António Costa vai perder as eleições(mais uma vez!)

Podemos avaliar um governo, em geral, através de duas grandes variáveis que se ramificam em tantas outras: evolução macroeconómica e capacidade administrativa do território(vamos incluir aqui serviços entre outras componentes). O governo de António Costa, com suporte neo-comunista e soviético, nunca olhou de forma coerente para a componente macroeconómica e finanças públicas. Um financeiro que se preze, coloca sempre a questão quando olha para qualquer empresa: Será que esta, através do seu desempenho económico e financeiro,   pode remunerar os seus accionistas e terá esta a capacidade de solver os seus compromissos no futuro?

Ou seja, temos não só de olhar para o equilíbrio que esta tem que ter no curto prazo, mas igualmente que esta garanta resultados futuros que nos permitam resolver os compromissos que temos com os nossos credores. Mário Centeno e António Costa fazem precisamente o contrário do que mandam as práticas da boa gestão e, fazem,  o que qualquer empresário “merceeiro” português faz: olham para o curto prazo, esmagam os fornecedores, adiando cada vez mais os pagamentos a estes, de modo a que este “não pagamento” sirva de alívio artificial de um défice preso por arame farpado com soldadura de má qualidade.

A má qualidade da execução orçamental dos 4 anos de Centeno e Costa, mostra que não só a prática da soldadura é má, como colocaria qualquer soldador com os olhos em bico. O aproveitamento da ignorância dos portugueses em matérias económicas é, no entanto, bem aproveitada pela dupla mor que compõe a quimera geringonçal permitindo que estes façam a festa com creme que parece de qualidade “Parisiense”, mas que, na verdade, é da loja do chinês de uma esquina qualquer de Corroios ou do Seixal.

Colocar como fasquia de “sucesso”, diminuir o défice através de um aumento da receita efectiva, muito pelo efeito do aumento dos impostos indirectos(ISP; IVA..), e de uma manutenção elevada dos impostos directos(IRS, IRC..),  aproveitando para aumentar a despesa pública corrente que, em períodos de crise, é de difícil diminuição, diminuindo a despesa de capital e por sua vez o investimento público, afectando os serviços e os mais pobres, para alimentar as clientelas do Estados e os mesmos de sempre, é de uma irresponsabilidade atroz por parte de Costa e Centeno.

O problema, é sempre o mesmo, estamos numa inversão do ciclo económico como acontece sempre, é de responsabilidade do governo poupar em períodos de crescimento para que, em períodos recessivos, haja folga para diminuir impostos e assim estimular  actividade económica, este governo faz tudo ao contrário, dá a ilusão que o défice está controlado, pois o efeito crescimento traz mais receita que alimenta a redução do défice, o que está profundamente errado, pois devia alimentar os serviços públicos e não uma redução artificial que está ligada ao ciclo económico e não à redução da despesa pública que, ai sim, corresponderia uma redução efectiva do buraco das contas públicas.

Quando este período positivo conjuntural passar de vez, o que fica à vista é uma enorme despesa pública que aumentou irresponsavelmente, e que a direita, se for governo terá que diminuir, ficando outra vez com o ónus da austeridade e com o trabalho de casa por fazer. António Costa sairá de cena cumprindo o que sempre quis: ser Primeiro-Ministro mesmo que apoiado por um conjunto de cabalas políticas sem sal que nem no jurássico tinham lugar. O ego e o seu narcisismo perigoso colocam Portugal outra vez numa situação de incumprimento e de insustentabilidade com tudo a ruir à nossa volta, desde ao maior nivel institucional como Tancos e casos familiares típicos de um governo africano, como a nível de segurança básica como Pedrógão, incêndios de Outubro e falta de combustíveis que cuja greve já o governo tinha pré aviso desde inicio de Abril e nada fez.

É demasiada incompetência, complacência, mediocridade e bota-baixismo por parte de Costa e da sua trupe. Já devíamos estar habituados, afinal, o PS pouco mudou desde Soares, pensa que é dono do regime, da nação e da democracia. O problema, é que o povo português, tal como em Outubro de 2015, não falhou, Costa é que por golpe palaciano falhou ao País e pagará por isso em Outubro deste ano com a federação das direitas a ter maioria absoluta e este a ser remetido a um canto escuro, do qual nunca devia ter saído.

Mauro Merali

Mário Centeno: A verdade da mentira

Uma análise as contas e ao deficit de 2018:

A maior carga fiscal de sempre, a maior receita fiscal de sempre, a menor despesa de investimento público de sempre, as maiores cativações de sempre, a maior dívida pública de sempre.

Analisemos pois os seguintes números:

Em 2018 o PIB subiu 2,2% o que corresponde a 4,4 mil milhões de euros, mas a receita fiscal subiu 6,4%, o que corresponde a perto de 4,6 mil milhões de euros.

Ou seja a colecta fiscal em termos percentuais cresceu quase o triplo (300% mais) que o crescimento percentual da economia, e em termos nominais a receita fiscal superou em quase mais 200 milhões que toda a riqueza adicional gerada em 2018 face a 2017.

Notem bem como a dimensão do aumento da colecta fiscal, absorveu a totalidade do adicional de riqueza criada em 2018, face a 2017, e ainda mais quase 200 milhões, ou seja, tudo o que os trabalhadores e as empresas do sector privado conseguiram produzir e ganhar a mais em 2018, foi basicamente confiscado pelo Estado,

No entanto, mesmo com todo este aumento da receita em 2018, na ordem dos 4,6 mil milhões, ainda assim continuamos a ter contas públicas negativas na ordem de 800 a 1000 milhões de euros.

O déficit público em 2017 foi de mais ou menos 0,9% do PIB, que significa algo na ordem de +/- 1,8 mil milhões de euros, Em 2018 terá sido de 0,4% a 0,5%, que significa algo na ordem dos 800 a mil milhões de euros. Ora assim sendo, em 2018, e face a 2017, só reduziram o défict 0,5% a 0,4%, que representa um valor nominal entre mil a 800 milhões euros.
A dívida pública acumulada cresceu no mínimo mais 1,2 mil milhões.E tudo isto, após a receita dos impostos ter sido 4,6 mil milhões superior em 2018, comparativamente a 2017.

Isto significa, que dos 4,6 mil milhões resultantes do aumento da cobrança de impostos, exceptuando 800 milhões, nada mais foi utilizado para fazer diminuir o deficit e rigorosamente nada foi utilizado para abater na dívida, que, repito, continuou a crescer.

Sim perceberam bem, mesmo com a receita a aumentar 4,6 mil milhões de euros, o déficit só diminuiu 800 milhões de euros, e a dívida pública cresceu 1,2 mil milhões.

Acresce ainda que a receita pública de 2018 foi inflacionada com receitas extraordinárias de quase 500 milhões de “dividendos” do Banco de Portugal, que mais não são que ajudas indirectas e em certa medida “artificiais”, dadas pelo BCE.

Do lado da despesa, também o efeito da política monetária do BCE produziu benefícios, pela redução das taxas de juros, que gerou uma poupança de algumas centenas de milhões de euros na factura dos juros da nossa dívida pública.

Ambas as situações, os dividendos do BdP e a significativa redução dos juros de dívida, terá representado um contributo positivo na ordem dos 800 milhões de euros, ou 0,4% do PIB.

No entanto, são ambas unicamente resultantes da política monetária e das ajudas do BCE, que são temporárias, e que tenderão a ser descontinuadas. Não são pois medidas nem efeitos estruturais, consolidados e permanentes.

Verifica-se assim, que a redução do défict em 2018, foi muitíssimo pequena, e até essa pouca redução, de meros 800 milhões de euros, foi toda ela realizada com o efeito das medidas de política monetária do BCE, que como em cima expliquei, são temporárias e de carácter extraordinário.

Por serem benefícios de carácter extraordinário e temporários, devia-se ter optado por uma gestão mais prudente, e os recursos daí resultantes deveriam ter sido canalizadas para abater na dívida pública, ou então deviam ter sido colocadas de lado como reserva, para reforço da chamada “almofada financeira”, para fazer frente a futuros períodos de eventuais abrandamentos ou mesmo recessões.

Dos 4,6 mil milhões resultantes do aumento da receita fiscal, nada foi utilizado para fazer baixar o deficit, e muito menos para pagar o que fosse na dívida pública acumulada.

Mas então se as receitas cresceram 4,6 mil milhões e o deficit somente regrediu 800 milhões, e essa redução foi toda ela conseguida por recurso a medidas e receitas e poupanças extraordinárias que pela sua natureza podem não ser repetíveis, e nada foi reduzido através das receitas dos impostos, para onde foram os 4,6 mil milhões de impostos cobrados adicionalmente em 2018?

A resposta é simples: toda a receita fiscal adicional de 2018, foi toda ela gasta em mais aumentos das despesas do Estado,

Os custos das 35 horas semanais, a entrada de mais 45 mil funcionários no quadro da função pública, descongelamento das carreiras e promoções automáticas, aumentos salariais generalizados, descongelamentos e aumentos extraordinários das pensões, aumentos das pensões mais elevadas, sendo que a esmagadora maioria destas pensões pertencem à CGA (reformados do sector público).

Tudo despesas maioritariamente fixas, que mais tarde em caso de abrandamento das economias ou mesmo durante uma eventual recessão, em que a receita fiscal deixe de crescer ou até diminua, não podem nem ser revertidas nem diminuídas.

Ora com aumentos de despesas que depois não podem ser revertidas ou diminuídas, em caso de abrandamento da economia, ficamos uma vez mais obrigados a ter que recorrer a mais aumentos de impostos, sobre os aumentos já existentes, a cortes brutais no investimento público, e a cortes nos serviços públicos. Ou é isso, ou então teremos o regresso de mais deficits, mais dívida, e maior factura de juros.

Temos pois, que apesar de todo o brutal aumento da colecta fiscal, o governo optou por manter um modelo de governação, que foi de continuarmos a comer faustosamente e acima das possibilidades da nossa economia, e a deixar a conta da refeição para os nosso filhos, netos e demais seguintes gerações pagarem.

Modelo este, que já nos conduziu a 3 falências em pouco mais de 30 anos, e que é o responsável por termos uma das maiores dívidas públicas do mundo.

2018, continuou a ser mais um ano de “chapa ganha, chapa totalmente gasta” e não isso chegou, pois ainda tivemos que ir pedir emprestado mais 1,2 mil milhões.

O que já deveria ter sido um ano de acumulação de alguma poupança (excedentes) foi um ano de abastada gastança nas despesas fixas do Estado, Mais um, a juntar ao de 2016 e 17.

Sejamos pois muito pragmáticos na análise à situação fiscal: esta carga fiscal recorde, com este modelo de governação, não só veio para ficar, como há é uma elevada probabilidade de que venha a ser ainda mais aumentada.

Até que não haja uma diminuição nas despesas fixas do Estado, e até que os governos continuem a aumentar os gastos do Estado a um ritmo percentual acima do crescimento da economia, (e só em 2018 a despesa aumentou ao ritmo do dobro do PIB) não haverá nunca receita fiscal suficiente para satisfazer a voracidade do Estado, e muito menos haverá alguma folga para termos uma diminuição dos impostos.

Com a insistência nestes modelos de governação, a previsão será pois de mais aumentos da carga fiscal, e jamais a sua redução ou estabilização.

Quanto à dívida pública, contrariamente ao que o governo alega, ela não só não diminuiu, como apresentou um aumento face a 2017. Até que exista déficit nas contas públicas, a dívida pública forçosamente continuará sempre a aumentar

A tranche da dívida que foi paga ao FMI, que foi na altura muito propagandeada, foi toda ela paga com recurso a nova dívida. Fomos pedir dinheiro emprestado a uns, para pagar a outros. Ou seja, na realidade só mudamos foi de credores.

O que registou alguma ligeira diminuição, muito ligeira mesmo e muito abaixo do objectivo de Bruxelas e do que já seria necessário ter sido feito, foi o peso relativo da dívida, em termos percentuais, face à nossa economia (PIB).

O valor nominal da dívida, ou seja o montante que realmente estamos a dever, esse aumentar em 2018. e de acordo com o Orçamento de Estado para 2019 irá continuar a aumentar.

Em resumo, os saldos das contas em 2018 ficaram só ligeiramente melhores que em 2017, apesar do brutal aumento das receitas fiscais.

Tal melhoria, curta, foi conseguido de forma errada, por recurso a uma série de medidas e “habilidades”, sendo umas de efeitos temporários e outras que posteriormente tendem a produzir efeitos nefastos sobre a economia e sobre as contas públicas.

Uma vez mais, uma política com opções unicamente viradas para o momento, de muito curto prazo, ignorando totalmente as consequências negativas que irão causar a curto e a médio prazo.

Cativações, atrasos de pagamentos a fornecedores. e atrasos nas atribuições e nos pagamentos das reformas a novos pensionistas, receitas extraordinárias não recorrentes, etc etc foram as medidas não sustentáveis a médio ou mesmo a curto prazo, a que o governo recorreu para fazer diminuir o valor do défict.

No entanto, devido ao brutal aumento da despesa fixa, muito para além do razoável e do que seria prudente, as contas públicas estão no fio da navalha, de tal forma que ao menor percalço, corremos o risco de descambar uma vez mais para uma situação de beira do abismo.

Temos assim, que o menor déficit de sempre no pós 25 de Abril, em função do crescimento económico e das receitas fiscais conseguidas, devia era já ter sido um excedente, na ordem de 1% a 2% do PIB.

Excedente esse que deveríamos ter mantido ao longo de todo este ciclo económico positivo para depois ter espaço de manobra orçamental para fazer frente a futuras inversões de ciclo, e sem ser necessário recorrer a medidas drásticas nem sofremos grandes apertos.

Nestes tempos de crescimento das economias, devíamos já estar a obter excedentes, (poupança) que depois seriam utilizados em tempos de recessão, (despesa) financiando eventuais deficits sem ser necessário recorrer a crédito externo nem a aumento de dívida.

Este resultado de 2018, é pois é muito curto, e deve ser considerado uma oportunidade perdida. Mais uma.

E o pior é que foi conseguido por meios e políticas erradas, revelador de um modelo de governação que está unicamente focado no imediato, como tem sido apanágio de quase todos os nossos governos desde 74, nada preocupados com o futuro nem em assegurar uma situação estável e sustentável.

Estamos novamente a ser governados por objectivos de puro eleitoralismo, e continuaram a varrer algum do lixo para debaixo do tapete, e só não têm varrido muito mais porque a UE está hoje em dia um pouco mais atenta e exigente.

Continuaram a fazer de conta que já não há lixo na casa para ser limpo, e continuaram a empurrar para frente com a barriga, enormes problemas que estão por resolver, mas que um dia, a bem ou a mal, vão ter que ser resolvidos. Quanto mais tarde maiores e mais duros serão os custos, do que os que teríamos se fossem hoje enfrentados.

Resumindo, as contas de 2018 estão assentes numa linha muito fina e ténue entre o quase equilíbrio e em simultâneo o regresso aos deficits excessivos. Dada à forma como tem sido feita esta redução do deficit quase que podemos dizer que estão presas por “arames”.

Repito, face ao ciclo económico que atingiu o seu pico em 2018 e que já entrou claramente em abrandamento em 2019, e face à enorme receita fiscal obtida em 2018, as contas públicas já deveriam ter apresentado um robusto excedente, e nunca uma situação de deficit, por mais pequeno que nos digam que foi.

Com um mais que certo abrandamento da economia, já previsto para 2019 e anos seguintes, se a receita fiscal regredir, ou começar a crescer menos que o crescimento da economia, e com este modelo de enorme e permanente crescimento da despesa pública, e com a impossibilidade de poderem cortar ou reverter os aumentos das despesas fixas que andaram a fazer em 2016/17/18, facilmente regressaremos aos tempos de défices excessivos, e por conseguinte mais dívida, e teremos mais impostos, mais cativações, mais cortes no investimento, que foi já reduzido a níveis nunca antes vistos, e mais deterioração na quantidade e na qualidade dos serviços públicos.

Assim, para 2019 preparem-se para mais um ano onde iremos ter que pagar mais impostos, ainda mais, e em troca iremos continuar a receber menos e piores serviços públicos.

Sendo 2019 ano de eleições vai ser também mais um ano de abastança para as habituais clientelas do regime, a serem mais uma vez, generosamente recompensados, pela lealdade do seu voto, mas onde tudo o que estes irão receber, será depois retirado. em dobro, aos restantes portugueses. Os tais restantes portugueses, que está convencionado pelo regime que estão obrigados a ter que sustentar os conhecidos sectores do privilégio e dos direitos adquiridos.

Claro que de tudo isto irá depois resultar uma factura para os mesmos de sempre pagarem, mas que, por questões eleitoralistas, só nos irão apresentar em 2020 e seguintes. Vai ser assim, limpinho, limpinho.
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E é isto. Tudo mais que vos digam de diferente, podem ter a certeza que estão a mentir-vos.

Rui Mendes Ferreira

Sócrates também anunciou o “melhor” défice da democracia portuguesa

As patranhas à volta do défice voltaram. Costa diz que é o “um resultado histórico e virtuoso”. Centeno afirma que “é uma conquista desta legislatura”,  que “Portugal conseguiu virar a página da austeridade” e que “as profecias da direita falharam”.  Ambos estão em êxtase e vangloriam-se deste valor – 0,5% do PIB. É impressão minha ou já vivemos este filme com a mesma histeria nos anúncios de  Sócrates a poucos passos de uma bancarrota ?

Se visse seu vizinho que ganha o salário mínimo, cheio de dívidas, a comprar um Lamborghini, a fazer férias no Mónaco, a dizer que está cheio de dinheiro o que pensaria? Certamente diria que o tipo é um mentiroso, que jamais poderia ter aquele nível de vida se não se endividasse até ao pescoço e fizesse ainda calotes a toda a gente, certo? Então porque teima em acreditar que este magnífico défice feito às custas da falência técnica de todo um país com a suspensão dos pagamentos, cativações,  retenção das pensões dos nossos emigrantes e aumento  de impostos nunca vistos desde 1995, é verdadeiro?

O país está um caos. Os comboios estão a cair aos bocados; nos hospitais e escolas falta tudo; as estradas, pontes, viadutos, edifícios públicos estão  a ruir; a (des)Protecção Civil  mata em fogos florestais por via da colocação de “boys”sem qualificações e meios obsoletos; a polícia não tem gasóleo nem carros em condições sequer para fazer rondas; os transportes públicos são suprimidos por falta de manutenção;  a emigração é  elevada; o endividamento das famílias aumentou; a poupança caiu.

Se tudo o que foi varrido para “debaixo do tapete” fosse colocado nas contas do défice, teríamos um valor muito superior a 3-4% mas a UE permite cosméticas no apuramento do défice. Malabarismos contabilísticos que fazem com que possam levar umas despesas ao défice e  outras já não. É o ilusionismo do costume que fez e faz de nós grandes aldrabões profissionais na Europa. Foi assim com esta marosca  toda, que aderimos ao euro. Lembram-se?

Como pode uma dívida pública estar constantemente a subir e o défice ser historicamente baixo sem manipulação de números contabilísticos? Façamos um exercício simples: você em casa tem um desequilíbrio financeiro. Suas despesas são maiores que as receitas. Para equilibrar esse défice o que faz: 1. pede um aumento ao patrão? 2. tenta fazer mais entradas de receitas com horas extra ou um part-time  aos fins semana? 3. corta nas suas despesas que não são de primeira necessidade? 4. deixa de fazer qualquer despesa não comprando quase nada e  não paga contas seja de luz,  água, renda e empréstimos?

Obviamente que não optou pela 4 hipótese, certo? Não optou porque sabe que isso não soluciona nada, pelo contrário, adia e agrava o seu défice, certo? Então porque aceita que Centeno o faça no país? A fórmula utilizada por este malabarista da treta é exactamente aquela que você rejeitaria a todo o custo para resolver seu défice doméstico. Pior: ele além de  usar esse método, chama-o de “sucesso”. Não lhe parece estúpido?

Sócrates também anunciou “milagrosos” défices. Às portas de anunciar mais uma bancarrota, dizia:  “o défice de 2,6% é o mais baixo da democracia portuguesa” e  “está para nascer um primeiro-ministro que faça melhor no défice do que eu”.  Entretanto, em Maio de 2010 anunciava: “um esforço adicional a todos os portugueses” que se traduz em aumentos de um ponto percentual de todos os escalões do IVA até ao final de 2011. A taxa máxima passa para 21 por cento e a reduzida, que incide sobre bens de primeira necessidade (alimentos e medicamentos comparticipados) fica em seis por cento, enquanto o IVA sobre a restauração sobe para 13 por cento” (notícia Correio Manhã) e em Setembro de 2010: “José Sócrates anunciou esta noite o aumento do IVA para 23% e um corte de até 10% na despesa total de salários do sector público, entre outras medidas de austeridade aprovadas em Conselho de Ministros extraordinário (…) aumento de impostos, corte de salários e prestações sociais, congelamento de todo o investimento público até ao final do ano e redução do número de contratados na função pública (…) redução média da massa salarial dos funcionários públicos em 5%  nos vencimentos entre 1.500 e 2.000 euros, a redução será de 3,5%. Nos escalões mais elevados, o corte chega aos 10% (…) ajudas de custo e horas extraordinárias também serão cortadas e termina a acumulação de pensões e vencimentos (…) as prestações sociais também serão sacrificadas, com a anulação do aumento extraordinário do abono de família e a redução em 20% do rendimento social de inserção” (notícia Jornal Sol).

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Em resumo, Sócrates começou por anunciar défices espectaculares e acabou anunciando uma bancarrota pouco tempo depois. Desafio-o a encontrar as diferenças entre ele e Costa.

Entretanto,  prepare-se para o embate.  Pelo lógica da matemática, vem aí dias difíceis.

Cristina Miranda

Via Blasfémias 

As vacas gordas acabaram Costa

António Costa criticou, muito recentemente, o Pacto Orçamental europeu onde o próprio diz que: ” O Pacto Orçamental europeu limita o crescimento económico“. Não camarada o “Pacto Orçamental” não limita o crescimento económico.

E uma das melhores provas, é que desde que Portugal entrou no euro, o país só conseguiu começar a crescer de forma estável, consecutiva e com alguns fundamentos económicos mais saudáveis, e só começou a diminuir a sua factura dos juros da dívida, desde que foi obrigado a meter as contas em ordem, desde que foi obrigado a eliminar de vez o deficit crónico nas contas públicas, e desde que foi obrigado a ter que reduzir o peso da dívida no PIB.

O que o Pacto Orçamental faz é limitar a acção a políticos e governantes parasitas idiotas e mentecaptos, no endividamento permanente, no descontrolo e no gasto e nas contas públicas, no esbulho e no desbarato de dinheiros públicos.
O que o Tratado Orçamental, tenta ser, é funcionar como barreira e alguma forma de protecção de um país e dos seus contribuintes e das seguintes gerações, de gente como tu.

Não meu caro camarada Costa, o Pacto Orçamental não limita nem prejudica o crescimento económico. Quem limita e prejudica o crescimento da economia, é gente como tu, são as políticas económicas que tu defendes, são as governações socialistas, são os corruptos e a corrupção orgânicas e endémica que tu e o teu partido socialista praticam, defendem e protegem.

E não, meu caro camarada Costa, o nacionalismo, a extrema direita e os populismos, também não estão em crescendo por causa do Tratado Orçamental. Bem pelo contrário. Tais surgimentos e crescimentos estão a acontecer, precisamente como resultado da existência de políticos como tu, das políticas que tu defendes e praticas, e como resultado das dezenas de anos de desgovernações socialistas por toda a Europa, e das vossas agendas que tu e os teus nos querem impor à força.

Não Costa o Tratado Orçamental, não tem absolutamente nada de errado nem está a mais, nem é responsável pelo que está a acontecer na Europa e na UE.

Quem está errado, quem faz parte dos que estão a dar cabo da Europa e da UE, quem está há mais, és tu e demais gente como tu.

Mas teria que congelar o inferno, para que um dia pudéssemos ver um socialista a assumir culpas ou responsabilidade das porcarias que fazem

Rui Mendes Ferreira

As desculpas de Mário Centeno

A pobre sina do povo português, a cada ano que passa, ou fado, para a sonoridade cair melhor, é ouvir de modo cíclico e ininterrupto um ministro das finanças de um governo socialista a usar a seta do cupido da “conjuntura internacional”, para mascarar a sua incompetência e incapacidade de operacionalização em cenários de vacas magras onde se requer a adopção de políticas orçamentais mais restritivas e, com tudo isto, um degradar da imagem de um governo que enfrenta marés mais violentas. Este é o problema primordial do socialismo português, que cresce de modo tentacular porque nunca é submetido verdadeiramente a cenários adversos onde estes tenham de “sujar as mãos”, trabalho que deixam para uma direita tímida e com má comunicação social.

Isto tudo para chegarmos ás declarações de Centeno, onde este diz o seguinte: ” Todos sabemos que representam uma desaceleração do crescimento [económico] na Europa e que essa desaceleração está muito associada aos riscos políticos acumulados na Europa, em particular os que estão relacionados com o ‘Brexit’ e às tensões comerciais”, declarou Mário Centeno”. O ministro das finanças, e presidente do Eurogrupo nas horas vagas- interpretando depois tal personagem em modo Vitor Gaspar, mas açucarado- sabe usar as palavras técnicas para conseguir o que quer, passar a mensagem que a margem e a manta estão curtas, mensagem essa que António Costa já engole e diz de modo suave para os seus parceiros coadjuvantes da sua governação.

As palavras de Centeno, como é claro, não são para colocar António Costa com mais cabelos brancos ou que este talvez um dia pare na cama da Catarina Martins por força da sua austeridade lexical, simplesmente é para preparar o terreno para a introdução da nova “cartilha”, comunicativa a todo o governo para que, quando a nova pré-bancarrota chegar, e se Costa tiver que accionar cortes na despesa que hoje andou a aumentar, as culpas sejam imediatamente enviadas para o exterior e então está configurado mais um inimigo externo da incompetência socialista em gerir seja o que for sem meter a pata na poça.

Poça essa que começa nas contas públicas de 2016, 2017 e 2018 e na ausência gritante de mudanças estruturais que continuassem o caminho reformista, ainda que tímido, de Passos Coelho. Sendo sucinto e não maçando com números: A execução orçamental de 2018 não difere muito das anteriores à excepção de 2016, onde Costa e Centeno por força de imposições de Bruxelas cortaram despesa corrente e de capital no seu conjunto, espremendo o investimento público até onde sabemos(faz parte da despesa de capital), colocando o défice de 2016 talvez como o orçamento mais “equilibrado” deste governo, pois é o único que maior parte da redução do défice é feito não por aumento da receita mas sim por diminuição da despesa.

Já execução orçamental de 2018,  mostra-nos precisamente o contrário. Temos a despesa pública cada vez mais “trancada”, rígida e de difícil corte. Maior parte da redução tímida do défice de 2018 é feita apartir do aumento da receita e com aumento de despesa, portanto, é como se andássemos a receber aumentos salariais extraordinários que podem não ocorrer no futuro próximo e com isso, estamos gastar o que não temos. O aumento da receita não vai continuar por muito mais tempo por força das leis da matemática e da economia, que não tem por de onde espremer mais. Centeno e Costa  são uma reprogramação de Sócrates, mas menos finos no modo de vestir e nas atitudes. Portugal está à deriva.

Mauro Merali

 

P.S- Para quem gosta de se rir aconselho visualização e subscrição: https://www.youtube.com/watch?v=tCrALr-moqA&t=1s

A Economia Portuguesa não resistirá a uma nova Gerigonça

O grande desafio da Economia Portuguesa no período de ajustamento financeiro e, já agora, de intervenção internacional, era o de tentarmos um novo modelo macroeconómico de crescimento que fosse ao mesmo tempo saudável e de longo prazo. Por modelo de crescimento saudável entendemos uma economia de pequena dimensão como a portuguesa mas aberta ao mundo, que consiga crescer em grande medida pelo lado da procura externa- exportações de bens e serviços- bem como pelo lado do investimento privado externo que nos desse retorno depois nas exportações e com mais valor acrescentado. Para que tal façanha fosse sustentável, o governo de Passos Coelho restaurou a credibilidade e o crédito internacional ao erário público como pelo meio ainda fez acordos fiscais com gente responsável do PS que cujo nome do líder traz saudades: António José Seguro.

Este era um modelo que nos escapava faz décadas e foi implementado com sucesso relativo. A continuação de mudança de um modelo estrutural de crescimento depende do que eu costumo chamar de “passagem de testemunho”, ou seja, os governos seguintes tinham que dar continuação e gerar novas reformas estruturais, algo que com António Costa não acontece. Parece masoquismo da minha parte, mas a nossa futura desgraça-devido à laxação e preguiça em reformar- é a bomba relógio principal que Costa e a sua trupe tem na mãos. Os vários pregos no caixão que Costa mandou vão se virar contra o mesmo num futuro muito próximo, pois Centeno já mudou de discurso há muito e até Costa segue a cartilha do seu ministro das finanças. O problema é que chegaram tarde, vejamos porquê:

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FONTE: Trading Economics, via Banco de Portugal

O indicador coincidente de atividade económica do Banco de Portugal, bastante fiável na antecipação da viragem de ciclos económicos, já nos tinha alertado em meados de 2017( barras rosas que mostram a tendência de abrandamento),que a Economia Portuguesa tinha chegado ao “ponto de inflexão” do seu ciclo máximo de crescimento que se iniciou em 2013. Segundo os “analistas” do Largo do Rato, a austeridade de Passos não funcionou, mas o facto é que como se vê no gráfico, a tendência de viragem da recessão inverteu-se em meados de 2012 antecipando crescimentos positivos em 2013 como aconteceu no 2º trimestre desse ano. Sim senhor, Costa este crescimento deve-se única e exclusivamente a Passos Coelho e não a si. A Economia Portuguesa cresceu APESAR DE SI, isso é que é primordial na análise.

A barra a bourdeaux(entrada da geringonça), mostra-nos que a Economia começou a ressentir-se com a mudança de políticas que Costa e Centeno queriam implementar. O facto, é que a economia abrandou no 1º e 2º trimestres de 2016 com os mercados(quem nos financia as nossas luxurias), a recearem uma nova pré-bancarrota para breve, entretanto Costa e Centeno recebem “avisos” de Bruxelas e possíveis sanções caso continuassem com a mesma política orçamental, no final Centeno começa a cativar. Nada é ao acaso, simplesmente a comunicação social encobre a incompetência de um governo que usa políticas orçamentais conjunturais em vez e estruturais e surfa ainda no ciclo económico positivo e ascendente criado por outros. Mais habilidade e matreirice não existem.

Para finalizar. Já está disponível a execução orçamental de 2018 que gostaria de analisar noutra altura mas que já nos mostra o monstro que Costa ajudou a criar. O défice de 2018 desceu cerca de 500 milhões de euros de 2018 face 2017, mas ficou acima da meta e, além disso, o ajustamento orçamental foi totalmente efectuado pelo lado da receita, uma vez que a despesa não desceu mas sim aumentou uns impressionantes 3000 mil milhões de euros de um ano para o outro. Tal aumento foi compensado por um acréscimo de receitas efectivas(5,2%), ou mais de 4 mil milhões de euros de aumento face ao incremento da despesa em 4,5%. Tanta percentagem e números para chegarmos a conclusão que estamos a gastar cada vez mais baseando nos em mais receita que provém de um ciclo económico positivo. Em recessão, a receita diminuirá e a despesa ficará lá toda, cada vez maior e o défice resvalará aumentando a nossa dívida pública para a segunda maior da Europa e a terceira maior do mundo.

Ser o “contabilista chato”, faz parte, nós avisamos, somos maquiavélicos dizem, frios, mas contas são contas. A matemática é a ciência mais mortífera do mundo.

Mauro Merali

 

 

 

11 Bancarrotas depois, não aprendemos nada!

O leitor leu bem, com o pedido de ajuda internacional em 2011, por parte do Partido Socialista do então ex-Primeiro-Ministro José Sócrates, para solver os nossos compromissos internacionais e internos, não esquecer que estávamos a semanas de não podermos pagar vencimentos, pensões e as Farmacêuticas já tinham emitido um aviso que iriam suspender o fornecimento aos hospitais, isto por falta de pagamento estatal, Portugal conseguiu a proeza de passar para o número esotérico das 11 Bancarrotas. As primeiras 8 em período Monárquico e 3 em período da 3ª República, mas todas com o mesmo problema, esgotamento do nosso modelo económico, sempre assente em vistas curtas, em ganhos de curto prazo e gastos de curto prazo que não reproduzem efeitos reprodutivos para futuro.

Aproveito para dar as datas de default(Não reembolso da divida contratada), do Estado Português em ambos os períodos:

Período Monárquico:

  • 1560: Primeiro Default do Estado Português por contágio Espanhol com regência da Coroa Portuguesa nas mãos de Catarina da Áustria;
  • 1605: Incumprimento durante a Dinastia Filipina;
  • 1828: Incumprimento do empréstimo de D.Miguel I(quando este ocupou o trono), e D.Maria II “repudiou” o empréstimo, dizendo que era uma dívida de D.Miguel e não do Estado Português(Naquele tempo os monarcas seguintes podiam repudiar empréstimos que não eram do seu governo);
  • 1837: Primeiro Incumprimento do reinado de D.Maria II(viriam mais três entretanto);
  • 1841: Segundo incumprimento do reinado de D.Maria II;
  • 1846: Terceiro Incumprimento do reinado de D.Maria II;
  • 1850:  Quarto incumprimento e último do reinado de D.Maria II;
  • 1892: Default Parcial no Reinado do Rei D.Carlos I bastante estudado por economistas e historiadores económicos;

Fonte: Livro Portugal na Bancarrota, de Jorge Nascimento Rodrigues

Período Republicano: 

  • 1977: Período pós ditadura que se seguiu a outra ditadura bastante breve de Vasco Gonçalves com nacionalizações e destruição do tecido produtivo português, com choques petrolíferos(alta da cotação do petróleo), a Economia portuguesa não resistiu à sua primeira intervenção internacional com mecanismos internacionais para o efeito;
  • 1983: Segunda intervenção do FMI com responsabilidades partilhadas entre vários governos provisórios e um planeamento deficiente de política orçamental e económica;
  • 2011: Terceira intervenção do FMI em Portugal devido a crimes orçamentais, dividas por debaixo do tapete e apoio aos “campeões do regime”, empresas oligarcas que sugam os contribuintes portugueses, tudo isto com aval do Partido socialista, importante não esquecer;

Não se sabe tecnicamente quando será a quarta pré-bancarrota do Estado Português, aliás, esse é o problema, entramos em período de inércia em relação a reformas estruturais na economia e nas finanças públicas, especialmente do lado da despesa, desde que António Costa chegou ao poder. A redução do défice orçamental durante o período da geringonça existe, é um facto! Mas essa redução é meramente conjuntural tendo como base factores como o ciclo económico na sua fase ascendente, redução de despesa com juros e despesas de capital exprimidas até ao osso.

Do lado da receita, os ganhos de 2015 a 2018 tem uma composição maioritária pelo aumento da receita dos impostos indirectos, politica orçamental restritiva preferida deste governo mas de modo errado pois, de facto a nível eleitoral tem peso, pois o imposto indirecto(como o imposto sobre o álcool, entre outros), é “invisível” para as pessoas, mas prejudicial para um ajustamento orçamental que se quer saudável. Imaginemos num cenário onde o ciclo económico muda e entramos numa fase descendente, portanto de recessão, os impostos indirectos estão intimamente ligados ao consumo e importação, por conseguinte os ganhos conseguidos seriam revertidos num curto espaço de tempo. A austeridade fiscal pelo lado “directo”, ou seja, pelo IRS é sempre mais previsível  mas que muitos consideram “socialismo”, caros, numa casa a arder não existe ideologia existe pragmatismo e uma boa dona de casa sabe disso.

Do lado da despesa, Centeno cortou a fundo a despesa de capital(que tem o investimento público dentro da rubrica), em 2016 e cortou ao de leve na despesa corrente, basicamente ganhos na redução da despesa com juros e uns cortes horizontais para a Bruxelas ver, de resto, na despesa corrente, o processamento e a contratação de despesa futura aumentou de 2015 para 2018, mandando Mário Centeno pregos para o nosso caixão tornando a nossa despesa pública já de si ainda mais rígida. Em 2017, o efeito caixa fez aumentar a despesa de capital e o défice por si, portanto em termos de análise não é relevante. O relevante ainda é a continuação do aumento da despesa corrente de ano para ano mas, como cresce abaixo do crescimento do PIB, em termos de rácio mantêm-se controla, o pior, é quando o PIB cair e aquele volume de despesa, aquele bolo gigante, continuar assim como está, esta é a nossa bomba relógio.

O que nós queremos, o que os credores querem, mais precisamente, é consolidação orçamental, ou seja, reduzir o défice nominal de modo estrutural e sustentável, não uma consolidação de maquilhagem com retoques artísticos. Vamos então a contas:

Despesa Corrente 2015: 79,003.1 mil milhões de euros

Despesa Corrente 2016: 79,944.7 mil milhões de euros

Despesa Corrente  2017: 80.286 mil milhões de euros( acréscimo de 1283,3 milhões de euros)

Variação das Despesas pessoal, consumos intermédios e transferências correntes(2017-2015): 2056,3 milhões de euros(+)

Variação das Despesas com Juros(2017-2015): -773 milhões de euros(-)

Variação da Despesa Corrente(2017-2015): 1283,3 milhões de euros(+) (Var das despesas com pessoal(..) – Var.Despesas com Juros)

Fonte: Pordata

Isto tudo para vos explicar o seguinte, o processamento de despesa aumenta, o seu valor monetário, mas o PIB cresce e consome esse acréscimo, fazendo com que o bolo total dessa despesa que dividida por um bolo ainda maior e em crescimento como o PIB fique, até que logicamente, menor em percentagem. Por isso é que temos alertas de vários quadrantes a nos darem avisos à navegação de modo constante, se por acaso, este volume de despesa que por “magia” em percentagem do PIB desce, continuar a aumentar em valor absoluto, isto é em dinheiro, então num contexto recessivo vamos não só ter um aumento brutal da despesa em percentagem do PIB como um aumento de gastos devido as despesas que este governo está a prometer a mais no futuro.

Não analiso a despesa de capital porque o bolo maior é o da despesa corrente, isto é salários, transferências sociais, consumos intermédios e juros. Quem quiser reformar o País tem que começar a reduzir despesa aqui, no bolo maior, não na despesa de capital, onde a facilidade de corte é maior mas as pressões de aumento no futuro também o são(não podemos deixar de comprar equipamento hospitalar para sempre.. por exemplo!). A verdadeira reforma do Estado é mudar a Constituição da República Portuguesa e cortar na despesa corrente de forma efectiva, duradoura e sustentada. E quem disser o contrário não sabe de contas, não vive na realidade ou é socialista.

Mauro Oliveira Pires

 

 

Com pão e circo se enganam os tolos

Se há uma coisa que, Medina Carreira nos ensinou a todos nós, é tentar estar na contra corrente de opinião mesmo que o ambiente geral seja de festa à Costa Carilal. Ser contra corrente não é ser do “contra” só por ser, é muitas vezes, através de factos concretos e dados, que conseguimos apurar e prever o que pode acontecer, uns querem ver e ficam preocupados, outros tem o cartão de militante e não tiram as palas seja de que quadrante político for.  Um dado económico, ou macroeconómico, só para ficar mais pomposo, que me chamou a atenção nesta última semana foram os dados do comércio internacional, ou seja, quando juntamos as trocas de bens com o comércio intra-UE(dentro da UE) e extra-UE(Fora dela). Vamos a contas:

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FONTE: INE

Depois de um 2016 onde tivemos um desempenho frustrante das exportações de bens ou seja combustíveis, vestuário e alimentação/ bebidas(não quer dizer que estes produtos tiveram variação negativa mas sim,  que são tipos de bens), 2017 voltaram a arrancar de forma muito favorável essencialmente porque a confiança dos empresários aumentou, afinal a geringonça era fogo de vista, os nossos empresários continuaram, então, a nossa mudança de crescimento a nível estrutural, ou seja, a forma como crescemos, as exportações estão e, vão continuar a ter, mais peso no crescimento do nosso PIB e isso é favorável.

Portugal não é um País que produza componentes electrónicos de origem em massa e os que produz, importa determinadas peças, para um carro por exemplo, onde os exporta com um valor maior, quer dizer que comprando para exportar vale a pena no médio e no longo prazo, porque vamos exportar mais e com maior valor acrescentado. Se temos um problema que comprar caro e vender barato, especialmente na balança de bens, esse problema tinha vindo a ser resolvido paulatinamente com o ajustamento externo, mas à medida que os cordões à bolsa se foram abrindo, as importações dispararam e continuam a fazê-lo e a crescerem a um ritmo superior ás importações.

Em Maio de 2017, as exportações e as importações de bens registaram variações homólogas nominais de, respectivamente, +15,4% e +22,4% o que representou um  défice da balança comercial de bens em 1 438 milhões de euros, o que representa um aumento de 503 milhões de euros face ao mês homólogo de 2016. 

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FONTE: INE

Reparem que, com se vê no gráfico acima, temos um défice acumulado do lado da balança comercial de bens de mais de -5000 mil milhões de euros de Janeiro a Maio. Se voltarmos ao mesmo modelo de consumo a crédito que já conhecemos, misturando o perfil que já temos da nossa economia de importar bens para exporta-los e sabendo que o turismo não cresce para sempre, podemos ter problemas no futuro.

O investimento não vai crescer muito mais pois num País de pensamento comunista e com um Governo social-fascista, que promove regulações e licenciamentos e não é amigo do ambiente empresarial em geral, só para os amigos de certas empresas, como querem um aumento das exportações mais acentuado? Como querem reduzir o conteúdo importado? Onde está uma estratégia nacional para definirmos as nossas vantagens comparativas, ou seja, face as nossas características de País o que podemos exportar de forma a tirarmos vantagem disso? Última questão,  temos ALGUMA ESTRATÉGIA?

Mauro Pires