Autor: manifestoantikeynes

RE: Legado de Karl Marx

No Expresso um artigo de opinião comemora  os 200 anos do nascimento de Karl Marx ou seja, o obscurantismo económico sobrevive.

Resistirá à interpretação do fenómeno humano no mundo da arte em dois cenários?

1. Um artista num assumo de inspiração passa a noite a construir uma instalação. Custo dos materiais envolvidos: 500€ (atente-se: um artista também precisa de capital inicial). Na manhã seguinte o seu galerista faz uma avaliação: 50 000€. Lucro de… é só fazer as contas mas assim seja realizado e terá agora disponível bem mais capital para instalações mais ambiciosas.
2. Um artista num assumo de inspiração pede a um serralheiro para lhe construir a mesma instalação. Custo dos materiais envolvidos e da mão-de-obra: 1000€. O artista precisou agora de mais capital inicial que no primeiro caso para… pagar a mão-de-obra. Repare-se que se não o tivesse (o capital de 1000€ em vez dos 500€) não teria como adiantar, assumindo esse risco, esse montante à mão-de-obra. Avaliação da galeria da arte: 50 000€. Lucro à custa da “exploração do homem pelo homem”: é só fazer as contas. Mas seguramente tem agora mais capital para arriscar no adiantamento de maiores custos com mão-de-obra na realização de actividades que contêm a incerteza de encontrarem sequer a preferência necessária a cobrir os custos objectivos.

Conclusão: toda a actividade com o fim de ser avaliada num processo de troca pelos outros tem a sua arte, o capital tem de pré-existir para sequer poderem existir salários, todo o valor é subjectivo ao objecto (ou o que seja, podem ser um poema declamado) e não ao como – se tem mais ou menos mão-de-obra incorporada – o objecto foi criado e o lucro puro só tem lugar quando existe arte (em concorrência aberta com os outros artistas).

Carlos Novais