Tag: Economia

As desculpas de Mário Centeno

A pobre sina do povo português, a cada ano que passa, ou fado, para a sonoridade cair melhor, é ouvir de modo cíclico e ininterrupto um ministro das finanças de um governo socialista a usar a seta do cupido da “conjuntura internacional”, para mascarar a sua incompetência e incapacidade de operacionalização em cenários de vacas magras onde se requer a adopção de políticas orçamentais mais restritivas e, com tudo isto, um degradar da imagem de um governo que enfrenta marés mais violentas. Este é o problema primordial do socialismo português, que cresce de modo tentacular porque nunca é submetido verdadeiramente a cenários adversos onde estes tenham de “sujar as mãos”, trabalho que deixam para uma direita tímida e com má comunicação social.

Isto tudo para chegarmos ás declarações de Centeno, onde este diz o seguinte: ” Todos sabemos que representam uma desaceleração do crescimento [económico] na Europa e que essa desaceleração está muito associada aos riscos políticos acumulados na Europa, em particular os que estão relacionados com o ‘Brexit’ e às tensões comerciais”, declarou Mário Centeno”. O ministro das finanças, e presidente do Eurogrupo nas horas vagas- interpretando depois tal personagem em modo Vitor Gaspar, mas açucarado- sabe usar as palavras técnicas para conseguir o que quer, passar a mensagem que a margem e a manta estão curtas, mensagem essa que António Costa já engole e diz de modo suave para os seus parceiros coadjuvantes da sua governação.

As palavras de Centeno, como é claro, não são para colocar António Costa com mais cabelos brancos ou que este talvez um dia pare na cama da Catarina Martins por força da sua austeridade lexical, simplesmente é para preparar o terreno para a introdução da nova “cartilha”, comunicativa a todo o governo para que, quando a nova pré-bancarrota chegar, e se Costa tiver que accionar cortes na despesa que hoje andou a aumentar, as culpas sejam imediatamente enviadas para o exterior e então está configurado mais um inimigo externo da incompetência socialista em gerir seja o que for sem meter a pata na poça.

Poça essa que começa nas contas públicas de 2016, 2017 e 2018 e na ausência gritante de mudanças estruturais que continuassem o caminho reformista, ainda que tímido, de Passos Coelho. Sendo sucinto e não maçando com números: A execução orçamental de 2018 não difere muito das anteriores à excepção de 2016, onde Costa e Centeno por força de imposições de Bruxelas cortaram despesa corrente e de capital no seu conjunto, espremendo o investimento público até onde sabemos(faz parte da despesa de capital), colocando o défice de 2016 talvez como o orçamento mais “equilibrado” deste governo, pois é o único que maior parte da redução do défice é feito não por aumento da receita mas sim por diminuição da despesa.

Já execução orçamental de 2018,  mostra-nos precisamente o contrário. Temos a despesa pública cada vez mais “trancada”, rígida e de difícil corte. Maior parte da redução tímida do défice de 2018 é feita apartir do aumento da receita e com aumento de despesa, portanto, é como se andássemos a receber aumentos salariais extraordinários que podem não ocorrer no futuro próximo e com isso, estamos gastar o que não temos. O aumento da receita não vai continuar por muito mais tempo por força das leis da matemática e da economia, que não tem por de onde espremer mais. Centeno e Costa  são uma reprogramação de Sócrates, mas menos finos no modo de vestir e nas atitudes. Portugal está à deriva.

Mauro Merali

 

P.S- Para quem gosta de se rir aconselho visualização e subscrição: https://www.youtube.com/watch?v=tCrALr-moqA&t=1s

A Economia Portuguesa não resistirá a uma nova Gerigonça

O grande desafio da Economia Portuguesa no período de ajustamento financeiro e, já agora, de intervenção internacional, era o de tentarmos um novo modelo macroeconómico de crescimento que fosse ao mesmo tempo saudável e de longo prazo. Por modelo de crescimento saudável entendemos uma economia de pequena dimensão como a portuguesa mas aberta ao mundo, que consiga crescer em grande medida pelo lado da procura externa- exportações de bens e serviços- bem como pelo lado do investimento privado externo que nos desse retorno depois nas exportações e com mais valor acrescentado. Para que tal façanha fosse sustentável, o governo de Passos Coelho restaurou a credibilidade e o crédito internacional ao erário público como pelo meio ainda fez acordos fiscais com gente responsável do PS que cujo nome do líder traz saudades: António José Seguro.

Este era um modelo que nos escapava faz décadas e foi implementado com sucesso relativo. A continuação de mudança de um modelo estrutural de crescimento depende do que eu costumo chamar de “passagem de testemunho”, ou seja, os governos seguintes tinham que dar continuação e gerar novas reformas estruturais, algo que com António Costa não acontece. Parece masoquismo da minha parte, mas a nossa futura desgraça-devido à laxação e preguiça em reformar- é a bomba relógio principal que Costa e a sua trupe tem na mãos. Os vários pregos no caixão que Costa mandou vão se virar contra o mesmo num futuro muito próximo, pois Centeno já mudou de discurso há muito e até Costa segue a cartilha do seu ministro das finanças. O problema é que chegaram tarde, vejamos porquê:

ICoinciBDP.png
FONTE: Trading Economics, via Banco de Portugal

O indicador coincidente de atividade económica do Banco de Portugal, bastante fiável na antecipação da viragem de ciclos económicos, já nos tinha alertado em meados de 2017( barras rosas que mostram a tendência de abrandamento),que a Economia Portuguesa tinha chegado ao “ponto de inflexão” do seu ciclo máximo de crescimento que se iniciou em 2013. Segundo os “analistas” do Largo do Rato, a austeridade de Passos não funcionou, mas o facto é que como se vê no gráfico, a tendência de viragem da recessão inverteu-se em meados de 2012 antecipando crescimentos positivos em 2013 como aconteceu no 2º trimestre desse ano. Sim senhor, Costa este crescimento deve-se única e exclusivamente a Passos Coelho e não a si. A Economia Portuguesa cresceu APESAR DE SI, isso é que é primordial na análise.

A barra a bourdeaux(entrada da geringonça), mostra-nos que a Economia começou a ressentir-se com a mudança de políticas que Costa e Centeno queriam implementar. O facto, é que a economia abrandou no 1º e 2º trimestres de 2016 com os mercados(quem nos financia as nossas luxurias), a recearem uma nova pré-bancarrota para breve, entretanto Costa e Centeno recebem “avisos” de Bruxelas e possíveis sanções caso continuassem com a mesma política orçamental, no final Centeno começa a cativar. Nada é ao acaso, simplesmente a comunicação social encobre a incompetência de um governo que usa políticas orçamentais conjunturais em vez e estruturais e surfa ainda no ciclo económico positivo e ascendente criado por outros. Mais habilidade e matreirice não existem.

Para finalizar. Já está disponível a execução orçamental de 2018 que gostaria de analisar noutra altura mas que já nos mostra o monstro que Costa ajudou a criar. O défice de 2018 desceu cerca de 500 milhões de euros de 2018 face 2017, mas ficou acima da meta e, além disso, o ajustamento orçamental foi totalmente efectuado pelo lado da receita, uma vez que a despesa não desceu mas sim aumentou uns impressionantes 3000 mil milhões de euros de um ano para o outro. Tal aumento foi compensado por um acréscimo de receitas efectivas(5,2%), ou mais de 4 mil milhões de euros de aumento face ao incremento da despesa em 4,5%. Tanta percentagem e números para chegarmos a conclusão que estamos a gastar cada vez mais baseando nos em mais receita que provém de um ciclo económico positivo. Em recessão, a receita diminuirá e a despesa ficará lá toda, cada vez maior e o défice resvalará aumentando a nossa dívida pública para a segunda maior da Europa e a terceira maior do mundo.

Ser o “contabilista chato”, faz parte, nós avisamos, somos maquiavélicos dizem, frios, mas contas são contas. A matemática é a ciência mais mortífera do mundo.

Mauro Merali

 

 

 

A irresponsabilidade vai nos sair da pele

Num cenário em que Pedro Passos Coelho continuasse a governar em 2015, como o resultado das eleições legislativas assim o exigia, parte das reformas que o seu governo não fez quer por bloqueios das forças socialistas do Tribunal Constitucional, ou até por força do pragmatismo de resolver primariamente o problema financeiro, restabelecendo assim o normal funcionamento do acesso aos mercados por parte da República Portuguesa e por conseguinte a nossa credibilidade internacional, para depois, num governo próximo, o que não se tinha feito era negociado com um PS que se queria responsável e respeitador do voto do povo português. Aconteceu o que Passos queria, ganhou. Mas não governou, a pedra no sapato  impossibilitou a continuação de reformas estruturantes por parte do seu governo e ditou o fim da implementação das ditas reformas estruturais até porque, o governo Costa governa por paliativos e por remendos, nunca numa visão integrada e estruturada de como o País deve crescer, mas sim como aproveitar a onda de crescimento que já vinha de trás para distribuir rebuçados.

Começa aqui então a diferença entre Estadistas e Estatistas. Entre quem tem uma visão de libertar os portugueses de um Estado sugador e mau prestador de serviços básicos, dando sempre primazia a quem cria riqueza e portanto sustenta o erário público, com um homem que só pensa nas suas clientelas, nos seus amigos, em realinhar as tropas para reconstruir o sonho socialista de transformar o Estado Português de vez numa quase sucessão divina em que o PS é o Partido inimputável e que faz o que quer, passando as culpas para outras entidades que não ele pois este nunca gere uma crise de modo decente. Guterres não geriu o seu pântano, Sócrates chamou o FMI mas logo foi derrotado em eleições legislativas. A direita governa em Portugal com o programa dos outros, sempre com condicionalismos de maior, mesmo que tenha perspectivas programáticas, não as pode aplicar no seu todo pois tem que “limpar a casa”, que outros teimam em sujar.

Um ciclo vicioso e nada virtuoso que dá credibilidade à direita por um lado, pode-se contar com ela para situações difíceis, mas não existe possibilidade de construir um projecto comum e diferente do PS pois o eleitorado que a direita podia conquistar, está anestesiado pelas crises que esta gere e que as pessoas pensam que é a direita que as faz, pois uma coisa é apresentar a crise, outra é gerir uma crise, uma coisa é dizer que te vou ao bolso, outra é ir efectivamente ao bolso. E quando se toca no bolso do povo português, mesmo que não tenhamos culpa do sucedido, a incompreensão aumenta. Tudo devido à cobardia do PS em chegar-se à frente, quando o momento é complicado e ainda por cima causado por ele.

E claro, mais uma vez estamos assistir ao mesmo filme e até com personagens rigorosamente parecidas. Quando grande parte do governo Costa é Socrático, ou ex-ministros de Sócrates e até o próprio Costa foi, no primeiro mandato de Sócrates, temos aqui muita experiência acumulada de como quase falir um País. Caras novas e inovadoras? Zero. Um governo que representa políticas sujas e velhas do passado, com os mesmos vícios que nos vão, desculpem a falta de tacto, entalar a breve trecho. É só olhar para os números desta tabela que vos apresento do Banco de Portugal:

Divida publica.png
FONTE: Banco de Portugal, Estatísticas Online

Em 3 anos efectivos de governo Costa e associados, a dívida pública em valores absolutos, aumentou de 231,526 mil milhões de euros para 251,476 mil milhões de euros, quase 20 mil milhões de euros de aumento. Se ouvir, até nos jornais de referência, que a dívida pública baixou, a verdade anda pelo meio. Baixou a percentagem, o rácio, pois o montante de dívida cresce, mas a economia também, o que “come” esse aumento em valor absoluto. O desafio de Mário Centeno e António Costa é explicarem ás pessoas, como estão agora a começar a fazer aos poucos, que quando não há dinheiro tem que se apertar o cinto. Um desafio importante para o PS aferir a sua capacidade de grande partido nacional- Gerir a próxima grande pré-bancarrota causada por si.

Desenganem-se quem pense que a dívida pública descerá, em valores absolutos e de forma sustentada, nos próximos anos, sem uma política orçamental com cortes estruturais na despesa pública e uma economia a crescer de forma saudável. A política de Centeno e Costa é aumentar a despesa para futuro baseando-se sempre numa arrecadação fiscal cada vez maior. Um erro de principiante crasso que nos custará a pele, e que a próxima recessão nos dará as boas vindas em desconstruir o castelo de cartas frágil da dupla mentirosa que temos ao comando, para nossa infelicidade. E, quando essa recessão chegar, a dívida, o grande bolo, estará lá, e estará pronta a galopar em percentagem até ao Evereste.

Dou um conselho final a Costa e Centeno: Peçam conselhos ao Sr. Tsipras, de facto o Syriza é o caminho a seguir, não é Costa?

Mauro Oliveira Pires

Este país mete nojo!

Está na hora de começarmos a olhar para o nosso país doutra forma. Perceber que urge exercer a nossa cidadania para fazer uma purga a estes políticos corruptos, interesseiros, desonestos e criminosos. E rápido, antes que não sobre pedra sobre pedra e nos tornemos num Brasil ou numa fase mais adiantada, numa Venezuela.

É incrível como em menos de 4 anos foi possível destruir tanto em Portugal. Primeiro foi a economia, que agora, só vai de feição devido à conjuntura externa favorável e ao BCE (ainda), mas mesmo assim a abrandar perigosamente, porque cá dentro, a esmagar tudo o que mexe com novos impostos e subir escandalosamente os já existentes, asfixiou-se o mercado, assustou-se os investidores, instalou-se a desconfiança. E mais há de vir.

Depois foi o descontrolo das finanças públicas, com promessas eleitoralistas populistas irresponsáveis de gastos supérfluos com “boys” espalhados por todo o país, a reverter medidas de contenção na despesa pública sem sustentabilidade, a enterrar dinheiro de impostos nas empresas públicas falidas entre as quais o banco do Estado e bancos privados, que lapidaram os recursos financeiros do país num ápice, provocando a falência técnica de tudo o que está ligado e dependente do Estado.

E agora, como se não bastasse, “mataram” a Justiça que devia ser um departamento independente, sem interferências políticas, mas que aos olhos de todos, estes dias, vimos desmoronar, ao constatar que os governos, sempre que é do seu interesse, podem influenciar e muito, o rumo dos processos judiciais: foi a substituição de uma PGR que fez um trabalho extraordinário no combate à corrupção sem qualquer necessidade; um sorteio de um novo juiz para a Operação Marquês, cheio de irregularidades, mas que mesmo assim foi aceite o resultado!

Nos intervalos destas “escandaleiras” todas, temos um primeiro ministro que faz tudo o que lhe apetece, sem dar satisfações, sempre pela calada da noite – em compadrio com BE e PCP – sem transparência, sem prestar contas. Nada! E mente sem pudor! Não é que teve coragem de dizer ontem em horário nobre na TVI, que “a dívida tem vindo a descer de forma sustentável” ao mesmo tempo que a imprensa dava conta que em Agosto deste ano, subiu para 250 mil milhões de euros quando em Dezembro de 2015 estava em 231 mil milhões?! É claramente um “Maduro” à portuguesa!

Temos ainda, para nossa desgraça, um ex-primeiro ministro arguido em vários processos crime a rir na nossa cara, porque o afastamento dos principais perigos à sua liberdade estão já arrumadinhos a um canto, certo que vai ainda conseguir ser indemnizado pelo Estado por “calúnia” como ele tanta vez o disse, para continuar a viver de luxos à conta dos portugueses contribuintes. Um presumível inocente que tem visto TODOS seus recursos abortados, por todas as instâncias judiciais, provando assim que de facto há prova da sua culpabilidade e que não é nem um pouco perseguição do juiz Carlos Alexandre, mas sim, a justiça a funcionar uma vez na vida em Portugal para crimes de “colarinhos brancos”.

Para terminar com estilo, a Comunicação Social:

desonesta, parcial e completamente comprada pelo sistema, a propagar mentiras, a distorcer realidades, a embriagar a população de modo a mostrar um país inexistente, só para manter a narrativa do governo “gerigonceiro” marxista, a dar o empurrão final em direcção a uma estrondosa bancarrota e colapso social.

É triste ver que todos aqueles que têm o poder de construir um país melhor estão literalmente a matá-lo, a ele e seu povo, sem qualquer peso na consciência, sem qualquer receio sequer de virem a prestar contas por isso.

Este país mete nojo! Muito nojo! E se não formos nós, cidadãos, a acordar rapidamente, quando abrirmos finalmente os olhos, já será demasiado tarde.

Acorda meu povo!

Cristina Miranda

Via Blasfémias

Não há pão? Comam brioches

Não há bens para comer, nem dinheiro para os comprar? Poupem, e comprem ouro”. Eis numa linha só, o que esta semana Nicolas Maduro basicamente aconselhou o seu povo a fazer.

Segundo reza a história, (ainda que não tenha sido possível comprovar a sua veracidade) ou talvez seja só uma lenda, em tempos idos lá pela França, existiu uma sra. que enquanto o seu povo se queixava da falta de pão, e morriam milhões à fome, ela aconselhava-os a comer brioches.

Com milhões de venezuelanos a morrer de fome, uma inflação superior a 10.000%, com um salário médio inferior a 40 euros mensais, com uma economia que já praticamente nada produz, e onde já não existem sequer bens de primeira necessidade, com um salário mínimo que equivale a terem que trabalhar um mês para conseguir comprar 6 kilos de arroz, Maduro, esse “Grande Líder Timoneiro ” do povo venezuelano, veio dizer ao seu povo para pouparem dinheiro para comprarem ouro.

A dita sra. francesa, acabou (e sim esta parte é absolutamente verdade) com com a cabeça cortada, às mãos do seu próprio povo, e há quem diga, que os seus executores, por lembrança das suas famosas palavras, fizeram questão de lhe enfiar uns brioches pela goela abaixo, antes de lhe darem o merecido fim.

Já Nicolas Maduro, não sei qual irá ser o seu fim, ainda que, suspeito, também não irá ser nada simpático, mas quando esse dia chegar, espero que o povo lhe conceda como última refeição, umas barras de ouro enfiadas pelas goelas abaixo, pois enfiar-lhe pão e brioches, com um povo onde milhões passam fome e onde milhares morrem de fome, seria um enorme desperdício.

Rui Mendes Ferreira( Sigam o Rui no facebook)

A Catástrofe das 35 horas no SNS

Quando criaram a Geringonça e tomaram conta do poder, prometeram tudo e mais um par de botas. Em cima da mesa estavam todas as medidas de austeridade impostas pela Troika por via do desgoverno de Sócrates – e cuja culpa recaiu sobre Passos – que era preciso reverter, custasse o que custasse, só por populismo, sem qualquer responsabilidade. Com os cofres cheio de dinheiro deixado por Maria Luís Albuquerque, a tarefa não foi difícil. Enquanto havia para distribuir, andava tudo bem no “país das maravilhas socialistas”. O problema (o de sempre) foi quando passado um ano o dinheiro esgotou-se. Puf! Dissimuladamente, enquanto Costa continuava a pregar aos burros “boas novas”, Centeno pela calada, cativava. E cativava. E cativava. Tudo mais ou menos “controlado” (diga-se, escondido) até ao momento em que a aplicação das 35 horas dá a machadada final e implode o SNS. Já havia avisos que a catástrofe era iminente: um  aumento colossal da dívida do SNS; falta de equipamentos, medicamentos e materiais como compressas e fios de sutura; falta de enfermeiros; falta de médicos especialistas. Mas o pior estava para vir…

Não é preciso ter um QI sobrenatural para perceber que, para haver redução da carga horária de 40 para 35 horas, ou há gente a mais e estão todos a “lamber sabão” no trabalho – e aí até sobra pessoal, logo a redução não afecta os serviços representando uma poupança –  ou fazem mesmo falta e nesse caso, ao reduzir o horário laboral vai provocar necessidade de novas contratações urgentes e consequente aumento de despesa. Não há aqui milagres. Dizer-se que esta lei não aumenta a despesa é desonesto. Sobretudo quando falamos do SNS que ao contrário doutros serviços (há por aí muitas instituições públicas inúteis e cheias de gente), já estava carente de muitos profissionais já com as 40 horas semanais. Logo, reduzir sem compensar com contratações de mais funcionários era um  “assassinato” previsível ao SNS.

A catástrofe tinha de acontecer a qualquer minuto. Mesmo com a parca compensação das 2000 contratações, a entrada em vigor para o sector da saúde a 1 de Julho das 35 horas provocou um “tsunami” devastador que ainda não parou de fazer estragos sérios no ministério da saúde: o Centro Hospitalar de Vila Real vai encerrar 50 camas e o bloco cirúrgico oncológico; as grávidas do Hospital Alfredo da Costa são transferidas a meio do trabalho de parto; demissões no Centro Hospitalar Lisboa Central onde se exige plano de catástrofe; a maternidade do Alfredo da Costa que encerra 3 salas de parto; o fecho da unidade de cuidados coronários da Guarda; o Hospital S. João que  encerra 70 camas e alguns blocos operatórios; o Hospital de S. José sem urgência de cirurgia vascular; o Hospital de Lamego que vai fechar 6 camas nas especialidades de cirurgia e medicina. Ao todo já encerraram em todo o país mais de 240 camas em diversas unidades hospitalares. Onde estão os activistas dos cordões humanos frente à Maternidade Alfredo da Costa no tempo de Passos? Morreram? Imigraram?

Costa, ao “estilo Gaspar” sem Troika,  já veio dizer alto e bom som no Parlamento que não há dinheiro. Que é preciso estabelecer prioridades (é verdade! quem diria!). Deve ser por isso que  mandou prosseguir com as obras  no IP3, vai avançar com um financiamento a Moçambique no valor de 202 milhões de euros e atribuiu sem qualquer controlo 4 mil milhões em subsídios enquanto a ala pediátrica do S. João continua à espera dos 5 milhões prometidos e o SNS estoura por falta de contratações urgentes e obrigatórias de todo o tipo de pessoal.

Que diz entretanto Marcelo sobre o caos instalado na saúde? Que é preciso esperar para verOk. Foi exactamente o que vimos em Pedrógão. Esperamos e vimos a morte de centenas de cidadãos. Prevenção não é nosso forte e com um Presidente que ao invés de puxar as orelhas e estes “miúdos irresponsáveis” dá-lhes AINDA, depois de todos os falhanços vergonhosos, o benefício da dúvida a qualquer hora, estamos entregues à bicharada. Como se já não bastasse, ainda foi dizer que a dívida (sim, a dívida pública que não parou de subir desde a entrada da Geringonça) subiu mas vai baixar, qual astrólogo do bem aventurado milagre económico e financeiro que nunca acontece a não ser na imaginação dele!

Entre as “prioridades” de Costa e a “fé cega e surda” de Marcelo, venha o diabo e escolha!

Cristina Miranda

Via Blasfémias

 

É o Socialismo, Estúpido!

Um breve e simples ponto de situação sobre a Grécia:

– de um brutal déficit nas contas públicas, de 15,1% para um excedente de 0,8%.

– de uma economia em recessão e com o PIB continuamente em valores negativos de um máximo de -5,5%, para uma economia em crescimento de 1,4%.

– de uma balança comercial altamente deficitária em 2007, para uma balança já só ligeiramente deficitária e praticamente em vias atingir equilíbrio.

-registar já em 2018 o valor mais alto de SEMPRE nas suas exportações. –

reduz a despesa do Estado de um recorde de 95 mil milhões em 2008, para 58 mil milhões em 2017. – de uma situação recorde em (2012) em que o Estado anualmente absorvia e gastava 63% do total da riqueza produzida pelo país durante um ano, para uma despesa de 48% do total da riqueza produzida num ano. –

de contas externas brutalmente deficitárias, para contas externas equilibradas. –

de um valor recorde de dívida pública acumulada de 181% do PIB em 2016, para 178% em 2017, numa clara trajectória de redução da sua dívida acumulada. –

de juros de dívida pública de 40% em 2012, para juros inferiores a 4% em 2018. –

de uma situação em que investidor algum no mundo estava disposto a investir ou a emprestar, para uma situação de abertura de investimento e empréstimos dos mercados e a juros baixos.

Tudo isto em “austeridade” e com as políticas absolutamente contrárias às praticadas e defendidas pelos adeptos do socialismo, nomeadamente em absoluta contravenção com as políticas que o próprio governo do Syriza defendia no seu programa de governo. Fica igualmente provado, que não é necessário recorrer a gastos públicos nem a existência de deficits para que uma economia consiga crescer.

Bem pelo contrário. A inexistência de deficits e governações com gastos públicos equilibrados é por si próprio uma situação que induz ao investimento privado, que resulta em crescimento económico de forma sustentável e saudável, fazendo cair por terra todas as teses das governações socialistas.

Eis pois um governo de socialistas, a conseguir apresentar bons resultados económicos. Mas foi precisamente porque, foram obrigados a meter o socialismo na gaveta e a ter que praticar as políticas contra as quais sempre se insurgiram, é que os resultados na Grécia são positivos. Podem governos de socialistas conseguir apresentar bons resultados económicos?

Podem. Desde que não lhes permitam governar com socialismos, nem os deixem comportar-se como socialistas.

Rui Mendes Ferreira

 

Decorem este número- 724,300,000,000€

Aqui neste espaço, tenho alertado que o problema não é só a Dívida Pública Portuguesa. A dívida privada, no que diz respeito aos agentes económicos como famílias e empresas não financeiras, também tem que ser levada em conta, porque o seu peso no PIB é de cerca de 206,3% do PIB aproximadamente.

Imaginem um País A com uma geração anual de riqueza de 100 unidades monetárias(esqueçamos os euros…), e com os respectivos agentes económicos privados. Esses agentes económicos privados dos quais as famílias e empresas, são elementos mais representativos, tem uma dívida conjunta de 206,3 unidades monetárias. Percebem a ideia?

O problema da dívida privada Portuguesa tem pontos muito interessantes, porque advêm de políticas económicas erradas dos anos 90 e principalmente as condições tremendamente favoráveis de juros que permitiram uma panóplia de financiamento nunca antes vista para as famílias portuguesas. Além disso, sectores não reprodutivos como a Construção e grupos privados portugueses ditos “grandes” na altura, tornaram-se “gigantes” com pés de barro, mas de manutenção de vida quase que garantida devido ao esquema de rendas que o País apresenta.

Rendas essas concedidas pelo capitalismo de Estado, amigo dos amigos, que sufocam o crescimento da economia portuguesa a prazo, que limitam o crescimento dos nossos salários e que nos tornam reféns da oligarquia instalada. A dívida escraviza, mas um Estado que a promove é o principal traficante.

As duas décadas de irresponsabilidade, no sector privado português, levaram a que tanto as famílias como as empresas não financeiras levassem a sua dependência aos bancos e outros credores em geral a máximos históricos, estrangulando a capacidade das empresas em reinvestirem em si mesmas para a geração de nova produção e por conseguinte aumentar o emprego e a qualidade remuneratória dessa mesmo emprego.

A crise, lá está, é um factor de ajustamento das economias de mercado, a Economia é uma ciência humana, não é exacta, a Economia é como um corpo uno que depois de desdobra e que por um lado se auto regenera sozinha, o Estado faz de médico mas atrapalha com tantas injecções. O factor regenerativo, levou a que muitas empresas portuguesas falissem, mas que as que resistiram e as que abriram, redireccionaram os seus modelos de crescimento para os mercados externos o que leva hoje a Economia Portuguesa ter saldos externos consecutivamente positivos.

As famílias Portuguesas, como novo crédito Europeu e taxas mais baixas, aproveitaram para ser o novo povo Europeu rico e extravagante, mas, como sempre, as aparências custam caro sempre no longo prazo, os BMW`s,  os Mercedes e a casinha comprada são a mentalidade portuguesa no seu auge que nos levaram  no pico da crise de 2009 que tivéssemos uma dívida de particulares superior a 150 mil milhões de euros.

Já as empresas não financeiras tiveram no pico de 2009, uma dívida de qualquer coisa como 260 mil milhões de euros. O gráfico abaixo ajuda a explicar.

divida a
FONTE: Banco de Portugal, Boletim Estatístico

Reparem que, apartir do programa de ajustamento de 2011, a dívida das famílias desceu paulatinamente e tem estabilizado apartir de 2017/2018. A Dívida das empresas privadas também baixou mas o processo de estabilização também é inerente a esta rubrica. Se antes a dívida privada era de 245% do PIB aproximadamente em anos pré crise, hoje anda por volta dos 200% do PIB, valores tremendamente elevados mas que é um mérito no cenário português.

Só que agora é que temos o problema, a divida privada está incluída no que é a dívida externa que é a soma da dívida privada com a divida total das administrações públicas ou do sector público. A dívida externa podia ter baixado muito mais se o Estado tivesse feito outro esforço de consolidação e reforma estrutural.

O sector público não financeiro tem duas rubricas essenciais, as dívidas das administrações públicas e as empresas públicas. As empresas públicas tem a sua dívida a cair devido ao saneamento imposto pelos credores, o problema, lá está, é o consecutivo aumento dos valores em dívida do Monstro Estado que já vai em mais de 300 mil milhões de euros.

Em resumo, num cenário de crescimento estável e saudável, num cenário de mundial de estabilização, num cenário de uma política orçamental responsável, sem truques, maquilhagem e que seja um política estrutural, ou seja, tudo o que este governo não faz(falo da política orçamental), podíamos viver descansados com a inversão do ciclo económico que começa agora. Pois, um Governo responsável tinha aproveitado as drogas do BCE para efectuar “almofadas” contra uma crise vindoura, podia ter começado a reformar e a descer a despesa pública e a gerar saldos orçamentais positivos.

Mas não, Mário Centeno e António Costa nasceram com o síndrome do capitão gancho invertido, olham para o binóculo e a terra é vista em ziguezague, aproveitam um País anémico e ignorante e tratam da vidinha deles enquanto que os problemas estruturais se agravam. Basta um sopro, um pequeno sopro que o Castelo de cartas construído a cuspo caia, mas eles não querem saber.

Resumo de números:

◊ Dívida do Sector Público em ABRL/2018322,534 mil milhões de euros;

Dívida dos Particulares(141 478 mil milhões de euros) + Dívida das Empresas Privadas(260 279 mil milhões de euros) = 401 757 mil milhões de euros( Dívida Privada ou Sector Privado Não Financeiro)

∑(Somatório) da dívida do sector público e dívida privada= 724 290 mil milhões de euros(arredondado 724,3). Não esquecer que o somatório destas duas grandezas dá nos a dívida externa.

E só para ser mau, este valor subiu mais de 4 mil milhões de euros face ao mês anterior e mais de 6 mil milhões face a Abril do ano passado, apesar de que em % do PIB diminuiu, mas como a sorte não dura para sempre, num cenário de muito baixo crescimento devido à inercia geringonçal e a súbida constante da dívida os valores podem começar a subir(cenário idêntico para a divida pública).

Mini Glossário: 

⊗ PIB: Somatório de toda a riqueza produzida(bens e serviços), num determinado local e num determinado período de tempo por agentes económicos vigentes.

⊗ Dívida pública: É o somatório ou acumulação de todos os défices orçamentais que um País tem, quando um Estado tem défice este tem de se financiar para fazer face ás suas necessidades de financiamento que geram então a dívida, que é pública por ser “Estatal”.

⊗ Dívida privada: É o somatório ou acumulação das dívidas dos agentes económicos como as famílias e as empresas.

⊗ Dívida externa: É a soma da dívida pública com a dívida privada, apesar de que é algo mais complexo que isto, mas para perceberem a ideia.

⊗ Agentes Económicos: Podemos dizer que os Agentes Económicos são isso mesmo, agentes, um conjunto de indivíduos e que, através das suas decisões e acções, tomadas racionalmente, influenciam a economia. Quais são os agentes Económicos e o que fazem?

  1. ) Famílias: Tomam decisões como consumir(bens e serviços) como oferecem trabalho. Portanto temos a perspectiva do consumidor e do trabalhador respectivamente.
  2. ) Empresas Não Financeiras: Tem a função e decidem sobre recursos, produzem bens e serviços para os outros indivíduos. São não financeiras porque não tem essa finalidade, ou seja, a de guardar e gerar recursos financeiros como os bancos.
  3. ) Estado: Por mais que não goste deste agente económico, e não o devia ser, é considerado como um. É a entidade que define o conjunto de políticas e detém “áreas estratégicas” da Economia.
  4. ) Empresas Financeiras ou Instituições Financeiras: Ao contrário das empresas não financeiras, as financeiras recolhem recursos, poupanças, para financiar a actividade económica como um todo. São o garante da Estabilidade financeira.
  5. ) Resto do Mundo: Um agente económico com mais preponderância na Economia Portuguesa, é o agente com o qual temos relações comerciais, de troca de fluxos como exportações e importações.

Mauro Oliveira Pires

 

 

Inferno especial

Quando aparecer o primeiro sindicato em Portugal que proponha uma greve onde os meios de transporte substituam a paralisação pela não cobrança de bilhetes, teremos finalmente greves que afectam as empresas e o governo e vez de dar cabo da paciência aos utentes.

Esta semana escrevo do aeroporto Francisco Sá Carneiro no Porto à espera de embarcar para Lisboa. O voo está atrasado uma hora e meia. A greve nos comboios, iniciada na passada segunda-feira, afectou também os voos, a começar pela ponte aérea entre as duas cidades, com a maior parte dos bilhetes esgotados e o preço mais elevado que o habitual.

Os trabalhadores ferroviários realizaram a greve contra a possibilidade de circulação de comboios com um único agente. No primeiro dia, e segundo dados disponibilizados pela CP, a greve suprimiu 10 ligações internacionais (66%), 60 comboios regionais (72%), 114 comboios urbanos de Lisboa (98%) e 36 urbanos do Porto (72%).

O Sindicato Ferroviário da Revisão e Comercial itinerante indicou que a adesão à greve obrigou a uma paralisação de 90% dos comboios de mercadorias e de passageiros em todo o país, nas zonas urbanas de Lisboa atingiu os 100% e 95% no Porto.

Os sindicatos que convocaram a greve consideram que a circulação de comboios só com um agente põe em causa a segurança ferroviária de trabalhadores, utentes e mercadorias, e defendem que é necessário que não subsistirem dúvidas no Regulamento Geral de Segurança. Os ferroviários rejeitam alterações ao RGS com o objetivo de reduzir custos operacionais e consideram que a redação do mesmo, em discussão nos últimos meses, deixa em aberto a possibilidade de os operadores decidirem se colocam um ou dois agentes nos comboios. Reparem no “deixa em aberto”. E no que consiste essa falha na segurança? Ninguém sabe. São fornecidos números, dados, evidências? Parece que não é importante explicar.

Quando aparecer o primeiro sindicato em Portugal que proponha uma greve onde os meios de transporte substituam a paralização pela não cobrança de bilhetes, teremos finalmente greves que afectam as empresas e o governo em vez de dar cabo da paciência aos utentes.

Também aprecio quando os sindicatos convocam uma greve numa segunda-feira a seguir a um fim de semana prolongada como a dos comboios. Ou na véspera de Santos Populares na capital como a greve da Trastejo e Soflusa agendada para os próximos dias 11 e 12 de Junho. Deveria existir um inferno especial só para este tipo de decisões.

Ao tribunal arbitral a greve dos transportes fluviais ter sido precisamente convocada em dias de grande enchente e deslocação de pessoas entre Lisboa e a Margem Sul, não lhe pareceu importante e decretou não fixar serviços mínimos para o transporte de passageiros pelas empresas. Os passageiros têm duas pontes, autocarros e carros privados, bicicletas e patins, qual é o problema? E o que pretendem os sindicatos com a greve? “A valorização salarial dos trabalhadores da empresa.” Mas não estamos em tempos de pujança económica como nunca vista e os tempos de austeridade enterrados para sempre no passado?

Sofia Afonso Ferreira

Artigo Inicialmente Publicado no Jornal Económico

O Governo Português é Irresponsável!

Circo. É a palavra floral e de ordem no País das praias, bolas de berlim e vinho verde. Guterres, nos anos 2000, proclamou aos sete ventos da malapata que a reforma da Segurança Social da altura conseguiria suster o sistema de previdência social por mais 100 anos. Tais palavras não tinham feitiço e muito menos panos para tantos cálculos exagerados. Logo no primeiro Governo de Sócrates, numa outra “grande reforma” do sistema, mais uma vez este estaria a salvo.

Anos depois Passos viu e bem o problema de fundo, a Caixa Geral de Aposentações tinha reformados que, por um lado, descontaram o mesmo e trabalharam o mesmo número de anos que o privado e recebiam um conjunto de pagamentos mais elevados que estes, com isto, o sistema tinha e tem constantes défices crónicos estruturais, atingindo hoje um “excedente” devido as transferências públicas do Orçamento de Estado.

O plano de convergência de pensões de Passos fora aprovado em Conselho de Ministros e de seguida, os actuais coadjuvantes de António Costa, logo colocaram a medida para fiscalização no Tribunal Constitucional. Foi chumbada e mais um aumento de impostos, cortes de salários e despesas de ministérios Victor Gaspar teve que apertar e espremer para cumprir os objectivos internacionais.

Em 2015, no Programa eleitoral da PAF(Portugal À Frente), Passos tinha o plano de plafonamento de pensões como parte da solução do sistema de pensões, isto é, criar contas individuais para cada pessoa num sistema privado de pensões que cada um escolha, medida esta já implementada e com sucesso no Chile.

Factos são factos, o sistema de pensões português e todos os que sejam similares ao nosso são autênticos sistemas de Ponzi, um autêntico castelo onde escravos deitam a água do seu suor para outros beneficiarem. O Sistema depende infinitamente de pagamentos actuais dos nossos activos no mercado de trabalho, em troca de recebimentos futuros cada vez menores para si mesmos, para quem descontou portanto, pagando as actuais pensões que são financiadas pelos actuais activos.

Uma irresponsabilidade intergeracional aprofundada pela maré de políticos de esquerda e sociais democratas com tons de toranja. Ninguém soube fazer diferente, ninguém soube ser corajoso o suficiente no Pré-Troika. No Pós-Troika e até durante o Programa de Ajustamento, a fúria dos Lobbys, dos aventais e consecutivas jogadas de bastidores não deram para aprofundar a reforma estrutural que o País precisava em diversos sectores. Passos fez o que soube e o que pode.

Mas claro, Passos pode ter sido a excepção à regra pelo menos na vontade de mudança( apesar da não concretização de algo mais concreto para um projecto de reforma mais alargado do Sistema), só que as excepções acabam e o seu sucessor através de golpes contínuos de baú, a Troika Social Comunista, cuja cabecilha tem como expoente máximo António Costa, continua com palhas nos olhos e não faz um mínimo esforço para olhar e analisar o pântano e os pregos que deita para o caixão da Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações(olhando para o défice crónico à parte).

O Socialismo tem uma particularidade deveras interessante, os seus líderes tem o dom da palavra, quando aplicam medidas contraccionistas ou de restrição orçamental, cujo nome evoluiu para uma palavra Catarínica mais sofisticada, a famosa Austeridade, estes passam por entre os pingos da chuva. O lixo que deixam é sempre dos outros, a incineração é sempre do campo ideológico contrário, mas depois o discurso não difere.

Todos são socialistas, outros de martelo e  foice, outros com construções sociais rocambolescas a roçar o cabelo de espantalho da nossa querida Fernanda Câncio. Outros ainda socialistas de vaca voadora, uma balbúrdia da quinta em pleno.

Se ninguém quer eliminar subsistemas públicos tornando o sistema de pensões num só sistema, não monopolista como o actual, com regras iguais para todos, evoluindo para um sistema parecido ao Chileno ou Suiço podemos contar as charadas das cativações que quisermos em contos de fadas do além, mas não nos livramos de uma Tetra Bancarrota ou Penta que não tenha um sabor sucessivo cada vez mais amargo.

Terminando o artigo com alguns dados em concreto do subsistema público da Caixa Geral de Aposentações. Primeiro ponto a referir, o número de beneficiários a receber o seu “abono”, ou pensão na linguagem mais corrente, é hoje maior que o número de funcionários público activos a descontarem para as reformas dos aposentados públicos. O sistema no que é o seu fluxo operacional de pagamentos e recebimentos está per si desequilibrado.

CGA
FONTE: Relatório e contas CGA, 2016.

O índice de sustentabilidade na rubrica dos “indicadores”, já nos diz que em 2016 e em 2015 o rácio de subscritores face a aposentados da função pública está abaixo de 1, trocando por miúdos, não temos funcionários públicos suficientes que sustentem o sistema em Pirâmide construído. Uma fraude que engana as pessoas, poucos explicam e querem explicar. Porquê? Perde-se votos, dá trabalho, como diria o outro, é chato.

O único garante dos pagamentos actuais das reformas dos funcionários públicos, são, então, os fluxos monetários do Estado em forma de transferências correntes e subsídios, como podem ver no gráfico 2 que apresento bem como igualmente na transcrição escrita do relatório e contas da CGA.

CGA 2.png
FONTE: Relatório e Contas da CGA, 2016

Se repararem, o fecho do exercício das contas da CGA em 2014 e 2015 mostrava-nos duas coisas interessantes, os custos e perdas(despesa), eram maiores que os proveitos(receita), apesar de em 2016 já podemos dizer que eliminámos o défice do sistema.

Eliminámos sim, mas de modo conjuntural e não estrutural, se formos analisar os factos, a única rubrica da receita que sustenta o aumento dos proveitos da CGA são as transferências e subsídios do Estado que aumentaram de 4,13 mil milhões de euros em 2014 para em 2016 o Estado transferir cerca de 4,926 mil milhões de euros cerca de 800 milhões de euros a mais mais coisa menos coisa em 2 anos.

Para reforçar o que disse anteriormente:

CGA 3.png
FONTE: Relatório e Contas da CGA, 2016

É só lerem, está escarrapachado:” Respeitantes à comparticipação do OE, destinada a assegurar o equilíbrio financeiro da Instituição”

Por isso, sem o efeito Estado, a nível das transferências públicas os exercícios consolidados de 2014 a 2016 apresentaram défices crónicos a variarem os -3,3 a -4,1 mil milhões de euros. Eles disto não falam, não discutem nem gostam que se discuta. Portugal não vive em liberdade, vive num regime fascista de ideologia de Estado única que tudo absorve e nada faz por mudar.

Mauro Oliveira Pires