Citizen Kane: uma análise liberal

 Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=Uy6IZTrpA4A

 Acabei agora mesmo de ver « Citizen Kane », o filme considerado por muitos como o melhor da História cinematográfica americana. De facto vi um grande filme, porém continuo a considerar o Padrinho como o melhor.

 Não posso resistir a fazer um breve paralelo entre a vida de Charles Kane e o liberalismo. Alguns interpretarão esse filme como uma crítica do mesmo, em que um indivíduo foi corrompido pelo dinheiro e estatuto social, que lhe caiu em cima por acaso para mais, e que teria feito melhor ter ficado com a sua mãe numa singela modéstia. Como vêm, tanto podemos agradar à Esquerda como à Direita menos liberal com esta análise.

 Mas essa análise é incorrecta. Charles Kane foi corrompido pelo seu egocentrismo. Existe uma diferença entre egoísmo e egocentrismo :

 O egoísmo é o amor de si próprio. Ora para uma pessoa se amar a si própria precisa de se conhecer, conhecer suas qualidades e defeitos, capacidades e fraquezas. O egoísta usará o mundo ao seu redor para maximizar a sua felicidade. Ora para conseguir isso ele sabe muito bem que não pode esmagar os outros ou comportar-se de forma irracional. Tem de fazer os bons compromissos, tem de criar valor para realizar o seu propósito final que é a sua felicidade. E ao fazer isso também ajuda os demais a atingirem a sua felicidade, porque colaborou de uma maneira satisfatória para ele e os outros. Aliás, a palavra chave no egoísmo é essa mesmo: felicidade. A felicidade é um estado de bem-estar sustentável, e vão ver agora a diferença de fundo na análise do egocentrismo.

 O egocentrismo por o seu lado é uma paixão por si próprio. A paixão é por definição irracional. É um fogo que nos consome, uma procura irresistível de satisfazer os caprichos, os desejos instantâneos. O egocentrista não se preocupa em estar bem de forma sustentável ; quer que os seus desejos sejam satisfeitos imediatamente ou o mais rapidamente possível. Esses desejos podem inclusive fazer-lhe mal. Pensem no caso típico da droga. E não interessa os estragos que possam fazer ao seu redor. O egocentrista é por consequente uma pessoa potencialmente perigosa para si e para os outros.

 O liberalismo é assim a filosofia do egoísta, ao passo que os diversos estatismos são as ideologias dos egocentristas. Nós enquanto liberais defendemos o direito de cada um fazer o que bem lhe apetecer, à condição de não violar a propriedade alheia sem consentimento. Defendemos a cooperação voluntária e a reciprocidade nas relações de conflitos de propriedade. Tudo isso permite assim a cada um de ser como bem entender, sem esmagar os demais.

 Os estatismos não são assim. Valorizam “bens superiores”, defendem “causas” e são abertamente clientelistas (em regra geral, mais à Esquerda dizem defender os pobres – seja lá o que isso for – e mais à Direita dizem defender os honestos, seja lá o que isso for igualmente). Usam o poder para atingir essas finalidades, e os compromissos que eles dizem estar dispostos a fazer são, ora, meras concessões necessárias – porque sabem bem que se forem longe demais os opositores entrarão em guerra com eles – ora caprichos que estão dispostos a aceitar – por exemplo, aceitam pagar imposto porque sabem que podem ter prestações em troca, ou simplesmente porque não se importam de os pagar.

 Charles Kane tornou-se um egocêntrico com o passar do tempo, sobretudo no seu segundo casamento. Não importava mais os desejos de sua mulher, apenas os dele. Apenas a sua imagem importava. Se Kane se tivesse comportado em egoísta, ele teria feito o compromisso muito simples de levar a sua mulher a Nova Iorque. Este pequeno esforço teria salvo o seu casamento e a sua própria felicidade.

 Charles Kane apenas amou três pessoas : Rosebud, a sua mãe e ele próprio. Foi retirado à força das duas primeiras, e o seu egocentrismo matou a última.

 Orson Wells disse que podíamos analisar Charles Kane de duas formas, como um génio trágico ou um pobre idiota. Pessoalmente, tal como o jornalista, tenho dó de Charles Kane.

A Ideologia do Ódio

Era imperioso voltar a este tema. Sobretudo depois das reacções de algumas senhoras ao meu texto sobre assédio sexual. A discussão instalou-se no seio de algumas leitoras que de repente atacam como se houvesse discordância sobre o essencial. Mas há dúvida que TODAS as mulheres do Mundo abominam a violência e o abuso sexual sobre as mesmas? Pelo visto, sim. E a razão é muito simples: a ideologia do ódio já chegou também aqui.

O marxismo cultural é das ideologias mais perigosas que existem pela forma como se infiltra nas sociedades sem que as pessoas alvo se dêem conta. Fracturam, segregam e criam caos com recurso ao radicalismo extremista, para criar um novo Mundo facilmente dominável e dependente. É assim com os movimentos LGBT, com a questão islâmica, com as minorias  e agora as feministas. Como se estas questões não pudessem ser resolvidas com discursos moderados e sensatos apelando à aceitação e integração sem ódios. O problema é que do lado dos radicais não há espaço para o meio termo. Para o equilíbrio. Ou é tudo ou nada. Propositadamente. E é aqui que surgem as crispações.

Quando me insurjo contra as feministas extremistas não é porque aceito o assédio sexual. Abomino o assédio em todas as suas formas, sobre todas as pessoas, sejam mulheres, homens, idosos, crianças, deficientes, mendigos ou gays. É sim, porque abomino a ligeireza de rotular tudo como assédio. Porque o assédio é uma forma criminosa de subjugação, já contemplado na nossa legislação, a que ninguém pode ficar indiferente. Mas, cuidado! Passar de uma sociedade de homem machista que oprime e desrespeita mulheres para uma sociedade feminista machista que persegue agora os homens, não é evoluir. É inverter papeis de domínio.

Não quero que no futuro meu filho seja vítima desta loucura e vê-lo um dia ser preso porque tentou seduzir sem maldade, alguém.  As fronteiras entre o galanteio e o assédio estão de tal forma ténues que o simples olhar para uma rapariga bonita que passa na rua já é condenado. Foi exactamente isso que eu vi no programa da SIC, “E se Fosse Consigo”, em que uma miúda contabilizava de forma negativa todos os homens que a observavam à sua passagem como se isso fosse algo de terrível. Mas agora o que é belo não pode ter reacção? O que andamos nós a ensinar à nova geração? A odiar? Por outro lado, que reacção teriam as senhoras se um homem desfilasse na passadeira vermelha de Hollywood com uma vestimenta que pusesse seu sexo à mostra tal como algumas atrizes? Achariam ou não, provocatório? E se todas olhassem para ele, seria assédio? E levanta logo uma outra questão muito pertinente: e se for uma mulher a olhar para outra mulher bonita à sua passagem, é assédio? A ambiguidade desta questão levanta problemas sérios porque apesar de eu ser mulher nada me garante que outra fêmea homossexual não se sinta violada pelos meus olhos. E é esta questão interpretativa do que é ou não assédio, que convém travar antes que se torne lei. 

Outra questão que não suporto ouvir é que as mulheres não violam, não agridem, nem são protagonistas de assédio sexual. É falso. Elas não só fazem isto tudo como usam o assédio para atingir fins, sejam económicos, sejam profissionais. E nisto são peritas.  Sejamos honestos. Dizem essas feministas para se justificarem que, a existirem, estas  mulheres são em número reduzido. Falso outra vez. O que a vida me mostrou é que, não há queixas de assédio sexual por parte dos homens porque eles simplesmente não o vêem como crime. Aceitam e gostam. Não entram nunca por uma esquadra adentro para se queixarem do assédio (e elas sabem disso). Daí o silêncio das estatísticas.

Mas não são os únicos neste silêncio. Em tempos fui perseguida até ao limite por uma mulher a quem me neguei dar atenção depois de uma entrevista de trabalho. Seguiram-se ameaças constantes, mensagens e telefonemas  a qualquer hora do dia e noite. Acabou por desistir. Mas ainda hoje guardo tudo no tlm por precaução. Noutro episódio, num vestiário de uma loja de roupa, fui descaradamente tocada pela modista que me apertava o vestido. Nunca mais lá voltei. Dizer-se que  o assédio é uma mera questão masculina é redutor. Desde a libertação LGBT somos todos alvos. E elas, também agem de forma patológica sobre as vítimas. E nós mulheres também nos calamos sobre o assédio feminino.

As mulheres tardam em perceber que o fenómeno do assédio sexual masculino só se combate na educação de berço. Que são ELAS que têm o poder como mães de mudar esta realidade e que se temos os homens que temos é precisamente devido à educação que receberam ou não receberam da parte delas.

Porque todo o menino que aprende a respeitar, amar e proteger as meninas, com o exemplo dos pais em casa, não se torna num predador sexual.

Cristina Miranda

As facadas do PCP a Portugal continuam

Continuo a insistir neste ponto e vou continuar a insistir: Portugal, País da Europa Ocidental, tem um Partido Comunista e um Partido Trotskista com votações conjuntas de perto de 18,5%, que é algo verdadeiramente assustador, pelo menos depois de um País que foi ostracizado com uma Ditadura Comunista de Vasco Gonçalves e com nacionalizações, devia, hoje, estar vacinado contra tamanha barbaridade ideológica. O PCP e o BE ainda tem espaço em Portugal devido a uma coisa tremendamente simples, parte do povo português não tem índices educacionais elevados, é facilmente enganado com os amanhãs que cantam e, ainda por cima, um povo sem estabilidade alguma, vendo uma Europa com povos com rendimentos muito superiores, a cultura da inveja e do pilantra cresce como um polvo.

Não é ter inveja do dinheiro alheio que nos vai fazer crescer, ou lamentações ou ainda caras fechadas, sei perfeitamente que o desastre de políticos que temos que só pensam nos seus e nas corporações que representam não ajudam ninguém, mas a  falta de massa crítica também não ajuda a que tais criaturas não nos olhem como meros mexilhões sem manteiga. Se nós tivéssemos outro espírito, à Belmiro, por exemplo, o PCP não existia em Portugal ou o seu poder era meramente residual. Quando tens um Partido que apoia ditaduras assassinas, e tem o poder de influenciar as negociações numa empresa como a AutoEuropa, que, vamos ser pragmáticos, caso não haja acordo vai bater com as portas para outro País mais fiável que este. Mas é isto que o PCP quer à força toda, criar novos desempregados, fazendo de inimigo externo os “grandes capitalistas”, para depois ganhar militantes.

Foi assim que o PCP ganhou militantes e simpatizantes na margem sul do tejo, onde destruiu a indústria pré 25 de Abril, é assim que o PC trabalha, condiciona, faz jogos de bastidores, rói cordas e depois apresenta a conta ao Zé povo, e eles depois vão na conversa de sempre. Se a AutoEuropa se deslocalizar é mais uma bala do PCP no coração da Economia Portuguesa, e será mais um feito dos parasitas bolcheviques.

Obrigado Jerónimo, estás nos a tornar cada vez mais medíocres.

Mauro Pires

Namorar uma pessoa madura (2)

Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=9r1a2moYSyE

No artigo precedente[1] publiquei um texto de Sophie W. sobre o namoro entre pessoas maduras e imaturas. Aqui vou fazer o paralelo entre o liberalismo e a madureza, e o estatismo e a imaturidade.

Basta simplesmente recopiar o texto precedente e substituir as palavras “madura” por “liberal”, e “imatura” por “estatista”, tendo em mente claro que não falamos só de namoro mas também de comportamento social e político. Vejamos então isso e porquê o podemos fazer:

 

 Ao namorar uma pessoa liberal, não precisa preocupar-se o tempo inteiro sobre o que ela pode ou não estar a fazer. Já uma pessoa estatista é sempre instável, pode armar uma briga para ferir a vossa relação.

O liberalismo é uma filosofia sobre o Direito e o individualismo. É uma filosofia que quer descobrir um Direito coerente e justo, e para o fazer defende o direito de cada individuo de fazer o que bem entender na sua esfera ou na esfera dos que consentiram às suas acções. Isso implica que não há, no liberalismo, a preocupação em vigiar todos os aspetos das vossas vidas. Não há lugar para a inveja. Não há tão pouco lugar para castigar quem não violou a vossa propriedade ou não violou os acordos que passou com ela, sob o pretexto que feriu a vossa sensibilidade.

Quanto mais, no liberalismo, serão sancionados da forma mais recíproca[2] possível − caso não haja convenção a tratar das violações − quando violam a propriedade de outra pessoa sem o seu consentimento.

Pelo contrário o estatismo é instável. Terão sempre de respeitar mais outra lei porque apareceu “um novo problema”. Nem interessa saber se esta nova obrigação entra em contradição com outro dever. É sempre impor algo porque podemos e queremos.

 

 Você sabe que uma pessoa é estatista quando ela não fica feliz por suas realizações pessoais e acha que vocês estão competindo. Ninguém merece, não é? Namorar uma pessoa liberal é ter a certeza de ter alguém que se realiza ao vê-la feliz e realizando sonhos e, ainda, a ajuda a chegar até eles.

Voltamos ao que foi dito antes, o estatista não fica feliz por suas realizações. Ou é porque é rico e deveria partilhar. Ou é porque tem um imóvel de luxo e tem de pagar um adicional ao IMI. Ou é porque é concorrente e dá cabo do negócio tradicional. Enfim, existe um enorme leque de reprimendas – sempre com alguma argumentação claro – para lhe impor. Não lhes interessa provar se o que você está a fazer viola ou não a propriedade de outro, se ele consentiu a tal ou não, se o que lhe vão impor está relacionado com o que fez e acaba nos bolsos de quem sofreu a “agressão”. Não, é sempre em nome de grandes princípios, do interesse nacional, da protecção de X ou Y…

Ao oposto de esta visão, o liberalismo deixara-vos fazer o que quiserem, vos associarem como quiserem, guardar o que ganharam. Apenas vos castigará se violaram o que é de outro sem o consentimento dele. O que claro obriga a que este também se queixe e prove que foi afectado.

 

 Uma pessoa liberal e bem resolvida sabe assumir quando erra, sabe pedir desculpas e procura melhorar o que faz de errado. Um estatista dificilmente assumirá um erro e ficará inventando desculpas para justificar aquilo que fez, por mais inocente que tenha sido.

Aí está mais uma vez a relação entre liberdade e responsabilidade. Quando você se compromete a fazer algo e falha, deve aceitar o castigo previamente acordado, ou repor a pessoa na situação em que estaria se tudo corresse bem, ou como se nada tivesse acontecido[3].

O estatista não se preocupa com nada de isso. A culpa é sempre de outro : do livre mercado, da ganância, da Natureza, da Oposição, das multinacionais, dos Governos anteriores, de Bruxelas… E isso funciona para tudo e mais alguma coisa, “mesmo o mais inocente”, porque o estatista vive num mundo de fantasia: pensa que pode resolver todos os problemas que ele aponta com as soluções que ele acha boas. Não lhe interessa saber se o que aponta é um problema ou não, se a solução é adequada ou não. É sempre o seu capricho, camuflado entre cortinas de pseudociência e manipulações variadas.

 

 Num relacionamento com uma pessoa estatista, conversar pode ser uma tarefa árdua. Isso porque ela sempre acha que o diálogo é desnecessário para aquele momento ou situação e que vocês deveriam apenas esquecer o que aconteceu. Já um liberal coloca os pontos nos “i” e não faz durar as disputas para acertar as pequenas desavenças.

Mais uma vez, quantas vezes não ouvimos estatistas dizer que “este tema não é para ser discutido nestas circunstâncias”? Que não quer saber dos vossos problemas ou que vos reenvia a qualquer solução que não vos ajudará?

Os liberais não. Ouvem o que as pessoas têm por lhes dizer, explicam-lhes se o que pedem é ou não realizável nos termos que propõem, ou mencionam pistas tendo em conta o que a pessoa quer e em respeito com os demais. E claro não andam a perder tempos em conversas estéreis sobre o sexo dos anjos. Os problemas são para serem resolvidos de forma adequada, e não para fazer prosa e arranjar truques insustentáveis. Ou então assumem de viver só de aparatos efémeros.

 

 O estatismo também pode fazer com que a pessoa não queira escutar os outros, principalmente os conselhos que lhe dão. Dificilmente vai aceitar os seus pontos de vista sobre a relação e achará que sempre está certo. O que não acontece com um liberal, que entende o seu lado e procura ouvir seus levantamentos.

Acabamos de falar de isso logo encima. O que pode acontecer é haver mais subtileza. O estatista muitas vezes impor-lhe-á uma solução. Ou arranjará uma para o problema que apontou. Funciona ou não? É justo ou não? As aparências são a única coisa que contam para ele. E se você contestar, terá direito a maior variedade de criticas: “tivesses votado”, “muda-te para a Somália”, “é porque não deram meios suficientes” …

Já o liberal não se pode dar a esses luxos. Claro não atendará a todos os vossos caprichos nos moldes que pedirão, mas terá de atender às vossas necessidades nos limites das suas capacidades, e do que está disposto a oferecer em troca[4]. Até porque é assim que funciona o livre mercado que ele defende. Aliás é assim que funcionam as pessoas de bem para a generalidade das situações.

 

 Um estatista dificilmente sabe o que quer e, muitas vezes, pode não estar pronto para aquele tipo de relação. Aí já viu o problema, não é? Um liberal tem plena convicção do que quer e faz questão de deixar isso bem claro para você!

Mais uma vez, os estatistas costumam improvisar em função das circunstâncias e do que lhes apetece. Será que sabem quais são os instrumentos que já estão em vigor? As consequências dos mesmos? As alternativas? Não, é reagir em função do que lhes interessa e pouco interessa a coerência. Ou é coerência nos limites que eles impõem – que esses limites não sejam suficientes não interessa. Não há um rumo, não há um objetivo ; quantas vezes a coerência é classificada, por eles, como “cegueira ideológica” ou “fanatismo religioso”?

Ou dito melhor, existem rumos imprecisos, que costumam seguir a via que permite ao estatista atingir os seus objetivos pessoais, pouco importa o que acontece aos dos outros ou se os seus objetivos são legítimos. E sabem como o ser humano costuma funcionar, nunca está satisfeito, quer sempre mais. O estatista concretiza essa característica ao impor aos outros de o satisfazer. E ele nunca estará satisfeito, assim que nunca vos deixará em paz…

Os liberais não se pautam por esta incerteza. Querem liberdade e que os deixem em paz. Dizem o que querem, organizam-se para o que os seus objetivos não violem os interesses legítimos dos outros e deixam cada um fazer o que quiser, desde que respeite os demais. O Direito liberal, a “relação” liberal, tem assim de se pautar pela simplicidade, a previsibilidade, a coerência e a estabilidade[5].

 

 Um liberal não toma decisões precipitadas e sempre pensa em vocês dois como um casal antes de fazer qualquer coisa. Um estatista pode ser impulsivo, fazer o que bem entender e a hora que quiser sem se preocupar com as consequências no momento.

Aqui o ponto chave é “casal”. Eu não duvido que os estatistas não tomem sistematicamente decisões precipitadas. Sim, eu acabei de mostrar a incoerência e egoísmo deles, mas isso não significa que sejam sistematicamente precipitados. O estatista quer ver determinado resultado se realizar, por consequente fará tudo para o atingir, fazendo os compromissos e as cedências que lhe permitirão chegar o mais perto possível.

O estatista sabe a que grupo falar, sabe o que lhes deve dizer, o que lhes deve dar ou prometer. O problema é que isso se faz em detrimento dos que não estão nesses círculos ou nos planos traçados. Aliás, mesmo aqueles que estão nesses círculos ou planos deveriam fazer atenção, não estão necessariamente ao abrigo que outros planos e círculos se formem contra eles. Como deveriam pensar se ganham realmente mais ao entrar nesses esquemas.

Quanto à precipitação, é melhor a entender como uma ausência de planeamento e de justiça nas acções. O estatista não se preocupa com as consequências a mais longo prazo, nem se a forma como age é legítima. Quanto mais ele pensa em como evitar uma contestação suficientemente forte, ou como a destruir antes que consiga mudar algo de facto.

Mais uma vez, no liberalismo, estes joguinhos de poder não têm lugar. A não ser que voluntariamente entraram num jogo. Alguns poderão contrapor-me que a vida é feita de jogos políticos, mesmo nas relações amorosas. Pois pode, mas nesses casos é novamente porque se inseriram num jogo chamado “vida em sociedade”: as pessoas querem uma infinidade de coisas, são seduzidas por milhares de técnicas. Nesse caso estamos num domínio que sempre existiu e existirá enquanto os Homens cá estarão. E justamente se os Homens eram mesmo mais liberais, menos de esses jogos existiriam pois não haveriam tanto medo em ser franco, em explicar o que se quer ou não, ao respeitar pelo qual nos comprometemos.

O lucro − esta palavra que significa muitíssimo mais que ao que aparente ser[6]− o tal, suposto, objetivo máximo do liberalismo, tem essa virtude de limpar todas as convenções, os preconceitos para se concentrar no resultado em harmonia com todos.

 

 A falta de liberdade pode fazer com que a pessoa acabe culpando a outra por tudo de mau que acontecer na relação, mesmo que seja erro dela própria. Quando a liberdade faz parte da vida da pessoa, ela entende que não pode culpar ou julgar ninguém.

Esta é aliás uma consequência indireta do estatismo: quando maior ele for, menos liberdade há, mais as pessoas estão dispostas a arredar as suas responsabilidades. Essa atitude é absolutamente normal: então se algo se propôs a resolver os vossos problemas, porque haveriam de assumir as responsabilidades caso corra mal? Muitas vezes existem vários mecanismos que nos permitem,  precisamente, fugir às nossas responsabilidades, porque haveríamos de nos infligir sentimentos de culpa?

Outro problema do estatismo, ao promover a irresponsabilidade, é que desmobiliza ainda mais as vítimas. Afinal de conta, se sofremos dificuldades e nunca ninguém paga por isso, como havemos de acreditar na liberdade e respeitar os outros? O Homem torna-se o lobo para o Homem…

Pelo contrário, no liberalismo existe liberdade e responsabilidade. Claro não é impossível que uns consigam fugir às suas responsabilidades ou usem de meios para tentar fugir às consequências. A questão nesses casos é de saber se este comportamento − que como bem vimos existe também e ainda mais no estatismo − é sustentável. Vejamos alguém que tenta fugir às suas responsabilidades:

Tem de comprar tempo, perde dinheiro e energia nesse combate, fica com a reputação manchada – pois em regime de liberdade ninguém será proibido do denunciar por todo lado, sem ter de temer sabe-se lá que processo por “ofensa à honra”[7]. Quanto mais asneiras acumulará, menos tempo e dinheiro terá e mais será conhecido como um sacana. Julgam que ganhará mesmo no fim? E mesmo que ganhe, quanto terá perdido para vitoriar?

 

 Um estatista deixa bem claro que te ama e se realmente ama, o que é mais importante ainda! Além disso, tenta provar a cada dia que o sentimento é real e que você pode confiar nele. Um liberal, por muitas vezes, pode até dizer o que sente, mas nas atitudes acaba se esquecendo de demonstrar.

Aí inverti a ordem. Porquê? Porque esta frase é uma frase de aparências. Sim, é certo que o estatista fará muitas vezes de conta que se preocupa com o vosso destino. Mas na realidade não trará nada de concreto; lá está, ele faz de conta. Aparências, anúncios, discursos, condenações, ele usará todos os meios visuais, auditivos, textuais para vos iludir.

O liberal não tem tempo a perder com truques. Preocupa-se com o concreto, o verdadeiro. Vê além das convenções que os Homens criaram para, supostamente, se protegerem, que acabam por os prender e os tornar ainda mais infelizes que se elas não existissem. Ele não precisa de demostrar.

Ele faz.

Namorar uma pessoa madura (3)
[1] https://portugalgate.org/2017/08/26/namorar-uma-pessoa-madura-1/

[2] Recíproca porque a liberdade é consubstancial à responsabilidade. Um não pode viver sem o outro. De esta forma, se você fizer X, não se poderá queixar se alguém lhe fizer X igualmente. A única forma de evitar o comportamento X é o contrato; se você e o terceiro tinham um acordo que lhe autorizava a ser o único a cometer X, então o terceiro terá de obedecer ao contrato.

[3] Pequena adenda, isto é um princípio basilar em matéria de inexecução contratual. De maneira geral deixa-se a liberdade ao credor de escolher entre obter mesmo a prestação, ou um substituto similar, que estava prevista no contrato (as indemnizações positivas) ou se livrar do contrato e voltar a ser posto na situação em que estava antes de concluir o contrato (as indemnizações negativas). Com a crescente regulamentação dos contratos isto já não é tão limiar ; por exemplo, em matéria de contrato de venda, ele apenas poderá obter as indemnizações negativas em último recurso.

[4] Oferecer no sentido largo, não falamos só de dinheiro. Também acontece que não lhe peçam nada em troca. É ao critério de cada um.

[5] Isto parece uma frase conservadora, não é? Não. Não é porque o conservadorismo não é uma filosofia que procure a coerência, é uma filosofia que considera que determinados valores ou comportamentos devem ser preservados. Como bem vimos, no liberalismo existe um maior grau de abertura para constantemente pôr tudo em causa, desde que haja acordo das partes afectadas em suas propriedades.

[6] Prazer, lazer, cultura, amizade, amor. Todo isso é lucro. É um estado em que temos um Bem, em que minimizamos os sacrifícios, os desprazeres, as dificuldades.

[7] Atenção que eu estou a pôr a hipótese em que aquele que é criticado o é por causa de factos verdadeiros. A mentira pode justificar uma condenação por “ofensa à honra”, mas neste caso condena-se a mentira porque originou comportamentos que nunca teriam lugar se ela não tivesse sido pronunciada.

Namorar uma pessoa madura (1)

Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=2GS2pH9c-oE

“Ao namorar uma pessoa madura, não precisa preocupar-se o tempo inteiro sobre o que ela pode ou não estar a fazer. Já uma pessoa imatura é sempre instável, pode armar uma briga para ferir a vossa relação.

Você sabe que uma pessoa é imatura quando ela não fica feliz por suas realizações pessoais e acha que vocês estão competindo. Ninguém merece, não é? Namorar uma pessoa madura é ter a certeza de ter alguém que se realiza ao vê-la feliz e realizando sonhos e, ainda, a ajuda a chegar até eles.

Uma pessoa madura e bem resolvida sabe assumir quando erra, sabe pedir desculpas e procura melhorar o que faz de errado. Um imaturo dificilmente assumirá um erro e ficará inventando desculpas para justificar aquilo que fez, por mais inocente que tenha sido.

Num relacionamento com uma pessoa imatura, conversar pode ser uma tarefa árdua. Isso porque ela sempre acha que o diálogo é desnecessário para aquele momento ou situação e que vocês deveriam apenas esquecer o que aconteceu. Já alguém maduro, coloca os pontos nos “i” e não faz durar as disputas para acertar as pequenas desavenças.

A imaturidade também pode fazer com que a pessoa não queira escutar os outros, principalmente os conselhos que lhe dão. Dificilmente vai aceitar os seus pontos de vista sobre a relação e achará que sempre está certo. O que não acontece com uma pessoa madura, que entende o seu lado e procura ouvir seus levantamentos.

Um imaturo dificilmente sabe o que quer e, muitas vezes, pode não estar pronto para aquele tipo de relação. Aí já viu o problema, não é? Uma pessoa madura tem plena convicção do que quer e faz questão de deixar isso bem claro para você!

Alguém maduro não toma decisões precipitadas e sempre pensa em vocês dois como um casal antes de fazer qualquer coisa. Um imaturo pode ser impulsivo, fazer o que bem entender e a hora que quiser sem se preocupar com as consequências no momento.

A falta de maturidade pode fazer com que a pessoa acabe culpando a outra por tudo de mau que acontecer na relação, mesmo que seja erro dela própria. Quando a maturidade faz parte da vida da pessoa, ela entende que não pode culpar ou julgar ninguém.

Uma pessoa madura deixa bem claro que te ama e se realmente ama, o que é mais importante ainda! Além disso, tenta provar a cada dia que o sentimento é real e que você pode confiar nela. Um imaturo, por muitas vezes, pode até dizer o que sente, mas nas atitudes acaba se esquecendo de demonstrar.”

Texto de Sophie W.

O quê com um texto de namoro vem aqui fazer num blogue sobre política? Todo vos será explicado dentro de dois dias. Até aí mantenham-se atentos ao PortugalGate!