Autor: Fernando Sobrinho

CONTO DOS LUSITANOS

Viriato decide reunir o Conselho de Ansiãos Lusitanos para analisar a resposta à exigência de Vetílio, cônsul local enviado por Roma, para que os Lusitanos passem a pagar um tributo, “o dízimo”, em contrapartida dos muitos serviços que serão prestados ao Nobre Povo Lusitano.

Os ansiãos mostram-se nervosos, não só com a presença recente dos romanos, mas com a utilização por parte de Viriato de todo um novo vocabulário.

A começar pela palavra “exigência”. Então alguém se atreveria a dirigir-se a um proprietário de um bem, honrada e esforçadamente adquirido, fosse ele uma casa ou uma cabra, uma pedreira ou um pomar e exigir que lhe fosse entregue uma fracção desse bem? Em troca de quê?, questionavam.

– Pois, já explico – contrapunha Viriato, tentando também ele perceber o novo cenário que lhe tinha sido apresentado – digamos que não é uma troca imediata, os benefícios surgirão a prazo!

– Mas se não é uma troca imediata, porque a aceitamos? Podem alguns de nós recusar?

– Não, esclareceu Viriato, a recusa tem punição pela espada, não desejarão os romanos ver que existem pessoas desobedientes. Esse comportamento será exemplarmente punido, para que outros o não repitam.

– “Mas então,” contrapôs alguém, “se me é exigido parte do meu património, em troca de nada e sob ameaça de espada, qual a diferença para o roubo de que de vez em quando somos vítimas? O que distingue a exigência do tributo, de um assalto em que um encapuçado nos anuncia “um cabrito, ou a vida”?

– “As contrapartidas, os serviços, enfim… para além de não lidarmos com embuçados mas com homens de capacete, são… sem mais demoras… pois, temos de falar dos benefícios e das contrapartidas… segundo percebi – e vamos ser prácticos – acontecerá o seguinte: quem tiver 20 novos cabritos nascidos dá 2 ao Cônsul, quem explorar uma mina dará um décimo da produção anual de pedra britada, quem colher 50 arrobas de batatas ou maçãs dará 5 arrobas de batatas ou maçãs ao Cônsul e por aí fora. Parte destes produtos será utilizado para pagar a quem vai realizar as obras que Roma pretende ver realizadas, parte destes produtos será utilizada para sustentar os romanos que nos ocupam e parte seguirá para Roma, para pagar a quem pensou em tudo isto.”

– “E que obras serão essas?” ouviu-se.

– “Estradas, meus caros, estradas!” Sabendo que a generalidade dos ansiãos não fazia a mínima ideia do que seriam estradas, acrescentou: “isso fará toda a diferença, passaremos a estar ligados a Roma e faremos parte da civilização, será o fim da miséria em que vivemos. As estradas são o meio que nos permitirá aceder a novas riquezas e culturas e nos permitirá chegar a Roma num instante. A construção da estrada será uma oportunidade para os filhos de lavradores sem rebanho, por exemplo, ganharem uma cabra por participarem no projecto, construindo a estrada”.

Finalmente o cenário mostrava-se interessante. O verbo mágico “ganhar” tinha trazido algum apaziguamento à angústia que se tinha gerado. Seguiu-se um momento de silêncio em que alguns dos ansiãos calculavam quantos dos seus descendentes se poderiam empregar em tal empreitada e até em quantos novos rebanhos poderiam ser gerados para a comunidade.

O ambiente no Conselho de Ansiãos, tenso que estava no início, desanuviara-se e até mesmo Viriato, que no início tivera dúvidas sobre o negócio que lhe fora por Vetílio proposto (por lhe parecer imoral), começava a considerar, à medida que repetia por palavras suas a conversa que tivera, de forma positiva os impactos que teria.

O velho Abel, por todos respeitado pela sua sabedoria, por ser capaz de prever quando as mulheres paririam, quando a lua nova surgiria, ou quando se deveriam fazer as sementeiras, o velho Abel, aclarou a garganta em sinal de que queria falar, e os murmúrios cessaram. Tardavam as suas palavras e era certo e sabido que o Conselho dos Ansiãos não deliberaria – nunca o tinha feito!, sem o ouvir. Abel, parecia em transe, percorria os rostos de todos e de cada um dos Ansiãos reunidos, repetidamente, como se nunca os tivesse visto antes, retomando o processo várias vezes antes falar. Disse:

– “Ficaremos todos mais pobres: Tu, que vais perder 2 cabras, estás feliz porque o teu filho vai receber 2 arrobas de milho, quando voluntariamente trocas 2 cabras por 10 arrobas de milho e, pergunto, também estás feliz por teres de adiar a construção do novo celeiro, que o teu filho deixará de fazer por ter de ir trabalhar na construção da estrada? tu que vais perder 20 arrobas de batatas estás feliz por receber 1 cabra, quando, voluntariamente só as trocas por 4 cabras. Tu, que vais deixar de ter pedra para uma das 10 casas que costumas construir todos os anos, estás feliz por o teu filho ir receber uma quantidade de batatas, milho, maçãs e cabras muito inferior às que obterías com a construção da casa cuja pedra os romanos te exigem. Não vêem vocês”, prosseguiu, “que o sustento dos soldados e aquilo que chegará ao Imperador romano e suas cortes é exactamente o que faltará à nossa comunidade? Que o trabalho que aplicarmos na construção da estrada é o nosso trabalho que deixa de ser aplicado nas coisas de que cada um de nós mais necessita? É certo que teremos uma estrada mas não esqueçamos nunca que essa estrada tem para cada um de nós um custo muito mais elevado por ser construída não voluntariamente. A estrada é só um estratagema para nos devolverem, como contrapartida de trabalho adicional que nos exigem, parte dos recursos que nos roubaram*. E isso é imoral!”

Findo o discurso, o ambiente tinha novamente mudado e Viriato diz: ”Defendo que não paguemos tributos a Roma!”

– “Mas então…”, interrompe um dos membros, “quem vai construir as estradas?”

*IMPOSTO É ROUBO

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O LUGAR DAS DROGAS

A Cristina Miranda escreveu há poucas semanas um artigo com o título “O Lugar das Drogas é nas Farmácias”.

 

Um artigo escrito com a intensidade que a Cristina imprime sempre que escreve não pode, nem deve, ser respondido de imediato – sobretudo tratando-se de um assunto em que todos temos razões para termos uma posição rígida, convictos que estamos da bondade da nossa verdade, baseada na vivência de cada um e das suas convicções ideológicas.

Sendo a minha convicção ideológica o Libertarismo

tenho como uma das minhas citações favoritas uma frase do David Friedman “Todos têm o direito de viver as suas próprias vidas e de irem para o inferno da maneira que mais lhes agradar”.

Os libertários recusam qualquer intervenção do Estado que afecte a sua vida, limite a sua liberdade ou que interfira na sua propriedade. São estes direitos naturais que existem antes do Estado, e que o mesmo Estado, a existir, terá de garantir.

Há já algum tempo, escrevi um artigo, “Por uma lei que proíba o tráfico de drogas

 

sobre este tema das drogas e do papel do Estado. Sucintamente, nele refiro que a intervenção do Estado (legislativa, policial e prisional), tem sito totalmente inócua e favorecido não só o tráfico de drogas, como a corrupção dos elementos envolvidos no seu combate, ao mesmo tempo que se verifica a degradação da qualidade das drogas, e dos seus efeitos nefastos. Concluí então que o Estado português está unicamente interessado em manter a protecção dos lucros dos traficantes de droga. Assim:

“Manter o rumo é totalmente imbecil e irresponsável, para além de constituir um claro desperdício de meios.

Quando a legislação nacional despenalizou o consumo da cannabis mas continuou a proibir o consumidor de a produzir ou adquirir de forma legal, criou as condições ideais para a protecção e maximização do lucro dos traficantes.

Não reconhecer isto é ignorar a realidade. Será por falta de perspicácia, em sentido económico, por parte do poder legislativo? Cada um que tire as suas conclusões!”

Esta longa introdução visa caracterizar a perspectiva de uma direita (libertária) que se opõe a uma outra visão de direita (conservadora).

Farei o cotejo de posições seccionando o texto da Cristina em 3 blocos, recorrendo para cada um deles, a citações do texto referido, que aqui tento refutar.

PRIMEIRO – LIBERALIZAR É FALSA VIA

É preciso acabar urgentemente com esta irresponsabilidade dos Estados que ajudam a difundir informação FALSA (seguindo a cartilha do multimilionário Soros) de que consumir canábis para fins recreativos não tem mal algum (porque é droga “leve”) e que a liberalização é imperiosa para acabar com o tráfico e as máfias. Mas se assim é como explicam que a Holanda esteja agora a braços com os turistas da droga que fez aumentar o narcotráfico nas ruas dos coffee-shops e o Colorado que passou a ser destino dos toxicodependentes de todo o país?”

Isto é um bocado denso – haverá que se desmontar em várias peças:
a) que os Estados ajudam a difundir informação falsa – isto é pacífico, sim Cristina! … e que ao fazê-lo seguem a cartilha do Soros – aqui acho que não! Já o faziam antes de Soros ter nascido, e se há área em que não precisam de aprender nada com o Soros, esta é seguramente uma delas. O Soros, ao pé dos gangues Estatais é um amadorzinho!

b) que a liberalização é imperiosa para acabar com o tráfico e as máfias – é sim, lamento, mas isto é epistemológico, se os abacates não forem comercializados livremente haverá tráfico e máfias do abacate assim como haverá tráficos e máfias para o abacaxi e a abóbora… por ordem alfabética, até à letra z. Por uma razão simples, é que para que exista tráfico é necessário que o produto traficado não possa ser livremente comercializado. Assim, a liberalização do comércio de um produto, qualquer que ele seja, acaba automaticamente com o tráfico.

c) os casos de Amsterdam e do Colorado (USA). Comecemos por Amsterdam: a procura que existe de drogas que não se consomem nas coffee-shops é maior por existirem coffee-shops? Não, é menor! Quem já teve a oportunidade de passear em Haarlemmerstraat sabe que a oferta de drogas é muuuito menor à que existe, por exemplo nas Ramblas, ou na Ribeira, de cidades como Barcelona e Porto, respectivamente, onde não existem coffe-shopps! Quanto ao Colorado, que legalizou a marijuana recreativa em 2012, o que distingue este Estado de todos os outros? Também no Alaska, na California, no Maine, em Massachusetts, Nevada, Oregon e Washington existe a liberalização da produção, comercialização e consumo recreativo de cannabis. É que, de acordo com este relatório do Department of Public Health and Environment (DPHE) do Colorado, constituído por 14 membros especialistas em epidemiologia de drogas, epidemiologia de vigilância, toxicologia médica, medicina pediátrica, psiquiatria, toxicodependência, farmacologia, medicina pulmonar, medicina neonatal e perinatal e saúde pública concluíu o seguinte:

  • Não se alterou, desde a legalização o número de pessoas que utilizam ou a freqüência de uso entre usuários;
  • Com base nos dados mais abrangentes disponíveis, a percentagem de adolescentes utilizadores de cannabis é idêntica à média nacional.
  • Não se identificaram novas disparidades no uso de cannabis por idade, gênero, raça, etnia ou orientação sexual desde a legalização.
  • O uso diário ou quase diário de cannabis entre adultos é muito menor que o álcool diário ou quase diário ou uso do tabaco. Entre os adolescentes, o uso de cannabis é menor que o consumo de álcool.

Ou seja, nada leva a crer que a liberalização do consumo de cannabis, para fins recreativos, tenha trazido qualquer novo problema ao Estado do Colorado…

SEGUNDO – PROIBIÇÃO NÃO AUMENTA O PROBLEMA

Outra falácia para vender a teoria é que a proibição aumenta o problema. Então porque não é problema na Arábia Saudita?”

Ahhh a Arábia Saudita, esse paraíso na terra, onde uma garrafa de vodka Smirnoff se pode comprar por 250 EUR, apesar de existir uma lei que condena à morte, em execução pública, quem beber álcool e condena a pena de cadeia, de 1 a 6 meses quem consumir haxixe!

 

Ahhh a Arábia Saudita, esse paraíso na terra, que tanto tenho evitado conhecer, por ser a antítese de tudo aquilo em que acredito, por ser terra onde os Direitos Humanos não têm expressão, é um sucesso no combate às drogas? Bom, há que gooooooglar, tentemos “Drug Addiction Saudi Arabia”, e a primeira opção é

“The Growing Addiction Problem in Saudi Arabia”

Problem? também aqui? Nem neste paraíso, se resolveu este problema com a proibição? E que tipo de problema é? Um grupo de sheiks fumou uma ganza? Nooop, “Since 2004, Saudi Arabia has reported the highest number of amphetamine seizures in the world. That number making up a staggering 30% of the global figure”

que na língua de Camões quer dizer que a Arábia Saudita tem o maior numero de apreensões de anfetaminas do mundo: 30% do total mundial! Ora, se assim é, ficamos na dúvida o que andará a fazer nesse país tanta anfetamina, porque das duas uma: ou é malta que gosta de ver anfetamina apreendida e por isso a leva para a Arábia Saudita, recebendo de bónus umas chibatadas e um par de meses na cadeia, ou então, o mercado saudita é enorme e os lucros a obter compensam o risco – estou mais tentado a acreditar nesta última opção, mas cada um que aposte por si.

Deixando o racional puro, será que existem estatísticas que permitam tirar conclusões empíricas?

“Although statistics around the precise number of drug addicts in and around the region have been hard to come by, statistics from rehabilitation centers in the area have shown a dramatic increase from the 10 thousand people a year in the 2000’s, to currently treating more than 50 thousand patients annually. The rising drug epidemic and corresponding addiction crisis is something that needs to be tackled head on, and in a more open form of acknowledgement. The numbers don’t lie, and at this rate, they don’t seem to be slowing at any time in the near future.”

Ou seja, não há estatísticas mas o numero de pacientes em centros de reabilitação aumentou de 10 mil para 50 mil. É certo que isto não quer dizer muito, porque não sabemos quantos drogados existem fora dos centros de reabilitação, mas não é menos certo que quando o negócio dos centros de reabilitação cresce, quer dizer que algo não vai bem no paraíso saudita.

Mas a magia do Gooogle não fica por aqui. Consciente que sou de que parece mal escrever um artigo baseado em pesquisas Google até fico constrangido em apresentar outras fontes que nos elucidem sobre o problema da droga na Arábia Saudita – que como ficou claro, desde o início, ignorava totalmente. Peço portanto a vossa paciência, só para mais um link:

SAUDI ARABIA – 40% of young Saudi drug addicts taking Captagon

Em conclusão, cara Cristina, o paraíso saudita parece-me ter mal resolvido o problema do consumo de drogas, predominantemente, haxixe, anfetaminas e opiáceos.

Acreditar que a proibição do consumo de um determinado produto é a solução é ignorar os erros do passado, por exemplo o que foi tentado no “Volstead Act” (1919) (“lei sêca” dos EUA) que proibiu a produção, importação, transporte, venda e consumo de bebidas alcoólicas e é ignorar que as consequências sociais dessas proibições são muito mais nefastas! Insistir no erro, via aperfeiçoamento legislativo, penal e coercivo é sintomático de falência de espírito lógico.

 

TERCEIRO – A LIBERDADE INDIVIDUAL

“O lugar das drogas é nas farmácias e com prescrição médica. Porquê? Porque não existem drogas inócuas. A famosa canábis, que todos querem ver circular livremente em nome da liberdade individual tem implicações sérias a vários níveis (não só individuais) que não podem ser descuradas.

(…)

Porque defender drogas sem prescrição é defender a dependência aniquilando por completo a liberdade do indivíduo que passa a ser prisioneiro da sua própria liberdade.

É preciso pensar seriamente nisto antes de cometer os mesmos erros que os outros países pseudo-liberais.”

“O fim último da lei, não pode ser o de restringir, mas o de alargar a liberdade” dizia John Locke, no sec. XVII pelo que o lugar das drogas deverá ser nas farmácias, se e só se, isso contribuir de algum modo, para aumentar a liberdade dos cidadãos. O que parece evidente é que sendo só as farmácias a vender droga essa condição se não verifica. Porque não nas tabacarias? Ou em máquinas de venda automática, como acontece actualmente, por exemplo, na Suiça?

“Porquê? Porque não existem drogas inócuas” … mas venderem-se na farmácia reduz a sua inocuidade?

“Porque as drogas se devem vender com prescrição médica” então, se me apetecer fumar um charro tenho de ir ao médico de família? “Sr. Dr., tenho sido um bom chefe de família, tenho os impostos em dia, já não fumo uma ganza há mais de um ano, e agora, sabe, faz um bocado de frio à noite e tem-me dado uma palpitação de ansiedade, custa-me a adormecer, de modo que preciso de fumar uma ganza na próxima sexta à noite depois do jantar com um grupo de amigos”. E só então, munido da competente prescrição médica, caso os argumentos invocados sejam atendíveis, poderá o paciente dirigir-se á farmácia a aviar a competente receita.

Ora, se é certo que a cannabis é de facto um fármaco poderoso,

por favor veja este vídeo,

https://www.youtube.com/watch?v=zNT8Zo_sfwo

não é menos certo que a generalidade das pessoas que a consomem, o fazem por motivos recreativos. E aqui a farmácia, não faz muito sentido – embora me ocorra que, durante muitos anos, já lá vai o tempo… era só na farmácia que se obtinha o produto-campeão da recreatividade, a saber, o preservativo. Tendo as farmácias perdido o exclusivo da comercialização do produto, como perdeu de inúmeros outros, perdeu a sociedade (como um todo), algo? Não me parece!

Concluo:

O lugar das drogas é o mercado livre: Onde os consumidores, encontram exactamente o que procuram, com a qualidade que exigem, ao preço justo e sem restrições.

O lugar das drogas, não deveria ser um lugar em que o Estado protege o lucro dos traficantes e em que estes pressionam o comprador a adquirir não a droga que ele pretende mas a que eles têm para vender.

“É injusto e insensato privar um homem de sua liberdade natural mediante a suposição de que pode abusar dela.”

George Washington

ERRATA

O nosso camarada Francisco está de parabéns pela entrevista ao Jornal i.

Gostei muito. Aprecio especialmente alguém que, quando não sabe do que fala, inventa.
O problema é que nos dias de hoje, com a informação ao alcance de todos, não se pode ser tão dramático como conviria, por exemplo, aqui:

” Estamos em plena reforma e pouca revolução?

Não, só se pode combater a finança sombra com uma ideia de rutura, porque se trata de um poder gigantesco. Os resultados da Goldman Sachs são superiores ao PIB de 100 países do mundo. Eles tratam os governos como o contínuo da sua filial da Rua Augusta. Não há nenhum caminho viável ou realista, para a esquerda, que não seja o enfrentamento com o poder financeiro.

Quem fala do que não sabe corre sempre o risco de cometer erros.
Os resultados da Goldman Sachs estão aqui. Na pág. 124 fica-se a saber que foram de 7.087 milhões de USD.

Só há 28 países com PIB inferior a esse valor.  Ver aqui

Era só isto… oops, afinal não. Agora fiquei preocupado. Então a Goldman Sachs trata mal o seu contínuo? Não acredito… a sério que não! Está a dizer que a Goldman Sachs trata o contínuo como trata os bandos de assaltantes e criminosos que actuam em nome do Estado? Isso é grave e injusto! Estou solidário com o contínuo da Rua Augusta.  

A GANÂNCIA DOS MERCADOS E OS BIPOLARES

O mais divertido aspecto da choraminguice esquerdista sobre a ganância dos mercados é, para mim, a indignação que a mesma falange esquerdista tem com as instituições que recomendam prudência nos gastos do Estado Português ou mesmo, abençoados!, a impõem.

Quem vê um “artista” (político, ou economista, para o efeito é igual), afirmar uma enorme preocupação com o nível das taxas de juro e o custo que isso impacta nas contas públicas nacionais e, mantendo o ar “sério e triste” de que fala o Rui Veloso, acrescentar com toda a naturalidade que

“ o Pacto Orçamental da União Europeia obriga os governos a prosseguir objetivos orçamentais tecnicamente irrealistas e insustentáveis do ponto de vista económico, político e social”

… quem vê, lê ou ouve tal, dizia, das duas uma: ou se preocupa com a sanidade mental de quem defende estas coisas, ou explode numa gargalhada. Provavelmente, nas primeiras vezes, preocupamo-nos com a sanidade mental do “artista”, relevando tal inconsequência para o rol dos lapsos.

Contudo, com a repetição do discurso – “de preocupação com o custo exagerado da dívida”  a que se segue a “rejeição do Programa de Estabilidade por considerar que o documento contém constrangimentos europeus que impedem o crescimento
começamos a colocar seriamente a hipótese de estarmos na presença de “artistas” que sofrem de bipolaridade, sendo a fase depressiva, aquela em que se lamenta a “ganância do mercado” que nos leva o dinheirinho com que poderíamos realizar tantas aspirações magníficas em benefício dos cidadãos e, sendo a fase eufórica, aquela em que se exige que esses empata-despesas saiam da frente, porque urge dinamizar o emprego, público claro, o investimento, público sim, a melhoria dos serviços de saúde e ensino, públicos pois então, a criação de riqueza, públ   ooops… pois esta tem de ser privada, e outras coisas fantásticas que constam de extensos programas mágicos que nos haverão de conduzir à sociedade socialista que a Constituição da República Portuguesa impõe.

Sendo a bipolaridade um caso sério de saúde mental, é confrangedor que alguém se divirta com os discursos destes “artistas”. Eu, para evitar dar gargalhadas em público, que denunciariam o meu desprezo por tal tipo de pacientes mentais, tenho um truque, que recomendo: Divido 245 mil milhões de Euros por aqueles 433 mil contribuintes da classe mais alta, ou seja aquela elite que ganha mais de 20 mil EUR por agregado, por ano e que paga 37% de IRS. Findo o cálculo, caso ainda esteja com vontade de rir, tente determinar durante quantos anos mais, depois de sair da vida activa, vão os seus descendentes ter de pagar os desvarios destes anormais.

Normalmente funciona: Passa  a vontade de rir da triste palhaçada que o discurso dos indignados-do-custo-da-dívida-mas-bom-mesmo-era-ter-mais-dívida, me provoca.

Como já dediquei uma boa meia-dúzia de textos a este tema da “ganância dos mercados”, provavelmente terei já esgotado o interesse do leitor pelo tema. E se é certo que o procurei abordar em múltiplas perspectivas, também é certo que estou farto de malhar no ceguinho.

Assim, para terminar, aqui, esta série, só me falta acrescentar outra meia dúzia de coisas:

  1. Os custos elevados com os juros da dívida pública atacam-se com superavit orçamental – coisa que não vi ainda ninguém defender na Assembleia da República;
  2. Criticar “o carácter parasitário e decadente do capitalismo” por não fornecer gratuitamente os meios para o estado prosseguir a sua actividade parasitária e decadente é absurdo e redundante;
  3. Eleger como “inimigo externo” quem nos obriga a ter um mínimo de bom senso é idiotice de elevado grau;
  4. Os mercados valorizarão sempre o risco associado ao incumprimento do Estado Português – os “Quantitative Easing” do BCE podem mascarar a situação temporariamente, mas
  5. Um dia destes vamos ter mais um “banho de realidade”
  6. IMPOSTO É ROUBO.

 

CONTRAPRODUCENTE!

Antes de mais – e só para quem não me conhece, quero fazer uma declaração de interesses: sou pró-israelita desde a fundação de Israel, que ocorreu 13 anos antes de eu ter nascido!

E sou pró-israelita pela mesma razão que sou pró-curdistanês : por acreditar que um povo, todo e qualquer povo, merece ter uma pátria.

E se tivesse de escolher um povo neste planeta, com uma identidade única, inquestionável, historicamente documentada, seguidora de salutares princípios civilizacionais, um povo que possa representar o melhor da raça humana, escolheria, obviamente o povo judeu.

O povo de Yaakov, de Abraão, de Moisés, de David e de Salomão!

Um povo que foi escravizado pelos faraós egípcios, pelos assírios, ocupado pelos romanos, perseguido pelos reis ibéricos, gaseado pelos socialistas hitlerianos. Um povo que durante séculos contribuiu para o progresso da humanidade e dos países que os acolhiam. A Portugal coube, entre outros, Garcia da Horta e Pedro Nunes, sendo David Ricardo, discípulo de Adam Smith, originário de uma família judaico-portuguesa, expulsa por um rei de que não me quero lembrar.

Um povo de 17 milhões de pessoas, das quais somente cerca de metade vive em Israel, deu à humanidade:

35 Prémios Nobel da Química;
64 Prémios Nobel da Medicina:
54 Prémios Nobel da Física;
15 Prémios Nobel da Literatura;
29 Prémios Nobel da Economia

E mais não sei quantos Prémios Nobel da Paz – não digo quantos, já explico porquê!

Pronto, digo já. Porque os Prémio Nobel da Paz são uma palhaçada: árabes atacam Israel, visando a sua destruição, levam uma coça, arrependem-se, assinam um tratado de Paz, e os palermas de Oslo dão um Prémio a cada um dos outorgantes do Tratado de Paz. O que é bom para o povo árabe, porque se não fossem estas guerrinhas não tinham prémio nenhum!

De modo que sempre que um yasser arafat ou um anwar sadat congemina protagonismo universal mais não tem que fazer do que atacar Israel e levar a correspondente humilhação de derrota, imediatamente antes de receber o dito prémio que lhes satisfaz o ego.

Não, esse tipo de Prémio Nobel, não conta.

O que conta é o Nobel que reconhece o talento, o estudo, o avanço de ciência, o de contributo para o conhecimento da humanidade. Premiar com um Nobel quem inicia o ataque a inocentes, revela só a estupidez de quem o atribui – que em nada é atenuada pelo facto de o atacante acabar por assinar um qualquer acordo de paz.

Vem isto tudo a propósito de ter hoje, Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América, reconhecido Jerusalem como capital de Israel.

Celebro a coragem do POTUS por reconhecer a capital de todos os judeus, não somente do país Israel. A cidade que os judeus construíram há 3 mil anos e que foi destruída vezes sem conta, por invasores estrangeiros, sendo re-construída, também vezes sem conta, pelo povo escolhido.

Já é tempo de que todo o mundo reconheça a eterna capital dos judeus.

Qual não é a minha sorte, quando vejo que o governo português (sim, pode ser assim em minúsculas) pela voz do mui ilustre Ministro dos Negócios Estrangeiros, dizer que

Governo português defende que decisão de Trump é “contraproducente”

e, logo a seguir, Sua Excelência o Sr. Presidente da Républica, Marcelo Rebelo de Sousa, afirma, igualmente convicto, que,

Presidente da República afirma que Portugal está preocupado com gestos contraproducentes

paro o Hatikva!

e digo para mim mesmo, “Imbecis!” e coisa e tal, que é coisa que digo muito, sempre que leio imbecis…

e ficaria por aqui…

Estas nulidades sabem do que falam? A opinião deles interessa a alguém?

Mas eles sabem o que quer dizer contraproducente? Contraproducente é algo que é contrário ao fim em vista. Mas sabem eles qual é o fim em vista de cada uma das partes?

Leram eles o kuran ( também em letra pequena que isto também é merda), nomeadamente o

“The Day of Judgement will not come about until Muslims fight the Jews, when the Jew will hide behind stones and trees. The stones and trees will say O Muslims, O Abdullah, there is a Jew behind me, come and kill him.”

… Mas recebo uma mensagem do Mauro: “não dizes nada sobre a decisão do tio Trump?” paaaah, acreditem, este Mauro lê-me o pensamento.

Mauro, que queres que diga?

Queres que ache estranha a utilização do mesmo vocábulo “contraproducente” – mas, não estás tu farto de saber que estes Dupond & Dupont alinham pela medíocridade?

Queres que diga que é tão tonto um como o outro?

Queres que diga que estão bem um para o outro? Que duas nulidades não fazem um político decente e relevante?

Queres que diga que estou feliz pelo Trump ter reconhecido Jerusalem como capital do único país civilizado do Médio oriente?

Queres que diga que tenho vergonha de ser de um país que perseguiu o povo eleito?

Queres que diga que é uma vergonha que um qualquer estado queira decidir qual deve ser a capital de outro Estado?

Queres que diga que fico contente por um político ter cumprido uma promessa eleitoral?

É isso?

Queres que diga que amo Israel?

Queres que diga que amo Jerusalém, cidade que visito quase todos os anos? Pois bem, aqui tens: “AMO JERUSALEM”!

אני אוהב את ירושלים

Amo-te Jerusalém por seres a cidade mais avançada da civilização ocidental, antes de chegar ao mundo bárbaro, ocupado por aqueles que te querem destruir.

Amo-te Jerusalém por seres a primeira defesa do nosso mundo contra os islâmicos!

Amo Jerusalém como FAROL DA HUMANIDADE!

אני אוהב את ירושלים

AMO-TE JERUSALÉM!

 

A GANÂNCIA DOS MERCADOS E OS GANANCIOSOS

Quando se acusa de ganância aqueles que financiam os desvarios idílicos dos nossos governantes, assola a muitos de nós, a imagem do Mr. Scrooge, esse usurário avarento do conto de Natal de Charles Dickens “A Christmas Carol”.

Raramente nos ocorre que aqueles que financiam o Estado, adquirindo obrigações do tesouro, certificados de aforro, etc. são pessoas comuns que acreditam que aplicar a sua poupança num produto financeiro do estado português é acautelar o seu futuro sem correr riscos.

Raramente nos ocorre que parte significativa do Fundo de Estabilização da Segurança Social, cerca de 2/3, está aplicado em títulos da dívida pública,  e é desse rendimento que parte significativa das pensões são pagas – de sobrevivência, dos sistemas contributivos de reforma e também das subvenções a ex-titulares de cargos políticos.

Raramente nos ocorre que quer os subscritores do retalho de dívida pública, quer a segurança Social, são os elos mais fracos do sistema que alimenta a voraz necessidade financeira do estado. Os primeiros por iliteracia financeira, os segundos por inércia, todos por aversão ao risco.

Raramente nos ocorre que quem aplica as suas poupanças para financiar o modo de vida perdulário do Estado são pessoas que abdicaram de consumir a totalidade do seu rendimento- e fizeram-no a pensar no futuro, precavendo os dias em que poderiam ter menos rendimento.

Raramente nos ocorre que essas pessoas, ou os fundos que gerem os rendimentos que elas consignam, merecem maximizar o rendimento que esse sacrifício deve gerar.

Quando se acusa de ganância os mercados que adquirem a dívida pública portuguesa está-se a desrespeitar o esforço daqueles que acumularam o capital para precaver a sua situação pessoal futura e que estão disponíveis para o ceder, temporariamente, ao Estado para que este possa prosseguir as suas miraculosas funções.

Quando se acusa de ganância alguém que exige que seja devidamente recompensada a aplicação do seu capital, acumulado ao longo de uma vida de opções em que se absteve de o gastar, está-se a ser estúpido. E está-se a ofender a generalidade das pessoas que foram educadas de acordo com os bons princípios de que não se deve gastar mais do que o que se dispõe – exactamente ao contrário daquilo que o Estado recorrentemente faz.

No fundo, criticar a ganância dos mercados é criticar a poupança dos particulares – quando ela deveria se enaltecida!

A GANÂNCIA DOS MERCADOS E OS SEUS ACTORES

Quando alguns políticos se referem à “ganância dos mercados”, muitas vezes secundados por reputados “doutores” em economia, utilizando a figura de estilo literário conhecida por personificação ou prosopopeia (atribuição de um sentimento humano a um ser ou entidade dele desprovido) mostram simplesmente não ter percebido em que consiste o mercado.

Para se falar em Mercado com inteira propriedade teremos presentes os requisitos de Liberdade, Capacidade e Conhecimento. A Liberdade de intervir na negociação e de acordar um preço é naturalmente o primeiro dos requisitos. A Capacidade de pagar o preço, de entregar o produto, de o diferenciar do produto concorrente, etc é o segundo dos requisitos. E por último, mas não menos importante, o Conhecimento – de que o comprador reconhece a utilidade esperada do produto, a alternativa à sua não-posse e que o vendedor conhece o esforço necessário para o repor.

Quem contrata um empréstimo, tem a vida imensamente simplificada pela natureza do bem que contrata – incomparavelmente mais simples do que comprar um cavalo, ou uma casa… Tratando-se de um bem não diferenciado, a commodity por excelência, o seu preço resultará unicamente do Mercado. Claro que, antes disso, teremos de saber a que Mercado nos referimos. Se contratamos um empréstimo num país com um numero muito restrito de bancos autorizados a realizar a operação, em regime de oligopólio, oberemos condições menos vantajosas, para essa operação do que as que se obteriam caso existisse um numero de bancos mais alargado.

Ora, no caso das OTRV (Obrigações do tesouro de Rendimento Variável), instrumento por excelência de captação de recursos que a República Portuguesa utiliza para se financiar, compete ao IGCP definir casuisticamente quem participa nesse mercado.

É o IGCP quem, nos termos do Dec. Lei 200/2012 no seu Artº 7º Atribuições, nos termos da alínea

m) Publicitar o calendário dos leilões de instrumentos de dívida pública e as respetivas condições, bem como definir as condições de aceitação das propostas, nomeadamente no que diz respeito às taxas de juro ou de rendimento dos títulos;

E quais as entidades que participam nesses leilões?

No seu site, aqui, a resposta é clara:

A colocação das OT em mercado primário é assegurada por um conjunto de instituições financeiras a quem está atribuído o estatuto de Operador Especializado em Valores do Tesouro (OEVT) ou de Operador de Mercado Primário (OMP). De acordo com este estatuto, cabe aos OEVT especiais obrigações em matéria de assegurar a liquidez das OT em mercado secundário.

E porquê essas e não outras? Que requisitos especiais tem de ter alguém que tem dinheiro para emprestar à nossa amada República? Pois, fique a saber aqui, que não basta ter dinheiro e querer prestar esse nobre serviço de financiar quem tantos planos tem de bem-fazer a todos nós,

“A atribuição dos estatutos de OEVT e OMP é feita com base na avaliação da capacidade das instituições financeiras para colocarem e negociarem, de uma forma consistente, os valores representativos de dívida pública portuguesa em mercados de dimensão internacional, europeia ou nacional, assegurando o acesso a uma base regular de investidores e contribuindo para a liquidez dos respetivos instrumentos em mercado secundário.”

Em síntese, temos uma instituição pública com o monopólio da procura – Joan Robinson chamou-lhe um Monopsónio – que cria um mercado, definindo o momento, os montantes, as características nominativas e escolhendo os intervenientes.

Quem brada contra a ganância do mercado (que o IGCP, uma instituição pública, define até ao seu mais ínfímo detalhe) poderá querer atingir a competência ou honorabilidade dessa instituição pública. Não é certamente essa a intenção de quem utiliza a expressão que aqui tenho vindo a tratar.

Mas não podemos deixar passar a ideia de que o Estado se financia numa selva de predadores, para onde vai nu.  Não, isto é tudo feito em ambiente controlado.
(Não sei se tomaram boa nota aqui da prosopopeia, não…? muito bem!)

Tão controlado que me repugna, enquanto libertário: Acho que essa função podia e devia ser feita (com vantagem) por instituições privadas, sem qualquer regulamento ou estatuto privilegiado…

A GANÂNCIA DOS MERCADOS EM DETALHE

Um excelso deputado da Nação, Paulo Sá, proferiu, no local em que mais desperdícios materiais e intelectuais ocorrem, a Assembleia da República, a seguinte frase:

“Será que alguém consegue garantir que o nosso país não será sujeito novamente a um ataque especulativo que agrave ainda mais o problema da dívida pública? Alguém consegue garantir que as taxas de juro praticadas pelos mercados não voltem a disparar, levando a um crescimento ainda maior da dívida? Não! Claro que não! Portugal continua hoje, tal como no passado, vulnerável aos caprichos dos mercados e à acção devastadora dos especuladores e agiotas.”

Trata-se de um conjunto de questões com interesse académico e, quem sabe, susceptíveis de motivar as mais variadas teses de mestrado e doutoramento em áreas diversas, mais na área da demência intelectual do que na área das finanças.

Quanto à primeira questão que preocupa este ilustre deputado, a de se saber se haverá um novo ataque especulativo que implique um aumento da taxa de juro da dívida portuguesa, caro Paulo Sá, camarada, isso é garantido: Faz parte da essência do mercado capitalista a avaliação do risco, o que implica a discriminação de preços e gera uma dinâmica especulativa no mercado secundário. Portanto, a única hipótese que temos de evitar essa ganância do mercado é a de conseguirmos um empréstimo emitido em bolívares venezuelanos, pesos cubanos ou wons norte-coreanos – a taxas de juro preferenciais… Mesmo assim, estou convicto que o financiamento obtido, daria apenas para manter a máquina do Estado somente durante alguns minutos e, portanto, essa solução teoricamente admissível, é um mero adiamento da confrontação a que estamos sujeitos sempre que temos de negociar com o mercado ganancioso.

É nestes momentos de acalmia da turbulência do mercado financeiro que, as mentes brilhantes que apoiam a tomada de decisão dos nossos governantes, se devem preparar para a próxima etapa, que não tardará. E percebe-se facilmente que não tardará se se perceber porque existe acalmia… Se acha que os mercados acalmaram porque temos um chefe de governo genial capaz de agregar as esquerdas e de um ministro das finanças brilhante, ao nível de um CR7, desengane-se! Os mercados acalmaram porque existe um esquema de “anestesia de mercado” – eu acho que é fraude, e escrevi sobre isso, em tempos  . Ora, o “anestesista” Draghi, reduziu recentemente o valor admissível de Quantitative Easing de 60 mil milhões de EUR por mês para 30

para ir desmamando os pacientes e anunciou que em Setembro de 2018, eles acabam. Não entremos já em pânico, mas assinalemos esta data nos nossos calendários. Digo porquê não tarda – se faz parte do mercado ganancioso e quer ganhar dinheiro a sério, continue a leitura!

Em síntese, quanto à primeira questão, a de se saber se vai haver um novo ataque especulativo, tenho más notícias para si: o “se” está a mais! Vai, vai haver e pode escrever a data: Outubro de 2018!

 

Entramos agora na segunda questão: a da garantia de que as taxas de juro não disparam.

O XX Governo de Portugal que antecedeu o actual quando terminou funções tinha a dívida pública, no montante de 226 mil milhões de EUR, assim titulada:

xx

Olhando para este quadro, percebe-se que existe zero de possibilidades de especulação com a taxa de juro da República Portuguesa. Aproximadamente 50% está em Obrigações do Tesouro de Taxa Fixa, 1/3 está contratualizado com o FMI o BCE e a CE, no âmbito do Programa de Assistência (PAEF), e uns gloriosos 5% está em Certificados de Aforro – subscrito por pequenos aforradores nacionais.

Decorridos 2 anos, com a acalmia social que a acção do XXI Governo gerou, nomeadamente com a reposição de direitos às elites nacionais, a situação melhorou espectacularmente, passando a dívida titulada de 226 para 245 mil milhões de EUR. Assim:

xxi

Para além do aumento de 19 mil milhões de EUR de dívida, em 2 anos, ou seja a dívida só aumenta mil EUR por ano a cada cidadão, há ainda a assinalar:

– A redução do financiamento ao FMI, cuja taxa de juro era de 4,3% e que foi substituída por OTTF a 4,175%, reduzindo-se assim (abençoado CR7), o custo da dívida em 0,125% de 10 mil milhões de EUR, o que dá exactamente 12,5 milhões de EUR de poupança, ou seja o equivalente a zero virgula zero do que custa manter a equipa de génios que nos governam – com todo o respeito, que isto é importante. 12,5 milhões de EUR é muito dinheiro, mas manter a equipa de génios que nos governa custa de facto muitíssimo mais – e nem poderia custar menos, porque, nestas coisas, o barato sai caro, de modo que estamos todos muito gratos por ter o XXI Governo a funcionar bem e a construir um futuro maravilhoso para nós e para os nossos filhos – claro que se pudessem reduzir o ritmo de endividamento a geração vindoura agradeceria, mas o importante é que continuem o vosso magnífico trabalho.

– O aumento das emissões de OTTF. Pois, teve de ser, não só para amortizar a dívida do FMI mas porque o Estado tem de se manter em funcionamento e o dinheiro não cai do céu…

– A redução dos certificados de Aforro – isto nem tem explicação e é muuuito estranho, primeiro porque este é um instrumento de aforro popular –  ora, tendo havido um aumento tão grande de reformas e de rendimentos dos cidadãos, seria de esperar um significativo acréscimo desta forma de poupança. Depois, porque não se percebe como é que há pessoas que não estão interessadas em aplicar dinheiro a zero por cento, como é o caso da última emissão deste irresistível produto que cito:

ANEXO
Certificados de Aforro — «Série E»
Ficha técnica
Valores e subscrição:
Valor nominal — € 1,00;
Mínimo de subscrição — 100 unidades;
Máximo por conta aforro — 250 000 unidades;
Mínimo por conta aforro — 100 unidades.
Prazo e juros:
Prazo — 10 anos;
Taxa de juro — soma da taxa base na data de início do trimestre com o prémio de permanência atribuível à subscrição.
Taxa base — determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, para vigorar durante o mês seguinte, segundo a fórmula:
E3+1 %
em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos 10 dias úteis anteriores, sendo o resultado arredondado à terceira casa decimal.
Da aplicação da referida fórmula não pode resultar uma taxa base superior a 3,5 %, nem inferior a 0 %.

sendo que o primeiro juro, foi de exactamente zero, o que deixa antever uma ganância de mercado em subscrevê-lo. Aliás, pensando bem, esta nova fórmula dos Certificados de Aforro, ainda é mais vantajosa do que o empréstimo sindicado dos camaradas – cubanos, venezuelanos e norte-coreanos, porque eles são amigos, mas não são parvos e algum custo havia de ter, enquanto estes empréstimos que o CR7 lançou são totalmente grátis – e mais vantajosos do que as Deutsche Bonds porque estas devolvem ainda menos do que o que subscreveu, lá com as taxas negativas que aqueles gananciosos inventaram.

Nesta altura do campeonato, sabido que é que ninguém tem pachorra para ler textos com mais de 300 caracteres, já cá não deve haver ninguém, de modo que, a terminar vou dizer como ganhar dinheiro em Outubro de 2018. Simples, resgate tudo quanto é Certificados de Tesouro, porque as OTTF de 4,125% com maturidade em Abril de 2027 vão estar no mercado, mercado secundário, com descontos de 10%, propiciando taxas de juro implícitas adequadas ao nível de risco que uma economia grade junk como a nossa tem de propiciar.

E se isso irrita os que bradam contra a ganância dos mercados, contra os caprichos dos investidores, contra a acção devastadora dos especuladores e agiotas da finança, SIIIIM, SIIIIM, SIIIIIM: tanto melhor!

A GANÂNCIA DOS MERCADOS E OS “BODES”

Alguns dos mais agressivos defensores da intervenção keynesiana na economia, são, simultaneamente, os mais agastados sofredores da “ganância dos mercados”.

Uma pequeníssima minoria de pessoas ridiculariza essa contradição e outra, infinitesimalmente menor (eu e mais dois tipos) acha isso um exercício ilegítimo do “Direito à Estupidez” que deveria estar reservado, em Portugal, a um grupo restrito de iluminados.

E a maioria das pessoas?

A maioria, aplaude.

Porquê?

  • Porque o cidadão (eleitor) precisa de um inimigo!

Quanto mais poderoso, vago, intemporal e indefinido esse inimigo for, tanto melhor. Imaginemos que em vez de se eleger a “Ganância do Mercado” como culpada dos elevados juros que nós (nós, Estado Português) pagamos, se apontava a Senhora Angela Merkel (como alguns inexperientes tentaram)  ou o Senhor Ogando dos charutos de Vigo (deste ainda ninguém se lembrou, mas é só aqui chamado para efeito retórico)… que consequências teria? Simples: deixando a D. Merkel de ser a Chanceller da Alemanha, ou o Sr. Ogando de vender “puros” e esta elite pensadora teria de arranjar novos “bodes expiatórios”. Ora, vivendo Portugal num cenário de permanente necessidade de captação de poupanças no exterior durante os últimos 40 anos, ou, o que é a mesma coisa, durante os últimos 250 mil milhões de EUR impõe-se encontrar um “bode” de peso quer quanto à longevidade, e aqui a D.Merkel não cumpre, quer quanto ao carcanhol, falhando aqui miseravelmente o meu amigo de Vigo…
Acresce que temos planos fantásticos para fazer uma série de coisas maravilhosas no nosso país nos próximos 400 anos, pelo que o inimigo a eleger tem de ter as características supra-referidas: poderoso, vago, intemporal e indefinido. Em caso negativo desperdiçar-se-á tempo e energia a eleger “bodes” sucessivos, para além de desfocar o cidadão (eleitor) do “inimigo”: “A GANÂNCIA DO MERCADO!

  • Porque o cidadão (eleitor) é economicamente iletrado!

(É quase-estúpido, vá!)

Ele é capaz de acreditar que quando um investment broker exige nos leilões de dívida pública nacional um juro de 3% e abdica de aplicar o dinheiro do seu cliente a 2,785% (taxa de juro do último leilão)

ele está a ser ganancioso! Perdão, GANANCIOSO!

Porquê?

Porque raio de má-vontade?

Porque é que um profissional altamente remunerado, acha melhor negócio comprar bonds alemãs que pagam um juro negativo (hoje, MENOS 0,75% )
em vez de o aplicar em subscrição dos gloriosos Bilhetes do Tesouro Nacionais?
Que raio de GANÂNCIA motiva esse miserável “serventuário do ganancioso capitalismo financeiro e especulativo internacional” a preferir perder dinheiro em vez de ganhar?

Vamos deixar pousar esta dúvida e já voltamos à GANÂNCIA – que isto tem de ser desmontado aos bocadinhos, para se evitar o risco de pânico e implosão!

A GANÂNCIA DOS MERCADOS E O DIREITO À ESTUPIDEZ

A ganância é caracterizada, na nossa cultura, a judaico-cristã (até ver…), como uma obsessão (negativa) de obtenção de uma vantagem material sem olhar a meios. Sempre que oiço, ou leio, alguns economistas falar da ganância dos mercados fico perplexo e confuso:

  1. Perplexo,

porque esses economistas passaram 70% do seu tempo de formação académica a estudar modelos de optimização de recursos e a adquirir um conjunto de ferramentas matemáticas e analíticas que lhes permitirá, espera-se, a obtenção de vantagens que os mercados, em cada momento propiciam, não tendo recebido qualquer formação, pelo menos no meu tempo, sobre a imoralidade do resultado obtido.

Assim, quando em Investigação Operacional, se estabelece uma solução óptima, ou em Análise de Investimentos, se determina o projecto adequado a um determinado nível de risco admissível, ou em Gestão Financeira se determina o a sequência e o conjunto de instrumentos de financiamento a utilizar, nunca se refere o problema da ganância.

Os economistas, são uma raça de gente concentrada num objectivo simples: o de encontrar uma solução para um problema: a optimização de um output face à utilização de um input. Esses outputs serão sempre mensuráveis: o lucro líquido da empresa, a quota de mercado, a eficiência da empresa, a produtividade de recursos, etc., tendo o input, ou recurso, uma característica única: ser escasso! O lucro da empresa tem de ser cotejado com os recursos utilizados (não é a mesma coisa gerar um resultado líquido de 1 milhão de EUR com um capital de 10 milhões de EUR ou de 3 milhões de EUR, como não é a mesma coisa atingir uma quota de mercado de 5% num ano utilizando um orçamento de publicidade de 20 milhões de EUR ou sem publicidade, etc.);

No restante tempo da sua curricula, os economistas recebem formação noutras áreas, a dos “Direitos” (Obrigações, Fiscal, Comercial, Trabalho, etc,), a das Ciências Sociais, da História do Pensamento Económico, das Tecnologia de Informação, etc., tudo em complemento das competências básicas de “conseguidor” que as Faculdades de Economia (FEP#1) exigem –  e bem!

 

  1. Confuso:

Quando leio que um “economista”, Franciso Louçã,  defende um “projeto económico e social para o longo prazo em que seja enfrentada a ganância dos mercados”…

 

… ou que um escriba partidário, Ângelo Alves, considera o sistema capitalista como parasitário, assim:

“Camaradas,
O carácter parasitário e decadente do capitalismo é hoje ainda mais evidente, trazendo para a luz do dia os seus limites históricos e, consequentemente, a necessidade da sua superação revolucionária e da construção de uma formação socioeconómica superior – o Socialismo.

qual é a minha imediata reacção? A de ir ver se é doutorado pelo CES.

SE NÃO É DOUTORADO do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, “superiormente” dirigido pelo Senhor Professor Doutor Boaventura de Sousa Santos, FICO CONFUSO! Porquê? porque só reconheço o direito à estupidez a doutorados pelo CES.

Quero ser muito claro. Que um doutorando passe parte da sua vida da sua vida a ruminar sobre o

“O Touro que nos Puseram na Arena. Ou: O Desdobrar das Fronteiras nos Interstícios da Palavra – Gaguez, Ciência e Comunidades de Responsabilidades”  

ou que outro doutorando defenda em tese de doutoramento que “Governar a vida na rua. Ensaio sobre a bio-tanato-política que faz os sem-abrigo sobreviver

(para referir somente 2 dos últimos temas de doutoramento daquela mui ilustre instituição)

dizia,

não me faz confusão nenhuma!

porque acho que os touros tendem a reagir mal ao interstício de palavras e também porque sempre tive as maiores suspeitas de que a “bio-tanato-política” era uma coisinha má….

Agora, quando leio vermes sanguessugas a reclamar sobre a qualidade moral das vítimas que aceitam ser sugadas, aí, bom, aí, passo-me! A sério!