O capitalismo dá-nos livros a mais?

Andar de autocarro, caso haja lugar para sentar e caso consigamos sobreviver ao Tsunami que são as curvas num, só serve para uma coisa: ler.

Mas o que ler? Com milhões de livros disponíveis através da internet e lojas físicas a escolha é quase ilimitada. Milhões de temas. Estratégia? Ciência Política? Economia? Crónicas? Tantos. Mas não se preocupem. O Governo, sempre atento ao seu povo e preocupado com este problema que é ter demasiados livros para escolher, já anda a treinar para reduzir a oferta no mercado.

Primeiro passo: recomendou à Porto Editora a retirada dos blocos de atividades que fazem distinção entre rapazes e raparigas – porque uma minoria activista não gosta e não suporta que outros comprem o que eles não gostam. A fazer lembrar os jacobinos franceses, Próximo passo: Retirar livros que vão contra as suas ideias? O Fascismo, Comunismo e Nacional-Socialismo (Nazismo) também foram bons a resolver este problema. De livros recomendados passaram para livros proibidos e daí para a queima de livros foi um salto de bebé.

Mas retomemos ao principal. Olhamos para dezenas ou centenas de Livros e temos de ter a capacidade desumana de os atravessar em conteúdo através da capa e escolher os melhores. A dúvida fica para sempre: e se não escolhi os melhores? Nunca lerei dezenas de livros simplesmente porque o Marketing do livro, o design da capa ou o título em si não me cativaram.

Isto leva-nos a uma importante conclusão para as empresas: o consumidor quer alguma ajuda na escolha. Não quer toda, mas quer algum guia e quer que os produtos que lhe possam interessar, com base no seu histórico, lhe sejam apresentados logo, sem demasiado trabalho do seu lado.

O problema não está portanto nas opções. Mais opções nunca serão a mais (obrigado capitalismo). Que o digam os venezuelanos que fazem filas em supermercados quase vazios, quando aqui pelo Ocidente são os produtos que fazem filas para nós, desejosos que os escolhamos em detrimentos de outros.

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O problema está na disposição das escolhas. Num meio onde as empresas competem entre si satisfazendo os consumidores é essencial que, as que queiram triunfar ou manter o seu sucesso, facilitem a escolha ao consumidor, personalizando quer a oferta quer a distribuição da mesma.

Para acabar, no meio de tantos, peguei no “A Civilização do Espetáculo” de M. Vargas Llosa. Não pela capa, mais por recomendação de outro pessoa “do contra” como eu e, sobretudo, pelo autor – um Prémio Nobel ex-comunista que passou a ser defensor da democracia capitalista. Algo que conta e muito. Quantas viagens de autocarro será que vai demorar?

Artigo originalmente escrito no blog Tempos Livres

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A economia cresce APESAR do governo

Portugal cresceu 2,8% no primeiro trimestre graças às exportações e ao investimento, estando as famílias a consumir menos (e sabendo nós que o investimento público esteve em mínimos históricos). Este governo, que herdou uma economia num nível já muito avançado de recuperação, começou a sua aventura com um discurso keynesiano de promoção do consumo e do investimento público, mas assim que viu que a economia não estava a responder mudou para o chip anterior.

Agora esteve governo anda por aí a vangloriar-se dos números como se sempre tivesse apoiado as exportações e o crescimento pelo investimento. Isto sem falar dos seus parceiros de extrema-esquerda que sempre menosprezaram quer as exportações quer o investimento. Quem não se lembra de Catarina Martins a dizer que crescimento pelas exportações era uma treta, da sua aversão ao investimento estrangeiro em Portugal porque os interesses estrangeiros iriam dominar o país ou do imposto Mortágua? Em relação ao PCP e ao seu ódio ao capital nem é preciso dizer coisa alguma.

Este crescimento de 2,8% é bom para o país e é o melhor resultado para o governo até agora. Como escreveu há uns dias o José Paulo Miller no blog Tempos Livres “A miniorquestra que tocava enquanto se dava o naufrágio do “Titanic” é, em solo nacional, composta por António, Jerónimo, Catarina e Mário. E o que é que esta banda nos proporcionou até agora?” Se virmos bem em 2016 a economia cresceu 1,4% (o PS chegou a prometer 2,4%), tivemos um défice de 2,1%, a dívida pública em 130% do PIB… nenhum número bom sequer. A grande diferença é a comunicação que se faz destes números e aí a Máquina do governo com os media tem estado a trabalhar bem. Se os números seriam maiores com o governo anterior? Nunca saberemos, mas a comunicação e a promoção que se faz dos mesmos seria certamente diferente. O que sei é que a economia do país cresce APESAR do governo e não graças ao governo. É a iniciativa privada a fazer crescer o país, o governo seja este ou outro só tem é de sair da frente.

PS: O governo tenta uma coisa e o país cresce graças a outra. Seguindo esta lógica, talvez se o governo tentar aumentar o défice ainda acabe a baixar a dívida pública. Ironia, mas quem sabe!