Autor: saralbuquerque

É mais Fácil Defender a Morte do que Defender a Vida

Não concordo com o aborto ou com a eutanásia. Admito que já o tentei fazer na medida em que é demasiado sedutor e demasiado fácil defender estas situações. Quem não se quer livrar das consequências de uma noite mal ponderada? Quem não se quer livrar de dores e sofrimento cujo fim teima em não vir?

Todos nós aspiramos por uma vida de perfeição, por uma vida satisfatória, por uma vida que nos faça, pelo menos, um pouco feliz ou, para os pessimistas, por uma vida um pouco menos infeliz. O problema nesta nossa aspiração é que, infelizmente, não controlamos tudo o que se passa na nossa vida e isso assusta-nos. Assusta-nos ao ponto de desejarmos a morte, rápida e indolor para nós e para outros que possam, algum dia, passar por uma situação que a nós nos atormenta.

Portanto, a resposta para o medo é a morte. A resposta para a dor é a morte. A resposta para a incerteza é a morte. Porém, a morte é a única certeza que a vida nos dá.

É-me impossível defender tais acções pelo simples facto de as mesmas não passarem de homicídios. Vendo as coisas por todos os prismas possíveis, o acto não passa de homicídio. A morte de alguém provocada por outro. Argumentam que, no caso da eutanásia, isso não é bem assim porque o doente pede a outro que o mate e, logo, essa morte passa a ter toda a legitimidade sendo até algo piedoso e compassivo. Como se não bastasse, começa-se a vender a ideia de que, quem não aceitar aquiescer a este pedido, é uma pessoa imoral.

Este argumento continuou a não ser válido para mim pois não conseguiu justificar o homicídio, apenas passa graxa e lustro na acção, tentando pôr a coisa menos feia, provavelmente por considerarem necessária alguma atenuante de consciência.

Ora portanto, sendo isto homicídio, porque tais actos são tão defendidos? Porque se tenta vulgarizar tanto a morte, morte essa que é inevitável?

Não acredito que o foco seja a morte e a sua valorização, mas sim o inverso: a progressiva perda de importância da vida apoiada pelo asqueroso relativismo moral que hoje impera.

A vida foi diminuída ao ponto de apenas valer enquanto somos úteis, enquanto tivermos algum tipo de contributo para a sociedade, enquanto temos capacidade de ter algum tipo de satisfação ou prazer. A vida humana deixou de ser um valor absoluto e, como tal, tudo tem condições para ser ainda mais relativo.

Vejamos um argumento utilizado de quem defende o aborto: o embrião ou o feto ainda não é humano. O ser humano apenas é ser humano, com possibilidade de viver, quando a sociedade o determina conforme as suas conveniências. Como no caso dos doentes ou dos velhos que ficam doentes, o argumento de que eles deixaram de ser seres humanos não resulta, então que inventaram? Que a pessoa tem direito a morrer com dignidade. Isto significa, portanto, que qualquer pessoa que esteja entravada numa cama vive de forma indigna. A dignidade de alguém passou a ver-se pelo estado do corpo e não pelo seu carácter ou pelas suas acções.

Vergonhosamente, este nosso Portugal sofre o flagelo de abandono de idosos. Mais facilmente vemos indignados na praça pública por a eutanásia não ser despenalizada, mas nem um pio sobre os idosos abandonados. Quando os idosos dizem que não querem estar sozinhos, a sociedade não quer saber. Quando os idosos dizem que querem morrer, a sociedade junta-se para desligar a máquina.

O último recôndito dos defensores de homicídios assenta na liberdade da pessoa sofredora decidir como quer morrer. Se a pessoa quer morrer, é livre de se matar. Se a pessoa quer morrer e não o consegue fazer sozinha, não pode querer incutir esse tipo de acções noutras pessoas. Lamento, mas não há respostas felizes para todos os problemas da vida. O facto da pessoa o pedir, não justifica coisa nenhuma. Ao longo da nossa vida fazemos tudo aquilo que os outros pedem e desejam? Ou agora passamos a defender esta coisa em particular porque, de alguma forma, nos convém?

Como se tudo isto não fosse suficiente, todos nós sabemos que a vida sempre foi relativizada por regimes políticos ditatoriais. Acham que Hitler, Estaline ou Mao Tsé-Tung reconheciam algum valor à vida? Não. Reconheciam valor às vidas que eles queriam.

Se a vida é relativizada, tudo deixa de ter importância. As novas gerações irão nascer com a vida sem valor e a morte vulgarizada. Tudo isto não passa de uma guerra para dizimar os valores judaico-cristãos, baluartes da civilização ocidental, por muito que custe a todos os ateus que ganham urticária cerebral só de ouvir falar de cristianismo.

Acham mesmo que esta história da eutanásia ser só para doentes em estado terminal vai ficar só por aqui? Não. Tal como antes se falava do aborto, p.ex: em caso de perigo de vida para a mãe, hoje ele pode ser feito até às 10 semanas de gravidez. Portanto, a partir das 10 semanas e 1 dia, o tal bichinho tornou-se humano.

Onde devia existir a propagação do amor, do carinho e da dedicação, que é aquilo que doentes e pessoas fragilizadas precisam nos momentos mais difíceis da vida, a sociedade opta por banalizar a morte passando ela a ser a forma mais rápida e eficaz de resolver qualquer problema.

A civilização ocidental está a ser atacada por todos os lados: de fora, vêm para cá algumas pessoas que falam abertamente que a civilização ocidental é má, fonte de todos os males do mundo e que deve ser destruída. Acham que isso é mau? Não, o pior está cá dentro, com todas as vagas que existem de propaganda esquerdista, promiscua já com a direita, que renuncia por completo a tudo aquilo que nos fez chegar ao ponto civilizacional em que estamos: a família, o casamento, os valores morais judaico-cristãos, a tolerância (q.b. não me refiro à tolerância auto-genocida), o individualismo, a vida, a liberdade… e ainda fazemos propaganda igual à dos outros afirmando que somos todos maus e a fonte de todos os males do mundo.

Como tal, a nossa “auto-penitência” é matar bebés, velhinhos e doentes, aceitar quase pacificamente violações e atentados, achar que o judaísmo e o cristianismo são embrutecedores da sociedade, adorar os animais acima de todas as coisas e ter poucos filhos em prol do requintado estilo de vida materialista (a não ser que decidamos ter cães ou gatos em vez de seres humanos, neste caso a prol desta gente está garantida) o que nos faz ser ultrapassados demograficamente. Para quem é bom em matemática, mas limitado em demografia, será fácil perceber: se um ocidental tem em média 1 ou 2 filhos e imigrantes que apelam ao ódio do ocidente têm uma média superior, quem irá ter mais filhos daqui a uns anos e ser maioria na sociedade?

Tudo isto representa para mim uma coisa apenas: o progressivo fim da civilização ocidental que morrerá vítima da sua própria virtude em tudo aceitar relativizar, mas já nada valorizar. Com isto termino com o sentimento de que o relativismo moral assustar-me-á sempre muito mais do que a moral absoluta judaico-cristã.

Sara Albuquerque

 

O Bombardeamento Nuclear do Acordo do Irão

A preocupação da sociedade civil internacional sobre a saída dos EUA do Acordo do Irão relembra-me a mesma preocupação com a Coreia do Norte.

Ambas as situações são distintas e, até certo modo, incomparáveis. Mas não deixam de ser um antecedente para uma possível III Guerra Mundial tal como tantas vezes somos relembrados diariamente pela sociedade civil nas redes sociais.

A verdade é que a 8 de Maio deste ano, Donald J. Trump, Presidente dos EUA, decidiu retirar o país do Acordo do Irão. O acordo foi assinado em 2015 por E3/EU+3 (Irão, EUA, Rússia, China, França, Reino Unido, Alemanha e o Alto Representante da União Europeia) para garantir que o programa nuclear iraniano fosse para uso exclusivamente pacífico.

Em Outubro de 2017, Donald Trump relembrou que, ou o acordo era renegociado ou os EUA sairiam do mesmo. Em Janeiro, tal voltou a ocorrer. De Maio não passou. Nunca poderão dizer que Donald J. Trump não cumpre as suas promessas.

Logo após a assinatura, existiram situações que despoletaram uma maior desconfiança de que o Irão não iria cumprir o acordo: a realização de testes de mísseis balísticos de longo alcance[1], horas depois da assinatura do acordo, e a condenação de um jornalista norte-americano[2], provaram isso mesmo.

Fareed Zakaria[3], célere intelectual académico, veio já reflectir sobre a quebra de confiança dos EUA perante a sociedade iraniana e perante os elementos políticos mais moderados e que se apoiavam no acordo como forma de integração do país com o mundo. Afirma que se o Irão é um actor perigoso e maligno tal como Trump o diz, certamente seria melhor ter o seu programa nuclear congelado ao nível pré-militar e monitorizado 24/7.

Esta perspectiva seria válida se, efectivamente, o Irão estivesse convicto e de boa-fé no acordo assinado porque se o actor é, de facto perigoso e maligno, não será um acordo que o irá impedir de atingir os seus objectivos.

Não refutam o facto (nem tentam sequer fazê-lo) de que o Irão é um regime repressivo e anti-americano que tem alastrado a sua influência na região. A viagem em 2015 de Soleimani à Rússia, líder das Quds Force (elite militar do Islamic Revolutionary Guard Corps – IRGC -), impulsionou a estratégia de ambos os países na Síria em apoio ao regime de Bashar Al-Assad. Esta viagem ocorreu logo após 10 dias depois da assinatura do acordo, que contemplava o levantamento de sancões europeias relativas ao IRGC, provando ser um desafio ao recente acordo. Soleimani esteve também envolvido na conspiração de assassinato[4] do embaixador saudita em Washington D.C.

 

O IRGC tem como objectivo preservar a revolução islâmica que ocorreu no país em 1979 tendo-se tornado um actor relevante no seu próprio país e na região. Os EUA acusam-nos de terrorismo pelo seu apoio ao Hamas e ao Hezbollah, estes dois considerados grupos terroristas também pela UE.

Na óptica da Administração Trump, o apoio a estes grupos ia contra o espírito do acordo nuclear, no entanto, Mohammad Ali Jafari, ministro dos negócios estrangeiros iraniano, veio afirmar que as bases militares norte-americanas na região seriam alvo de ataques[5] se a sua força militar fosse considerada um grupo terrorista.

De facto, a IRGC pertence às forças militares de defesa iranianas. Criadas por Khomeini, esta força manter-se-ia afastada do cenário político. No entanto, com Ayatollah Ali Khamenei, que sucedeu a Khomeini, a dimensão da IRGC foi alargada. Foi criada a Qurds Force, focada em operações externas e que tem trabalhado com o Hezbollah no Líbano e com o Hamas na Palestina.

De acordo com o relatório do Counter Terrorism Project sobre o IRGC[6], este organismo é o actor económico mais poderoso do Irão mantendo controlo sobre a National Iranian Oil Company e sobre o sector industrial, de comércio e serviços e até de mercado negro. Tem ligações com mais de 100 empresas controlando mais de 12 mil milhões de dólares. Para 2017/2018, teve um aumento de 55% no orçamento iraniano, passando de 4.5 mil milhões de dólares para 7 mil milhões.

O acordo não tem impedido a participação[7] e a influência iraniana em conflitos na região. Permanece o conflito no Iémen, onde o IRGC apoia os rebeldes Houthi[8], pró-xiitas, com apoio logístico militar; é mantido o apoio ao regime de Assad no conflito sírio; mantém-se a influência na política e na segurança no Iraque, não esquecendo os atrás referidos apoios ao Hezbollah e ao Hamas.

Em 2016, cerca de um ano após a assinatura do acordo, registavam-se novos lançamentos de mísseis balísticos capazes de atingir Israel[9]. De imediato, Benjamim Netanyahu, intercedeu junto dos membros pertencentes ao acordo que agissem considerando que este ataque era uma violação ao acordo. Os EUA, na altura sobre a Administração Obama, consideraram que o mesmo não foi violado ainda que na página 99 da resolução 2231 das Nações Unidas, adoptada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas a apoiar o acordo do Irão, se leia, explicitamente, que “Iran is called upon not to undertake any activity related to ballistic missiles designed to be capable of delivering nuclear weapons, including launches using such  ballistic missile technology, until the date eight years after the JCPOA Adoption Day or until the date on which the IAEA submits a report confirming the Broader Conclusion, whichever is earlier.”.

Para a Administração Obama, nada disto era óbvio.

O IRGC apoia o grupo terrorista Hamas que apoia a destruição de Israel. O Hamas, na sua carta constitutiva, afirma que o estado de Israel deve deixar de existir sendo destruído por muçulmanos.[10]

The Telegraph noticiava em Março 2016 que o Irão tinha disparado dois mísseis balísticos com as palavras “Israel must be wiped out” escritas em hebraico nos mísseis. Mísseis com 2.000 km de alcance são um confronto claro a Israel que o acordo do Irão não atenuou desde que foi assinado. Na altura, Joe Biden, reiterou a posição dos EUA no apoio a Israel, no entanto, os EUA, não reconheceram que o Irão tivesse violado o acordo. O Irão afirmava que os mísseis não tinham sido construídos para transporte de armas nucleares, logo, não violavam o acordo.[11]

Mal os EUA anunciaram a sua saída do acordo do Irão, o confronto entre os países agudizou-se. O The New York Times noticiava o lançamento de 20 rockets para a área controlada por Israel – Golan Heights – território fronteiriço entre Israel e Síria, que sofreu uma resposta militar pronta israelita.

A obtenção de armas nucleares pelo Irão seria um elemento bélico cujas consequências serão difíceis de prever. Todavia, o risco é sério. A Arábia Saudita já comunicou que irá perseguir essa tecnologia caso o Irão reinicie o seu programa de obtenção das referidas armas.

É incontestável na sociedade internacional o facto do Irão ter o propósito da obtenção de armas nucleares sendo o país um factor influenciador da região do Médio Oriente. A sua ligação com grupos terroristas que advogam a destruição do país de Israel, coloca esses grupos e seus aliados numa posição questionável de credibilidade e de segurança no cenário político internacional.

Imaginem constar da nossa constituição a destruição de algum país e ser queimada a bandeira de outro país em pleno parlamento gritando, como foi neste caso, “morte à América”.

A questão em causa não é o reconhecimento de que o Irão seja um país instável e que represente uma ameaça para a região e para a sociedade internacional, principalmente se alcançar o armamento nuclear. Isto é algo reconhecido. A questão em causa e motivo de discórdia é que o acordo assinado, na minha óptica, não era solução para atenuar esta perigosidade, ao contrário do que muitos ocidentais defendem. Permitia a manutenção de equipamento nuclear e o próprio lançamento de mísseis balísticos. O desrespeito pela cultura ocidental mantém-se inalterado e não era penalizado. De facto, a diplomacia apaziguadora não resolve, por si só, os problemas, principalmente quando a outra parte não pretende respeitar a todos os níveis um acordo que, apesar de tudo, os beneficiaria. E Donald J. Trump sabe disso.

A civilização ocidental sofre uma crise cultural e social interna onde a imigração é um dos tópicos quentes em discussão, nomeadamente com a entrada de pessoas que não cumprem respeitar os princípios civilizacionais ocidentais. A defesa dos princípios e valores ocidentais são menosprezados pelos próprios ocidentais que teimam em não reconhecer, por desconhecimento ou ignorância propositada, os verdadeiros perigos que ameaçam a nossa própria existência, relativizando-os. A nível interno tem de se ponderar muito bem o desenrolar desta crise pois acredito que isso influenciará, também, a tomada de decisões ao nível internacional. E Donald J. Trump também sabe disso.

Sara Albuquerque, Licenciada em Relações Internacionais pelo ISCSP(Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas) 

Fontes:

[1] Erdbrink, Thomas, Iran Tests Long-Range Missile, Possibly Violating Nuclear Accord, New York Times, 11 Out 2015

[2] Associated Press, Iran Sentences U.S. journalist to prison, Associated Press, 22 Nov 2015

[3] Zakaria, Fareed, Trump’s only possible Iran strategy is a fantasy, Fareed Zakaria, 10 Mai 2018

[4] Why It Matters: The Iranian Revolutionary Guard Corps Strengthened, Iran Nuclear Agreement, House Committee on Foreign Affairs

[5] Dehghan, Saeed Kamali, “It’s become a monster: is Iran’s revolutionary guard a terror group?”, The Guardian, 12 Out 2017

[6] Islamic Revolutionary Guard Corps (IRGC), Couter Terrorism Project

[7] Pascual, Carlos, Commentary: To contain Iran, look first to Yemen – not sanctions, 30 Abr 2018

[8] Saul, Jonathan, Exclusive: Iran Revolutionary Guards find new route to arm Yemen rebels, Reuters, 01 Ago 2017

[9] Lewis, Ori, Israel calls on powers to punish Iran for its missile tests, 12 Mar 2016

[10] The Avalon Project, Yale Law School, Hamas Convenant 1988

[11] Sanchez, Raf, Iran test fires missiles branded with words “Israel must be wiped out”, 09 Mar 2016

A Trela de Donald Trump

Disclaimer: Note-se, desde já, que este não é um artigo académico pelo que os conceitos serão utilizados de forma a que o cidadão comum compreenda o teor geral do artigo

Recentemente, os líderes da Coreia do Norte e da Coreia do Sul encontraram-se na fronteira que divide os dois países num encontro histórico.

Para perceber de forma leve a importância deste momento, precisamos recuar, pelo menos, até à Guerra da Coreia que decorreu entre 1950 e 1953 e perceber o que estava em causa nesta guerra. O resultado desta guerra determina, ainda hoje, o status quo da zona.

Estávamos em pleno período de Guerra Fria, que surgiu após o fim da II Guerra Mundial, e que dividia o “mundo capitalista” liderado pelos Estados Unidos da América (EUA) e o “mundo comunista” liderado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A Coreia do Norte invade a Coreia do Sul e despoleta-se o conflito.

O culminar desta guerra resultou numa divisão territorial entre comunistas – Coreia do Norte – e capitalistas – Coreia do Sul.

Com isto, é visível a olho nú as diferenças entre os dois países. Vulgar é a fotografia onde são visíveis os dois países do espaço, representativa das diferenças, onde na Coreia do Norte não vemos praticamente luz, excepto em Pyongyang, ao contrário da Coreia do Sul, iluminada de norte a sul em todo o território. [1]

A Coreia do Sul deu-nos a Hyundai, a LG, a Samsung. Sobre a Coreia do Norte não disponho de registo mas está em 180º lugar no ranking de liberdade económica mundial, abaixo de países como a Nigéria (160º lugar), a República Centro Africana (163º lugar) e Portugal (72º lugar).[2]

Este conflito foi um dos conflitos regionais que ocorreram durante a Guerra Fria. Os dois países que lideravam os blocos ideológicos não guerrearam directamente entre si mas apoiavam logística, financeira e/ou militarmente as facções locais. A Guerra do Vietname (1955-1975), foi outro exemplo, na minha óptica desastroso, com a traição política e social de parte da sociedade norte-americana tendencialmente marxista que, pressionando os EUA a recuar o seu apoio ao Vietname do Sul (que também era apoiado por países aliados anti-comunistas como Austrália e a Coreia do Sul), deixou a facção comunista, apoiada pela URSS e pela China, dominar o sul que resultou na pobreza do país e da região (nem falemos da calamidade do Cambodja e do Laos) e na morte e tortura de milhões de pessoas. Apenas recentemente a região tem se reerguido. David Horowitz, ex-comunista norte-americano, é brilhante na sua análise sobre o tema. [3]

No caso das Coreias, conflito antecessor, foi algo diferente. A Coreia do Sul e os EUA conseguiram vencer a guerra permitindo que o país se libertasse do jugo comunista que queria dominar a região. Dominou apenas a zona norte que, tal como é do conhecimento geral, é um regime totalitário comunista onde as pessoas morrem à fome não lhes sendo permitido sair do país. Os que saem, quase milagrosamente, contam a sua luta e o seu anseio pela liberdade. E alguns, é no Ocidente que encontram o seu oásis.

A Coreia do Norte, tal como qualquer país comunista, sempre odiou o Ocidente. O seu ódio é flagrante na sua propaganda onde os EUA aparecem sempre a ser dominados militarmente pelo país.[4] Nos EUA, qualquer pessoa poderia e continua a poder erguer uma bandeira norte-coreana e viver livremente, o inverso é impensável. Podemos ser comunistas em sociedades capitalistas, mas não podemos ser capitalistas em sociedades comunistas.

A RAND Corporation, no seu segmento online de “Informing Incoming Government Leaders” abordava a Coreia do Norte na sua publicação denominada “A Nuclear North Korea”. É reconhecido, de imediato, que o arsenal nuclear da Coreia do Norte tem aumentado significativamente considerando que o país terá já material físsil suficiente para construir entre 13 a 21 armas nucleares e por volta de 2020 teria capacidade para possuir entre 50 a 100. O país conseguirá já despoletar as armas via aérea ou marítima e estaria a desenvolver mísseis nucleares capazes de atingir território para além do Oceano Pacífico.[5]

A bomba nuclear foi desenvolvida em plena II Guerra Mundial pelos EUA com base no receio que existia da Alemanha Nazi estar a desenvolver o mesmo tipo de armamento, na altura, sem se saber ou prever ainda o tipo de consequências e efeitos que as mesmas teriam.

Hoje sabe-se. E imaginem a Alemanha Nazi com bombas nucleares.

O perigo das bombas nucleares assenta, particularmente, na imprevisibilidade daqueles que as detêm. E não considerem válido o argumento de que apenas o Ocidente é que quer ter armas nucleares. O Conselho de Segurança das Nações Unidas é constituído por 15 membros, 10 não flutuantes e 5 permanentes: os 5 países permanentes do Conselho são todos países detentores de armas nucleares: EUA, Rússia, China, Reino Unido e França. Outros países detêm armas nucleares como p.ex: Índia e o Paquistão. Não são todos países ocidentais nem são todos livres.

Entretanto aparece Donald J. Trump com o seu tweet super malvado em que chama Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, de “Little Rocket Man”. A troca de galhardetes que antecedeu este episódio e que continuou após o mesmo, na óptica da esquerda mundial, dos liberais e libertários (aliás, qual é o intelectual que não odeia o Trump?), demonstravam a sua inexperiência em tratar temas sensíveis e de gerir conflitos e questões políticas.

Todos receavam um III Guerra Mundial que culminasse no fim dos tempos. O perigo vinha sempre dos EUA, nunca da Coreia do Norte e dos seus aliados, Rússia e China. Era impensável a Coreia do Norte atacar os EUA com armas nucleares, ignorando por completo o seu ímpeto bélico, mas era perfeitamente credível o perigo iminente que é Trump e o seu Twitter.

Resultado? Os líderes dos países coreanos aceitaram encontrar-se e o evento histórico, de facto, ocorreu. Até agora, existem notícias de que a Coreia do Norte irá abdicar das armas nucleares, libertar prisioneiros norte-americanos e adoptar o fuso horário do sul em sina de boa vontade. Independentemente das críticas ao Trump, ele agora teve um sucesso que mais nenhum outro político experiente norte-americano teve. Até novos desenvolvimentos, prefiro confiar na inexperiência do Trump do que na experiência de qualquer outro político.

Sara Albuquerque

Fontes:

[1] Korean Peninsula Seen From Space Station https://www.nasa.gov/content/korean-peninsula-seen-from-space-station, 24 Fev 2014

[2] Country Rankings – https://www.heritage.org/index/ranking, 2018 Index of Economic Freedom

[3] “My Vietnam Lessons” http://www.discoverthenetworks.org/articles/my%20vietnam%20lessons.htm, 2003 (excerto do seu livro “Left Illusions: Na Intellectual Odyssey”)

[4] “With color and fury, anti-american posters appear in North Korea” https://www.nytimes.com/2017/08/19/world/asia/north-korea-posters.html , 19 Ago 2017

[5] “A Nuclear North Korea” – https://www.rand.org/research/primers/nuclear-north-korea.html

A Europa-Burka do Islão

Aqueles que defendem as populações locais são hoje apelidados de racistas e xenófobos.

O que vemos actualmente na Europa e o que se tenta fazer nos Estados Unidos da América (basicamente no que se pode considerar mundo ocidental), é a defesa cega das comunidades que vêm de fora, sejam eles imigrantes ou refugiados como é, por exemplo, a imposição massiva de imigrantes e refugiados tanto pela União Europeia como pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Na declaração da ONU de Nova Iorque de 2016 sobre imigrantes e refugiados é reconhecida a existência de vagas migratórias motivadas por conflitos armados, fuga de situações climáticas adversas, terrorismo, fome, pobreza e a procura de melhores condições de vida.[1] Curioso que aquando a ocorrência do terramoto e do desastre nuclear no Japão não se tenha assistido a estas vagas migratórias. Ainda assim, o ponto 12 da introdução desta declaração ressalva a importância da diplomacia e da prevenção das situações que motivam estas vagas, o qual até considero o ponto mais importante deste tema.[3] Porém, o destaque dado a este assunto é o mesmo dado pela comunicação social quando a esquerda aumenta impostos em Portugal (nenhum, portanto).

São pontos intermináveis na defesa de imigrantes e refugiados: a sua protecção durante o percurso e na sua chegada, a capacidade de lhes ser providenciado apoio médico, a luta contra a discriminação e violência (das populações locais contra os imigrantes e refugiados, claro) chegando ao ponto em que é defendido o levantamento da restrição da entrada de imigrantes e refugiados com HIV. Obviamente. Porque não fechar os olhos à entrada de pessoas com elevados problemas de saúde, nomeadamente HIV? As mulheres violadas por estes indivíduos sentir-se-ão bastante melhor por saberem que estes individuos não foram discriminados com base na sua nacionalidade ou estado de saúde.

E as populações locais? Estes, não só têm a obrigação de empreender todos os esforços para a protecção dos refugiados, acautelar pelas suas necessidades e condições de vida, como assegurar o registo de nascimento de todas as crianças que nasçam no seu território ao providenciar toda a assistência relativa ao seu estatuto civil. Pensavam que ia falar das medidas que iriam ser tomadas para proteger as populações locais? Lamento, esta questão é resvalada para o ponto 8 da página 18 da mesma Declaração onde constam somente 3 alíneas que, na realidade, não têm como objectivo a protecção das populações locais, mas tão somente a sua preparação prévia para a recepção dos imigrantes e refugiados (pelos vistos 24 páginas não são suficientes).

Hoje a Hungria está a ser considerada um país ditatorial (particularmente por esquerdistas que consideram Chavez e Lula exemplos a seguir, note-se a ironia) por não aceitar a entrada desmesurada de estrangeiros apenas com base em ordens e critérios de organismos internacionais. A sua perspectiva de que a Europa está a ser invadida coloca-a solitária no espectro político europeu e internacional. Considera que a Velho Continente tem uma cultura judaico-cristã que choca com muitos valores trazidos pelas comunidades de imigrantes e refugiados; admite que estes teimam em não se integrar e não respeitar os valores, tradições e cultura dos países europeus, por isso, é um país considerado racista e xenófobo.

Querer preservar o actual ponto civilizacional europeu é desrespeitar a cultura e a religião que não descansa em nos invadir. Ainda me lembro de que maus eram aqueles que iam para o Médio Oriente supostamente subjugar tudo e todos à reles cultura ocidental. Pelos vistos, tal argumento só é válido quando utilizado pela esquerda.

É cómico e simultaneamente deprimente assistir ao descaramento do júri da União Europeia sobre o concurso da próxima capital europeia da cultura que rejeitou uma candidata húngara, a cidade de Székesfehérvár, por ser “demasiado branca e sem migrantes suficientes”?[4] O facto de aparecerem pessoas brancas e crucifixos durante 10 segundos num vídeo de mais de 3 minutos consternou demasiadamente o júri. Incrível como burkas a tapar mulheres são consideradas por alguns o epítome da liberdade religiosa. Qual a mulher que não quereria usar a burka no deserto?

A própria Polónia resvala para a mesma linha política e é ostracizada com ameaça de sanções pelos seus parceiros da União Europeia. Estamos a falar de um país disposto a prestar ajuda humanitária e financeira de cerca de 10 milhões de euros ao Líbano para a construção de habitações para refugiados sírios[5]. A parte negativa desta política polaca na óptica da máquina europeia? A Polónia considera que providenciar ajuda mais próxima daqueles que precisam é mais benéfico do que trazê-los para longe das suas terras-natais. Pelos vistos, isto é racista e xenófobo.

Os países e, por conseguinte, os estados, têm o dever de proteger os seus cidadãos. Se os seus cidadãos não estiverem em primeiro lugar, o estado não está a cumprir o seu dever. Discursar durante 8h como Nancy Pelosi do Partido Democrata o fez pelos dreamers norte-americanos[6] (que mais não são que imigrantes ilegais), quando não teve o bom senso de reconhecer, por exemplo, o mais baixo nível de desemprego de afro-americanos da história dos EUA durante o discurso do Estado da Nação, representa apenas tudo aquilo que actualmente está a ser defendido pela esquerda: a protecção dos imigrantes resvalando para segundo plano a vida e o futuro dos cidadãos nacionais.

Este objectivo de proteger quem vem de fora tem o propósito cruel de suplantar a sociedade ocidental com outras culturas e valores, muitas vezes não coincidentes, para ganhar votos e mão-de-obra barata. Objectivos mascarados de humanitarismo, empreendidos pelos próprios membros da sociedade ocidental que usam a liberdade de expressão para calar quem se atreve a discordar e para receber quem promete em aniquilar-nos.

Sara Albuquerque

Notas:

[1] New York Declaration for Refugees and Migrants – Resolution adopted by the General Assembly on 19 September 2016

[3] We are determined to address the root causes of large movements of refugees and migrants, including through increased efforts aimed at early prevention of crisis situations based on preventive diplomacy. We will address them also through prevention and peaceful resolution of conflict, greater coordination of humanitarian, development and peacebuilding efforts…”, New York Declaration for Refugees and Migrants – Resolution adopted by the General Assembly on 19 September 2016, pág 3, ponto 12.

[4] EU: Hungarian town can’t be European Capital of Culture because there are “too many happy white people”, Voice of Europe, 17 Fevereiro 2018

[5] Polish PM pledges $10 million aid to Syrian refugees in Lebanon, Fox News, 14 Fevereiro 2018

[6] Nancy Pelosi makes 8-hour marathon plea to help ‘Dreamers’, The Chicago Tribune, 07 Fevereiro 2018