Carta Aberta ao Sr.Presidente da República

Excelentíssimo Senhor

Presidente da Republica Portuguesa

Professor Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa

Assunto: Encerramento do Centro de Dia de Vila Facaia, contra a vontade expressa dos utentes e povo de Vila Facaia – Pedido de intervenção da Presidência da República para defender os interesses e serviços à população

Dirigimo-nos a Vossa Excelência solicitando algum tipo de intervenção ou apoio para evitar o encerramento deste serviço em Vila Facaia, como deverá saber, tão afectada pelos incêndios em Junho 2017, e, naturalmente, com uma população envelhecida que cada vez mais necessita deste tipo de infraestruturas e serviços de apoio.

Este Centro de Dia de Vila Facaia, pela urgente necessidade, foi uma obra conseguida pelo esforço da própria população, em 1996, e pela Junta de Freguesia de Vila Facaia que comprou terrenos. Houve também donativos de oferta de materiais de construção por um comerciante do sector da construção da zona.

O Centro de Dia de Vila Facaia, propriedade da Junta de Freguesia de Vila Facaia, que iniciou actividade a servir 6 utentes, e, actualmente serve 10 utentes, é um monumento à união e força de vontade do povo Pedroguense e de Vila Facaia, e está em risco iminente de ser encerrado definitivamente pelo seu explorador, a Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande, tendo sido necessária uma rápida intervenção, há alguns dias, de elementos da Junta de Freguesia de Vila Facaia e da população, para evitar o retirar de equipamentos do interior do Centro de Dia para assim acelerar o seu encerramento.

A justificação que nos é dada pela SCMPG é a despesa elevada, e que podem transferir os utentes para o seu centro de dia na Graça, que se localiza a 5km, mas sabemos que foram feitas diligências para que o C.D. de Vila Facaia, fosse doado pela JFVF à SCMPG, tal como aconteceu no caso do C.D. da Graça, há vários anos atrás. Não foram oferecidas quaisquer garantias que o Centro se irá manter aberto enquanto necessário. A população e Junta de Freguesia de Vila Facaia têm recusado esta proposta da SCMPG, e esta é a resposta a essa recusa.

Como antecedente, temos o Centro de Dia da Graça que tinha também sido construído pela população, que o terreno até tinha sido doado por locais à junta para construção de uma capela (mas ao invés foi construído um centro de dia, visto que existia maior necessidade deste). Após uns anos, foi tudo doado à SCMPG. Hoje este C.D da Graça, serve apenas 6 utentes, em comparação com o C.D. de Vila Facaia.

Temos também conhecimento que a Câmara Municipal de Pedrógão Grande, anualmente, transfere fundos de apoios sociais para a SCMPG e para os Centros de Dia, além do mais, os relatórios de despesas da SCMPG, demonstram que o saldo negativo do Centro de Dia de Vila Facaia é bastante inferior (menos de metade) do centro de dia da Graça, dificultando ainda  mais a nossa compreensão sobre o cenário que nos é colocado.

Correm, de momento, abaixo-assinados pela população em Vila Facaia, nas instalações da Junta de Freguesia, assim como por via digital, petição pública online.
Em baixo, o comunicado oficial que foi passado à população pela JFVF:
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FONTE: Freguesia de P.Grande

Assim como o último relatório de Gestão, de 2017, pela Santa Casa da Misericórdia de
Pedrógão Grande:

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FONTE: Relatório de Gestão de 2017

Pelo exposto, vêm estes cidadãos, através do Movimento Cívico Não Nos Calamos, aqui
representado por mim, solicitar a V.Exa. a providenciar as diligências possíveis que permitam ajudar a impedir o encerramento deste centro.

De V Exa

Atenciosamente,

Cristina Miranda

Presidente Marcelo, os donativos de Pedrógão Grande foram desviados!

Já foi encontrado parte do dinheiro dos donativos desaparecidos em Pedrógão, e que pôs a sociedade a questionar seu paradeiro, até o próprio Presidente da República,  ao ver que muita gente, um ano depois, continuava sem ajudas. Aleluia!! Afinal não andava perdido. Não senhor! Nada disso! Estava só “muito  bem guardado”  pelos autarcas locais e seus preciosos colaboradores para ser distribuído pelos familiares, amigos e familiares de amigos! Portanto tratou-se apenas de fazer uma “boa gestão dos dinheiros solidários” por forma a garantir que chegava primeiro e depressa aos que deles não necessitavam antes de esgotar. Exactamente como fazem os  oportunistas, ladrões, salafrários sem um pingo de carácter pelo nosso país fora! 

Numa Reportagem corajosa de Ana Leal na TVI ficamos então  com a confirmação daquilo que já todos suspeitávamos: os cerca de 15 milhões de euros (coisa pouca) doados pelos portugueses solidários  com a tragédia de Pedrógão,  estavam a ser sugados descaradamente pela máfia do costume sempre atenta às boas oportunidades para meter dinheiro ao bolso seja ele do que for.

O plano era simples: fazer com que o dinheiro ficasse todo nos bolsos de gentes da terra sejam vítimas ou não. Para isso, aconselhava-se a quem não viu arder suas casas de 1ª habitação, que aceitassem a falsificação dos dados de modo a serem contemplados. Enquanto isso, os que verdadeiramente viram arder todo o património de uma vida ficavam em lista de espera para receber migalhas ou nada. Falta só  saber o que estes conselheiros levaram em troca. Não há almoços grátis.

Assim, e com a conivência da Câmara Municipal de Pedrógão, foi possível reabilitar com prioridade, casas devolutas inabitadas há anos; palheiros e abrigos para carneiros; casas de férias e até casas que nunca existiram, como sendo de 1ª habitação,  em tempo recorde e por valores exorbitantes que claramente não correspondem ao investimento feito! Isto sem falar dos envelopes entregues em mão com dinheiro vivo sem qualquer controlo como denunciam alguns habitantes.

Enquanto isso, as verdadeiras vítimas,  esperam e desesperam por apoios que nunca vêm ou se vêm, são tão irrisórios que dá vontade de desistir. A uns atolam-nos de burocracias para que se contentem com 5000 euritos. Outros esperam em casas da Segurança Social a conclusão das obras que nunca mais acabam, com o aviso de despejo à porta. Outros valeu-lhes a ajuda de voluntários que fizeram as obras e doaram materiais. Outros ainda, não viram mexer sequer um tijolo na sua propriedade carbonizada.

Confrontados os responsáveis do poder local com estas evidências, a reacção foi a de sempre: não vi nada, não sei de nada, não há ilegalidades, somos todos bons rapazes, isto é calúnia. Até vão apresentar queixa contra a TVI, tadinhos destes injustiçados! Fazem lembrar aqueles putos que foram ao pote de mel e apanhados todos besuntados afirmam que não sabiam do mel. Estão a ver? Canalhas sem vergonha é o que são!

A verdade no entanto, por muito que a neguem, não deixa margens para dúvidas. O fundo Revita (para onde foram canalizados todos os donativos) e a CCDR foram os responsáveis pela selecção  das casas a apoiar. Eram eles que mandavam nos fundos privados. Escusam de mandar areia para os olhos! Curioso porém  foi ver a seguir à exibição da reportagem, o desbloqueio imediato de 350 000 eurospara apoio a agricultores e entrega de electrodomésticos doados. A comprar silêncios?

Infelizmente e por tradição somos assim. Um povo que não vê maldade nenhuma em se apropriar do dinheiro público por achar que “ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão”. Justificamos os nossos delitos com os exemplos que vemos de cima. E por isso, dizemos tal como se viu na reportagem ” fiz porque os outros também fizeram” ou fizemos porque nos mandaram” sem qualquer demonstração de culpa.  É o país real que temos. Por isso seremos eternamente pobres enquanto esta mentalidade persistir.

Aqui há tempos Marcelo queria saber onde parava o dinheiro de Pedrógão Grande. Está aqui. Já pode e deve  pronunciar-se em defesa da honra do nosso país.

Aguardemos.

Cristina Miranda(Sigam a Cristina no Facebook)

Via Blasfémias

Carta aberta aos Bombeiros Voluntários da Nação

Caros bombeiros voluntários da nação, tenho a dizer-vos que sois uma cambada de “piegas”. Ora queixam-se, que dormem no chão, ora queixam-se que são mal pagos, ora queixam-se que até o pouco que deviam receber que muitas nem isso é pago, ora queixam-se que não têm equipamentos individuais de protecção, ora queixam-se que não têm verbas para comprar o combustível para sair para o terreno com as viaturas. ora dizem que as viaturas são velhas e estão avariadas e depois queixam-se também que não têm dinheiro para a mandar consertar, e como se não bastasse, agora também já se queixam que não vos dão comida, que vos deixam passar fome, ou que não vos servem comida em quantidade nem em qualidade aceitável. Dizem que só vos deram pães com manteiga.

Não tarda ainda começam a exigir Nutella ou umas fatias de mortadela. Caprichos, é o que é. Já só faltou dizer que aqueles bombeiros que deixaram cair o pão no chão com o lado da manteiga virado para baixo, que também foi culpa dos governantes. Foi precisamente a precaver essas eventualidades é que vos foi eram dadas dois pães. Mas o que é que vocês querem afinal? Não me digam que agora também querem ter acesso ao cardápio do restaurante da AR, ou uma frota de viaturas como as do Conselho de Ministros, Secretário de Estado, adjuntos e assessores, em aluguer operacional, com cartão de combustível, manutenção, viatura de substituição, seguros, selo, e pneus incluídos? Ou será que também querem ser remunerados como assessores do camarada Robles, ou receberem subsídios de deslocações como os do camarada César? Ou terem cartões de crédito e irem gastar à fartazana no Solar dos Presuntos, ou no Gabrinus, como os nossos servidores públicos, eleitos ou de nomeação? Não me digam que também querem ter camas de campanha em caravanas com casa de banho e chuveiro privativo e ar condicionado, como aquelas da malta do comando da protecção Civil? Caros bombeiros, deixem de ser egoístas e parem de se comportar como prima donas. Então não sabem que o país não tem dinheiro para andar assim a esbanjar e a alimentar os vossos caprichos? Além disso agora temos que poupar mais uns cobres para pagar o milhão das obras na residência do camarada Costa, vosso Primeiro Ministro. E se a maior parte da malta aguenta, ser roubada, confiscada, escravizada, parasitada e maltratada, não se entende como é que vocês também ainda aprenderam a aguentar.

Olhem o que vos digo caros bombeiros, é que sois todos uma grande cambada de invejosos que estão sempre a cobiçar as condições e o bem estar alheio, que tanto trabalhinho e esforço deu a arranjar, aos comensais da AR, aos frequentadores do Conselho de Ministros, aos assessores de todos os Robles da nação, aos boys da Protecção Civil e a todos os demais boys de muitos outros Jobs. E o momento agora é de alegria e celebração. Não queriam agora vir estragar, com as vossa queixinhas, lamurias exigências e invejas esta época de enormes e reconhecidos sucessos. Se não querem fazer um esforço pelo bem da nação, ao menos façam-no para bem dos que governam a nação, e para benefício dos muitos que a parasitam. Vejam se deixam de uma vez por todas de se comportar como uma cambada de meninos mimados e piegas, pois o país começa a ficar sem paciência para as vossas lamurias.

Se continuarem a insistir nesse vosso modo reclamante e queixoso, qualquer dia dispensamos os vossos serviços no combater incêndios, ou em qualquer outra missão para ajudar a malta. Felizmente que temos todos aqueles gajos com aqueles coletes todos giros da Protecção Civil, e também temos o Cabrita, o Costa e o Marcelo. Gente valiosa e indispensável, e dos quais nunca lhes ouvimos um lamurio, uma reclamação, uma queixa,. Destes só temos recebido humilde espírito de missão, sacrifícios e abnegação. O que seria de nós sem estes? Caros bombeiros, ponham os vossos olhos nestes abnegados e sacrificados servidores públicos, que em cima mencionei, copiem os seus “bons exemplos” e por favor, de uma vez por todas, parem de reclamar e de serem piegas. Irra!!!

 

Rui Mendes Ferreira

O Triunfo Dos Porcos

De tragédia de excepção que confirmava a regra durante 7 dias (Costa dixit) a uma grande vitória em 24 horas (Cabrita dixit)

Pelo meio, o maior incêndio de toda a Europa, que deixa um balanço de completa destruição de 27 mil hectares de floresta e exploração agrícola, completamente reduzidos a cinzas, mais de 60 habitações destruídas, mais de 100 pessoas desalojadas, mais de 40 viaturas incendiadas, mais de 80 feridos, dos quais 34 com gravidade, e mais de uma centena de animais domésticos carbonizados, centenas de milhões de euros de danos e prejuízos, que levarão em alguns casos, dezenas de anos para poderem ser recuperados.

Mas segundo o ministro da administração interna, Eduardo Cabrita, foi uma grande vitória, pois podia ter sido pior.

Desta vez temos que lhe dar razão, pois de facto podia ter sido pior.

Podiam ter ardido 28 mil hectares, 61 habitações, 101 desalojados, 41 viaturas carbonizadas, 81 feridos dos quais 35 com gravidade várias centenas de animais domésticos carbonizados e podiam ter sido milhares de milhões de euros de danos e prejuízos.

Piegas estes portugueses. Sempre a queixarem-se e sempre a exigir soluções, eficiência e eficácia aos governantes e aos serviços do Estado, como se isso lá fossem coisas que pudessem ser exigidas ao Estado, a políticos e governantes.

Uma grande vitória de facto, da hipocrisia, da incompetência, do embuste, da falácia, da mentira, da mais asquerosa e vil desenvergonhada falta de vergonha.

Ou como escreveu George Orwell na sua obra “O Triunfo dos Porcos”: todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que outros”, e também em Monchique, uma vez mais, triunfaram os porcos.

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Ministro Cabrita

António Costa é uma Criatura muito Incompetente

Num País mais, vá, digamos:”normal”, António Costa e a sua trupe não passavam nem para inspectores de Limpezas, muito menos para caixas de supermercado, não que tais profissões não sejam dignas, é que a prossecução motora e psicológica de um caixa de supermercado exige qualidades que António Costa não tem como: Sustentar a pressão num longo período de tempo, António Costa não consegue, é um individuo- sim de homem não tem nada- que foge dos seus compromissos como o diabo da Cruz- até podemos considerar António Costa o diabo e a Cruz as nossas finanças- adiante, tal criatura do mal foge para destinos mais ou menos paradisíacos no meio do Mediterrâneo onde mostra, e com orgulho, suponho eu, pelos com o tamanho e espessura da sua estupidez, resumindo, grandes, bem grandes.

Não querendo falar de tal repugnância fisiológica, passemos para o essencial, o povo Português gosta, e sempre gostou, em geral claro, de seres que representem a sua face mais chico-esperta, aquele ser que pule a cerca do modo mais brutal possível e que estes querem fazer, mas não conseguem. Costa é esse tipo! Maquiavélico, implacável, sem espinha dorsal, maleável, não dá o peito ás balas perante nenhuma situação catastrófica quer no nível social-ambiental- como incêndios que no seu mandato atingiram o auge- ou até no nível financeiro, com políticas orçamentais e económicas de bruxaria com olho raso, ou seja, de curto prazo, olhando para possíveis reeleições ou para um mandato calmo como Presidente da República.

Não interessa o quanto o insultemos, o quanto falamos mal dele, porque António Costa tem colinho, tem herança, herança essa que tem nome, berço e Oligarquia por trás, Costa tem um Partido mafioso, criminoso e que sustenta seres completamente desprovidos de sensatez mental, ser chefe da Máfia inclui ser trapaceiro, nada que o Primeiro-Ministro do segundo lugar das eleições de 2015 não saiba executar. Ter este “peso” por trás é ter costas quentes e reconfortadas, ainda por cima, com uma ajuda adicional de uma Comunicação Social nada marxista e incompetente igualmente, todos românticos, todos provincianos, sem Mundo talvez, letras a mais, matemática a menos, também não sei, mas sei que António Costa precisa de um curso de boas maneiras.

Em 900 anos de história de um Portugal não houve um governante que fosse tão repugnante como António Costa, Sócrates era fino, tinha maneiras, algum tacto, um conjunto de sociopatias e poder a mais fizeram lhe mal, mas Costa ultrapassa os limites do moralmente aceitável, falar em 2018, repito, PLENO 2018, ele e Marcelo atenção! Que tinham aprendido com os erros dos incêndios de 2017 e estes repetem-se em 2018, começando em Monchique propagando-se para Portimão, afectando o território e todo o conjunto sócio-económico envolvente, é mais uma prova que as cativações mestras de Centeno, a incapacidade da Protecção Civil e de um Governo que está de férias desde que começou o seu mandato, não quer saber do País.

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FONTE: Sapo

Sim Costa, tiveste um ano(1 ano!), para aplicação de recomendações, ouvires, implementares. Se não é incompetência, como sempre, tudo como antes, nada que Portugal não esteja habituado.

Mauro Oliveira Pires

 

 

 

 

 

Parem com essas lágrimas de crocodilo!

Perdoem-me mas é absolutamente insuportável ouvir certas figuras políticas falar sobre a tragédia de Pedrógão Grande! Com  ar sério fingindo-se preocupados e emocionados com aquele fatídico dia vêm passados 365 dias dizer alarvidades como se os portugueses fossem um bando de estúpidos sem qualquer capacidade de análise. Continuamos com o mesmo SIRESP apenas com umas “melhorias” e  com a mesmas cláusulas vergonhosas que desresponsabilizam em caso de catástrofe; continuamos com 60% de casas por reconstruir; continuamos com vítimas sem água nem luz nem apoio psicológico; continuamos com os mesmos “boys” incompetentes na ANPC; continuamos em meados de Junho sem prazo de entrega de viaturas à GIPS e GNR  para combates a fogos; continuamos sem saber onde estão os donativos; continuamos sem saber porque o Estado compra mais 4 Kamov por ajuste directo depois da experiência desastrosa com esse equipamento; continuamos sem saber porque o  Estado ainda não foi formalmente acusado por negligência depois de três inquéritos independentes que o comprovam. Francamente!

Como se isto já  não bastasse vem o Primeiro Ministro afirmar que “Portugal devia ter estado mais alerta a tempo e horas para evitar Pedrógão” quando foi ele próprio como ministro da Administração Interna que fragilizou o SIRESP alterando clausulas para diminuir custos. Foi seu comparsa Lacerda Machado o autor do brilhante texto que transformou o SIRESP naquilo que ele é hoje – uma nulidade absoluta – com a colaboração de Constança Urbano!! Foi ele também que acabou com os guardas florestais! Foi ele que já primeiro ministro autorizou que gente sem qualquer habilitação para o cargo – professores do ensino básico, advogados, licenciados em Desporto e Lazer, enfermeiros –  integrasse as chefias do ANPC. Foi ele que fez os negócios ruinosos dos Kamov. Foi ele também que rumou para Ibiza enquanto Portugal ardia e morria gente e no regresso foi a correr fazer um Focus Group para avaliar sua popularidade e vem agora dizer que se podia ter evitado Pedrógão como se a culpa fosse dos proprietários dos terrenos que ele fez o favor de perseguir em vez de ajudar?! É preciso realmente fazer de nós todos parvos.

Por outro lado, Marcelo sempre politicamente correcto, a deixar a mensagem outra vez que tudo foi feito – claro, até os políticos foram roçar mato, coisa nunca antes vista – que todos manifestaram empenho e fizeram tudo o que era possível (e de facto o empenho foi tão grande que há bens e dinheiro  doados sem controlo nenhum e até perderam rasto a donativos). Que  “Houve um Portugal metropolitano que acordou para os “Portugais” desconhecidos, os “Portugais” do interior, que são vários. Começou a acordar em Junho e depois continuou a acordar em Outubro”. A sério?!! Como acordar se nunca dormiram sobre o assunto? O abandono do interior é um facto perpetuado ao longo de décadas por não trazer votos. Todos sabemos que poderá continuar a arder, poderá continuar a despovoar, que  o abandono às gentes do interior não vai acabar. Porque aos olhos dos políticos, quem não compensa eleitoralmente é simplesmente ignorado. Vão mas é mentir para longe!

Entretanto,  a lista  de arguidos de Pedrógão que não pára de crescer, não tem um único político  ligado ao governo, como muito convém. Nem mesmo Valdemar Alves, o Presidente da Câmara de Pedrógão Grande durante a tragédia faz parte dela como deveria. Esse, quase que por “milagre”, livrou-se de boa ao contrário dos outros autarcas. Há gente com “sorte”.

Se tudo está a ser feito é no sentido contrário ao que deveria ser. É para encobrir quem de facto teve responsabilidade e incriminar apenas a arraia-miúda. Arrastar depois o processo até entrar no esquecimento com uma condenaçãozita sem importância nenhuma. Fingir depois que nunca se fez tanto pela prevenção e combate aos fogos quando na verdade estão apenas a aplicar as mesmas fórmulas  desastrosas com cosmética. Para depois, caso se registe nova tragédia, com lágrimas de crocodilo no canto do olho, dizer: “fizemos tudo mas as alterações climáticas, os eucaliptos, os raios, os proprietários com as matas por limpar,  são culpados”. Outra vez. Eles? Nunca têm culpa de nada.

Cristina Miranda

Via Blasfémias 

Sobre Pedrógão

Disse o jornal O Público : “Inquérito a incêndio de Pedrógão já tem dez arguidos”.

Desconfiado de tanta “generosidade” e tamanha “produtividade” da investigação e da nossa justiça, fui ler o artigo para ver quem faz parte deste rol de arguidos.

E tal como suspeitava, é tudo “raia miúda”. Não há ali qualquer referência a um único membro do governo, a um único “boy” em cargo de nomeação política realizada pelo actual governo, nem um único Organismo Público.

Tudo pessoas singulares, encontrados mesmo a jeito, para servirem de escapatória para fauna política que actualmente está em funções.

Não há ali um único nome de um ministro, de um secretário de Estado, de um Dir. Geral, de um qualquer executivo público, nomeado pelo actual governo. E, face ao rumo que presenciamos, tudo indica e é cada vez mais garantido, que não irá haver

Está claramente em marcha um processo não de responsabilização, mas de de desresponsabilização, de todos daqueles que em última instância, foram e continuam a ser os legítimos e reais culpados.

Estamos perante um exercício do mais miserável branqueamento de responsabilidades políticas, governativas e executivas, de que há memória neste país.

Claro que podem alguns alegar que os inquéritos ainda não terminaram, e que ainda muita coisa pode vir a acontecer no decorrer destes inquéritos. Mas só em teoria, pois como diz o velho ditado popular: “pelo barulho da carruagem, sabemos de imediato quem lá vai dentro”.

E o que o andar desta carruagem nos diz, é que até ao final deste processo, não veremos nenhum político socialista, nenhum nenhum membro deste governo, nenhum “boy” em cargo de nomeação feita ou afecta ao actual governo, a ser indiciado como um dos responsáveis dos acontecimentos de Pedrógão.

O modus operandi desta fauna, agora está mais refinado. Já não manobram para a culpa morrer solteira, como era seu hábitual procedimento, e tal como está enquistado no regime.

Desta vez o objectivo da fauna governante, é passar a imagem de que não querem deixam a culpa morrer solteira, e por isso o que iremos ver é a culpa a ter que noivar à força e com as noivas erradas e a ir morrer muito “mal casada”.

Vai uma aposta?

Rui Mendes Ferreira

“Os Muitos Males na Universidade Portuguesa” de Orlando Lourenço

Há que tempos que tenho procurado sintetizar os males da Universidade Portuguesa e não é que já há um professor na Universidade de Lisboa que já nos fez aqui um resumo dos muitos males que sofre a Universidade Portuguesa? Para poder juntar Portugal ao clube de países ditos civilizados e modernos, esta é sem dúvida um dos derradeiros desafios da nossa democracia: tirar a Academia da poeira e da obscuridade do século XIX-XX. Está na hora de pôr a Academia em ordem. Seguem 9 desafios que temos pela frente.


Os Muitos Males na Universidade Portuguesa de Orlando Lourenço

http://webpages.fc.ul.pt/~ommartins/images/hfe/lugares/universidade.htm

Com ligeiras alterações, este texto, que resultou de uma entrevista que os estudantes da minha Faculdade me solicitaram e a que eu acedi com gosto, foi publicado na revista Phallus, Jornal dos Estudantes da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa.   

Vou dizer mais coisas negativas que positivas. Contudo, quando estamos interessados em transformar as instituições, este modo de proceder pode ter mais virtualidades do que parece à primeira vista. Devo confessar, porém, que pode ser minha a responsabilidade de ver facilmente coisas negativas à minha volta. Deste ponto de vista, a Faculdade onde trabalho há mais de vinte anos não tem sido (penso que ainda não é) o local ideal para atenuar este meu pendor crítico. Antes pelo contrário! De qualquer modo, depois de referir alguns dos males que afligem a Universidade Portuguesa e que a impedem (e impedirão) de ser uma Universidade de referência em termos internacionais, também hei-de mencionar alguns aspectos positivos. Inútil dizer que estas minhas opiniões são convicções pessoais, convicções que muitos colegas e estudantes podem não partilhar. No entanto, quanto mais errado estiver nas minhas opiniões, tanto melhor. Melhor para a Universidade Portuguesa, para os seus professores e estudantes, e melhor para todos os que nela trabalham. Por justiça, devo também dizer que, felizmente, há excepções relativamente a cada um dos aspectos negativos que mencionarei. Mas é provável que não sejam muitas e, portanto, que só sirvam para confirmar a regra. Estou também convencido que não será de tais excepções que virão grandes discordâncias em relação ao meu olhar crítico.

1.      O maior inimigo da Universidade Portuguesa chama-se endogamia. Endogamia significa pouca transparência e clareza. O termo utilizado por diversos avaliadores internacionais é o de inbreeding, um termo que, literalmente, significa consanguinidade. Quer dizer, protecção dos nossos apaniguados e amigos, mesmo que à custa dos direitos legítimos de outros. De forma não eufemista, endogamia significa corrupção. A palavra é dura, mas deve ser uma das mais apropriadas para a realidade do inbreeding que grassa na Universidade Portuguesa. Como disse, quando a vêm avaliar, os peritos estrangeiros sempre frisam esta triste realidade. Não deve ser, portanto, uma invenção minha.

Há muitos anos que estou na vida universitária e tenho constatado que nela há, de facto, muita endogamia. Os estudantes, porventura, não se apercebem muito dela. É uma questão de olhar. De olhar para a progressão dos professores na sua carreira; para os critérios em que ela se baseia; para a constituição de diversos júris de provas e concursos; e para muitas outras coisas. Reparem nesta pequena/grande diferença. Nas Universidades dos EUA e do Canadá, por exemplo, para ocupar um lugar permanente na Universidade, um professor é, em última instância, avaliado por uma comissão de que, além do dean, não faz parte nenhum professor do Departamento ou Faculdade a que a pessoa em avaliação pertence. A ideia é fazer com que a endogamia fique de fora, ou seja controlada,  pelo menos. E a ideia é também mostrar a quem não é da mesma área ou departamento se o currículo em apreciação tem ou não algo de cientificamte interessante, algo que pode ser apreendido mesmo por quem está fora da.área, departamento ou Faculadade.

Na minha Faculdade, por exemplo, há diversos concursos de cujos júris só fazem parte os pares da mesma área: da Psicologia ou das Ciências da Educação. Assim, os membros dos júris que podiam ser mais independentes não contam. Fica tudo mais em família! Se essa não é a intenção, esse é o seu resultado mais provável. Mas há outros exemplos de endogamia, exemplos que outros colegas de outras Faculdades não teriam certamente dificuldade em recordar. Um dia, um amigo meu foi arguente de uma tese de doutoramento. Como considerou a tese apenas razoável, foi isso que disse na sua arguição. Em nome da endogamia, era suposto que devia ter dito que se tratava de um trabalho brilhante! Como não disse, porque a tese não era, de facto, brilhante, o doutorando em causa deixou de lhe falar. Esse meu amigo nunca mais foi (nem será) convidado para quaisquer outros júris por essa  Faculdade, e esse doutorando recebeu certamente a aprovação do seu procedimento por parte de alguns professores da sua Faculdade e deve ter tido uma progressão rápida na sua carreia académica (que não científica)! Aberrantes que sejam, existem diversas situações semelhantes a esta na Universidade Portuguesa.  São os professores Portugueses mais dados à endogamia que os seus colegas de outras Universidades? Não certamente! O problema tem a ver com aspectos institucionais;  com o sistema, como é vulgar dizer-se. Uma coisa é certa. Enquanto a Universidade Portuguesa não resolver o problema da endogamia, será sempre uma Universidade sem prestígio, de segunda classe, ou ainda pior.

2.      O inimigo número dois da Universidade Portuguesa é a falta de mobilidade dos seus docentes. Em termos metafóricos, os seus professores nascem, crescem e morrem na mesma casa. É na mesma Faculdade que, em geral, fazem as suas licenciaturas, mestrados, doutoramentos, agregações, concursos dos mais diversos tipos e é também aí que dão aulas toda a sua vida. Nada melhor do que este sistema para a formação de grupos de interesse, outros que não o científico.Não digo que os professores deviam ir todos, nos seus anos de licença sabática ou em outros momentos da sua carreira, para Universidades cientificamente prestigiadas que existem por esse mundo fora. Pelo menos, que fossem para Braga, Coimbra, Covilhã, Évora, Faro, Porto, para referir apenas alguns exemplos. Não seria salutar que os estudantes de uma dada Faculdade pudessem ter sessões orientadas por professores que vêm de fora, mesmo que seja de uma Faculdade congénere, mas de uma outra localidade do seu país? Quantos estudantes das licenciaturas da Universidade Portuguesa já viveram situações destas?

Também existe pouca mobilidade a nível dos estudantes. Conhece o leitor alguns estudantes das nossas Faculdade que, por exemplo, tenham feito uma qualquer Disciplina nas Faculdades que não distam das suas mais do que 100, 200 ou 300 metros? E quanto seria cientificamente interessante que os estudantes de Psicologia (ou outra licenciatura) frequentassem, por exemplo, aulas de uma Cadeira dos Cursos de Direito, Filosofia, ou Matemática? Ironicamente, todos falamos agora da Declaração de Bolonha e da mobilidade a nível de países. Enquanto não existir mobilidade interna, a externa será muito mais figurativa do que operativa. Acho que a Universidade Portuguesa não está, de facto, muito interessada na mobilidade de professores e estudantes. Faz o discurso da mobilidade, como faz o da qualidade, mas não o assume. Por exemplo, os concursos para os chamados lugares do quadro (professor associado e professor catedrático) são nacionais em termos de legislação. Quer dizer, podem concorrer os professores da Faculdade onde abre um lugar para ser preenchido e os professores de outras Faculdades que estejam em condições legais de o fazer. Só que isto quase nunca acontece. Quem concorre, em geral, são só os da “casa”. Se o fizerem, os “outros”, sobretudo os que não concorrem com a aprovação tácita do poder académico aí instalado, arriscam-se a ser tomados por intrusos e a estragar o que já estava, por vezes, mais ou menos arranjado. Uma vergonha!  Inútil dizer que quando se abre um concurso já se sabe, muitas vezes, quem vai e não vai ficar a ocupá-lo. E nem sempre em nome de critérios de mérito científico. Conheço casos de professores que nem sequer concorreram a certos concursos, porque, tendo embora mérito científico para serem seleccionados, perceberam que seriam preteridos em função de outros com muito menor mérito. A não abertura de concursos para os quais há vagas em aberto fala também em favor desta triste realidade: não se querer, em última instância, que haja mobilidade (e diversidade) no seio da Universidade. Toda a gente sabe, mas a realidade mantém-se. E viva a mobilidade!

3.      O terceiro inimigo da Universidade em Portugal tem a ver com a (não) famosa pirâmide. Professores catedráticos são muito poucos; para o lugar de associados, já há mais algumas vagas; professores auxiliares são em muito maior número do que os associados e, claro, do que os catedráticos. Se a promoção na carreira fosse baseada em critérios de mérito científico e de qualidade, em princípio, quanto mais elevada fosse a competência, maior seria a posição de um professor. Maior competência significaria mais prestígio para a Faculdade, melhor ensino para os estudantes e maior contribuição para o progresso científico. Uma Universidade sem professores muito competentes, por melhores pedagogos que se diga serem, é uma fraude.  Sendo assim, deveria haver muitos professores no topo da pirâmide, porque seriam esses, supostamente, os melhores professores e os que mais falta fariam (e fazem) à Universidade. A pirâmide, portanto, deveria estar invertida, como acontece, aliás, em muitas Universidade prestigiadas em diversos países. Não quer dizer que os professores devessem ser todos  promovidos, até porque ser professor na Universidade não é um direito fundamental! É sobretudo  uma opção e uma enorme responsabilidade. Mas seriam  certamente promovidos todos os que tivessem mérito. Não devia, aliás, haver um número restrito de vagas para tais posições. Devia ser o mérito, sobretudo o científico, que determinaria a vaga, não o oposto. Como isto não ocorre, em geral, estamos perante mais uma originalidade da Universidade Portuguesa, embora ela exista também em outros países. Em geral, nos que são menos desenvolvidos e que assim continuam, mesmo que o não queiram, a perder oportunidades de desenvolvimento.

A estrutura de pirâmide na Universidade Portuguesa está ao arrepio do que é, hoje, fazer investigação. É uma estrutura mais típica de organizações burocráticas que da actividade de comunidades científicas. O argumento para a existência de pirâmides achatadas na Universidade Portuguesa é o de que não há dinheiro…. É falso! Este é um problema político, muito mais do que financeiro. Além de permitirem economizar dinheiro, os quadros servem, não raras vezes, para seleccionar as mentes menos críticas e mais conformistas, o que está nos antípodas de uma sociedade progressista e interessada no bem comum. Numa palavra, ser competente na Universidade Portuguesa é algo que não é estimulado. Às vezes, ela procede mesmo como se a competência de alguns pudesse pôr em causa o seu estatuto de instituição vetusta, apenas mediana, e cheia de muitos Professores Doutores.

4.      Outro mal da Universidade Portuguesa é seu o carácter verbosoescolástico e burocrático. Quero deixar claro, como já disse, que existem excepções em todas as Faculdades, ou seja, que eu estou a falar em termos gerais. Basta ver o número de páginas das dissertações (de mestrado e doutoramento) realizadas. Teses de mestrado com 300 ou mais páginas abundam. Doutoramentos com 500 páginas ou mais também não faltam. Embora haja excepções notáveis, de tais longas teses, o destino principal é, em geral, ficarem arquivadas no pó das bibliotecas. Ou serem citadas apenas localmente e quando tal é conveniente! São, em geral, palavras a mais e ideias e problemas a menos. Em geral, essas teses são mais um testemunho de capacidade de gestão do saber do que de produção de conhecimento novo. E uma Universidade que não produz conhecimento nem sequer merece esse nome.

O que nós, professores, geralmente fazemos, é ensinar apenas o que os outros pensaram e investigaram, o que é uma tristeza. Veja, por exemplo, a lista de referências nos livros ou artigos que lê, mesmo que sejam em Português! São maioriatariamente de autores estrangeiros. De autores Portugueses, são poucas e, mesmo assim, ditadas muitas vezes mais por razões de conveniência que de qualidade científica. Isto significa que também devíamos ensinar aos nossos estudantes o que nós pensamos e investigamos.  Às vezes, digo aos meus estudantes que, se quiserem saber mais sobre um determinado assunto, podem ler um ou outro artigo que publiquei recentemente numa revista internacional prestigiada. Observo, então, em alguns deles, um sorriso levemente irónico. Tomam por vaidade a expressão de algo que é, ou devia ser, relativamente frequente e banal nos seus professores: contribuir, por pouco que seja, para o progresso científico na sua área de especialidade. É o carácter verboso que prolifera na Universidade Portuguesa que ajuda a compreender que os estudantes tenham uma arreliadora tendência para decorarem textos e artigos, conceitos e expressões, mesmo que não saibam muito bem quais as questões em análise, quais os argumentos que fazem sentido e quais os resultados inteligíveis. Têm nisso os estudantes muitas responsabilidades. Mas nós, professores, temos ainda mais.

Continuará a ser assim se os problemas da Universidade portuguesa não forem seriamente enfrentados. Devo confessar que não estou muito optimista. Os Governos mudam. Todos parecem ter vontade de alterar o estado de coisas mas, depois, nada de importante é perseguido.  Ironicamente, muitas vezes são as mesmas pessoas que tiveram possibilidade institucional de introduzir alterações para melhor, que, mais tarde, vêm  declarar que, afinal, a Universidade Portuguesa está muito atrasada em termos europeus e, portanto, que é necessário transformá-la. Em vez de um conjunto pequeno de medidas profundas, as suas propostas limitam-se à constituição de “grupos de reflexão” que produzem relatórios de 200, 300 ou mais páginas! Para que tudo fique mais ou menos na mesma!

5.      Outro mal na Universidade Portuguesa é ser demasiado hierarquizada. Em títulos, somos, de facto, os melhores! Somos sempre, e logo, Professores Doutores. Talvez seja um modo de compensarmos a nossa generalizada incompetência. Costumo dizer que à Universidade Portuguesa sobra em títulos o que lhe falta em investigação e reconhecimento internacional. Quando alguém obtém o grau de doutor, é logo promovido a Professor Doutor e até os artigos publicados em revistas (Portuguesas) fazem muitas vezes preceder o nome do autor dos seus respectivos títulos. Ironicamente, esse alguém recém-doutorado, ainda que, de facto, muito competente na sua área, pode ficar muitos e muitos anos como Professor Auxiliar, e isto porque as vagas de Professor Associado estão todas preenchidas!  Ao menos fica-lhe o Professor Doutor!

6.      Outro aspecto menos positivo na Universidade Portuguesa, e de que a minha Faculdade é um bom exemplo, é ser, ou querer ser, demasiado profissionalizante. Porventura os estudantes e muitas outras pessoas não estão de acordo comigo. É certamente importante que a Universidade Portuguesa forme bons profissionais. Quem não poderia estar de acordo? Em termos da minha Faculdade, é certamente relevante que os estudantes de Psicologia, por exemplo, possam vir a ser bons profissionais no âmbito da psicologia da educação, da psicologia do desporto, da psicologia clínica, da psicologia da justiça, etc. Só que a preparação dos estudantes para estes objectivos não pode ser feita em detrimento da sua sensibilização para as questões que têm a ver com a produção do conhecimento, do progresso científico, ou da investigação fundamental. E se quisermos ser honestos, é esta sensibilização que, em geral, não ocorre na Universidade Portuguesa. Chegaria consultar as grandes revisões de literatura (os estudos que sumariam o estado da arte numa determinada área de saber) para ver quanto a Universidade Portuguesa está ausente. Quantos são os professores da Universidade Portuguesa que publicam regularmente em revistas prestigiadas com sistema de peer review? É melhor nem sabermos! Como era de esperar, a Universidade Portuguesa tem também resposta para esta lacuna! Publicar nessas revistas para quê? Em geral, são editadas em língua Inglesa e o importante –diz-se– é defender a nossa língua! Assim sendo, chega a propor-se –imagine-se– que as publicações nessas revistas tenham o mesmo valor curricular que as publicadas nas revistas Portuguesas, revistas que, de modo geral, ou não têm um sistema de revisão de artigos, ou, se o têm, é tudo menos credível. Deste ponto de vista, seria interessante conhecer a  taxa de rejeição de artigos científicos submetidos às nossas revistas. Muitas delas, aliás, não existem para publicar novidades científicas, empíricas ou conceptuais, mas sobretudo para servirem de local onde se faz currículo. Em Portugal, revistas de Psicologia, por exemplo, são mais de uma dezena. Se publicassem trabalhos de qualidade, uma apenas era capaz de ser demais.  São estes aspectos que eu pretendo realçar quando falo em carácter demasiado profissionalizante da Universidade Portuguesa. Penso, aliás, que quanto mais a Universidade Portuguesa assumir esta vertente, tanto mais se confundirá com o ensino politécnico. Não tenho nada contra a aplicação do conhecimento, nem nada contra o ensino politécnico.  Mas o conhecimento não é aplicado antes de ser produzido. E é à Universidade que compete esta missão. Aceito que a distinção entre o ensino politécnico e o universitário venha a atenuar-se, talvez mesmo a desaparecer, sendo este, em última análise, o sentido da Declaração de Bolonha. Mas o que define a essência da Universidade é o saber desinteressado e fundamental. Reparem neste pormenor. Há dois anos, a minha Faculdade comemorou o seu vigésimo aniversário. Na área da Psicologia, houve painéis sobe psicologia e educação, psicologia e desporto, psicologia e justiça, psicologia e clínica, etc. Tudo temas muito respeitados. Não houve, contudo, nenhum painel sobre psicologia e investigação fundamental ou sobre psicologia e as (graves) questões teóricas que a afligem. Por exemplo, é usual falar-se da memória como se ela fosse um armazém, ou da mente como se ela fosse uma entidade, localizada, algures, no nosso cérebro. Muitos profissionais da psicologia têm certamente necessidade de apelar para estes aspectos, para exercerem bem as suas profissões. Porque a memória como armazém e a mente como entidade não passam de meras metáforas, tais profissionais correm o risco de, nas suas profissões, não irem muito além do senso comum quando se referem a esses aspectos e neles se baseiam para se reclamarem de profissionais competentes e com uma sólida formação científica. Será que uma aplicação relativamente acrítica pode constituir um bom modelo para um bom profissional? A investigação é algo de fundamental em Psicologia, como em qualquer outro domínio do saber. Se esse não for o caso, o risco é fazermos muitas aplicações, sabendo embora muito pouco. Ou então, por exemplo, convertermos a psicoterapia numa espécie de banha da cobra da psicologia. E ninguém sabe as consequências negativas que daqui podem advir.

7.      Outro mal da Universidade Portuguesa é ser pouco sensível ao mérito.  Em geral, é a obediência, quando não a mediocridade, que são recompensadas. Felizmente, existem alguns sinais de que algo está a mudar. A avaliação por avaliadores internacionais, bem como a existência de Centros de Investigação, avaliados também internacionalmente, são disso prova. Fica este pormenor delicioso. Há dias, um amigo meu sugeria, num Centro de Investigação a que pertence, que talvez fosse aceitável que as verbas que são atribuídas ao respectivo Centro fossem distribuídas no sentido de afectar mais algum dinheiro aos membros que faziam mais investigação e publicavam mais nas revistas internacionais com um sistema de peer review. De modo nenhum! Disse alguém. Isso seria egocentrismo!  Ou então, acrescentou outro membro, isso seria meritocracia! Quando se pensa em estimular a investigação e a descoberta científica não é o mérito que deveria ser recompensado? Se não o fizermos, corremos o risco de fomentar a resignação em vez do entusiasmo, e a mediocridade em vez da excelência. E convém não esquecer que se a excelência pode eventualmente gerar excelência, a mediocridade inevitavelmente gera mediocridade.

8.      Quanto ao oitavo mal, quero dizê-lo com coragem, assumindo os riscos que isso acarreta. A verdade é que a Universidade Portuguesa é demasiado pedagogizante. A pedagogia é um dos mitos dos tempos modernos, um mito que, infelizmente, prolifera dia após dia na Universidade Portuguesa.  A ideia força deste mito é que, na Universidade, as chamadas questões pedagógicas deviam vir em primeiro lugar, antes das questões científicas. Está ainda para vir o tempo em que se saiba quais os critérios em nome dos quais se é bom ou mau professor. Por melhor pedagogo que seja, na Universidade, um professor incompetente será sempre incompetente. Tanto pior se a pedagogia, que às vezes se resume a um certo facilitismo ou a um recurso exacerbado a meios audio-visuais, servir para mascarar a incompetência. Parece ainda que a existência generalizada, abusiva mesmo, de cursos e cursos de Ciências da Educação na Universidade Portuguesa não está a contribuir, tanto quanto seria razoável, para a resolução de muitos problemas do ensino no nosso país, a começar pelos males que afligem a própria Universidade. Mais grave ainda, o discurso pedagógico na Universidade Portuguesa é mais pedagogizante do que propriamente pedagógico. Por exemplo, fala-se muito em pedagogia mas, na verdade, de um ponto de vista formal, os estudantes ainda não são chamados a ter uma palavra sobre os professores que têm e o ensino que deles recebem! Penso que, por exemplo, se devia instituir um sistema em que os estudantes, no fim do ano, avaliassem os seus professores, sendo essa avaliação uma informação importante não só para o seu aperfeiçoamento como professores, mas mesmo para a sua carreira de professores. Não que fosse a palavra fundamental, mas que fosse uma palavra a ser tida em conta. De um modo geral, os estudantes, que não são parvos, percebem com alguma facilidade se os seus professores se esforçam, se são pontuais, se ensinam com entusiasmo, se sabem pensar nas aulas, se fazem ou não investigação, etc. Obviamente, é importante estar atento aos estudantes, entusiasmá-los, saber ouvir as suas dúvidas e coisas do género. Mas um professor que trabalha com afinco, que ensina com entusiasmo e que estimula os alunos no sentido da reflexão, investigação e aplicação há-se ser, pelo menos, um pedagogo razoável. A Universidade ficará bem servida com pedagogos razoáveis! Que não se ponha, porém, a bandeira da pedagogia acima de tudo e em toda a parte! Os estudantes do ensino superior também não são crianças da escola primária, ou pré-adolescentes em crise, numa qualquer escola secundária. É certo que um professor competente não é necessariamente um bom pedagogo. Mas tem condições para poder sê-lo. Pelo contrário, é vão esperar de um professor universitário incompetente que seja bom pedagogo. E o que dizer da possibilidade de um programa de mestrado ou de doutoramento poder vir a não ser aprovado porque, entretanto, os votos de funcionários e alunos foram em maior número do que o dos professores?

9.      Estava a pensar numa lista de 10 males capitais na Universidade Portuguesa. Vou apenas referir mais um. A Universidade Portuguesa é individualista e invejosa. Individualista, por exemplo, no sentido em que fomenta pouco a constituição de equipas de trabalho e de investigação. Invejosa, por exemplo, no sentido em que tem dificuldade em lidar com aqueles que, no seu seio, vão além da mediania reinante. Na Universidade Portuguesa, a regra é os professores trabalharem de forma individual e isolada.  Os seus projectos de pesquisa, quando existem, raramente são conhecidos por colegas e estudantes, mesmo da própria Faculdade ou Departamento. Como os professores também não têm, em geral, o que se poderia chamar de aulas de laboratório, aulas com um número restrito de estudantes interessados nos temas de reflexão e pesquisa do professor em questão, a tendência para o individualismo e isolamento é ainda maior.

A não existência generalizada de programas de doutoramento na Universidade Portuguesa torna ainda as coisas mais complicadas. Isto é, menos submetidas ao conhecimento e discussão alargada e mais propícias à endogamia. É raro que o estudante universitário Português se inicie em actividades de investigação. Em geral, ouve falar delas. Sobretudo do seu método! Sobretudo se for estudante de Ciências Sociais e Humanas e, mais ainda, de Ciências da Educação! A distância para a ideia (errada) de que a investigação consiste especialmente em passar testes, escalas, questionários ou realizar uma qualquer entrevista fica então encurtada.Por tudo o que já disse, também se percebe por que razão a Universidade Portuguesa tende a tratar com alguma mesquinhez e inveja os seus membros que vão além da mediania nacional. Acabam por ser maus exemplos! O melhor é não lhes dar muito reconhecimento! Às vezes atinge-se mesmo a parolice e uma subserviência ridícula. Se um professor Português, reconhecido internacionalmente, proferir uma conferência na sua Faculdade ou no seu país, arrisca-se a ter a sala quase vazia. A não ser, claro, que seja uma figura pública, política, ou que detenha poder de influência na sua Faculdade ou Departamento. Mas se vier um professor estrangeiro, um daqueles que é mais ou menos desconhecido mesmo no seu país, o mais provável é que tenha muita audiência à sua espera, embora no fim, em geral, não lhe sejam colocadas quaisquer questões. Existe também o reverso da medalha. Se um professor nosso já se tornou, de facto, famoso (veja-se o exemplo do Prof. António Damásio), então estamos facilmente disponíveis para o endeusar. Mesmo que tenhamos de renunciar a um certo espírito crítico e de irreverência, sem o qual a investigação científica tende a estiolar.

São estes alguns dos males que afligem a Universidade Portuguesa. Penso que não exagerei. E oxalá deixe de ter razão em breve. Mesmo assim, é a Universidade que assegura a formação dos jovens, jovens que –assim o espero– a tornarão certamente melhor. E com todos os seus defeitos, no nosso país periférico e pobre, é ainda a Universidade, em especial a Universidade pública, o lugar privilegiado para que aqueles que têm disponibilidade e meios para estudar, ensinar e aprender, o possam fazer com exigência e profundidade.

É o Socialismo, seus Idiotas!

Foram revelados hoje os números sobre o crescimento económico registado em todos os países da UE, referentes ao primeiro trimestre de 2018.

Portugal, face aos sinais e aos indicadores económicos que já andávamos a registrar em trimestres anteriores, apresenta uma significativa redução da taxa de crescimento, e é sem surpresa, que passa a ocupar a posição de economia com o pior desempenho em toda a UE.

Com a melhor conjuntura mundial e a melhor envolvente macroeconómica externa de sempre, Portugal, entra numa senda absolutamente contrária à de todos os outros países, e consegue voltar aos tempos de ser a pior economia e de apresentar o mais miserável crescimento de toda a UE.

Já vimos este filme antes. Já aqui estivémos. Foi muito duro e muitos os esforços que fizemos para sair dessa posição, mas eis que a ela fizemos questão de regressar.

Mas desta vez, não chegámos aqui por culpa externa, nem por culpa de outros, como aliás também nunca o foi nas outras vezes.

É por absoluta opção, por total culpa nossa e nada mais que isso. Tudo o que digam em seu contrário é a mais absoluta mentira, falácia e conversa da treta, para enganar o Zé Povinho.

Contrariamente ao que alguns pensam, em economia não há milagres.Há somente os resultados e as facturas das opções, das políticas e das medidas que se vão tomando e que se tomaram em anos anteriores.

Mas nada disto é algo que não fosse expectável, face aos caminhos que escolhemos voltar a trilhar e face às políticas do actual governo.

Será que acham que sermos o país com uma das maiores dívidas públicas do mundo é obra do acaso? Ou de sermos o unico país no mundo que em pouco mais de 30 anos foi levado por 3 vezes à falência? Ou que é por mero acaso que em tempo de crises somos sempre o país que mais fundo se enterra nelas e somos sempre o país que mais dificuldades tem em sair delas? Ou que em tempos de vacas gordas somos sempre o país que menos cresce e o que pior desempenho económico tem em comparação a todos os restantes?

Não,nada disto é o resultado do acaso, nem é culpa de outros, nem resultante de causas externas. É exclusivamente resultado de 44 anos de socialismo económico interno.

Voltamos aos tempos da morte lenta, e insistimos em manter a via. Quanto ao povo da nação, como gosta de ser enganado, merece ser enganado. Pois então, que continue a ser enganado.

Sigamos pois, camaradas.