A GANÂNCIA DOS MERCADOS E OS SEUS ACTORES

Destaque

Quando alguns políticos se referem à “ganância dos mercados”, muitas vezes secundados por reputados “doutores” em economia, utilizando a figura de estilo literário conhecida por personificação ou prosopopeia (atribuição de um sentimento humano a um ser ou entidade dele desprovido) mostram simplesmente não ter percebido em que consiste o mercado.

Para se falar em Mercado com inteira propriedade teremos presentes os requisitos de Liberdade, Capacidade e Conhecimento. A Liberdade de intervir na negociação e de acordar um preço é naturalmente o primeiro dos requisitos. A Capacidade de pagar o preço, de entregar o produto, de o diferenciar do produto concorrente, etc é o segundo dos requisitos. E por último, mas não menos importante, o Conhecimento – de que o comprador reconhece a utilidade esperada do produto, a alternativa à sua não-posse e que o vendedor conhece o esforço necessário para o repor.

Quem contrata um empréstimo, tem a vida imensamente simplificada pela natureza do bem que contrata – incomparavelmente mais simples do que comprar um cavalo, ou uma casa… Tratando-se de um bem não diferenciado, a commodity por excelência, o seu preço resultará unicamente do Mercado. Claro que, antes disso, teremos de saber a que Mercado nos referimos. Se contratamos um empréstimo num país com um numero muito restrito de bancos autorizados a realizar a operação, em regime de oligopólio, oberemos condições menos vantajosas, para essa operação do que as que se obteriam caso existisse um numero de bancos mais alargado.

Ora, no caso das OTRV (Obrigações do tesouro de Rendimento Variável), instrumento por excelência de captação de recursos que a República Portuguesa utiliza para se financiar, compete ao IGCP definir casuisticamente quem participa nesse mercado.

É o IGCP quem, nos termos do Dec. Lei 200/2012 no seu Artº 7º Atribuições, nos termos da alínea

m) Publicitar o calendário dos leilões de instrumentos de dívida pública e as respetivas condições, bem como definir as condições de aceitação das propostas, nomeadamente no que diz respeito às taxas de juro ou de rendimento dos títulos;

E quais as entidades que participam nesses leilões?

No seu site, aqui, a resposta é clara:

A colocação das OT em mercado primário é assegurada por um conjunto de instituições financeiras a quem está atribuído o estatuto de Operador Especializado em Valores do Tesouro (OEVT) ou de Operador de Mercado Primário (OMP). De acordo com este estatuto, cabe aos OEVT especiais obrigações em matéria de assegurar a liquidez das OT em mercado secundário.

E porquê essas e não outras? Que requisitos especiais tem de ter alguém que tem dinheiro para emprestar à nossa amada República? Pois, fique a saber aqui, que não basta ter dinheiro e querer prestar esse nobre serviço de financiar quem tantos planos tem de bem-fazer a todos nós,

“A atribuição dos estatutos de OEVT e OMP é feita com base na avaliação da capacidade das instituições financeiras para colocarem e negociarem, de uma forma consistente, os valores representativos de dívida pública portuguesa em mercados de dimensão internacional, europeia ou nacional, assegurando o acesso a uma base regular de investidores e contribuindo para a liquidez dos respetivos instrumentos em mercado secundário.”

Em síntese, temos uma instituição pública com o monopólio da procura – Joan Robinson chamou-lhe um Monopsónio – que cria um mercado, definindo o momento, os montantes, as características nominativas e escolhendo os intervenientes.

Quem brada contra a ganância do mercado (que o IGCP, uma instituição pública, define até ao seu mais ínfímo detalhe) poderá querer atingir a competência ou honorabilidade dessa instituição pública. Não é certamente essa a intenção de quem utiliza a expressão que aqui tenho vindo a tratar.

Mas não podemos deixar passar a ideia de que o Estado se financia numa selva de predadores, para onde vai nu.  Não, isto é tudo feito em ambiente controlado.
(Não sei se tomaram boa nota aqui da prosopopeia, não…? muito bem!)

Tão controlado que me repugna, enquanto libertário: Acho que essa função podia e devia ser feita (com vantagem) por instituições privadas, sem qualquer regulamento ou estatuto privilegiado…

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A GANÂNCIA DOS MERCADOS EM DETALHE

Um excelso deputado da Nação, Paulo Sá, proferiu, no local em que mais desperdícios materiais e intelectuais ocorrem, a Assembleia da República, a seguinte frase:

“Será que alguém consegue garantir que o nosso país não será sujeito novamente a um ataque especulativo que agrave ainda mais o problema da dívida pública? Alguém consegue garantir que as taxas de juro praticadas pelos mercados não voltem a disparar, levando a um crescimento ainda maior da dívida? Não! Claro que não! Portugal continua hoje, tal como no passado, vulnerável aos caprichos dos mercados e à acção devastadora dos especuladores e agiotas.”

Trata-se de um conjunto de questões com interesse académico e, quem sabe, susceptíveis de motivar as mais variadas teses de mestrado e doutoramento em áreas diversas, mais na área da demência intelectual do que na área das finanças.

Quanto à primeira questão que preocupa este ilustre deputado, a de se saber se haverá um novo ataque especulativo que implique um aumento da taxa de juro da dívida portuguesa, caro Paulo Sá, camarada, isso é garantido: Faz parte da essência do mercado capitalista a avaliação do risco, o que implica a discriminação de preços e gera uma dinâmica especulativa no mercado secundário. Portanto, a única hipótese que temos de evitar essa ganância do mercado é a de conseguirmos um empréstimo emitido em bolívares venezuelanos, pesos cubanos ou wons norte-coreanos – a taxas de juro preferenciais… Mesmo assim, estou convicto que o financiamento obtido, daria apenas para manter a máquina do Estado somente durante alguns minutos e, portanto, essa solução teoricamente admissível, é um mero adiamento da confrontação a que estamos sujeitos sempre que temos de negociar com o mercado ganancioso.

É nestes momentos de acalmia da turbulência do mercado financeiro que, as mentes brilhantes que apoiam a tomada de decisão dos nossos governantes, se devem preparar para a próxima etapa, que não tardará. E percebe-se facilmente que não tardará se se perceber porque existe acalmia… Se acha que os mercados acalmaram porque temos um chefe de governo genial capaz de agregar as esquerdas e de um ministro das finanças brilhante, ao nível de um CR7, desengane-se! Os mercados acalmaram porque existe um esquema de “anestesia de mercado” – eu acho que é fraude, e escrevi sobre isso, em tempos  . Ora, o “anestesista” Draghi, reduziu recentemente o valor admissível de Quantitative Easing de 60 mil milhões de EUR por mês para 30

para ir desmamando os pacientes e anunciou que em Setembro de 2018, eles acabam. Não entremos já em pânico, mas assinalemos esta data nos nossos calendários. Digo porquê não tarda – se faz parte do mercado ganancioso e quer ganhar dinheiro a sério, continue a leitura!

Em síntese, quanto à primeira questão, a de se saber se vai haver um novo ataque especulativo, tenho más notícias para si: o “se” está a mais! Vai, vai haver e pode escrever a data: Outubro de 2018!

 

Entramos agora na segunda questão: a da garantia de que as taxas de juro não disparam.

O XX Governo de Portugal que antecedeu o actual quando terminou funções tinha a dívida pública, no montante de 226 mil milhões de EUR, assim titulada:

xx

Olhando para este quadro, percebe-se que existe zero de possibilidades de especulação com a taxa de juro da República Portuguesa. Aproximadamente 50% está em Obrigações do Tesouro de Taxa Fixa, 1/3 está contratualizado com o FMI o BCE e a CE, no âmbito do Programa de Assistência (PAEF), e uns gloriosos 5% está em Certificados de Aforro – subscrito por pequenos aforradores nacionais.

Decorridos 2 anos, com a acalmia social que a acção do XXI Governo gerou, nomeadamente com a reposição de direitos às elites nacionais, a situação melhorou espectacularmente, passando a dívida titulada de 226 para 245 mil milhões de EUR. Assim:

xxi

Para além do aumento de 19 mil milhões de EUR de dívida, em 2 anos, ou seja a dívida só aumenta mil EUR por ano a cada cidadão, há ainda a assinalar:

– A redução do financiamento ao FMI, cuja taxa de juro era de 4,3% e que foi substituída por OTTF a 4,175%, reduzindo-se assim (abençoado CR7), o custo da dívida em 0,125% de 10 mil milhões de EUR, o que dá exactamente 12,5 milhões de EUR de poupança, ou seja o equivalente a zero virgula zero do que custa manter a equipa de génios que nos governam – com todo o respeito, que isto é importante. 12,5 milhões de EUR é muito dinheiro, mas manter a equipa de génios que nos governa custa de facto muitíssimo mais – e nem poderia custar menos, porque, nestas coisas, o barato sai caro, de modo que estamos todos muito gratos por ter o XXI Governo a funcionar bem e a construir um futuro maravilhoso para nós e para os nossos filhos – claro que se pudessem reduzir o ritmo de endividamento a geração vindoura agradeceria, mas o importante é que continuem o vosso magnífico trabalho.

– O aumento das emissões de OTTF. Pois, teve de ser, não só para amortizar a dívida do FMI mas porque o Estado tem de se manter em funcionamento e o dinheiro não cai do céu…

– A redução dos certificados de Aforro – isto nem tem explicação e é muuuito estranho, primeiro porque este é um instrumento de aforro popular –  ora, tendo havido um aumento tão grande de reformas e de rendimentos dos cidadãos, seria de esperar um significativo acréscimo desta forma de poupança. Depois, porque não se percebe como é que há pessoas que não estão interessadas em aplicar dinheiro a zero por cento, como é o caso da última emissão deste irresistível produto que cito:

ANEXO
Certificados de Aforro — «Série E»
Ficha técnica
Valores e subscrição:
Valor nominal — € 1,00;
Mínimo de subscrição — 100 unidades;
Máximo por conta aforro — 250 000 unidades;
Mínimo por conta aforro — 100 unidades.
Prazo e juros:
Prazo — 10 anos;
Taxa de juro — soma da taxa base na data de início do trimestre com o prémio de permanência atribuível à subscrição.
Taxa base — determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, para vigorar durante o mês seguinte, segundo a fórmula:
E3+1 %
em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos 10 dias úteis anteriores, sendo o resultado arredondado à terceira casa decimal.
Da aplicação da referida fórmula não pode resultar uma taxa base superior a 3,5 %, nem inferior a 0 %.

sendo que o primeiro juro, foi de exactamente zero, o que deixa antever uma ganância de mercado em subscrevê-lo. Aliás, pensando bem, esta nova fórmula dos Certificados de Aforro, ainda é mais vantajosa do que o empréstimo sindicado dos camaradas – cubanos, venezuelanos e norte-coreanos, porque eles são amigos, mas não são parvos e algum custo havia de ter, enquanto estes empréstimos que o CR7 lançou são totalmente grátis – e mais vantajosos do que as Deutsche Bonds porque estas devolvem ainda menos do que o que subscreveu, lá com as taxas negativas que aqueles gananciosos inventaram.

Nesta altura do campeonato, sabido que é que ninguém tem pachorra para ler textos com mais de 300 caracteres, já cá não deve haver ninguém, de modo que, a terminar vou dizer como ganhar dinheiro em Outubro de 2018. Simples, resgate tudo quanto é Certificados de Tesouro, porque as OTTF de 4,125% com maturidade em Abril de 2027 vão estar no mercado, mercado secundário, com descontos de 10%, propiciando taxas de juro implícitas adequadas ao nível de risco que uma economia grade junk como a nossa tem de propiciar.

E se isso irrita os que bradam contra a ganância dos mercados, contra os caprichos dos investidores, contra a acção devastadora dos especuladores e agiotas da finança, SIIIIM, SIIIIM, SIIIIIM: tanto melhor!

A GANÂNCIA DOS MERCADOS E OS “BODES”

Alguns dos mais agressivos defensores da intervenção keynesiana na economia, são, simultaneamente, os mais agastados sofredores da “ganância dos mercados”.

Uma pequeníssima minoria de pessoas ridiculariza essa contradição e outra, infinitesimalmente menor (eu e mais dois tipos) acha isso um exercício ilegítimo do “Direito à Estupidez” que deveria estar reservado, em Portugal, a um grupo restrito de iluminados.

E a maioria das pessoas?

A maioria, aplaude.

Porquê?

  • Porque o cidadão (eleitor) precisa de um inimigo!

Quanto mais poderoso, vago, intemporal e indefinido esse inimigo for, tanto melhor. Imaginemos que em vez de se eleger a “Ganância do Mercado” como culpada dos elevados juros que nós (nós, Estado Português) pagamos, se apontava a Senhora Angela Merkel (como alguns inexperientes tentaram)  ou o Senhor Ogando dos charutos de Vigo (deste ainda ninguém se lembrou, mas é só aqui chamado para efeito retórico)… que consequências teria? Simples: deixando a D. Merkel de ser a Chanceller da Alemanha, ou o Sr. Ogando de vender “puros” e esta elite pensadora teria de arranjar novos “bodes expiatórios”. Ora, vivendo Portugal num cenário de permanente necessidade de captação de poupanças no exterior durante os últimos 40 anos, ou, o que é a mesma coisa, durante os últimos 250 mil milhões de EUR impõe-se encontrar um “bode” de peso quer quanto à longevidade, e aqui a D.Merkel não cumpre, quer quanto ao carcanhol, falhando aqui miseravelmente o meu amigo de Vigo…
Acresce que temos planos fantásticos para fazer uma série de coisas maravilhosas no nosso país nos próximos 400 anos, pelo que o inimigo a eleger tem de ter as características supra-referidas: poderoso, vago, intemporal e indefinido. Em caso negativo desperdiçar-se-á tempo e energia a eleger “bodes” sucessivos, para além de desfocar o cidadão (eleitor) do “inimigo”: “A GANÂNCIA DO MERCADO!

  • Porque o cidadão (eleitor) é economicamente iletrado!

(É quase-estúpido, vá!)

Ele é capaz de acreditar que quando um investment broker exige nos leilões de dívida pública nacional um juro de 3% e abdica de aplicar o dinheiro do seu cliente a 2,785% (taxa de juro do último leilão)

ele está a ser ganancioso! Perdão, GANANCIOSO!

Porquê?

Porque raio de má-vontade?

Porque é que um profissional altamente remunerado, acha melhor negócio comprar bonds alemãs que pagam um juro negativo (hoje, MENOS 0,75% )
em vez de o aplicar em subscrição dos gloriosos Bilhetes do Tesouro Nacionais?
Que raio de GANÂNCIA motiva esse miserável “serventuário do ganancioso capitalismo financeiro e especulativo internacional” a preferir perder dinheiro em vez de ganhar?

Vamos deixar pousar esta dúvida e já voltamos à GANÂNCIA – que isto tem de ser desmontado aos bocadinhos, para se evitar o risco de pânico e implosão!

A GANÂNCIA DOS MERCADOS E O DIREITO À ESTUPIDEZ

A ganância é caracterizada, na nossa cultura, a judaico-cristã (até ver…), como uma obsessão (negativa) de obtenção de uma vantagem material sem olhar a meios. Sempre que oiço, ou leio, alguns economistas falar da ganância dos mercados fico perplexo e confuso:

  1. Perplexo,

porque esses economistas passaram 70% do seu tempo de formação académica a estudar modelos de optimização de recursos e a adquirir um conjunto de ferramentas matemáticas e analíticas que lhes permitirá, espera-se, a obtenção de vantagens que os mercados, em cada momento propiciam, não tendo recebido qualquer formação, pelo menos no meu tempo, sobre a imoralidade do resultado obtido.

Assim, quando em Investigação Operacional, se estabelece uma solução óptima, ou em Análise de Investimentos, se determina o projecto adequado a um determinado nível de risco admissível, ou em Gestão Financeira se determina o a sequência e o conjunto de instrumentos de financiamento a utilizar, nunca se refere o problema da ganância.

Os economistas, são uma raça de gente concentradas num objectivo simples: o de encontrar uma solução para um problema: a optimização de um output face à utilização de um input. Esses outputs serão sempre mensuráveis: o lucro líquido da empresa, a quota de mercado, a eficiência da empresa, a produtividade de recursos, etc., tendo o input, ou recurso, uma característica única: ser escasso! O lucro da empresa tem de ser cotejado com os recursos utilizados (não é a mesma coisa gerar um resultado líquido de 1 milhão de EUR com um capital de 10 milhões de EUR ou de 3 milhões de EUR, como não é a mesma coisa atingir uma quota de mercado de 5% num ano utilizando um orçamento de publicidade de 20 milhões de EUR ou sem publicidade, etc.);

No restante tempo da sua curricula, os economistas recebem formação noutras áreas, a dos “Direitos” (Obrigações, Fiscal, Comercial, Trabalho, etc,), a das Ciências Sociais, da História do Pensamento Económico, das Tecnologia de Informação, etc., tudo em complemento das competências básicas de “conseguidor” que as Faculdades de Economia (FEP#1) exigem –  e bem!

 

  1. Confuso:

Quando leio que um “economista”, Franciso Louçã,  defende um “projeto económico e social para o longo prazo em que seja enfrentada a ganância dos mercados”…

 

… ou que um escriba partidário, Ângelo Alves, considera o sistema capitalista como parasitário, assim:

“Camaradas,
O carácter parasitário e decadente do capitalismo é hoje ainda mais evidente, trazendo para a luz do dia os seus limites históricos e, consequentemente, a necessidade da sua superação revolucionária e da construção de uma formação socioeconómica superior – o Socialismo.

qual é a minha imediata reacção? A de ir ver se é doutorado pelo CES.

SE NÃO É DOUTORADO do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, “superiormente” dirigido pelo Senhor Professor Doutor Boaventura de Sousa Santos, FICO CONFUSO! Porquê? porque só reconheço o direito à estupidez a doutorados pelo CES.

Quero ser muito claro. Que um doutorando passe parte da sua vida da sua vida a ruminar sobre o

“O Touro que nos Puseram na Arena. Ou: O Desdobrar das Fronteiras nos Interstícios da Palavra – Gaguez, Ciência e Comunidades de Responsabilidades”  

ou que outro doutorando defenda em tese de doutoramento que “Governar a vida na rua. Ensaio sobre a bio-tanato-política que faz os sem-abrigo sobreviver

(para referir somente 2 dos últimos temas de doutoramento daquela mui ilustre instituição)

dizia,

não me faz confusão nenhuma!

porque acho que os touros tendem a reagir mal ao interstício de palavras e também porque sempre tive as maiores suspeitas de que a “bio-tanato-política” era uma coisinha má….

Agora, quando leio vermes sanguessugas a reclamar sobre a qualidade moral das vítimas que aceitam ser sugadas, aí, bom, aí, passo-me! A sério!

IMAGINE

“To conquer fear is the beginning of wisdom.”

Bertrand Russell

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Imagine um país em que os seus cidadãos:

– reconhecem aos outros cidadãos os direitos que reivindicam para si mesmos: Vida, Liberdade e Propriedade;

– recusam que o Estado seja uma entidade supra-normativa e modeladora dos valores culturais;

– defendem os direitos humanos e civis dos cidadãos, sem distinção de raça, etnia, idade, sexo, orientação sexual, condição económica, social ou cultural;

– exigem que o Estado cumpra escrupulosamente as funções que lhe forem atribuídas, incumbindo ao Estado somente aquelas funções que o Livre Mercado não seja capaz de fornecer com vantagem;

– impedem que o Estado e seu Orçamento se apropriem, através de impostos, dos recursos que os elementos mais produtivos da sociedade possuem;

– só sejam interpelados pelas forças de segurança em situações em que um terceiro tenha sido vítima nos seus direitos naturais;

– se sintam responsáveis pelo seu modo de vida, não dependendo do Estado para lhe propiciar qualquer serviço, abono ou subsídio;

– não hipotequem o futuro dos seus filhos por via do endividamento público;

– usufruam, do primeiro ao último rendimento, do fruto do seu talento, sacrifício e poupança, sem sofrerem da cobiça e esbulho do Estado e dos políticos que dele se apropriam para executar os seus cândidos planos de benemerência colectiva.

Este texto é inspirado por uma frase do Rui Albuquerque que não me sai da cabeça: “Um país que paga ao Estado mais de 50% da riqueza produzida em impostos e permite que este lhe não garanta a protecção de pessoas e bens é um país de merda.”

Quem me dera ter sido eu a escrevê-la!
Quem me dera que os 50% fossem um exagero!
Quem me dera que não fossemos, de facto, aquilo que sabemos que somos!

O Desconforto de Portugal

Caro Carlos César, mui ilustre deputado da Nação,
Ouvi na TSF o seu sentido pesar pela conclusão do processo do Ministério Público relativo ao José Sócrates em que afirmou ser “desconfortável para Portugal que a inocência de José Sócrates esteja em causa“.

Permita-me que discorde:
– É óptimo para a imagem internacional de Portugal que o MP tenha tido a coragem de acusar um seu ex-primeiro-ministro de 3 crimes de corrupção. Actos destes permitem distanciar-nos daquele grupo de países, como Angola e Nigéria, cujo sistema judiciário é totalmente incapaz face aos cleptocratas locais.
– Refrear-se-á certamente, deste modo, o instinto predatório que políticos corruptos possuem.

Tomasse esses 2 aspectos em consideração e certamente o Carlos César, teria algum pudor, (pelo menos enquanto representante de eleitores, condição de que um deputado não se dissocia) em referir ser “desconfortável para Portugal”. Percebe-se a metáfora de utilizar a palavra “Portugal” (que não sente coisíssima nenhuma) como se se referisse ao sentimento partilhado pelos portugueses como um todo. Não se percebe é como chegou a essa conclusão!

Pois eu estou convencido que esse desconforto surge depois dos seguintes:
1º – sentirem que o Estado está cada vez mais povoado por gente corrupta;
2º – perceberem que o Estado impõe aos seus cidadãos, de forma crescente, sacrifícios fiscais inglórios – costumo usar “rouba” em vez de “impõe” quando estou em “casa”;
3º – verificarem que o Estado destrói cada vez mais os recursos privados, que são eficientemente utilizados, ao transferi-los para a sua esfera de acção, em que os mesmos recursos são ineficientes quando não, desperdiçados.
4º – constatarem que os servidores públicos se outorgam mordomias sem limite a eles próprios e às suas clientelas
….***
1.000º lugar pode ser aqui, então sim, “que a inocência de José Sócrates, esteja em causa”.

Com os melhores cumprimentos,
Fernando Sobrinho

….*** NOTA: dispenso-me de fazer uma listagem exaustiva porque quantos mais items incluir maior a probabilidade de errar.
…*** NOTA2: Para muitos portugueses, o emprego dos seus familiares (deles, dos familiares deles, não dos seus) vêem no topo da prioridade.