Na Política Não Há Equívocos

Cuidado Portugal. Estamos a ser alvos de uma encenação digna de vários Pulitzers e Oscars ao magote.

Vou ser claro: na política não há nada que aconteça por acaso, e neste Partido Socialista, nada acontece que não passe pelo crivo do António Costa. Alias, nada acontece que não seja aprovado pela oligarquia que sustenta a atual “solução” política e mantém os outrora cães raivosos da extrema esquerda, dóceis e no colinho do Costa.

Por isso se há quem desconfia neste teatro todo à volta da repentina purga do Sócrates, da virgindade ofendida deste mesmo e do seu abandono do Partido que ele tornou sua quenga, se há quem ache isto tudo muito conveniente, é porque é.

Há razões para ter escolhido este momento, e tudo tem a sua sequência de eventos:

  1. Aproveita-se o caso Pinho para tornar este numa espécie de Maddoff: vamos atrás do banqueiro, desde que não seja demasiado grande. Anda-se a investigar o Salgado, mas já lá vamos.
  2. O PS cai em cima do Pinho, anexando ao mesmo assim por acaso a estrela da Operação Marquês, mas sem entrar em detalhes. Têm vergonha, como as crianças que são apanhadas com a mão nas calças. O PS assim tenta limpar a sua imagem, com mais de um ano à frente para fazer campanha eleitoral para uma maioria absoluta e não tem de se preocupar (pelo menos não muito) das imagens do julgamento da Operação Marquês em pleno ciclo eleitoral. Um PS com maioria absoluta no parlamento orquestrado pelo “linchamento” de um “pobre provinciano” que ousou ser PM há muito tempo. Costa, Santos Silva, Galamba e companhia são políticos sem escrúpulos, são alunos do Maquiavel, e para eles a única coisa que lhes interessa é agarrar com unhas e dentes o poder. Não comprem o que o sonso do Costa vos tenta vender ao dizer que “foi apanhado de surpresa”. O mesmo Costa que em véspera de um Congresso manda SMSs para pôr as tropas em ordem, agora é apanhado na curva por um dos seus braços direitos? Não me lixem…
  3. O Sócrates ganha muito, mas mesmo muito ao demitir-se. Leva uma “sova” encenada e ocupa vários ciclos mediáticos que como sabemos é o principal objectivo do seu “vaidoso” ser. José Sócrates consegue mais uma vez fazer-se de vítima e ajuda o seu Partido Socialista a branquear um pouco a sua imagem e entrega ao António Costa uma provável vitória eleitoral por desassociar-se da orla Socialista.
  4. Alguém já se esqueceu que daqui a 5 meses haverá ou não a recondução da Joana Marques Vidal à Procuradoria Geral da República? Não me surpreenderia em nada ver a PGR que tem travado um combate acérrimo à alta corrupção que massacra o nosso país, sair agora do filme, colocando lá mais um amigo do Costa, do PS e da dita oligarquia, que pouco a pouco começa a arquivar processos “por falta de provas concretas” e pouco a pouco devolvem o Mecanismo ao seu antigo esplendor.
  5. Salgado volta para casa descansado e Sócrates vê o processo contra ele perder força, livrando o mesmo eventualmente de qualquer condenação. Afinal ele já foi julgado na praça pública, já poderá reunir um movimento independente e lá se candidata a Presidente da República porque este sujeito ainda tem muita gente que o apoie (fala alto da qualidade de pessoas que por aí andam) e tal como Lula, não tem vergonha na cara.

Eu espero bem que esteja enganado e que de facto os nossos políticos sejam tão incompetentes como demonstram ser. Só que esta malta acham-se um máximo e deliram com as jogadas políticas dos protagonistas do House of Cards. 

Eles vivem apenas para isto, eles jogam para o poder e para manter o poder. Menos poder é a morte destes artistas. Farão de tudo para continuar a cavar o seu legado às custas dos portugueses que assistem impavidamente a este circo.

Desengane-se quem acha que isto é apenas mais um episódio nesta telenovela rasca que temos presenciado. Esta malta partilhou demasiado tempo juntos e planearam demasiada coisa ao longo de décadas para ninguém saber nada, para estarem todos surpreendidos com as acusações. Isto infelizmente tem tudo um fio condutor e jamais será condenado à prisão um ex-banqueiro do regime e um ex-primeiro ministro. O António Costa não deixará que a oligarquia que tanto fez para o eleger fique mal.

Demasiada gente enriqueceu graças a um mecanismo que foi já existia antes do 25 de Abril e que foi apenas re-montado após a revolução de 1974. Sócrates e Salgado foram apenas mais uns que foram descobertos, mas se formos até ao fim deste processo todo, não creio ter-mos cadeias suficientes para albergar todos os participantes desta teia de interesses. É demasiada gente e tal como na termodinâmica, o dinheiro não se destrói, apenas transfere de mãos. E já viram quanto dinheiro foi ao longo de décadas?

Sinto que nos têm andado a entreter com isto tudo para parecer que até têm feito algo para trazer nem que fosse uma sombra de legitimidade a uma república que com a sua democracia não-representativa e a sua justiça inerte, está hoje cada vez mais poder.

Isto tudo parece uma muito má teoria da conspiração, mas infelizmente, parece-me cada vez mais ser o destino de Portugal: eles comem tudo e não deixam nada, e nós deixamos, porque sim.

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As gravações dos depoimentos de Sócrates são ilegais?

Terá sido corretamente pesado o equilíbrio entre o interesse público e o direito da reserva de imagem dos arguidos?

Muito se tem falado nos últimos dias sobre a legalidade dos registos gravados em vídeo e áudio dos interrogatórios dos arguidos e dos depoimentos das testemunhas alegadamente envolvidos na “Operação Marquês”. A primeira interrogação que se coloca é se tais gravações são permitidas por lei. Desde 2013 que, em face da alteração do Código de Processo Penal, os interrogatórios dos arguidos prestados na fase de investigação deverão ficar registados, em regra, em áudio ou audiovisual.

O objetivo desta alteração legislativa prendeu-se com o facto dos interrogatórios feitos por um juiz ou um procurador ao arguido acompanhado pelo seu advogado, poderem ser usados na fase de julgamento, evitando assim a repetição dos mesmos e tornando a justiça mais célere. Com esta norma é possível conferir mais direitos aos arguidos, propiciando-lhes prestar declarações num ambiente menos intimidatório, com menos hipóteses de “suspeição” relativamente à forma como são conduzidas as diligências de prova, e possibilitando ao tribunal assentar a sua convicção num depoimento gravado que é sempre mais completo e menos imperfeito do que um auto redigido.

Sabendo que as gravações são permitidas por lei, em que condições deverão ser tornadas públicas? A transmissão destas imagens deve ser sempre autorizada pelo tribunal com o consentimento do arguido. Este consentimento visa assegurar, para além da proteção da reserva da imagem do visado, os mais elementares direitos de defesa do arguido que ficam, necessariamente, fragilizados em face da exposição a que é sujeito e da censura pública de que será alvo. Aliás, caso não haja o devido cuidado no tratamento destes casos por parte dos tribunais, podemos correr o risco de os próprios arguidos hesitarem em prestar declarações e isso prejudicar a produção de prova, comprometendo o esclarecimento da verdade.

A terceira interrogação que se põe é se houve interesse público suficientemente relevante para legitimar a transmissão das imagens pelas estações de televisão. O interesse público da reportagem é indiscutível não só porque se trata de transmitir, entre outros, o depoimento de um ex-primeiro-ministro que alegadamente terá cometido ilícitos criminais no exercício das suas funções, como o que estão em causa são questões de relevância nacional.

Mas terá sido corretamente pesado o equilíbrio entre esse interesse público e o direito da reserva de imagem dos arguidos? Aqui há que distinguir o arguido José Sócrates dos restantes. No caso do ex-primeiro-ministro, que sempre utilizou os meios de comunicação social para expressar as suas posições de defesa, a reserva da sua imagem assume uma dimensão diferente da de outros inquiridos que não apareceram nos media e, nessa medida, é mais defensável afirmar, no caso dele, que esse equilíbrio existiu.

Perante estes factos cumpre agora ao Ministério Público, que já abriu o inquérito, investigar a divulgação dos interrogatórios, considerando que relativamente aos arguidos que não consentiram, a divulgação das suas declarações “está proibida” por lei.

Pedro Borges de Lemos

O autor escreve com a nova ortografia por preferência. Texto inicialmente publicado no Jornal Económico

Luís Filipe Viera, Pinto da Costa, Bruno de Carvalho e o Futebol Português

Não é só na actividade política que temos personagens menos recomendáveis, sejamos leves na abordagem, no futebol Português, nada que o comum mortal já não saiba, temos outro tipo de personagens bastante… Sui generis. Todos os três Presidentes dos chamados três grandes do futebol Português SL Benfica, FC Porto e Sporting Clube de Portugal, tem passados encobertos, estranhos, medonhos, na gíria popular efectivamente chama-se “Rataria”, não vamos por aí, os ratos não fizeram mal a ninguém, mas estes três homens são isso mesmo, sorrateiros, sabem da poda, conhecem os bastidores, tem jogo de cintura e conseguiram chegar a um lugar que parecem quase que… inimputáveis, vamos por partes.

Luis Filipe Vieira foi preso nos anos 90 por roubar um camião, sim, Vieira roubou um camião. Vieira começou numa pequena empresa de pneus, tinha jeito, tinha língua, sabia abordar a pessoa para comprar, tinha efectivamente jeito para arte do negócio, cresceu, tornou-se o “Imperador dos Pneus”, mas não eram pneus quaisquer, eram pneus “brancos”, o Senhor dos Pneus Brancos, percebem? Viera quando começou a meter-se no mundo futebolístico começou a ficar amicíssimo de Pinto da Costa, era sócio do Porto, mas também do Benfica mas também do Sporting…. Ora, sócio de três clubes ao mesmo tempo, há pessoas que acham normal, passemos para bingo.

Enquanto empresário da construção e Presidente do Benfica, dizem que os dois não se podem confundir, mas confundem-se, Vieira quer queira quer não é Presidente de uma Instituição que tem influência em perto de 6 milhões de almas em Portugal, um Clube com poder formal, pelos títulos que ganha, quer informal, pelo poder popular que tem, assim se geram contactos, normal, patrocínios, e toda uma estrutura em volta de um clube que tem impacto económico, também é uma empresa, Vieira também se aproveita do facto de ser Presidente do Benfica e ser empresário de outro ramo, é impossível pedir ao Homem que seja corrupto quando tem a fonte de contactos que tem.

Pinto da Costa tem valor incontestável enquanto dirigente desportivo, tem defeitos talvez na forma enquanto abordou as relações Porto-Lisboa, colocando o Porto sempre num patamar acima para usar enquanto escudo de protecção e fonte de energia e “raiva” para a sua equipa. É um Homem polémico, mas igualmente como Vieira, alguém não recomendável. No caso “Apito Dourado”, Pinto da Costa só não foi preso devido a uma condicionante na altura, não se podia usar escutas, e efectivamente havia escutas sobre o caso, com o Presidente a oferecer “fruta” e “café com leite” a árbitros, não se podia usar, Pinto salvou-se, mas o seu poder diminuiu e Vieira começou a ascender nas “estruturas” do futebol Português.

Bruno de Carvalho, talvez é dos três o mais “hernesto”, faliu várias empresas antes de chegar a Presidente do Sporting, não tem um passado profissional produtivo. Enquanto adepto e sócio parece que é dos mais activos, não se pode duvidar disso, na cadeira de Presidente o clube aproximou-se realmente dos seus rivais e Bruno conseguiu que respeitassem o Sporting quer financeiramente quer desportivamente. Tem um feitio para o bem e para o mal algo errático, por um lado a presença de “croquetes” no clube e o combate a esses mesmos croquetes é um combate assertivo, é politicamente incorrecto, importante no ambiente amorfo em que estamos, mas muitas vezes malcriado na forma como ataca, ser politicamente incorrecto não é ser malcriado, é falar a questão na forma verdadeira que esta devia ser efectivamente falada.

No fim, parece que estamos armadilhados, levamos com o circo de políticos de cartilha, mas no que é um hobby, um passatempo, que é o desporto e logo com o impacto que tem  em Portugal apaixona milhões, devíamos ter respeito institucional entre Presidentes para que o produto que se vende nas quatro linhas se potencie quer fora dela, mas esse é o problema, fora delas, três clubes que detém o monopólio da indecência, que não se dão ao respeito, não promovem um futebol em que todos podem crescer, armadilham os mais pequenos para que seja tudo um passeio.

O que é a estrutura de receitas dos clubes mais pequenos, os patrocínios e receitas de televisão são preponderantes, não se pode contar com as receitas de bilheteira, as assistências são baixíssimas em quase todos os jogos à excepção dos jogos dos “grandes” com os “pequenos”. Se estes três quisessem um campeonato mais competitivo, o modelo de distribuição de receitas de televisão de centralização, aquela que beneficiaria os clubes menores, não foi adoptada, mas sim o modelo de negociação individual, onde os três grandes tem força, e os outros não, não tem o volume de adeptos e poder que os outros três tem. Foi uma jogada de mestre para os manter a pão e água e continuarmos no quintal.

O futuro, pelo que parece, até na minha óptica é o mais viável, é a compra dos clubes portugueses por capital estrangeiro, pelo menos os mais pequenos.

No fundo no fundo, o futebol português é uma farsa, a política portuguesa é uma farsa. Um País onde todos se batem ninguém tem razão.

Mauro Oliveira Pires

A Europa a uma velocidade

O meu artigo no Jornal Económico.

Enquanto não se derem como sagrados os valores da democracia, da soberania e da cidadania não conseguiremos evoluir na Europa para um modelo moderno e funcional.

A solução da atual crise da União Europeia e da Zona Euro passará pelo reforço do nível de integração dos países membros. O peso da criação da riqueza na Europa é cada vez mais reduzido à escala mundial e economias como as dos EUA e da China continuam a tomar a dianteira das economias europeias.

A Europa precisa, com urgência, de criar condições para ser uma potência económica e monetária. Daí que nós, europeus, tenhamos de nos unir e criar uma cultura estratégica comum para voltar a dar credibilidade ao projeto de Monnet. É imperioso vendermo-nos melhor e sermos mais proativos num mundo que é global. Não podemos é perder de vista a lógica dos Estados soberanos, avessa ao sistema federalizado progressivamente mais tendencial.

O combate aos choques assimétricos e a solidariedade com as nações mais desfavorecidas da UE poderão concretizar-se nas ajudas obtidas através das receitas oriundas do incremento de uma taxa uniformizada sobre as transações financeiras dos respetivos países membros. Também a aplicação de uma maior carga fiscal sobre as gigantes tecnológicas e sobre as empresas mais nocivas ao ambiente, seria uma solução garantida de eficácia económica. A harmonização das taxas tributárias aplicadas às empresas permitiria abolir a competição fiscal e promover um maior equilíbrio entre os vários Estados membros.

Mas são, agora, as políticas de Defesa e Segurança que continuam a fragilizar a posição da Europa no mundo. Enquanto não houver um sistema comum de Defesa e Segurança, os atentados terroristas continuarão a lograr êxito. É também urgente a reforma da lei de asilo com vista à sua unicidade e uniformização para evitar que, no tema dos refugiados, países como a Hungria, Polónia e República Checa deem exemplos pouco dignificantes e em nada abonatórios da tradição humanista do pós-guerra.

Os desafios sucedem-se e vivemos tempos de fortes mudanças na Europa e no mundo. A concentração do poder no diretório das potências europeias em que a Alemanha é o expoente máximo, tem promovido as tendências federalistas, o ataque soez às soberanias nacionais e o neoliberalismo como corrente económica dominante, que tem comprometido regimes e ideologias. Vivemos hoje uma crise dos sistemas de representação política agravada por problemas sociais, suscetíveis de lhes criar contradições e fissuras insanáveis.

Enquanto não se derem como sagrados os valores da democracia, da soberania e da cidadania não conseguiremos evoluir na Europa para um modelo moderno e funcional, onde cada nação é respeitada na sua individualidade, num registo de saudável cooperação e solidariedade institucionais

Pedro Borges de Lemos, Advogado. Militante do CDS-PP.

O autor escreve segundo o Acordo Ortográfico.

Cada membro do PortugalGate tem a sua opinião relativamente a um tema, somos plurais.

Os Filhos de Ninguém

Compreendo a tristeza dos casais que querem ter filhos e não podem. Compreendo a dor das mulheres desprovidas de útero que jamais poderão conceber. Não compreendo que se meta no mesmo saco, casais homossexuais ou pessoas solteiras e se crie legislação que os permita procriar tolerando que a criança cresça sem DIREITO à figura materna ou paterna tão fundamental ao seu crescimento.

Estamos a criar a geração dos filhos de ninguém. Os fins justificam os meios numa sociedade cada vez mais egoísta. Chamam a isso evolução. Mas na verdade é a desumanização em curso. É a degradação acelerada de valores que gerações futuras terão de pagar a  um preço muito alto. Dizem que é para acabar com a discriminação. Dizem que é uma luta por igualdade de direitos. E os direitos da criança onde ficam nisto tudo? Que igualdade vem a ser esta?

Alguém já questionou as crianças que são objecto dessas experiências? Alguém já se preocupou em saber o que pensam elas destas decisões onde não são tidas nem achadas? Claro que não. Nada pode pôr em causa o desejo egoísta dos adultos LGBT e feministas.

Só mesmo quem não passou pela experiência de ser pai ou mãe NÃO SABE da importância que ambos têm no crescimento equilibrado e saudável dos seus filhos. NENHUM consegue substituir o outro porque ambos complementam a sua formação enquanto indivíduo. As meninas agarram-se à figura paterna na infância onde o pai é seu herói, seu porto de abrigo para depois na adolescência o “substituírem” pela mãe que passa a ser a figura com a qual se identificam e que procuram sempre que são assoladas por dúvidas ou se metem em problemas. Pelo contrário os meninos na primeira fase da vida são todos “da mamã” para depois já pré-adolescentes procurarem  identificar-se com o pai, seu modelo de homem, sua referência, seu conselheiro. A NATUREZA comanda. Não vale a pena inventar ideologias para aliviar as consciências gays. Não funciona assim.

Num testemunho emocionado (veja aqui), Millie Fontana com 23 anos, criada com duas lésbicas, explica a crueldade a que foi submetida por egoísmo dos adultos. O quão violento foi crescer ao ser-lhe negado a existência de um pai. O quanto a afectou ter pais AMBOS mulheres. O medo de dizer o que sentia por receio de lhe chamarem homofóbica. Apesar do amor com que foi criada, o facto de ter sido privada da figura paterna, deixou-lhe marcas. Alguém se rala com este tema? Alguém já investigou as consequências da Procriação Medicamente Assistida  junto destas crianças? Claro que não. Não é politicamente correcto.

A adopção deveria ser a ÚNICA possibilidade, por uma razão muito simples: a criança institucionalizada não tem absolutamente nada. Vive desprovida de afectos, de um lar. Ora, viver com pais do mesmo sexo não a vai perturbar mais do que viver sozinha num completo abandono. Sem no entanto lhe negar qualquer possibilidade de conhecer seus pais biológicos (deveria ser proibido não lhe facultar esse direito) e até poder conviver com os mesmos, esta adopção é positiva e é louvável. Pelo contrário aqueles que nascem da PMA , nascem da mentira. E isso é eticamente muito errado e profundamente perturbador no seu crescimento.

Porque há uma agenda LGBT e feminista para cumprirrouba-se uma geração no seu direito a ter uma família tradicional porque agora defender o tradicional é discriminatório. Mutila-se a criança no seu direito à igualdade menosprezando por completo os sentimentos dela. Depois incute-se o sentimento de culpa que as impede de dizer o que sentem, que as castram do direito de dizer que não estão bem porque se o fizeram serão homofóbicas. Mais, também não poderão queixar-se dos pais gays porque ao fazê-lo alguém lhes lembrará que isso é… descriminação. E neste ciclo vicioso crescerão revoltadas entregues a um silencio doloroso que não sabemos ainda como terminará porque nem sequer queremos ver reconhecido que existe este problema. 

E todos que tiverem a coragem de abordar o  tema serão  classificados de homofóbicos por defenderem os direitos dos filhos de ninguém. Como é o meu caso.

Isto faz sentido?

via Os Filhos de Ninguém — BLASFÉMIAS

Cristina Miranda

Tomar os portugueses por estúpidos

Texto lido :

https://www.youtube.com/watch?v=FPvjWM_aYJI&feature=youtu.be

 

Somos mesmo governados por cómicos, olhem o que foi publicado dia 1 de Junho de 2017 :

« Das alterações introduzidas em 2012, resultou uma redução de 10 % no montante diário do subsídio de desemprego, após seis meses de concessão. Esta redução opera independentemente do montante de subsídio de desemprego concedido. Tratando-se de uma prestação essencial para aqueles que se encontram em situação de perda involuntária de rendimentos do trabalho, afigura-se necessário introduzir nesta medida limites que assegurem o mínimo de subsistência. Neste sentido, introduz-se um travão a esta redução no valor do indexante de apoios sociais (IAS), enquanto referencial determinante na fixação e atualização das prestações de segurança social. Assim, a redução de 10 % no montante diário do subsídio de desemprego opera quando o seu montante mensal é de valor superior ao valor do IAS, mas desta redução não poderá resultar a atribuição de um montante mensal de valor inferior àquele indexante. »
Se forem ler a tal lei de 2012 descobrirão isto:

« Artigo 29.º […] 1 – O montante mensal do subsídio de desemprego não pode ser superior a duas vezes e meia o valor do indexante dos apoios sociais (IAS) nem inferior ao valor desse indexante, sem prejuízo do disposto nos números seguintes. »

Fontes :
https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/107114288/details/normal?l=1

https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/553468/details/normal?q=+Decreto-Lei+n.%C2%BA%2064%2F2012

 

O Que Eles Querem é Governar Uma Terra Queimada

Hoje, neste mesmo blog, o Gaspar Macedo veio tocar num tema que à data tem sido ignorado, para nosso mal comum, mas ainda bem que o fez, porque acabou por inspirar esta minha contribuição de hoje.

No meio desta barbaridade toda que temos presenciado, especificamente em Londres, confesso que as respostas das autoridades e as medidas que têm sido apresentadas por quem nos “representa” faz bola para nos proteger; no entanto, faz muito proteger a classe a que eles pertencem, sejam as suas carreiras políticas, seja o seu património e dos seus amigos.

A verdade é que a única coisa que tem travado o terrorismo na Europa deve-se a uma intensificação do trabalho policial, de coordenação internacional neste meio e de investigação astuta e eficaz cujas melhorias já tem rendido resultados bastante positivos. Fora isso, os nossos queridos representantes tem feito pouco ou nada para travar está maré de terror que ameaça instalar-se nas nossa vidas.

Mas voltando ao artigo do Gaspar, houve uma frase que me ficou na cabeça: “Comecem por proteger o povo desprotegido e desproteger os políticos superprotegidos.”

E aqui está uma questão crítica que entretanto se perdeu no meio do mediatismo. Não se iludam: tudo o que acontece serve para nos manter focados em tudo menos neles e não vale a pena estar aqui a criar uma lista longa pois vocês sabem perfeitamente de quem falamos, mas é óbvio e está na cara que não se está a fazer nada com base, estrutura e objectivos palpáveis para travar a barbárie do terrorismo na Europa. Todas as soluções são de curto prazo, caras, e más, pois não resolvem nada na origem e não fazem nada a médio-longo prazo, pois primeiro pensa-se nas eleições, o resto que se lixe.

No entanto, temos que ser testemunhos à correria para ver quem é que condena o ataque primeiro no Twitter, quantos líderes mundiais marcham contra o terror, e já está, somos fortes, não nos vencerão. E é esta a imagem que nos é transmitida, a mensagem que nos passam: não precisamos de fazer nada, apenas devemos manter a calma e continuar serenos.

Ora aí está mesmo o problema. Porque não devíamos estar nem calmos nem serenos. Tanto isto como com a apresentação de contas e respostas a TODAS as nossas questões (ainda não percebo como é que um governante tem o desplante de RECUSAR às questões colocadas na Assembleia da República), temos que exigir TODOS OS DIAS que sirvam o maior interesse nacional e Europeu, ou seja, os cidadãos Europeus, seja qual for a raça, religião ou estilo de cabelo, eles estão de serviço, são nossos representantes, devem salvaguardar todos os nossos interesses (e não apenas de alguns) e fazer o seu trabalho. Não o estão a fazer, andam a viver às nossas custas e ainda gozam na nossa cara a dizer que está tudo bem.

E é aqui que entro em divergência com algumas vozes. O ser humano tem uma necessidade de compreender todo o horror reduzindo-o a questões de preto e branco, esquerda e direita, nós contra eles. Mas a realidade é outra, e como sabemos, tudo, mas TUDO é bem mais complexo que isso. Nenhum de nós pode ser definido com uma só categoria e andar a proferir que o problema disto tudo é X ou Y e gritar isso até à exaustão, é redutor e só contribui para a continuação do problema, alias, o excesso de simplificação deste problema do terrorismo, só ajuda o recrutamento do Daesh. Tal como a história do mundo ocidental não é simples, e toda a barbaridade que já cometemos não é reduzível apenas à religião, também temos que ser mais frios nesta analise, porque incrivelmente, o inimigo principal não está numa cave a planear, mas sim nos corredores do poder, a gozar do nosso pânico pleno.

Para ser claro: acuso os nossos governantes de serem responsáveis pelas mortes de cada atentado terrorista. Seja o Al Qaeda, Daesh, IRA, ETA, seja quem for, há responsabilidades que devem ser apuradas, e não somos nós que não estamos a topar a mensagem. Nós ouvimos claramente a mensagem, é aberrante e é contra tudo o que somos como sociedade plural e liberal, e é claro que mexe connosco (acho que move com qualquer pessoa) ver tanta dor e tanto sofrimento por parte dos familiares e dos sobreviventes das bestas que por ai andam.

Agora, temos que ir mais alem e reconhecer que existem responsabilidades, que não há uma acção sem uma reacção, e que enquanto não levantar-mos a nossa voz e exigir o que nos é devido, sem sacrificar direitos civis, não iremos tolerar tanta incompetência institucional.

Vivemos um momento grave existencial que é alimentado por uma tempestade perfeita de crises sociais, políticas, financeiras e económicas, e garanto-vos que é de extrema conveniência para quem nos governa que andemos minados de exaustão e medo.

Nenhum de nós pode aceitar isto, nenhum de nós pode aceitar não sentir segurança nas nossas comunidades, nos nossos países, e para isso necessitamos de ter respostas uniformes e concertadas contra estas ameaças. Só que para isso é necessário tomar atitudes, atitudes que podem ser contrárias aos interesses do poder instalado.

É necessário reconhecer que o terrorismo é financiado principalmente pelo petróleo. É através do petróleo vendido no mercado negro que o Daesh encontra o seu financiamento, petróleo que por sua vez é-nos vendido pelos países árabes. Para além disso, compramos petróleo à Arábia Saudita que notoriamente financia mesquitas Wahabistas, que pregam a versão mais intolerante e retrograda do Islão, que não acolhem um único refugiado, e por cima disso, ainda lhes vendemos armamento aos magotes.

Enquanto andar-mos a chuchar activamente nesta teta de ouro negro, eles continuarão a vender-nos por um lado, e a financiar ataques por outro. E isto não é uma questão de religião, é a maneira deles de destruir a União Europeia, da mesma maneira que a Russia também não perde uma oportunidade de enfraquecer um dos blocos económicos liberais mais importantes do planeta.

Mas veja-se que os nossos líderes, quando enfrentados com estas situações difíceis, fingem ser uns sonsos de primeira, brincam à alta política internacional e mesmo aonde tem havido o maior número de vítimas, andam aos beijinhos e abraços com quem detém responsabilidade pela ideologia. Deixem de comprar petróleo e vão ver o quão rápido a conversa muda.

O que é verdade é que pouco a pouco, por causa do “combate ao terrorismo” vemos as nossas liberdades a desaparecerem. Metadados agora podem ser consultados em “casos de terrorismo”, a resposta da Theresa May ao ataque é que deve-se regular a Internet, e qualquer dia, fazemos como aconteceu nos EUA, com a suspensão de habeas corpus, a implantação de um Patriot Act e de uma NSA capaz de entrar em todos os nossos computadores sem qualquer razão.

Se somos liberais, não podemos ficar só pelas questões económica-financeiras, ou resumir os nossos discursos a gritos que reduzem o tema a algo familiar, o nós contra eles, para arrecadar likes pois temos este hábito teimoso e preguiçoso de procurar uma resposta simples para questões complicadas.

Devemos ter foco: o poder económico e político tem vindo a concentrar-se num número cada vez mais reduzido de pessoas. Abandonamos uma aristocracia no passado para substituí-la com uma “elite”. O exercício do poder e do controlo das massas tem séculos de experiência, e até com a democracia temos uma ilusão de participação, que embora possa atenuar a corrupção que o poder traz, não a elimina.

A única coisa que trava a corrupção e a usurpação do poder pelos poucos às custas dos muitos é a nossa constante e atente vigilância. E hoje em dia temos cada vez mais ferramentas que permitem isso mesmo: a ascendência da Internet, uma geração nascida e criada em liberdade, que conhecem fronteiras e línguas para além das suas, tecnologia que fariam os nossos antepassados há 100 anos achar que era magia. Temos o know-how e a capacidade técnica de controlar, de fiscalizar e de exigir mais de quem nos governa, de quem é pago para nos proteger, de reduzir este cancro mortal que é uma elite corrupta e uma política inerte política que por cá nos reina. Mas isso requer uma reviravolta cultural para não “confiar nos nossos representantes” e andar em cima deles como o patrão que somos. Não admitiria-mos um funcionário a dormir no trabalho, então porque é que admitimos que o façam connosco, e ainda a desperdiçar o dinheiro que contribuímos que nos sai da pele?

Não sei como, mas a verdade é esta, a participação do eleitorado em TODAS as áreas é a única coisa que poderá travar este flagelo pois é nestas alturas de medo e de terror que o exercício anti-democrático floresce. Esta na história. Foi feito nos anos 30, foi feitos em inúmeras circunstancias porque a dita elite não tolera não estar no poder.

A nossa liberdade não é garantida, e não é algo que desapareça assim de um dia para o outro. Pouco a pouco eles vão tentar retirar-nos aquilo que lutamos para obter durante séculos. E sabem porque? Porque a era do político está a acabar, a era partidária está a falecer. O fim chegou para este espectro político-partidário porque já chegamos à conclusão que a grande maioria deles anda a gozar com a nossa cara, e pior, andam todos num constante conluio contra o contribuinte, seja através de contratos com uma Octopharma, sejam rendas de EDP, sejam vistos gold, sejam negócios ruinosos de património público, seja a gestão vergonhosa do nosso capital humano, seja o que for. Recuso-me a acreditar que são todos uns incompetentes desgraçados e que este saque milenar não é algo propositado. É uma questão de perceber a história, e de não ficar preso aos ciclos mediáticos, acordar e reagir, escrever e telefonar e exigir que actuem. O principal interesse do governante devemos ser nós, ao contrário do que muitos deles acham que é o EU. Por isso, a função de político de carreira deve deixar de existir, porque confesso que hoje em dia sou capaz de confiar na Siri para tratar dos meus impostos mais do que o Fisco.

Há uma guerra sim senhor, mas os inimigos não é só o Daesh, ou os seus financiadores bilionários Wahabistas da Arábia Saudita, ou os conservadores evangélicos dos EUA que querem sonham com uma Eretz Yisrael para que o Messias possa finalmente voltar à terra.

Como o Gaspar disse e bem, a religião deve servir para unir, especificamente unir contra o mal. E o facto é que quem tem maior responsabilidade em proteger-nos do mal, não o está a fazer e creio que, honestamente, não o quer fazer.

Não nos protegem do terrorismo, pois fazem negócios bilionários com quem os financia, não nos protegem da corrupção pois são os principais interessados na sua continuidade, não nos protegem de nós mesmos, porque a eles não lhes interessa NADA que estejamos unidos.

A união é a força, e a última coisa que querem é uma humanidade unida e com objectivos concretos: a paz, a liberdade e prosperidade. Uma humanidade unida, em paz, prospera e livre, é ingovernável, logo, eles deixariam de ser desnecessários.

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“Para saber quem te governa, simplesmente procura quem não podes criticar.” – Voltaire

Portugal com Vida Suspensa à Beira de uma Paragem Cardíaca

Na minha última publicação falei de uma das graves falhas na comunicação social, o fetiche pelo ciclo de indignação-esquecimento. Hoje achei que deveria promover um tipo de jornalismo que não é suficientemente valorizado dado que não é mediático, é mais cerebral, requer trabalho. Existem investigações de grande qualidade feitas por programas como o Sexta às 9 da RTP, os vários trabalhos das Vidas Suspensas ou o Acha Que Conhece o Seu País? da SIC ou como outro exemplo, o último Repórter TVI sobre as Contaminações dos terrenos do Parque das Nações. Entre estas, por vezes também somos expostos a investigações titânicas por parte da SIC que demonstram pequenos exemplos das redes de corrupção e o alcance da podridão que corrói a sociedade portuguesa, como na queda do BES, a operação Marquês, o BPN, BANIF, etc etc.

Este tipo de reportagens não são inconsequentes, alias, necessitamos de um ressurgimento deste tipo de trabalho. Acho que merecemos, acho que precisamos e com muita, mas muita urgência.

Chegamos a uma era em que a transparência é cada vez mais nítida e a informação cada vez menos concentrada nas mãos da auto-intitulada elite. Essa transparência e esse acesso à informação são os principais inimigos de quem se enriquece às nossas custas e de quem faz de nós uns verdadeiros otários dia após dia.

Todas as sextas-feiras fico de boca aberta com a falta de rigor, profissionalismo e qualquer ausência de responsabilização por parte das entidades que sistematicamente desfazem famílias e lançam o caos perante os portugueses. O Sexta às 9 tem feito um trabalho exímio em reportar algumas grandes falhas do nosso sistema, e em alguns casos levaram a consequências e a pequenas reformas. Merecem o reconhecimento disto, mas infelizmente, ainda não é o suficiente.

Ao ver qualquer daquelas reportagens, seja na RTP, SIC ou TVI, chegamos à conclusão que não podemos confiar em quem está em posições de poder. Vivemos num país com mais de 600 mil funcionários públicos, uns com mais poder que outros, mas todos invariavelmente com o poder suficiente para afectar profundamente as vidas de cada um dos milhões de portugueses que vivem dentro e fora de Portugal. Se viver à margem da responsabilização e da supervisão não fosse o suficiente, ainda temos o resto da sociedade para enfrentar, o que me dá a distinta ideia que vivemos de facto num país muito perigoso. Um poder governativo sem supervisão e uma sociedade à viver à margem da lei não são bons ingredientes para garantir “a paz social”.

Podemos não ser alvo das ondas terroristas e xenófobas que esbarram pelo mundo fora, muito devido à nossa ausência de aventuras militares em países que não nos dizem nada e também devido à nossa história e cultura que tendencialmente é aberta a novas ideias e novos horizontes.

Podemos não correr estes riscos mais iminentes e podemos não sofrer destas ameaças à nossa democracia e liberdade, mas corremos perigo, disso garanto-vos.

Neste momento somos governados num ambiente em que nos é encafuado goela abaixo, que nem uns belos patos para fazer foie grás, que nada de mal se passa, tudo é fantástico, e tudo corre bem.

Vivemos bem para além do país das maravilhas e completamente alheios à realidade que suspende as vidas de milhares de portugueses todos os dias. Ignora-se o que é de facto sério para dar foco sem fim à política macroeconómica do país. Baixamos uma percentagem no défice, aumentamos outra no crescimento trimestral, mexe uma vírgula aqui, outra ali.

Passamos noticiários inteiros e programas de “debate” político a “comentar” quem é que tem o mérito da boa nova, porque assim quiçá o plebeu poderá aumentar, um poucochinho, a confiança neste ou naquele grupo de palhaços a orquestrar o próximo ato do circo que são as sessões parlamentares.

Distraem-nos com debates sem fim, sobre a grande obra e a grande luta que combatem, para ajudar os pobres, para combater a precariedade, para lutar contra o grande capital, para ir buscar o dinheiro a quem acumula e a quem foge à tributação. Gritam e batem o pé, e embora não façam assim grande coisa que se veja, ainda se congratulam com tudo o que é de bom. Seja o tetracampeonato do Benfica, seja o centenário de Fátima, seja o Salvador e a conquista daquela “coisa” como o próprio Sobral chamou o troféu da Eurovisão, tudo mas TUDO o que seja de positivo é de obra e mérito única e exclusivamente deles. E aí de vocês se não agradecerem todos os dias ao pai, ao filho, ao espírito santo e à sagrada geringonça por terem comida no prato. Ou neste caso, a engorda que nos eventualmente levará a um fígado bem gordo, pronto para a sua colheita.

Ontem nas Vidas Suspensas da SIC apresentaram uma história, que como todas as outras, me deixou a perguntar, mas que raio é que se passa aqui?

Resumidamente, contaram a história de um senhor que trabalhou a vida toda para construir a sua vida (como muitos), que no próprio dia em que a empresa informou os seus trabalhadores que teriam que trabalhar todos até uma hora mais tarde do que o programado, ele teve o desplante de informar que não poderia fazê-lo pois já tinha compromissos marcados que não podia falhar.

A empresa decidiu retaliar, retirando-lhe horas de trabalho extra, decidindo não pagar o trabalho de feriados e dos tempos extraordinários, e este senhor, mais uma vez, teve a audácia de se queixar ao tribunal do trabalho. Ora a empresa quando descobre, abre processo interno contra o senhor, inventa umas justificações fictícias para o por na rua, despedindo o mesmo, dizem eles, por justa causa.

O senhor no desemprego recorre à justiça que entretanto não lhe atribui advogado. Senhor perde o carro, a casa, a mulher e a família. Pede a múltiplos advogados para o representar, e teve a má sorte em quem aceitou representar, que o faz mal e porcamente. São indicadas 4 testemunhas para falar em defesa dele, só foram convocados 2 no dia antes do julgamento.

As testemunhas da empresa mentem em tribunal, e os dois colegas que tiveram o desplante de falar em defesa do seu colega eventualmente também saíram da empresa por “incompatibilidades”. O senhor tenta interpor recursos mas o advogado diz que não tem tempo pois esbardalhou-se pelas escadas abaixo, que se encontra em recuperação e não pode tratar do assunto. Ora o senhor estando no desemprego vê esse mesmo advogado fino que nem um figo nesse mesmo dia. Enfim. Está neste momento de vida suspensa pois a nossa sempre célere justiça trata estes casos, como tantos outros com a urgência que merece: ou seja, para eles, nenhuma.

E ficamos ali, a pensar que de facto, é mesmo assim. Que vivemos num país em que se te atreves a abrir a boca, a contestar o que for, a reclamar direitos ou no mínimo dos mínimos, dizer que não, então é bom que tenhas uma artilharia de cunhas, connects e amigos que possam ajudar a enfrentar as consequências que vierem.

Uma pessoa diz à sua gestão, que não é competente o suficiente para anunciar as suas escalas de trabalho com antecedência, que não pode trabalhar essa hora extra, e tungas, três funcionários vão para a rua, efectivamente dando cabo de três famílias. É nisto que vivemos, não podemos levantar a cabeça porque não temos quem olhe por nós. 600 mil funcionários públicos que deveriam ter sentido de estado, que deveriam saber que estão lá para nos servir, para nos proteger, para ter em mentes os nossos melhores interesses, querem lá saber dos restantes milhões de portugueses que pagam o ordenado deles. Querem é saber dos seus salários, das suas férias, das suas reformas, dos seus aumentos, do seu crescimento, das suas horas de trabalho, dos seus direitos, etc. E temos a governar-nos quatro partidos que são peritos em proteger esse seu público alvo de 600 mil eleitores, com a sua máquina sindical pelo meio, e é por isso que eles têm direito a tolerância de pontes que não existem e o resto de nós não.

O perigo que existe aqui, é que enquanto uns governam a olhar para o seu umbigo, o resto do país anda a ser categoricamente e consistentemente fodido (tipicamente não uso palavrões mas não havia outra palavra que melhor descrevesse o que sinto). Mas como pintam o ar de cor de rosa, parece que afinal as coisas não andam assim tão mal.

As coisas andam mal, e olhem que eu sou um optimista! As coisas andam mal: perguntem só aos moradores do parque das nações que andam a respirar benzeno, ou às famílias vítimas de técnicas da segurança social que pertencem a esquemas para preencher os orfanatos com crianças retiradas ilegitimamente aos pais, ou aos milhões de portugueses que sofrem todos os dias perante a grossa incompetência de funcionários públicos que querem é ir picar o ponto para ir para casa antes do resto dos plebeu poder sair do trabalho, horas depois, e sem direito a ordenado extra.

O perigo é claro e gritante, e com cada trabalho de jornalismo destes que desmonta um esquema e demonstra a bandalhada que por cá governa e gere o estado, o mais nos aproximamos daquele momento em que um Mohamed Bouazizi (senhor que se auto-imolou e foi estopim dos protestos dos protestos na Tunísia) destas bandas se suicida às portas da Assembleia da República devido à ausência de um estado que sirva para governar para além dos seus clientes imediatos, ou seja, eles. Tenham cuidado, comecem a reformar, e rapidamente pois a coisa não irá correr bem. Reformem e ponham-se a mexer que não estamos assim muito longe daquele momento em que perdemos a cabeça. O povo português é pacato e consegue aguentar muito, mas aguentar muito mesmo. Mas após 40 anos de andarmos a ser enganados e esmiuçados de milhares e milhares de milhões de euros para financiar todo um quadro de bandidos de primeira, já o Thomas Jefferson dizia, que para manter a democracia, eram necessárias revoluções todas as gerações. A próxima revolução não necessitará de tanques e soldados na rua, mas garanto que muita gente irá para a cadeia, porque não admito que os Salgados da vida passem a vida em bem, mas se eu roubar um pão para alimentar a minha família vou preso e custar ainda mais aos contribuintes.

Eu recuso-me a pagar outro resgate. Isso garanto. E vocês?

O dia da Liberdade

 

No dia 25 de Abril Portugal festeja a Liberdade. Não festeja o fim do Estado Novo, não festeja o início do Estado socializante, não festeja os capitães que se revoltaram em parte por questões laborais.

Festejamos a liberdade de exprimir as mais abjectas expressões.

Festejamos a liberdade de nós reunir com às mais odiosas pessoas.

Festejamos a liberdade de escolher a nossa Educação por mais estapafúrdia que possa parecer e não de nós imporem uma, cara, de má qualidade e que maltrata os seus funcionários.

Festejamos a liberdade de escolher a nossa Saúde, o que vai do direito a levarmos uma vida desastrosa, a poder escolher mecanismos de seguro não impostos.

Festejamos a liberdade de empreender, comerciar, negociar, empregar, despedir, e não de nós dizer como nós organizarmos, nos obrigar a preencher a maior variedade de papelada e nos sobrecarregar com encargos cada vez mais pesados.

Festejamos a liberdade de solidariedade, do direito de contribuir ou não a instituições de ajuda, de excluir ou não quem reclama nosso apoio, e não de nós impor uma imensa oficina que abandona os mais carenciados às suas portas e distribui ninharias enquanto lhes impede de saírem da miséria por eles próprios.

Festejamos a liberdade de podermos tomar decisões sobre o que é nosso, ou seja naquilo em que investimos e que nos atinge de forma palpável, e não de escolher quem decida por nós, nos faz pagar a fatura quando a coisa corre mal e não distribui os proveitos.

Festejamos os corolários da liberdade, ou seja a responsabilidade e a reciprocidade, e não a licença de dar cabo de tudo em determinado quadro e penas desajustas com os danos.

Festejamos a liberdade que nós dá a paz, o pão, a saúde, a educação, a habitação, do povo poder decidir sobre aquilo que é dele, e não esperar que nos distribuem esses itens todos, que nunca ou mal virão, e que outros decidem por nós sob a forma de falsas coletividades.

Festejamos um Portugal que ainda não nasceu, um país moreno onde é o Indivíduo que mais ordena.

Não festejamos o regime actual por consequente.

Festejamos a Liberdade!

PS: gostaria agradecer ao Mauro Pires pela sua confiança ao deixar-me escrever no seu espaço, tenciono agora não o decepcionar!
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