Citizen Kane: uma análise liberal

 Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=Uy6IZTrpA4A

 Acabei agora mesmo de ver « Citizen Kane », o filme considerado por muitos como o melhor da História cinematográfica americana. De facto vi um grande filme, porém continuo a considerar o Padrinho como o melhor.

 Não posso resistir a fazer um breve paralelo entre a vida de Charles Kane e o liberalismo. Alguns interpretarão esse filme como uma crítica do mesmo, em que um indivíduo foi corrompido pelo dinheiro e estatuto social, que lhe caiu em cima por acaso para mais, e que teria feito melhor ter ficado com a sua mãe numa singela modéstia. Como vêm, tanto podemos agradar à Esquerda como à Direita menos liberal com esta análise.

 Mas essa análise é incorrecta. Charles Kane foi corrompido pelo seu egocentrismo. Existe uma diferença entre egoísmo e egocentrismo :

 O egoísmo é o amor de si próprio. Ora para uma pessoa se amar a si própria precisa de se conhecer, conhecer suas qualidades e defeitos, capacidades e fraquezas. O egoísta usará o mundo ao seu redor para maximizar a sua felicidade. Ora para conseguir isso ele sabe muito bem que não pode esmagar os outros ou comportar-se de forma irracional. Tem de fazer os bons compromissos, tem de criar valor para realizar o seu propósito final que é a sua felicidade. E ao fazer isso também ajuda os demais a atingirem a sua felicidade, porque colaborou de uma maneira satisfatória para ele e os outros. Aliás, a palavra chave no egoísmo é essa mesmo: felicidade. A felicidade é um estado de bem-estar sustentável, e vão ver agora a diferença de fundo na análise do egocentrismo.

 O egocentrismo por o seu lado é uma paixão por si próprio. A paixão é por definição irracional. É um fogo que nos consome, uma procura irresistível de satisfazer os caprichos, os desejos instantâneos. O egocentrista não se preocupa em estar bem de forma sustentável ; quer que os seus desejos sejam satisfeitos imediatamente ou o mais rapidamente possível. Esses desejos podem inclusive fazer-lhe mal. Pensem no caso típico da droga. E não interessa os estragos que possam fazer ao seu redor. O egocentrista é por consequente uma pessoa potencialmente perigosa para si e para os outros.

 O liberalismo é assim a filosofia do egoísta, ao passo que os diversos estatismos são as ideologias dos egocentristas. Nós enquanto liberais defendemos o direito de cada um fazer o que bem lhe apetecer, à condição de não violar a propriedade alheia sem consentimento. Defendemos a cooperação voluntária e a reciprocidade nas relações de conflitos de propriedade. Tudo isso permite assim a cada um de ser como bem entender, sem esmagar os demais.

 Os estatismos não são assim. Valorizam “bens superiores”, defendem “causas” e são abertamente clientelistas (em regra geral, mais à Esquerda dizem defender os pobres – seja lá o que isso for – e mais à Direita dizem defender os honestos, seja lá o que isso for igualmente). Usam o poder para atingir essas finalidades, e os compromissos que eles dizem estar dispostos a fazer são, ora, meras concessões necessárias – porque sabem bem que se forem longe demais os opositores entrarão em guerra com eles – ora caprichos que estão dispostos a aceitar – por exemplo, aceitam pagar imposto porque sabem que podem ter prestações em troca, ou simplesmente porque não se importam de os pagar.

 Charles Kane tornou-se um egocêntrico com o passar do tempo, sobretudo no seu segundo casamento. Não importava mais os desejos de sua mulher, apenas os dele. Apenas a sua imagem importava. Se Kane se tivesse comportado em egoísta, ele teria feito o compromisso muito simples de levar a sua mulher a Nova Iorque. Este pequeno esforço teria salvo o seu casamento e a sua própria felicidade.

 Charles Kane apenas amou três pessoas : Rosebud, a sua mãe e ele próprio. Foi retirado à força das duas primeiras, e o seu egocentrismo matou a última.

 Orson Wells disse que podíamos analisar Charles Kane de duas formas, como um génio trágico ou um pobre idiota. Pessoalmente, tal como o jornalista, tenho dó de Charles Kane.

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Qualquer dona de casa gere melhor o País que um Político

Em Portugal temos um problema que se estende ás ex-colónias portuguesas, especialmente Angola e Moçambique(realidade que conheço bem), além do “nacional porreirismo” que se conhece, ou seja, do “vipe” normal que vamos mudar meio País e depois ninguém se mexe e quando se mexem existem sempre intrigas em sectores que deviam estar unidos contra o socialismo de António Costa, digo os liberais, outro problema é o grau de competência dos deputados que metemos na casa da “democracia”. Muitos dos deputados portugueses, da esquerda à direita, só conhece o trabalho de partido, das juventudes partidárias, das “portas giratórias”, que começa na camaradagem das universidades onde os filhos dos ministros e das grandes famílias do regime começam à busca dos “contactos” e das “cunhas”, que depois lhes permitem ascender aos cargos certos deixando os competentes por mérito de fora.

Isto infelizmente é o retrato de um País que é parecido e corrobora com as atitudes de António Costa e, secalhar, por isso muitos se identificam com as “manobras”, “habilidades” e “manhas” do Senhor Costa Primeiro-Ministro não eleito em 2015. O povo português, em geral claro, é conhecido pelos jogos que faz para fugir dos deveres mas tem sempre a garganta pronta para reclamar direitos. Pela óptica portuguesa, primeiro vem os direitos e depois os deveres quando é precisamente o contrário que forma o pilar do crescimento e florescimento de sociedades ricas e prósperas da Europa Anglo-Saxónica e do liberalismo por convicção estaduniense.

É esse chico-espertismo lusitano que se estende à política, afinal, os políticos são por norma o retrato do povo, por mais que isto seja sempre, e leiam com olhos de ler, generalizado, porque ainda existe o bom e honrado  povo português que trabalha, cria riqueza, leva com calotes dos fornecedores que fazem muitos a vida de rico, e fica o empresário desesperado de mãos à abanar, com facturas por pagar e, como não podia deixar de ser, uma máquina fiscal implacável que tortura os micro e pequenos negócios deste País, que “gritam” por falta de capital e custos de contexto mais baixos, quando este governo faz precisamente o contrário, aumenta os custos de contexto como os combustíveis, faz jiga-jogas com IVA da electricidade(baixe-se a potência, dizem eles) e ainda acabam com a reforma do IRC, essencial para o empresário gerar projectos com estabilidade e daí gerar emprego.

António Costa e a trupe que o apoia nunca geriram um negócio, nunca trabalharam no sector privado, esse terrível sector que faz urticaria a muitos mas que paga o maior volume de impostos que sustentam os vícios de muitos. Muitos dos senhores deputados não conhecem sequer a realidade do País, dizendo barbaridades para o vento levar no mar salgado que nos corrói as carteiras até ao ínfimo. Vão directamente das “fornadas”, para o mundo das gravatas, da burocracia e dos acampamentos alternativos(olhe se para o Bloco). Caso que Mariana Mortágua e sua fiel irmã Joana, entre outros, como muito bem lembrou Helena Matos no Jornal O Observador, começam a ser expoente máximo. Digo, como é que duas raparigas sem experiência, estaleca, enfim, sem queimar pestanas nas dificuldades da vida, querem ser ministras que cujas características do cargo exigem termos técnicos importantes?

O pior disto tudo é que as meninas do Bloco não QUEREM, elas EXIGEM ser ministras um pesadelo que António Costa de certeza quer e sabe que o País não pode ter, afinal, em tempos de crise Costa precisará de efectuar reformas e reduzir o volume salarial da função pública, com o Bloco será impossível tal acto. E nem António Costa o fará tão depressa, agirá com certeza em modo Sócrates 2010 e 2011 com medidas pontuais e com a cartilha da crise internacional. Facto é que maior parte dos Países europeus preparam se para uma nova crise internacional com dívidas públicas a descerem consistentemente com excedentes orçamentais, caso que Portugal está longe de ter pelo menos de modo estrutural.

Sim, uma dona de casa, com experiência claro, gere melhor o País que António Costa, Rio e os seus exércitos de tachistas. Facto.

Mauro Oliveira Pires

Partidos da Governação e Partidos Liberais

Na semana em que nasceu mais um novo partido político em Portugal, com a entrega dos documentos e das assinaturas necessárias no Tribunal Constitucional para a formalização do Aliança, o novo partido de Pedro Santana Lopes, e numa altura em que se vive uma fase fundamental na vida da associação política Partido Libertário, com uma Assembleia Geral que decorreu no sábado, dia vinte e dois de Setembro, resolvi revisitar um tema que cobri no meu antigo canal de youtube, Ideias Radicais Portugal, os partidos políticos portugueses.

No canal fiz uma série de vídeos em que tentei explicar, do meu ponto de vista, a que correspondia cada um dos principais partidos políticos das últimas duas décadas no panorama português. Para este texto vou-me centrar apenas nos dois partidos em torno dos quais o poder político tem girado desde o 25 de Abril de 1974, e a minha proposta é procurar alternativas nos partidos que têm surgido nos últimos tempos, que se afirmam liberais ou que assumem inclinações liberais. Para isso, vou analisar textos e declarações disponíveis na internet da Iniciativa Liberal, do Democracia 21 e do Aliança. Obviamente, este artigo não passa da minha opinião pessoal e da minha interpretação das indicações que recebo de cada um dos partidos analisados, com base na sua actuação e nos seus manifestos. Relativamente aos novos partidos liberais, espero que venham a demonstrar ser uma verdadeira alternativa, e esse ponto tem que ficar bem explícito: a crítica é apenas uma ferramenta para que entendam que pessoas há, como eu, que têm tido dificuldade em perceber a mensagem que têm tentado passar.

PSD:

Vamos começar pelo PSD, Partido Social Democrata, que até há bem pouco tempo era o partido em Portugal que tinha o maior número de militantes inscritos e que, embora seja difícil fazer as contas porque concorreu coligado às últimas legislativas, pode-se deduzir que foi o partido que teve maior número de votos.

O PSD é um partido que se afirma social democrata, mas que pertence ao grupo dos Partidos Populares Europeus, ou seja, pertence a uma família política europeia diferente daquela que corresponde aos seus ideais. A social democracia não difere muito do socialismo.

A social democracia também defende princípios que podem ser considerados marxistas de um estado forte, regulador e intervencionista nas diversas áreas sociais, pela defesa do estado social, só que nesta ideologia a mudança não ocorre por meio de uma revolução, mas por um meio progressivo e pseudo-voluntário, em que o estado vai crescendo até tomar conta de tudo e de todos.

Dentro do PSD há muita gente que se diz de direita, sendo que conheço alguns liberais clássicos que são militantes ou afiliados no partido. Em Portugal, o partido é visto como sendo de centro-direita ou de direita, mas no fundo o PSD é uma grande confusão; é uma junção de uma série de ideias diferentes que desaguam todas na social democracia.

Vendo o que é a social democracia, interessa ler uma parte da descrição feita pelo próprio partido, no seu site, para dar uma ideia do quão confuso é o partido: “O PSD é um partido que, sendo social democrata, valoriza o liberalismo político e a livre iniciativa caracterizadora de uma economia aberta de mercado”. Tendo o PSD tido a intervenção que teve no caso do BES, somando-lhe os alegados envolvimentos de altas figuras do PSD no BPN e no BPP, torna-se estranho imaginar este partido a falar numa economia aberta de mercado, com livre iniciativa. Será isto liberalismo político? Quando um partido, no governo, intervém no sector bancário, nacionalizando bancos com o intuito de os vender, não me parece que se possa falar em liberalismo ou em mercado livre. O estado não tem que se meter… se um banco, uma empresa, um negócio, seja o que for, tiver que cair, que caia, apesar das dificuldades que isso possa trazer aos seus clientes.

Outra parte da descrição feita pelo partido no seu site diz o seguinte: “O estado não deve chamar a si aquilo que os indivíduos estão vocacionados para fazer e que podem fazer”. Ora bem… os indivíduos estão vocacionados para gerir o seu próprio dinheiro e podem gerir o seu próprio dinheiro! Pensando nisto, como é que o PSD conseguiu aumentar tantas vezes a carga fiscal em Portugal? E a que propósito é que o PSD sempre favoreceu um estado social forte, ou defendeu um serviço nacional de saúde?

Mesmo as privatizações levadas a cabo pelo PSD foram sempre confusas e pouco condizentes com um partido que se diz favorecer uma economia aberta de mercado. A venda da TAP foi um exemplo disso. Não se deu por completo, foi feita em cima do joelho, com demasiados entraves, demasiadas incertezas.

Analisando aquilo que o PSD defende, torna-se difícil considerá-lo um partido de direita. Vejamos:

O PSD defende o rendimento social de inserção, defende o serviço nacional de saúde, mistura gestão privada com serviços públicos, dando-lhe toques de corporativismo.

O PSD defende a constituição portuguesa! Eu consigo compreender que seja complicado um partido político declarar-se abertamente contra a constituição, mas para um partido que se auto classifica como de centro-direita, seria desaconselhável haver essa defesa aberta de uma constituição que no seu preâmbulo diz (e passo a citar) “A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.” Neste preâmbulo, só a junção das expressões “sociedade socialista” e “um país mais livre, mais justo” causam-me alguns arrepios, mas pronto.

Houve alturas da história recente da democracia portuguesa em que o PSD chegou ao poder e declarou a intenção de reduzir a dimensão do estado. Isso acabou por se traduzir na redução do número de ministérios por comparação com os governos PS, mas coincidiu com a criação de “superministérios”, ministérios demasiado grandes e abrangentes, que não reduziram realmente a intervenção estatal, dando apenas lugar a que um só ministério retivesse para si a acção em mais áreas do que seria de supôr. Ou seja, diminui-se o número, mas mantém-se a influência. Traduzindo, centraliza-se ainda mais o poder! Parece-me uma visão pouco liberal da governação.

PS:

Dentro do Partido Socialista existe uma divisão principal: socialistas “puros” e sociais democratas. Este é um partido considerado de esquerda por uns, ou de centro-esquerda por outros. Sendo que o PSD também é um partido social democrata, torna-se complicado entender por que é que um é de centro-direita e o outro de centro-esquerda, se defendem essencialmente as mesmas coisas. Em termos de conteúdo, a diferença não é substancial. Na forma, também não é grande, mas é mais assinalável.

Um exemplo relativo à forma tem a ver com o número de ministérios dos governos socialistas, que já chegaram a ter 21 ministérios. Não tendo os tais “superministérios” do PSD, o PS consegue ter ministérios para tudo e mais alguma coisa!

Estamos a falar de um partido que esteve nos governos anteriores às três bancarrotas da democracia portuguesa, chamando por três vezes instituições externas para intervir em Portugal. Conhecendo a fórmula mágica de economistas como Paul Krugman ou Josef Stieglitz, o PS é um excelente aluno. Não vou entrar em grandes pormenores de economia, sobre isso falarei com pessoas bem mais habilitadas que eu, mas a verdade é que o PS põe sistematicamente o ónus do crescimento da economia no consumo, raramente com bons resultados. O actual governo até tem apresentado resultados vistos como positivos, mas aqui estamos perante um caso do visto e do não visto. O que não vemos neste momento são as consequências das políticas despesistas levadas a cabo por Costa e companhia. A seu tempo teremos respostas, mas teremos que saber analisá-las.

Em Portugal, o PS é visto como o partido que salva o país da tirania da direita, em nome do bem estar social, em nome do bem estar do povo. É um partido com um historial de líderes com excelentes capacidades de retórica, de diálogo, de negociação. Tudo isto personificado no “animal feroz” que foi José Sócrates, ou no grande negociador, mentor da geringonça que é António Costa. António Guterres era visto como um excelente líder pelas suas capacidades de diálogo. O António Costa ainda está no poder, mas parece que em Portugal as pessoas se esquecem frequentemente do governo que veio antes do anterior. Parece que já ninguém se lembra em que estado ficou o país em 2002, quando António Guterres saiu do governo, ou mesmo em 2011, quando José Sócrates foi derrotado por Pedro Passos Coelho.

Estamos a falar de um partido que se vangloria de várias conquistas, como a adesão à União Europeia ou à moeda única, obras públicas megalómanas e pessimamente negociadas e por aí fora. Tudo isto acaba por ter um denominador comum: nunca houve consultas populares acerca de nenhuma destas decisões, sendo sempre tomadas para o bem do país, com resultados desastrosos. Isto é um partido que assume saber o que é melhor para todos nós, sabendo-o mesmo melhor que nós próprios.”

A situação actual:

Se em termos ideológicos é complicado encontrar diferenças entre os dois partidos, a História recente do país acaba por nos ajudar a descobrir pontos de divergência, seja no estilo de liderança, na forma de se organizarem ou na forma como encaram certos aspectos, principalmente os de cariz social. São inegáveis as diferenças entre personagens políticos como Guterres e Durão Barroso, Santana Lopes e Sócrates, ou Passos Coelho e António Costa. No entanto, nos últimos tempos, até essa diferença tem sido dissipada.

A afinidade entre António Costa e Rui Rio é conhecida e vem, pelo menos, dos tempos em que ambos eram presidentes de câmara, de Lisboa e Porto respectivamente. A dificuldade do actual líder do PSD e da oposição em fazer, de facto, oposição ao primeiro ministro chega a ser constrangedora. Tomando por exemplo um caso que está a dar que falar nesta altura, Rui Rio foi crítico de Joana Marques Vidal enquanto Procuradora Geral da República e chegou a defender que não devia ser reconduzida no cargo, permitindo assim que Lucília Gago fosse indicada para o cargo. Nesta sexta feira, para Rui Rio, Joana Marques Vidal já tinha sido a melhor Procuradora Geral da República que Portugal tinha tido. Este desencontro entre o que Rui Rio realmente pensa, que é demasiado próximo do pensamento de António Costa, e o que Rui Rio quer pensar, de maneira a ser, de facto, líder da oposição, é, no mínimo, desastroso!

Depois, há as situações em que Rui Rio vai mais à esquerda que o PS, como o caso da Taxa Robles, em que Rui Rio defendeu que a ideia não era descabida, levando com a resposta de várias figuras do PS que a rejeitaram liminarmente.

Perante esta amálgama que são os partidos de poder em Portugal, restam poucas alternativas. Sabendo que eu dificilmente poderia apontar o Bloco de Esquerda, o PCP ou os Verdes como alternativas viáveis, resta o CDS no panorama actual. Não vou falar do CDS neste episódio por uma questão de economizar tempo, senão o episódio tornar-se-ia demasiado longo e ainda mais monótono, mas há outros pontos que gostaria de mencionar.

Nos últimos largos meses temos assistido à chegada ao espectro político português de vários partidos e movimentos que se afirmam liberais ou que dizem ter fortes inclinações e influências liberais. No que resta deste episódio vou fazer algumas observações sobre os seus manifestos e as suas declarações públicas, começando pelo que se constituiu como partido político há mais tempo, a Iniciativa Liberal.

IL:

A Iniciativa Liberal surgiu no panorama político nacional, como partido político reconhecido pelo tribunal constitucional, no final de 2017. Neste momento, é o único dos movimentos de que vou falar que está a funcionar já como partido, e não apenas como movimento ou associação (nota: o Aliança também já viu o seu processo concluído e aceite pelo TC). Apareceu como um movimento que defende menos estado, mais liberdade, que aliás é o seu slogan mais visíviel, baseando-se no manifesto liberal de Oxford, de 1947. Adaptando este documento, a Iniciativa Liberal apresentou-se com o Manifesto Portugal Mais Liberal. Embora saúde a ideia, pessoalmente não gostaria só de ver Portugal mais liberal.. gostava de ver Portugal de facto liberal clássico, ou mesmo libertário!

Bom, mas passando os meus devaneios à frente, vamos espreitar as principais linhas do manifesto deste partido. O primeiro ponto é relativo à capacidade de raciocínio e actuação independente do Homem e dando ênfase à liberdade de escolha, bem como à responsabilização pelas acções por ele praticadas. No segundo ponto defende-se o respeito pelo ser humano e pela família, como bases fundamentais da sociedade. Até aqui tudo bem, mesmo considerando o destaque dado à capacidade de actuação independente do homem, parecido com o ponto do PSD em que se diz que o Estado não deve chamar a si o que os indivíduos estão capacitados para fazer.

Nos dois pontos seguintes pode ler-se o reconhecimento do Estado como instrumento do desenvolvimento da sociedade e as áreas onde o estado não deve ter intervenção, sendo que o 5º e 6º pontos acabam por ser semelhantes àquilo que se pode ler em textos de qualquer um dos outros partidos políticos mencionados neste episódio, já presentes na assembleia da república. Fala-se da defesa do estado de direito ou do respeito pelas liberdades e opiniões das minorias. Infelizmente, é raro o caso em que estes assuntos sejam geridos com bom senso. Resta saber se a Iniciativa Liberal o fará.

Relativamente ao progresso económico, a Iniciativa Liberal admite o controlo estatal em actividades que excedam o âmbito da iniciativa privada, ou áreas em que a concorrência já não funcione. Parece-me que a Iniciativa Liberal é liberal, mas não acredita verdadeiramente no livre mercado, uma vez que se acreditasse, de um ponto de vista liberal clássico, teria noção que o livre mercado se encarrega de promover a concorrência e tem o potencial de criar soluções para qualquer área de actividade. Por isso mesmo, aquilo que a Iniciativa Liberal propõe que seja a actuação do estado na economia acaba por ser um grande nada, se houver uma economia de livre mercado. Se for essa a ideia, acaba por ser inútil atribuir funções ao estado na economia.

Na terceira secção do manifesto, denominada liberdade e responsabilidade, temos um “call to arms”, um chamamento às armas, numa tradução livre. Diz-nos a Iniciativa Liberal que cada cidadão tem que assumir um sentido de responsabilidade para com os demais e participar activamente na resolução dos problemas da comunidade. Eu admito que sim, mas de forma voluntária. Da maneira que isto está escrito, parece-me mais solidariedade forçada. Isso tem um nome, mas pronto. Nesta secção, dizem-nos também que ao estado cabem várias funções de incentivo, nas áreas cívica, social e ambiental, para tornar a sociedade sustentável. Pessoalmente, acho o estado redundante nestas matérias. O civismo não pode ser imposto, mas antes fomentado. Daí virá a civilização, a responsabilidade social consciente, e não forçada, e a consciência ambiental.

A última secção é referente à paz e à prosperidade. Nenhum dos pontos apresentados me parece criticável, mas também não me parece algo demasiado distante do que outros partidos já existentes defendem. Ou seja, temos aqui algumas boas ideias, misturadas com outras já existentes e ainda outras um bocado menos boas, por assim dizer. É um princípio, mas como libertário, votaria na Iniciativa Liberal? Tenho dificuldades em compreender se seria boa ideia.

D21

O democracia 21 nasceu no início deste ano de 2018 e encontra-se em fase de recolha de assinaturas para se constituir formalmente como partido político, de maneira a concorrer às eleições europeias e legislativas de 2019. É um proto-partido frequentemente descrito como sendo de direita e liberal. Não tenho grandes objecções à descrição, e até a compreendo, considerando a ideia que a maioria das pessoas em Portugal tem do conceito liberalismo, mas parece-me que um esclarecimento mais profundo do liberalismo defendido deixaria bem mais claro o posicionamento no espectro político esquerda-direita.

Tal como acontece na Iniciativa Liberal, o Democracia 21 tem vários ex-militantes do PSD na sua fundação. Há quem veja isto como uma espécie de ramificação do centro-direita e de fragmentação do eleitorado do PSD. Não concordo. Se todas as ideias possíveis tivessem reflexo nos partidos políticos existentes desde o 25 de Abril, nunca teríamos taxas de abstenção significativas.

O Democracia 21 apresentou em Julho o seu próprio manifesto, composto por 5 pontos: liberdade, estado, economia, sociedade e país, e europa e mundo. No primeiro ponto, a liberdade, podemos ler que esta é um direito inalienável de todos os indivíduos – até aqui tudo bem – e que o Democracia 21 acredita na soberania moral do indivíduo. Ou seja, mais um ponto em comum com a Iniciativa Liberal e com o PSD. Nada contra, é apenas uma constatação, que acaba por ser natural, partilhando os três de um espaço político próximo.

Relativamente ao estado, diz-nos o Democracia 21 que o quer limitado, laico e de dimensão reduzida. O PSD também o quer de dimensão reduzida, mas nem por isso consegue limitar os seus poderes. Neste ponto, o Democracia 21 introduz um ponto interessante: além de falarem de uma justiça verdadeiramente independente, imparcial e transparente, como funções que o estado deve assegurar, falam também da necessidade de o estado assegurar o acesso universal a uma educação de qualidade, cuidados de saúde, justiça, segurança, e a existência de uma rede básica de protecção social. Aqui, enquanto libertário, não consigo concordar. Parece-me interferência a mais. Vocês, leitores, podem não concordar comigo e até aceitar a intervenção do estado nestas áreas, mas parece-me excessivo.

Já no terceiro ponto, o Democracia 21 defende a economia de mercado livre e recusa o intervencionismo estatal. Isto parece-me contrastar com as funções atribuídas ao estado no ponto anterior, uma vez que a economia está presente nas áreas mencionadas. Se o estado não vai intervir, como vai assegurar coisas que têm custos associados?

Nos últimos dois pontos, não tenho grandes observações a fazer. Vou disponibilizar o link para este manifesto e para o da Iniciativa Liberal no final do artigo, para que os possam ler na íntegra.

Da minha experiência com o Democracia 21, pude já notar que contam entre si com feministas acérrimas, o que torna a questão de serem de direita um bocado estranha, visto que estamos a falar de pessoas que se parecem identificar com o feminismo pós-modernista específico de certa parte da esquerda, tanto lá fora, como mesmo em Portugal. É mais um ponto em que seria interessante sermos esclarecidos, mas os esclarecimentos vindos do Democracia 21 têm sido raros e pouco esclarecedores. (nota: justiça seja feita, desde a data de redação deste texto, o Democracia 21 tem sido bastante mais produtivo em termos de conteúdos e cada vez mais esclarecedor e esclarecido, tomando posições bastante mais próximas daquilo que, pessoalmente, considero ser liberal; um ponto bastante positivo, obviamente!)

Aliança

O Aliança, de Pedro Santana Lopes, diz-nos na sua declaração de princípios que assenta a sua matriz em três eixos fundamentais: personalismo, liberalismo e solidariedade. Relativamente ao personalismo, fala-se em respeito pela vida, pela pessoa e pela sua dignidade. Mais uma vez, nada demasiado divergente daquilo que encontramos na declaração do PSD. O papel da família na base da sociedade e as liberdades religiosas e pessoais também estão nesta declaração. De um modo geral, não há grandes diferenças entre a declaração de princípios do Aliança e a do PSD, o que não é propriamente de espantar. Na prática, veremos como actuará este novo partido, que faz questão de ter na descrição da sua matriz a palavra liberalismo. Se o levar tão a sério como o PSD leva a questão da economia de mercado aberta, será uma oportunidade perdida de inovar no espaço político português.

A verdadeira diferença, acaba por ser a posição do Aliança relativa à União Europeia. Muito brevemente, o Aliança cita as diferenças daquilo que eram as circunstâncias dos países que a fundaram para aquilo que é hoje a União, para justificar que não faz sentido seguir com uma união europeia que não seja reformada.

Depois, diz-nos o Aliança que o Estado deve ser forte e respeitado nas suas funções de soberania. Menciona a justiça e a segurança – nada de novo aqui – e diz também a Aliança querer um estado responsável, regulador e dinamizador em áreas vitais para o nosso país, que transcendem a esfera do privado. Parece-me já ter lido isto em algum lado… Em contraste, nesta declaração pode ler-se a defesa de uma forte redução da carga fiscal. Não é tudo mau, nem lugares comuns!

Não me vou alongar muito mais, porque o texto já vai longo. No fundo, os três novos partidos de cariz liberal acabam por se assemelhar demasiado entre si e só o futuro nos dirá se constituem reais alternativas ao que já existe. O problema parece-me residir no facto de estarem todos demasiado ancorados no seu passado no PSD, que acaba por fazê-los demasiado parecidos também com os dois partidos que têm alternado as funções de governação. É preciso romper com este ciclo. Para isso, espero poder contar com um destes três partidos, ou com o Partido Libertário.

Links:

Aliança

Democracia 21

Iniciativa Liberal

22/09/2018 (data de edição: 30/10/2018)

Frederico Godinho para Isto é Liberdade! e PortugalGate

Porque não vão buscar os venezuelanos?

E não é que nós, um país em pré-falência do Estado Social, que não tem condições mínimas para cuidar dos que estão cá dentro, solidariza-se e prontifica-se a receber milhares de migrantes da Turquia, Egipto e costa Africana onde não há guerra e sob o estatuto de refugiados? Esta semana a nossa bondade foi tanta que aceitamos receber a carga humana do Lifeline, um navio sob suspeita de tráfico humano e retido pelas autoridades, rejeitado e bem por Itália. Mas se é por mera questão humanitária porque não vão buscar os 500 000 luso-descendentes que estão em perigo na Venezuela?

A verdade que ninguém conta é tudo se resume a dinheiro e poder. A crise humanitária na Venezuela só interessa aos EUA que, enquanto o nosso Primeiro Ministro e Presidente da República foram ver a bola à Rússia, os americanos foram pressionar Nicolás Maduro que está literalmente a matar seu povo. Aos olhos da UE e da ONU os venezuelanos bem que podem morrer de fome e violência que não lhes interessa nada. Interessa sim dar seguimento à agenda de Soros que não é mais do que aplicação do Plano Kalergi, que é paga a peso de ouro para colonizar a Europa com gente dependente e submissa a uma nova ordem mundial. Confuso? Acha que isto é uma teoria da conspiração?

Se nunca ouviu falar do Plano Kalergi, a culpa não é sua. É das escolas que não lhe ensinam toda a História. Com efeito, é com Richard Coudenhove Kalergi que nasce os princípios orientadores da União Europeia: o “projecto para a integração Europeia”. Este Plano Kalergi, que surgiu com a fundação em 1922 do Movimento Pan-Europeu em Viena, pretendia a criação de uma Nova Ordem Mundial tendo como base uma federação de Nações Europeias liderada pelos Estados Unidos. No seu livro “Praktischer Idealismus”, Kalergi indica que os residentes futuros não seriam pessoas do Antigo Continente mas sim um tipo de sub-humanos fruto do cruzamento multi-cultural sem qualidade e facilmente controlável pela elite governante. Pelo caminho da concretização deste objectivo, a abolição do direito à autodeterminação e eliminação de nações recorrendo a grupos separatistas étnicos e imigração massiva, ou seja, os idiotas dos marxistas. Se ainda tem dúvidas pergunte-se porque existe o Prémio Europeu “Coudenhove-Kalergi” concedido a europeus, de 2 em 2 anos, que se destacaram na promoção deste plano. Entre os premiados podemos encontrar Angela Merkel e Herman Van Rompuy.

É com George Soros, um financeiro multimilionário ambicioso e fanático pelo poder que este plano foi entretanto retomado. Com uma agenda bem definida para a criação de um governo global, colocou sua Fundação a “Open Society” fundada em 1990 a financiar nas grandes sociedades capitalistas ocidentais, grupos que contrariam as posturas e valores tradicionais(partidos de esquerda, extrema-esquerda), apostando ainda nas organizações que julga capazes de empurrar a sociedade no caminho dessas mudanças(a ONU, ONG’s), sem pôr em causa o sistema capitalista que lhe permite poder e fortuna. Embora sua influência seja mundial na promoção do marxismo cultural que desestrutura as sociedades fragilizando e transformando-as num caos, é nos EUA que exerce maior influência onde possui laços estreitos com o partido Democrata.Esteve por trás das nomeações do governo de Clinton, deu um “empurrão” nas doações à campanha de Obama e foi o grande financiador de campanha de Hillary Clinton. Como reacção a esta agenda de globalismo, grupos nacionalistas começaram a nascer para travar este plano criminoso de substituição populacional. Na Macedónia o grupo SOS (Stop Operation Soros) quer travar as ONG’s financiadas pelo multimilionário de intervir na política do país. Na Hungria, o primeiro ministro atento a estas manobras está a impor legislação a fim de encerrar as actividades da Universidade Centro-Europeia fundada por Soros em Budapeste em 1991. Na Itália o Ministro do Interior denunciou e faz frente às manhosas ONG’s ao serviço desta agenda de massificação da migração de substituição na Europa. A propósito, sabia que Sanchez o idiota que assaltou o poder em Espanha acaba de reunir com Soros? Ah! pois é…

António Costa ávido de dinheiro da UE para tapar os buracos financeiros da sua má gestão, e a marimbar-se para a segurança do país, aderiu a esta agenda oferecendo-se para receber milhares de migrantes sem medir riscos, sem questionar o que vamos fazer com tantos rapazes jovens (sim, rapazes! não são famílias) que não fogem de guerra nenhuma mas vão ter regalias como se fossem refugiados, com casa, mesa e roupa lavada e que buscam na sua maioria um Estado Social que os sustente e não um trabalho. Um dos motivos apontados para esta entrada, dizem eles, é a baixa natalidade. Ora se assim é, não era mais seguro e barato criar aqui medidas de apoio familiar, melhorar as condições de vida e trabalho dos residentes ou até ajudar luso-descendentes criando condições atractivas em Portugal para que regressem e ao contrário destes migrantes, trazer mais valias económicas em vez de apenas despesa?

Era mais barato, sim senhor mas não enche os bolsos nem dá poder à classe política. Os venezuelanos, a braços com uma crise humanitária sem precedentes, não dão dinheiro por isso finge-se que não existem.

É exactamente este plano globalista de Soros que a actual presidência dos EUA quer combater e é também exactamente por isso que os democratas, financiados por este multimilionário criminoso, promovem o ódio contra esta administração que tentam a todo custo derrubar.

Se fosse mesmo uma questão humanitária os luso-venezuelanos não seriam esquecidos. Pense nisso.

Cristina Miranda

Via Blasfémias 

Querem matar a internet.

O artigo 13 (e o 11 em parte) da nova directiva europeia proposta pelo Partido Popular Europeu que está a ser discutida propõe, em nome de uma suposta protecção de direitos de autor, que tudo o que envolva conteúdo de outros na net seja automaticamente removido sem ter qualquer atenção humana ao contexto.Já lhe chama a “máquina da censura”. Algo extremado, mas que não deixa de ter uma pequena parte de razão.

Pode vir a ser o fim dos memes, paródias, quem sabe do uso de textos de notícias em outros textos ou em vídeos e ainda dificulta o funcionamento de plataformas de colaboração como a Wiki, o Internet Archive, o GitHub ou o GitLab.

O comité JURI já aprovou, falta agora o voto final no plenário do Parlamento Europeu, o que deverá acontecer em Dezembro deste ano ou em Janeiro de 2019. Cabe-nos a todos fazer barulho para que tal não aconteça, pressionando sobretudo os eurodeputados portugueses.

Do governo não podemos esperar nada, dado que apoiou a proposta no fim do ano passado. O novo partido Iniciativa Liberal mostrou-se felizmente contra esta proposta: “Se for aprovada é uma transformação brutal do modo como utilizamos a internet! De um local descentralizado de livre criação e partilha poderemos passar para um local onde muito poderá ser removido de forma automática e sem aviso por computadores”.

É mesmo uma transformação gigante e devemos impedi-la.

” Se não consegues derrotar o teu inimigo, mata-o”, da Rússia com Amor

Este artigo é inspirado no documentário transmitido dia 18 de Junho pelo Canal de História, sobre a ascensão de Vladimir Putin, de criança reprimida, a agente do KGB, Primeiro-Ministro e finalmente Presidente da “Mãe” Rússia.

Nascido em Leninegrado, actual São Petersburgo,  num seio familiar e social como um todo degradado, Vladimir era um ser de pequena estatura, tímido e mediano nos estudos, o comum mortal diz na sua panóplia de certezas que tal criatura não tinha um futuro “risonho”, mas, engana-se! Vladimir Vladimirovitch Putin, cresceu com a vontade e o desejo de poder, sempre o desejou e um dia prometeu que não se ficariam a rir dele, assim o disse e assim o fez.

Foram precisos 47 anos de jogadas de bastidores intensas, divididas como agente mediano destacado na Alemanha Oriental, em Dresden, do KGB, estudos na Rússia, onde foi um excelente aluno e, voltando ao KGB, um carreira de espião que sempre quis mas que cuja estagnação profissional lhe levou de volta para a Rússia onde  os sinos da queda da URSS já tocavam.

Depois de tentar “moderar” o regime, Mikhail Gorbachev tentou modernizar os modos de convivência do Estado com os seus cidadãos, Gorbachev legalizou os anteriores partidos que tinham sido reprimidos e ilegalizados devido ao regime opressor, fascista e assassino, dito de outro modo, comunista, que lhes reduziu a pó. Legalizou outra vez as manifestações e as “conversas” normais de discussão periódicas de todos os feitios, em resumo, Gorbachev repôs o normal de uma democracia madura, a liberdade de expressão.

Depois da queda da URSS, sai Gorbachev e realizam-se as primeiras eleições livres do Ex-Urso Soviético, a Mãe Rússia estava ferida quase de morte, recessão, desemprego galopante e contas externas desequilibradas para terem ideia, em 1999 Portugal(perdoem-me este à parte) tinha um PIB(127,47 Bilhões de Dólares) não muito distante do Russo( 195,9 Bilhões de Dólares), hoje o cenário é muito diferente, a Economia Russa cresceu em média quase 6% de 2000 a 2010 e Portugal uns míseros 0,2%.

Regressando ás eleições, após a queda da URSS, as primeiras eleições livres da Rússia resultaram na eleição de Boris Yeltsin. Depois da passagem de Putin pela Política na sua cidade natal, São Petersburgo, onde foi acusado de roubo de “dinheiro público”, mais de 100 milhões de dólares pois Putin era o “gerador” de contratos e o responsável pela sua execução, os alimentos que deviam ter chegado aos cidadãos nunca chegaram, na altura uma vereadora da Câmara tentou tudo para incriminar Putin, nada conseguiu.

Putin passava pelos pingos da chuva, além disso, a sua experiência no KGB era uma preciosidade para os políticos. Depois da passagem pela política local, o actual Presidente Russo foi nomeado como chefe de gabinete da Presidência de Yeltsin, que cujas boas actuações a desviar a imprensa dos actos de corrupção do Presidente Russo, bastaram para ficar nas boas hostes de Yeltsin.

Vladimir Putin era uma raposa velha, estava perto de conseguir tudo o queria, poder, os conselheiros de Boris apressaram se a ensinar a Putin os “instrumentos” políticos necessários na actuação da política nacional. Com Yeltsin doente, nomeia Putin como Primeiro-Ministro da Rússia, onde poucos meses depois actuava no conflito da Tchetchénia e com mão de ferro. Subia nas sondagens, era adorado, finalmente o pequeno Vladimir tinha atingido o Olimpo, faltava um degrau para ser Zeus, a Presidência.

No ano 2000, Putin é eleito Presidente Russo e acaba a experiência “democrática” Russa. E agora sim, começa a era do Urso renascido das cinzas, a era de Vladimir Putin. Putin desde 2000 que é governante à já 18 anos, com uma interrupção na Presidência devido à Constituição Russa da limitação a dois mandatos consecutivos, aqui entra Dmitri Medvedev que passou a Presidente Russo e Putin  Primeiro-Ministro. Mas desenganem-se, que Medvedev era o chefe do jogo, era o fantoche de Putin.

Todos que enfrentaram o Presidente Russo, como diz o título deste artigo, acabaram no caixão ou perto de Deus nosso senhor. Mais de 30 jornalistas mortos, opositores mortos, um com mais de 5 tiros nas costas como foi Boris Nemtsov, morto perto do Kremlin. Outro foi Alexander Litvinenko, Tenente Coronel do FSB que digamos era um “Polícia honesto”. Uma pessoa que conhecia Putin dos tempos KGB, todos os podres. Litvinenko falou “demais”, em Londres, onde emigrou com a sua família devido à complacência zero que tinha com o regime de Putin.

Alexander fora envenenado em Londres, veneno esse com compostos nucleares só ao alcance de poucos governos, destruiu cada órgão, um a um, até este ficar em coma e morrer 6 meses depois.

O grande problema dos E.U.A, da Europa e do Mundo civilizado não são os brinquedos nucleares e a gordura a mais de Kim Jong Un que Trump domesticou com hotéis e com capitalismo que consolidarão o poder do ditador Coreano mas que, ao menos, podem permitir relativa estabilidade e paz mundial, o grande problema para a paz no Mundo chama-se Vladimir Putin, o criminoso de guerra Russo.

Para Putin, se não consegues derrotar o teu inimigo, mata-o. Simples!

Mauro Oliveira Pires

 

“Os Muitos Males na Universidade Portuguesa” de Orlando Lourenço

Há que tempos que tenho procurado sintetizar os males da Universidade Portuguesa e não é que já há um professor na Universidade de Lisboa que já nos fez aqui um resumo dos muitos males que sofre a Universidade Portuguesa? Para poder juntar Portugal ao clube de países ditos civilizados e modernos, esta é sem dúvida um dos derradeiros desafios da nossa democracia: tirar a Academia da poeira e da obscuridade do século XIX-XX. Está na hora de pôr a Academia em ordem. Seguem 9 desafios que temos pela frente.


Os Muitos Males na Universidade Portuguesa de Orlando Lourenço

http://webpages.fc.ul.pt/~ommartins/images/hfe/lugares/universidade.htm

Com ligeiras alterações, este texto, que resultou de uma entrevista que os estudantes da minha Faculdade me solicitaram e a que eu acedi com gosto, foi publicado na revista Phallus, Jornal dos Estudantes da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa.   

Vou dizer mais coisas negativas que positivas. Contudo, quando estamos interessados em transformar as instituições, este modo de proceder pode ter mais virtualidades do que parece à primeira vista. Devo confessar, porém, que pode ser minha a responsabilidade de ver facilmente coisas negativas à minha volta. Deste ponto de vista, a Faculdade onde trabalho há mais de vinte anos não tem sido (penso que ainda não é) o local ideal para atenuar este meu pendor crítico. Antes pelo contrário! De qualquer modo, depois de referir alguns dos males que afligem a Universidade Portuguesa e que a impedem (e impedirão) de ser uma Universidade de referência em termos internacionais, também hei-de mencionar alguns aspectos positivos. Inútil dizer que estas minhas opiniões são convicções pessoais, convicções que muitos colegas e estudantes podem não partilhar. No entanto, quanto mais errado estiver nas minhas opiniões, tanto melhor. Melhor para a Universidade Portuguesa, para os seus professores e estudantes, e melhor para todos os que nela trabalham. Por justiça, devo também dizer que, felizmente, há excepções relativamente a cada um dos aspectos negativos que mencionarei. Mas é provável que não sejam muitas e, portanto, que só sirvam para confirmar a regra. Estou também convencido que não será de tais excepções que virão grandes discordâncias em relação ao meu olhar crítico.

1.      O maior inimigo da Universidade Portuguesa chama-se endogamia. Endogamia significa pouca transparência e clareza. O termo utilizado por diversos avaliadores internacionais é o de inbreeding, um termo que, literalmente, significa consanguinidade. Quer dizer, protecção dos nossos apaniguados e amigos, mesmo que à custa dos direitos legítimos de outros. De forma não eufemista, endogamia significa corrupção. A palavra é dura, mas deve ser uma das mais apropriadas para a realidade do inbreeding que grassa na Universidade Portuguesa. Como disse, quando a vêm avaliar, os peritos estrangeiros sempre frisam esta triste realidade. Não deve ser, portanto, uma invenção minha.

Há muitos anos que estou na vida universitária e tenho constatado que nela há, de facto, muita endogamia. Os estudantes, porventura, não se apercebem muito dela. É uma questão de olhar. De olhar para a progressão dos professores na sua carreira; para os critérios em que ela se baseia; para a constituição de diversos júris de provas e concursos; e para muitas outras coisas. Reparem nesta pequena/grande diferença. Nas Universidades dos EUA e do Canadá, por exemplo, para ocupar um lugar permanente na Universidade, um professor é, em última instância, avaliado por uma comissão de que, além do dean, não faz parte nenhum professor do Departamento ou Faculdade a que a pessoa em avaliação pertence. A ideia é fazer com que a endogamia fique de fora, ou seja controlada,  pelo menos. E a ideia é também mostrar a quem não é da mesma área ou departamento se o currículo em apreciação tem ou não algo de cientificamte interessante, algo que pode ser apreendido mesmo por quem está fora da.área, departamento ou Faculadade.

Na minha Faculdade, por exemplo, há diversos concursos de cujos júris só fazem parte os pares da mesma área: da Psicologia ou das Ciências da Educação. Assim, os membros dos júris que podiam ser mais independentes não contam. Fica tudo mais em família! Se essa não é a intenção, esse é o seu resultado mais provável. Mas há outros exemplos de endogamia, exemplos que outros colegas de outras Faculdades não teriam certamente dificuldade em recordar. Um dia, um amigo meu foi arguente de uma tese de doutoramento. Como considerou a tese apenas razoável, foi isso que disse na sua arguição. Em nome da endogamia, era suposto que devia ter dito que se tratava de um trabalho brilhante! Como não disse, porque a tese não era, de facto, brilhante, o doutorando em causa deixou de lhe falar. Esse meu amigo nunca mais foi (nem será) convidado para quaisquer outros júris por essa  Faculdade, e esse doutorando recebeu certamente a aprovação do seu procedimento por parte de alguns professores da sua Faculdade e deve ter tido uma progressão rápida na sua carreia académica (que não científica)! Aberrantes que sejam, existem diversas situações semelhantes a esta na Universidade Portuguesa.  São os professores Portugueses mais dados à endogamia que os seus colegas de outras Universidades? Não certamente! O problema tem a ver com aspectos institucionais;  com o sistema, como é vulgar dizer-se. Uma coisa é certa. Enquanto a Universidade Portuguesa não resolver o problema da endogamia, será sempre uma Universidade sem prestígio, de segunda classe, ou ainda pior.

2.      O inimigo número dois da Universidade Portuguesa é a falta de mobilidade dos seus docentes. Em termos metafóricos, os seus professores nascem, crescem e morrem na mesma casa. É na mesma Faculdade que, em geral, fazem as suas licenciaturas, mestrados, doutoramentos, agregações, concursos dos mais diversos tipos e é também aí que dão aulas toda a sua vida. Nada melhor do que este sistema para a formação de grupos de interesse, outros que não o científico.Não digo que os professores deviam ir todos, nos seus anos de licença sabática ou em outros momentos da sua carreira, para Universidades cientificamente prestigiadas que existem por esse mundo fora. Pelo menos, que fossem para Braga, Coimbra, Covilhã, Évora, Faro, Porto, para referir apenas alguns exemplos. Não seria salutar que os estudantes de uma dada Faculdade pudessem ter sessões orientadas por professores que vêm de fora, mesmo que seja de uma Faculdade congénere, mas de uma outra localidade do seu país? Quantos estudantes das licenciaturas da Universidade Portuguesa já viveram situações destas?

Também existe pouca mobilidade a nível dos estudantes. Conhece o leitor alguns estudantes das nossas Faculdade que, por exemplo, tenham feito uma qualquer Disciplina nas Faculdades que não distam das suas mais do que 100, 200 ou 300 metros? E quanto seria cientificamente interessante que os estudantes de Psicologia (ou outra licenciatura) frequentassem, por exemplo, aulas de uma Cadeira dos Cursos de Direito, Filosofia, ou Matemática? Ironicamente, todos falamos agora da Declaração de Bolonha e da mobilidade a nível de países. Enquanto não existir mobilidade interna, a externa será muito mais figurativa do que operativa. Acho que a Universidade Portuguesa não está, de facto, muito interessada na mobilidade de professores e estudantes. Faz o discurso da mobilidade, como faz o da qualidade, mas não o assume. Por exemplo, os concursos para os chamados lugares do quadro (professor associado e professor catedrático) são nacionais em termos de legislação. Quer dizer, podem concorrer os professores da Faculdade onde abre um lugar para ser preenchido e os professores de outras Faculdades que estejam em condições legais de o fazer. Só que isto quase nunca acontece. Quem concorre, em geral, são só os da “casa”. Se o fizerem, os “outros”, sobretudo os que não concorrem com a aprovação tácita do poder académico aí instalado, arriscam-se a ser tomados por intrusos e a estragar o que já estava, por vezes, mais ou menos arranjado. Uma vergonha!  Inútil dizer que quando se abre um concurso já se sabe, muitas vezes, quem vai e não vai ficar a ocupá-lo. E nem sempre em nome de critérios de mérito científico. Conheço casos de professores que nem sequer concorreram a certos concursos, porque, tendo embora mérito científico para serem seleccionados, perceberam que seriam preteridos em função de outros com muito menor mérito. A não abertura de concursos para os quais há vagas em aberto fala também em favor desta triste realidade: não se querer, em última instância, que haja mobilidade (e diversidade) no seio da Universidade. Toda a gente sabe, mas a realidade mantém-se. E viva a mobilidade!

3.      O terceiro inimigo da Universidade em Portugal tem a ver com a (não) famosa pirâmide. Professores catedráticos são muito poucos; para o lugar de associados, já há mais algumas vagas; professores auxiliares são em muito maior número do que os associados e, claro, do que os catedráticos. Se a promoção na carreira fosse baseada em critérios de mérito científico e de qualidade, em princípio, quanto mais elevada fosse a competência, maior seria a posição de um professor. Maior competência significaria mais prestígio para a Faculdade, melhor ensino para os estudantes e maior contribuição para o progresso científico. Uma Universidade sem professores muito competentes, por melhores pedagogos que se diga serem, é uma fraude.  Sendo assim, deveria haver muitos professores no topo da pirâmide, porque seriam esses, supostamente, os melhores professores e os que mais falta fariam (e fazem) à Universidade. A pirâmide, portanto, deveria estar invertida, como acontece, aliás, em muitas Universidade prestigiadas em diversos países. Não quer dizer que os professores devessem ser todos  promovidos, até porque ser professor na Universidade não é um direito fundamental! É sobretudo  uma opção e uma enorme responsabilidade. Mas seriam  certamente promovidos todos os que tivessem mérito. Não devia, aliás, haver um número restrito de vagas para tais posições. Devia ser o mérito, sobretudo o científico, que determinaria a vaga, não o oposto. Como isto não ocorre, em geral, estamos perante mais uma originalidade da Universidade Portuguesa, embora ela exista também em outros países. Em geral, nos que são menos desenvolvidos e que assim continuam, mesmo que o não queiram, a perder oportunidades de desenvolvimento.

A estrutura de pirâmide na Universidade Portuguesa está ao arrepio do que é, hoje, fazer investigação. É uma estrutura mais típica de organizações burocráticas que da actividade de comunidades científicas. O argumento para a existência de pirâmides achatadas na Universidade Portuguesa é o de que não há dinheiro…. É falso! Este é um problema político, muito mais do que financeiro. Além de permitirem economizar dinheiro, os quadros servem, não raras vezes, para seleccionar as mentes menos críticas e mais conformistas, o que está nos antípodas de uma sociedade progressista e interessada no bem comum. Numa palavra, ser competente na Universidade Portuguesa é algo que não é estimulado. Às vezes, ela procede mesmo como se a competência de alguns pudesse pôr em causa o seu estatuto de instituição vetusta, apenas mediana, e cheia de muitos Professores Doutores.

4.      Outro mal da Universidade Portuguesa é seu o carácter verbosoescolástico e burocrático. Quero deixar claro, como já disse, que existem excepções em todas as Faculdades, ou seja, que eu estou a falar em termos gerais. Basta ver o número de páginas das dissertações (de mestrado e doutoramento) realizadas. Teses de mestrado com 300 ou mais páginas abundam. Doutoramentos com 500 páginas ou mais também não faltam. Embora haja excepções notáveis, de tais longas teses, o destino principal é, em geral, ficarem arquivadas no pó das bibliotecas. Ou serem citadas apenas localmente e quando tal é conveniente! São, em geral, palavras a mais e ideias e problemas a menos. Em geral, essas teses são mais um testemunho de capacidade de gestão do saber do que de produção de conhecimento novo. E uma Universidade que não produz conhecimento nem sequer merece esse nome.

O que nós, professores, geralmente fazemos, é ensinar apenas o que os outros pensaram e investigaram, o que é uma tristeza. Veja, por exemplo, a lista de referências nos livros ou artigos que lê, mesmo que sejam em Português! São maioriatariamente de autores estrangeiros. De autores Portugueses, são poucas e, mesmo assim, ditadas muitas vezes mais por razões de conveniência que de qualidade científica. Isto significa que também devíamos ensinar aos nossos estudantes o que nós pensamos e investigamos.  Às vezes, digo aos meus estudantes que, se quiserem saber mais sobre um determinado assunto, podem ler um ou outro artigo que publiquei recentemente numa revista internacional prestigiada. Observo, então, em alguns deles, um sorriso levemente irónico. Tomam por vaidade a expressão de algo que é, ou devia ser, relativamente frequente e banal nos seus professores: contribuir, por pouco que seja, para o progresso científico na sua área de especialidade. É o carácter verboso que prolifera na Universidade Portuguesa que ajuda a compreender que os estudantes tenham uma arreliadora tendência para decorarem textos e artigos, conceitos e expressões, mesmo que não saibam muito bem quais as questões em análise, quais os argumentos que fazem sentido e quais os resultados inteligíveis. Têm nisso os estudantes muitas responsabilidades. Mas nós, professores, temos ainda mais.

Continuará a ser assim se os problemas da Universidade portuguesa não forem seriamente enfrentados. Devo confessar que não estou muito optimista. Os Governos mudam. Todos parecem ter vontade de alterar o estado de coisas mas, depois, nada de importante é perseguido.  Ironicamente, muitas vezes são as mesmas pessoas que tiveram possibilidade institucional de introduzir alterações para melhor, que, mais tarde, vêm  declarar que, afinal, a Universidade Portuguesa está muito atrasada em termos europeus e, portanto, que é necessário transformá-la. Em vez de um conjunto pequeno de medidas profundas, as suas propostas limitam-se à constituição de “grupos de reflexão” que produzem relatórios de 200, 300 ou mais páginas! Para que tudo fique mais ou menos na mesma!

5.      Outro mal na Universidade Portuguesa é ser demasiado hierarquizada. Em títulos, somos, de facto, os melhores! Somos sempre, e logo, Professores Doutores. Talvez seja um modo de compensarmos a nossa generalizada incompetência. Costumo dizer que à Universidade Portuguesa sobra em títulos o que lhe falta em investigação e reconhecimento internacional. Quando alguém obtém o grau de doutor, é logo promovido a Professor Doutor e até os artigos publicados em revistas (Portuguesas) fazem muitas vezes preceder o nome do autor dos seus respectivos títulos. Ironicamente, esse alguém recém-doutorado, ainda que, de facto, muito competente na sua área, pode ficar muitos e muitos anos como Professor Auxiliar, e isto porque as vagas de Professor Associado estão todas preenchidas!  Ao menos fica-lhe o Professor Doutor!

6.      Outro aspecto menos positivo na Universidade Portuguesa, e de que a minha Faculdade é um bom exemplo, é ser, ou querer ser, demasiado profissionalizante. Porventura os estudantes e muitas outras pessoas não estão de acordo comigo. É certamente importante que a Universidade Portuguesa forme bons profissionais. Quem não poderia estar de acordo? Em termos da minha Faculdade, é certamente relevante que os estudantes de Psicologia, por exemplo, possam vir a ser bons profissionais no âmbito da psicologia da educação, da psicologia do desporto, da psicologia clínica, da psicologia da justiça, etc. Só que a preparação dos estudantes para estes objectivos não pode ser feita em detrimento da sua sensibilização para as questões que têm a ver com a produção do conhecimento, do progresso científico, ou da investigação fundamental. E se quisermos ser honestos, é esta sensibilização que, em geral, não ocorre na Universidade Portuguesa. Chegaria consultar as grandes revisões de literatura (os estudos que sumariam o estado da arte numa determinada área de saber) para ver quanto a Universidade Portuguesa está ausente. Quantos são os professores da Universidade Portuguesa que publicam regularmente em revistas prestigiadas com sistema de peer review? É melhor nem sabermos! Como era de esperar, a Universidade Portuguesa tem também resposta para esta lacuna! Publicar nessas revistas para quê? Em geral, são editadas em língua Inglesa e o importante –diz-se– é defender a nossa língua! Assim sendo, chega a propor-se –imagine-se– que as publicações nessas revistas tenham o mesmo valor curricular que as publicadas nas revistas Portuguesas, revistas que, de modo geral, ou não têm um sistema de revisão de artigos, ou, se o têm, é tudo menos credível. Deste ponto de vista, seria interessante conhecer a  taxa de rejeição de artigos científicos submetidos às nossas revistas. Muitas delas, aliás, não existem para publicar novidades científicas, empíricas ou conceptuais, mas sobretudo para servirem de local onde se faz currículo. Em Portugal, revistas de Psicologia, por exemplo, são mais de uma dezena. Se publicassem trabalhos de qualidade, uma apenas era capaz de ser demais.  São estes aspectos que eu pretendo realçar quando falo em carácter demasiado profissionalizante da Universidade Portuguesa. Penso, aliás, que quanto mais a Universidade Portuguesa assumir esta vertente, tanto mais se confundirá com o ensino politécnico. Não tenho nada contra a aplicação do conhecimento, nem nada contra o ensino politécnico.  Mas o conhecimento não é aplicado antes de ser produzido. E é à Universidade que compete esta missão. Aceito que a distinção entre o ensino politécnico e o universitário venha a atenuar-se, talvez mesmo a desaparecer, sendo este, em última análise, o sentido da Declaração de Bolonha. Mas o que define a essência da Universidade é o saber desinteressado e fundamental. Reparem neste pormenor. Há dois anos, a minha Faculdade comemorou o seu vigésimo aniversário. Na área da Psicologia, houve painéis sobe psicologia e educação, psicologia e desporto, psicologia e justiça, psicologia e clínica, etc. Tudo temas muito respeitados. Não houve, contudo, nenhum painel sobre psicologia e investigação fundamental ou sobre psicologia e as (graves) questões teóricas que a afligem. Por exemplo, é usual falar-se da memória como se ela fosse um armazém, ou da mente como se ela fosse uma entidade, localizada, algures, no nosso cérebro. Muitos profissionais da psicologia têm certamente necessidade de apelar para estes aspectos, para exercerem bem as suas profissões. Porque a memória como armazém e a mente como entidade não passam de meras metáforas, tais profissionais correm o risco de, nas suas profissões, não irem muito além do senso comum quando se referem a esses aspectos e neles se baseiam para se reclamarem de profissionais competentes e com uma sólida formação científica. Será que uma aplicação relativamente acrítica pode constituir um bom modelo para um bom profissional? A investigação é algo de fundamental em Psicologia, como em qualquer outro domínio do saber. Se esse não for o caso, o risco é fazermos muitas aplicações, sabendo embora muito pouco. Ou então, por exemplo, convertermos a psicoterapia numa espécie de banha da cobra da psicologia. E ninguém sabe as consequências negativas que daqui podem advir.

7.      Outro mal da Universidade Portuguesa é ser pouco sensível ao mérito.  Em geral, é a obediência, quando não a mediocridade, que são recompensadas. Felizmente, existem alguns sinais de que algo está a mudar. A avaliação por avaliadores internacionais, bem como a existência de Centros de Investigação, avaliados também internacionalmente, são disso prova. Fica este pormenor delicioso. Há dias, um amigo meu sugeria, num Centro de Investigação a que pertence, que talvez fosse aceitável que as verbas que são atribuídas ao respectivo Centro fossem distribuídas no sentido de afectar mais algum dinheiro aos membros que faziam mais investigação e publicavam mais nas revistas internacionais com um sistema de peer review. De modo nenhum! Disse alguém. Isso seria egocentrismo!  Ou então, acrescentou outro membro, isso seria meritocracia! Quando se pensa em estimular a investigação e a descoberta científica não é o mérito que deveria ser recompensado? Se não o fizermos, corremos o risco de fomentar a resignação em vez do entusiasmo, e a mediocridade em vez da excelência. E convém não esquecer que se a excelência pode eventualmente gerar excelência, a mediocridade inevitavelmente gera mediocridade.

8.      Quanto ao oitavo mal, quero dizê-lo com coragem, assumindo os riscos que isso acarreta. A verdade é que a Universidade Portuguesa é demasiado pedagogizante. A pedagogia é um dos mitos dos tempos modernos, um mito que, infelizmente, prolifera dia após dia na Universidade Portuguesa.  A ideia força deste mito é que, na Universidade, as chamadas questões pedagógicas deviam vir em primeiro lugar, antes das questões científicas. Está ainda para vir o tempo em que se saiba quais os critérios em nome dos quais se é bom ou mau professor. Por melhor pedagogo que seja, na Universidade, um professor incompetente será sempre incompetente. Tanto pior se a pedagogia, que às vezes se resume a um certo facilitismo ou a um recurso exacerbado a meios audio-visuais, servir para mascarar a incompetência. Parece ainda que a existência generalizada, abusiva mesmo, de cursos e cursos de Ciências da Educação na Universidade Portuguesa não está a contribuir, tanto quanto seria razoável, para a resolução de muitos problemas do ensino no nosso país, a começar pelos males que afligem a própria Universidade. Mais grave ainda, o discurso pedagógico na Universidade Portuguesa é mais pedagogizante do que propriamente pedagógico. Por exemplo, fala-se muito em pedagogia mas, na verdade, de um ponto de vista formal, os estudantes ainda não são chamados a ter uma palavra sobre os professores que têm e o ensino que deles recebem! Penso que, por exemplo, se devia instituir um sistema em que os estudantes, no fim do ano, avaliassem os seus professores, sendo essa avaliação uma informação importante não só para o seu aperfeiçoamento como professores, mas mesmo para a sua carreira de professores. Não que fosse a palavra fundamental, mas que fosse uma palavra a ser tida em conta. De um modo geral, os estudantes, que não são parvos, percebem com alguma facilidade se os seus professores se esforçam, se são pontuais, se ensinam com entusiasmo, se sabem pensar nas aulas, se fazem ou não investigação, etc. Obviamente, é importante estar atento aos estudantes, entusiasmá-los, saber ouvir as suas dúvidas e coisas do género. Mas um professor que trabalha com afinco, que ensina com entusiasmo e que estimula os alunos no sentido da reflexão, investigação e aplicação há-se ser, pelo menos, um pedagogo razoável. A Universidade ficará bem servida com pedagogos razoáveis! Que não se ponha, porém, a bandeira da pedagogia acima de tudo e em toda a parte! Os estudantes do ensino superior também não são crianças da escola primária, ou pré-adolescentes em crise, numa qualquer escola secundária. É certo que um professor competente não é necessariamente um bom pedagogo. Mas tem condições para poder sê-lo. Pelo contrário, é vão esperar de um professor universitário incompetente que seja bom pedagogo. E o que dizer da possibilidade de um programa de mestrado ou de doutoramento poder vir a não ser aprovado porque, entretanto, os votos de funcionários e alunos foram em maior número do que o dos professores?

9.      Estava a pensar numa lista de 10 males capitais na Universidade Portuguesa. Vou apenas referir mais um. A Universidade Portuguesa é individualista e invejosa. Individualista, por exemplo, no sentido em que fomenta pouco a constituição de equipas de trabalho e de investigação. Invejosa, por exemplo, no sentido em que tem dificuldade em lidar com aqueles que, no seu seio, vão além da mediania reinante. Na Universidade Portuguesa, a regra é os professores trabalharem de forma individual e isolada.  Os seus projectos de pesquisa, quando existem, raramente são conhecidos por colegas e estudantes, mesmo da própria Faculdade ou Departamento. Como os professores também não têm, em geral, o que se poderia chamar de aulas de laboratório, aulas com um número restrito de estudantes interessados nos temas de reflexão e pesquisa do professor em questão, a tendência para o individualismo e isolamento é ainda maior.

A não existência generalizada de programas de doutoramento na Universidade Portuguesa torna ainda as coisas mais complicadas. Isto é, menos submetidas ao conhecimento e discussão alargada e mais propícias à endogamia. É raro que o estudante universitário Português se inicie em actividades de investigação. Em geral, ouve falar delas. Sobretudo do seu método! Sobretudo se for estudante de Ciências Sociais e Humanas e, mais ainda, de Ciências da Educação! A distância para a ideia (errada) de que a investigação consiste especialmente em passar testes, escalas, questionários ou realizar uma qualquer entrevista fica então encurtada.Por tudo o que já disse, também se percebe por que razão a Universidade Portuguesa tende a tratar com alguma mesquinhez e inveja os seus membros que vão além da mediania nacional. Acabam por ser maus exemplos! O melhor é não lhes dar muito reconhecimento! Às vezes atinge-se mesmo a parolice e uma subserviência ridícula. Se um professor Português, reconhecido internacionalmente, proferir uma conferência na sua Faculdade ou no seu país, arrisca-se a ter a sala quase vazia. A não ser, claro, que seja uma figura pública, política, ou que detenha poder de influência na sua Faculdade ou Departamento. Mas se vier um professor estrangeiro, um daqueles que é mais ou menos desconhecido mesmo no seu país, o mais provável é que tenha muita audiência à sua espera, embora no fim, em geral, não lhe sejam colocadas quaisquer questões. Existe também o reverso da medalha. Se um professor nosso já se tornou, de facto, famoso (veja-se o exemplo do Prof. António Damásio), então estamos facilmente disponíveis para o endeusar. Mesmo que tenhamos de renunciar a um certo espírito crítico e de irreverência, sem o qual a investigação científica tende a estiolar.

São estes alguns dos males que afligem a Universidade Portuguesa. Penso que não exagerei. E oxalá deixe de ter razão em breve. Mesmo assim, é a Universidade que assegura a formação dos jovens, jovens que –assim o espero– a tornarão certamente melhor. E com todos os seus defeitos, no nosso país periférico e pobre, é ainda a Universidade, em especial a Universidade pública, o lugar privilegiado para que aqueles que têm disponibilidade e meios para estudar, ensinar e aprender, o possam fazer com exigência e profundidade.

Na Política Não Há Equívocos

Cuidado Portugal. Estamos a ser alvos de uma encenação digna de vários Pulitzers e Oscars ao magote.

Vou ser claro: na política não há nada que aconteça por acaso, e neste Partido Socialista, nada acontece que não passe pelo crivo do António Costa. Alias, nada acontece que não seja aprovado pela oligarquia que sustenta a atual “solução” política e mantém os outrora cães raivosos da extrema esquerda, dóceis e no colinho do Costa.

Por isso se há quem desconfia neste teatro todo à volta da repentina purga do Sócrates, da virgindade ofendida deste mesmo e do seu abandono do Partido que ele tornou sua quenga, se há quem ache isto tudo muito conveniente, é porque é.

Há razões para ter escolhido este momento, e tudo tem a sua sequência de eventos:

  1. Aproveita-se o caso Pinho para tornar este numa espécie de Maddoff: vamos atrás do banqueiro, desde que não seja demasiado grande. Anda-se a investigar o Salgado, mas já lá vamos.
  2. O PS cai em cima do Pinho, anexando ao mesmo assim por acaso a estrela da Operação Marquês, mas sem entrar em detalhes. Têm vergonha, como as crianças que são apanhadas com a mão nas calças. O PS assim tenta limpar a sua imagem, com mais de um ano à frente para fazer campanha eleitoral para uma maioria absoluta e não tem de se preocupar (pelo menos não muito) das imagens do julgamento da Operação Marquês em pleno ciclo eleitoral. Um PS com maioria absoluta no parlamento orquestrado pelo “linchamento” de um “pobre provinciano” que ousou ser PM há muito tempo. Costa, Santos Silva, Galamba e companhia são políticos sem escrúpulos, são alunos do Maquiavel, e para eles a única coisa que lhes interessa é agarrar com unhas e dentes o poder. Não comprem o que o sonso do Costa vos tenta vender ao dizer que “foi apanhado de surpresa”. O mesmo Costa que em véspera de um Congresso manda SMSs para pôr as tropas em ordem, agora é apanhado na curva por um dos seus braços direitos? Não me lixem…
  3. O Sócrates ganha muito, mas mesmo muito ao demitir-se. Leva uma “sova” encenada e ocupa vários ciclos mediáticos que como sabemos é o principal objectivo do seu “vaidoso” ser. José Sócrates consegue mais uma vez fazer-se de vítima e ajuda o seu Partido Socialista a branquear um pouco a sua imagem e entrega ao António Costa uma provável vitória eleitoral por desassociar-se da orla Socialista.
  4. Alguém já se esqueceu que daqui a 5 meses haverá ou não a recondução da Joana Marques Vidal à Procuradoria Geral da República? Não me surpreenderia em nada ver a PGR que tem travado um combate acérrimo à alta corrupção que massacra o nosso país, sair agora do filme, colocando lá mais um amigo do Costa, do PS e da dita oligarquia, que pouco a pouco começa a arquivar processos “por falta de provas concretas” e pouco a pouco devolvem o Mecanismo ao seu antigo esplendor.
  5. Salgado volta para casa descansado e Sócrates vê o processo contra ele perder força, livrando o mesmo eventualmente de qualquer condenação. Afinal ele já foi julgado na praça pública, já poderá reunir um movimento independente e lá se candidata a Presidente da República porque este sujeito ainda tem muita gente que o apoie (fala alto da qualidade de pessoas que por aí andam) e tal como Lula, não tem vergonha na cara.

Eu espero bem que esteja enganado e que de facto os nossos políticos sejam tão incompetentes como demonstram ser. Só que esta malta acham-se um máximo e deliram com as jogadas políticas dos protagonistas do House of Cards. 

Eles vivem apenas para isto, eles jogam para o poder e para manter o poder. Menos poder é a morte destes artistas. Farão de tudo para continuar a cavar o seu legado às custas dos portugueses que assistem impavidamente a este circo.

Desengane-se quem acha que isto é apenas mais um episódio nesta telenovela rasca que temos presenciado. Esta malta partilhou demasiado tempo juntos e planearam demasiada coisa ao longo de décadas para ninguém saber nada, para estarem todos surpreendidos com as acusações. Isto infelizmente tem tudo um fio condutor e jamais será condenado à prisão um ex-banqueiro do regime e um ex-primeiro ministro. O António Costa não deixará que a oligarquia que tanto fez para o eleger fique mal.

Demasiada gente enriqueceu graças a um mecanismo que foi já existia antes do 25 de Abril e que foi apenas re-montado após a revolução de 1974. Sócrates e Salgado foram apenas mais uns que foram descobertos, mas se formos até ao fim deste processo todo, não creio ter-mos cadeias suficientes para albergar todos os participantes desta teia de interesses. É demasiada gente e tal como na termodinâmica, o dinheiro não se destrói, apenas transfere de mãos. E já viram quanto dinheiro foi ao longo de décadas?

Sinto que nos têm andado a entreter com isto tudo para parecer que até têm feito algo para trazer nem que fosse uma sombra de legitimidade a uma república que com a sua democracia não-representativa e a sua justiça inerte, está hoje cada vez mais poder.

Isto tudo parece uma muito má teoria da conspiração, mas infelizmente, parece-me cada vez mais ser o destino de Portugal: eles comem tudo e não deixam nada, e nós deixamos, porque sim.

Quem Precisa de Eutanásia com um País Assim?

Europa. Ano de 2018. O Estado inglês decide sozinho que uma criança de 23 meses deveria morrer por ter doença degenerativa sem cura. Alegações? O superior interesse da criança. Sim, leu bem. O Estado, esse Deus omnipotente  sabia que Alfie Evans não tinha cura – mesmo sem ter tentado tudo o que a ciência permitia e sabendo que estão sempre a surgir novas curas –  e queria morrer. Por isso, decidiu “dar-lhe voz” ordenando que fossem desligadas as máquinas de suporte de vida. Ou seja, matá-lo. Em resposta, Alfie manteve-se vivo durante 5 dias completos, sem máquinas, mostrando assim que afinal queria mesmo viver e  havia outro caminho se houvesse vontade. Que pensaria Stephen Hawkins disto se fosse vivo? Pois.

De pouco serviu a ajuda do Vaticano para tratar o menino. De nada adiantou a vontade dos pais em se agarrarem à esperança lutando desesperadamente pela sobrevivência do seu filho amado. O Estado decidiu, estava decidido: nem tratamentos na Inglaterra nem em qualquer outro sítio do Mundo. Ordem para matar. Ponto final. Não fosse Inglaterra o país do 007. Por falar nisso, alguém viu a Rainha por aí? Ah! espera, essa é apenas peça ornamental. Teria sido o mesmo se fosse com o pequeno Príncipe recém-nascido?

No meu texto “Eutanásia dá muito Jeito”  explicava o lado perverso das leis que dão poderes ao Estado para matar. Argumentei que era um pau de dois bicos porque se por um lado acudia a situações especiais de sofrimento extremo, por outro abria uma Caixa de Pandora porque esse mesmo Estado não era, muitas vezes,  “pessoa de bem”. Não tinha ainda este exemplo tão bom para o demonstrar. Limitei-me aos casos já existentes de países que a usam e se viram confrontados com uma realidade cruel que não previram: pessoas a serem mortas sem ser por vontade delas. Com o caso Alfie não podíamos ter um exemplo mais assustador para demonstrar a perigosidade das  leis em que o Estado é rei e senhor do poder sobre a vida. 

Estamos numa época em que a vida humana passou a ter menos valor que a dos animais. Em que se criminaliza todo e qualquer acto contra os bichos e se desresponsabiliza o abandono e morte dos humanos. Isto parece surreal. Mas não é por acaso.  Tem uma clara intenção política. Está na agenda dos desestruturadores de valores sociais. Os aliados de Soros na Europa. A reversão de valores está mesmo na agenda dos políticos. Está confuso? Vamos reflectir.

Comecemos por cá mesmo. Aqui já não é possível abandonar animais sem ser considerado um crime. No entanto, pode abandonar idosos em Hospitais ou suas casas que nada lhe acontece. A quem convém manter as coisas assim? Ao Estado, claro. Mais idosos à sua sorte, mais desprotegidos ficam, mais depressa morrem. Assim, equilibra a idade da esperança média de vida –  que aumentou consideravelmente – com as contas da segurança social.

Mas há mais: por muitos estudos que se façam não há desculpa alguma pelas longas listas de espera do SNS. Não há mesmo! Podem alegar falta de pessoal, podem alegar falta de verbas, podem alegar aumento de fluxo de doentes por isto ou aquilo. Mas a verdade é esta: não há vontade nenhuma de pôr o SNS a funcionar em condições. Porque é o sistema de “eutanásia legal” existente no país para fazer baixar a despesa do Estado e diminuir esperança de vida. Ficou chocado com o que escrevi? Então pense comigo.

Sempre que um banco precisa de dinheiro, mesmo não havendo dinheiro, ele aparece para pagar o buraco. Até hoje já foi enterrado, sem espinhas,  17 mil milhões dos contribuintes. Se não há dinheiro para acudir ao SNS, porque o há SEMPRE quando são bancos e sem limites? A vida humana vale menos que um banco? Vale.  Esta é a prova inegável. Mais: faltam cerca de 5000 especialistas médicos no SNS. O Estado suspendeu concurso que provocou ainda mais saídas. Alega o de sempre: falta de dinheiro. Mas Costa fez entrar na função pública, desde que tomou posse, mais de 10 000 funcionários na administração pública. Está a ver?  E mais esta reflexão: se o Estado quisesse mesmo dar a melhor saúde aos seus cidadãos, em vez de alegar falta de recursos, celebraria parceria com privados, eliminando todas as carências dos utentes, abrindo um leque de muitos mais serviços com qualidade, extensíveis a todos sem excepção. Resolveria assim três problemas: falta de meios,   qualidade de serviços e listas de espera.  Não o fazem porque não querem. Porque interessa manter um serviço que não funciona manietando o cidadão pobre a um destino quase certo em caso de doença: morrer mais cedo. Pense, porque pensar ainda não paga imposto.

Com isto, fica claro que interessa manter o SNS como fachada fingindo que o mesmo é extraordinário e que sem ele os pobrezinhos não tinham direito à saúde. O que não dizem é que tudo fizeram, durante décadas, para que esse mesmo sistema,  só servisse para curar rapidamente gripes e unhas encravadas, e fosse “desinvestido” subtilmente para que as pessoas, que não têm recursos para se curar no privado, definhem lentamente e assim libertem o Estado de despesas pesadas. Uma “Eutanásia” legalmente aceite e que não levanta suspeita. Porque as pessoas só pelo facto poderem ir ao médico sem pagar já as faz sentir protegidas. Problema é quando a doença é mesmo séria e morrem à espera.

Um Estado que mata a vida e a esperança é um carrasco legal. Legitimizar isso com o nosso voto é ser-mos cúmplices dessa matança. O caso Alfie Evans deve servir para  uma profunda reflexão sobre a verdadeira aplicação dessas leis na prática.

Quem precisa de eutanásia num país  sem valores humanos? Ninguém.

Cristina Miranda

Via Blasfémias

Cuba é Mais Democrática que Portugal

A Era Castro não terminou oficialmente em Cuba, Raúl e os deputados do seu Partido escolherem o novo Presidente da República, de nome Miguel Diaz Canel, engenheiro electrotécnico de profissão. Em 2013 Miguel Diaz veio a integrar o que é o democrático e pomposo Conselho de Estado de Cuba, foi passando pelas fases preliminares do carneirismo, foi formatado aos poucos para servir os interesses do Partido e não do País. É mais um ditador da Escola Castro, escolhido a dedo para um controlo remoto mais eficiente, o Jornalista Português e Pivôt da RTP José Rodrigues dos Santos no Jornal da Noite da RTP disse em alto e bom som:” Cuba tem um novo Ditador…”, como o jornalismo em Portugal está pela hora da morte, os poucos que restam são para se elogiar e o José merece ser elogiado, pela frontalidade de dizer o que pensa e a verdade dos factos.

O novo ditador de Cuba foi eleito democraticamente como se viu, dos 604 deputados presentes na Assembleia Nacional, 603 votaram a favor, uma eleição amplamente democrática dizem eles. Tais criaturas afirmam igualmente que:” A eleição de Diaz-Canel pela Assembleia Nacional “decorreu sem a livre expressão do povo cubano”, acrescentou no documento, com o título “Cuba, uma transição ilegítima“. Então claro, tem toda a razão os camaradas, Miguel Canel foi “eleito” com uma margem amplamente superior à de António Costa! O nosso Primeiro Ministro foi eleito com 140 votos dos senhores deputados, que vergonha doutor Costa ficou abaixo da tirania Cubana.

Já sabemos que os 38,5% de votos de Passos Coelho, tendo ganho as eleições legislativas de 2015, há pessoas que querem reescrever a história, José Sócrates ganhou o seu segundo mandato com uma votação parecida à de Passos, sem maioria absoluta claro, governou entretanto e o resto da história é conhecida. O Primeiro-Minúsculo, vulgo Primeiro-Ministro de São Bento, foi “eleito” por 140 deputados, não tem legitimidade do voto popular, a agregação maior de votos foi para uma coligação vencedora, mas que cujas ambições incalculáveis levaram a que o pacto da troika de esquerda social fascista fica-se acima dos interesses do País.

Regressando a Cuba, a ditadura dos Castro trouxe um atraso mirabolante para a Ilha, o gráfico seguinte ilustra o atraso do desenvolvimento económico Cubano devido ao Socialismo e Estatismo. Um outro será de Singapura, um País economicamente atrasado nos anos 60 e com reformas económicas de abertura do mercado, liberais portanto, é hoje um dos Países mais ricos do Mundo em PIB Per Capita.

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PIB Per Capita, Cuba.

Entre 1971 e o inicio dos anos 90 o rendimento de Cada Cubano praticamente estagnou, o Estatismo e o isolamento face aos E.U.A e o resto do Mundo eram visíveis em cada casa e até no património da Cidade de Havana, decadente portanto. Raúl foi abrindo a Economia Cubana ao pouco, o Comunista que acreditava no planeamento da Economia pelo Estado foi se rendendo, mas não em público, as benesses do Capitalismo económico, da troca de fluxos, da criação de riqueza. Só para terem uma ideia, cada restaurante em Cuba, não faz muitos anos, eram do Estado, hoje um empreendedor pode abrir um restaurante e lucrar com isso, pagar melhores salários, fazer a sua vida, foi ai que o PIB per capita de Cuba acelerou o seu crescimento, portanto, com mais liberalismo e não com mais socialismo.

Já Singapura, era um País Asiático atrasado no que é o seu desenvolvimento económico nos anos 60, muito dependente do exterior e com exportações de pouco valor acrescentado, as reformas económicas dos sucessivos governos liberalizaram sectores importantes e atraíram investimento estrangeiro reprodutivo de elevado valor acrescentado, os salários subiram, o nível de vida também, o capitalismo é tão mau.

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PIB per capita Singapura. FONTE: Trading Economics

Como podem reparar, no inicio da década de 60, Singapura tinha um rendimento per capita de 2500/3000 dólares, hoje é mais de 50.000 dólares, um aumento de 20 vezes(2000%) face a 1960. O PIB per capita de Cuba aumentou 300% e o maior contribuinte deste aumento foi a pouca abertura da Economia.

Antes de falarem mal do Capitalismo não andem de Iphone e SmartPhone.

Mauro Oliveira Pires

FOTO: Via Observador