Citizen Kane: uma análise liberal

 Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=Uy6IZTrpA4A

 Acabei agora mesmo de ver « Citizen Kane », o filme considerado por muitos como o melhor da História cinematográfica americana. De facto vi um grande filme, porém continuo a considerar o Padrinho como o melhor.

 Não posso resistir a fazer um breve paralelo entre a vida de Charles Kane e o liberalismo. Alguns interpretarão esse filme como uma crítica do mesmo, em que um indivíduo foi corrompido pelo dinheiro e estatuto social, que lhe caiu em cima por acaso para mais, e que teria feito melhor ter ficado com a sua mãe numa singela modéstia. Como vêm, tanto podemos agradar à Esquerda como à Direita menos liberal com esta análise.

 Mas essa análise é incorrecta. Charles Kane foi corrompido pelo seu egocentrismo. Existe uma diferença entre egoísmo e egocentrismo :

 O egoísmo é o amor de si próprio. Ora para uma pessoa se amar a si própria precisa de se conhecer, conhecer suas qualidades e defeitos, capacidades e fraquezas. O egoísta usará o mundo ao seu redor para maximizar a sua felicidade. Ora para conseguir isso ele sabe muito bem que não pode esmagar os outros ou comportar-se de forma irracional. Tem de fazer os bons compromissos, tem de criar valor para realizar o seu propósito final que é a sua felicidade. E ao fazer isso também ajuda os demais a atingirem a sua felicidade, porque colaborou de uma maneira satisfatória para ele e os outros. Aliás, a palavra chave no egoísmo é essa mesmo: felicidade. A felicidade é um estado de bem-estar sustentável, e vão ver agora a diferença de fundo na análise do egocentrismo.

 O egocentrismo por o seu lado é uma paixão por si próprio. A paixão é por definição irracional. É um fogo que nos consome, uma procura irresistível de satisfazer os caprichos, os desejos instantâneos. O egocentrista não se preocupa em estar bem de forma sustentável ; quer que os seus desejos sejam satisfeitos imediatamente ou o mais rapidamente possível. Esses desejos podem inclusive fazer-lhe mal. Pensem no caso típico da droga. E não interessa os estragos que possam fazer ao seu redor. O egocentrista é por consequente uma pessoa potencialmente perigosa para si e para os outros.

 O liberalismo é assim a filosofia do egoísta, ao passo que os diversos estatismos são as ideologias dos egocentristas. Nós enquanto liberais defendemos o direito de cada um fazer o que bem lhe apetecer, à condição de não violar a propriedade alheia sem consentimento. Defendemos a cooperação voluntária e a reciprocidade nas relações de conflitos de propriedade. Tudo isso permite assim a cada um de ser como bem entender, sem esmagar os demais.

 Os estatismos não são assim. Valorizam “bens superiores”, defendem “causas” e são abertamente clientelistas (em regra geral, mais à Esquerda dizem defender os pobres – seja lá o que isso for – e mais à Direita dizem defender os honestos, seja lá o que isso for igualmente). Usam o poder para atingir essas finalidades, e os compromissos que eles dizem estar dispostos a fazer são, ora, meras concessões necessárias – porque sabem bem que se forem longe demais os opositores entrarão em guerra com eles – ora caprichos que estão dispostos a aceitar – por exemplo, aceitam pagar imposto porque sabem que podem ter prestações em troca, ou simplesmente porque não se importam de os pagar.

 Charles Kane tornou-se um egocêntrico com o passar do tempo, sobretudo no seu segundo casamento. Não importava mais os desejos de sua mulher, apenas os dele. Apenas a sua imagem importava. Se Kane se tivesse comportado em egoísta, ele teria feito o compromisso muito simples de levar a sua mulher a Nova Iorque. Este pequeno esforço teria salvo o seu casamento e a sua própria felicidade.

 Charles Kane apenas amou três pessoas : Rosebud, a sua mãe e ele próprio. Foi retirado à força das duas primeiras, e o seu egocentrismo matou a última.

 Orson Wells disse que podíamos analisar Charles Kane de duas formas, como um génio trágico ou um pobre idiota. Pessoalmente, tal como o jornalista, tenho dó de Charles Kane.

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Pelo fim da cultura do comunismo

A previsão de Marx era que o comunismo iria substituir o capitalismo e seria o último estádio da humanidade antes de uma sociedade sem Estado. Errou em ambas.

O comunismo não substituiu o capitalismo, dado que não apareceu no Reino Unido ou na América capitalista, mas sim na Rússia agrária imposto à força por um grupo com resultados minoritários nas eleições. O comunismo também não foi a última fase da humanidade, porque como se viu a maioria dos países comunistas passou para o capitalismo.

Nesta fase da discussão costumam aparecer alguns comunistas a dizer que aquilo não era verdadeiro comunismo (porque eles têm infinitos tipos de Comunismo para se irem ilibando uns aos outros). Mas mesmo assumindo que não é “o verdadeiro” comunismo, o que importa é que durante esta fase quase capitalista da humanidade em cerca de 200 anos a população mundial em pobreza extrema passou de 95% para 9%. Já nos países comunistas também houve um decréscimo … de pessoas a viver.

Para além disto, outras previsões de Marx sobre os juros ou sobre o desaparecimento da classe média (aconteceu exactamente o oposto nos USA), por exemplo, provaram-se totalmente erradas. Mesmo a base do argumento de Marx – a teoria do valor trabalho e a teoria da mais valia – foi refutada logo no século XIX antes das experiências comunistas por autores como Böhm-Bawerk e Carl Menger (infelizmente a emoção – o desejo de perfeição e a utopia – falaram mais forte que a razão crítica). No comunismo, o indivíduo é um objeto de forças que não estão ao seu alcance. Esta é uma teoria bastante simplista ou reducionista da sociedade.

Importa ainda referir que os comunistas acham que a natureza humana é totalmente alterável: querem criar o homem novo que se liberta das instituições e da sociedade onde vive – acham que são as famílias, as empresas, a religião, as associações / clubes, etc. que os prendem a pensar de uma forma errada. Não conseguem conceber como alguém pode pensar diferente e não chegar lá “à verdade” que as suas mentes perfeitas já atingiram. Daí resulta que não olharão a meios para atingir os fins que culminam num total redesenho da sociedade.

A liberdade custa, não é perfeita, tal como nós, e os efeitos económicos não são imediatos depois de reformas grandes. Já a igualdade aparenta o oposto, motivo pelo qual muitos preferem ser iguais na miséria do que livres em algo melhor (mas não perfeito).

” Se não consegues derrotar o teu inimigo, mata-o”, da Rússia com Amor

Este artigo é inspirado no documentário transmitido dia 18 de Junho pelo Canal de História, sobre a ascensão de Vladimir Putin, de criança reprimida, a agente do KGB, Primeiro-Ministro e finalmente Presidente da “Mãe” Rússia.

Nascido em Leninegrado, actual São Petersburgo,  num seio familiar e social como um todo degradado, Vladimir era um ser de pequena estatura, tímido e mediano nos estudos, o comum mortal diz na sua panóplia de certezas que tal criatura não tinha um futuro “risonho”, mas, engana-se! Vladimir Vladimirovitch Putin, cresceu com a vontade e o desejo de poder, sempre o desejou e um dia prometeu que não se ficariam a rir dele, assim o disse e assim o fez.

Foram precisos 47 anos de jogadas de bastidores intensas, divididas como agente mediano destacado na Alemanha Oriental, em Dresden, do KGB, estudos na Rússia, onde foi um excelente aluno e, voltando ao KGB, um carreira de espião que sempre quis mas que cuja estagnação profissional lhe levou de volta para a Rússia onde  os sinos da queda da URSS já tocavam.

Depois de tentar “moderar” o regime, Mikhail Gorbachev tentou modernizar os modos de convivência do Estado com os seus cidadãos, Gorbachev legalizou os anteriores partidos que tinham sido reprimidos e ilegalizados devido ao regime opressor, fascista e assassino, dito de outro modo, comunista, que lhes reduziu a pó. Legalizou outra vez as manifestações e as “conversas” normais de discussão periódicas de todos os feitios, em resumo, Gorbachev repôs o normal de uma democracia madura, a liberdade de expressão.

Depois da queda da URSS, sai Gorbachev e realizam-se as primeiras eleições livres do Ex-Urso Soviético, a Mãe Rússia estava ferida quase de morte, recessão, desemprego galopante e contas externas desequilibradas para terem ideia, em 1999 Portugal(perdoem-me este à parte) tinha um PIB(127,47 Bilhões de Dólares) não muito distante do Russo( 195,9 Bilhões de Dólares), hoje o cenário é muito diferente, a Economia Russa cresceu em média quase 6% de 2000 a 2010 e Portugal uns míseros 0,2%.

Regressando ás eleições, após a queda da URSS, as primeiras eleições livres da Rússia resultaram na eleição de Boris Yeltsin. Depois da passagem de Putin pela Política na sua cidade natal, São Petersburgo, onde foi acusado de roubo de “dinheiro público”, mais de 100 milhões de dólares pois Putin era o “gerador” de contratos e o responsável pela sua execução, os alimentos que deviam ter chegado aos cidadãos nunca chegaram, na altura uma vereadora da Câmara tentou tudo para incriminar Putin, nada conseguiu.

Putin passava pelos pingos da chuva, além disso, a sua experiência no KGB era uma preciosidade para os políticos. Depois da passagem pela política local, o actual Presidente Russo foi nomeado como chefe de gabinete da Presidência de Yeltsin, que cujas boas actuações a desviar a imprensa dos actos de corrupção do Presidente Russo, bastaram para ficar nas boas hostes de Yeltsin.

Vladimir Putin era uma raposa velha, estava perto de conseguir tudo o queria, poder, os conselheiros de Boris apressaram se a ensinar a Putin os “instrumentos” políticos necessários na actuação da política nacional. Com Yeltsin doente, nomeia Putin como Primeiro-Ministro da Rússia, onde poucos meses depois actuava no conflito da Tchetchénia e com mão de ferro. Subia nas sondagens, era adorado, finalmente o pequeno Vladimir tinha atingido o Olimpo, faltava um degrau para ser Zeus, a Presidência.

No ano 2000, Putin é eleito Presidente Russo e acaba a experiência “democrática” Russa. E agora sim, começa a era do Urso renascido das cinzas, a era de Vladimir Putin. Putin desde 2000 que é governante à já 18 anos, com uma interrupção na Presidência devido à Constituição Russa da limitação a dois mandatos consecutivos, aqui entra Dmitri Medvedev que passou a Presidente Russo e Putin  Primeiro-Ministro. Mas desenganem-se, que Medvedev era o chefe do jogo, era o fantoche de Putin.

Todos que enfrentaram o Presidente Russo, como diz o título deste artigo, acabaram no caixão ou perto de Deus nosso senhor. Mais de 30 jornalistas mortos, opositores mortos, um com mais de 5 tiros nas costas como foi Boris Nemtsov, morto perto do Kremlin. Outro foi Alexander Litvinenko, Tenente Coronel do FSB que digamos era um “Polícia honesto”. Uma pessoa que conhecia Putin dos tempos KGB, todos os podres. Litvinenko falou “demais”, em Londres, onde emigrou com a sua família devido à complacência zero que tinha com o regime de Putin.

Alexander fora envenenado em Londres, veneno esse com compostos nucleares só ao alcance de poucos governos, destruiu cada órgão, um a um, até este ficar em coma e morrer 6 meses depois.

O grande problema dos E.U.A, da Europa e do Mundo civilizado não são os brinquedos nucleares e a gordura a mais de Kim Jong Un que Trump domesticou com hotéis e com capitalismo que consolidarão o poder do ditador Coreano mas que, ao menos, podem permitir relativa estabilidade e paz mundial, o grande problema para a paz no Mundo chama-se Vladimir Putin, o criminoso de guerra Russo.

Para Putin, se não consegues derrotar o teu inimigo, mata-o. Simples!

Mauro Oliveira Pires

 

Na Política Não Há Equívocos

Cuidado Portugal. Estamos a ser alvos de uma encenação digna de vários Pulitzers e Oscars ao magote.

Vou ser claro: na política não há nada que aconteça por acaso, e neste Partido Socialista, nada acontece que não passe pelo crivo do António Costa. Alias, nada acontece que não seja aprovado pela oligarquia que sustenta a atual “solução” política e mantém os outrora cães raivosos da extrema esquerda, dóceis e no colinho do Costa.

Por isso se há quem desconfia neste teatro todo à volta da repentina purga do Sócrates, da virgindade ofendida deste mesmo e do seu abandono do Partido que ele tornou sua quenga, se há quem ache isto tudo muito conveniente, é porque é.

Há razões para ter escolhido este momento, e tudo tem a sua sequência de eventos:

  1. Aproveita-se o caso Pinho para tornar este numa espécie de Maddoff: vamos atrás do banqueiro, desde que não seja demasiado grande. Anda-se a investigar o Salgado, mas já lá vamos.
  2. O PS cai em cima do Pinho, anexando ao mesmo assim por acaso a estrela da Operação Marquês, mas sem entrar em detalhes. Têm vergonha, como as crianças que são apanhadas com a mão nas calças. O PS assim tenta limpar a sua imagem, com mais de um ano à frente para fazer campanha eleitoral para uma maioria absoluta e não tem de se preocupar (pelo menos não muito) das imagens do julgamento da Operação Marquês em pleno ciclo eleitoral. Um PS com maioria absoluta no parlamento orquestrado pelo “linchamento” de um “pobre provinciano” que ousou ser PM há muito tempo. Costa, Santos Silva, Galamba e companhia são políticos sem escrúpulos, são alunos do Maquiavel, e para eles a única coisa que lhes interessa é agarrar com unhas e dentes o poder. Não comprem o que o sonso do Costa vos tenta vender ao dizer que “foi apanhado de surpresa”. O mesmo Costa que em véspera de um Congresso manda SMSs para pôr as tropas em ordem, agora é apanhado na curva por um dos seus braços direitos? Não me lixem…
  3. O Sócrates ganha muito, mas mesmo muito ao demitir-se. Leva uma “sova” encenada e ocupa vários ciclos mediáticos que como sabemos é o principal objectivo do seu “vaidoso” ser. José Sócrates consegue mais uma vez fazer-se de vítima e ajuda o seu Partido Socialista a branquear um pouco a sua imagem e entrega ao António Costa uma provável vitória eleitoral por desassociar-se da orla Socialista.
  4. Alguém já se esqueceu que daqui a 5 meses haverá ou não a recondução da Joana Marques Vidal à Procuradoria Geral da República? Não me surpreenderia em nada ver a PGR que tem travado um combate acérrimo à alta corrupção que massacra o nosso país, sair agora do filme, colocando lá mais um amigo do Costa, do PS e da dita oligarquia, que pouco a pouco começa a arquivar processos “por falta de provas concretas” e pouco a pouco devolvem o Mecanismo ao seu antigo esplendor.
  5. Salgado volta para casa descansado e Sócrates vê o processo contra ele perder força, livrando o mesmo eventualmente de qualquer condenação. Afinal ele já foi julgado na praça pública, já poderá reunir um movimento independente e lá se candidata a Presidente da República porque este sujeito ainda tem muita gente que o apoie (fala alto da qualidade de pessoas que por aí andam) e tal como Lula, não tem vergonha na cara.

Eu espero bem que esteja enganado e que de facto os nossos políticos sejam tão incompetentes como demonstram ser. Só que esta malta acham-se um máximo e deliram com as jogadas políticas dos protagonistas do House of Cards. 

Eles vivem apenas para isto, eles jogam para o poder e para manter o poder. Menos poder é a morte destes artistas. Farão de tudo para continuar a cavar o seu legado às custas dos portugueses que assistem impavidamente a este circo.

Desengane-se quem acha que isto é apenas mais um episódio nesta telenovela rasca que temos presenciado. Esta malta partilhou demasiado tempo juntos e planearam demasiada coisa ao longo de décadas para ninguém saber nada, para estarem todos surpreendidos com as acusações. Isto infelizmente tem tudo um fio condutor e jamais será condenado à prisão um ex-banqueiro do regime e um ex-primeiro ministro. O António Costa não deixará que a oligarquia que tanto fez para o eleger fique mal.

Demasiada gente enriqueceu graças a um mecanismo que foi já existia antes do 25 de Abril e que foi apenas re-montado após a revolução de 1974. Sócrates e Salgado foram apenas mais uns que foram descobertos, mas se formos até ao fim deste processo todo, não creio ter-mos cadeias suficientes para albergar todos os participantes desta teia de interesses. É demasiada gente e tal como na termodinâmica, o dinheiro não se destrói, apenas transfere de mãos. E já viram quanto dinheiro foi ao longo de décadas?

Sinto que nos têm andado a entreter com isto tudo para parecer que até têm feito algo para trazer nem que fosse uma sombra de legitimidade a uma república que com a sua democracia não-representativa e a sua justiça inerte, está hoje cada vez mais poder.

Isto tudo parece uma muito má teoria da conspiração, mas infelizmente, parece-me cada vez mais ser o destino de Portugal: eles comem tudo e não deixam nada, e nós deixamos, porque sim.

Cuba é Mais Democrática que Portugal

A Era Castro não terminou oficialmente em Cuba, Raúl e os deputados do seu Partido escolherem o novo Presidente da República, de nome Miguel Diaz Canel, engenheiro electrotécnico de profissão. Em 2013 Miguel Diaz veio a integrar o que é o democrático e pomposo Conselho de Estado de Cuba, foi passando pelas fases preliminares do carneirismo, foi formatado aos poucos para servir os interesses do Partido e não do País. É mais um ditador da Escola Castro, escolhido a dedo para um controlo remoto mais eficiente, o Jornalista Português e Pivôt da RTP José Rodrigues dos Santos no Jornal da Noite da RTP disse em alto e bom som:” Cuba tem um novo Ditador…”, como o jornalismo em Portugal está pela hora da morte, os poucos que restam são para se elogiar e o José merece ser elogiado, pela frontalidade de dizer o que pensa e a verdade dos factos.

O novo ditador de Cuba foi eleito democraticamente como se viu, dos 604 deputados presentes na Assembleia Nacional, 603 votaram a favor, uma eleição amplamente democrática dizem eles. Tais criaturas afirmam igualmente que:” A eleição de Diaz-Canel pela Assembleia Nacional “decorreu sem a livre expressão do povo cubano”, acrescentou no documento, com o título “Cuba, uma transição ilegítima“. Então claro, tem toda a razão os camaradas, Miguel Canel foi “eleito” com uma margem amplamente superior à de António Costa! O nosso Primeiro Ministro foi eleito com 140 votos dos senhores deputados, que vergonha doutor Costa ficou abaixo da tirania Cubana.

Já sabemos que os 38,5% de votos de Passos Coelho, tendo ganho as eleições legislativas de 2015, há pessoas que querem reescrever a história, José Sócrates ganhou o seu segundo mandato com uma votação parecida à de Passos, sem maioria absoluta claro, governou entretanto e o resto da história é conhecida. O Primeiro-Minúsculo, vulgo Primeiro-Ministro de São Bento, foi “eleito” por 140 deputados, não tem legitimidade do voto popular, a agregação maior de votos foi para uma coligação vencedora, mas que cujas ambições incalculáveis levaram a que o pacto da troika de esquerda social fascista fica-se acima dos interesses do País.

Regressando a Cuba, a ditadura dos Castro trouxe um atraso mirabolante para a Ilha, o gráfico seguinte ilustra o atraso do desenvolvimento económico Cubano devido ao Socialismo e Estatismo. Um outro será de Singapura, um País economicamente atrasado nos anos 60 e com reformas económicas de abertura do mercado, liberais portanto, é hoje um dos Países mais ricos do Mundo em PIB Per Capita.

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PIB Per Capita, Cuba.

Entre 1971 e o inicio dos anos 90 o rendimento de Cada Cubano praticamente estagnou, o Estatismo e o isolamento face aos E.U.A e o resto do Mundo eram visíveis em cada casa e até no património da Cidade de Havana, decadente portanto. Raúl foi abrindo a Economia Cubana ao pouco, o Comunista que acreditava no planeamento da Economia pelo Estado foi se rendendo, mas não em público, as benesses do Capitalismo económico, da troca de fluxos, da criação de riqueza. Só para terem uma ideia, cada restaurante em Cuba, não faz muitos anos, eram do Estado, hoje um empreendedor pode abrir um restaurante e lucrar com isso, pagar melhores salários, fazer a sua vida, foi ai que o PIB per capita de Cuba acelerou o seu crescimento, portanto, com mais liberalismo e não com mais socialismo.

Já Singapura, era um País Asiático atrasado no que é o seu desenvolvimento económico nos anos 60, muito dependente do exterior e com exportações de pouco valor acrescentado, as reformas económicas dos sucessivos governos liberalizaram sectores importantes e atraíram investimento estrangeiro reprodutivo de elevado valor acrescentado, os salários subiram, o nível de vida também, o capitalismo é tão mau.

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PIB per capita Singapura. FONTE: Trading Economics

Como podem reparar, no inicio da década de 60, Singapura tinha um rendimento per capita de 2500/3000 dólares, hoje é mais de 50.000 dólares, um aumento de 20 vezes(2000%) face a 1960. O PIB per capita de Cuba aumentou 300% e o maior contribuinte deste aumento foi a pouca abertura da Economia.

Antes de falarem mal do Capitalismo não andem de Iphone e SmartPhone.

Mauro Oliveira Pires

FOTO: Via Observador

Portugal Arrisca Tragédia com Sismos

Há 20 anos que especialistas dizem o mesmo: Portugal vai ser atingido por um sismo. Não sabem prever se vai ser já amanhã, para o ano que vem ou daqui uns anos mais. Sabem apenas que este fenómeno é cíclico e pelas contas feitas ao de 1755, a previsão aponta para o ano de 2018. Mário Lopes, investigador especialista em engenharia sísmica do Instituto Superior Técnico (leia aqui a entrevista completa)já perdeu esperança nos Governos para impedir a tragédia.  Nada de novo num Estado que não protege seus cidadãos senão seus próprios interesses. Mas quanto nos vai custar em vidas esta irresponsabilidade grotesca dos governos? Muitos milhares.

Mário Lopes é peremptório: não se sabe quando, nem com que intensidade, nem tão pouco as consequências de um próximo sismo, mas uma certeza prevalece. Vai ser certamente trágico. Receia a repetição de 1755 porque mesmo que seja de menor intensidade provocará muitas mais mortes porque as zonas de risco estão mais povoadas. Não é preciso um sismo como de 1755 para termos 10 000 a 20 000 vítimas. Factos.

Segundo o mesmo, bastaria o respeito pelo actual regulamento para minimizar os danos. Embora obsoleto com mais de 30 anos, ser aplicado já era bom. Hoje quem não tem consciência pode aldrabar o projecto sem ver consequências. Sabem que fazendo bem ou mal um edifício, é vendido  na mesma.  Mas o maior problema reside nos edifícios reabilitados.  Porque a legislação técnica  prevê que um edifício anterior a 1958, que tinha um grau de  protecção zero na resistência sísmica, não lhe seja aplicada legislação posterior de reabilitação à construção original. Assim, fazem apenas um “peeling” nos edifícios antigos – o que é perfeitamente legal –  que continuam com protecção sísmica igual a  zero. Nesta realidade estão 40% dos edifícios construídos antes de 1960. 

Mário Lopes fez uma proposta ligada aos seguros para que as companhias fizessem seguros indexados à componente de risco sísmico ( nos Açores, por exemplo, está indexado ao crédito habitação). Assim, as pessoas através dos seguros iriam ver o risco da sua construção e isso iria influenciar o mercado valorizando, obviamente, as melhores. Porém, quando isso foi discutido com um governo mandaram-no calar porque isso iria desvalorizar os prédios piores, mostrando uma insensibilidade pela vida humana em detrimento do mercado imobiliário. Depois em 2012 propôs que o reforço sísmico fosse obrigatório em edifícios a partir de certo valor e dimensão. Foi rejeitado.

Os alertas de Mário foram sempre atendidos mas na prática deitados ao lixo. E foram bastantes. O primeiro ocorreu com a governação de  Guterres onde enviou documentação a todos os grupos parlamentares. Mas nada aconteceu. Mais tarde só CDS pegou no dossier e fez um Projecto de Resolução entregue na AR, mas não chegou a ser votado porque acabou a legislatura. Seguiu-se posteriormente o  PCP que pela mão de Miguel Tiago, mudou apenas  o preâmbulo do projecto do CDS – o que prova que o projecto era bom – e o leva a discussão. Demorou 2 anos a ser discutido. Entrou em 2006 na AR mas só foi a votação em 2008 onde todos votaram a favor excepto PS.Foi chumbado. Mário Lopes, mesmo assim, não desistiu e em 2010 volta a pressionar a AR. Com PS  em minoria, é aprovado. Finalmente. O projecto aprovado previa entre outros que o reforço sísmico passasse a ser obrigatório na reabilitação urbana. Mas ironicamente a sua NÃO APLICAÇÃO foi feita pelos mesmos que o aprovaram. Em suma, ficou tudo EXACTAMENTE na mesma.

O poder político devia dar o exemplo ao preocupar-se com os edifícios públicos. Mas o Estado que temos que não se preocupa sequer com os cidadãos foi a correr reforçar a AR assim que lhes foi dito que a parede da sala de sessões colapsaria em caso de sismo. São estes que nos governam:  preocupados com sua pele mas ignorando os restantes 10 milhões de seres humanos desprotegidos e à sua sorte.

Mário Lopes não tem dúvidas que assim que houver uma tragédia sísmica o poder politico vai dizer “que não é altura da caça às bruxas” para evitar que se apurem as responsabilidades (tal e qual como em Pedrógão, lembram-se?). Porém os sismos não matam. O que mata são as construções mal feitas. Segundo este, mesmo com limitações económicas, se tomássemos precauções, mesmo com sismo forte haveria 10 vezes menos estragos e menos vítimas.

Há 20 anos que este especialista diz o mesmo mas sem resultados. Sem decisões politicas para implementar a prevenção, tudo fica igual, ou seja sem protecção. E na situação actual, se formos atingidos por um sismo forte de grandes dimensões, não há  protecção civil que nos valha. Será uma catástrofe. Porque é na prevenção que salvamos vidas. 

Enquanto os governos viverem em negação assobiando para o lado como o fizeram com a prevenção INEXISTENTE para fogos florestais, e nós fingirmos que não nos importamos com isso, a tragédia que foi vivida com incêndios em Pedrógão e 15 de Outubro, multiplicar-se-à brutalmente à custa de vidas inocentes que irão sucumbir nas mãos criminosas de quem nos governa. 

O que está disposto a fazer para mudar isto?

Via Blasfémias

Cristina Miranda

O lobo e a hiena – recensão

“O lobo e a hiena: o plano para a conquista da Europa”, de Rui Manuel Silva

Este é um livro cuja edição (Alêtheia, 2017) se saúda e cuja oportunidade se assinala pois ocorre no ano em que se “celebra” o centenário da que ficou conhecida por Revolução de Outubro, ainda que apenas diga respeito à frente leste na II Guerra Mundial, ou seja, à historiografia do épico confronto germano-soviético. Por um lado, dá a conhecer em português uma leitura interpretativa daquele conflito radicalmente diferente da veiculada em milhares de livros que se escreveram sobre o assunto e que constituem hoje o suporte à narrativa oficial – Hitler infligiu à “pacífica” União Soviética um ataque à traição com tal desproporção de meios que aos soviéticos não cabia outra alternativa senão ceder terreno para posteriormente suster o avanço alemão e partir daí para o contra-ataque; por outro, porque este volume não se limita apenas a difundir uma leitura revisionista já existente da IIRui_Silva_oloboeahiena Guerra Mundial, uma vez que assenta em pesquisa autónoma levada a cabo pelo próprio autor que permite expandir convincentemente, de forma documentada, a tese de Viktor Suvorov divulgada no Ocidente em 1990 em Icebreaker e posteriormente desenvolvida em The Great Culprit (2008) – o ataque da Alemanha à URSS em 22 de Junho de 1941 (Operação Barbarossa), numa altura em que a frente de guerra no Ocidente não está resolvida, ocorreu por antecipação à manobra ofensiva que Estaline preparara e estava prestes a dar a ordem de execução, isto é, atacar a Alemanha, e que ultimamente visava não só derrotar Hitler como assenhorar-se de toda a Europa e não apenas da Europa de Leste (como viria a acontecer).

Por outras palavras, nem Hitler – o lobo – nem o seu Estado-Maior eram loucos. Eles não escolheram voltar a ter uma guerra em duas frentes, não tiveram foi alternativa perante a mobilização de meios que sabiam estar a ocorrer do lado de lá da fronteira (recorde-se que em território polaco). Tratava-se da sobrevivência da Alemanha pois caso não se tivessem antecipado teria ocorrido um ataque maciço por parte da maior concentração de tropas e equipamentos da história que Estaline – a hiena – havia concentrado bem perto da sua fronteira oeste. Paradoxalmente, e porque todo este gigantesco conjunto de meios bélicos visava o ataque à Alemanha e, por conseguinte, se encontrava implantado no terreno com intenção ofensiva, residiria aí a sua principal fraqueza e a explicação para as monumentais derrotas que os soviéticos sofreram desde o primeiro dia da invasão (até serem detidos às portas de Moscovo nos finais desse mesmo ano). Desprovidos de planos defensivos, o comando operacional soviético praticamente desapareceu perante os exércitos alemães e os soviéticos fugiram em debandada nos camiões de transporte, abandonando milhares de tanques, canhões, obuses, combustível, etc. Quem se dispôs a resistir, foi cercado e metodicamente destruído. Mais de 2 milhões de soviéticos foram feitos prisioneiros. Uma das desculpas muitas vezes avançadas para esta hecatombe – a de que os alemães disporiam de material de guerra mais moderno que os soviéticos – não sobrevive perante a evidência disponível. Do ponto de vista de qualidade, o material soviético era do melhor, senão mesmo o melhor, que existia no mundo àquela data; relativamente à quantidade, os seus números eram maiores que o das outras potências todas somadas àquela data.

Uma palavra para saudar a utilização da ortografia pré-acordista; uma outra para lastimar o trabalho (?) de revisão do texto, facto que também tinha detectado, e me incitou a escrever um email de protesto à Alêtheia aquando da leitura da tradução de O Último Estalinista. Por último, num livro de 552 páginas e muitas referências, a falta de um índice analítico é notória.

Em suma, e apesar destes dois últimos apontamentos, O lobo e a hiena é uma obra muito interessante e substantiva, escrita de uma forma escorreita e não enfadonha. Com ela se ilustra, uma vez mais, que a História é uma disciplina bem viva mesmo quando muitos  dos seus agentes há muito morreram.