As Fantasias Sexuais de Catarina Martins

Eu não levo o Bloco a sério. E não levo a sério quem o faça. Para mim, o Bloco de Esquerda nasceu de uma brincadeira entre amigos que foi levada demasiado longe. Mas agora, 550 mil votos depois, é tarde o suficiente para ninguém o querer admitir. As atividades parlamentares do Bloco só evidenciam esta tese. Parece que o partido quer até mostrar deliberadamente que a sua existência não é para ser levada a sério, na esperança de que o público o subentenda e redirecione o seu apoio.

Esta minha conjetura é fundamentada, ou não fosse que numa nação a arder, cuja dívida pública é 130% do PIB, as preocupações do Bloco recaiam sobre a omissão do sexo de um indivíduo no Cartão de Cidadão. E se o leitor não percebeu onde está o sexismo em ‘Cartão de Cidadão’, é porque provavelmente também ele é sexista. Já agora, se for branco, também é racista, e, pelo sim, pelo não, neonazi. Deve já remediar-se frequentando o purgatório que são os campos de férias do Bloco. Mas já aí vamos. Felizmente, o Bloco é o único partido que responde a esta questão crítica, e, ávido, até já propôs retirar o nome ‘Cartão de Cidadão’ ao Cartão de Cidadão. Genial.

Isto poderia facilmente ser uma narrativa de humor, mas não o é. Querer mudar o nome ‘Cartão de Cidadão’ por causa de ‘Cidadão’ e omitir o sexo do titular do mesmo são efetivamente propostas do Bloco. Aliás, ambas as medidas não são mais do que um preâmbulo ao objetivo-mor do Bloco este ano: a auto-determinação do género. Era aqui, a desafiar a ciência, que os seus adeptos deveriam perceber que, obviamente, este Partido não é uma coisa a sério. Mas surpreende-se o Bloco quando acaba, involuntariamente, a receber mais apoio ainda! Foda-se. Agora não só tem de fingir que é útil, como de facto tem de ser útil na defesa de pseudo-ciência criada por gente tão inútil para o mercado que só teria ocupação se se criasse uma ‘Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género‘.

A coordenadora do Bloco, Catarina Martins, que é atriz, pede chuva no twitter e dá os bons dias no facebook. É aquele elemento de boas intenções mas limitado pela sua inutilidade, reduzindo-se às ações redundantes que não têm grande impacto no resultado final. Quando Catarina fala requer-se um esforço mental semelhante ao de perceber as ideias de uma criança. Por exemplo, a Catarina diz preferir ser operada por um cirurgião não testado mas feliz [ver 6]. E, para o Bloco, um cirurgião feliz é aquele que teve estudos de género no quarto ano, mas não exames.

Já notou o curioso?

O Bloco de Catarina parece ter um qualquer fetiche pelo vitimismo. Também fantasia o totalitarismo e vive obcecado com o controlo da linguagem alheia. Como se o seu objetivo fosse o de instalar uma ditadura comunista (passo o pleonasmo) especializada na vida sexual humana. Entende-se que o cariz sexual está para o Bloco como animais estão para o PAN.

No Bloco de Catarina, uma criança com 16 anos não pode votar, mas pode mudar de sexo. Para o Bloco de Catarina, Jesus tinha dois pais. Até as bebidas que a Mortágua paga a homossexuais no PRIDE decorrem em representação publicitária do Bloco de Catarina.
Concluo apenas que o Bloco de Catarina é um partido pornográfico. E isso torna-o tão apelativo aos jovens que culmina num culto chamado campos de férias do Bloco.
Os campos de férias do Bloco são a demonstração mais evidente de que aquilo funciona um pouco como uma creche. Todos os anos, a juventude bloquista junta-se para se ocupar a ser inútil. Nús, fazem danças e pinturas, culpam o insucesso económico de África no neoliberalismo, andam de gatas e de gatas discutem pseudo-ciências que desafiam a biologia evolutiva. É uma espécie de Avante, mas onde gays fazem felácios sem espancamento procedente.

Sobeja uma questão. É evidente que o BE nasceu de uma aposta feita entre amigos; portanto, como é que sustém apoio?

O Bloco consegue seduzir aqueles miúdos-grandes de baixa auto-estima, super-protegidos pelos pais que nunca lhes permitiram passar por dificudades. Funciona numa geração de satisfação instantânea e onde o ‘accomplishment’ se resume à participação.
Estes miúdos aprenderam a viver num conforto familiar redundante e não abdicam de perder tais privilégios na adulteridade, pelo que pretendem ver reproduzido no Estado o papel de pai. O Estado, obviamente, aceita o título satisfeito. Liberdade exige responsabilidades, e esta geração não está preparada para autonomia porque tem fobia em assumi-las.

Se o Bloco quer perder o apoio, como parece, o que tem a fazer é tão simples quanto propôr a antítese do seu plano atual. Isto é, falar na exigência de empregos, idealizar uma sociedade baseada no mérito, desvalorizar a subsidio-dependência e limitar o poder do Estado. Falar em trabalho faz os bloquistas fugir, pelo que se dispersarão noutros partidos.

À imagem de Catarina, o Bloco trata daqueles assuntos sem importância. Assuntos que deviam derivar de um processo evolutivo natural à sociedade, com um consenso generalizado, mas cuja implementação o Bloco pretende forçar através de poder político – como um bom fascista faria.

Este ano, chegou mais longe na sua auto-descredibilização e desafiou factos científicos estabelecidos ao assumir-se apologista da auto-determinação do género. O que faz sentido, ou não fosse este um Partido que só queria ser uma partida.

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