Quando os filhos não querem a herança dos pais

Em Angola, o novo chefe de governo, quer encarcerar aqueles que ao longo de anos, e a coberto de altas patentes do regime, andaram a roubar despudoradamente, o erário público, e o seu próprio país.

Por cá, vamos em absoluto sentido oposto: os nossos chefes do governo e da nação, andam a despedir aqueles que andaram a tentar encarcerar as hordas de ladrões e corruptos, que durante anos a fio, e igualmente a coberto do regime, no respaldo  de cargos públicos, têm andado a parasitar e a roubar a nação, de forma igualmente e absolutamente despudorada.

No Brasil, presentemente, qualquer cidadão que não tenha uma “ficha limpa” passou a estar impedido de se candidatar a cargos públicos. Por cá, não só se candidatam, como ainda são eleitos e reeleitos. Direitos garantidos na Constituição, dizem eles.

No Brasil, uma presidente em pleno exercício, foi exonerada do cargo, por ter andado a “martelar as contas públicas, e a fazer maningâncias com as execuções orçamentais, com elevados custos, actuais e futuros, para o erário público, para os contribuintes, para as seguintes gerações, e para a nação como um todo.

Por cá, os que o andaram a fazer e os que actualmente ainda o fazem, são aclamados de “governações de sucesso”, e um outro ainda o apelidam de “Mourinho das Finanças”.

Adjectivo esse, que em boa verdade, nos dias de hoje talvez até já seja uma analogia apropriada, dado que Mourinho é actualmente considerado um embuste como treinador, caro, que por onde passa, deixa sempre em herança, o descalabro e pesadas facturas organizacionais e financeiras, para os treinadores seguintes terem que limpar.

Que ninguém duvide, o legado que anda actualmente a ser construído, e que irá ser deixado por Costa e Centeno, é claramente um legado à moda do actual “Mourinho”, que irá ter custos brutais para a nação, e para as seguintes gerações de portugueses. Esta factura, já não é mais uma questão de “Se”, mas somente de “Quando”.

No Brasil, um ex presidente, foi investigado, julgado, condenado a 12 anos, e está já na prisão, a cumprir uma longa pena, e é na prisão que aguarda o desfecho de outros processos em curso, e de alguns recursos pendentes.

Por cá, a maior parte de políticos, governantes e servidores públicos, considerados ladrões e/ou corruptos, ou nunca vão sequer a julgamento, ou os processos arrastam-se ad eternum, ou quando são condenados, são penas suspensas, ou demasiado curtas, das quais nem metade chegam a ter que cumprir, ou então simplesmente continuam a poder andar por aí, em liberdade, a aguardar posteriores decisões sobre os recursos em cima de recursos que o nosso sistema judicial lhes permite, conseguindo por essa via, nunca cumprir pena alguma, até que tudo acaba por prescrever.

Casos há, em que tais ladrões e corruptos, ainda acabam por exigir uma indemnização ao Estado, ou seja, aos contribuintes.

E depois também temos aqueles casos em que indivíduos que estão acusados de dezenas de crimes de corrupção. com a existência de provas claras e fortes indícios, ainda são convidados para andarem por aí nas nossas universidades e fóruns públicos, para darem palestras sobre questões de governação e corrupção.

De tudo isto, três coisas estão cada vez mais claras:

1) Brasil e Angola, os “filhos” deram finalmente conta que a educação, os hábitos, as heranças culturais e os exemplos, que receberam dos pais, não foram propriamente os e as melhores, e já começam a fazer alguns esforços para se libertarem de tão pesada e maléfica herança.

2) Portugal, os “pais”, claramente continuam a não querer mudar de vida, nem de práticas, nem de hábitos, e insistem em ser uma fonte de maus exemplos para os seus “filhos”.

3) Somos claramente uns “maus pais”, e como se isso não bastasse, ainda nos damos ao desplante, de sermos críticos de muitas das boas medidas que os nossos “filhos” passaram a querer adoptar, com os nossos governantes e grande parte da nossa classe política a optar por estar publicamente ao lado da defesa de bandidos e corruptos já julgados e condenados, e ainda acusamos os nossos filhos de “actos de rebeldia” por estarem a tentar libertar-se da miserável herança que como “pais”, nós lhes deixamos.

É sabido que não podemos escolher os pais nem a família em que nascemos, mas podemos escolher livremente não lhes seguir os exemplos, quando tais exemplos não são nada recomendáveis.

Parece-me que Angola e Brasil, estão finalmente a tentar fazê-lo. Mas ao que tudo indica, indo claramente, contra a vontade expressa dos seus próprios “pais”.

Rui Mendes Ferreira

Com Povo “Pobre”… País Miserável

Podíamos ser uma grande Nação como já o fomos no passado. Podíamos ter um país próspero com excelentes condições para os cidadãos. Mas continuamos a apoiar ladrões e mentirosos. Gostamos da roubalheira descarada, da irresponsabilidade manifesta, da falta de escrúpulos, deliramos com corruptos e amamos o facilitismo, a cunha, e o compadrio. Perdemos tudo o que era preciso para sermos um nobre povo: os nossos valores. Sempre que há eleições fica a certeza que o que queremos não é mudança é regaboffe. Queremos que nos deixem viver como “lordes” mesmo que à custa de muita dívida. Queremos gozar a vida enquanto há tempo mesmo que para isso penhoremos o futuro dos nossos filhos por décadas. Somos egoístas interesseiros acoplados  a subsídios que queremos eternizar e negociatas que queremos multiplicar. Somos povo de “chicos espertos” interesseiros preocupados com umbigos sem qualquer sentido de nação. Somos pobres de espírito. Para nossa desgraça.

Como é possível haver um Isaltino a vencer maioritariamente depois de ter sido preso por prevaricar na Câmara? Como é possível pôr o maior arguido de Portugal, ex-ministro, que mesmo que não venha a ser condenado (duvido), faliu o país e ainda o  endividou por décadas com negócios ruinosos, a comentar as eleições em horário nobre? Como é possível dar maioria  a Medina, esse senhor das negociatas e ajustes directos de milhões, contratos e obras ruinosas? Como é possível o partido da irresponsabilidade , que entregou o país falido, usurpou depois o poder, que deixou à sua sorte centenas de pessoas entre mortos, feridos, desalojados e falidos, nos maiores incêndios que há memória onde manifestamente já se sabe que foram por negligência grosseira do Estado, que perdeu o rasto  ao arsenal de guerra desaparecido,  que engrossou só em 2 anos tanto as gorduras do Estado que breve teremos todos de pagar o preço com mais aumento de impostos e mais austeridade severa e mais falência, ter tido tanta expressão nestas eleições?

A resposta é simples. Anos e anos de socialismo mudaram as pessoas. De um povo trabalhador, empenhado, empreendedor, focado, responsável e cumpridor passamos a viver à sombra do facilitismo encostados ao Estado. O primeiro grupo (empresas e particulares) foi diminuindo com o tempo fartos de serem o sustento da outra metade que vive despreocupada, reclamando de tudo  à espera que tudo lhes caia do céu sem esforço. Esta degradação cultural tão expressiva abriu lugar à indiferença. Para quê votar se os resultados nas urnas podem ser revertidos? Para quê votar se a política que se vem praticando no país só serve clientelas em ver de servir os cidadãos? Para quê votar se não há candidatos fortes capazes de mudar verdadeiramente esta sociedade parasitária? Seriam esses, os abstencionistas, aqueles que fariam a diferença. Mas são esses que infelizmente mais facilmente desistem de lutar.

E não é para menos. São muitos anos de roubalheira profissional que começa num Estado que há décadas  não é exemplo porque rouba descaradamente aos olhos de todos, comete ilegalidades, mantêm corruptos, irresponsáveis e mentirosos no poder e acaba nas empresas e particulares, que seguem o mesmo exemplo. Todos a fazerem-se à vida. Todos a safarem-se como podem. O Estado a engrossar as fileiras a cada passagem dos partidos para reforçar seu eleitorado. As empresas completamente encostadas a subsídios, a protocolos com Câmaras, a negociatas com juntas freguesia. Os particulares a deixarem de trabalhar para viverem de subsídios e doenças fraudulentas.

Por isso sempre que há eleições perdoamos “nossos amigos” pela ladroagem. Porque rouba mas faz. Porque são desonestos e irresponsáveis mas entregam-nos as obras a fazer sem concurso, porque nos ajudam a conseguir subsídios para tudo e mais alguma coisa com “cunhas”. Gente porreira, pá! que merece nosso precioso voto. Depois, quando nos caiem as falências em cima do lombo, ficamos chateados pá! com o artista que vem corrigir essa porcaria retirando as benesses que tanto custaram a conseguir lambendo botas durante anos. Por isso há que repor essa gente no poleiro rapidamente antes que empresas e particulares dependentes, entrem em falência por não saberem gerir-se sem apoios. É a luta pela sobrevivência dos dependentes do Estado.

Assim, sem uma reeducação da sociedade que se tornou parasitária, seremos eternamente um povo pobre de espírito a viver num país eternamente miserável sem capacidade para exigir de quem governa.

Porque sem uma mudança cultural profunda para voltar a adquirir valores fundamentais, jamais sairemos deste lodo em que o país mergulhou.

Porque a mudança começa PRIMEIRO em nós, cidadãos!

via Com Povo “Pobre”… País Miserável — BLASFÉMIAS

A verdade sobre as eleições de Angola!!!

As eleições em Angola decorrem aparentemente na normalidade. Mas, é esta a palavra chave, “aparentemente”.

A vitória do MPLA tem quase a vitória certa (como seria de esperar de comunistas, não gostam muito de abandonar o poder).

 

O próximo presidente de Angola será então, João Lourenço.

O que podemos dizer dele? Ora, foi secretário geral do MPLA. E esta envolvido do caso BES. Tem uma fortuna tamanha, que o banco disponibiliza uma caixa multibanco em sua casa.

E se calhar aquilo que melhor o caracteriza, foi general das FAPLA. Essas mesmo que quando a guerra ultra mar acabou expulsar/mataram todos aqueles que não eram nascidos em Angola. Penso que todos nós conhecemos alguma família de retornados, ou até daqueles que infelizmente não retornaram…

Claro para não mencionar os crimes já cometidos pelo partido.

A filha de Eduardo os Santos é uma das mulheres mais ricas do mundo. Aliás, todas as pessoas que orbitam à volta de Eduardo dos Santos, são incrivelmente ricas. Ainda pior se compararmos ao povo angolano, que apresenta um dos piores índices de pobreza do mundo. Com a maior taxa de mortalidade infantil do mundo.

 

Então e a UNITA? O que podemos dizer dela?

Um partido extremamente racista. Durante a campanha, o General Neto apelidou todos os brancos, mestiços e negros com misturas de “crioulos”.

Depois dos anos 80 a unita matou indiscriminadamente brancos angolanos.

Foi responsável por um genocídio em Angola, no que ficou conhecido como Estalinismo Indígena.

Criou campos de concentração, prisões e violações em massa para opositores. Seguido pelo seu amigo Savimbi, que criou fogueiras onde incendiou pessoas pó bruxaria traição etc como se viu na Europa no séc XVI.m

 

O dia vermelho para o bloco. 27 de maio. O general Neto mandou matar todos os Trotsykistas ligados dentro do MPLA, estando muitos deles ligados ao actual bloco. Virá daí o ódio do Bloco ao MPLA?

Além de ter mandado prender cidadãos brancos ligados ao PCP, claro que como bons comunistas, não comentam…

Isto meus amigos, é a oposição de do MPLA.

Percebemos então que o povo angolano tem que escolher entre bosta de burro e bosta de vaca.

 

Mas, e então quem ganhou?

Os resultados só serão revelados no para a semana. Mas, alguns resultados já começam a ser revelados de forma independente.

O PortugalGate sabe de fonte fiável que o MPLA perdeu oficialmente no Huambo (resultado vergonhoso, dois votos apenas) e Luanda do norte.

Nova informação independente diz que o MPLA perdeu em Luanda.

Possibilidade de detenções na capital devido a esta divulgação, a polícia tenta conter os tumultos, e, segundo informações do Maka Angola, a CNE suspende a divulgação de resultados

Afinal, o que teme o MPLA? O que temem os comunistas?

 

Vídeo sobre o assunto:

https://youtu.be/Bv4tgVEjSgU

P.S: Um grande obrigado ao nosso correspondente em Angola Ivan Negro.

 

O Homicídio da III República Pelos Cobardes da Classe Política

Há 3 semanas, ficamos horrorizados com o que se via na televisão: o caos, o inferno, o sofrimento, todo o terror de Pedrógão, num ciclo mediático interminável. O nosso horror perante os 64 mortos acumulou-se ao terror de descobrirmos que o nosso armamento está à mercê de quem quiser levá-lo. Num curtíssimo espaço de tempo percebemos que não temos um Estado, mas sim um repositório de gente inútil a quem chamamos políticos que vivem a boa vida à nossa custa. Parece que sempre que a cortina cai com situações difíceis como estas, vão até aos limites da terra para desvalorizar a tamanha vergonha que é a sua flácida gestão de recursos públicos e o quão impotente o seu desempenho quando as coisas correm mal.

Tenho tido algum receio em escrever este texto, mas o que se tem passado nas últimas semanas força-me a dizer o seguinte: a III República foi morta.

Para verificar este facto temos décadas de uma devastadora e multipartidária rede de corrupção, interesses, manipulações e gastos criminosos do erário público que levou o país a 3 bancarrotas; hipocrisia militante e desonestidade política desta classe de ditos elites é repugnante, ora hoje dizem uma coisa, ora amanhã dizem o contrário; escândalos sucessivos de prevaricação, favoritismo, branqueamento, abuso de poder, destruição de capital, de isto e daquilo, e por aí fora. A história dos últimos 43 anos não é uma que se possa definir como sendo um grande sucesso para a maioria dos Portugueses.

Após décadas de uma aberrante apatia para o bem geral dos portugueses, chegamos ao cúmulo no dia 17-06-2017, aonde 47 pessoas foram mortas numa estrada e outras tantas abandonadas à sua sorte para morrerem no inferno. Depois veio Tancos. Entretanto não há uma responsabilidade que se veja entre uma rede sem fim de falhas, seja no SIRESP, seja na GNR, seja na Proteção Civil, seja na coordenação do MAI, seja do exército, seja do Ministério da Defesa, seja do que seja. Tudo falhou, mas ninguém tem culpa. O sistema fracassou grotescamente, e não há uma alma que nos venha pedir desculpas.

Vou mais longe do que ontem no debate sobre o estado da nação. O Estado entrou em colapso é verdade, e com ela veio outra vítima. Sim, a III República morreu pois deixou efectivamente de haver qualquer gota de confiança, deixamos de acreditar e de confiar na plenitude do que nos dizem e as suas desculpas esfarrapadas e deturpações puxadas já nem sequer queremos engolir.

Sem confiança não há Estado logo sem confiança não há Governo. Sem confiança vemos o que de facto temos: uma aristocracia, gorda e anafada cuja principal preocupação é proteger-se a si própria, alimentada e sustentada por todos nós, o reles plebeu eternamente ingénuo que lhes enche os cofres e as suas grosseiras barrigas.

Nada por acaso, na semana passada dei por mim a reler a Declaração de Independência dos EUA (quem nunca leu, merece perder uns minutos a conhecer este texto todo) e logo no início do texto, encontramos esta frase:

“… a fim de assegurar esses direitos (vida, a liberdade e a procura da felicidade), governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade.”

A principal razão para a independência está aqui, um pressuposto que é aplicável a qualquer nação deste nosso planeta: SEMPRE que um governo se torne DESTRUTIVO da nossa liberdade, das nossas VIDAS, temos o DIREITO, o DEVER de alterar ou abolir esta forma de governo. Se um estado não consegue criar as condições para nos sentirmos felizes e seguros, então não é estado que valha ser mantido. Temos que ser exigentes, tal como são connosco quando chegamos à hora de pagar impostos. Esperam tudo e mais algum de nós, exigem a nossa paciência infinita e depois rezam para que não nos lembremos das suas traições sucessivas que compõem a sua desgovernação continua.

E porque é que toleramos isto? Porque é que devemos passar por sucessivos governos a transferir os lucros do nosso trabalho para financiar falências de bancos e empresas e sucessivas bancarrotas de um Estado criminosamente gerido? Tanto doutore que por ai anda, tanta ciência política, mas ainda não vi ninguem a cienciar coisa nenhuma. Tal como fez a aristocracia durante séculos, estes agora andam a gozar com a nossa cara, e não é por termos eleições de vez em quando que temos democracia. Longe disso. Nós temos democracia porque existem consequenciais verdadeiras e palpáveis para quem viola e abusa do poder que é confiado a quem elegemos. Se não existem consequências, se não existe um sistema de justiça que se veja, se não há respeito pelos cargos que se ocupa, se não se tem noção da diferença entre politiquice e governação, ora então não temos democracia.

A meu ver, a partir do momento em que 64 pessoas foram mortas no inferno, houve uma 65ª morte: a Terceira República. E embora hajam responsabilidades pelas a apurar pelas mortes destas vítimas, os responsáveis pela morte da III República são óbvios. Sabem aquele feeling que têm tido no fundo do vosso estômago ao longo das últimas semanas? Aquele sentimento que algo está muito mal? É o que acontece quando nos deparamos com a realidade por detrás da cortina, a realidade que têm feito de tudo para se manter escondida.

Qual a diferença de outras calamidades? É que hoje em dia os meios de comunicação já não se resumem à televisão, à radio e aos jornais. Hoje temos meios que vão mais longe, que vão até ao terreno se for necessário, e a verdade pode ser exposta perante todo o mundo enquanto temos uma máquina inteira a tentar esconder o sucedido. E a principal diferença com Pedrógão? Houve quem desta vez dissesse BASTA, e essa voz é crescente e não se cala, não se esquece e não vai largar este tema: desta vez cruzaram uma linha e não há volta a dar.

Da comunicação social à classe política, andam a bombar ao máximo para esconder a morte da III República Portuguesa. O Thomas Jefferson dizia são necessárias revoluções de geração em geração, pois os valores naturalmente evoluem e creio que não estou sozinho em dizer que se antes não me revia neste sistema, então agora ainda menos. É elitista, é paternalista, é lento, é demoroso, é incompetente, é o oposto de profissional e pior, é cúmplice da morte dos nossos compatriotas.

Não percebo como é que é aceitável ter um Estado com a dimensão do nosso que funcione tão mal, que serva tão mal a grande maioria das pessoas. Não percebo como é que se despreza tanto quem inova, quem cria, quem trabalha, quem faz acontecer, e valoriza principalmente quem cala, quem obedece, quem concede, quem segue, quem baixa a cabeça. Não percebo.

A 3ª República é constituída por todo um sistema político e económico que não se aplica aos tempos que correm. Não entendo a necessidade de ter uma classe altamente profissionalizada numa única actividade, a política, que não exige experiência profissional para exercer cargos de alta responsabilidade e remuneração. A politica por si só não é razão suficiente para se exercer um cargo, e infelizmente, a grande maioria de quem governa, fá-lo pela sua competência política, e raramente pela sua competência profissional.

E isto trata-se de toda uma classe, que fora aquilo, que sabem eles fazer? Serem advogados? Serem professores universitários? Interpretes eruditos daquelas tretas a que eles chamam de “leis” que são eles que escrevem para posteriormente saber precisamente como furar em interesse deste ou daquele grupo económico?

Podemos e devemos exigir melhor, e temos que começar IMEDIATAMENTE a conceber a IV República. Chegamos a este ponto por alguma razão e deixar atrasar esta transição inevitável para um sistema que seja, de facto, justo, só nos aproxima cada vez mais a um país do terceiro mundo, ou na pior das hipóteses, conforme idealizam Jerónimo e as Mortáguas, a Venezuela.

Temos que garantir que este ciclo de poder que se fixa única e exclusivamente numa pirâmide invertida de corrupção e incompetência é quebrada de vez.

Andam todos a manter o pó bem alto para que não vejamos o cadáver que é a III República, mas um dia, o pó irá assentar, e por detrás desse cadáver, tal como aconteceu com as 64 vítimas dos fogos, estaremos nós. Porque quando a coisa aperta e o povo exige liderança, só podemos contar connosco. Os outros, é sabido, vão para longe, vão para Palma de Maiorca ou vão para a Assembleia da República insultarem-se uns aos outros. Efectivamente nada é feito, e não sentimos nem mais confiança nem mais segurança.

Sendo assim, digam-me, precisamos deles para o quê?

64 Razões Para Demitir-se Sra. Ministra

1.

1.
Miguel A Lopes – EPA

2.

2.
EPA

3.

3.
LUSA

4.

4.
LUSA

5.   6.   7.

8.

8.
Patricia De Melo Moreira – AFP

9.  10.  11.

12.

12.
Patrícia De Melo Moreira – AFP

13.  14.  15.

16.

16.
DR

17.

17.
Paulo Novais – EPA

18.    19.

20.

20.
Rafael Marchante – Reuters

21.  22.  23.  24.

Será que ainda não percebeu?

Precisa mais?

25.

25.

26.

26.
António Cotrim – Lusa

27.  28.  29.  30.  31.  32.

33.

33.

34.

34.
Lusa

Fracasso.

35.

35.
Paulo Novais – Lusa

Desastre.

36.

36.
Rafael Marchante – Reuters

Um absoluto horror.

37.

37.
Patricia De Melo Moreira – AFP

F. R. A. C. A. S. S. O.

38.  39.  40.  41.

Será que ainda não entendeu a dimensão do que aconteceu?

42.

42.
Patrícia De Melo Moreira – AFP

Perante a dimensão dos estragos, perante a quantidade dos MORTOS, é impensável que ainda não se tenha demitido.

43.  44.  45.  46.  47.  48.  49.

Aconteceu sob a sua vigia.

O caos foi total. O resultado? A pior catástrofe da nossa 3ª República.

Perante a desorganização, quem melhor conhecia o terreno, quem poderia melhor conduzir o combate não teve sequer oportunidade de dar indicações, apresentar as suas opiniões, partilhar a sua experiência. Acreditaram que quem vem de fora sabe sempre melhor que quem lá está, só porque detêm de títulos e “cargos”.

Explique exactamente do que é que serviu a sua presença no terreno?

Para o que é que serviram as afirmações do Presidente da República, dizendo que tudo o que podia ter sido feito tinha sido feito enquanto o número dos mortos aumentava escandalosamente?

Era para se sentirem melhor perante o vosso falhanço colectivo?

Era para não terem que sentir a verdadeira e derradeira responsabilidade do vosso fracasso?

50.

50 - Rafael Marchante Reuters

Demita-se

51.

51.
Patricia de Melo Moreira – AFP

Demita-se.

52.

52.

Demita-se e peça desculpa.

53.

53 - AFP PHOTO PATRICIA DE MELO MOREIRA

Mas diz que não se demite, que teve “os piores dias da sua vida”.

E nós?

E nós que estivemos impotentes enquanto os nossos compatriotas morriam às dezenas?

E nós que passamos horas sem fim a espectar este terror?

Da sua vida???

E a vida de quem voltou às suas casas e encontrou nada, apenas cinza?

E as vidas de quem voltou às suas casas e agora tem que enterrar os seus parentes e vizinhos?

E as vidas de quem voltou às suas casas, que por acaso sobreviveram, só para descobrir que tinham sido saqueadas por escumalha que nem me atrevo a chamar de vida humana?

E as 64 vidas que já não serão vividas?

O “pior dia da sua vida”?

As palavras que deveria proferir, e já, para além de um pedido profundo de desculpas, sublinhado com o resto de dignidade que lhe resta por algum dia ter aceite um cargo para o qual não tem a ponta de competência ou habilidade que se veja para exercer, deviam ser apenas: “demito-me”.

54.

54.
Patricia de Melo Moreira – AFP

55.

55.
Paulo Cunha – EPA

56.

56.
Patricia de Melo Moreira – AFP

57.  58.

59.  60.

61.

61 - LUSA

Perante o enterro das vítimas, está na hora de pedir desculpas. Não é assumir culpa, não foi a Senhora que causou o fogo, mas deve pedir desculpa aos mortos, aos moradores da região, a Portugal.

Isto não se trata de política, trata-se de dignidade, de confiança.

Isto não se trata de esquerda ou de direita, trata-se de sentido de dever, sentido de Estado.

Você não é Ministra. Você está Ministra, e a verdade é que com a extinção da última chama, já não devia estar perto desse cargo.

Entregamos a nossa confiança ao Estado para que o Estado nos proteja, e ao invés o Estado confia no povo.

Falharam gravemente. Já não há confiança.

Deve assumir a responsabilidade perante o que se passou.

Quem detém a responsabilidade perante as autoridades que fracassaram na protecção de 64 almas lusas deve ser responsabilizada.

62.

63 bombeiros galegos

Mesmo na hora em que mais precisávamos, os nossos irmãos galegos vieram para ajudar, movidos por uma força sobre-humana que os impedia de presenciar o terror na televisão. Organizaram-se e puseram-se a caminho.

A entrada deles no nosso território foi recusada por si, demonstrando a sua plena incompetência e a incapacidade da sua equipa em liderar com qualquer eventualidade que fuja ao status quo. Não sabem lidar como o que não se espera, logo não podem ter a vida dos Portugueses nas vossas mãos.

Não só perdeu a nossa confiança como dos nossos amigos, dos nossos vizinhos, dos nossos irmãos.

Como irão confiar em si na próxima vez? Nós pedimos ajuda aos céus, e a Europa respondeu, os Espanhóis responderam e vieram! E nessa hora disse que tinham “excesso de voluntarismo”, insultando a honra quando o que os chamava era das mais nobres das intenções: salvar vidas, salvar vidas Portuguesas.

63.

64 - Joana Bourgard RR

Demita-se Sra. Ministra. Não tem condições para governar. O povo já não confia em si. Não é só confiança no Estado e no governo, é a confiança que temos na Terceira República que está em causa.

Chegamos à severa conclusão que da maneira como isto está organizado, Portugueses morrem. Sem responsabilidade, irão morrer ainda mais.

64.

62

Demita-se Sra. Ministra, porque estamos fartos de ver o nosso país a arder e os nossos heróis a padecer.

Demita-se Sra. Ministra.

Demita-se.

 

 

O Que Eles Querem é Governar Uma Terra Queimada

Hoje, neste mesmo blog, o Gaspar Macedo veio tocar num tema que à data tem sido ignorado, para nosso mal comum, mas ainda bem que o fez, porque acabou por inspirar esta minha contribuição de hoje.

No meio desta barbaridade toda que temos presenciado, especificamente em Londres, confesso que as respostas das autoridades e as medidas que têm sido apresentadas por quem nos “representa” faz bola para nos proteger; no entanto, faz muito proteger a classe a que eles pertencem, sejam as suas carreiras políticas, seja o seu património e dos seus amigos.

A verdade é que a única coisa que tem travado o terrorismo na Europa deve-se a uma intensificação do trabalho policial, de coordenação internacional neste meio e de investigação astuta e eficaz cujas melhorias já tem rendido resultados bastante positivos. Fora isso, os nossos queridos representantes tem feito pouco ou nada para travar está maré de terror que ameaça instalar-se nas nossa vidas.

Mas voltando ao artigo do Gaspar, houve uma frase que me ficou na cabeça: “Comecem por proteger o povo desprotegido e desproteger os políticos superprotegidos.”

E aqui está uma questão crítica que entretanto se perdeu no meio do mediatismo. Não se iludam: tudo o que acontece serve para nos manter focados em tudo menos neles e não vale a pena estar aqui a criar uma lista longa pois vocês sabem perfeitamente de quem falamos, mas é óbvio e está na cara que não se está a fazer nada com base, estrutura e objectivos palpáveis para travar a barbárie do terrorismo na Europa. Todas as soluções são de curto prazo, caras, e más, pois não resolvem nada na origem e não fazem nada a médio-longo prazo, pois primeiro pensa-se nas eleições, o resto que se lixe.

No entanto, temos que ser testemunhos à correria para ver quem é que condena o ataque primeiro no Twitter, quantos líderes mundiais marcham contra o terror, e já está, somos fortes, não nos vencerão. E é esta a imagem que nos é transmitida, a mensagem que nos passam: não precisamos de fazer nada, apenas devemos manter a calma e continuar serenos.

Ora aí está mesmo o problema. Porque não devíamos estar nem calmos nem serenos. Tanto isto como com a apresentação de contas e respostas a TODAS as nossas questões (ainda não percebo como é que um governante tem o desplante de RECUSAR às questões colocadas na Assembleia da República), temos que exigir TODOS OS DIAS que sirvam o maior interesse nacional e Europeu, ou seja, os cidadãos Europeus, seja qual for a raça, religião ou estilo de cabelo, eles estão de serviço, são nossos representantes, devem salvaguardar todos os nossos interesses (e não apenas de alguns) e fazer o seu trabalho. Não o estão a fazer, andam a viver às nossas custas e ainda gozam na nossa cara a dizer que está tudo bem.

E é aqui que entro em divergência com algumas vozes. O ser humano tem uma necessidade de compreender todo o horror reduzindo-o a questões de preto e branco, esquerda e direita, nós contra eles. Mas a realidade é outra, e como sabemos, tudo, mas TUDO é bem mais complexo que isso. Nenhum de nós pode ser definido com uma só categoria e andar a proferir que o problema disto tudo é X ou Y e gritar isso até à exaustão, é redutor e só contribui para a continuação do problema, alias, o excesso de simplificação deste problema do terrorismo, só ajuda o recrutamento do Daesh. Tal como a história do mundo ocidental não é simples, e toda a barbaridade que já cometemos não é reduzível apenas à religião, também temos que ser mais frios nesta analise, porque incrivelmente, o inimigo principal não está numa cave a planear, mas sim nos corredores do poder, a gozar do nosso pânico pleno.

Para ser claro: acuso os nossos governantes de serem responsáveis pelas mortes de cada atentado terrorista. Seja o Al Qaeda, Daesh, IRA, ETA, seja quem for, há responsabilidades que devem ser apuradas, e não somos nós que não estamos a topar a mensagem. Nós ouvimos claramente a mensagem, é aberrante e é contra tudo o que somos como sociedade plural e liberal, e é claro que mexe connosco (acho que move com qualquer pessoa) ver tanta dor e tanto sofrimento por parte dos familiares e dos sobreviventes das bestas que por ai andam.

Agora, temos que ir mais alem e reconhecer que existem responsabilidades, que não há uma acção sem uma reacção, e que enquanto não levantar-mos a nossa voz e exigir o que nos é devido, sem sacrificar direitos civis, não iremos tolerar tanta incompetência institucional.

Vivemos um momento grave existencial que é alimentado por uma tempestade perfeita de crises sociais, políticas, financeiras e económicas, e garanto-vos que é de extrema conveniência para quem nos governa que andemos minados de exaustão e medo.

Nenhum de nós pode aceitar isto, nenhum de nós pode aceitar não sentir segurança nas nossas comunidades, nos nossos países, e para isso necessitamos de ter respostas uniformes e concertadas contra estas ameaças. Só que para isso é necessário tomar atitudes, atitudes que podem ser contrárias aos interesses do poder instalado.

É necessário reconhecer que o terrorismo é financiado principalmente pelo petróleo. É através do petróleo vendido no mercado negro que o Daesh encontra o seu financiamento, petróleo que por sua vez é-nos vendido pelos países árabes. Para além disso, compramos petróleo à Arábia Saudita que notoriamente financia mesquitas Wahabistas, que pregam a versão mais intolerante e retrograda do Islão, que não acolhem um único refugiado, e por cima disso, ainda lhes vendemos armamento aos magotes.

Enquanto andar-mos a chuchar activamente nesta teta de ouro negro, eles continuarão a vender-nos por um lado, e a financiar ataques por outro. E isto não é uma questão de religião, é a maneira deles de destruir a União Europeia, da mesma maneira que a Russia também não perde uma oportunidade de enfraquecer um dos blocos económicos liberais mais importantes do planeta.

Mas veja-se que os nossos líderes, quando enfrentados com estas situações difíceis, fingem ser uns sonsos de primeira, brincam à alta política internacional e mesmo aonde tem havido o maior número de vítimas, andam aos beijinhos e abraços com quem detém responsabilidade pela ideologia. Deixem de comprar petróleo e vão ver o quão rápido a conversa muda.

O que é verdade é que pouco a pouco, por causa do “combate ao terrorismo” vemos as nossas liberdades a desaparecerem. Metadados agora podem ser consultados em “casos de terrorismo”, a resposta da Theresa May ao ataque é que deve-se regular a Internet, e qualquer dia, fazemos como aconteceu nos EUA, com a suspensão de habeas corpus, a implantação de um Patriot Act e de uma NSA capaz de entrar em todos os nossos computadores sem qualquer razão.

Se somos liberais, não podemos ficar só pelas questões económica-financeiras, ou resumir os nossos discursos a gritos que reduzem o tema a algo familiar, o nós contra eles, para arrecadar likes pois temos este hábito teimoso e preguiçoso de procurar uma resposta simples para questões complicadas.

Devemos ter foco: o poder económico e político tem vindo a concentrar-se num número cada vez mais reduzido de pessoas. Abandonamos uma aristocracia no passado para substituí-la com uma “elite”. O exercício do poder e do controlo das massas tem séculos de experiência, e até com a democracia temos uma ilusão de participação, que embora possa atenuar a corrupção que o poder traz, não a elimina.

A única coisa que trava a corrupção e a usurpação do poder pelos poucos às custas dos muitos é a nossa constante e atente vigilância. E hoje em dia temos cada vez mais ferramentas que permitem isso mesmo: a ascendência da Internet, uma geração nascida e criada em liberdade, que conhecem fronteiras e línguas para além das suas, tecnologia que fariam os nossos antepassados há 100 anos achar que era magia. Temos o know-how e a capacidade técnica de controlar, de fiscalizar e de exigir mais de quem nos governa, de quem é pago para nos proteger, de reduzir este cancro mortal que é uma elite corrupta e uma política inerte política que por cá nos reina. Mas isso requer uma reviravolta cultural para não “confiar nos nossos representantes” e andar em cima deles como o patrão que somos. Não admitiria-mos um funcionário a dormir no trabalho, então porque é que admitimos que o façam connosco, e ainda a desperdiçar o dinheiro que contribuímos que nos sai da pele?

Não sei como, mas a verdade é esta, a participação do eleitorado em TODAS as áreas é a única coisa que poderá travar este flagelo pois é nestas alturas de medo e de terror que o exercício anti-democrático floresce. Esta na história. Foi feito nos anos 30, foi feitos em inúmeras circunstancias porque a dita elite não tolera não estar no poder.

A nossa liberdade não é garantida, e não é algo que desapareça assim de um dia para o outro. Pouco a pouco eles vão tentar retirar-nos aquilo que lutamos para obter durante séculos. E sabem porque? Porque a era do político está a acabar, a era partidária está a falecer. O fim chegou para este espectro político-partidário porque já chegamos à conclusão que a grande maioria deles anda a gozar com a nossa cara, e pior, andam todos num constante conluio contra o contribuinte, seja através de contratos com uma Octopharma, sejam rendas de EDP, sejam vistos gold, sejam negócios ruinosos de património público, seja a gestão vergonhosa do nosso capital humano, seja o que for. Recuso-me a acreditar que são todos uns incompetentes desgraçados e que este saque milenar não é algo propositado. É uma questão de perceber a história, e de não ficar preso aos ciclos mediáticos, acordar e reagir, escrever e telefonar e exigir que actuem. O principal interesse do governante devemos ser nós, ao contrário do que muitos deles acham que é o EU. Por isso, a função de político de carreira deve deixar de existir, porque confesso que hoje em dia sou capaz de confiar na Siri para tratar dos meus impostos mais do que o Fisco.

Há uma guerra sim senhor, mas os inimigos não é só o Daesh, ou os seus financiadores bilionários Wahabistas da Arábia Saudita, ou os conservadores evangélicos dos EUA que querem sonham com uma Eretz Yisrael para que o Messias possa finalmente voltar à terra.

Como o Gaspar disse e bem, a religião deve servir para unir, especificamente unir contra o mal. E o facto é que quem tem maior responsabilidade em proteger-nos do mal, não o está a fazer e creio que, honestamente, não o quer fazer.

Não nos protegem do terrorismo, pois fazem negócios bilionários com quem os financia, não nos protegem da corrupção pois são os principais interessados na sua continuidade, não nos protegem de nós mesmos, porque a eles não lhes interessa NADA que estejamos unidos.

A união é a força, e a última coisa que querem é uma humanidade unida e com objectivos concretos: a paz, a liberdade e prosperidade. Uma humanidade unida, em paz, prospera e livre, é ingovernável, logo, eles deixariam de ser desnecessários.

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“Para saber quem te governa, simplesmente procura quem não podes criticar.” – Voltaire

O Escabeche Comunista

Vivemos num momento político em que a aliança tricolor entre PS/BE/CDU-PEV nos tenta convencer todos os dias, através de uma máquina de comunicação muito bem oleada, que eles sim são a salvação, que eles sim são a mudança e o fim da austeridade. Os coitados do PSD, historicamente, sempre foram asnos da comunicação, não sabendo esmiuçar as boas notícias até à última gota, não sabendo aproveitar todo o valor político que os bons resultados económicos que foram tendo ao longo do seu mandato. Mais, não souberam fazer oposição utilizando estes factos, como vieram a lembrar recentemente. Só agora é que se lembraram que de facto fizeram reformas que levou à liberalização do mercado das rendas, que facilitaram uma série de coisas que ajudou, e muito ao boom turístico que estamos a presenciar.

Não falaram e não insistiram desde o primeiro dia, que o Costa e Companhia Lda. iriam viver em estado de graça durante muito tempo graças ao executivo anterior, que viveriam sempre na sombra dos resultados macroeconómicos do prévio executivo (porque ao contrario do que alguns politico-comentaristas dizem, efeitos na economia devido a reformas não acontecem de hoje para amanhã) e que graças aos Portugueses, a nós os Contribuintes, e graças a grau de pragmatismo que há muito tempo não se via, conseguimos passar de 11% a 3% de défice em 4 anos, e conseguimos colocar Portugal no rumo certo para a recuperação. Agora, CLARO que foi longe de perfeito. Quando o PSD governa, surgem alas conservadoras que mexem em coisas que não deviam, ou pura e simplesmente ignoram outras áreas, ex. Simplex e modernização do estado, e isto não é ideal, tal como não é ideal o clientelismo e a pouca-vergonha que é a governação do PS que parece estar afincadamente focada só nos trabalhadores públicos. Enfim, as coisas vão transitando entre um partido e outro, e o contribuinte reza para que o bicho do fisco não nos prejudique mais do que já o fez.

Só que existem por aí uns tantos políticos, que se acham santos, que se dizem ser protectores do povo e salvadores do trabalhador, que recusam-se a condenar regimes como a do Nicolas Maduro ou do Kim Jong-Un, porque têm laços históricos com uma ideologia política antiga e vencida, logo não se pode criticar. Os nossos queridos Comunistas que tanto gostam de bater na tecla contra o “grande capital” e a burguesia e isto e aquilo, os vingadores que prometem acabar com as desigualdades tanto no público como no privado.

Ora surge hoje uma reportagem do Observador, cujo título é o seguinte: Câmara comunista oferece relógios de 880 euros a trabalhadores. Vou só deixar isso assentar um pouco. Preparados para mais indignação com este belo executivo comunista de Almada? Foram 150,000.00€ em relógios de luxo desde 2011 por ajuste directo a uma ourivesaria do município, sendo que só em maio (mais claro, em ano de campanha) foram €35mil euros em 43 relógios de luxo para homens e mulheres funcionários da câmara. Mais, em Dezembro foram quase €10mil em 65 smartphones para a festa de natal da câmara para os filhos dos funcionários, porque como a tradição era dar uma bicicleta, mas como a maioria já tinha, optaram por smartphones. Em 2015 foram tablets. E em 2017? Frigoríficos, Bimbis, carros? Quiçá uma moradia? Mais, parece que Almada é o único município que tem um festival de música que dá prejuízo, e dá prejuízo de mais de 744mil euros…

Para ser ainda mais claro: o teu dinheiro que sai do teu bolso todos os dias, que contribui para que possamos ter quiçá um estado que no mínimo dos mínimos nos preste um serviço digno no que calha à organização municipal, à saúde, à educação, à manutenção das infraestruturas, etc., está a ir directamente para alimentar um sonho molhado de qualquer comunista: os outros que paguem, para que eu ganhe. €150,000.00 em relógios para os funcionários comunistas e regalias para os filhos dos comunistas todos os anos que custam mais de €10,000.00 ao contribuinte, mais um festival anual na Caparica que custa mais de €700,000.00 em prejuízos. Garantidamente não há de ser a única Câmara a fazer este tipo de porcaria, mas enquanto os outros partidos tentam desvalorizar este tipo de corrupção (porque sim, este tipo de actividade é corrupto), o Partido Comunista anda por aí constantemente a meter-nos pela garganta abaixo que tem que se defender o povo do grande capital e bla bla bla. Se já valia pouco, agora vale ainda menos. Resignem-se ao CGTP, façam um rebranding, e deixem o comunismo na lixeira da história das más ideias cuja execução conseguiu ser sempre ainda pior do que se idealizava.

O facto é que o Jerónimo e o seu comité pertencem à mesma quadrilha que nos anda a assaltar com todas as ferramentas e recursos que têm ao dispor. O objectivo deles torna-se cada vez mais claro: querem como os demais serem senhores disto tudo e viver por conta de todos os contribuintes, para sempre. Querem sentar-se na mesma mesa que o resto do poder, querem poder fazer estas falcatruas sem olharmos. Mas é lixado, existe a informação e quem saiba ler e escrever…

Por isso, se por acaso forem ao Festival Sol da Caparica, e se por acaso se cruzarem com o camarada Joaquim Judas (nome perfeito) ou com um dos outros camaradas com uma bela adição à sua indumentária de luxo, peçam um momento do tempo deles para que eles vos possam, em pessoa, agradecer: afinal, tanto o festival como os relógios foram pagos por vocês.

Portugal com Vida Suspensa à Beira de uma Paragem Cardíaca

Na minha última publicação falei de uma das graves falhas na comunicação social, o fetiche pelo ciclo de indignação-esquecimento. Hoje achei que deveria promover um tipo de jornalismo que não é suficientemente valorizado dado que não é mediático, é mais cerebral, requer trabalho. Existem investigações de grande qualidade feitas por programas como o Sexta às 9 da RTP, os vários trabalhos das Vidas Suspensas ou o Acha Que Conhece o Seu País? da SIC ou como outro exemplo, o último Repórter TVI sobre as Contaminações dos terrenos do Parque das Nações. Entre estas, por vezes também somos expostos a investigações titânicas por parte da SIC que demonstram pequenos exemplos das redes de corrupção e o alcance da podridão que corrói a sociedade portuguesa, como na queda do BES, a operação Marquês, o BPN, BANIF, etc etc.

Este tipo de reportagens não são inconsequentes, alias, necessitamos de um ressurgimento deste tipo de trabalho. Acho que merecemos, acho que precisamos e com muita, mas muita urgência.

Chegamos a uma era em que a transparência é cada vez mais nítida e a informação cada vez menos concentrada nas mãos da auto-intitulada elite. Essa transparência e esse acesso à informação são os principais inimigos de quem se enriquece às nossas custas e de quem faz de nós uns verdadeiros otários dia após dia.

Todas as sextas-feiras fico de boca aberta com a falta de rigor, profissionalismo e qualquer ausência de responsabilização por parte das entidades que sistematicamente desfazem famílias e lançam o caos perante os portugueses. O Sexta às 9 tem feito um trabalho exímio em reportar algumas grandes falhas do nosso sistema, e em alguns casos levaram a consequências e a pequenas reformas. Merecem o reconhecimento disto, mas infelizmente, ainda não é o suficiente.

Ao ver qualquer daquelas reportagens, seja na RTP, SIC ou TVI, chegamos à conclusão que não podemos confiar em quem está em posições de poder. Vivemos num país com mais de 600 mil funcionários públicos, uns com mais poder que outros, mas todos invariavelmente com o poder suficiente para afectar profundamente as vidas de cada um dos milhões de portugueses que vivem dentro e fora de Portugal. Se viver à margem da responsabilização e da supervisão não fosse o suficiente, ainda temos o resto da sociedade para enfrentar, o que me dá a distinta ideia que vivemos de facto num país muito perigoso. Um poder governativo sem supervisão e uma sociedade à viver à margem da lei não são bons ingredientes para garantir “a paz social”.

Podemos não ser alvo das ondas terroristas e xenófobas que esbarram pelo mundo fora, muito devido à nossa ausência de aventuras militares em países que não nos dizem nada e também devido à nossa história e cultura que tendencialmente é aberta a novas ideias e novos horizontes.

Podemos não correr estes riscos mais iminentes e podemos não sofrer destas ameaças à nossa democracia e liberdade, mas corremos perigo, disso garanto-vos.

Neste momento somos governados num ambiente em que nos é encafuado goela abaixo, que nem uns belos patos para fazer foie grás, que nada de mal se passa, tudo é fantástico, e tudo corre bem.

Vivemos bem para além do país das maravilhas e completamente alheios à realidade que suspende as vidas de milhares de portugueses todos os dias. Ignora-se o que é de facto sério para dar foco sem fim à política macroeconómica do país. Baixamos uma percentagem no défice, aumentamos outra no crescimento trimestral, mexe uma vírgula aqui, outra ali.

Passamos noticiários inteiros e programas de “debate” político a “comentar” quem é que tem o mérito da boa nova, porque assim quiçá o plebeu poderá aumentar, um poucochinho, a confiança neste ou naquele grupo de palhaços a orquestrar o próximo ato do circo que são as sessões parlamentares.

Distraem-nos com debates sem fim, sobre a grande obra e a grande luta que combatem, para ajudar os pobres, para combater a precariedade, para lutar contra o grande capital, para ir buscar o dinheiro a quem acumula e a quem foge à tributação. Gritam e batem o pé, e embora não façam assim grande coisa que se veja, ainda se congratulam com tudo o que é de bom. Seja o tetracampeonato do Benfica, seja o centenário de Fátima, seja o Salvador e a conquista daquela “coisa” como o próprio Sobral chamou o troféu da Eurovisão, tudo mas TUDO o que seja de positivo é de obra e mérito única e exclusivamente deles. E aí de vocês se não agradecerem todos os dias ao pai, ao filho, ao espírito santo e à sagrada geringonça por terem comida no prato. Ou neste caso, a engorda que nos eventualmente levará a um fígado bem gordo, pronto para a sua colheita.

Ontem nas Vidas Suspensas da SIC apresentaram uma história, que como todas as outras, me deixou a perguntar, mas que raio é que se passa aqui?

Resumidamente, contaram a história de um senhor que trabalhou a vida toda para construir a sua vida (como muitos), que no próprio dia em que a empresa informou os seus trabalhadores que teriam que trabalhar todos até uma hora mais tarde do que o programado, ele teve o desplante de informar que não poderia fazê-lo pois já tinha compromissos marcados que não podia falhar.

A empresa decidiu retaliar, retirando-lhe horas de trabalho extra, decidindo não pagar o trabalho de feriados e dos tempos extraordinários, e este senhor, mais uma vez, teve a audácia de se queixar ao tribunal do trabalho. Ora a empresa quando descobre, abre processo interno contra o senhor, inventa umas justificações fictícias para o por na rua, despedindo o mesmo, dizem eles, por justa causa.

O senhor no desemprego recorre à justiça que entretanto não lhe atribui advogado. Senhor perde o carro, a casa, a mulher e a família. Pede a múltiplos advogados para o representar, e teve a má sorte em quem aceitou representar, que o faz mal e porcamente. São indicadas 4 testemunhas para falar em defesa dele, só foram convocados 2 no dia antes do julgamento.

As testemunhas da empresa mentem em tribunal, e os dois colegas que tiveram o desplante de falar em defesa do seu colega eventualmente também saíram da empresa por “incompatibilidades”. O senhor tenta interpor recursos mas o advogado diz que não tem tempo pois esbardalhou-se pelas escadas abaixo, que se encontra em recuperação e não pode tratar do assunto. Ora o senhor estando no desemprego vê esse mesmo advogado fino que nem um figo nesse mesmo dia. Enfim. Está neste momento de vida suspensa pois a nossa sempre célere justiça trata estes casos, como tantos outros com a urgência que merece: ou seja, para eles, nenhuma.

E ficamos ali, a pensar que de facto, é mesmo assim. Que vivemos num país em que se te atreves a abrir a boca, a contestar o que for, a reclamar direitos ou no mínimo dos mínimos, dizer que não, então é bom que tenhas uma artilharia de cunhas, connects e amigos que possam ajudar a enfrentar as consequências que vierem.

Uma pessoa diz à sua gestão, que não é competente o suficiente para anunciar as suas escalas de trabalho com antecedência, que não pode trabalhar essa hora extra, e tungas, três funcionários vão para a rua, efectivamente dando cabo de três famílias. É nisto que vivemos, não podemos levantar a cabeça porque não temos quem olhe por nós. 600 mil funcionários públicos que deveriam ter sentido de estado, que deveriam saber que estão lá para nos servir, para nos proteger, para ter em mentes os nossos melhores interesses, querem lá saber dos restantes milhões de portugueses que pagam o ordenado deles. Querem é saber dos seus salários, das suas férias, das suas reformas, dos seus aumentos, do seu crescimento, das suas horas de trabalho, dos seus direitos, etc. E temos a governar-nos quatro partidos que são peritos em proteger esse seu público alvo de 600 mil eleitores, com a sua máquina sindical pelo meio, e é por isso que eles têm direito a tolerância de pontes que não existem e o resto de nós não.

O perigo que existe aqui, é que enquanto uns governam a olhar para o seu umbigo, o resto do país anda a ser categoricamente e consistentemente fodido (tipicamente não uso palavrões mas não havia outra palavra que melhor descrevesse o que sinto). Mas como pintam o ar de cor de rosa, parece que afinal as coisas não andam assim tão mal.

As coisas andam mal, e olhem que eu sou um optimista! As coisas andam mal: perguntem só aos moradores do parque das nações que andam a respirar benzeno, ou às famílias vítimas de técnicas da segurança social que pertencem a esquemas para preencher os orfanatos com crianças retiradas ilegitimamente aos pais, ou aos milhões de portugueses que sofrem todos os dias perante a grossa incompetência de funcionários públicos que querem é ir picar o ponto para ir para casa antes do resto dos plebeu poder sair do trabalho, horas depois, e sem direito a ordenado extra.

O perigo é claro e gritante, e com cada trabalho de jornalismo destes que desmonta um esquema e demonstra a bandalhada que por cá governa e gere o estado, o mais nos aproximamos daquele momento em que um Mohamed Bouazizi (senhor que se auto-imolou e foi estopim dos protestos dos protestos na Tunísia) destas bandas se suicida às portas da Assembleia da República devido à ausência de um estado que sirva para governar para além dos seus clientes imediatos, ou seja, eles. Tenham cuidado, comecem a reformar, e rapidamente pois a coisa não irá correr bem. Reformem e ponham-se a mexer que não estamos assim muito longe daquele momento em que perdemos a cabeça. O povo português é pacato e consegue aguentar muito, mas aguentar muito mesmo. Mas após 40 anos de andarmos a ser enganados e esmiuçados de milhares e milhares de milhões de euros para financiar todo um quadro de bandidos de primeira, já o Thomas Jefferson dizia, que para manter a democracia, eram necessárias revoluções todas as gerações. A próxima revolução não necessitará de tanques e soldados na rua, mas garanto que muita gente irá para a cadeia, porque não admito que os Salgados da vida passem a vida em bem, mas se eu roubar um pão para alimentar a minha família vou preso e custar ainda mais aos contribuintes.

Eu recuso-me a pagar outro resgate. Isso garanto. E vocês?

Para reformar o País, reforme-se primeiro o esqueleto.

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No seguimento, deste meu artigo sobre o crescimento económico do País, queria aprofundar, ainda mais a temática das reformas estruturais em Portugal. Hoje fala-se de pão e circo na comunicação social, Salvador Sobral é homenageado na Assembleia da República e Tony Carreira, em tantos anos de serviço e de levar o nome de Portugal a todo o lado, nunca o foi, se Salvador tivesse ganho a Eurovisão, no tempo de Passos Coelho, já certos sectores da sociedade falavam coisas abomináveis para o rapaz, já que a esquerda tem esse monopólio, não me admiraria que o fizesse. Fala-se disto, como se fala da Madonna em Portugal, estamos entregues a isto, a notícias de fraque, ninguém discute que daqui a uns anos, a Segurança Social não tenha dinheiro para pagar reformas, ou como manter o actual crescimento de 2,8% de forma  sustentável, e não de forma esporádica.

Um dos factores de tantos actos circenses gratuitos, é agora que o Cardinali vai à falência, é o actual Governo Social-Comunista quer somente sobreviver, fazer a festa e distribuir para as clientelas, para provocar uma crise política para Costa ganhar eleições com maioria absoluta, as contas do País já não aguentam tanta sobreorçamentação e adiar pagamentos aos fornecedores, o défice não aguenta ficar muito mais tempo mascarado. Se queremos reformas,  e mudanças estruturais a sério, primeiro temos que mudar o plano institucional e constitucional que vivemos. Não podemos ter ciclos de Governo de 4 anos e Presidente da República de 5, sempre achei que os Governos devem governar 6 anos e o Presidente da República ter um só mandato de 7 anos. Retirar a influência dos ciclos eleitorais na política económica e orçamental é prioritário para o nosso burgo se reformar, os políticos portugueses tem a mania, eterna, de fazer reformas nos primeiros 2 anos e meio, e no restante mandato distribuírem flores eleitorais para amenizar a coisa, Passos Coelho reformou de 2011-2014, em 2015 houve uma gestão política eficaz para ganhar eleições, e fez bem , ganhou, só não ganhou com maioria devido ao grande aumento de impostos, mas para quem recebeu o País sem um tostão no bolso, e poucos tiveram a coragem de avançar, foi um trabalho hercúleo.

Ter governos com duração de 6 anos, vamos excluir a geringonça da equação, é essencial para adotarmos políticas sectoriais de longo prazo que possam aumentar o potencial de crescimento da economia, permite cortar despesa pública de um modo mais fácil, sem influenciar muito o ciclo eleitoral, e diminuir a dívida. Agora é pedir aos três maiores partidos que se entendam e se reúnem numa mesa, para alterar a constituição, mas derrepente lembro-me que temos um hernesto a líder do PS.

Não basta alterar os ciclos eleitorais, é necessário mudar o modo como se elegem deputados neste País, eu particularmente, gostaria de escolher o meu deputado, olhando para o seu currículo e experiência, para depois não ter que aturar Joãos Galambas no parlamento, colocar os círculos uninominais na mesa para discutir é importante. Além disso, tenham a coragem de ilegalizar a maçonaria no parlamento, sabemos o poder que esta tem nos “bastidores” deste País, talvez certas influências acabem. Mas isto já é pedir que a República Portuguesa tome juízo, não sei se é concretizável.

Mauro Pires