Eles só querem as virgens…

Não, nós não podemos simplesmente “continuar com as nossas vidas”.

Winston Churchill uma vez disse: “Iremos até ao fim. Lutaremos na França. Lutaremos nos mares e oceanos, lutaremos com confiança crescente e força crescente no ar, defenderemos nossa ilha, qualquer que seja o custo. Lutaremos nas praias, lutaremos nos terrenos de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos.” (parafraseado). Esta é uma parte de um dos maiores discursos de sempre, a quando da luta conta o Nazismo, que estava a destruir a Europa. Aplica-se na perfeição quando falamos sobre o terrorismo fundamentalista e os atentados, como o de ontem.

Posso parecer hipócrita ao escrever isto porque eu tenho o privilégio de viver num país relativamente seguro, como Portugal, mas não consigo ficar indiferente à forma atroz como o mundo europeu e a própria humanidade se estão a subjugar a bárbaros que vivem da miséria e da tristeza dos inocentes. Hoje em dia, enquanto nos preocupámos mais com futilidades, comos os Twittes do Trump, assistimos ao desmoronamento da sociedade ocidental e dos seus valores. Os valores da democracia, paz e respeito.

Nas mesmas ruas onde em tempos se respirava a liberdade, hoje inala-se o cheiro podre da morte e do mal. Preferimos continuar parados. Ataques insensíveis contra quem não tem culpa de nada, acabam por preencher discursos de políticos por todo o mundo. Esses mesmos políticos superprotegidos que vêm exigir aos povos desprotegidos para “não terem medo e continuarem a viver as suas vidas”.

Como é que não se pode ter medo?

O primeiro passo para se resolver um problema, é saber reconhecer que existe um. Eu reconheço.

Comecem por proteger o povo desprotegido e desproteger os políticos superprotegidos. A partir desse passo, poderemos deixar de ouvir os discursos politicamente corretos que apenas servem para o eleitoralismo desmedido e começar a agir. Eu estou com quem, no passado dia e em todos os outros casos, viu o pai e a mãe partir em vão. Eu estou com quem viu o amor da sua vida desaparecer num atentado desumano. Eu estou com quem perdeu um filho ou filha, apenas porque tiveram o azar de estar no local errado à hora errada. Eu estou com quem precisa de reconforto e encorajamento. Não estou, nem nunca estarei com quem, ao assistir a este tipo de episódios, não vir razões suficientes para aceitar a necessidade de uma mudança. Isto já não é uma guerra entre o bem e o mal.

Isto é uma guerra entre quem se diz representante do bem e aqueles que pelo menos têm a decência de admitir que são o mal. Nós, os pequenos, somos apenas o tabuleiro sujo onde, os anteriores, jogam para ver quem fica com mais. Percebam que isto já não é um conflito religioso, nem nunca chegou a ser. Isto é apenas o reflexo dos interesseiros que gostam de usar religião e o pretexto da “vingança” para poderem encher os bolsos. Enchê-los de dinheiro e poder, cobertos das almas de quem um dia ousou ser livre. Inspiram o fundamentalismo religioso, tal como no passado, outras religiões o fizeram (exemplo da inquisição). Não, nós não “podemos continuar com as nossas vidas”, porque enquanto houver gente inocente a morrer nas ruas, seja aqui seja em qualquer parte do mundo, não haverá razões para apenas “continuar”.

A religião, seja ela qual for, deve servir para unir.

Termino ainda com muito por dizer, mas, com a mesma pergunta. A mesma que faço em todos os atentados. “Até quando…?”

Ainda temos muito para aprender com Winston Churchill…

Tenho dito.esta

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