António Costa faz o que quer porque a direita deixa

O socialismo é uma doença que cujos sintomas iniciais se manifesta com pequenos retoques de prazer que tem sempre iniciação em trabalhos dos outros e acabam em bebedeira num bar, é assim a Economia portuguesa desde há 44 anos para cá: uma folha em branco onde todos querem escrever em linhas tortas e onde não há planeamento estratégico de longo prazo. O mesmo é dizer que o Partido Socialista sabe usar as fases ascendentes do ciclo económico a seu favor, não tendo feito o trabalho de fundo quando este inicia. Ao contrário da direita portuguesa, especialmente a liderada por Pedro Passos Coelho, esta sempre teve de carregar a cruz de ser a costureira mor do regime enquanto o PS se reagrupava e montava as mesmas tácticas de vitimização de sempre e, claro, sempre ao colo de determinada comunicação social.

Os efeitos nefastos deste ciclo são visíveis à direita e com um maior grau de amplificação por esta ter perdido o “norte”, por completo. A uniformização do regime, por parte de Costa, onde este joga em todos os cantos do tabuleiro do jogo chamando para si o cálice do poder e da negociação política, faz com que os eleitores olhem para Costa não como uma das alternativas, mas como “a”, alternativa. Aquele que não pode ser contestado nem incomodado por estar numa posição dominante e ser o dono completo do regime. Só assim se explica o quase beija mão do presidente da república ao primeiro-Ministro quando este o indigita sem saber os resultados eleitorais da emigração, algo que o professor de direito constitucional sabe e deixou passar ao lado. Só assim se explica a apatia do regime oligárquico perante o escândalo do lítio em que João Galamba tem relações e portanto o governo.

A direita deixou passar tudo isto. Falou. Mas não estruturou um ataque unido e conciso. Continua acantonada e refém, como não podia deixar de ser, de Pedro Passos Coelho que era consensual a liberais, conservadores, sociais democratas e democratas-cristãos. O institucionalismo, o rigor de actuação e a coragem deste perante a situação precária do País- perdoem me até a ligeireza do termo- nunca serão esquecidos, mas a ala não socialista tem que partir para uma corrida de longo curso e desta vez sem Passos. É difícil? Ninguém diz que não, há alguém melhor que ele? Muito dificilmente, sendo politicamente correcto. O ciclo  do ex-primeiro-ministro não terminou, muito pelo contrário, mas não há tempo.

A direita tem que ter um conteúdo programático liberal na economia. De reformas estruturais. De ideias e medidas frescas e inovadoras que os países bálticos e alguns de leste estão a implementar e que foram importantes para a recuperação a nível macroeconómico destes. A direita portuguesa tem que dar mais que a redistribuição do PS, que se esgota normalmente num horizonte temporal de dois anos ficando este depois a gerir com pinças um pântano orçamental de pequena dimensão que quintuplica de tamanho quando chega ás mãos dos outros.

O PSD, o CDS, o Iniciativa Liberal, o Chega e o Aliança não tem outra alternativa que não a união ou pelo menos trabalho conjunto e personalizado. O PSD e o CDS uma coligação eleitoral e os restantes um bloco de direita. Como queiram. O pragmatismo é primordial e os egos neste momento são desnecessários, no momento mais perigoso da democracia portuguesa pós-PREC. O Chega e o IL estão bem e recomendam-se, são uma clara alternativa ao socialismo cada um à sua maneira. O problema está no PSD  e num CDS cheios de vícios e que não se assumem de direita. O PSD encontrará o seu caminho, Rio está politicamente morto. O CDS tem um jovem que se chama Francisco Rodrigues dos Santos que tem a alma combativa e a estrutura ideológica que o CDS necessita e não de mais “sangue azul” de ocasião.

Um dos maiores presentes que Passos poderia receber neste momento é o descanso, que este merece. A direita tem essa obrigação para com ele. É respeito, mais do que isso até, é a capacidade de todos perceberem de uma vez que tivemos um político que não foi perfeito, longe disso, mas que tentou mudar as estruturas oligárquicas e rentistas aproximando Portugal dos seus parceiros europeus. Um patriota. Há pessoas que ainda não se aperceberam disso, até a própria direita.

Mauro Merali

António Costa já engoliu 3 sapos

O actual primeiro-ministro tem dois problemas essenciais: um de legitimidade e o outro que se prende por flechas gramaticais mal disparadas, quer no tempo, quer no espaço. O problema de legitimidade colocou Costa numa posição privilegiada para ser  um ser rancoroso, vingativo e com um nível de razoabilidade táctica a nível político que chega para brincar na caixa de areia que é a política portuguesa, onde os índices de mediocridade são elevados e o ambiente de vitupérios anda pelo mesmo trilho. Perdeu as eleições em 2015 para o primeiro-ministro “masoquista”- palavras do próprio- pois a austeridade era “imposta por Bruxelas”. Costa, em 2016 entretanto, baixa a despesa pública com maior foque na despesa de capital, rúbrica onde se insere o investimento público,  por imposição de Bruxelas, colocando em xeque até hoje os serviços públicos com uma austeridade conjuntural de vistas curtas. Até aqui já engoliu 2 sapos, engolindo ontem o terceiro com a derrota da sua geringonça europeia.

É verdade caros leitores que, é com as derrotas que aprendemos, mas uma vez por outra ter uma derrota “forte”, que nos abale a nossa estrutura emocional e nos faça mudar estruturalmente as nossas atitudes para futuro. Costa tem derrotas e não muda, adapta-se ao contexto como uma lapa, adopta medidas e políticas orçamentais que eram contra o seu senso comum e dispara foguetes de festa e nós apanhamos as canas, aumentando a amplitude de cabelos brancos que com certeza eu e muitos dos meus leitores começam a ter.

Não há dúvidas que Costa é pragmático, que sabe que tem de reformar, mas colocar isso como o pilar da sua próxima governação era acabar com a base da sua estrutura eleitoral. Se Portugal quer, nos próximos anos, ter o que se chama de politica de consolidação orçamental, mas a sério, terá que baixar a despesa pública não no investimento público, que terá de ser reposto para níveis aceitáveis, mas baixar despesa corrente e estrutural que aplicado ao mundo das empresas chamamos de custos fixos mas que, em finanças públicas, chamamos de despesa corrente. É portanto importante rever o tecto salarial da função pública, que continua maior em média que o sector privado, reformular as funções do Estado e como o queremos enquadrar enquanto agente económico, rever o número de funcionários públicos o sistema de pensões público bem como a constituição da república, para termos uma reforma ampla e consensual.

Isto, é claro, no mundo onde as rosas nascem cravos. Isto acontecia com um PS responsável, mais “centrista” e com algum pejo de ética, o que não acontece. Com isto, e sem uma política favorável à iniciativa privada e para a promoção do investimento directo estrangeiro, Portugal não passará da cauda da Europa e continuará amarrado ao colo do PS, que nos estrangula há 45 anos. Talvez quando os portugueses deixarem António Costa resolver a sua própria bancarrota podemos mudar a mentalidade do estado de coisas.

Mauro Merali

António Costa vai perder as eleições(mais uma vez!)

Podemos avaliar um governo, em geral, através de duas grandes variáveis que se ramificam em tantas outras: evolução macroeconómica e capacidade administrativa do território(vamos incluir aqui serviços entre outras componentes). O governo de António Costa, com suporte neo-comunista e soviético, nunca olhou de forma coerente para a componente macroeconómica e finanças públicas. Um financeiro que se preze, coloca sempre a questão quando olha para qualquer empresa: Será que esta, através do seu desempenho económico e financeiro,   pode remunerar os seus accionistas e terá esta a capacidade de solver os seus compromissos no futuro?

Ou seja, temos não só de olhar para o equilíbrio que esta tem que ter no curto prazo, mas igualmente que esta garanta resultados futuros que nos permitam resolver os compromissos que temos com os nossos credores. Mário Centeno e António Costa fazem precisamente o contrário do que mandam as práticas da boa gestão e, fazem,  o que qualquer empresário “merceeiro” português faz: olham para o curto prazo, esmagam os fornecedores, adiando cada vez mais os pagamentos a estes, de modo a que este “não pagamento” sirva de alívio artificial de um défice preso por arame farpado com soldadura de má qualidade.

A má qualidade da execução orçamental dos 4 anos de Centeno e Costa, mostra que não só a prática da soldadura é má, como colocaria qualquer soldador com os olhos em bico. O aproveitamento da ignorância dos portugueses em matérias económicas é, no entanto, bem aproveitada pela dupla mor que compõe a quimera geringonçal permitindo que estes façam a festa com creme que parece de qualidade “Parisiense”, mas que, na verdade, é da loja do chinês de uma esquina qualquer de Corroios ou do Seixal.

Colocar como fasquia de “sucesso”, diminuir o défice através de um aumento da receita efectiva, muito pelo efeito do aumento dos impostos indirectos(ISP; IVA..), e de uma manutenção elevada dos impostos directos(IRS, IRC..),  aproveitando para aumentar a despesa pública corrente que, em períodos de crise, é de difícil diminuição, diminuindo a despesa de capital e por sua vez o investimento público, afectando os serviços e os mais pobres, para alimentar as clientelas do Estados e os mesmos de sempre, é de uma irresponsabilidade atroz por parte de Costa e Centeno.

O problema, é sempre o mesmo, estamos numa inversão do ciclo económico como acontece sempre, é de responsabilidade do governo poupar em períodos de crescimento para que, em períodos recessivos, haja folga para diminuir impostos e assim estimular  actividade económica, este governo faz tudo ao contrário, dá a ilusão que o défice está controlado, pois o efeito crescimento traz mais receita que alimenta a redução do défice, o que está profundamente errado, pois devia alimentar os serviços públicos e não uma redução artificial que está ligada ao ciclo económico e não à redução da despesa pública que, ai sim, corresponderia uma redução efectiva do buraco das contas públicas.

Quando este período positivo conjuntural passar de vez, o que fica à vista é uma enorme despesa pública que aumentou irresponsavelmente, e que a direita, se for governo terá que diminuir, ficando outra vez com o ónus da austeridade e com o trabalho de casa por fazer. António Costa sairá de cena cumprindo o que sempre quis: ser Primeiro-Ministro mesmo que apoiado por um conjunto de cabalas políticas sem sal que nem no jurássico tinham lugar. O ego e o seu narcisismo perigoso colocam Portugal outra vez numa situação de incumprimento e de insustentabilidade com tudo a ruir à nossa volta, desde ao maior nivel institucional como Tancos e casos familiares típicos de um governo africano, como a nível de segurança básica como Pedrógão, incêndios de Outubro e falta de combustíveis que cuja greve já o governo tinha pré aviso desde inicio de Abril e nada fez.

É demasiada incompetência, complacência, mediocridade e bota-baixismo por parte de Costa e da sua trupe. Já devíamos estar habituados, afinal, o PS pouco mudou desde Soares, pensa que é dono do regime, da nação e da democracia. O problema, é que o povo português, tal como em Outubro de 2015, não falhou, Costa é que por golpe palaciano falhou ao País e pagará por isso em Outubro deste ano com a federação das direitas a ter maioria absoluta e este a ser remetido a um canto escuro, do qual nunca devia ter saído.

Mauro Merali

As desculpas de Mário Centeno

A pobre sina do povo português, a cada ano que passa, ou fado, para a sonoridade cair melhor, é ouvir de modo cíclico e ininterrupto um ministro das finanças de um governo socialista a usar a seta do cupido da “conjuntura internacional”, para mascarar a sua incompetência e incapacidade de operacionalização em cenários de vacas magras onde se requer a adopção de políticas orçamentais mais restritivas e, com tudo isto, um degradar da imagem de um governo que enfrenta marés mais violentas. Este é o problema primordial do socialismo português, que cresce de modo tentacular porque nunca é submetido verdadeiramente a cenários adversos onde estes tenham de “sujar as mãos”, trabalho que deixam para uma direita tímida e com má comunicação social.

Isto tudo para chegarmos ás declarações de Centeno, onde este diz o seguinte: ” Todos sabemos que representam uma desaceleração do crescimento [económico] na Europa e que essa desaceleração está muito associada aos riscos políticos acumulados na Europa, em particular os que estão relacionados com o ‘Brexit’ e às tensões comerciais”, declarou Mário Centeno”. O ministro das finanças, e presidente do Eurogrupo nas horas vagas- interpretando depois tal personagem em modo Vitor Gaspar, mas açucarado- sabe usar as palavras técnicas para conseguir o que quer, passar a mensagem que a margem e a manta estão curtas, mensagem essa que António Costa já engole e diz de modo suave para os seus parceiros coadjuvantes da sua governação.

As palavras de Centeno, como é claro, não são para colocar António Costa com mais cabelos brancos ou que este talvez um dia pare na cama da Catarina Martins por força da sua austeridade lexical, simplesmente é para preparar o terreno para a introdução da nova “cartilha”, comunicativa a todo o governo para que, quando a nova pré-bancarrota chegar, e se Costa tiver que accionar cortes na despesa que hoje andou a aumentar, as culpas sejam imediatamente enviadas para o exterior e então está configurado mais um inimigo externo da incompetência socialista em gerir seja o que for sem meter a pata na poça.

Poça essa que começa nas contas públicas de 2016, 2017 e 2018 e na ausência gritante de mudanças estruturais que continuassem o caminho reformista, ainda que tímido, de Passos Coelho. Sendo sucinto e não maçando com números: A execução orçamental de 2018 não difere muito das anteriores à excepção de 2016, onde Costa e Centeno por força de imposições de Bruxelas cortaram despesa corrente e de capital no seu conjunto, espremendo o investimento público até onde sabemos(faz parte da despesa de capital), colocando o défice de 2016 talvez como o orçamento mais “equilibrado” deste governo, pois é o único que maior parte da redução do défice é feito não por aumento da receita mas sim por diminuição da despesa.

Já execução orçamental de 2018,  mostra-nos precisamente o contrário. Temos a despesa pública cada vez mais “trancada”, rígida e de difícil corte. Maior parte da redução tímida do défice de 2018 é feita apartir do aumento da receita e com aumento de despesa, portanto, é como se andássemos a receber aumentos salariais extraordinários que podem não ocorrer no futuro próximo e com isso, estamos gastar o que não temos. O aumento da receita não vai continuar por muito mais tempo por força das leis da matemática e da economia, que não tem por de onde espremer mais. Centeno e Costa  são uma reprogramação de Sócrates, mas menos finos no modo de vestir e nas atitudes. Portugal está à deriva.

Mauro Merali

 

P.S- Para quem gosta de se rir aconselho visualização e subscrição: https://www.youtube.com/watch?v=tCrALr-moqA&t=1s

A Economia Portuguesa não resistirá a uma nova Gerigonça

O grande desafio da Economia Portuguesa no período de ajustamento financeiro e, já agora, de intervenção internacional, era o de tentarmos um novo modelo macroeconómico de crescimento que fosse ao mesmo tempo saudável e de longo prazo. Por modelo de crescimento saudável entendemos uma economia de pequena dimensão como a portuguesa mas aberta ao mundo, que consiga crescer em grande medida pelo lado da procura externa- exportações de bens e serviços- bem como pelo lado do investimento privado externo que nos desse retorno depois nas exportações e com mais valor acrescentado. Para que tal façanha fosse sustentável, o governo de Passos Coelho restaurou a credibilidade e o crédito internacional ao erário público como pelo meio ainda fez acordos fiscais com gente responsável do PS que cujo nome do líder traz saudades: António José Seguro.

Este era um modelo que nos escapava faz décadas e foi implementado com sucesso relativo. A continuação de mudança de um modelo estrutural de crescimento depende do que eu costumo chamar de “passagem de testemunho”, ou seja, os governos seguintes tinham que dar continuação e gerar novas reformas estruturais, algo que com António Costa não acontece. Parece masoquismo da minha parte, mas a nossa futura desgraça-devido à laxação e preguiça em reformar- é a bomba relógio principal que Costa e a sua trupe tem na mãos. Os vários pregos no caixão que Costa mandou vão se virar contra o mesmo num futuro muito próximo, pois Centeno já mudou de discurso há muito e até Costa segue a cartilha do seu ministro das finanças. O problema é que chegaram tarde, vejamos porquê:

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FONTE: Trading Economics, via Banco de Portugal

O indicador coincidente de atividade económica do Banco de Portugal, bastante fiável na antecipação da viragem de ciclos económicos, já nos tinha alertado em meados de 2017( barras rosas que mostram a tendência de abrandamento),que a Economia Portuguesa tinha chegado ao “ponto de inflexão” do seu ciclo máximo de crescimento que se iniciou em 2013. Segundo os “analistas” do Largo do Rato, a austeridade de Passos não funcionou, mas o facto é que como se vê no gráfico, a tendência de viragem da recessão inverteu-se em meados de 2012 antecipando crescimentos positivos em 2013 como aconteceu no 2º trimestre desse ano. Sim senhor, Costa este crescimento deve-se única e exclusivamente a Passos Coelho e não a si. A Economia Portuguesa cresceu APESAR DE SI, isso é que é primordial na análise.

A barra a bourdeaux(entrada da geringonça), mostra-nos que a Economia começou a ressentir-se com a mudança de políticas que Costa e Centeno queriam implementar. O facto, é que a economia abrandou no 1º e 2º trimestres de 2016 com os mercados(quem nos financia as nossas luxurias), a recearem uma nova pré-bancarrota para breve, entretanto Costa e Centeno recebem “avisos” de Bruxelas e possíveis sanções caso continuassem com a mesma política orçamental, no final Centeno começa a cativar. Nada é ao acaso, simplesmente a comunicação social encobre a incompetência de um governo que usa políticas orçamentais conjunturais em vez e estruturais e surfa ainda no ciclo económico positivo e ascendente criado por outros. Mais habilidade e matreirice não existem.

Para finalizar. Já está disponível a execução orçamental de 2018 que gostaria de analisar noutra altura mas que já nos mostra o monstro que Costa ajudou a criar. O défice de 2018 desceu cerca de 500 milhões de euros de 2018 face 2017, mas ficou acima da meta e, além disso, o ajustamento orçamental foi totalmente efectuado pelo lado da receita, uma vez que a despesa não desceu mas sim aumentou uns impressionantes 3000 mil milhões de euros de um ano para o outro. Tal aumento foi compensado por um acréscimo de receitas efectivas(5,2%), ou mais de 4 mil milhões de euros de aumento face ao incremento da despesa em 4,5%. Tanta percentagem e números para chegarmos a conclusão que estamos a gastar cada vez mais baseando nos em mais receita que provém de um ciclo económico positivo. Em recessão, a receita diminuirá e a despesa ficará lá toda, cada vez maior e o défice resvalará aumentando a nossa dívida pública para a segunda maior da Europa e a terceira maior do mundo.

Ser o “contabilista chato”, faz parte, nós avisamos, somos maquiavélicos dizem, frios, mas contas são contas. A matemática é a ciência mais mortífera do mundo.

Mauro Merali

 

 

 

A irresponsabilidade vai nos sair da pele

Num cenário em que Pedro Passos Coelho continuasse a governar em 2015, como o resultado das eleições legislativas assim o exigia, parte das reformas que o seu governo não fez quer por bloqueios das forças socialistas do Tribunal Constitucional, ou até por força do pragmatismo de resolver primariamente o problema financeiro, restabelecendo assim o normal funcionamento do acesso aos mercados por parte da República Portuguesa e por conseguinte a nossa credibilidade internacional, para depois, num governo próximo, o que não se tinha feito era negociado com um PS que se queria responsável e respeitador do voto do povo português. Aconteceu o que Passos queria, ganhou. Mas não governou, a pedra no sapato  impossibilitou a continuação de reformas estruturantes por parte do seu governo e ditou o fim da implementação das ditas reformas estruturais até porque, o governo Costa governa por paliativos e por remendos, nunca numa visão integrada e estruturada de como o País deve crescer, mas sim como aproveitar a onda de crescimento que já vinha de trás para distribuir rebuçados.

Começa aqui então a diferença entre Estadistas e Estatistas. Entre quem tem uma visão de libertar os portugueses de um Estado sugador e mau prestador de serviços básicos, dando sempre primazia a quem cria riqueza e portanto sustenta o erário público, com um homem que só pensa nas suas clientelas, nos seus amigos, em realinhar as tropas para reconstruir o sonho socialista de transformar o Estado Português de vez numa quase sucessão divina em que o PS é o Partido inimputável e que faz o que quer, passando as culpas para outras entidades que não ele pois este nunca gere uma crise de modo decente. Guterres não geriu o seu pântano, Sócrates chamou o FMI mas logo foi derrotado em eleições legislativas. A direita governa em Portugal com o programa dos outros, sempre com condicionalismos de maior, mesmo que tenha perspectivas programáticas, não as pode aplicar no seu todo pois tem que “limpar a casa”, que outros teimam em sujar.

Um ciclo vicioso e nada virtuoso que dá credibilidade à direita por um lado, pode-se contar com ela para situações difíceis, mas não existe possibilidade de construir um projecto comum e diferente do PS pois o eleitorado que a direita podia conquistar, está anestesiado pelas crises que esta gere e que as pessoas pensam que é a direita que as faz, pois uma coisa é apresentar a crise, outra é gerir uma crise, uma coisa é dizer que te vou ao bolso, outra é ir efectivamente ao bolso. E quando se toca no bolso do povo português, mesmo que não tenhamos culpa do sucedido, a incompreensão aumenta. Tudo devido à cobardia do PS em chegar-se à frente, quando o momento é complicado e ainda por cima causado por ele.

E claro, mais uma vez estamos assistir ao mesmo filme e até com personagens rigorosamente parecidas. Quando grande parte do governo Costa é Socrático, ou ex-ministros de Sócrates e até o próprio Costa foi, no primeiro mandato de Sócrates, temos aqui muita experiência acumulada de como quase falir um País. Caras novas e inovadoras? Zero. Um governo que representa políticas sujas e velhas do passado, com os mesmos vícios que nos vão, desculpem a falta de tacto, entalar a breve trecho. É só olhar para os números desta tabela que vos apresento do Banco de Portugal:

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FONTE: Banco de Portugal, Estatísticas Online

Em 3 anos efectivos de governo Costa e associados, a dívida pública em valores absolutos, aumentou de 231,526 mil milhões de euros para 251,476 mil milhões de euros, quase 20 mil milhões de euros de aumento. Se ouvir, até nos jornais de referência, que a dívida pública baixou, a verdade anda pelo meio. Baixou a percentagem, o rácio, pois o montante de dívida cresce, mas a economia também, o que “come” esse aumento em valor absoluto. O desafio de Mário Centeno e António Costa é explicarem ás pessoas, como estão agora a começar a fazer aos poucos, que quando não há dinheiro tem que se apertar o cinto. Um desafio importante para o PS aferir a sua capacidade de grande partido nacional- Gerir a próxima grande pré-bancarrota causada por si.

Desenganem-se quem pense que a dívida pública descerá, em valores absolutos e de forma sustentada, nos próximos anos, sem uma política orçamental com cortes estruturais na despesa pública e uma economia a crescer de forma saudável. A política de Centeno e Costa é aumentar a despesa para futuro baseando-se sempre numa arrecadação fiscal cada vez maior. Um erro de principiante crasso que nos custará a pele, e que a próxima recessão nos dará as boas vindas em desconstruir o castelo de cartas frágil da dupla mentirosa que temos ao comando, para nossa infelicidade. E, quando essa recessão chegar, a dívida, o grande bolo, estará lá, e estará pronta a galopar em percentagem até ao Evereste.

Dou um conselho final a Costa e Centeno: Peçam conselhos ao Sr. Tsipras, de facto o Syriza é o caminho a seguir, não é Costa?

Mauro Oliveira Pires

Este país mete nojo!

Está na hora de começarmos a olhar para o nosso país doutra forma. Perceber que urge exercer a nossa cidadania para fazer uma purga a estes políticos corruptos, interesseiros, desonestos e criminosos. E rápido, antes que não sobre pedra sobre pedra e nos tornemos num Brasil ou numa fase mais adiantada, numa Venezuela.

É incrível como em menos de 4 anos foi possível destruir tanto em Portugal. Primeiro foi a economia, que agora, só vai de feição devido à conjuntura externa favorável e ao BCE (ainda), mas mesmo assim a abrandar perigosamente, porque cá dentro, a esmagar tudo o que mexe com novos impostos e subir escandalosamente os já existentes, asfixiou-se o mercado, assustou-se os investidores, instalou-se a desconfiança. E mais há de vir.

Depois foi o descontrolo das finanças públicas, com promessas eleitoralistas populistas irresponsáveis de gastos supérfluos com “boys” espalhados por todo o país, a reverter medidas de contenção na despesa pública sem sustentabilidade, a enterrar dinheiro de impostos nas empresas públicas falidas entre as quais o banco do Estado e bancos privados, que lapidaram os recursos financeiros do país num ápice, provocando a falência técnica de tudo o que está ligado e dependente do Estado.

E agora, como se não bastasse, “mataram” a Justiça que devia ser um departamento independente, sem interferências políticas, mas que aos olhos de todos, estes dias, vimos desmoronar, ao constatar que os governos, sempre que é do seu interesse, podem influenciar e muito, o rumo dos processos judiciais: foi a substituição de uma PGR que fez um trabalho extraordinário no combate à corrupção sem qualquer necessidade; um sorteio de um novo juiz para a Operação Marquês, cheio de irregularidades, mas que mesmo assim foi aceite o resultado!

Nos intervalos destas “escandaleiras” todas, temos um primeiro ministro que faz tudo o que lhe apetece, sem dar satisfações, sempre pela calada da noite – em compadrio com BE e PCP – sem transparência, sem prestar contas. Nada! E mente sem pudor! Não é que teve coragem de dizer ontem em horário nobre na TVI, que “a dívida tem vindo a descer de forma sustentável” ao mesmo tempo que a imprensa dava conta que em Agosto deste ano, subiu para 250 mil milhões de euros quando em Dezembro de 2015 estava em 231 mil milhões?! É claramente um “Maduro” à portuguesa!

Temos ainda, para nossa desgraça, um ex-primeiro ministro arguido em vários processos crime a rir na nossa cara, porque o afastamento dos principais perigos à sua liberdade estão já arrumadinhos a um canto, certo que vai ainda conseguir ser indemnizado pelo Estado por “calúnia” como ele tanta vez o disse, para continuar a viver de luxos à conta dos portugueses contribuintes. Um presumível inocente que tem visto TODOS seus recursos abortados, por todas as instâncias judiciais, provando assim que de facto há prova da sua culpabilidade e que não é nem um pouco perseguição do juiz Carlos Alexandre, mas sim, a justiça a funcionar uma vez na vida em Portugal para crimes de “colarinhos brancos”.

Para terminar com estilo, a Comunicação Social:

desonesta, parcial e completamente comprada pelo sistema, a propagar mentiras, a distorcer realidades, a embriagar a população de modo a mostrar um país inexistente, só para manter a narrativa do governo “gerigonceiro” marxista, a dar o empurrão final em direcção a uma estrondosa bancarrota e colapso social.

É triste ver que todos aqueles que têm o poder de construir um país melhor estão literalmente a matá-lo, a ele e seu povo, sem qualquer peso na consciência, sem qualquer receio sequer de virem a prestar contas por isso.

Este país mete nojo! Muito nojo! E se não formos nós, cidadãos, a acordar rapidamente, quando abrirmos finalmente os olhos, já será demasiado tarde.

Acorda meu povo!

Cristina Miranda

Via Blasfémias

Não há pão? Comam brioches

Não há bens para comer, nem dinheiro para os comprar? Poupem, e comprem ouro”. Eis numa linha só, o que esta semana Nicolas Maduro basicamente aconselhou o seu povo a fazer.

Segundo reza a história, (ainda que não tenha sido possível comprovar a sua veracidade) ou talvez seja só uma lenda, em tempos idos lá pela França, existiu uma sra. que enquanto o seu povo se queixava da falta de pão, e morriam milhões à fome, ela aconselhava-os a comer brioches.

Com milhões de venezuelanos a morrer de fome, uma inflação superior a 10.000%, com um salário médio inferior a 40 euros mensais, com uma economia que já praticamente nada produz, e onde já não existem sequer bens de primeira necessidade, com um salário mínimo que equivale a terem que trabalhar um mês para conseguir comprar 6 kilos de arroz, Maduro, esse “Grande Líder Timoneiro ” do povo venezuelano, veio dizer ao seu povo para pouparem dinheiro para comprarem ouro.

A dita sra. francesa, acabou (e sim esta parte é absolutamente verdade) com com a cabeça cortada, às mãos do seu próprio povo, e há quem diga, que os seus executores, por lembrança das suas famosas palavras, fizeram questão de lhe enfiar uns brioches pela goela abaixo, antes de lhe darem o merecido fim.

Já Nicolas Maduro, não sei qual irá ser o seu fim, ainda que, suspeito, também não irá ser nada simpático, mas quando esse dia chegar, espero que o povo lhe conceda como última refeição, umas barras de ouro enfiadas pelas goelas abaixo, pois enfiar-lhe pão e brioches, com um povo onde milhões passam fome e onde milhares morrem de fome, seria um enorme desperdício.

Rui Mendes Ferreira( Sigam o Rui no facebook)

A Catástrofe das 35 horas no SNS

Quando criaram a Geringonça e tomaram conta do poder, prometeram tudo e mais um par de botas. Em cima da mesa estavam todas as medidas de austeridade impostas pela Troika por via do desgoverno de Sócrates – e cuja culpa recaiu sobre Passos – que era preciso reverter, custasse o que custasse, só por populismo, sem qualquer responsabilidade. Com os cofres cheio de dinheiro deixado por Maria Luís Albuquerque, a tarefa não foi difícil. Enquanto havia para distribuir, andava tudo bem no “país das maravilhas socialistas”. O problema (o de sempre) foi quando passado um ano o dinheiro esgotou-se. Puf! Dissimuladamente, enquanto Costa continuava a pregar aos burros “boas novas”, Centeno pela calada, cativava. E cativava. E cativava. Tudo mais ou menos “controlado” (diga-se, escondido) até ao momento em que a aplicação das 35 horas dá a machadada final e implode o SNS. Já havia avisos que a catástrofe era iminente: um  aumento colossal da dívida do SNS; falta de equipamentos, medicamentos e materiais como compressas e fios de sutura; falta de enfermeiros; falta de médicos especialistas. Mas o pior estava para vir…

Não é preciso ter um QI sobrenatural para perceber que, para haver redução da carga horária de 40 para 35 horas, ou há gente a mais e estão todos a “lamber sabão” no trabalho – e aí até sobra pessoal, logo a redução não afecta os serviços representando uma poupança –  ou fazem mesmo falta e nesse caso, ao reduzir o horário laboral vai provocar necessidade de novas contratações urgentes e consequente aumento de despesa. Não há aqui milagres. Dizer-se que esta lei não aumenta a despesa é desonesto. Sobretudo quando falamos do SNS que ao contrário doutros serviços (há por aí muitas instituições públicas inúteis e cheias de gente), já estava carente de muitos profissionais já com as 40 horas semanais. Logo, reduzir sem compensar com contratações de mais funcionários era um  “assassinato” previsível ao SNS.

A catástrofe tinha de acontecer a qualquer minuto. Mesmo com a parca compensação das 2000 contratações, a entrada em vigor para o sector da saúde a 1 de Julho das 35 horas provocou um “tsunami” devastador que ainda não parou de fazer estragos sérios no ministério da saúde: o Centro Hospitalar de Vila Real vai encerrar 50 camas e o bloco cirúrgico oncológico; as grávidas do Hospital Alfredo da Costa são transferidas a meio do trabalho de parto; demissões no Centro Hospitalar Lisboa Central onde se exige plano de catástrofe; a maternidade do Alfredo da Costa que encerra 3 salas de parto; o fecho da unidade de cuidados coronários da Guarda; o Hospital S. João que  encerra 70 camas e alguns blocos operatórios; o Hospital de S. José sem urgência de cirurgia vascular; o Hospital de Lamego que vai fechar 6 camas nas especialidades de cirurgia e medicina. Ao todo já encerraram em todo o país mais de 240 camas em diversas unidades hospitalares. Onde estão os activistas dos cordões humanos frente à Maternidade Alfredo da Costa no tempo de Passos? Morreram? Imigraram?

Costa, ao “estilo Gaspar” sem Troika,  já veio dizer alto e bom som no Parlamento que não há dinheiro. Que é preciso estabelecer prioridades (é verdade! quem diria!). Deve ser por isso que  mandou prosseguir com as obras  no IP3, vai avançar com um financiamento a Moçambique no valor de 202 milhões de euros e atribuiu sem qualquer controlo 4 mil milhões em subsídios enquanto a ala pediátrica do S. João continua à espera dos 5 milhões prometidos e o SNS estoura por falta de contratações urgentes e obrigatórias de todo o tipo de pessoal.

Que diz entretanto Marcelo sobre o caos instalado na saúde? Que é preciso esperar para verOk. Foi exactamente o que vimos em Pedrógão. Esperamos e vimos a morte de centenas de cidadãos. Prevenção não é nosso forte e com um Presidente que ao invés de puxar as orelhas e estes “miúdos irresponsáveis” dá-lhes AINDA, depois de todos os falhanços vergonhosos, o benefício da dúvida a qualquer hora, estamos entregues à bicharada. Como se já não bastasse, ainda foi dizer que a dívida (sim, a dívida pública que não parou de subir desde a entrada da Geringonça) subiu mas vai baixar, qual astrólogo do bem aventurado milagre económico e financeiro que nunca acontece a não ser na imaginação dele!

Entre as “prioridades” de Costa e a “fé cega e surda” de Marcelo, venha o diabo e escolha!

Cristina Miranda

Via Blasfémias

 

É o Socialismo, Estúpido!

Um breve e simples ponto de situação sobre a Grécia:

– de um brutal déficit nas contas públicas, de 15,1% para um excedente de 0,8%.

– de uma economia em recessão e com o PIB continuamente em valores negativos de um máximo de -5,5%, para uma economia em crescimento de 1,4%.

– de uma balança comercial altamente deficitária em 2007, para uma balança já só ligeiramente deficitária e praticamente em vias atingir equilíbrio.

-registar já em 2018 o valor mais alto de SEMPRE nas suas exportações. –

reduz a despesa do Estado de um recorde de 95 mil milhões em 2008, para 58 mil milhões em 2017. – de uma situação recorde em (2012) em que o Estado anualmente absorvia e gastava 63% do total da riqueza produzida pelo país durante um ano, para uma despesa de 48% do total da riqueza produzida num ano. –

de contas externas brutalmente deficitárias, para contas externas equilibradas. –

de um valor recorde de dívida pública acumulada de 181% do PIB em 2016, para 178% em 2017, numa clara trajectória de redução da sua dívida acumulada. –

de juros de dívida pública de 40% em 2012, para juros inferiores a 4% em 2018. –

de uma situação em que investidor algum no mundo estava disposto a investir ou a emprestar, para uma situação de abertura de investimento e empréstimos dos mercados e a juros baixos.

Tudo isto em “austeridade” e com as políticas absolutamente contrárias às praticadas e defendidas pelos adeptos do socialismo, nomeadamente em absoluta contravenção com as políticas que o próprio governo do Syriza defendia no seu programa de governo. Fica igualmente provado, que não é necessário recorrer a gastos públicos nem a existência de deficits para que uma economia consiga crescer.

Bem pelo contrário. A inexistência de deficits e governações com gastos públicos equilibrados é por si próprio uma situação que induz ao investimento privado, que resulta em crescimento económico de forma sustentável e saudável, fazendo cair por terra todas as teses das governações socialistas.

Eis pois um governo de socialistas, a conseguir apresentar bons resultados económicos. Mas foi precisamente porque, foram obrigados a meter o socialismo na gaveta e a ter que praticar as políticas contra as quais sempre se insurgiram, é que os resultados na Grécia são positivos. Podem governos de socialistas conseguir apresentar bons resultados económicos?

Podem. Desde que não lhes permitam governar com socialismos, nem os deixem comportar-se como socialistas.

Rui Mendes Ferreira