isto é uma teoria da conspiração?

Se nunca ouviu falar do Plano Kalergi, a culpa não é sua. É das escolas que não lhe ensinam toda a História. Com efeito, é com Richard Coudenhove Kalergi que nasce os princípios orientadores da União Europeia: o “projecto para a integração Europeia”. Este Plano Kalergi, que surgiu com a fundação em 1922 do Movimento Pan-Europeu em Viena, pretendia a criação de uma Nova Ordem Mundial tendo como base uma federação de Nações Europeias liderada pelos Estados Unidos. No seu livro “Praktischer Idealismus”, Kalergi indica que os residentes futuros não seriam pessoas do Antigo Continente mas sim um tipo de sub-humanos fruto do cruzamento multi-cultural sem qualidade e facilmente controlável pela elite governante. Pelo caminho da concretização deste objectivo, a abolição do direito à autodeterminação e eliminação de nações recorrendo a grupos separatistas étnicos e imigração massiva, ou seja, os idiotas dos marxistas. Se ainda tem dúvidas pergunte-se porque existe o Prémio Europeu “Coudenhove-Kalergi” concedido a europeus, de 2 em 2 anos, que se destacaram na promoção deste plano. Entre os premiados podemos encontrar Angela Merkel e Herman Van Rompuy.

É com George Soros, um financeiro multimilionário ambicioso e fanático pelo poder que este plano foi entretanto retomado. Com uma agenda bem definida para a criação de um governo global, colocou sua Fundação a “Open Society” fundada em 1990 a financiar nas grandes sociedades capitalistas ocidentais, grupos que contrariam as posturas e valores tradicionais(partidos de esquerda, extrema-esquerda), apostando ainda nas organizações que julga capazes de empurrar a sociedade no caminho dessas mudanças(a ONU, ONG’s), sem pôr em causa o sistema capitalista que lhe permite poder e fortuna. Embora sua influência seja mundial na promoção do marxismo cultural que desestrutura as sociedades fragilizando e transformando-as num caos, é nos EUA que exerce maior influência onde possui laços estreitos com o partido Democrata.Esteve por trás das nomeações do governo de Clinton, deu um “empurrão” nas doações à campanha de Obama e foi o grande financiador de campanha de Hillary Clinton. Como reacção a esta agenda de globalismo, grupos nacionalistas começaram a nascer para travar este plano criminoso de substituição populacional. Na Macedónia o grupo SOS (Stop Operation Soros) quer travar as ONG’s financiadas pelo multimilionário de intervir na política do país. Na Hungria, o primeiro ministro atento a estas manobras está a impor legislação a fim de encerrar as actividades da Universidade Centro-Europeia fundada por Soros em Budapeste em 1991. Na Itália o Ministro do Interior denunciou e faz frente às manhosas ONG’s ao serviço desta agenda de massificação da migração de substituição na Europa. A propósito, sabia que Sanchez o idiota que assaltou o poder em Espanha acaba de reunir com Soros? Ah! pois é…

António Costa ávido de dinheiro da UE para tapar os buracos financeiros da sua má gestão, e a marimbar-se para a segurança do país, aderiu a esta agenda oferecendo-se para receber milhares de migrantes sem medir riscos, sem questionar o que vamos fazer com tantos rapazes jovens (sim, rapazes! não são famílias) que não fogem de guerra nenhuma mas vão ter regalias como se fossem refugiados, com casa, mesa e roupa lavada e que buscam na sua maioria um Estado Social que os sustente e não um trabalho. Um dos motivos apontados para esta entrada, dizem eles, é a baixa natalidade. Ora se assim é, não era mais seguro e barato criar aqui medidas de apoio familiar, melhorar as condições de vida e trabalho dos residentes ou até ajudar luso-descendentes criando condições atractivas em Portugal para que regressem e ao contrário destes migrantes, trazer mais valias económicas em vez de apenas despesa?

Era mais barato, sim senhor mas não enche os bolsos nem dá poder à classe política. Os venezuelanos, a braços com uma crise humanitária sem precedentes, não dão dinheiro por isso finge-se que não existem.

É exactamente este plano globalista de Soros que a actual presidência dos EUA quer combater e é também exactamente por isso que os democratas, financiados por este multimilionário criminoso, promovem o ódio contra esta administração que tentam a todo custo derrubar.

Se fosse mesmo uma questão humanitária os luso-venezuelanos não seriam esquecidos. Pense nisso.

Cristina Miranda

Via Blasfémias 

Decorem este número- 724,300,000,000€

Aqui neste espaço, tenho alertado que o problema não é só a Dívida Pública Portuguesa. A dívida privada, no que diz respeito aos agentes económicos como famílias e empresas não financeiras, também tem que ser levada em conta, porque o seu peso no PIB é de cerca de 206,3% do PIB aproximadamente.

Imaginem um País A com uma geração anual de riqueza de 100 unidades monetárias(esqueçamos os euros…), e com os respectivos agentes económicos privados. Esses agentes económicos privados dos quais as famílias e empresas, são elementos mais representativos, tem uma dívida conjunta de 206,3 unidades monetárias. Percebem a ideia?

O problema da dívida privada Portuguesa tem pontos muito interessantes, porque advêm de políticas económicas erradas dos anos 90 e principalmente as condições tremendamente favoráveis de juros que permitiram uma panóplia de financiamento nunca antes vista para as famílias portuguesas. Além disso, sectores não reprodutivos como a Construção e grupos privados portugueses ditos “grandes” na altura, tornaram-se “gigantes” com pés de barro, mas de manutenção de vida quase que garantida devido ao esquema de rendas que o País apresenta.

Rendas essas concedidas pelo capitalismo de Estado, amigo dos amigos, que sufocam o crescimento da economia portuguesa a prazo, que limitam o crescimento dos nossos salários e que nos tornam reféns da oligarquia instalada. A dívida escraviza, mas um Estado que a promove é o principal traficante.

As duas décadas de irresponsabilidade, no sector privado português, levaram a que tanto as famílias como as empresas não financeiras levassem a sua dependência aos bancos e outros credores em geral a máximos históricos, estrangulando a capacidade das empresas em reinvestirem em si mesmas para a geração de nova produção e por conseguinte aumentar o emprego e a qualidade remuneratória dessa mesmo emprego.

A crise, lá está, é um factor de ajustamento das economias de mercado, a Economia é uma ciência humana, não é exacta, a Economia é como um corpo uno que depois de desdobra e que por um lado se auto regenera sozinha, o Estado faz de médico mas atrapalha com tantas injecções. O factor regenerativo, levou a que muitas empresas portuguesas falissem, mas que as que resistiram e as que abriram, redireccionaram os seus modelos de crescimento para os mercados externos o que leva hoje a Economia Portuguesa ter saldos externos consecutivamente positivos.

As famílias Portuguesas, como novo crédito Europeu e taxas mais baixas, aproveitaram para ser o novo povo Europeu rico e extravagante, mas, como sempre, as aparências custam caro sempre no longo prazo, os BMW`s,  os Mercedes e a casinha comprada são a mentalidade portuguesa no seu auge que nos levaram  no pico da crise de 2009 que tivéssemos uma dívida de particulares superior a 150 mil milhões de euros.

Já as empresas não financeiras tiveram no pico de 2009, uma dívida de qualquer coisa como 260 mil milhões de euros. O gráfico abaixo ajuda a explicar.

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FONTE: Banco de Portugal, Boletim Estatístico

Reparem que, apartir do programa de ajustamento de 2011, a dívida das famílias desceu paulatinamente e tem estabilizado apartir de 2017/2018. A Dívida das empresas privadas também baixou mas o processo de estabilização também é inerente a esta rubrica. Se antes a dívida privada era de 245% do PIB aproximadamente em anos pré crise, hoje anda por volta dos 200% do PIB, valores tremendamente elevados mas que é um mérito no cenário português.

Só que agora é que temos o problema, a divida privada está incluída no que é a dívida externa que é a soma da dívida privada com a divida total das administrações públicas ou do sector público. A dívida externa podia ter baixado muito mais se o Estado tivesse feito outro esforço de consolidação e reforma estrutural.

O sector público não financeiro tem duas rubricas essenciais, as dívidas das administrações públicas e as empresas públicas. As empresas públicas tem a sua dívida a cair devido ao saneamento imposto pelos credores, o problema, lá está, é o consecutivo aumento dos valores em dívida do Monstro Estado que já vai em mais de 300 mil milhões de euros.

Em resumo, num cenário de crescimento estável e saudável, num cenário de mundial de estabilização, num cenário de uma política orçamental responsável, sem truques, maquilhagem e que seja um política estrutural, ou seja, tudo o que este governo não faz(falo da política orçamental), podíamos viver descansados com a inversão do ciclo económico que começa agora. Pois, um Governo responsável tinha aproveitado as drogas do BCE para efectuar “almofadas” contra uma crise vindoura, podia ter começado a reformar e a descer a despesa pública e a gerar saldos orçamentais positivos.

Mas não, Mário Centeno e António Costa nasceram com o síndrome do capitão gancho invertido, olham para o binóculo e a terra é vista em ziguezague, aproveitam um País anémico e ignorante e tratam da vidinha deles enquanto que os problemas estruturais se agravam. Basta um sopro, um pequeno sopro que o Castelo de cartas construído a cuspo caia, mas eles não querem saber.

Resumo de números:

◊ Dívida do Sector Público em ABRL/2018322,534 mil milhões de euros;

Dívida dos Particulares(141 478 mil milhões de euros) + Dívida das Empresas Privadas(260 279 mil milhões de euros) = 401 757 mil milhões de euros( Dívida Privada ou Sector Privado Não Financeiro)

∑(Somatório) da dívida do sector público e dívida privada= 724 290 mil milhões de euros(arredondado 724,3). Não esquecer que o somatório destas duas grandezas dá nos a dívida externa.

E só para ser mau, este valor subiu mais de 4 mil milhões de euros face ao mês anterior e mais de 6 mil milhões face a Abril do ano passado, apesar de que em % do PIB diminuiu, mas como a sorte não dura para sempre, num cenário de muito baixo crescimento devido à inercia geringonçal e a súbida constante da dívida os valores podem começar a subir(cenário idêntico para a divida pública).

Mini Glossário: 

⊗ PIB: Somatório de toda a riqueza produzida(bens e serviços), num determinado local e num determinado período de tempo por agentes económicos vigentes.

⊗ Dívida pública: É o somatório ou acumulação de todos os défices orçamentais que um País tem, quando um Estado tem défice este tem de se financiar para fazer face ás suas necessidades de financiamento que geram então a dívida, que é pública por ser “Estatal”.

⊗ Dívida privada: É o somatório ou acumulação das dívidas dos agentes económicos como as famílias e as empresas.

⊗ Dívida externa: É a soma da dívida pública com a dívida privada, apesar de que é algo mais complexo que isto, mas para perceberem a ideia.

⊗ Agentes Económicos: Podemos dizer que os Agentes Económicos são isso mesmo, agentes, um conjunto de indivíduos e que, através das suas decisões e acções, tomadas racionalmente, influenciam a economia. Quais são os agentes Económicos e o que fazem?

  1. ) Famílias: Tomam decisões como consumir(bens e serviços) como oferecem trabalho. Portanto temos a perspectiva do consumidor e do trabalhador respectivamente.
  2. ) Empresas Não Financeiras: Tem a função e decidem sobre recursos, produzem bens e serviços para os outros indivíduos. São não financeiras porque não tem essa finalidade, ou seja, a de guardar e gerar recursos financeiros como os bancos.
  3. ) Estado: Por mais que não goste deste agente económico, e não o devia ser, é considerado como um. É a entidade que define o conjunto de políticas e detém “áreas estratégicas” da Economia.
  4. ) Empresas Financeiras ou Instituições Financeiras: Ao contrário das empresas não financeiras, as financeiras recolhem recursos, poupanças, para financiar a actividade económica como um todo. São o garante da Estabilidade financeira.
  5. ) Resto do Mundo: Um agente económico com mais preponderância na Economia Portuguesa, é o agente com o qual temos relações comerciais, de troca de fluxos como exportações e importações.

Mauro Oliveira Pires

 

 

Parem com essas lágrimas de crocodilo!

Perdoem-me mas é absolutamente insuportável ouvir certas figuras políticas falar sobre a tragédia de Pedrógão Grande! Com  ar sério fingindo-se preocupados e emocionados com aquele fatídico dia vêm passados 365 dias dizer alarvidades como se os portugueses fossem um bando de estúpidos sem qualquer capacidade de análise. Continuamos com o mesmo SIRESP apenas com umas “melhorias” e  com a mesmas cláusulas vergonhosas que desresponsabilizam em caso de catástrofe; continuamos com 60% de casas por reconstruir; continuamos com vítimas sem água nem luz nem apoio psicológico; continuamos com os mesmos “boys” incompetentes na ANPC; continuamos em meados de Junho sem prazo de entrega de viaturas à GIPS e GNR  para combates a fogos; continuamos sem saber onde estão os donativos; continuamos sem saber porque o Estado compra mais 4 Kamov por ajuste directo depois da experiência desastrosa com esse equipamento; continuamos sem saber porque o  Estado ainda não foi formalmente acusado por negligência depois de três inquéritos independentes que o comprovam. Francamente!

Como se isto já  não bastasse vem o Primeiro Ministro afirmar que “Portugal devia ter estado mais alerta a tempo e horas para evitar Pedrógão” quando foi ele próprio como ministro da Administração Interna que fragilizou o SIRESP alterando clausulas para diminuir custos. Foi seu comparsa Lacerda Machado o autor do brilhante texto que transformou o SIRESP naquilo que ele é hoje – uma nulidade absoluta – com a colaboração de Constança Urbano!! Foi ele também que acabou com os guardas florestais! Foi ele que já primeiro ministro autorizou que gente sem qualquer habilitação para o cargo – professores do ensino básico, advogados, licenciados em Desporto e Lazer, enfermeiros –  integrasse as chefias do ANPC. Foi ele que fez os negócios ruinosos dos Kamov. Foi ele também que rumou para Ibiza enquanto Portugal ardia e morria gente e no regresso foi a correr fazer um Focus Group para avaliar sua popularidade e vem agora dizer que se podia ter evitado Pedrógão como se a culpa fosse dos proprietários dos terrenos que ele fez o favor de perseguir em vez de ajudar?! É preciso realmente fazer de nós todos parvos.

Por outro lado, Marcelo sempre politicamente correcto, a deixar a mensagem outra vez que tudo foi feito – claro, até os políticos foram roçar mato, coisa nunca antes vista – que todos manifestaram empenho e fizeram tudo o que era possível (e de facto o empenho foi tão grande que há bens e dinheiro  doados sem controlo nenhum e até perderam rasto a donativos). Que  “Houve um Portugal metropolitano que acordou para os “Portugais” desconhecidos, os “Portugais” do interior, que são vários. Começou a acordar em Junho e depois continuou a acordar em Outubro”. A sério?!! Como acordar se nunca dormiram sobre o assunto? O abandono do interior é um facto perpetuado ao longo de décadas por não trazer votos. Todos sabemos que poderá continuar a arder, poderá continuar a despovoar, que  o abandono às gentes do interior não vai acabar. Porque aos olhos dos políticos, quem não compensa eleitoralmente é simplesmente ignorado. Vão mas é mentir para longe!

Entretanto,  a lista  de arguidos de Pedrógão que não pára de crescer, não tem um único político  ligado ao governo, como muito convém. Nem mesmo Valdemar Alves, o Presidente da Câmara de Pedrógão Grande durante a tragédia faz parte dela como deveria. Esse, quase que por “milagre”, livrou-se de boa ao contrário dos outros autarcas. Há gente com “sorte”.

Se tudo está a ser feito é no sentido contrário ao que deveria ser. É para encobrir quem de facto teve responsabilidade e incriminar apenas a arraia-miúda. Arrastar depois o processo até entrar no esquecimento com uma condenaçãozita sem importância nenhuma. Fingir depois que nunca se fez tanto pela prevenção e combate aos fogos quando na verdade estão apenas a aplicar as mesmas fórmulas  desastrosas com cosmética. Para depois, caso se registe nova tragédia, com lágrimas de crocodilo no canto do olho, dizer: “fizemos tudo mas as alterações climáticas, os eucaliptos, os raios, os proprietários com as matas por limpar,  são culpados”. Outra vez. Eles? Nunca têm culpa de nada.

Cristina Miranda

Via Blasfémias 

Sobre Pedrógão

Disse o jornal O Público : “Inquérito a incêndio de Pedrógão já tem dez arguidos”.

Desconfiado de tanta “generosidade” e tamanha “produtividade” da investigação e da nossa justiça, fui ler o artigo para ver quem faz parte deste rol de arguidos.

E tal como suspeitava, é tudo “raia miúda”. Não há ali qualquer referência a um único membro do governo, a um único “boy” em cargo de nomeação política realizada pelo actual governo, nem um único Organismo Público.

Tudo pessoas singulares, encontrados mesmo a jeito, para servirem de escapatória para fauna política que actualmente está em funções.

Não há ali um único nome de um ministro, de um secretário de Estado, de um Dir. Geral, de um qualquer executivo público, nomeado pelo actual governo. E, face ao rumo que presenciamos, tudo indica e é cada vez mais garantido, que não irá haver

Está claramente em marcha um processo não de responsabilização, mas de de desresponsabilização, de todos daqueles que em última instância, foram e continuam a ser os legítimos e reais culpados.

Estamos perante um exercício do mais miserável branqueamento de responsabilidades políticas, governativas e executivas, de que há memória neste país.

Claro que podem alguns alegar que os inquéritos ainda não terminaram, e que ainda muita coisa pode vir a acontecer no decorrer destes inquéritos. Mas só em teoria, pois como diz o velho ditado popular: “pelo barulho da carruagem, sabemos de imediato quem lá vai dentro”.

E o que o andar desta carruagem nos diz, é que até ao final deste processo, não veremos nenhum político socialista, nenhum nenhum membro deste governo, nenhum “boy” em cargo de nomeação feita ou afecta ao actual governo, a ser indiciado como um dos responsáveis dos acontecimentos de Pedrógão.

O modus operandi desta fauna, agora está mais refinado. Já não manobram para a culpa morrer solteira, como era seu hábitual procedimento, e tal como está enquistado no regime.

Desta vez o objectivo da fauna governante, é passar a imagem de que não querem deixam a culpa morrer solteira, e por isso o que iremos ver é a culpa a ter que noivar à força e com as noivas erradas e a ir morrer muito “mal casada”.

Vai uma aposta?

Rui Mendes Ferreira