Coisas do Submundo e de Shangri-la

Portugal não tem muito jeito para ser estável num horizonte temporal longo, sempre que as águas tentam acalmar num ponto de equilíbrio, mais ou menos entre um precipício dos credores internacionais e uma mascara de oxigénio de curto prazo, o PS chega sempre como o primeiro e agora não único, elefante branco na loja de porcelana chinesa que é hoje a Economia Portuguesa, não dando espaço para quem quer investir e que tenha capital nos traga investimento reprodutivo, mais e melhores salários, como nos coloca numa posição de País dependente de estupefacientes alheios e de joelhos perante o resto do mundo, mendigando os restos para que a sua oligarquia vigente perdure e ainda tenhamos de aturar as crónicas peludas da Fernanda Câncio escritas numa cama perto de si na Ericeira.

A inércia imutável da realidade portuguesa não se estende somente à permanência de um governo social-comunista ,que tem uma troika de partidos que querem armadilhar o aparelho de Estado para os seus interesses próprios, estende-se também a uma comunicação social que pouco escrutina António Costa e seus muchachos e que deixa passar ao descoberto contas públicas insustentáveis, maquilhadas com cosmética barata comprada no Intendente, um sistema de saúde que está a ser contorcido com a maior da veemência, atrasando pagamentos às farmacêuticas e outros fornecedores, financiando despesas correntes hospitalares e aumentos de salários irresponsáveis, e ainda um governo com tiques de nepotismo, colocando a filha, o sobrinho e o periquito da loja da Dona Amélia num governo suado, acabado e sem rumo.

Costa e Centeno escolheram alocar os recursos, que são escassos por norma económica, num cesto, enquanto que outros estão vazios e com equipamentos hospitalares a perderem valor a cada ano que passa, sem substituição que estes precisam, diminuindo a “barriga artificialmente”, mas não preparando os cortes certos para que, quando no momento de “expiração”, esta atinja o cinto, este não arrebente.

O ciclo económico mudou. O Mundo inteiro sabe e maior parte dos Países europeus fizeram o seu trabalho de casa doméstico no campo orçamental. Portugal ficou para trás porque quis, porque o ego supremo de um individuo ultra narciso assim o quis. Assim vai o País das fantasias do arco da velha que cujos hábitos que se repetem de modo cíclico nunca são alvo de eliminação. A realidade é dura, e nem Shangri-la ou outra terra do mundo esotérico nos salvaram do próximo colapso económico.

Mauro Merali

Pelo fim da cultura do comunismo

A previsão de Marx era que o comunismo iria substituir o capitalismo e seria o último estádio da humanidade antes de uma sociedade sem Estado. Errou em ambas.

O comunismo não substituiu o capitalismo, dado que não apareceu no Reino Unido ou na América capitalista, mas sim na Rússia agrária imposto à força por um grupo com resultados minoritários nas eleições. O comunismo também não foi a última fase da humanidade, porque como se viu a maioria dos países comunistas passou para o capitalismo.

Nesta fase da discussão costumam aparecer alguns comunistas a dizer que aquilo não era verdadeiro comunismo (porque eles têm infinitos tipos de Comunismo para se irem ilibando uns aos outros). Mas mesmo assumindo que não é “o verdadeiro” comunismo, o que importa é que durante esta fase quase capitalista da humanidade em cerca de 200 anos a população mundial em pobreza extrema passou de 95% para 9%. Já nos países comunistas também houve um decréscimo … de pessoas a viver.

Para além disto, outras previsões de Marx sobre os juros ou sobre o desaparecimento da classe média (aconteceu exactamente o oposto nos USA), por exemplo, provaram-se totalmente erradas. Mesmo a base do argumento de Marx – a teoria do valor trabalho e a teoria da mais valia – foi refutada logo no século XIX antes das experiências comunistas por autores como Böhm-Bawerk e Carl Menger (infelizmente a emoção – o desejo de perfeição e a utopia – falaram mais forte que a razão crítica). No comunismo, o indivíduo é um objeto de forças que não estão ao seu alcance. Esta é uma teoria bastante simplista ou reducionista da sociedade.

Importa ainda referir que os comunistas acham que a natureza humana é totalmente alterável: querem criar o homem novo que se liberta das instituições e da sociedade onde vive – acham que são as famílias, as empresas, a religião, as associações / clubes, etc. que os prendem a pensar de uma forma errada. Não conseguem conceber como alguém pode pensar diferente e não chegar lá “à verdade” que as suas mentes perfeitas já atingiram. Daí resulta que não olharão a meios para atingir os fins que culminam num total redesenho da sociedade.

A liberdade custa, não é perfeita, tal como nós, e os efeitos económicos não são imediatos depois de reformas grandes. Já a igualdade aparenta o oposto, motivo pelo qual muitos preferem ser iguais na miséria do que livres em algo melhor (mas não perfeito).

Partidos da Governação e Partidos Liberais

Na semana em que nasceu mais um novo partido político em Portugal, com a entrega dos documentos e das assinaturas necessárias no Tribunal Constitucional para a formalização do Aliança, o novo partido de Pedro Santana Lopes, e numa altura em que se vive uma fase fundamental na vida da associação política Partido Libertário, com uma Assembleia Geral que decorreu no sábado, dia vinte e dois de Setembro, resolvi revisitar um tema que cobri no meu antigo canal de youtube, Ideias Radicais Portugal, os partidos políticos portugueses.

No canal fiz uma série de vídeos em que tentei explicar, do meu ponto de vista, a que correspondia cada um dos principais partidos políticos das últimas duas décadas no panorama português. Para este texto vou-me centrar apenas nos dois partidos em torno dos quais o poder político tem girado desde o 25 de Abril de 1974, e a minha proposta é procurar alternativas nos partidos que têm surgido nos últimos tempos, que se afirmam liberais ou que assumem inclinações liberais. Para isso, vou analisar textos e declarações disponíveis na internet da Iniciativa Liberal, do Democracia 21 e do Aliança. Obviamente, este artigo não passa da minha opinião pessoal e da minha interpretação das indicações que recebo de cada um dos partidos analisados, com base na sua actuação e nos seus manifestos. Relativamente aos novos partidos liberais, espero que venham a demonstrar ser uma verdadeira alternativa, e esse ponto tem que ficar bem explícito: a crítica é apenas uma ferramenta para que entendam que pessoas há, como eu, que têm tido dificuldade em perceber a mensagem que têm tentado passar.

PSD:

Vamos começar pelo PSD, Partido Social Democrata, que até há bem pouco tempo era o partido em Portugal que tinha o maior número de militantes inscritos e que, embora seja difícil fazer as contas porque concorreu coligado às últimas legislativas, pode-se deduzir que foi o partido que teve maior número de votos.

O PSD é um partido que se afirma social democrata, mas que pertence ao grupo dos Partidos Populares Europeus, ou seja, pertence a uma família política europeia diferente daquela que corresponde aos seus ideais. A social democracia não difere muito do socialismo.

A social democracia também defende princípios que podem ser considerados marxistas de um estado forte, regulador e intervencionista nas diversas áreas sociais, pela defesa do estado social, só que nesta ideologia a mudança não ocorre por meio de uma revolução, mas por um meio progressivo e pseudo-voluntário, em que o estado vai crescendo até tomar conta de tudo e de todos.

Dentro do PSD há muita gente que se diz de direita, sendo que conheço alguns liberais clássicos que são militantes ou afiliados no partido. Em Portugal, o partido é visto como sendo de centro-direita ou de direita, mas no fundo o PSD é uma grande confusão; é uma junção de uma série de ideias diferentes que desaguam todas na social democracia.

Vendo o que é a social democracia, interessa ler uma parte da descrição feita pelo próprio partido, no seu site, para dar uma ideia do quão confuso é o partido: “O PSD é um partido que, sendo social democrata, valoriza o liberalismo político e a livre iniciativa caracterizadora de uma economia aberta de mercado”. Tendo o PSD tido a intervenção que teve no caso do BES, somando-lhe os alegados envolvimentos de altas figuras do PSD no BPN e no BPP, torna-se estranho imaginar este partido a falar numa economia aberta de mercado, com livre iniciativa. Será isto liberalismo político? Quando um partido, no governo, intervém no sector bancário, nacionalizando bancos com o intuito de os vender, não me parece que se possa falar em liberalismo ou em mercado livre. O estado não tem que se meter… se um banco, uma empresa, um negócio, seja o que for, tiver que cair, que caia, apesar das dificuldades que isso possa trazer aos seus clientes.

Outra parte da descrição feita pelo partido no seu site diz o seguinte: “O estado não deve chamar a si aquilo que os indivíduos estão vocacionados para fazer e que podem fazer”. Ora bem… os indivíduos estão vocacionados para gerir o seu próprio dinheiro e podem gerir o seu próprio dinheiro! Pensando nisto, como é que o PSD conseguiu aumentar tantas vezes a carga fiscal em Portugal? E a que propósito é que o PSD sempre favoreceu um estado social forte, ou defendeu um serviço nacional de saúde?

Mesmo as privatizações levadas a cabo pelo PSD foram sempre confusas e pouco condizentes com um partido que se diz favorecer uma economia aberta de mercado. A venda da TAP foi um exemplo disso. Não se deu por completo, foi feita em cima do joelho, com demasiados entraves, demasiadas incertezas.

Analisando aquilo que o PSD defende, torna-se difícil considerá-lo um partido de direita. Vejamos:

O PSD defende o rendimento social de inserção, defende o serviço nacional de saúde, mistura gestão privada com serviços públicos, dando-lhe toques de corporativismo.

O PSD defende a constituição portuguesa! Eu consigo compreender que seja complicado um partido político declarar-se abertamente contra a constituição, mas para um partido que se auto classifica como de centro-direita, seria desaconselhável haver essa defesa aberta de uma constituição que no seu preâmbulo diz (e passo a citar) “A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.” Neste preâmbulo, só a junção das expressões “sociedade socialista” e “um país mais livre, mais justo” causam-me alguns arrepios, mas pronto.

Houve alturas da história recente da democracia portuguesa em que o PSD chegou ao poder e declarou a intenção de reduzir a dimensão do estado. Isso acabou por se traduzir na redução do número de ministérios por comparação com os governos PS, mas coincidiu com a criação de “superministérios”, ministérios demasiado grandes e abrangentes, que não reduziram realmente a intervenção estatal, dando apenas lugar a que um só ministério retivesse para si a acção em mais áreas do que seria de supôr. Ou seja, diminui-se o número, mas mantém-se a influência. Traduzindo, centraliza-se ainda mais o poder! Parece-me uma visão pouco liberal da governação.

PS:

Dentro do Partido Socialista existe uma divisão principal: socialistas “puros” e sociais democratas. Este é um partido considerado de esquerda por uns, ou de centro-esquerda por outros. Sendo que o PSD também é um partido social democrata, torna-se complicado entender por que é que um é de centro-direita e o outro de centro-esquerda, se defendem essencialmente as mesmas coisas. Em termos de conteúdo, a diferença não é substancial. Na forma, também não é grande, mas é mais assinalável.

Um exemplo relativo à forma tem a ver com o número de ministérios dos governos socialistas, que já chegaram a ter 21 ministérios. Não tendo os tais “superministérios” do PSD, o PS consegue ter ministérios para tudo e mais alguma coisa!

Estamos a falar de um partido que esteve nos governos anteriores às três bancarrotas da democracia portuguesa, chamando por três vezes instituições externas para intervir em Portugal. Conhecendo a fórmula mágica de economistas como Paul Krugman ou Josef Stieglitz, o PS é um excelente aluno. Não vou entrar em grandes pormenores de economia, sobre isso falarei com pessoas bem mais habilitadas que eu, mas a verdade é que o PS põe sistematicamente o ónus do crescimento da economia no consumo, raramente com bons resultados. O actual governo até tem apresentado resultados vistos como positivos, mas aqui estamos perante um caso do visto e do não visto. O que não vemos neste momento são as consequências das políticas despesistas levadas a cabo por Costa e companhia. A seu tempo teremos respostas, mas teremos que saber analisá-las.

Em Portugal, o PS é visto como o partido que salva o país da tirania da direita, em nome do bem estar social, em nome do bem estar do povo. É um partido com um historial de líderes com excelentes capacidades de retórica, de diálogo, de negociação. Tudo isto personificado no “animal feroz” que foi José Sócrates, ou no grande negociador, mentor da geringonça que é António Costa. António Guterres era visto como um excelente líder pelas suas capacidades de diálogo. O António Costa ainda está no poder, mas parece que em Portugal as pessoas se esquecem frequentemente do governo que veio antes do anterior. Parece que já ninguém se lembra em que estado ficou o país em 2002, quando António Guterres saiu do governo, ou mesmo em 2011, quando José Sócrates foi derrotado por Pedro Passos Coelho.

Estamos a falar de um partido que se vangloria de várias conquistas, como a adesão à União Europeia ou à moeda única, obras públicas megalómanas e pessimamente negociadas e por aí fora. Tudo isto acaba por ter um denominador comum: nunca houve consultas populares acerca de nenhuma destas decisões, sendo sempre tomadas para o bem do país, com resultados desastrosos. Isto é um partido que assume saber o que é melhor para todos nós, sabendo-o mesmo melhor que nós próprios.”

A situação actual:

Se em termos ideológicos é complicado encontrar diferenças entre os dois partidos, a História recente do país acaba por nos ajudar a descobrir pontos de divergência, seja no estilo de liderança, na forma de se organizarem ou na forma como encaram certos aspectos, principalmente os de cariz social. São inegáveis as diferenças entre personagens políticos como Guterres e Durão Barroso, Santana Lopes e Sócrates, ou Passos Coelho e António Costa. No entanto, nos últimos tempos, até essa diferença tem sido dissipada.

A afinidade entre António Costa e Rui Rio é conhecida e vem, pelo menos, dos tempos em que ambos eram presidentes de câmara, de Lisboa e Porto respectivamente. A dificuldade do actual líder do PSD e da oposição em fazer, de facto, oposição ao primeiro ministro chega a ser constrangedora. Tomando por exemplo um caso que está a dar que falar nesta altura, Rui Rio foi crítico de Joana Marques Vidal enquanto Procuradora Geral da República e chegou a defender que não devia ser reconduzida no cargo, permitindo assim que Lucília Gago fosse indicada para o cargo. Nesta sexta feira, para Rui Rio, Joana Marques Vidal já tinha sido a melhor Procuradora Geral da República que Portugal tinha tido. Este desencontro entre o que Rui Rio realmente pensa, que é demasiado próximo do pensamento de António Costa, e o que Rui Rio quer pensar, de maneira a ser, de facto, líder da oposição, é, no mínimo, desastroso!

Depois, há as situações em que Rui Rio vai mais à esquerda que o PS, como o caso da Taxa Robles, em que Rui Rio defendeu que a ideia não era descabida, levando com a resposta de várias figuras do PS que a rejeitaram liminarmente.

Perante esta amálgama que são os partidos de poder em Portugal, restam poucas alternativas. Sabendo que eu dificilmente poderia apontar o Bloco de Esquerda, o PCP ou os Verdes como alternativas viáveis, resta o CDS no panorama actual. Não vou falar do CDS neste episódio por uma questão de economizar tempo, senão o episódio tornar-se-ia demasiado longo e ainda mais monótono, mas há outros pontos que gostaria de mencionar.

Nos últimos largos meses temos assistido à chegada ao espectro político português de vários partidos e movimentos que se afirmam liberais ou que dizem ter fortes inclinações e influências liberais. No que resta deste episódio vou fazer algumas observações sobre os seus manifestos e as suas declarações públicas, começando pelo que se constituiu como partido político há mais tempo, a Iniciativa Liberal.

IL:

A Iniciativa Liberal surgiu no panorama político nacional, como partido político reconhecido pelo tribunal constitucional, no final de 2017. Neste momento, é o único dos movimentos de que vou falar que está a funcionar já como partido, e não apenas como movimento ou associação (nota: o Aliança também já viu o seu processo concluído e aceite pelo TC). Apareceu como um movimento que defende menos estado, mais liberdade, que aliás é o seu slogan mais visíviel, baseando-se no manifesto liberal de Oxford, de 1947. Adaptando este documento, a Iniciativa Liberal apresentou-se com o Manifesto Portugal Mais Liberal. Embora saúde a ideia, pessoalmente não gostaria só de ver Portugal mais liberal.. gostava de ver Portugal de facto liberal clássico, ou mesmo libertário!

Bom, mas passando os meus devaneios à frente, vamos espreitar as principais linhas do manifesto deste partido. O primeiro ponto é relativo à capacidade de raciocínio e actuação independente do Homem e dando ênfase à liberdade de escolha, bem como à responsabilização pelas acções por ele praticadas. No segundo ponto defende-se o respeito pelo ser humano e pela família, como bases fundamentais da sociedade. Até aqui tudo bem, mesmo considerando o destaque dado à capacidade de actuação independente do homem, parecido com o ponto do PSD em que se diz que o Estado não deve chamar a si o que os indivíduos estão capacitados para fazer.

Nos dois pontos seguintes pode ler-se o reconhecimento do Estado como instrumento do desenvolvimento da sociedade e as áreas onde o estado não deve ter intervenção, sendo que o 5º e 6º pontos acabam por ser semelhantes àquilo que se pode ler em textos de qualquer um dos outros partidos políticos mencionados neste episódio, já presentes na assembleia da república. Fala-se da defesa do estado de direito ou do respeito pelas liberdades e opiniões das minorias. Infelizmente, é raro o caso em que estes assuntos sejam geridos com bom senso. Resta saber se a Iniciativa Liberal o fará.

Relativamente ao progresso económico, a Iniciativa Liberal admite o controlo estatal em actividades que excedam o âmbito da iniciativa privada, ou áreas em que a concorrência já não funcione. Parece-me que a Iniciativa Liberal é liberal, mas não acredita verdadeiramente no livre mercado, uma vez que se acreditasse, de um ponto de vista liberal clássico, teria noção que o livre mercado se encarrega de promover a concorrência e tem o potencial de criar soluções para qualquer área de actividade. Por isso mesmo, aquilo que a Iniciativa Liberal propõe que seja a actuação do estado na economia acaba por ser um grande nada, se houver uma economia de livre mercado. Se for essa a ideia, acaba por ser inútil atribuir funções ao estado na economia.

Na terceira secção do manifesto, denominada liberdade e responsabilidade, temos um “call to arms”, um chamamento às armas, numa tradução livre. Diz-nos a Iniciativa Liberal que cada cidadão tem que assumir um sentido de responsabilidade para com os demais e participar activamente na resolução dos problemas da comunidade. Eu admito que sim, mas de forma voluntária. Da maneira que isto está escrito, parece-me mais solidariedade forçada. Isso tem um nome, mas pronto. Nesta secção, dizem-nos também que ao estado cabem várias funções de incentivo, nas áreas cívica, social e ambiental, para tornar a sociedade sustentável. Pessoalmente, acho o estado redundante nestas matérias. O civismo não pode ser imposto, mas antes fomentado. Daí virá a civilização, a responsabilidade social consciente, e não forçada, e a consciência ambiental.

A última secção é referente à paz e à prosperidade. Nenhum dos pontos apresentados me parece criticável, mas também não me parece algo demasiado distante do que outros partidos já existentes defendem. Ou seja, temos aqui algumas boas ideias, misturadas com outras já existentes e ainda outras um bocado menos boas, por assim dizer. É um princípio, mas como libertário, votaria na Iniciativa Liberal? Tenho dificuldades em compreender se seria boa ideia.

D21

O democracia 21 nasceu no início deste ano de 2018 e encontra-se em fase de recolha de assinaturas para se constituir formalmente como partido político, de maneira a concorrer às eleições europeias e legislativas de 2019. É um proto-partido frequentemente descrito como sendo de direita e liberal. Não tenho grandes objecções à descrição, e até a compreendo, considerando a ideia que a maioria das pessoas em Portugal tem do conceito liberalismo, mas parece-me que um esclarecimento mais profundo do liberalismo defendido deixaria bem mais claro o posicionamento no espectro político esquerda-direita.

Tal como acontece na Iniciativa Liberal, o Democracia 21 tem vários ex-militantes do PSD na sua fundação. Há quem veja isto como uma espécie de ramificação do centro-direita e de fragmentação do eleitorado do PSD. Não concordo. Se todas as ideias possíveis tivessem reflexo nos partidos políticos existentes desde o 25 de Abril, nunca teríamos taxas de abstenção significativas.

O Democracia 21 apresentou em Julho o seu próprio manifesto, composto por 5 pontos: liberdade, estado, economia, sociedade e país, e europa e mundo. No primeiro ponto, a liberdade, podemos ler que esta é um direito inalienável de todos os indivíduos – até aqui tudo bem – e que o Democracia 21 acredita na soberania moral do indivíduo. Ou seja, mais um ponto em comum com a Iniciativa Liberal e com o PSD. Nada contra, é apenas uma constatação, que acaba por ser natural, partilhando os três de um espaço político próximo.

Relativamente ao estado, diz-nos o Democracia 21 que o quer limitado, laico e de dimensão reduzida. O PSD também o quer de dimensão reduzida, mas nem por isso consegue limitar os seus poderes. Neste ponto, o Democracia 21 introduz um ponto interessante: além de falarem de uma justiça verdadeiramente independente, imparcial e transparente, como funções que o estado deve assegurar, falam também da necessidade de o estado assegurar o acesso universal a uma educação de qualidade, cuidados de saúde, justiça, segurança, e a existência de uma rede básica de protecção social. Aqui, enquanto libertário, não consigo concordar. Parece-me interferência a mais. Vocês, leitores, podem não concordar comigo e até aceitar a intervenção do estado nestas áreas, mas parece-me excessivo.

Já no terceiro ponto, o Democracia 21 defende a economia de mercado livre e recusa o intervencionismo estatal. Isto parece-me contrastar com as funções atribuídas ao estado no ponto anterior, uma vez que a economia está presente nas áreas mencionadas. Se o estado não vai intervir, como vai assegurar coisas que têm custos associados?

Nos últimos dois pontos, não tenho grandes observações a fazer. Vou disponibilizar o link para este manifesto e para o da Iniciativa Liberal no final do artigo, para que os possam ler na íntegra.

Da minha experiência com o Democracia 21, pude já notar que contam entre si com feministas acérrimas, o que torna a questão de serem de direita um bocado estranha, visto que estamos a falar de pessoas que se parecem identificar com o feminismo pós-modernista específico de certa parte da esquerda, tanto lá fora, como mesmo em Portugal. É mais um ponto em que seria interessante sermos esclarecidos, mas os esclarecimentos vindos do Democracia 21 têm sido raros e pouco esclarecedores. (nota: justiça seja feita, desde a data de redação deste texto, o Democracia 21 tem sido bastante mais produtivo em termos de conteúdos e cada vez mais esclarecedor e esclarecido, tomando posições bastante mais próximas daquilo que, pessoalmente, considero ser liberal; um ponto bastante positivo, obviamente!)

Aliança

O Aliança, de Pedro Santana Lopes, diz-nos na sua declaração de princípios que assenta a sua matriz em três eixos fundamentais: personalismo, liberalismo e solidariedade. Relativamente ao personalismo, fala-se em respeito pela vida, pela pessoa e pela sua dignidade. Mais uma vez, nada demasiado divergente daquilo que encontramos na declaração do PSD. O papel da família na base da sociedade e as liberdades religiosas e pessoais também estão nesta declaração. De um modo geral, não há grandes diferenças entre a declaração de princípios do Aliança e a do PSD, o que não é propriamente de espantar. Na prática, veremos como actuará este novo partido, que faz questão de ter na descrição da sua matriz a palavra liberalismo. Se o levar tão a sério como o PSD leva a questão da economia de mercado aberta, será uma oportunidade perdida de inovar no espaço político português.

A verdadeira diferença, acaba por ser a posição do Aliança relativa à União Europeia. Muito brevemente, o Aliança cita as diferenças daquilo que eram as circunstâncias dos países que a fundaram para aquilo que é hoje a União, para justificar que não faz sentido seguir com uma união europeia que não seja reformada.

Depois, diz-nos o Aliança que o Estado deve ser forte e respeitado nas suas funções de soberania. Menciona a justiça e a segurança – nada de novo aqui – e diz também a Aliança querer um estado responsável, regulador e dinamizador em áreas vitais para o nosso país, que transcendem a esfera do privado. Parece-me já ter lido isto em algum lado… Em contraste, nesta declaração pode ler-se a defesa de uma forte redução da carga fiscal. Não é tudo mau, nem lugares comuns!

Não me vou alongar muito mais, porque o texto já vai longo. No fundo, os três novos partidos de cariz liberal acabam por se assemelhar demasiado entre si e só o futuro nos dirá se constituem reais alternativas ao que já existe. O problema parece-me residir no facto de estarem todos demasiado ancorados no seu passado no PSD, que acaba por fazê-los demasiado parecidos também com os dois partidos que têm alternado as funções de governação. É preciso romper com este ciclo. Para isso, espero poder contar com um destes três partidos, ou com o Partido Libertário.

Links:

Aliança

Democracia 21

Iniciativa Liberal

22/09/2018 (data de edição: 30/10/2018)

Frederico Godinho para Isto é Liberdade! e PortugalGate

Catarina Martins é Patética!

Catarina Martins, Mariana Mortágua, Joana Mortágua, enfim, toda a agremiação bloquista do Partido urbano dos intelectuais do tabaco e afins, tem um certo sentido refinado de humor. Vejamos. Catarina, a líder do bloco, a pequena, em estatura e não só, diga-se, tem uma capacidade de colocar o seu tom de voz num nível mais ou menos irritante, até para um comum mortal evoluído e que está a nível sonoro habituado a ouvir as cagarras quando piam numa noite em que Cavaco Silva não esteja por lá. Catarina gritou, vociferou, abriu os seus olhos, tornando-os quase que em bico, mas não o suficiente para parecer uma criatura amorfa dos seus acampamentos, contra Pedro Passos Coelho e o seu governo por serem:” Contra a liberdade”; ” Fascistas!”; ” De Direita Neoliberal”; “Insensíveis”; “Desumano” etc.

Catarina disse isto e muito mais contra a “direita” e contra Passos, disse naquele tom de voz arrogante, cheio de razão, mas de vez em quando com falhas de voz que roçavam algo esganiçado. O último Partido que pode chamar algo a outro é o Bloco, é um facto, o Bloco só actua, in loco, em Bloco, quando teve que se juntar a António Costa em Outubro de 2015 para impedir que Passos destruísse a esquerda a prazo. O Bloco é o último que pode falar porque deixou o seu neocomunismo de lado, engoliu as cativações neoausteritárias conjunturais insustentáveis, que estão a esmagar a saúde e quem depende ainda dos Hospitais Públicos por não terem liberdade de escolha e rendimento para algo mais, transformando a vida dos portugueses em algo mais infernal do que já é, sabendo a sobrecarga de impostos que temos ainda de suportar.

O Bloco é ainda o último partido que pode acusar o próximo, porque este, o tal partido “de verdade”, o partido anti-corrupção, o partido impoluto das esquerdas alternativas é como todos os outros, também quer o tacho governativo, o emprego para o parente e o amigo mais próximo. Por isso, camaradas, Catarina e a agremiações adjacentes, por favor, não sejam hipócritas, resumindo, não sejam Costa! Chamar Marine Le Pen fascista, estão no seu pleno direito, aliás é verdade, mas se Le Pen é fascista o Bloco também o é, estão exactamente bem um para o outro, socialistas com socialistas, só que Marine tem atitudes de senhora, enquanto uns, aqueles que falam com a liberdade na boca e depois cospem na de seguida, impedem outros de falar.

É de lamentar que o festival que é o WebSummit, sim festival, porque de evento tecnológico já o deixou de ser, tenha entrado na conversa dos caviares portugueses. A esquerda tem poder, não só na comunicação social, mas em muitas pessoas que se dizem capitalistas e amantes da liberdade mas que, afinal, não são mais que subsidio-dependentes do dinheiro estatal para manterem um evento de Lisboa que o resto do País não liga, porque cria riqueza e tem salários a pagar. A Irlanda, País com tecnologia de ponta e altos quadros, não renovou com a WebSummit… Por alguma coisa foi.

Talvez um dia, quando António Costa absorver o que resta do Bloco, já que é especialista nesses festivais de feitiçaria política, a Catarina, a pequena, volte para o teatro tentando expressar de modo mais ou menos patético a criatura que é, Avante Catarina!

Mauro Oliveira Pires

 

 

Os imigrantes ilegais

Certo dia a propósito do meu texto sobre o  caso do pequeno Alfie, deixaram-me um comentário que tomei em consideração. Dizia, em resumo, que a lei pode ser dura mas que era a lei e assim,  os ingleses, sendo cumpridores de leis (ao contrário de nós que só as temos para serem quebradas)  podia-se  contestar pela mudança da lei mas não pela sua execução. Aplicando este princípio que está certíssimo (pese embora o facto de no meu texto estar a criticar o poder exagerado concedido ao Estado e não a aplicação da lei) a  qualquer nação, não podemos entrar em histeria parva só porque os EUA fazem cumprir suas leis fronteiriças. Das duas uma: ou somos sérios naquilo que defendemos ou não o somos.

Todas as nações têm fronteiras e compete a cada um dos países decidir como as quer manter na defesa pela segurança dos seus cidadãos. Ninguém de fora tem o  direito de  impor seja o que for nesta matéria. Na nossa “casa” mandamos nós ou mandam os vizinhos? Não seja hipócrita e responda com verdade. Você, na sua propriedade, só autoriza  a permanência de quem lhe convier e sob regras impostas por si, certo? E também não tem a porta aberta 24 horas por dia  acessível a qualquer um, pois não? Está a fazer discriminação positiva, certo? A questão da imigração ilegal é complexa e é precisamente por isso que não pode ser tratada de forma leviana porque põe em risco a vida das pessoas violando um dos princípios básicos da função do Estado: proteger. Tal como na sua casa em que toma medidas como fechar a porta à chave, vedar a propriedade com muros, para proteger sua família de invasões indesejadas e impedir a exposição aos perigos, as leis das nações servem exactamente o mesmo propósito.

Esta semana atacaram violentamente a Presidência actual dos EUA por fazer cumprir a lei existente criada por Clinton, agravada depois por Obama e aplicada por todos. Para justificar a desumanidade da separação de crianças dos acompanhantes adultos, registada em 2018 socorreram-se de imagens tiradas em 2014 durante a administração de Obama (ups!) e fizeram correr uma estória de uma menina das Honduras que fez capa no Times como tendo sido falsamente arrancada da mãe quando na verdade apenas se tratava de uma mulher retida em 2013, fugida do pai das meninas (tinha três) e que usou a mais nova para conseguir entrar com mais facilidade na fronteira sem nunca terem sido separadas. Mesmo depois de devidamente desmentido pela Reuters a nossa SIC continuou a divulgar essas imagens como sendo de 2018. Porquê?

A verdade é que é preciso promover a todo o custo  as imigrações ilegais  e diabolizar quem se  opõe porque há uma agenda política para cumprir. Mas não se explica, porque claro não convém, que a luta dos EUA não é contra os imigrantes (a sociedade americana só é multi-étnica porque promovem a imigração)  é contra os ilegais (e quem os promove) que assaltam o país pelas suas fronteiras e invadem a sociedade americana de criminosos como o gangue MS-13 responsável por atrocidades indescritíveis espalhando terror e a quem Trump classificou, e muito bem,  de “animais” para “horror” dos democratas. Basta analisar as declarações de Clinton, ObamaHillary e Trump para verificar que todos estão em sintonia sobre esta matéria. Todos querem que a imigração positiva siga seus trâmites legais. Algum problema nisso? Parece que sim.

Os EUA não querem ser uma Europa que já conta com muitos países a braços com problemas sérios de invasão  em curso onde só em França, por exemplo a população islâmica já representa 15% da população total e    conta com 1500 zonas interditas as “no-go zones”. Dá que pensar.

Devemos aceitar imigração? Claro que sim. Mas sem desrespeito pelos cidadãos que já vivem nesses países.  Dito e muito bem dito, por Obama em 2005: “Aqueles que entram ilegalmente no país e aqueles que os empregam desrespeitam o estado de direito. Eles estão mostrando desrespeito por aqueles que estão seguindo a lei. Nós simplesmente não podemos permitir que pessoas entrem nos Estados Unidos sem serem detectadas, não documentadas, sem controle e contornando a linha de pessoas que pacientemente e legalmente se tornem imigrantes.” Alguém arrisca contestar esta declaração? Claro que não. Porque foi dita por… Obama.

Cristina Miranda

Via Blasfémias

 

É o Socialismo, Estúpido!

Um breve e simples ponto de situação sobre a Grécia:

– de um brutal déficit nas contas públicas, de 15,1% para um excedente de 0,8%.

– de uma economia em recessão e com o PIB continuamente em valores negativos de um máximo de -5,5%, para uma economia em crescimento de 1,4%.

– de uma balança comercial altamente deficitária em 2007, para uma balança já só ligeiramente deficitária e praticamente em vias atingir equilíbrio.

-registar já em 2018 o valor mais alto de SEMPRE nas suas exportações. –

reduz a despesa do Estado de um recorde de 95 mil milhões em 2008, para 58 mil milhões em 2017. – de uma situação recorde em (2012) em que o Estado anualmente absorvia e gastava 63% do total da riqueza produzida pelo país durante um ano, para uma despesa de 48% do total da riqueza produzida num ano. –

de contas externas brutalmente deficitárias, para contas externas equilibradas. –

de um valor recorde de dívida pública acumulada de 181% do PIB em 2016, para 178% em 2017, numa clara trajectória de redução da sua dívida acumulada. –

de juros de dívida pública de 40% em 2012, para juros inferiores a 4% em 2018. –

de uma situação em que investidor algum no mundo estava disposto a investir ou a emprestar, para uma situação de abertura de investimento e empréstimos dos mercados e a juros baixos.

Tudo isto em “austeridade” e com as políticas absolutamente contrárias às praticadas e defendidas pelos adeptos do socialismo, nomeadamente em absoluta contravenção com as políticas que o próprio governo do Syriza defendia no seu programa de governo. Fica igualmente provado, que não é necessário recorrer a gastos públicos nem a existência de deficits para que uma economia consiga crescer.

Bem pelo contrário. A inexistência de deficits e governações com gastos públicos equilibrados é por si próprio uma situação que induz ao investimento privado, que resulta em crescimento económico de forma sustentável e saudável, fazendo cair por terra todas as teses das governações socialistas.

Eis pois um governo de socialistas, a conseguir apresentar bons resultados económicos. Mas foi precisamente porque, foram obrigados a meter o socialismo na gaveta e a ter que praticar as políticas contra as quais sempre se insurgiram, é que os resultados na Grécia são positivos. Podem governos de socialistas conseguir apresentar bons resultados económicos?

Podem. Desde que não lhes permitam governar com socialismos, nem os deixem comportar-se como socialistas.

Rui Mendes Ferreira

 

“Os Muitos Males na Universidade Portuguesa” de Orlando Lourenço

Há que tempos que tenho procurado sintetizar os males da Universidade Portuguesa e não é que já há um professor na Universidade de Lisboa que já nos fez aqui um resumo dos muitos males que sofre a Universidade Portuguesa? Para poder juntar Portugal ao clube de países ditos civilizados e modernos, esta é sem dúvida um dos derradeiros desafios da nossa democracia: tirar a Academia da poeira e da obscuridade do século XIX-XX. Está na hora de pôr a Academia em ordem. Seguem 9 desafios que temos pela frente.


Os Muitos Males na Universidade Portuguesa de Orlando Lourenço

http://webpages.fc.ul.pt/~ommartins/images/hfe/lugares/universidade.htm

Com ligeiras alterações, este texto, que resultou de uma entrevista que os estudantes da minha Faculdade me solicitaram e a que eu acedi com gosto, foi publicado na revista Phallus, Jornal dos Estudantes da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa.   

Vou dizer mais coisas negativas que positivas. Contudo, quando estamos interessados em transformar as instituições, este modo de proceder pode ter mais virtualidades do que parece à primeira vista. Devo confessar, porém, que pode ser minha a responsabilidade de ver facilmente coisas negativas à minha volta. Deste ponto de vista, a Faculdade onde trabalho há mais de vinte anos não tem sido (penso que ainda não é) o local ideal para atenuar este meu pendor crítico. Antes pelo contrário! De qualquer modo, depois de referir alguns dos males que afligem a Universidade Portuguesa e que a impedem (e impedirão) de ser uma Universidade de referência em termos internacionais, também hei-de mencionar alguns aspectos positivos. Inútil dizer que estas minhas opiniões são convicções pessoais, convicções que muitos colegas e estudantes podem não partilhar. No entanto, quanto mais errado estiver nas minhas opiniões, tanto melhor. Melhor para a Universidade Portuguesa, para os seus professores e estudantes, e melhor para todos os que nela trabalham. Por justiça, devo também dizer que, felizmente, há excepções relativamente a cada um dos aspectos negativos que mencionarei. Mas é provável que não sejam muitas e, portanto, que só sirvam para confirmar a regra. Estou também convencido que não será de tais excepções que virão grandes discordâncias em relação ao meu olhar crítico.

1.      O maior inimigo da Universidade Portuguesa chama-se endogamia. Endogamia significa pouca transparência e clareza. O termo utilizado por diversos avaliadores internacionais é o de inbreeding, um termo que, literalmente, significa consanguinidade. Quer dizer, protecção dos nossos apaniguados e amigos, mesmo que à custa dos direitos legítimos de outros. De forma não eufemista, endogamia significa corrupção. A palavra é dura, mas deve ser uma das mais apropriadas para a realidade do inbreeding que grassa na Universidade Portuguesa. Como disse, quando a vêm avaliar, os peritos estrangeiros sempre frisam esta triste realidade. Não deve ser, portanto, uma invenção minha.

Há muitos anos que estou na vida universitária e tenho constatado que nela há, de facto, muita endogamia. Os estudantes, porventura, não se apercebem muito dela. É uma questão de olhar. De olhar para a progressão dos professores na sua carreira; para os critérios em que ela se baseia; para a constituição de diversos júris de provas e concursos; e para muitas outras coisas. Reparem nesta pequena/grande diferença. Nas Universidades dos EUA e do Canadá, por exemplo, para ocupar um lugar permanente na Universidade, um professor é, em última instância, avaliado por uma comissão de que, além do dean, não faz parte nenhum professor do Departamento ou Faculdade a que a pessoa em avaliação pertence. A ideia é fazer com que a endogamia fique de fora, ou seja controlada,  pelo menos. E a ideia é também mostrar a quem não é da mesma área ou departamento se o currículo em apreciação tem ou não algo de cientificamte interessante, algo que pode ser apreendido mesmo por quem está fora da.área, departamento ou Faculadade.

Na minha Faculdade, por exemplo, há diversos concursos de cujos júris só fazem parte os pares da mesma área: da Psicologia ou das Ciências da Educação. Assim, os membros dos júris que podiam ser mais independentes não contam. Fica tudo mais em família! Se essa não é a intenção, esse é o seu resultado mais provável. Mas há outros exemplos de endogamia, exemplos que outros colegas de outras Faculdades não teriam certamente dificuldade em recordar. Um dia, um amigo meu foi arguente de uma tese de doutoramento. Como considerou a tese apenas razoável, foi isso que disse na sua arguição. Em nome da endogamia, era suposto que devia ter dito que se tratava de um trabalho brilhante! Como não disse, porque a tese não era, de facto, brilhante, o doutorando em causa deixou de lhe falar. Esse meu amigo nunca mais foi (nem será) convidado para quaisquer outros júris por essa  Faculdade, e esse doutorando recebeu certamente a aprovação do seu procedimento por parte de alguns professores da sua Faculdade e deve ter tido uma progressão rápida na sua carreia académica (que não científica)! Aberrantes que sejam, existem diversas situações semelhantes a esta na Universidade Portuguesa.  São os professores Portugueses mais dados à endogamia que os seus colegas de outras Universidades? Não certamente! O problema tem a ver com aspectos institucionais;  com o sistema, como é vulgar dizer-se. Uma coisa é certa. Enquanto a Universidade Portuguesa não resolver o problema da endogamia, será sempre uma Universidade sem prestígio, de segunda classe, ou ainda pior.

2.      O inimigo número dois da Universidade Portuguesa é a falta de mobilidade dos seus docentes. Em termos metafóricos, os seus professores nascem, crescem e morrem na mesma casa. É na mesma Faculdade que, em geral, fazem as suas licenciaturas, mestrados, doutoramentos, agregações, concursos dos mais diversos tipos e é também aí que dão aulas toda a sua vida. Nada melhor do que este sistema para a formação de grupos de interesse, outros que não o científico.Não digo que os professores deviam ir todos, nos seus anos de licença sabática ou em outros momentos da sua carreira, para Universidades cientificamente prestigiadas que existem por esse mundo fora. Pelo menos, que fossem para Braga, Coimbra, Covilhã, Évora, Faro, Porto, para referir apenas alguns exemplos. Não seria salutar que os estudantes de uma dada Faculdade pudessem ter sessões orientadas por professores que vêm de fora, mesmo que seja de uma Faculdade congénere, mas de uma outra localidade do seu país? Quantos estudantes das licenciaturas da Universidade Portuguesa já viveram situações destas?

Também existe pouca mobilidade a nível dos estudantes. Conhece o leitor alguns estudantes das nossas Faculdade que, por exemplo, tenham feito uma qualquer Disciplina nas Faculdades que não distam das suas mais do que 100, 200 ou 300 metros? E quanto seria cientificamente interessante que os estudantes de Psicologia (ou outra licenciatura) frequentassem, por exemplo, aulas de uma Cadeira dos Cursos de Direito, Filosofia, ou Matemática? Ironicamente, todos falamos agora da Declaração de Bolonha e da mobilidade a nível de países. Enquanto não existir mobilidade interna, a externa será muito mais figurativa do que operativa. Acho que a Universidade Portuguesa não está, de facto, muito interessada na mobilidade de professores e estudantes. Faz o discurso da mobilidade, como faz o da qualidade, mas não o assume. Por exemplo, os concursos para os chamados lugares do quadro (professor associado e professor catedrático) são nacionais em termos de legislação. Quer dizer, podem concorrer os professores da Faculdade onde abre um lugar para ser preenchido e os professores de outras Faculdades que estejam em condições legais de o fazer. Só que isto quase nunca acontece. Quem concorre, em geral, são só os da “casa”. Se o fizerem, os “outros”, sobretudo os que não concorrem com a aprovação tácita do poder académico aí instalado, arriscam-se a ser tomados por intrusos e a estragar o que já estava, por vezes, mais ou menos arranjado. Uma vergonha!  Inútil dizer que quando se abre um concurso já se sabe, muitas vezes, quem vai e não vai ficar a ocupá-lo. E nem sempre em nome de critérios de mérito científico. Conheço casos de professores que nem sequer concorreram a certos concursos, porque, tendo embora mérito científico para serem seleccionados, perceberam que seriam preteridos em função de outros com muito menor mérito. A não abertura de concursos para os quais há vagas em aberto fala também em favor desta triste realidade: não se querer, em última instância, que haja mobilidade (e diversidade) no seio da Universidade. Toda a gente sabe, mas a realidade mantém-se. E viva a mobilidade!

3.      O terceiro inimigo da Universidade em Portugal tem a ver com a (não) famosa pirâmide. Professores catedráticos são muito poucos; para o lugar de associados, já há mais algumas vagas; professores auxiliares são em muito maior número do que os associados e, claro, do que os catedráticos. Se a promoção na carreira fosse baseada em critérios de mérito científico e de qualidade, em princípio, quanto mais elevada fosse a competência, maior seria a posição de um professor. Maior competência significaria mais prestígio para a Faculdade, melhor ensino para os estudantes e maior contribuição para o progresso científico. Uma Universidade sem professores muito competentes, por melhores pedagogos que se diga serem, é uma fraude.  Sendo assim, deveria haver muitos professores no topo da pirâmide, porque seriam esses, supostamente, os melhores professores e os que mais falta fariam (e fazem) à Universidade. A pirâmide, portanto, deveria estar invertida, como acontece, aliás, em muitas Universidade prestigiadas em diversos países. Não quer dizer que os professores devessem ser todos  promovidos, até porque ser professor na Universidade não é um direito fundamental! É sobretudo  uma opção e uma enorme responsabilidade. Mas seriam  certamente promovidos todos os que tivessem mérito. Não devia, aliás, haver um número restrito de vagas para tais posições. Devia ser o mérito, sobretudo o científico, que determinaria a vaga, não o oposto. Como isto não ocorre, em geral, estamos perante mais uma originalidade da Universidade Portuguesa, embora ela exista também em outros países. Em geral, nos que são menos desenvolvidos e que assim continuam, mesmo que o não queiram, a perder oportunidades de desenvolvimento.

A estrutura de pirâmide na Universidade Portuguesa está ao arrepio do que é, hoje, fazer investigação. É uma estrutura mais típica de organizações burocráticas que da actividade de comunidades científicas. O argumento para a existência de pirâmides achatadas na Universidade Portuguesa é o de que não há dinheiro…. É falso! Este é um problema político, muito mais do que financeiro. Além de permitirem economizar dinheiro, os quadros servem, não raras vezes, para seleccionar as mentes menos críticas e mais conformistas, o que está nos antípodas de uma sociedade progressista e interessada no bem comum. Numa palavra, ser competente na Universidade Portuguesa é algo que não é estimulado. Às vezes, ela procede mesmo como se a competência de alguns pudesse pôr em causa o seu estatuto de instituição vetusta, apenas mediana, e cheia de muitos Professores Doutores.

4.      Outro mal da Universidade Portuguesa é seu o carácter verbosoescolástico e burocrático. Quero deixar claro, como já disse, que existem excepções em todas as Faculdades, ou seja, que eu estou a falar em termos gerais. Basta ver o número de páginas das dissertações (de mestrado e doutoramento) realizadas. Teses de mestrado com 300 ou mais páginas abundam. Doutoramentos com 500 páginas ou mais também não faltam. Embora haja excepções notáveis, de tais longas teses, o destino principal é, em geral, ficarem arquivadas no pó das bibliotecas. Ou serem citadas apenas localmente e quando tal é conveniente! São, em geral, palavras a mais e ideias e problemas a menos. Em geral, essas teses são mais um testemunho de capacidade de gestão do saber do que de produção de conhecimento novo. E uma Universidade que não produz conhecimento nem sequer merece esse nome.

O que nós, professores, geralmente fazemos, é ensinar apenas o que os outros pensaram e investigaram, o que é uma tristeza. Veja, por exemplo, a lista de referências nos livros ou artigos que lê, mesmo que sejam em Português! São maioriatariamente de autores estrangeiros. De autores Portugueses, são poucas e, mesmo assim, ditadas muitas vezes mais por razões de conveniência que de qualidade científica. Isto significa que também devíamos ensinar aos nossos estudantes o que nós pensamos e investigamos.  Às vezes, digo aos meus estudantes que, se quiserem saber mais sobre um determinado assunto, podem ler um ou outro artigo que publiquei recentemente numa revista internacional prestigiada. Observo, então, em alguns deles, um sorriso levemente irónico. Tomam por vaidade a expressão de algo que é, ou devia ser, relativamente frequente e banal nos seus professores: contribuir, por pouco que seja, para o progresso científico na sua área de especialidade. É o carácter verboso que prolifera na Universidade Portuguesa que ajuda a compreender que os estudantes tenham uma arreliadora tendência para decorarem textos e artigos, conceitos e expressões, mesmo que não saibam muito bem quais as questões em análise, quais os argumentos que fazem sentido e quais os resultados inteligíveis. Têm nisso os estudantes muitas responsabilidades. Mas nós, professores, temos ainda mais.

Continuará a ser assim se os problemas da Universidade portuguesa não forem seriamente enfrentados. Devo confessar que não estou muito optimista. Os Governos mudam. Todos parecem ter vontade de alterar o estado de coisas mas, depois, nada de importante é perseguido.  Ironicamente, muitas vezes são as mesmas pessoas que tiveram possibilidade institucional de introduzir alterações para melhor, que, mais tarde, vêm  declarar que, afinal, a Universidade Portuguesa está muito atrasada em termos europeus e, portanto, que é necessário transformá-la. Em vez de um conjunto pequeno de medidas profundas, as suas propostas limitam-se à constituição de “grupos de reflexão” que produzem relatórios de 200, 300 ou mais páginas! Para que tudo fique mais ou menos na mesma!

5.      Outro mal na Universidade Portuguesa é ser demasiado hierarquizada. Em títulos, somos, de facto, os melhores! Somos sempre, e logo, Professores Doutores. Talvez seja um modo de compensarmos a nossa generalizada incompetência. Costumo dizer que à Universidade Portuguesa sobra em títulos o que lhe falta em investigação e reconhecimento internacional. Quando alguém obtém o grau de doutor, é logo promovido a Professor Doutor e até os artigos publicados em revistas (Portuguesas) fazem muitas vezes preceder o nome do autor dos seus respectivos títulos. Ironicamente, esse alguém recém-doutorado, ainda que, de facto, muito competente na sua área, pode ficar muitos e muitos anos como Professor Auxiliar, e isto porque as vagas de Professor Associado estão todas preenchidas!  Ao menos fica-lhe o Professor Doutor!

6.      Outro aspecto menos positivo na Universidade Portuguesa, e de que a minha Faculdade é um bom exemplo, é ser, ou querer ser, demasiado profissionalizante. Porventura os estudantes e muitas outras pessoas não estão de acordo comigo. É certamente importante que a Universidade Portuguesa forme bons profissionais. Quem não poderia estar de acordo? Em termos da minha Faculdade, é certamente relevante que os estudantes de Psicologia, por exemplo, possam vir a ser bons profissionais no âmbito da psicologia da educação, da psicologia do desporto, da psicologia clínica, da psicologia da justiça, etc. Só que a preparação dos estudantes para estes objectivos não pode ser feita em detrimento da sua sensibilização para as questões que têm a ver com a produção do conhecimento, do progresso científico, ou da investigação fundamental. E se quisermos ser honestos, é esta sensibilização que, em geral, não ocorre na Universidade Portuguesa. Chegaria consultar as grandes revisões de literatura (os estudos que sumariam o estado da arte numa determinada área de saber) para ver quanto a Universidade Portuguesa está ausente. Quantos são os professores da Universidade Portuguesa que publicam regularmente em revistas prestigiadas com sistema de peer review? É melhor nem sabermos! Como era de esperar, a Universidade Portuguesa tem também resposta para esta lacuna! Publicar nessas revistas para quê? Em geral, são editadas em língua Inglesa e o importante –diz-se– é defender a nossa língua! Assim sendo, chega a propor-se –imagine-se– que as publicações nessas revistas tenham o mesmo valor curricular que as publicadas nas revistas Portuguesas, revistas que, de modo geral, ou não têm um sistema de revisão de artigos, ou, se o têm, é tudo menos credível. Deste ponto de vista, seria interessante conhecer a  taxa de rejeição de artigos científicos submetidos às nossas revistas. Muitas delas, aliás, não existem para publicar novidades científicas, empíricas ou conceptuais, mas sobretudo para servirem de local onde se faz currículo. Em Portugal, revistas de Psicologia, por exemplo, são mais de uma dezena. Se publicassem trabalhos de qualidade, uma apenas era capaz de ser demais.  São estes aspectos que eu pretendo realçar quando falo em carácter demasiado profissionalizante da Universidade Portuguesa. Penso, aliás, que quanto mais a Universidade Portuguesa assumir esta vertente, tanto mais se confundirá com o ensino politécnico. Não tenho nada contra a aplicação do conhecimento, nem nada contra o ensino politécnico.  Mas o conhecimento não é aplicado antes de ser produzido. E é à Universidade que compete esta missão. Aceito que a distinção entre o ensino politécnico e o universitário venha a atenuar-se, talvez mesmo a desaparecer, sendo este, em última análise, o sentido da Declaração de Bolonha. Mas o que define a essência da Universidade é o saber desinteressado e fundamental. Reparem neste pormenor. Há dois anos, a minha Faculdade comemorou o seu vigésimo aniversário. Na área da Psicologia, houve painéis sobe psicologia e educação, psicologia e desporto, psicologia e justiça, psicologia e clínica, etc. Tudo temas muito respeitados. Não houve, contudo, nenhum painel sobre psicologia e investigação fundamental ou sobre psicologia e as (graves) questões teóricas que a afligem. Por exemplo, é usual falar-se da memória como se ela fosse um armazém, ou da mente como se ela fosse uma entidade, localizada, algures, no nosso cérebro. Muitos profissionais da psicologia têm certamente necessidade de apelar para estes aspectos, para exercerem bem as suas profissões. Porque a memória como armazém e a mente como entidade não passam de meras metáforas, tais profissionais correm o risco de, nas suas profissões, não irem muito além do senso comum quando se referem a esses aspectos e neles se baseiam para se reclamarem de profissionais competentes e com uma sólida formação científica. Será que uma aplicação relativamente acrítica pode constituir um bom modelo para um bom profissional? A investigação é algo de fundamental em Psicologia, como em qualquer outro domínio do saber. Se esse não for o caso, o risco é fazermos muitas aplicações, sabendo embora muito pouco. Ou então, por exemplo, convertermos a psicoterapia numa espécie de banha da cobra da psicologia. E ninguém sabe as consequências negativas que daqui podem advir.

7.      Outro mal da Universidade Portuguesa é ser pouco sensível ao mérito.  Em geral, é a obediência, quando não a mediocridade, que são recompensadas. Felizmente, existem alguns sinais de que algo está a mudar. A avaliação por avaliadores internacionais, bem como a existência de Centros de Investigação, avaliados também internacionalmente, são disso prova. Fica este pormenor delicioso. Há dias, um amigo meu sugeria, num Centro de Investigação a que pertence, que talvez fosse aceitável que as verbas que são atribuídas ao respectivo Centro fossem distribuídas no sentido de afectar mais algum dinheiro aos membros que faziam mais investigação e publicavam mais nas revistas internacionais com um sistema de peer review. De modo nenhum! Disse alguém. Isso seria egocentrismo!  Ou então, acrescentou outro membro, isso seria meritocracia! Quando se pensa em estimular a investigação e a descoberta científica não é o mérito que deveria ser recompensado? Se não o fizermos, corremos o risco de fomentar a resignação em vez do entusiasmo, e a mediocridade em vez da excelência. E convém não esquecer que se a excelência pode eventualmente gerar excelência, a mediocridade inevitavelmente gera mediocridade.

8.      Quanto ao oitavo mal, quero dizê-lo com coragem, assumindo os riscos que isso acarreta. A verdade é que a Universidade Portuguesa é demasiado pedagogizante. A pedagogia é um dos mitos dos tempos modernos, um mito que, infelizmente, prolifera dia após dia na Universidade Portuguesa.  A ideia força deste mito é que, na Universidade, as chamadas questões pedagógicas deviam vir em primeiro lugar, antes das questões científicas. Está ainda para vir o tempo em que se saiba quais os critérios em nome dos quais se é bom ou mau professor. Por melhor pedagogo que seja, na Universidade, um professor incompetente será sempre incompetente. Tanto pior se a pedagogia, que às vezes se resume a um certo facilitismo ou a um recurso exacerbado a meios audio-visuais, servir para mascarar a incompetência. Parece ainda que a existência generalizada, abusiva mesmo, de cursos e cursos de Ciências da Educação na Universidade Portuguesa não está a contribuir, tanto quanto seria razoável, para a resolução de muitos problemas do ensino no nosso país, a começar pelos males que afligem a própria Universidade. Mais grave ainda, o discurso pedagógico na Universidade Portuguesa é mais pedagogizante do que propriamente pedagógico. Por exemplo, fala-se muito em pedagogia mas, na verdade, de um ponto de vista formal, os estudantes ainda não são chamados a ter uma palavra sobre os professores que têm e o ensino que deles recebem! Penso que, por exemplo, se devia instituir um sistema em que os estudantes, no fim do ano, avaliassem os seus professores, sendo essa avaliação uma informação importante não só para o seu aperfeiçoamento como professores, mas mesmo para a sua carreira de professores. Não que fosse a palavra fundamental, mas que fosse uma palavra a ser tida em conta. De um modo geral, os estudantes, que não são parvos, percebem com alguma facilidade se os seus professores se esforçam, se são pontuais, se ensinam com entusiasmo, se sabem pensar nas aulas, se fazem ou não investigação, etc. Obviamente, é importante estar atento aos estudantes, entusiasmá-los, saber ouvir as suas dúvidas e coisas do género. Mas um professor que trabalha com afinco, que ensina com entusiasmo e que estimula os alunos no sentido da reflexão, investigação e aplicação há-se ser, pelo menos, um pedagogo razoável. A Universidade ficará bem servida com pedagogos razoáveis! Que não se ponha, porém, a bandeira da pedagogia acima de tudo e em toda a parte! Os estudantes do ensino superior também não são crianças da escola primária, ou pré-adolescentes em crise, numa qualquer escola secundária. É certo que um professor competente não é necessariamente um bom pedagogo. Mas tem condições para poder sê-lo. Pelo contrário, é vão esperar de um professor universitário incompetente que seja bom pedagogo. E o que dizer da possibilidade de um programa de mestrado ou de doutoramento poder vir a não ser aprovado porque, entretanto, os votos de funcionários e alunos foram em maior número do que o dos professores?

9.      Estava a pensar numa lista de 10 males capitais na Universidade Portuguesa. Vou apenas referir mais um. A Universidade Portuguesa é individualista e invejosa. Individualista, por exemplo, no sentido em que fomenta pouco a constituição de equipas de trabalho e de investigação. Invejosa, por exemplo, no sentido em que tem dificuldade em lidar com aqueles que, no seu seio, vão além da mediania reinante. Na Universidade Portuguesa, a regra é os professores trabalharem de forma individual e isolada.  Os seus projectos de pesquisa, quando existem, raramente são conhecidos por colegas e estudantes, mesmo da própria Faculdade ou Departamento. Como os professores também não têm, em geral, o que se poderia chamar de aulas de laboratório, aulas com um número restrito de estudantes interessados nos temas de reflexão e pesquisa do professor em questão, a tendência para o individualismo e isolamento é ainda maior.

A não existência generalizada de programas de doutoramento na Universidade Portuguesa torna ainda as coisas mais complicadas. Isto é, menos submetidas ao conhecimento e discussão alargada e mais propícias à endogamia. É raro que o estudante universitário Português se inicie em actividades de investigação. Em geral, ouve falar delas. Sobretudo do seu método! Sobretudo se for estudante de Ciências Sociais e Humanas e, mais ainda, de Ciências da Educação! A distância para a ideia (errada) de que a investigação consiste especialmente em passar testes, escalas, questionários ou realizar uma qualquer entrevista fica então encurtada.Por tudo o que já disse, também se percebe por que razão a Universidade Portuguesa tende a tratar com alguma mesquinhez e inveja os seus membros que vão além da mediania nacional. Acabam por ser maus exemplos! O melhor é não lhes dar muito reconhecimento! Às vezes atinge-se mesmo a parolice e uma subserviência ridícula. Se um professor Português, reconhecido internacionalmente, proferir uma conferência na sua Faculdade ou no seu país, arrisca-se a ter a sala quase vazia. A não ser, claro, que seja uma figura pública, política, ou que detenha poder de influência na sua Faculdade ou Departamento. Mas se vier um professor estrangeiro, um daqueles que é mais ou menos desconhecido mesmo no seu país, o mais provável é que tenha muita audiência à sua espera, embora no fim, em geral, não lhe sejam colocadas quaisquer questões. Existe também o reverso da medalha. Se um professor nosso já se tornou, de facto, famoso (veja-se o exemplo do Prof. António Damásio), então estamos facilmente disponíveis para o endeusar. Mesmo que tenhamos de renunciar a um certo espírito crítico e de irreverência, sem o qual a investigação científica tende a estiolar.

São estes alguns dos males que afligem a Universidade Portuguesa. Penso que não exagerei. E oxalá deixe de ter razão em breve. Mesmo assim, é a Universidade que assegura a formação dos jovens, jovens que –assim o espero– a tornarão certamente melhor. E com todos os seus defeitos, no nosso país periférico e pobre, é ainda a Universidade, em especial a Universidade pública, o lugar privilegiado para que aqueles que têm disponibilidade e meios para estudar, ensinar e aprender, o possam fazer com exigência e profundidade.

Na Política Não Há Equívocos

Cuidado Portugal. Estamos a ser alvos de uma encenação digna de vários Pulitzers e Oscars ao magote.

Vou ser claro: na política não há nada que aconteça por acaso, e neste Partido Socialista, nada acontece que não passe pelo crivo do António Costa. Alias, nada acontece que não seja aprovado pela oligarquia que sustenta a atual “solução” política e mantém os outrora cães raivosos da extrema esquerda, dóceis e no colinho do Costa.

Por isso se há quem desconfia neste teatro todo à volta da repentina purga do Sócrates, da virgindade ofendida deste mesmo e do seu abandono do Partido que ele tornou sua quenga, se há quem ache isto tudo muito conveniente, é porque é.

Há razões para ter escolhido este momento, e tudo tem a sua sequência de eventos:

  1. Aproveita-se o caso Pinho para tornar este numa espécie de Maddoff: vamos atrás do banqueiro, desde que não seja demasiado grande. Anda-se a investigar o Salgado, mas já lá vamos.
  2. O PS cai em cima do Pinho, anexando ao mesmo assim por acaso a estrela da Operação Marquês, mas sem entrar em detalhes. Têm vergonha, como as crianças que são apanhadas com a mão nas calças. O PS assim tenta limpar a sua imagem, com mais de um ano à frente para fazer campanha eleitoral para uma maioria absoluta e não tem de se preocupar (pelo menos não muito) das imagens do julgamento da Operação Marquês em pleno ciclo eleitoral. Um PS com maioria absoluta no parlamento orquestrado pelo “linchamento” de um “pobre provinciano” que ousou ser PM há muito tempo. Costa, Santos Silva, Galamba e companhia são políticos sem escrúpulos, são alunos do Maquiavel, e para eles a única coisa que lhes interessa é agarrar com unhas e dentes o poder. Não comprem o que o sonso do Costa vos tenta vender ao dizer que “foi apanhado de surpresa”. O mesmo Costa que em véspera de um Congresso manda SMSs para pôr as tropas em ordem, agora é apanhado na curva por um dos seus braços direitos? Não me lixem…
  3. O Sócrates ganha muito, mas mesmo muito ao demitir-se. Leva uma “sova” encenada e ocupa vários ciclos mediáticos que como sabemos é o principal objectivo do seu “vaidoso” ser. José Sócrates consegue mais uma vez fazer-se de vítima e ajuda o seu Partido Socialista a branquear um pouco a sua imagem e entrega ao António Costa uma provável vitória eleitoral por desassociar-se da orla Socialista.
  4. Alguém já se esqueceu que daqui a 5 meses haverá ou não a recondução da Joana Marques Vidal à Procuradoria Geral da República? Não me surpreenderia em nada ver a PGR que tem travado um combate acérrimo à alta corrupção que massacra o nosso país, sair agora do filme, colocando lá mais um amigo do Costa, do PS e da dita oligarquia, que pouco a pouco começa a arquivar processos “por falta de provas concretas” e pouco a pouco devolvem o Mecanismo ao seu antigo esplendor.
  5. Salgado volta para casa descansado e Sócrates vê o processo contra ele perder força, livrando o mesmo eventualmente de qualquer condenação. Afinal ele já foi julgado na praça pública, já poderá reunir um movimento independente e lá se candidata a Presidente da República porque este sujeito ainda tem muita gente que o apoie (fala alto da qualidade de pessoas que por aí andam) e tal como Lula, não tem vergonha na cara.

Eu espero bem que esteja enganado e que de facto os nossos políticos sejam tão incompetentes como demonstram ser. Só que esta malta acham-se um máximo e deliram com as jogadas políticas dos protagonistas do House of Cards. 

Eles vivem apenas para isto, eles jogam para o poder e para manter o poder. Menos poder é a morte destes artistas. Farão de tudo para continuar a cavar o seu legado às custas dos portugueses que assistem impavidamente a este circo.

Desengane-se quem acha que isto é apenas mais um episódio nesta telenovela rasca que temos presenciado. Esta malta partilhou demasiado tempo juntos e planearam demasiada coisa ao longo de décadas para ninguém saber nada, para estarem todos surpreendidos com as acusações. Isto infelizmente tem tudo um fio condutor e jamais será condenado à prisão um ex-banqueiro do regime e um ex-primeiro ministro. O António Costa não deixará que a oligarquia que tanto fez para o eleger fique mal.

Demasiada gente enriqueceu graças a um mecanismo que foi já existia antes do 25 de Abril e que foi apenas re-montado após a revolução de 1974. Sócrates e Salgado foram apenas mais uns que foram descobertos, mas se formos até ao fim deste processo todo, não creio ter-mos cadeias suficientes para albergar todos os participantes desta teia de interesses. É demasiada gente e tal como na termodinâmica, o dinheiro não se destrói, apenas transfere de mãos. E já viram quanto dinheiro foi ao longo de décadas?

Sinto que nos têm andado a entreter com isto tudo para parecer que até têm feito algo para trazer nem que fosse uma sombra de legitimidade a uma república que com a sua democracia não-representativa e a sua justiça inerte, está hoje cada vez mais poder.

Isto tudo parece uma muito má teoria da conspiração, mas infelizmente, parece-me cada vez mais ser o destino de Portugal: eles comem tudo e não deixam nada, e nós deixamos, porque sim.

Mudam os ladrões, ficam os roubos

Disse o Rui Rio que os milhões dos impostos que foram confiscados aos contribuintes para serem despejados na CGD, um banco público, para tapar os buracos dos roubos lá feitos por todos os governos e governantes, anteriores a Passos Coelho, dariam para muitos, e bons aumentos da função pública.

Nobre discurso, não fora dar-se o caso dos mais de 10 mil milhões que já nos custou até hoje os roubos na CGD, feito por políticos e governos do PS ao PSD, terem sido resultantes de confisco aos contribuintes do sector privado (trabalhadores, empresas e empresários), e resultantes de empréstimos externos.

Ou seja, para Rui Rio, todo esse dinheiro que foi retirado à força aos contribuintes e às empresas, e os montantes provenientes dos credores, não fora a existência dos buracos na CGD, ao invés de serem devolvidos aos bolsos de quem foi confiscado, ou para pagar a quem foi pedido emprestado, o destino que levaria, seria para entregar nos bolsos do funcionalismo.

Um país que tem a terceira maior dívida do mundo, a mais alta carga fiscal de toda a Europa, e da OCDE, que tem uma factura de juros de dívida pública de mais de 8 mil milhões, anualmente, um país que que continua ainda a registar um deficit na contas públicas, e por conseguinte continuam a aumentar diariamente a sua dívida pública acumulada, e em que a primazia das suas elites políticas e governantes, é dada à defesa de mais aumentos dos custos salariais no sector público, é um país em que os esses políticos revelam mais interesse em comprar votos, recorrendo a dinheiro roubado a uns, e pedido emprestado a outros, perpetuando um um crônico endividamento da nação, do que qualquer interesse em rectificar os erros de governação, do passado e do presente.

De todos os partidos da esquerda aos supostamente da direita ( e digo supostamente, pois partidos de Direita é coisa que não existe em Portugal) roubar o sector que produz, confiscar e endividar o país, para alimentar as clientelas e as corporações do regime, \é o modelo de governação, por excelência, de toda a classe política que temos.

Desde o PCP, BE, PS ao PSD. e CDS. sem excepção, todos revelam sintomas infecciosos de socialismo, e só diferem nas doses e nas formas de o injectar nas veias da nação e do povo português.

Não se ouve a Rui Rio, único discurso, uma única frase, ou palavra, a defender que se devolva a quem se confiscou, mediante redução de impostos, ou que se pague a quem se deve, reduzindo o endividamento da nação e por essa via os custos com a factura de juros anuais, ou que se reduza a despesa pública, para deixar de ser necessário o continuou confisco daqueles que trabalham e criam riqueza,. Nada, nem uma única palavra.

Até hoje, tudo o que lhe ouvimos falar e defender, representa é mais despesa, mais defict, mais dívida, mais impostos, mais confisco, e mais roubo a quem trabalha, produz, e paga impostos.

Ouvir este discurso, pela boca de Rui Rio ou na boca de um qualquer Galamba, um Jerónimo ou de uma qualquer Mortágua, não se encontrará a menor diferença. O que diz bem qual é a matriz de pensamento que move Rui Rio.

Comprova-se, assim, e uma vez mais, que nos nossos partidos políticos, só vão mudando os ladrões, mas os roubos, os seus métodos, os objectivos, os fins, e o socialismo em doses maciças e industriais, mantêm-se sempre inalterados.

Triste sorte a dos portugueses. Triste sorte a de Portugal. E triste PSD.

Rui Mendes Ferreira

Quem Precisa de Eutanásia com um País Assim?

Europa. Ano de 2018. O Estado inglês decide sozinho que uma criança de 23 meses deveria morrer por ter doença degenerativa sem cura. Alegações? O superior interesse da criança. Sim, leu bem. O Estado, esse Deus omnipotente  sabia que Alfie Evans não tinha cura – mesmo sem ter tentado tudo o que a ciência permitia e sabendo que estão sempre a surgir novas curas –  e queria morrer. Por isso, decidiu “dar-lhe voz” ordenando que fossem desligadas as máquinas de suporte de vida. Ou seja, matá-lo. Em resposta, Alfie manteve-se vivo durante 5 dias completos, sem máquinas, mostrando assim que afinal queria mesmo viver e  havia outro caminho se houvesse vontade. Que pensaria Stephen Hawkins disto se fosse vivo? Pois.

De pouco serviu a ajuda do Vaticano para tratar o menino. De nada adiantou a vontade dos pais em se agarrarem à esperança lutando desesperadamente pela sobrevivência do seu filho amado. O Estado decidiu, estava decidido: nem tratamentos na Inglaterra nem em qualquer outro sítio do Mundo. Ordem para matar. Ponto final. Não fosse Inglaterra o país do 007. Por falar nisso, alguém viu a Rainha por aí? Ah! espera, essa é apenas peça ornamental. Teria sido o mesmo se fosse com o pequeno Príncipe recém-nascido?

No meu texto “Eutanásia dá muito Jeito”  explicava o lado perverso das leis que dão poderes ao Estado para matar. Argumentei que era um pau de dois bicos porque se por um lado acudia a situações especiais de sofrimento extremo, por outro abria uma Caixa de Pandora porque esse mesmo Estado não era, muitas vezes,  “pessoa de bem”. Não tinha ainda este exemplo tão bom para o demonstrar. Limitei-me aos casos já existentes de países que a usam e se viram confrontados com uma realidade cruel que não previram: pessoas a serem mortas sem ser por vontade delas. Com o caso Alfie não podíamos ter um exemplo mais assustador para demonstrar a perigosidade das  leis em que o Estado é rei e senhor do poder sobre a vida. 

Estamos numa época em que a vida humana passou a ter menos valor que a dos animais. Em que se criminaliza todo e qualquer acto contra os bichos e se desresponsabiliza o abandono e morte dos humanos. Isto parece surreal. Mas não é por acaso.  Tem uma clara intenção política. Está na agenda dos desestruturadores de valores sociais. Os aliados de Soros na Europa. A reversão de valores está mesmo na agenda dos políticos. Está confuso? Vamos reflectir.

Comecemos por cá mesmo. Aqui já não é possível abandonar animais sem ser considerado um crime. No entanto, pode abandonar idosos em Hospitais ou suas casas que nada lhe acontece. A quem convém manter as coisas assim? Ao Estado, claro. Mais idosos à sua sorte, mais desprotegidos ficam, mais depressa morrem. Assim, equilibra a idade da esperança média de vida –  que aumentou consideravelmente – com as contas da segurança social.

Mas há mais: por muitos estudos que se façam não há desculpa alguma pelas longas listas de espera do SNS. Não há mesmo! Podem alegar falta de pessoal, podem alegar falta de verbas, podem alegar aumento de fluxo de doentes por isto ou aquilo. Mas a verdade é esta: não há vontade nenhuma de pôr o SNS a funcionar em condições. Porque é o sistema de “eutanásia legal” existente no país para fazer baixar a despesa do Estado e diminuir esperança de vida. Ficou chocado com o que escrevi? Então pense comigo.

Sempre que um banco precisa de dinheiro, mesmo não havendo dinheiro, ele aparece para pagar o buraco. Até hoje já foi enterrado, sem espinhas,  17 mil milhões dos contribuintes. Se não há dinheiro para acudir ao SNS, porque o há SEMPRE quando são bancos e sem limites? A vida humana vale menos que um banco? Vale.  Esta é a prova inegável. Mais: faltam cerca de 5000 especialistas médicos no SNS. O Estado suspendeu concurso que provocou ainda mais saídas. Alega o de sempre: falta de dinheiro. Mas Costa fez entrar na função pública, desde que tomou posse, mais de 10 000 funcionários na administração pública. Está a ver?  E mais esta reflexão: se o Estado quisesse mesmo dar a melhor saúde aos seus cidadãos, em vez de alegar falta de recursos, celebraria parceria com privados, eliminando todas as carências dos utentes, abrindo um leque de muitos mais serviços com qualidade, extensíveis a todos sem excepção. Resolveria assim três problemas: falta de meios,   qualidade de serviços e listas de espera.  Não o fazem porque não querem. Porque interessa manter um serviço que não funciona manietando o cidadão pobre a um destino quase certo em caso de doença: morrer mais cedo. Pense, porque pensar ainda não paga imposto.

Com isto, fica claro que interessa manter o SNS como fachada fingindo que o mesmo é extraordinário e que sem ele os pobrezinhos não tinham direito à saúde. O que não dizem é que tudo fizeram, durante décadas, para que esse mesmo sistema,  só servisse para curar rapidamente gripes e unhas encravadas, e fosse “desinvestido” subtilmente para que as pessoas, que não têm recursos para se curar no privado, definhem lentamente e assim libertem o Estado de despesas pesadas. Uma “Eutanásia” legalmente aceite e que não levanta suspeita. Porque as pessoas só pelo facto poderem ir ao médico sem pagar já as faz sentir protegidas. Problema é quando a doença é mesmo séria e morrem à espera.

Um Estado que mata a vida e a esperança é um carrasco legal. Legitimizar isso com o nosso voto é ser-mos cúmplices dessa matança. O caso Alfie Evans deve servir para  uma profunda reflexão sobre a verdadeira aplicação dessas leis na prática.

Quem precisa de eutanásia num país  sem valores humanos? Ninguém.

Cristina Miranda

Via Blasfémias