Obrigado, Carlos Guimarães Pinto!

Conheci o actual, e ainda presidente do partido Iniciativa Liberal, num almoço do partido libertário- ainda em formação- faz por esta altura 2 anos. Foi no fim de Setembro, estava calor e o almoço foi em Leiria. Entrei para o restaurante e vi o Carlos a falar com um amigo meu. Na altura “conhecia” o Carlos, pelo excelente trabalho enquanto blogger no Insurgente e pelo livro que ele mesmo lançou com o nome:” O Economista Insurgente”. Abordei-lhe com toda a naturalidade com que a minha personagem é conhecida em círculos mais fechados. Ele afável, humilde e brincalhão. Em 2018, o Carlos assume o projecto do Iniciativa Liberal, um partido antes à deriva e com dificuldades de afirmação. Continuou a mesma pessoa, o mesmo brincalhão, sem elitismos de proa como se calhar certos almanaques que, nem metade da experiência de vida e de trabalho que ele tem, começaram a ficar depois de experimentar a cadeira do poder legislativo e do salário e ajudas de custo confortáveis.

Projecto esse que se tornou irreverente.  Foi espectacularmente diferente pela forma como encarou os outputs políticos e cada ponta solta do governo socialista- apoiado antes por dois partidos manetas que foram consumidos por dentro aos poucos- da forma mais original possível, colocando a fasquia do marketing político em Portugal noutro patamar que os partidos tradicionais não conseguiram acompanhar. Um dos primeiros esforços efectivos de trazer o liberalismo económico para o parlamento português, deram frutos de louvor para uma primeira tentativa, a eleição do primeiro deputado da IL, com todo o mérito para o Carlos e a sua equipa, mas, especialmente para este, pela forma corajosa como enfrentou o mainstream com ideias inovadoras em Portugal mas já “normalizadas” em determinados países da Europa, sinal da degradação e atraso estrutural que o nosso País tem face aos seus congéneres mais próximos em termos de estrutura macroeconómica, bem como a tradução mais linear de como “as luzes”, chegam ao poço de dívidas sem fundo anos mais tarde.

Era este o país que o Carlos queria e quer mudar. Com certeza, e espero eu, que este afastamento da política não seja definitivo. É de lamentar que os melhores se afastem da política, mas é igualmente gratificante perceber que quem tem capacidades muito acima da média se afaste porque tem uma carreira a desenvolver e contas a pagar. O Carlos não precisou, como muitos, de se inscrever numa juventude partidária e colher migalhas dos outros ou pedir a caciques para que votassem nele. Não precisou dos “contactos”, das empresas do regime oligárquico português e depois não “passar de Badajoz”, como muitos. Trabalhou em mais de 20 países, vai fazer um doutoramento em Economia e vai continuar a ser o homem competente que sempre foi.

Ao contrário do socialismo português, Guimarães Pinto adoptou uma atitude normal de um país de primeiro mundo. Em Portugal ficaram surpreendidos com a sua saída, especialmente a ala socialista que, na podridão dos corredores de São Bento, a surpresa não é sua saída mas ele não ter ido para a empresa do cunhado ou do primo. São educações diferentes, competências diferentes. Portugal não o merece pela qualidade que tem, porque Portugal há muitos anos que sempre gostou de ser invejoso e de nivelar por baixo. E assim continuará. Porque gosta.

Mauro Merali

 

 

António Costa faz o que quer porque a direita deixa

O socialismo é uma doença que cujos sintomas iniciais se manifesta com pequenos retoques de prazer que tem sempre iniciação em trabalhos dos outros e acabam em bebedeira num bar, é assim a Economia portuguesa desde há 44 anos para cá: uma folha em branco onde todos querem escrever em linhas tortas e onde não há planeamento estratégico de longo prazo. O mesmo é dizer que o Partido Socialista sabe usar as fases ascendentes do ciclo económico a seu favor, não tendo feito o trabalho de fundo quando este inicia. Ao contrário da direita portuguesa, especialmente a liderada por Pedro Passos Coelho, esta sempre teve de carregar a cruz de ser a costureira mor do regime enquanto o PS se reagrupava e montava as mesmas tácticas de vitimização de sempre e, claro, sempre ao colo de determinada comunicação social.

Os efeitos nefastos deste ciclo são visíveis à direita e com um maior grau de amplificação por esta ter perdido o “norte”, por completo. A uniformização do regime, por parte de Costa, onde este joga em todos os cantos do tabuleiro do jogo chamando para si o cálice do poder e da negociação política, faz com que os eleitores olhem para Costa não como uma das alternativas, mas como “a”, alternativa. Aquele que não pode ser contestado nem incomodado por estar numa posição dominante e ser o dono completo do regime. Só assim se explica o quase beija mão do presidente da república ao primeiro-Ministro quando este o indigita sem saber os resultados eleitorais da emigração, algo que o professor de direito constitucional sabe e deixou passar ao lado. Só assim se explica a apatia do regime oligárquico perante o escândalo do lítio em que João Galamba tem relações e portanto o governo.

A direita deixou passar tudo isto. Falou. Mas não estruturou um ataque unido e conciso. Continua acantonada e refém, como não podia deixar de ser, de Pedro Passos Coelho que era consensual a liberais, conservadores, sociais democratas e democratas-cristãos. O institucionalismo, o rigor de actuação e a coragem deste perante a situação precária do País- perdoem me até a ligeireza do termo- nunca serão esquecidos, mas a ala não socialista tem que partir para uma corrida de longo curso e desta vez sem Passos. É difícil? Ninguém diz que não, há alguém melhor que ele? Muito dificilmente, sendo politicamente correcto. O ciclo  do ex-primeiro-ministro não terminou, muito pelo contrário, mas não há tempo.

A direita tem que ter um conteúdo programático liberal na economia. De reformas estruturais. De ideias e medidas frescas e inovadoras que os países bálticos e alguns de leste estão a implementar e que foram importantes para a recuperação a nível macroeconómico destes. A direita portuguesa tem que dar mais que a redistribuição do PS, que se esgota normalmente num horizonte temporal de dois anos ficando este depois a gerir com pinças um pântano orçamental de pequena dimensão que quintuplica de tamanho quando chega ás mãos dos outros.

O PSD, o CDS, o Iniciativa Liberal, o Chega e o Aliança não tem outra alternativa que não a união ou pelo menos trabalho conjunto e personalizado. O PSD e o CDS uma coligação eleitoral e os restantes um bloco de direita. Como queiram. O pragmatismo é primordial e os egos neste momento são desnecessários, no momento mais perigoso da democracia portuguesa pós-PREC. O Chega e o IL estão bem e recomendam-se, são uma clara alternativa ao socialismo cada um à sua maneira. O problema está no PSD  e num CDS cheios de vícios e que não se assumem de direita. O PSD encontrará o seu caminho, Rio está politicamente morto. O CDS tem um jovem que se chama Francisco Rodrigues dos Santos que tem a alma combativa e a estrutura ideológica que o CDS necessita e não de mais “sangue azul” de ocasião.

Um dos maiores presentes que Passos poderia receber neste momento é o descanso, que este merece. A direita tem essa obrigação para com ele. É respeito, mais do que isso até, é a capacidade de todos perceberem de uma vez que tivemos um político que não foi perfeito, longe disso, mas que tentou mudar as estruturas oligárquicas e rentistas aproximando Portugal dos seus parceiros europeus. Um patriota. Há pessoas que ainda não se aperceberam disso, até a própria direita.

Mauro Merali

Catarina e Jerónimo, caros colegas, foram descartados

O povo português tem por vezes momentos de lucidez. Percebeu o que Pedro Passos Coelho passou e quis fazer durante os 4 difíceis anos em que governou e deu-lhe uma vitória com um tamanho considerável face à conjuntura. Quatro anos depois, de uma geringonça que pouco trouxe ao País, a não ser mais 20 mil milhões de dívida pública, uma economia que cresceu com base em reformas tímidas feitas pelo governo anterior, uma conjuntura europeia e internacional inigualável na história económica recente bem como casos duvidosos de condicionamento judiciário e das instituições, António Costa ganha as suas primeiras eleições legislativas e é primeiro-ministro com poderes reforçados para negociar com todo o continente legislativo.

Costa pode engrenar o seu governo com todas as munições que quiser, tem à sua disposição um bloco de esquerda com sede poder, pois, sem implantação autárquica e sem controle sindical, a agenda marxista a nivel económico e social tem que ser implementada de uma forma mais directa. Sem o poder, Catarina Martins continuará a eterna actriz com maquilhagem da loja dos trezentos. O problema, chama-se António Costa. O primeiro-ministro sabe perfeitamente que vem ai momentos difíceis a nivel macroeconómico com mais um ciclo económico de expansão a terminar.

Costa sabe que a consolidação das finanças públicas portuguesas, especialmente ao nível de despesa pública, necessita da aprovação um partido moderado e que cujo líder tenha trela suficiente para Costa manter os seus ex-parceiros coadjuvantes com um sorriso lunar enquanto que Rio fica a roer um dos ossos que Costa lhe deu para roer, dando tempo para que o líder socialista ainda dê um passeio no intendente e veja o senhor Medina a contar as notas da taxa turística. Que partido melhor que não o PSD do senhor Rui Rio que cujas culpas da queda do seu partido, são multivariadas e redistribuídas parvonicamente por toda a gente, até para ele, mas dando foco a todo um coro de criaturas que cuja substância física lhe é estranha até na essência, porque, como é claro, Rio não suporta a imprensa, uma tristeza franciscana do partido albergue espanhol onde as opiniões alheias e diferentes sempre foram respeitadas.

Rio e Costa merecem-se um ao outro. Um, António Costa, porque tem na mão o futuro partidário de Rio. Não lhe dando a mão, Rio fica a papaguear provincianismo contra Lisboa enquanto Costa, mesmo que perca as próximas eleições no próximo quadriénio, continua a governar com outros coadjuvantes à sua esquerda pois estes não suportam a “extrema direita”, à direita do PS. Rio precisa de Costa para ser vice-primeiro-ministro, elevando este o seu estatuto de vice-reitor-Cinfães(como lembrou e bem Vasco Pulido Valente), para ajudante mor do ex-número dois de José Sócrates. Costa junta assim dois mundos coloridos, ou seja, o seu ego satisfeito sem bater com o pé nas portas e travessas quando é contrariado no largo do rato e garante a aprovação de um conjunto de medidas duras quando a tempestade chegar.

É somar um mais um que nas contas do Dr. Centeno dá quatro e um par de décimas disfarçadas de cativações mal conseguidas. Já a direita, que se assuma como uma e que se una numa só frente. PSD, CDS, IL e Chega que encontrem uma solução conjunta de pré-coligação eleitoral, em próximas eleições e trabalhos conjuntos. Portugal precisa.

Mauro Merali

O pântano do ilegítimo António Costa

A dança de cadeiras no cargo de primeiro-ministro, em outubro de 2015, colocando no terceiro cargo da hierarquia institucional governativa do País, um individuo não eleito pelos eleitores mudou para sempre a ordem da linha governativa constitucional considerada “normal”, pelo regime. Hoje, não basta ficar em primeiro no campeonato das eleições legislativas, é necessário primeiro que tudo, o segundo membro de uma possível equação de uma solução governativa-aquele que perdeu mas, que cumpria a ordem das coisas- vender a alma ao diabo para governar, neste caso o PS, que introduziu e impôs ao País uma moldura de curto prazo, tal como é a sua característica fisiológica pelo poder e influência na vida do indivíduo.

António Costa nunca teve um plano de mudança estrutural para Portugal, o seu único plano e constítuido pela calada com os seus parceiros coadjuvantes, era continuar a reconstrução oligárquica iniciada por Sócrates e desfazer a fronteira ética e “invisivel”, que Passos tinha construído quando deixou cair os Espirito Santo, uma das famílias que condicionava o crescimento da economia portuguesa com ligações a outros grupos económicos.

Para além disso, Costa queria deixar tudo em modo anestésico, paralítico e monolítico, veja-se o exemplo do assalto de paraquedas à máquina estatal com famíliares do seu partido em tudo o que são fissuras da administração pública, a reactividade de Centeno em 2016 quando a Comissão Europeia ameaçou Portugal com sanções e os juros das obrigações portuguesas a 10 anos voltaram aos 4,5%, levando Centeno a adoptar cativações históricas no investimento público colocando despesa de capital em mínimos e assim, controlando o saldo orçamental em conjunto com sucessivos aumentos nos impostos indirectos. Tal política descapitalizou os serviços públicos, não repondo o capital que se desinvestiu, espremendo sua capacidade de resposta às populações.

Políticas de curto prazo, políticas de vista curta portanto, que hoje Costa ergue como vitória sua e do seu governo mas que, em 2015, as criticava com todo o tártaro que tem entre os dentes. Podemos afirmar que Costa pode ter lido livros de São Cipriano para adoptar tal inversão de discurso, guiando o rebanho simpático na representatividade do povo português para próximo do precipicio mas será esse fosso que Costa terá que enfrentar sozinho nos anos que vem.

Desenganem-se que uma economia aberta ao mundo como a Portuguesa, sujeita a zero reformas estruturais nos últimos anos, com indicadores macro a mostrarem sinais de deterioração e com um saldo orçamental preso por pinças, que estamos protegidos de maus ventos. Aliás, maus ventos não são sinónimos de sucessivas bancarrotas- os outros países também estão sujeitos- é sim sinónimo de sucessivas bancarrotas é quando o PS está no poder e não prepara o País para tal com políticas prudentes ao nível de finanças públicas e a nível macroeconómico.

Por fim, é de lamentar que Rui Rio, que  afirma que o PSD não é um partido de centro direita, não tenha começado a campanha mais cedo e não tivesse tido uma palavra de união para quem ele chama de “opositores”. Teria ganho o partido e o país. Erro táctico. Agora, a ala não socialista, já que tem pejo em se assumir de direita, tem que preparar as próximas eleições que serão no prazo máximo de 2 e meio. Uma direita unida, com um programa alternativo ao socialista. Só assim António Costa será derrotado com uma maioria absoluta em cima.

Mauro Merali

 

António Costa já engoliu 3 sapos

O actual primeiro-ministro tem dois problemas essenciais: um de legitimidade e o outro que se prende por flechas gramaticais mal disparadas, quer no tempo, quer no espaço. O problema de legitimidade colocou Costa numa posição privilegiada para ser  um ser rancoroso, vingativo e com um nível de razoabilidade táctica a nível político que chega para brincar na caixa de areia que é a política portuguesa, onde os índices de mediocridade são elevados e o ambiente de vitupérios anda pelo mesmo trilho. Perdeu as eleições em 2015 para o primeiro-ministro “masoquista”- palavras do próprio- pois a austeridade era “imposta por Bruxelas”. Costa, em 2016 entretanto, baixa a despesa pública com maior foque na despesa de capital, rúbrica onde se insere o investimento público,  por imposição de Bruxelas, colocando em xeque até hoje os serviços públicos com uma austeridade conjuntural de vistas curtas. Até aqui já engoliu 2 sapos, engolindo ontem o terceiro com a derrota da sua geringonça europeia.

É verdade caros leitores que, é com as derrotas que aprendemos, mas uma vez por outra ter uma derrota “forte”, que nos abale a nossa estrutura emocional e nos faça mudar estruturalmente as nossas atitudes para futuro. Costa tem derrotas e não muda, adapta-se ao contexto como uma lapa, adopta medidas e políticas orçamentais que eram contra o seu senso comum e dispara foguetes de festa e nós apanhamos as canas, aumentando a amplitude de cabelos brancos que com certeza eu e muitos dos meus leitores começam a ter.

Não há dúvidas que Costa é pragmático, que sabe que tem de reformar, mas colocar isso como o pilar da sua próxima governação era acabar com a base da sua estrutura eleitoral. Se Portugal quer, nos próximos anos, ter o que se chama de politica de consolidação orçamental, mas a sério, terá que baixar a despesa pública não no investimento público, que terá de ser reposto para níveis aceitáveis, mas baixar despesa corrente e estrutural que aplicado ao mundo das empresas chamamos de custos fixos mas que, em finanças públicas, chamamos de despesa corrente. É portanto importante rever o tecto salarial da função pública, que continua maior em média que o sector privado, reformular as funções do Estado e como o queremos enquadrar enquanto agente económico, rever o número de funcionários públicos o sistema de pensões público bem como a constituição da república, para termos uma reforma ampla e consensual.

Isto, é claro, no mundo onde as rosas nascem cravos. Isto acontecia com um PS responsável, mais “centrista” e com algum pejo de ética, o que não acontece. Com isto, e sem uma política favorável à iniciativa privada e para a promoção do investimento directo estrangeiro, Portugal não passará da cauda da Europa e continuará amarrado ao colo do PS, que nos estrangula há 45 anos. Talvez quando os portugueses deixarem António Costa resolver a sua própria bancarrota podemos mudar a mentalidade do estado de coisas.

Mauro Merali

Berardo? É um passarinho no meio de abutres

O riso de Joe Berardo é o somatório sintomático de 44 anos de podridão do regime mas, igualmente de um conhecimento mútuo e reciproco que Berardo tem das oligarquias portuguesas vigentes. O empresário Madeirense conhece tudo e todos, os podres, onde tomam banho com o copo de Martini, as tardes e noites de políticos, banqueiros e empresários nas ilhas de João Pereira Coutinho, outro empresário falido e amigo dos mesmos de sempre. Berardo sabe quem lhe deu a mão para entrar no mundo fútil do Jet Set Lisboeta e passar de um individuo provinciano que falava mal português, com uma história interessante de crescimento patrimonial na África do Sul, para o empresário da moda idolatrado por vários quadrantes políticos(os tais que lhe ajudaram) que hoje lhe atiram pedras e lhe crucificam com palavras exuberantes e tecnicamente bem trabalhadas oriundas do dicionário da língua de Camões.

Factos são factos e se há Países onde os factos são apreciados como tais, em Portugal não é o caso! Existe uma distorção e canibalização dos mesmos para teorias da conspiração vindas de um sub-mundo estranho reptiliano, pelo menos é o que eles, políticos, querem que nós pensemos. O objectivo, aliás, era mesmo esse, colocar Berardo como o problema e não como um dos casos que gerou o problema e arruinou a Economia Portuguesa durante décadas: A promiscuidade entre política e negócios que muitos políticos hoje colocam na boca com uma facilidade e hipocrisia do tamanho da barriga do Dr.Costa. De políticos e partidos, especialmente o PS, que coloca a família toda no aparelho de Estado e tem a lata de abordar este tema como se fosse o guardião da ética política é para nós, povo português, chegarmos a conclusão que os senhores que estão no pedestal que nós comuns mortais não podemos tocar, que nos estão a chamar um nome muito feio que não abordo aqui por efeitos de boa criação.

Ninguém no seu perfeito juízo, especialmente um chefe de departamento de crédito de um banco, seja ele privado ou público, aceita dar o aval de um montante elevadíssimo de crédito para comprar acções de qualquer empresa financeira ou não financeira, simplesmente não entra na óptica da boa gestão de recursos e da racionalidade. Claro que, pedir racionalidade aos amigos de José Sócrates e ao próprio é pedir muito, é pedir que não tivessem levado Portugal ao mais alto patamar dos rankings da dívida pública mundial e do défice, é pedir que não tivessem usado a Caixa e o BCP para ajudar amizades coloridas. Sócrates e o PS conseguiram usar o Estado Português como se tivessem o direito natural e divino de fazer tudo o que querem e quando querem com ele.

O enquadramento era este, Berardo aproveitou e riu-se na cara dos portugueses por estes acharem que a culpa é dele. E é verdade, os portugueses ficaram furiosos com ele, resultou, resultou a estratégia de certa comunicação social e de certas máquinas partidárias que desviaram o foco do problema. Os políticos que ajudaram Berardo não estavam na sala, pelo menos grande parte, mas deixaram resquícios e formatações bem trabalhadas por ai. É desses que temos que ter receio e que produzam mais Berardos e, já agora, outros casos que os 10 milhões de accionistas do Estado Português tenham que pagar.

Terminado e falando de um caso parecido ao de Berardo que envolve a TAP e o conceito de empresa pública. Como os leitores se recordam, o grupo de aviação Brasileiro Varig faliu em 2006 e tinha uma área de engenharia e manutenção aeronáutica dentro do grupo. A parte da engenharia e manutenção sempre deu prejuízo, era totalmente inviável e a TAP, na altura empresa 100% pública, foi um pião de Sócrates e Lula da Silva, o Presidente do Brasil para se livrar de um activo tóxico e Sócrates para fomentar as “relações luso-brasileiras”.

Pois bem, as relações “Luso-Brasileiras”, de Sócrates e Lula da Silva custaram à TAP um agravamento grave da sua situação patrimonial, com o capital próprio da companhia que era de -100 a -150 milhões de euros em 2009/2010 para hoje se situar em -450 milhões de euros, isto claro, depois de David Neeleman e Humberto Pedrosa, da Atlantic Gateway terem injectado mais de 225 milhões de euros em prestações suplementares para reforçar o capital, que foi logo consumido, passados 2 anos, pelas actividades operacionais no Brasil. Se os moldes da privatização de Pedro Passos Coelho tivessem continuado, muito possivelmente a secção de engenharias do Brasil teria sido vendida por 1€( e já é muito), e hoje a TAP respirava melhor no que  a geração de resultados operacionais diz respeito.

A reversão da privatização por parte de António Costa bloqueou a TAP que precisa de capital para renovar e expandir a sua frota, para se tornar mais eficiente e não alugar aviões em locação operacional que reduziu, assim, o seu activo tangível( A TAP ficou com aviões a voar com mais de 15 anos que cujo valor contabilístico hoje é zero por estar já depreciado), impediu o fecho das operações no Brasil por “afectar as relações Luso-Brasileiras” e descredibilizou ainda mais o Estado Português como caloteiro e imprevisível. Berardo? É um passarinho no meio de abutres.

Deixo aqui uma imagem do essencial dos indicadores essenciais financeiros:

Consolidação
Relatório e Contas TAP 2017

Como podem ver, o Core Bussiness da TAP gera 100 milhões de euros, a aviação. O Brasil gera um somatório negativo conjunto de 74 milhões de euros. É só fazer o somatório destes anos todos de prejuízos e verificar que Berardo é um passarinho.

Mauro Merali

 

“Portugal é um País Socialista”- Entrevista a Carlos Guimarães Pinto

Carlos Guimarães Pinto representa, enquanto eleitor e até do ponto de vista pessoal, muito do que eu gosto de ver num verdadeiro político: viajado, cosmopolita, tem vários anos de iniciativa privada e uma enorme bagagem acumulada com as  mais diversas passagens em zonas exóticas do globo, dos quais a Arábia Saudita e Paquistão fazem parte do imenso pacote. Num contexto em que vivemos de compadrio familiar e que junta inclusive laços de amizade de vários anos, tudo em forma exponencial no consolado socialista de António Costa, a competência de certos parlamentares portugueses é claramente colocada em causa face a um currículo competente e forjado a pulso pelo Carlos, que, concorde-se ou discorde-se das suas ideias, é um homem com uma elevação diferente dos mortais apresentados no Palácio de São Bento que cujo mundo cultural e profissional tende para zero, não todos é claro, mas uma maioria é suficiente para consolidar os diversos buracos que temos nas nossas carteiras, especialmente na zona das notas.

Não me querem ler pois não? Leiam o que diz o Carlos, é mais educativo!

1) Concordas que a direita portuguesa tem sido tudo menos direita, nestas últimas duas décadas? Terá a direita culpas indirectas em ter vergonha de se assumir e assim construir um programa verdadeiramente liberal e alternativo?

 A direita é aquilo que os partidos fizeram dela! A direita é definida por aquilo que os partidos mais à direita fizeram nos últimos anos, e por isso é que existem muitas pessoas que hesitam em se dizer de direita. Isto começou muito cedo. Quando o Freitas participava em debates, perguntavam-lhe se o CDS era um partido de direita e ele desviava o olhar do entrevistador, olhava para a câmara e dizia: “Nós estamos rigorosamente ao centro”. Uma vez no Insurgente tentei definir o que era direita e esquerda nos diversos Países, e a nossa direita portuguesa no contexto dos E.U.A seria o partido democrata.

Tivemos mesmo alguém da ala mais à direita do PSD que apoiou Sanders nas últimas eleições americanas. Portanto, a “direita portuguesa” está muito inclinada à esquerda na componente económica.

A direita em Portugal definiu-se de duas formas ao longo destes últimos 20 anos: estatista e conservadora. Um bocado menos estatista que a esquerda? Sim, mas foi uma diferença residual para mudar o estado de coisas, foi assim que a direita se quis definir. Como disse no meu discurso no Movimento 5.7, acho que a direita caiu na armadilha da esquerda de escolher sempre as causas erradas. O País estava-se a afundar economicamente, a endividar-se ainda mais e a direita a discutir se havia de prender toxicodependentes ou se as pessoas do mesmo sexo podiam assinar um contrato civil… Perdeu-se demasiado tempo em discussões que nenhum dos partidos à direita hoje se arrisca a voltar ou propor inverter. Por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Hoje é um assunto encerrado e é ridículo pensar nisso, mas foi uma luta de anos e perda de foco no que era essencial. Isso faz com que muitas pessoas hoje tenham pejo de dizer ou se afirmar de direita porque a direita se definiu como sendo uma área política que se perde em discussões sem sentido enquanto deixa passar assuntos extraordinariamente importantes. Houve uma geração que cresceu a pensar que a direita era o oposto do liberalismo. Não vamos mudar mentalidades de um momento para o outro. Portanto, os meus principais adversários ideológicos, os nossos principais adversários ideológicos, nos assuntos que mais importam, estão hoje à esquerda. Mas não vale apena colocar-me no campo ideológico da direita portuguesa se ela, durante estes anos todos, foi contrária ao que eu sempre defendi: Liberalismo em toda a linha.

 

2) Como é que podemos quebrar a hegemonia do PS e da esquerda, em geral, quer em termos culturais, educacionais e de literacia económica. Como se muda o chip?

Esta é a minha principal missão: a transmissão de ideias. Se alguém quiser tachos ou poder político pode atingi-lo mais facilmente de outra forma, noutro partido. Uma pessoa que tenha características de político, tenha boa imagem e fale bem, mas o seu objectivo seja meramente o tacho, que se junte a um grande partido do sistema.

Nós temos um problema que é ao mesmo tempo uma grande oportunidade: Temos zero votos. Nós não temos nada a perder, podemos ser assertivos na defesa das nossas ideias. Este é o meu objectivo enquanto presidente: transmitir ideias. Não sei se estarei à altura quando o objectivo for outro… Neste momento o objectivo é passar informação, fazer o que os partidos actuais não fazem, um choque cultural de actuação totalmente diferente do habitual e vamos fazê-lo com todos os meios que tivermos disponíveis. Só para terem ideia: neste momento estou à procura de vocalistas! A música e a arte são fundamentais para passar a mensagem. A área não socialista tem dificuldades de comunicação e, por isso, a mensagem não passa para as pessoas, seja ao centro, seja à direita ou à esquerda. Precisamos de imagens, vídeos, cartoons, sempre com considerações éticas. Era fácil ir pelo caminho da alt-right e pegar em casos isolados e generalizar para causar impacto emocional. Podíamos fazer isso em Portugal e ganharíamos talvez um deputado, mas temos que efectuar este processo de transmissão de mensagem com ética e com as ideias certas. Fazer o contrário não seria um desafio. Escolher um conjunto de ideias populistas para eleger alguém não seria um grande desafio. Difícil é eleger alguém com as ideias certas e com ética. Esse sim é um desafio. Daí lançarmos, e comigo será assim, candidatos que sejam liberais e só liberais. Era fácil irmos buscar alguém com reputação elevada e já “batida” para ganharmos eleições. Mas queremos eleger as pessoas certas com as ideias certas, mesmo se este for o caminho mais complicado para o fazer.

 

3) A Economia portuguesa tem um problema estrutural de crescimento, especialmente na sua composição, crescimento esse muito baseado na produção de bens não transacionáveis. No entanto, com o ajustamento melhoramos esse perfil de crescimento mas não totalmente. Quais as reformas estruturais que ainda faltam implementar?

Houve duas reformas estruturais importantes. Uma que é no turismo, onde tenho que dar mérito ao Adolfo. Depois há outra pessoa, que passou mais despercebida e que provavelmente fez a reforma mais importante da última legislatura: O Pedro Martins. Muito ignorado, talvez o secretário de estado mais ignorado de todos, mas aquele que fez a maior reforma da legislatura, reformando o mercado laboral, ainda que com as limitações de acordos de concertação, que ninguém acharia que era possível reformar! O impacto foi quase imediato e 6 meses depois a taxa de desemprego começou a diminuir, até hoje! Tanto que a geringonça não tocou na reforma na sua composição mais profunda, com retoques, mas nada de especial.

Precisamos de muitas mais reformas, precisamos de um choque fiscal a sério! No outro dia, estava a falar com uma jornalista, que nem era de esquerda, e dizia-lhe que era preciso baixar o IRC às empresas. Ela responde: “Mas vamos dar dinheiro às empresas?!…”. Eu entendo a reacção, porque a maior parte das empresas que sobrevivem neste País são as empresas que estão encostadas ao regime e que iriam beneficiar disso, mas temos é que defender as empresas que ainda não existem, os investimentos que hoje não são feitos e deveriam ser! Porque essas é que vão criar o emprego e riqueza. O IRC é dos poucos impostos em que estamos em competição com o resto do mundo e é uma pequena parte das receitas fiscais. Temos que fazer uma reforma fiscal profunda, Portugal tem condições fantásticas para esta nova economia dos serviços.

Cada vez mais vamos trabalhar a partir de casa a fazer consultoria para outras empresas (temos muita gente aqui na IL que o faz). Se eu fosse Norueguês e pudesse trabalhar em qualquer parte do mundo a partir de casa, escolheria Oslo ou vinha trabalhar para Portugal? Vinha trabalhar obviamente para Portugal devido às características que temos. Temos condições fantásticas, mas não temos regime fiscal para isso.

Temos que simplificar a burocracia, temos que descentralizar, que é tremendamente importante, e temos que cortar despesa pública para fazer face ao choque fiscal. O corte de despesa tem que se começar pela parte da eficiência…

É preciso mudar a Constituição(pergunta dentro da pergunta)?

 Temos é que se calhar mudar o Tribunal Constitucional! Todas as medidas do Passos que foram chumbadas foram baseados em princípios que não podem ser retirados da Constituição! Não queremos retirar o princípio da igualdade! O TC aplicou o princípio de forma abusiva porque está povoado de socialistas, e abusaram do princípio. Seria mais indicado alterar o âmbito de actuação do TC, ou definir o que significam aqueles princípio fundamentais do que mudar a Constituição.

Continuando nas reformas, temos que dar mais liberdade de escolha nos serviços públicos, não faz sentido pensarmos que só por ser do Estado que é “serviço público”, uma escola privada que preste serviço à população, logo ao público, é serviço público! Temos que ter essa consciência! Somos todos privados, um professor numa escola pública é tão privado como um professor numa escola privada, o que temos que decidir é qual a melhor forma de todos estes interesses privados se coordenarem ao serviço do público. Portanto, é numa estrutura burocrática como o Ministério da Educação ou uma empresa que ganha mais quantos mais alunos estiverem disponíveis para isso? Acho que é esta segunda! Temos que mudar mentalidades para tal acontecer.

4) E a falta de poupança e investimento directo estrangeiro?

Este é dos nossos, se não o maior, problema macroeconómico que nós temos. Uma coisa que me faz pensar que o País não tem remédio é esta questão actual da falta de poupança. Digo isto porque já estamos em declínio demográfico e países em declínio demográfico são Países que têm que ter elevadas taxas de poupança, e é a poupança que financia o investimento, e é o investimento que eleva os níveis de produtividade que nos permite que seja possível viver num País em que 70% da população não trabalha (como poderá vir a acontecer). A verdade é que estamos a envelhecer, daqui a 30 anos vamos ter uma pirâmide populacional invertida. Por isso é que é preciso ter cuidado com temas como a Eutanásia. Acho que esta deve ser permitida, mas dentro de limites muito apertados, porque daqui a 20-30 anos vamos ter um volume de idosos elevado e isso traz consequências para o isolamento e pode levar a decisões sobre vida e morte tomadas sob pressão. Ainda tenho uma avó viva, outros já morreram e eu vi como foram os últimos dias deles. Os últimos dias do meu avô, principalmente, foram reveladores. Ele tem 5 filhos, precisou de cuidados e foi um esforço muito grande para os filhos devido aos cuidados intensivo. Eles eram 5, partilharam as tarefas e mesmo assim foi complicado. Imaginem agora num cenário futuro, com a baixa taxa de natalidade que temos, se antes tínhamos mais filhos para cuidar de um idoso, agora temos muito menos. Um idoso com dificuldades precisa de um cuidador a tempo inteiro, não podemos ter a população activa praticamente toda a cuidar dos idosos, é impossível! Tínhamos que ter um choque de produtividade tão grande no futuro para que tal acontecesse, coisa que é uma utopia nos dias de hoje e até no futuro próximo.

E não vamos ter isto, pois não temos investimento reprodutivo que traga mais valor acrescentado, não temos poupança que o sustente. É um cenário complicadíssimo que quase ninguém fala. Dou-vos um exemplo palpável que me contaram: há filhos que deixam os pais em centros comerciais no Porto (deve acontecer noutras zonas do país, provavelmente) porque não tem tempo de ficar com eles ou dinheiro para os colocar num lar. Os idosos ficam por lá porque os filhos sabem que, caso aconteça algo, é um local onde têm assistência rápida. Isto hoje é possível, mas daqui a uns anos não vai haver bancos suficientes nos centros comerciais para todos os idosos. Isto vai ser um drama muito grande que tem que ser tratado amanhã, e mesmo amanhã já é tarde! O problema é que pode já ser tarde e, mesmo com taxas de poupança elevadas e maior produtividade, a situação será dificilmente reversível.

Já não vamos lá com poupança interna mas sim externa, temos que para isso baixar o IRC consideravelmente, ter uma justiça muito mais rápida, reduzir as burocracias para investimento. Mas, temos que fazer isto de forma urgente! Temos que reformar a segurança social que é um dos principais motivos para as pessoas não pouparem. Isto implica acordos de regime. Nós vamos ser todos velhos, temos todos a perder com isto. Temos que deixar as ideologias de lado e ser pragmáticos a actuar.

5) A correcção do saldo orçamental com Centeno tem um perfil insustentável? É preciso mudar a Constituição para termos uma reforma a sério na despesa pública?

(Correcção baseada no crescimento económico. Não podemos tirar certos princípios constitucionais dela) Houve um claro ajustamento alicerçado no crescimento económico e portanto facilmente reversível em períodos  de inversão do ciclo económico. O aumento da despesa corrente no período da governação foi compensada pela quebra na despesa de capital, onde o investimento público foi o principal sacrificado. Foi um mero ajustamento orçamental, não uma correcção orçamental efectiva com um toque estrutural. Quanto à Constituição, não podemos retirar certos princípios fundamentais dela. Mas, atenção, não está Constituição nenhum artigo que nos impeça de despedir funcionários públicos, não está lá nenhum artigo que nos impeça de diminuir salários. A interpretação que foi feita teve como base princípios genéricos, como o principio da igualdade ou da proporcionalidade. Todas as Constituições os têm, mas só aqui em Portugal é que os interpretaram de forma a se pensar que a igualdade era os trabalhadores do privado sofrerem o ajustamento salarial normal em tempos de crise, e os funcionários públicos não poderem ter os mesmos cortes.

A correcção do défice não é só insustentável, como é insuficiente, estamos no pico do ciclo e ainda temos défice! As contas do Estado, considerando o ajustamento que foi feito desde 2011, e com os bons ventos da conjuntura externa, devia ter excedentes por volta dos 3 ou 4% mas… estamos com défice! Acho que a próxima crise vai ser light e depois dessa vem claramente uma mais pesada. Até pelo comportamento normal do próprio ciclo económico. Devíamos ter excedentes para compensar a descida normal do ciclo, coisa que não temos.

Em termos de reforma da despesa pública, temos que acabar com muitos institutos que não servem para nada, é difícil dizer onde temos que cortar porque quem não tem acesso ao excel do Centeno não sabe onde estão as principais gorduras do estado. Temos que repensar as funções do Estado. O sector empresarial do Estado é onde podemos cortar bastante. Temos que tornar os serviços essenciais como educação, saúde mais eficientes. Temos que pensar se deter o maior banco do País é uma função do Estado, que é um sorvedouro de dinheiros públicos, ou ter uma empresa de comboios praticamente monopolista. É? Não é! Temos que abrir o mercado dos comboios e privatizar a CP.

  • Portugal vive subjugado a um capitalismo oligárquico de Estado?

Claramente! Vamos ver uma coisa: quando o Estado coloca tantos obstáculos à iniciativa privada quem sobrevive? São as empresas que vivem encostadas ao Estado! É uma questão Darwiniana, quando o Estado impede que haja iniciativa privada de qualidade, os que sobrevivem são aqueles que estão encostados ao Estado ou pelo menos aqueles que não afligem o Estado como as grandes distribuidoras. Nós temos que ser defensores não das empresas que existem, mas, principalmente, das empresas que não existem.

6) O Elitismo e certa arrogância de centralizar a discussão em Lisboa, esquecendo o resto do País, não é criar uma bolha de um País que não existe e que problemas assimétricos grandes? Não se fala demais em descentralização e não se faz pouco? O que a IL defende?

A IL defende que o Estado central delegue mais funções ao poder local, mas que delegue os meios e a receita. Eu tenho um grande receio com os processos de descentralização mal feitos. Por exemplo, na questão da descentralização na educação, se essas competências passam do ministério da educação para as autarquias ou para as escolas em si, que é a minha preferência, quantos funcionários do ministério da educação é que se vão embora? Até porque serão uteis nas escolas ou em outros sítios… Isto é o que deve ser feito, temos que aproximar o poder das pessoas. Há um pensamento com que concordo bastante, nós podemos ter diferentes opções políticas de acordo com o quão próximo o Estado ou poder está de nós. Ou seja, à medida que o poder se aproxima do indivíduo pode-se mudar a forma como pensamos a política. Eu numa perspetiva mundial sou anarquista, acho que o mundo não tem que ter um governo, a ONU não deve ser governo de nada nem ter poder legislativo de nada. Numa perspetiva autárquica posso ser liberal social, na UE libertário. Se fosse presidente de uma autarquia como Espinho e decidisse: “ Agora o IMI vai subir dois pontos para termos um sistema de transportes públicos gratuito”. Considero esta decisão mais legítima de uma perspectiva liberal do que fazê-lo a nível nacional. Se eu enquanto individuo não gostar da decisão, vou viver para o Porto, vou para Gaia. Agora imaginem que este tipo de decisões era tomado ao nível da EU e, no limite, se transformasse numa união soviética! Era muito difícil para nós sairmos. Se eu não gostar do condomínio onde estou, posso ir para o condomínio do lado muito facilmente, se eu não gostar das regras do meu concelho posso sair do mesmo e vou para outro. Mas se eu não gostar das regras do meu País, já é mais complicado sair, mas ainda é exequível. Se eu não gostar das regras do mundo não posso ir para Marte! À medida que o poder se distancia do indivíduo, decisões colectivistas tornam-se mais perigosas. É por isso que prefiro um mundo “anarquista” sem governo, uma UE com poderes de um estado libertário, um país liberal e por ai fora…

7) Estás aberto a acordos com outras forças partidárias com acordos de pré-coligação eleitoral?

Nós estamos abertos a todos que queiram fazer acordos para reformar e liberalizar o País. Acho que, neste momento, não há ninguém com essa vontade genuína, nem de perto nem de longe. Eu juntei-me a este partido com um conjunto de pessoas liberais, na economia e nos costumes, e tenho algum receio em me juntar a forças que não o sejam. Portanto, se isso acontecesse, quebrava toda uma missão que temos aqui. Agora, se quiserem reformar e liberalizar o País é uma coisa, se não quiserem, vou continuar com os meus esforços para poder juntar e aumentar um grupo de pessoas capazes para o fazer.

8) Fazes parte do Movimento 5.7, o que podes dizer sobre ele?

É um grupo de pessoas que sabe pensar muito bem. Conheço o Miguel há muitos anos e nós temos várias discordâncias! Sempre que nos encontramos há sempre uma discussão saudável pelo meio. Aliás, há uns anos aconteceu um episódio caricato, ainda era blogger no Insurgente e fui a um congresso do PSD porque o partido convidou os bloggers para estarem lá. Como eu conhecia o Miguel e estávamos a falar, tivemos uma discussão até bastante audível sobre uma votação recente na AR, que ainda hoje algumas pessoas lá dentro se devem recordar. Eu tenho um enorme respeito intelectual por ele, discordo hoje muito de certas posições dele, mas sei que aquilo que diz, diz de forma informada. Sei que quando vou discutir com ele, vou discutir com uma pessoa que percebe, e não vou ter uma discussão com base em “achismos”, como ele sabe mais do que eu, gosto de discutir com este tipo de pessoas. Aliás, ele sabendo das nossas diferenças não hesitou em contactar-me para o 5.7.

Aquele discurso que eu fiz no movimento, que muita gente não gostou, eu acho que ele já esperava que fizesse algo do género. Ele acha que temos que repensar a direita ou ala não socialista numa perspetiva das ideias, na perspetiva intelectual e é isto mesmo! Este espaço não pode pensar a vida toda em apagar fogos ou a pensar nas eleições seguintes. É um espaço que se tem que estruturar ideologicamente e de se preparar pois, se não fizermos este exercício, vamos acabar sempre por ter uma visão de curto prazo e emocional. O Bloco de Esquerda fez bem este exercício nos anos 90. Quando o BE apareceu o discurso era muito ideológico: “A revolução ainda não está acabada” era a principal mensagem. Esse conjunto de ideias do que deveria ser a esquerda venceu. Hoje em parte o PS é novo BE, só não são mais a nível de doutrina o que o Louçã quis que a esquerda fosse, porque o PS existe para se agarrar ao poder. E a ala socialista nunca fez isto, nunca parou para pensar no que é que vamos ser.  O Miguel falou inclusive que sociais democratas, conservadores, liberais entre outras forças da ala não socialista, se devem juntar para reformar o País. Isto é importante: quem quer liberalizar e reformar o País é necessário. Mas se o que queres é que sectores continuem protegidos e não queres liberalizar o País, então não fazes parte da solução. O que importa são as ideias não de onde vêm as pessoas.

 

9) Esperas uma surpresa para a Iniciativa Liberal nas legislativas? A vossa comunicação tem estado muito bem.

Eu vou ser muito honesto: o nosso objectivo é cumprir a missão de divulgar ideias no dia a dia. A IL é um partido novo sem grande atenção mediática, sem um líder popstar mediático. Eu não sou o André Ventura que está nos programas de futebol ou o Marinho e Pinto que está nos programas da manhã. Portanto, antes de convencermos as pessoas, elas tem que saber que existimos e nós vamos chegar a estas eleições numa situação em que muitas pessoas não saberão sequer que existimos. Isto é perfeitamente normal, as coisas demoraram muito tempo até serem conhecidas. Teremos que fazer esse caminho sem atalhos. Eu acredito que, entre as pessoas que nos conhecem, a adesão vai ser boa. Para mim, o objectivo nesta altura é informar as pessoas, contribuir para o choque cultural que o país precisa. É isto que queremos fazer. Se vier algo por acréscimo? Melhor, seria fantástico! Mas vamos fazê-lo percorrendo este caminho com pequenos objectivos diários. Se os nossos objectivos fossem só eleger alguém, como já disse, de maneiras pouco éticas, não me teria metido nisto.

Quando me convidaram, estava eu de férias, e perguntaram me sobre o que achava do projecto. Eu disse, antes de me convidarem, que achava que o partido teria poucas hipóteses de eleger alguém. Mesmo assim convidaram-me para me candidatar a presidente e eu aceitei. Eu sabia perfeitamente ao que ia. O que interessa nesta fase é informar as pessoas, a divulgação de ideias. Já no meu tempo enquanto blogger e em jornais, achava que um partido era uma plataforma fantástica de fazer chegar informação às pessoas, e hoje ainda mais. Temos meios que nenhum blog ou think thank pode ter: por exemplo colocar cartazes em zonas fantásticas quase de “borla”. Digo que é de borla porque um cartaz no Marquês de Pombal custa-nos cerca de 800€ por ano. Reparem: fazem isto por 800€ ano, não é nada comparado com o que as empresas pagam!

O meu receio é que um resultado eleitoral menos conseguido possa ser um factor de desmotivação e que o partido não se torne tão grande no longo prazo como deveria ser. Existe alguma excitação dentro de uma certa bolha que fora dela talvez não exista e isso pode ser um problema. Mas dizem-me sempre que eu sou excessivamente pessimista.

Porquê que achas que ninguém vos dá atenção mediática…?

Existem 15 partidos que ninguém liga, nós, o MPT, o POUS.. é verdade! Nós temos que provar que merecemos essa atenção, nas urnas, no dia a dia, fabricando conteúdos. Muita da atenção que temos hoje é através de artigos, temos mais de uma pessoa da IL a escrever artigos todos os dias. Produzimos bons conteúdos e é assim que vamos atrair a atenção da imprensa. O caso das Infraestruturas de Portugal, que nos retirou o cartaz de forma ilegal, foi o caso mediático que nos deu mais visibilidade. Foi uma visibilidade gratuita que surgiu inesperadamente, mas que resultou do esforço de recolha de fundos para colocarmos os cartazes. Se não tivéssemos feito o esforço de recolha de fundos para os cartazes, esse caso nem sequer teria acontecido. É preciso sorte, mas é também preciso procurá-la.

 

10) Como olhas para a comunidade muçulmana em Portugal e para a política de refugiados europeu?

Eu vivi a maior parte da minha vida adulta no Dubai, e trabalhava nas áreas envolventes, como a Arábia Saudita, Paquistão entre outros países como a Nigéria e Filipinas. Estive, portanto, muito exposto à cultura islâmica.

Quando falamos em refugiados acho que não é sequer questão. A Europa até pela sua história tem a obrigação de receber todos os refugiados da guerra. Não nos passa pela cabeça que nos anos 40 na fronteira de Espanha tivéssemos limitado a entrada de judeus. Quantos refugiados de guerra europeus saíram para outros continentes, especialmente americano? Faz parte da nossa história. A minha filha actualmente é cuidada por uma refugiada Síria que é educadora no infantário dela. Quanto a refugiados, não tenho qualquer dúvida que temos que os receber. Temos que fazer, portanto, a distinção entre refugiados de guerra e imigrantes económicos. No caso dos refugiados de guerra nem deveria ser questão se os recebemos ou não.

Em relação aos imigrantes, não podemos permitir que, quem venha de barco, arrisque a sua vida e os deixemos à sua sorte, é uma insensibilidade. Agora, os imigrantes económicos que chegam de barco, devem ser salvos, e regressar ao consulado do seu país de origem para se candidatarem como os outros. Não podemos permitir que as pessoas que arriscam a sua vida tenham prioridade face às pessoas que seguem o seu percurso normal. Senão estamos a incentivar o risco e teremos sangue nas mãos cada vez que um imigrante económica morre no Mediterrâneo.

Sobre a comunidade muçulmana especificamente: eu ganhei muito respeito pela comunidade muçulmana quando estive fora. Fui muito bem tratado. Mas vi também no meu tempo na Arábia Saudita o que é que o extremismo religioso pode fazer a um país. É importante integrar estas pessoas, tendo sempre como base os nossos valores europeus. Um desses valores é a tolerância: a Europa cresceu com todas as culturas, mas com um conjunto de valores base que temos que preservar. A comunidade muçulmana em Portugal é relativamente pequena e muito pacífica. Não a vejo como um problema, de todo. Estamos de parabéns pela nossa capacidade de integração.

Entrevista ao líder da Iniciativa Liberal, Carlos Guimarães Pinto, no Hotel Fénix no final de Março. 

Entrevistador: Mauro Merali 

Foto: Jornal Eco Online

António Costa vai perder as eleições(mais uma vez!)

Podemos avaliar um governo, em geral, através de duas grandes variáveis que se ramificam em tantas outras: evolução macroeconómica e capacidade administrativa do território(vamos incluir aqui serviços entre outras componentes). O governo de António Costa, com suporte neo-comunista e soviético, nunca olhou de forma coerente para a componente macroeconómica e finanças públicas. Um financeiro que se preze, coloca sempre a questão quando olha para qualquer empresa: Será que esta, através do seu desempenho económico e financeiro,   pode remunerar os seus accionistas e terá esta a capacidade de solver os seus compromissos no futuro?

Ou seja, temos não só de olhar para o equilíbrio que esta tem que ter no curto prazo, mas igualmente que esta garanta resultados futuros que nos permitam resolver os compromissos que temos com os nossos credores. Mário Centeno e António Costa fazem precisamente o contrário do que mandam as práticas da boa gestão e, fazem,  o que qualquer empresário “merceeiro” português faz: olham para o curto prazo, esmagam os fornecedores, adiando cada vez mais os pagamentos a estes, de modo a que este “não pagamento” sirva de alívio artificial de um défice preso por arame farpado com soldadura de má qualidade.

A má qualidade da execução orçamental dos 4 anos de Centeno e Costa, mostra que não só a prática da soldadura é má, como colocaria qualquer soldador com os olhos em bico. O aproveitamento da ignorância dos portugueses em matérias económicas é, no entanto, bem aproveitada pela dupla mor que compõe a quimera geringonçal permitindo que estes façam a festa com creme que parece de qualidade “Parisiense”, mas que, na verdade, é da loja do chinês de uma esquina qualquer de Corroios ou do Seixal.

Colocar como fasquia de “sucesso”, diminuir o défice através de um aumento da receita efectiva, muito pelo efeito do aumento dos impostos indirectos(ISP; IVA..), e de uma manutenção elevada dos impostos directos(IRS, IRC..),  aproveitando para aumentar a despesa pública corrente que, em períodos de crise, é de difícil diminuição, diminuindo a despesa de capital e por sua vez o investimento público, afectando os serviços e os mais pobres, para alimentar as clientelas do Estados e os mesmos de sempre, é de uma irresponsabilidade atroz por parte de Costa e Centeno.

O problema, é sempre o mesmo, estamos numa inversão do ciclo económico como acontece sempre, é de responsabilidade do governo poupar em períodos de crescimento para que, em períodos recessivos, haja folga para diminuir impostos e assim estimular  actividade económica, este governo faz tudo ao contrário, dá a ilusão que o défice está controlado, pois o efeito crescimento traz mais receita que alimenta a redução do défice, o que está profundamente errado, pois devia alimentar os serviços públicos e não uma redução artificial que está ligada ao ciclo económico e não à redução da despesa pública que, ai sim, corresponderia uma redução efectiva do buraco das contas públicas.

Quando este período positivo conjuntural passar de vez, o que fica à vista é uma enorme despesa pública que aumentou irresponsavelmente, e que a direita, se for governo terá que diminuir, ficando outra vez com o ónus da austeridade e com o trabalho de casa por fazer. António Costa sairá de cena cumprindo o que sempre quis: ser Primeiro-Ministro mesmo que apoiado por um conjunto de cabalas políticas sem sal que nem no jurássico tinham lugar. O ego e o seu narcisismo perigoso colocam Portugal outra vez numa situação de incumprimento e de insustentabilidade com tudo a ruir à nossa volta, desde ao maior nivel institucional como Tancos e casos familiares típicos de um governo africano, como a nível de segurança básica como Pedrógão, incêndios de Outubro e falta de combustíveis que cuja greve já o governo tinha pré aviso desde inicio de Abril e nada fez.

É demasiada incompetência, complacência, mediocridade e bota-baixismo por parte de Costa e da sua trupe. Já devíamos estar habituados, afinal, o PS pouco mudou desde Soares, pensa que é dono do regime, da nação e da democracia. O problema, é que o povo português, tal como em Outubro de 2015, não falhou, Costa é que por golpe palaciano falhou ao País e pagará por isso em Outubro deste ano com a federação das direitas a ter maioria absoluta e este a ser remetido a um canto escuro, do qual nunca devia ter saído.

Mauro Merali

Comparar Passos Coelho com Costa é um atentado à moral

Catarina Martins, tem vários momentos em que não consegue puxar a carroça para sítios com sombra, por outras palavras, a deputada com a voz mais esganiçada do parlamento português não usa a réstia de cérebro que tem para pensar e racionalizar as coisas mais básicas da vida. Talvez seja o regime solarengo do déspota e nepotista António Costa e as várias promessas ao BE de mais poder em cargos governativos, que colocaram Catarina Martins desorientada ou pelo menos deslumbrada é que, em certos momentos, Catarina aprova orçamentos com ajudas à Banca, caso do Banif em 2015 e Caixa mais recentemente e na semana seguinte critica Costa por essas mesmas ajudas. Mais hipócrita é difícil, mas Catarina bate todos os recordes.

Mais desonesto ainda, é comparar contextos de ajudas ou financiamentos à banca. Catarina compara as intervenções de Costa, onde uma era totalmente desnecessária, como a ajuda ao Banif em final do ano de 2015, que cujo peso na banca portuguesa quer em depósitos quer em crédito concedido eram relativamente baixos e que portanto cujo impacto sistémico no sistema financeiro nacional era baixo (Além disso, em 2016 entrava em vigor um novo regime de ajuda à banca onde quem tem depósitos acima de 100 mil euros e dívida sénior, eram chamados primeiramente a salvar a instituição antes de se usar o dinheiro dos contribuintes),  com as de Passos Coelho que foram para salvar bancos da desgraça do polvo socialista que tinha Carlos Santos Ferreira, amigo de Sócrates, na Presidência do BCP, Vara na Caixa e Salgado no BES antes da sua chegada ao poder e que colocaram a banca com um crédito malparado gigantesco

Santos Ferreira e Vara concediam créditos aos amigos do regime e à oligarquia vigente, Sócrates protegia e ajudava Salgado na manutenção do seu conglomerado falido. Tudo bons amigos, tudo bons conhecidos. Ninguém sabia de nada, mas caíram todos quase ao mesmo tempo, a lei do retorno é tramada meus caros. Passos Coelho sabia que Portugal se tinha de libertar das grandes famílias rentistas do regime, que controlavam e mantinham a Economia Portuguesa numa inércia surpreendente de quase duas décadas, para isso Ricardo Salgado tinha que cair e caiu. Passos procedeu à maior higienizarão que Portugal viu em democracia, cortando o elo político entre política e negócios, mal que este País tem entranhado desde os primórdios da criação da república.

Tal acto ainda hoje o coloca como o primeiro alvo a abater pelas elites de Lisboa que tanto odeiam a figura do ex-primeiro-ministro que ganhou as eleições legislativas a António Costa em 2015. A figura que não liga aos amigos do PS, da maçonaria dos negócios e que reformou, de modo incompleto e com bloqueios de tribunais politizados, sem medo. Pedro Passos Coelho é claramente incomparável face a António Costa, não se compara coluna vertebral com criaturas que não a tem e muito menos quem tem visão de futuro com quem usa e abusa da  navegação à vista. Não é uma questão de gosto, é uma questão de moral, bom senso e até de alguma lucidez mental.

Mauro Merali

 

 

O jogo mudou, caro António

António Costa tem características irritantes mas que, ao mesmo tempo, mostram a sua fraqueza. Por um lado, Costa tem um sorriso seráfico, manhoso, mentiroso, quase que projectando um homem de pedra ao nivel sentimental, o que lhe leva para “patamares superiores” no debate político, intimidando e cansando os seus adversários com uma mascara bem oleada. Por outro, essa mascara cai sempre que o primeiro-ministro é confrontado com a realidade, Assunção Cristas tocou num ponto normalíssimo- qual o plano de actuação do governo na área e se condenava os actos no bairro da jamaica- e, sabendo que a pergunta era incómoda, Costa refugiou-se num sound bite básico e etéreo como a “sua cor de pele”. Do maquiavélico estratega, ao cobarde capaz de verbalizar e usar o conceito minoritário étnico para se esconder de uma resposta que não sabia dar.

Este é o primeiro-ministro, não eleito pela vontade popular, que temos. Não só no campo de actuação do combate político, como no exercício pleno do uso dos seus poderes. Costa não usa o poder que lhe foi conferido pelos trâmites constitucionais, efectuando uma aliança contra natura, para gerar reformas que mudem a estrutura de crescimento da Economia Portuguesa a médio e longo prazo, usa o seu poder como um mero jogo táctico político de sobrevivência da sua própria espécie, que já mostrou aos portugueses que o seu mandato, não é passível de ser renovável por muito mais tempo, não só pela petrificação dos serviços gerais públicos, prejudicando quem não tem rendimentos de maior e liberdade de escolha por esse facto, como usar os próprios serviços como forma estrutural de consolidação orçamental, reduzindo o défice artificialmente para Bruxelas e povo verem.

Claro que o trabalho de Costa e dos seus ministros que cuja família se instalou no reino do assalto ao orçamento, não está terminado. A oligarquia socialista, as mesmas famílias de sempre que nos colocam pobres já faz umas décadas, tem que se perpetuar de vez na corte de Lisboa. Se Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, cortaram a fita de Salgado, o mesmo quer dizer que disseram um redondo não à oligarquia vigente que só funciona com dinheiro alheio, compadrio e não com recursos próprios, Costa quer voltar a colocar as mesmas peças de xadrez no mesmo sitio de sempre. E é isso que em Outubro de 2019 temos que impedir: Que Portugal fique outra vez nas mãos das famílias rentistas do regime, que criam impérios, rendas certas e garantidas bem como influência na gestão e contratos públicos que tanto lhes agrada.

Portugal tem que dizer sim ao que Passos Coelho fez, sim ao corte com os mesmos de sempre, sim à redução da intervenção do Estado que não deixa crescer pequenas e médias empresas com custos de contextos, impostos e pagamentos especiais por conta sufocantes, sim à liberdade de escolha entre sectores. Sim a um Portugal livre do socialismo clientelar de Estado.

Mauro Merali