Namorar uma pessoa madura (2)

Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=9r1a2moYSyE

No artigo precedente[1] publiquei um texto de Sophie W. sobre o namoro entre pessoas maduras e imaturas. Aqui vou fazer o paralelo entre o liberalismo e a madureza, e o estatismo e a imaturidade.

Basta simplesmente recopiar o texto precedente e substituir as palavras “madura” por “liberal”, e “imatura” por “estatista”, tendo em mente claro que não falamos só de namoro mas também de comportamento social e político. Vejamos então isso e porquê o podemos fazer:

 

 Ao namorar uma pessoa liberal, não precisa preocupar-se o tempo inteiro sobre o que ela pode ou não estar a fazer. Já uma pessoa estatista é sempre instável, pode armar uma briga para ferir a vossa relação.

O liberalismo é uma filosofia sobre o Direito e o individualismo. É uma filosofia que quer descobrir um Direito coerente e justo, e para o fazer defende o direito de cada individuo de fazer o que bem entender na sua esfera ou na esfera dos que consentiram às suas acções. Isso implica que não há, no liberalismo, a preocupação em vigiar todos os aspetos das vossas vidas. Não há lugar para a inveja. Não há tão pouco lugar para castigar quem não violou a vossa propriedade ou não violou os acordos que passou com ela, sob o pretexto que feriu a vossa sensibilidade.

Quanto mais, no liberalismo, serão sancionados da forma mais recíproca[2] possível − caso não haja convenção a tratar das violações − quando violam a propriedade de outra pessoa sem o seu consentimento.

Pelo contrário o estatismo é instável. Terão sempre de respeitar mais outra lei porque apareceu “um novo problema”. Nem interessa saber se esta nova obrigação entra em contradição com outro dever. É sempre impor algo porque podemos e queremos.

 

 Você sabe que uma pessoa é estatista quando ela não fica feliz por suas realizações pessoais e acha que vocês estão competindo. Ninguém merece, não é? Namorar uma pessoa liberal é ter a certeza de ter alguém que se realiza ao vê-la feliz e realizando sonhos e, ainda, a ajuda a chegar até eles.

Voltamos ao que foi dito antes, o estatista não fica feliz por suas realizações. Ou é porque é rico e deveria partilhar. Ou é porque tem um imóvel de luxo e tem de pagar um adicional ao IMI. Ou é porque é concorrente e dá cabo do negócio tradicional. Enfim, existe um enorme leque de reprimendas – sempre com alguma argumentação claro – para lhe impor. Não lhes interessa provar se o que você está a fazer viola ou não a propriedade de outro, se ele consentiu a tal ou não, se o que lhe vão impor está relacionado com o que fez e acaba nos bolsos de quem sofreu a “agressão”. Não, é sempre em nome de grandes princípios, do interesse nacional, da protecção de X ou Y…

Ao oposto de esta visão, o liberalismo deixara-vos fazer o que quiserem, vos associarem como quiserem, guardar o que ganharam. Apenas vos castigará se violaram o que é de outro sem o consentimento dele. O que claro obriga a que este também se queixe e prove que foi afectado.

 

 Uma pessoa liberal e bem resolvida sabe assumir quando erra, sabe pedir desculpas e procura melhorar o que faz de errado. Um estatista dificilmente assumirá um erro e ficará inventando desculpas para justificar aquilo que fez, por mais inocente que tenha sido.

Aí está mais uma vez a relação entre liberdade e responsabilidade. Quando você se compromete a fazer algo e falha, deve aceitar o castigo previamente acordado, ou repor a pessoa na situação em que estaria se tudo corresse bem, ou como se nada tivesse acontecido[3].

O estatista não se preocupa com nada de isso. A culpa é sempre de outro : do livre mercado, da ganância, da Natureza, da Oposição, das multinacionais, dos Governos anteriores, de Bruxelas… E isso funciona para tudo e mais alguma coisa, “mesmo o mais inocente”, porque o estatista vive num mundo de fantasia: pensa que pode resolver todos os problemas que ele aponta com as soluções que ele acha boas. Não lhe interessa saber se o que aponta é um problema ou não, se a solução é adequada ou não. É sempre o seu capricho, camuflado entre cortinas de pseudociência e manipulações variadas.

 

 Num relacionamento com uma pessoa estatista, conversar pode ser uma tarefa árdua. Isso porque ela sempre acha que o diálogo é desnecessário para aquele momento ou situação e que vocês deveriam apenas esquecer o que aconteceu. Já um liberal coloca os pontos nos “i” e não faz durar as disputas para acertar as pequenas desavenças.

Mais uma vez, quantas vezes não ouvimos estatistas dizer que “este tema não é para ser discutido nestas circunstâncias”? Que não quer saber dos vossos problemas ou que vos reenvia a qualquer solução que não vos ajudará?

Os liberais não. Ouvem o que as pessoas têm por lhes dizer, explicam-lhes se o que pedem é ou não realizável nos termos que propõem, ou mencionam pistas tendo em conta o que a pessoa quer e em respeito com os demais. E claro não andam a perder tempos em conversas estéreis sobre o sexo dos anjos. Os problemas são para serem resolvidos de forma adequada, e não para fazer prosa e arranjar truques insustentáveis. Ou então assumem de viver só de aparatos efémeros.

 

 O estatismo também pode fazer com que a pessoa não queira escutar os outros, principalmente os conselhos que lhe dão. Dificilmente vai aceitar os seus pontos de vista sobre a relação e achará que sempre está certo. O que não acontece com um liberal, que entende o seu lado e procura ouvir seus levantamentos.

Acabamos de falar de isso logo encima. O que pode acontecer é haver mais subtileza. O estatista muitas vezes impor-lhe-á uma solução. Ou arranjará uma para o problema que apontou. Funciona ou não? É justo ou não? As aparências são a única coisa que contam para ele. E se você contestar, terá direito a maior variedade de criticas: “tivesses votado”, “muda-te para a Somália”, “é porque não deram meios suficientes” …

Já o liberal não se pode dar a esses luxos. Claro não atendará a todos os vossos caprichos nos moldes que pedirão, mas terá de atender às vossas necessidades nos limites das suas capacidades, e do que está disposto a oferecer em troca[4]. Até porque é assim que funciona o livre mercado que ele defende. Aliás é assim que funcionam as pessoas de bem para a generalidade das situações.

 

 Um estatista dificilmente sabe o que quer e, muitas vezes, pode não estar pronto para aquele tipo de relação. Aí já viu o problema, não é? Um liberal tem plena convicção do que quer e faz questão de deixar isso bem claro para você!

Mais uma vez, os estatistas costumam improvisar em função das circunstâncias e do que lhes apetece. Será que sabem quais são os instrumentos que já estão em vigor? As consequências dos mesmos? As alternativas? Não, é reagir em função do que lhes interessa e pouco interessa a coerência. Ou é coerência nos limites que eles impõem – que esses limites não sejam suficientes não interessa. Não há um rumo, não há um objetivo ; quantas vezes a coerência é classificada, por eles, como “cegueira ideológica” ou “fanatismo religioso”?

Ou dito melhor, existem rumos imprecisos, que costumam seguir a via que permite ao estatista atingir os seus objetivos pessoais, pouco importa o que acontece aos dos outros ou se os seus objetivos são legítimos. E sabem como o ser humano costuma funcionar, nunca está satisfeito, quer sempre mais. O estatista concretiza essa característica ao impor aos outros de o satisfazer. E ele nunca estará satisfeito, assim que nunca vos deixará em paz…

Os liberais não se pautam por esta incerteza. Querem liberdade e que os deixem em paz. Dizem o que querem, organizam-se para o que os seus objetivos não violem os interesses legítimos dos outros e deixam cada um fazer o que quiser, desde que respeite os demais. O Direito liberal, a “relação” liberal, tem assim de se pautar pela simplicidade, a previsibilidade, a coerência e a estabilidade[5].

 

 Um liberal não toma decisões precipitadas e sempre pensa em vocês dois como um casal antes de fazer qualquer coisa. Um estatista pode ser impulsivo, fazer o que bem entender e a hora que quiser sem se preocupar com as consequências no momento.

Aqui o ponto chave é “casal”. Eu não duvido que os estatistas não tomem sistematicamente decisões precipitadas. Sim, eu acabei de mostrar a incoerência e egoísmo deles, mas isso não significa que sejam sistematicamente precipitados. O estatista quer ver determinado resultado se realizar, por consequente fará tudo para o atingir, fazendo os compromissos e as cedências que lhe permitirão chegar o mais perto possível.

O estatista sabe a que grupo falar, sabe o que lhes deve dizer, o que lhes deve dar ou prometer. O problema é que isso se faz em detrimento dos que não estão nesses círculos ou nos planos traçados. Aliás, mesmo aqueles que estão nesses círculos ou planos deveriam fazer atenção, não estão necessariamente ao abrigo que outros planos e círculos se formem contra eles. Como deveriam pensar se ganham realmente mais ao entrar nesses esquemas.

Quanto à precipitação, é melhor a entender como uma ausência de planeamento e de justiça nas acções. O estatista não se preocupa com as consequências a mais longo prazo, nem se a forma como age é legítima. Quanto mais ele pensa em como evitar uma contestação suficientemente forte, ou como a destruir antes que consiga mudar algo de facto.

Mais uma vez, no liberalismo, estes joguinhos de poder não têm lugar. A não ser que voluntariamente entraram num jogo. Alguns poderão contrapor-me que a vida é feita de jogos políticos, mesmo nas relações amorosas. Pois pode, mas nesses casos é novamente porque se inseriram num jogo chamado “vida em sociedade”: as pessoas querem uma infinidade de coisas, são seduzidas por milhares de técnicas. Nesse caso estamos num domínio que sempre existiu e existirá enquanto os Homens cá estarão. E justamente se os Homens eram mesmo mais liberais, menos de esses jogos existiriam pois não haveriam tanto medo em ser franco, em explicar o que se quer ou não, ao respeitar pelo qual nos comprometemos.

O lucro − esta palavra que significa muitíssimo mais que ao que aparente ser[6]− o tal, suposto, objetivo máximo do liberalismo, tem essa virtude de limpar todas as convenções, os preconceitos para se concentrar no resultado em harmonia com todos.

 

 A falta de liberdade pode fazer com que a pessoa acabe culpando a outra por tudo de mau que acontecer na relação, mesmo que seja erro dela própria. Quando a liberdade faz parte da vida da pessoa, ela entende que não pode culpar ou julgar ninguém.

Esta é aliás uma consequência indireta do estatismo: quando maior ele for, menos liberdade há, mais as pessoas estão dispostas a arredar as suas responsabilidades. Essa atitude é absolutamente normal: então se algo se propôs a resolver os vossos problemas, porque haveriam de assumir as responsabilidades caso corra mal? Muitas vezes existem vários mecanismos que nos permitem,  precisamente, fugir às nossas responsabilidades, porque haveríamos de nos infligir sentimentos de culpa?

Outro problema do estatismo, ao promover a irresponsabilidade, é que desmobiliza ainda mais as vítimas. Afinal de conta, se sofremos dificuldades e nunca ninguém paga por isso, como havemos de acreditar na liberdade e respeitar os outros? O Homem torna-se o lobo para o Homem…

Pelo contrário, no liberalismo existe liberdade e responsabilidade. Claro não é impossível que uns consigam fugir às suas responsabilidades ou usem de meios para tentar fugir às consequências. A questão nesses casos é de saber se este comportamento − que como bem vimos existe também e ainda mais no estatismo − é sustentável. Vejamos alguém que tenta fugir às suas responsabilidades:

Tem de comprar tempo, perde dinheiro e energia nesse combate, fica com a reputação manchada – pois em regime de liberdade ninguém será proibido do denunciar por todo lado, sem ter de temer sabe-se lá que processo por “ofensa à honra”[7]. Quanto mais asneiras acumulará, menos tempo e dinheiro terá e mais será conhecido como um sacana. Julgam que ganhará mesmo no fim? E mesmo que ganhe, quanto terá perdido para vitoriar?

 

 Um estatista deixa bem claro que te ama e se realmente ama, o que é mais importante ainda! Além disso, tenta provar a cada dia que o sentimento é real e que você pode confiar nele. Um liberal, por muitas vezes, pode até dizer o que sente, mas nas atitudes acaba se esquecendo de demonstrar.

Aí inverti a ordem. Porquê? Porque esta frase é uma frase de aparências. Sim, é certo que o estatista fará muitas vezes de conta que se preocupa com o vosso destino. Mas na realidade não trará nada de concreto; lá está, ele faz de conta. Aparências, anúncios, discursos, condenações, ele usará todos os meios visuais, auditivos, textuais para vos iludir.

O liberal não tem tempo a perder com truques. Preocupa-se com o concreto, o verdadeiro. Vê além das convenções que os Homens criaram para, supostamente, se protegerem, que acabam por os prender e os tornar ainda mais infelizes que se elas não existissem. Ele não precisa de demostrar.

Ele faz.

Namorar uma pessoa madura (3)
[1] https://portugalgate.org/2017/08/26/namorar-uma-pessoa-madura-1/

[2] Recíproca porque a liberdade é consubstancial à responsabilidade. Um não pode viver sem o outro. De esta forma, se você fizer X, não se poderá queixar se alguém lhe fizer X igualmente. A única forma de evitar o comportamento X é o contrato; se você e o terceiro tinham um acordo que lhe autorizava a ser o único a cometer X, então o terceiro terá de obedecer ao contrato.

[3] Pequena adenda, isto é um princípio basilar em matéria de inexecução contratual. De maneira geral deixa-se a liberdade ao credor de escolher entre obter mesmo a prestação, ou um substituto similar, que estava prevista no contrato (as indemnizações positivas) ou se livrar do contrato e voltar a ser posto na situação em que estava antes de concluir o contrato (as indemnizações negativas). Com a crescente regulamentação dos contratos isto já não é tão limiar ; por exemplo, em matéria de contrato de venda, ele apenas poderá obter as indemnizações negativas em último recurso.

[4] Oferecer no sentido largo, não falamos só de dinheiro. Também acontece que não lhe peçam nada em troca. É ao critério de cada um.

[5] Isto parece uma frase conservadora, não é? Não. Não é porque o conservadorismo não é uma filosofia que procure a coerência, é uma filosofia que considera que determinados valores ou comportamentos devem ser preservados. Como bem vimos, no liberalismo existe um maior grau de abertura para constantemente pôr tudo em causa, desde que haja acordo das partes afectadas em suas propriedades.

[6] Prazer, lazer, cultura, amizade, amor. Todo isso é lucro. É um estado em que temos um Bem, em que minimizamos os sacrifícios, os desprazeres, as dificuldades.

[7] Atenção que eu estou a pôr a hipótese em que aquele que é criticado o é por causa de factos verdadeiros. A mentira pode justificar uma condenação por “ofensa à honra”, mas neste caso condena-se a mentira porque originou comportamentos que nunca teriam lugar se ela não tivesse sido pronunciada.

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Namorar uma pessoa madura (1)

Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=2GS2pH9c-oE

“Ao namorar uma pessoa madura, não precisa preocupar-se o tempo inteiro sobre o que ela pode ou não estar a fazer. Já uma pessoa imatura é sempre instável, pode armar uma briga para ferir a vossa relação.

Você sabe que uma pessoa é imatura quando ela não fica feliz por suas realizações pessoais e acha que vocês estão competindo. Ninguém merece, não é? Namorar uma pessoa madura é ter a certeza de ter alguém que se realiza ao vê-la feliz e realizando sonhos e, ainda, a ajuda a chegar até eles.

Uma pessoa madura e bem resolvida sabe assumir quando erra, sabe pedir desculpas e procura melhorar o que faz de errado. Um imaturo dificilmente assumirá um erro e ficará inventando desculpas para justificar aquilo que fez, por mais inocente que tenha sido.

Num relacionamento com uma pessoa imatura, conversar pode ser uma tarefa árdua. Isso porque ela sempre acha que o diálogo é desnecessário para aquele momento ou situação e que vocês deveriam apenas esquecer o que aconteceu. Já alguém maduro, coloca os pontos nos “i” e não faz durar as disputas para acertar as pequenas desavenças.

A imaturidade também pode fazer com que a pessoa não queira escutar os outros, principalmente os conselhos que lhe dão. Dificilmente vai aceitar os seus pontos de vista sobre a relação e achará que sempre está certo. O que não acontece com uma pessoa madura, que entende o seu lado e procura ouvir seus levantamentos.

Um imaturo dificilmente sabe o que quer e, muitas vezes, pode não estar pronto para aquele tipo de relação. Aí já viu o problema, não é? Uma pessoa madura tem plena convicção do que quer e faz questão de deixar isso bem claro para você!

Alguém maduro não toma decisões precipitadas e sempre pensa em vocês dois como um casal antes de fazer qualquer coisa. Um imaturo pode ser impulsivo, fazer o que bem entender e a hora que quiser sem se preocupar com as consequências no momento.

A falta de maturidade pode fazer com que a pessoa acabe culpando a outra por tudo de mau que acontecer na relação, mesmo que seja erro dela própria. Quando a maturidade faz parte da vida da pessoa, ela entende que não pode culpar ou julgar ninguém.

Uma pessoa madura deixa bem claro que te ama e se realmente ama, o que é mais importante ainda! Além disso, tenta provar a cada dia que o sentimento é real e que você pode confiar nela. Um imaturo, por muitas vezes, pode até dizer o que sente, mas nas atitudes acaba se esquecendo de demonstrar.”

Texto de Sophie W.

O quê com um texto de namoro vem aqui fazer num blogue sobre política? Todo vos será explicado dentro de dois dias. Até aí mantenham-se atentos ao PortugalGate!

Tomar os portugueses por estúpidos

Texto lido :

https://www.youtube.com/watch?v=FPvjWM_aYJI&feature=youtu.be

 

Somos mesmo governados por cómicos, olhem o que foi publicado dia 1 de Junho de 2017 :

« Das alterações introduzidas em 2012, resultou uma redução de 10 % no montante diário do subsídio de desemprego, após seis meses de concessão. Esta redução opera independentemente do montante de subsídio de desemprego concedido. Tratando-se de uma prestação essencial para aqueles que se encontram em situação de perda involuntária de rendimentos do trabalho, afigura-se necessário introduzir nesta medida limites que assegurem o mínimo de subsistência. Neste sentido, introduz-se um travão a esta redução no valor do indexante de apoios sociais (IAS), enquanto referencial determinante na fixação e atualização das prestações de segurança social. Assim, a redução de 10 % no montante diário do subsídio de desemprego opera quando o seu montante mensal é de valor superior ao valor do IAS, mas desta redução não poderá resultar a atribuição de um montante mensal de valor inferior àquele indexante. »
Se forem ler a tal lei de 2012 descobrirão isto:

« Artigo 29.º […] 1 – O montante mensal do subsídio de desemprego não pode ser superior a duas vezes e meia o valor do indexante dos apoios sociais (IAS) nem inferior ao valor desse indexante, sem prejuízo do disposto nos números seguintes. »

Fontes :
https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/107114288/details/normal?l=1

https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/553468/details/normal?q=+Decreto-Lei+n.%C2%BA%2064%2F2012

 

No Reino dos Medíocres, os Génios são decapitados

Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=su_IgEWCRUg&t=1s

Quando era ainda uma criança, achava que as pessoas que se gabavam muito delas próprias (na Suíça dizíamos que “elles se la pêtent”) eram pessoas desprezíveis. Achava aquilo superficial, desadequado, não via razões minimamente objectivas que sustentassem tanta bazófia. Com o passar dos anos as coisas mudaram: eu é que passei a alardear-me! Achava piada, permitia abrir um novo campo humorístico, no novo meio em que passei a me inserir (universitário estatal jurídico) aquilo contrastava tremendamente com o “pensamento” dominante.

Mas aquela nova atitude também era o reflexo de um método de “sobrevivência”: quando era mais novo não me gabava, falava pouco e não chateava ninguém. Meio-caminho andado para ser aquele que sofria as piadas e graçolas dos outros (o que foi que aconteceu). Assim como também decidi adaptar-me e responder, acabei por adoptar parte do comportamento dos “macacos”[1]. A idade, o comodismo e os resultados fizeram que mais que adoptar, entremeei essas atitudes.

O problema é que o contexto mudou: a adolescência tinha acabado, os filhos de operários eram agora filhos de notários, o gosto por sair todos os fins-de-semanas foi substituído pela necessidade de estudar longas horas a fio. E claro alguns dos meus colegas eram também antigos “intellos”[2], à diferença que não quiseram, ou não necessitaram de se adaptar aos gajos “fixes”.

Inevitavelmente isso criou conflitos: eu continuo a usar uma linguagem muito crua, com palavrões, imenso recurso à sexualidade, humor negro quando estou com pessoas que considero meus amigos ou potenciais amigos. O problema é que os ditos não têm a mesma sensibilidade que eu: a vantagem é que isso permite separar o trigo do joio.

Quando mudei de comportamento, também o analisei. Comecei a ter mais compreensão por esses tais “fixes”, que agora estão a um passo de me servirem como meros empregados de limpeza[3]. Eu disse-me a mim próprio “se tu não gostares de ti próprio, como é que alguém o poderá fazer? Mais, quando sentires que o teu mundo se desmoronou, estarás sozinho. Ora como queres sair do poço se não gostares de forma irracional de ti? Como queres subir o poço, algo de tão perigoso se não tiveres uma absoluta confiança em ti próprio?”

Assim, convenci-me que a bazófia era algo de bom, é algo que nos ajuda a avançar, a nos afirmar.

A nos amarmos a nós próprios, o que eu esqueci de fazer durante tantos anos.

Hoje convenci-me ainda mais de isso. Convenci-me ao lembrar dos escritos de Ayn Rand, de toda a filosofia do liberalismo.

E convenci-me a testemunhar de mais um episódio de mediocridade.

Quem consultar a minha página Facebook, virá que ela está cheíssima. Artigos, fotografias, reflexões. Há de tudo e em grande quantidade (ao ponto que tive de instalar um programa para me impedir de perder tanto tempo na rede!).

Encontrarão principalmente artigos, onde ideias são apresentadas, ou onde eu próprio formulo ideias e pistas de reflexão. Tento aplicar a máxima que “gente inteligente discute ideias, gente média discute factos, gente baixa discute pessoas”. Tento assim ficar sempre no Império das Ideias.

No entanto, claro há lugar para o humor e a bazófia. Ora publiquei há tempos uma monumental obra de bazófia.

Eu que passo, o quê, 90% do meu tempo a publicar “coisas sérias” decidi ir para aquele registro. E não é que, pessoas com quem eu não falo há mais de um ano, uma das quais “desamigou-me” do Facebook por, desculpem do pouco, ter ousado dizer que achava que PESSOALMENTE se EU tinha de divorciar consideraria isso como um testemunho de infâmia[4], reaparece no meu mural. E para dizer isto: “Que homem!”. Dois outros foi “Such wow”, e “WOW” em resposta à primeira.

90% das publicações são sobre política, economia, sociologia, filosofia, espiritualidade, e lá aparecem os queridos NUMA publicação mais rasca para deixarem comentários de duas palavras, a cheirarem a troça, porque ousei gabar-me no meu próprio mural!

E é aí que Ayn Rand falou directamente para mim: não temos de nos desculpar dos nossos sucessos. Não existe nenhum motivo de orgulho em ser medíocre. De querer nivelar toda à gente por baixo. De viver na inveja, a desprezar os méritos alheios.

Resumindo: aquela gente odeia bazófia porque não gosta dela própria.

Quem tem um mínimo de autoconfiança, quer lá saber se fulano tal se gaba ou deixa de gabar. Quem gosta o suficiente de si próprio, não perde tempo a fazer reflexões sobre como os outros vivem (e nesse caso direi, não gasta só o tempo dele a preencher a terceira parte da máxima que citei encima).

Pelo contrário, os espíritos livres têm orgulho neles próprios. Será necessário demonstrar o sucesso? Claro que não. O trabalho fala por ele próprio em princípio, e quem se gaba por se gabar rapidamente é descoberto. Ele próprio tem de admitir a realidade; se não o fizer, sofrerá as consequências. E se teimar em ignorar as consequências, costumará deixar a bazófia para enveredar pela inveja pura (tem de encontrar maneira de justificar os seus falhanços sem reconhecer os seus erros). Voltamos ao ponto inicial da mediocridade.

Mas se pessoas geniais não precisam de se gabar, pessoas medíocres terão possivelmente ainda menos recurso à bazófia. Os medíocres estão concentrados em eliminar quem saía da norma que inventaram. Não há tempo para se gabar. Ou se se gabam é porque conseguiram lixar a vida alheia. Veem? Nunca produzem nada de positivo, apenas destroem. Vivem através dos outros, por oposição a eles.

O significado da famosa frase anarquista “nem mestre, nem Deus” é mais que o que aparente ser à primeira vista: escolhe o teu próprio mestre, escolhe o teu próprio Deus. E tu podes ser o teu próprio mestre e o teu próprio Deus. Alguns escolhem seguir o mestre da mediocridade e o Deus dos possíveis, eu prefiro escolher o mestre da grandeza e o Deus dos impossíveis.

Concluirei por mais uma enorme peça de arrogância over 9.000[5]:

 Porque raio os outros teimam em convencer-me que sou superior a eles?

PortugalGate (2)

 

[1] Para quem conhecer bem a série How I Met Your Mother saberá o que entendo por aí. Os outros, ide ver esta série fantástica!!!

[2] Na Suíça da década de 2000 eram os alunos que passavam imenso tempo a estudar, muitas vezes pouco faladores e pouco dados a actividades desportivas. Ou como disse Bill Gates, « aqueles que podem um dia ser o teu patrão ».

[3] Compreensão, nunca disse que eu era alguém de misericordioso!

[4] A pessoa em questão viu os seus pais divorciarem por um dos dois ter descoberto que era homossexual. E eu que sempre tomei as minhas precauções para não a chatear com o tema, aliás tinha explicado que a minha afirmação era estritamente pessoal, se as pessoas queriam divorciar-se, separarem-se, era me totalmente indiferente e bom proveito a elas. Mas na mesma era acusado de montar um ataque velado. Hein?!

[5] Vegeta, Dragon Ball Z versão inglesa (versão original são 8.000).

Crispação, queixume e azedume

Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=ZaSn8YijoQ4
Uma das coisas que mais gosto de fazer é observar e analisar o comportamento das pessoas. Este interesse está muito provavelmente ligado à minha história pessoal, que já tive a oportunidade de esmiuçar noutra ocasião[1].

Ora ultimamente o que mais tem marcado, e tive trocas sobre este tema com algumas pessoas, é que acho a generalidade das pessoas bastante crispadas, queixosas, preconceituosas, piegas ou fechadas.

Não sei se será do tempo – quando escrevi isto estávamos no fim do Inverno – ou dos meios socioculturais nos quais me insiro – o que me parece estranho porque conversei de isso com pessoas inseridas noutros meios, e inclusive países e as constatações são idênticas.

Também ponderei que fosse uma questão de carácter, se calhar as pessoas com quem eu conversei comportam-se da mesma forma que eu e é por isso que depois as reacções dos demais são similares, mas mesmo assim não me parece que as similitudes sejam tão grandes quanto isso.

A questão do tempo será provavelmente a mais pertinente, o Inverno tende a nos tornar mais tensos que durante o Verão, a falta de luz e o frio contribuirão por isso.

No entanto se me parece que com o chegar do Verão e do Sol as pessoas tendem a estar efectivamente menos crispadas, com mais sentido de humor ou tolerantes, parecem-me sempre que estão cheias de tabus ao longo do ano que os levam novamente para a crispação quando são invocados.

O que entendo por tabus? Entendo sobretudo questões relacionadas com a sexualidade, a intimidade, o convívio com pessoas diferentes e desconhecidas e as relações com a hierarquia. Ou seja, temas relacionados com as interacções humanas simplesmente. E a crispação volta a aparecer mal se conversa sobre isso.

Mesmo o humor parece ser incapaz de travar essa crispação. Eu sou uma pessoa que gosta imenso de fazer humor sobre tudo e mais alguma coisa, todo tipo de humor é susceptível de me agradar, à condição de ser bem feito e não ser intencionalmente vexatório. Assim humor negro, sarcástico, sobre a aparência das pessoas, suas nacionalidades, sexualidade etc. agradam-me imenso, gosto de fazê-lo e também não me ralo se alguém usar contra mim humor que poderá parecer ofensivo.

Agora com as demais pessoas isto nem sempre é possível. As pessoas têm graus de sensibilidade variados, e ofuscam-se quando se toca esses temas. Dirão-me que é normal, temos todos um tema que nos revoltam, temos dias menos bons e mais bons e existem diversas maneiras de dizer as coisas. Eu obviamente sou igual aos demais.

No entanto creio ter uma diferença com os outros, é que eu tento em regra geral guardar a calma, e não necessariamente atacar a pessoa porque disse algo, num tom ou a um momento que me desagradasse – não funciona com toda a gente infelizmente, mas a esmagadora maioria sim!

A diferença poderá ser que como eu tento me posicionar mais na posição de aquele que faz piadas, arrisco-me mais facilmente a chocar os demais que eles me choquem a mim. Contudo mesmo quando as conversas são um pouco mais sérias, ou menos ligeiras, parece que há sempre um tabu ou queixume que aparece a determinado momento.

Constato que as pessoas têm uma tendência enorme para desviar para a crítica. Quando isso acontece eu começo por os deixar esvaziar o saco. Por experiência própria sei que às vezes as pessoas só precisam de esvaziar o saco para avançar melhor. O problema é que não raras vezes voltam a vir mais e mais queixas. Eu tenho por hábito de fazer então perguntas de maneira a que a pessoa chegue por si própria a uma solução, ao qual chega geralmente. Só que passado algum momento voltam a vir as queixas…

Inútil dizer que é cansativo estar a conviver com pessoas que passam imenso tempo a se lamuriar. E o pior não é isso. O pior é que quando se tem de fazer algo, tem de se enfrentar uma situação, as pessoas não querem saber. Mais, ofuscam-se quando afirmamos que vamos tomar determinada atitude, sobretudo quando esta lhes parecer pouco banal.

Quando digo banal eu não falo de atitudes ilícitas, atitudes que violem a propriedade ou que ferem o PNA[2]. Falo simplesmente de quebrar certas convenções sociais.

Dou um exemplo: há tempos estávamos a nos queixar que os nossos professores eram incapazes de nos darem uma cópia escrita dos exercícios. Na minha Faculdade de Direito temos sessões em que resolvemos casos, geralmente inspirados de precedentes. Ora acontece que o professor se limita a explicar o caso, e quem se distrai arrisca-se a ter apontamentos incompletos.

Poucos professores se lembraram de fazer um livro com os exercícios todos (alguns o fizeram mesmo assim). Ora eu propus de enviar um email a propor isso mesmo aos professores. Ou a organizar um grupo de estudantes que fizesse os exercícios, supervisionado por um assistente, que depois publicaria os exercícios. Enfim algo que nos deia conteúdos viáveis.

Inútil dizer que ninguém se motivou para isso, e quando se soube que mandei um email, sozinho, aos nossos professores, tive direito ao sarcasmo, quando não critica por propor uma medida que desincentivará os alunos a vir aos exercícios ; pois… alguns professores publicam os seus exercícios e, no entanto, têm as salas tão cheias como aos outros, mas aquilo supostamente desincentiva as pessoas a virem às aulas… E eu ainda a pensar que mais que vir às aulas o importante é termos pessoas bem formadas…

E haverá imensos exemplos parecidos. As pessoas são de uma incrível inércia, deixam-se enlamear em convenções sociais mais que duvidosas sem grande fundamento. Creio que inclusive por causa de isso acabam por ser mais infelizes!

Esses comportamentos são até bastante estatistas, ou antiliberais! Porque vejam, o liberalismo caracteriza-se por ser uma filosofia sobre a liberdade. E liberdade implica responsabilidade, reciprocidade (ou retribuição) e respeito pela propriedade alheia.

Não há lugar no liberalismo para conflitos, ofuscações, censuras ou conspirações. Ser liberal acaba por ter por consequência, pelo menos na minha vida privada, de tentar ser bem-humorado, optimista, ligeiro, despreocupado, generoso, compreensivo e sério na altura de trabalhar. Mas claro também não admitir agressões físicas e responder em consequência.

Não é por nada que se pode afirmar que o capitalismo liberal nos humanizou. Terei tendência a pensar que quanto mais formos liberais (a sério, e não apenas o afirmar), mais felizes somos.

Pelo menos por mim até tem funcionado de esta forma. Não é fácil, não se consegue todos os dias, mas pronto há que tentar sempre. A vantagem é que quanto mais tentamos, menos nos deixamos afectar pelo veneno dos outros e a ser menos dependentes de eles.

E isso, creio que será a definição da felicidade : não depender de ninguém, conseguirmos sempre nos contentar do que temos ou ter mais sem fazer mal aos outros. E cereja no topo do bolo é conseguir tornar outros mais felizes também.

Dito de outra forma: de os ter tornado liberais também 😉

[1] http://mises.org.pt/2016/09/direito-de-secessao/

[2] Princípio de Não Agressão.

Da absoluta falta de vergonha

O gráfico em cima mostra qual era a percentagem dos apoios do Estado que iam aos 20% mais ricos e pobres nos países da OCDE em 2011.
Aprendemos assim que em 2011, ou seja antes do Triunvirato e da malvada austeridade do Governo PSD-CDS, o 20% mais rico de Portugal usufruia de 40% dos apoios sociais.
Leram bem, os 20% mais ricos dos nossos compatriotas usufruíam de 40% dos gastos do Estado em apoios sociais.
Pelo contrário, o 20% mais pobre nem 10% de esse montante recebia, enquanto que os 60% restantes, a “classe média”, recebiam os 50% restantes.
Quando o PS, o BE, e o PCP falam de remover a austeridade é isto que eles querem ver continuar.
Quando os esquerdistas vos chateiam com a desigualdade é isso que eles propõem como solução.
Quando vos acusam, homens e mulheres de Direita, de serem egoístas é isto que os vossos inquisidores defendem.
Eles defendem que:

Os 2 milhões de portugueses mais abastados recebam, cada um, de apoios sociais do Estado 8100 euros anuais, 675 euros mensais em média!!!

Eu gostaria que espalhassem esta imagem por todo lado. Estou farto, enquanto liberal, de ser catalogado como um horrível monstro insensível por um bando de ignorantes lacaios do Estado que se estão a borrifar pelos mais carenciados!

Estou farto de ver o meu país ir abaixo, tudo isto para dar meia dúzia de privilégios que permitem aos visados terem ordenados menores que um operário da construção civil na Suíça!

Execução orçamental 2016 : a esquizofrenia

Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=0v0c-KWoxFQ

– Segundo os dados provisórios, a despesa das Administrações Públicas anda nos 83.400 milhões. O orçamento mais baixo nesta rúbrica durante o último Governo PSD-CDS foi o de 2012 (81.000 milhões). Ou seja, PS, PCP e BE estão a manter a despesa a níveis comparáveis aos de PSD e CDS!!! Aplicam quase tanta austeridade na despesa que a Direita!!!

– Quanto à despesa consagrada aos salários, ela continua abaixo do nível de 2011, e substancialmente ainda mais abaixo do nível de 2009 a última vez em que houve aumentos. Ou seja, os trabalhadores do Estado ainda não recuperaram, no seu conjunto, rendimentos nenhuns!

– É preciso recuar a 2011 para encontrar uma parcela maior do orçamento usada para pagar os juros. Ou seja, este Governo não pode usar nenhuma desculpa em relação aos mercados, e o novo conselheiro do Banco de Portugal faria melhor de estar calado e estudar mais.

– As transferências correntes, onde está nomeadamente inserido o montante para pagar as pensões, estão abaixo do nível de 2013 (o recorde). Mais uma vez PS, PCP e BE continuam a promover mais ou tanta austeridade na despesa que a Direita.

– Inútil falar das despesas consagradas ao investimento e de capital que atingiram os números mais baixos desde que a Pordata faz registros, e provavelemente os mais baixos em 60 anos.

Por concluir, este Governo estatista até está a ter um bom desempenho em matéria de controle da despesa. Sendo liberal esse tipo de notícias seriam motivo para me dar um sorriso pelo menos.

O problema é que em 2011, o Governo PS também tinha anunciado que o défice tinha acabado nos 7% do PIB, e já nessa altura todos suspeitavam que seria mentira…

Outro ponto que gostaria ressalvar, é sobre as cativações que o Governo terá efectuado. Francamente eu até acho bem essas medidas terem sido tomadas. O Estado gasta muito e mal, logo esta medida apenas peca por não ser permanente (mas mesmo assim há esperança, Milton Friedman dizia que não há nada mais permanente que um programa provisório de um Governo).

O problema está noutro lado. De uma parte tem havido denúncias que vários serviços do Estado, a Saúde nomeadamente, têm sofrido com essas cativações o que se tem repercutido nas pessoas. Ora mesmo com as cativações e outros cortes, o Orçamento de Estado ainda é um dos maiores da nossa História[1]. Isso demonstra a que ponto o Estado é um poço de incompetência brutal.

Então como é possível os serviços, com dotações das maiores da História[2], continuarem a ser incapazes de satisfazer as necessidades mais urgentes das pessoas?! E depois há quem tenha a lata de dizer que sem o Estado as pessoas seriam abandonadas à sua sorte?!!! Estamos a brincar com quem?!

Isso não seria um problema tão grave se tivessemos um sector privado suficientemente forte para corrigir as falhas do Estado. Ora o episódio dos contratos de associações é um exemplo que demonstra que este Governo, não contente de ser incapaz de ajudar as pessoas, ainda quer criar mais dificultadades…

É mais que tempo os portugueses encararem a realidade: o Estado destrói as nossas vidas. Não precisamos de políticos. Temos que reapropriar-nos do Estado e o pôr a funcionar como qualquer um de nós funciona ou seja, sem roubar e a assumir as consequências das nossas escolhas.

Serão precisas quantas bancarrotas, quantos desempregados, quantas dificuldades, quantas ditaduras mais para te comportares como um adulto Portugal?

 

Fontes :

http://www.pordata.pt/Portugal/Despesas+das+Administra%c3%a7%c3%b5es+P%c3%bablicas+total++correntes+e+de+capital+(base+2011)-2790

http://www.pordata.pt/Portugal/Despesas+das+Administra%c3%a7%c3%b5es+P%c3%bablicas+total+e+por+classifica%c3%a7%c3%a3o+econ%c3%b3mica+(base+2011)-2791

[1] Andamos à beira da esquizofrenia com este Governo. “Devolve” salários e pensões, mas mantem a despesa nesses itens abaixo dos recordes, faz cativações, mas mesmo assim a despesa continua altíssima.

[2] Se bem que, felizmente, menores que o recorde.

Social-democracia nunca!

Texto inicialmente publicado no Instituto Mises Portugal :  http://mises.org.pt/2017/04/social-democracia-nunca/



Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=1jcxu0oyQI4

Num precedente texto[1], fiz a apologia que a social-democracia poderia perfeitamente se enquadrar com o liberalismo. Este texto suscitou alguns apontamentos por parte do Mateus Bernardino que considero extremamente pertinentes e que me permiti de retomar, reorganizar e completar.

  • Definição

Em primeiro lugar, existe um problema relativamente importante para o que diz respeito à definição de social democracia. Esse problema não está associado à categorização em termos de esferas de liberdade que aparentemente o André empreendeu. Ele está associado à natureza mesmo do que define aquele paradigma político. Isso quer dizer, a social democracia é um conjunto de ideias, mas sobretudo, uma estratégia política perfeitamente coerente com esse conjunto de princípios, valores e ideais socialistas. De forma clara, a social democracia é apenas a aceitação de uma estratégia revolucionária menos radical, e procurando utilizar do aparato democrático que se encontra desde o século XIX em determinadas civilizações ocidentais com intuito de implementar, progressivamente, o projeto político socialista, e toda agenda de reformas que possa ajudar nessa estratégia que terminará por moldar as instituições sociais do ocidente de forma a que elas não sejam, depois, mais do que a própria síntese daquele projeto socialista. A ideia geral se expressaria muito bem naquela proposição dizendo, grosso modo, “que todos serão socialistas sem sequer darem conta disso”.

Enquanto estratégia política, a social democracia pode envolver, mobilizar ou instrumentalizar – para aquele projeto –, ao mesmo tempo, a maioria das mais diversas correntes e tendências socialistas, indo desde marxistas radicais até “social-liberais” centristas, e englobando desde respostas concretas e aplicadas aos problemas sociais quotidianos até um ideal de valores sociais, institucionais e socioculturais que terminam por incrustar na vida pública e social a mentalidade coletivista, estatista, assistencialista, igualitarista e de democracia total – desde que compatível com suas aspirações e agenda.

Tudo isso esclarecido, é preciso ter cuidado ao apresentar a social-democracia como uma versão mais liberal de socialismo, por mais que ela seja, de fato, dentro da ótica revolucionária, menos danosa em termos de liberdades. Isso porque ela não tem qualquer vínculo efetivo ou compromisso legítimo com o liberalismo. Vale uma revisão das teorias de Rosa Luxemburgo, do desenvolvimento do movimento Fabiano na Inglaterra e algumas noções sobre Antonio Gramsci para o que diz respeito aos aspectos socioculturais.

  • Prática

A ideia geral de que com governos sociais-democratas é perfeitamente possível alinhar uma produção indireta pelo Estado (regulamentação, parcerias público-privadas, concessões…) a uma certa autonomia para a iniciativa privada, ou ainda, é possível que o governo forneça serviços sociais sem tolher totalmente a liberdade para o empreendedorismo. Deste ponto de vista, a social-democracia é com certeza menos custosa em termos de liberdades que o socialismo desenvergonhado.

No entanto a social-democracia continua a ser um mal menor; é interessante lembrar que o modelo está longe de representar uma pauta ou agenda efetivamente liberal, fundada na propriedade. E se tomarmos como referencia um ambiente de liberdade, o custo de empreender e de gerir negócios é bastante elevado, não fosse pelo peso do fardo fiscal e da papelaria burocrática, que acaba muitas vezes por inviabilizar a entrada nos mercados ou favorecer os produtores consagrados, e limitando o potencial de crescimento dos pequenos negócios. É o ambiente perfeito para o capitalismo de compadres.

Assim, isto demostra que a social democracia não tem verdadeiramente um objectivo. É uma mera constatação, que tanto pode ir para um lado como outro. A famigerada conversa entre Otelo Saraiva de Carvalho e Odolf Palme[2], é um indício que nos explica uma das razões pela qual social-democracia nórdica é mais liberal que, infelizmente até agora, a social-democracia portuguesa.

  • Path dependence

A social-democracia tem por consequente a fraqueza de ser um mero intermédio, a sua vocação liberal apenas se poderá revelar se for pilotada por liberais, ou pelo menos pessoas que apliquem uma agenda mais liberal nem que seja por força das circunstâncias[3]. Essa fraqueza é tanto mais perigosa quando sabemos ao que ponto o Estado está sujeito à “path dependence”.

O que é a “path dependence”? Traduzido literalmente significa a “dependência do caminho”[4], e dito de maneira mais colorida, é simplesmente o comodismo. O Estado, como qualquer um de nós, tem uma certa tendência para se deixar influenciar pelas decisões do passado, em continuar a lógica que vem detrás. A “dependência do caminho” foi particularmente visível com os Governos de Margaret Thatcher que, apesar de toda a retórica liberalizante e várias medidas tomadas nesse sentido, foi por exemplo incapaz de cortar na despesa social do Estado, como se pode ver no gráfico abaixo[5] :

Ora a social-democracia é apesar de tudo uma ideológia que, no mínimo, defende fortes gastos sociais e impostos correspondentes. É pouco provável que venha a aceitar privatizações e liberalizações em troca de esses mesmos gastos e impostos pelo simples peso da História. Além que quem diz impostos e gastos diz administrações, diz burocracia, diz regulamentos. Pois serão necessários funcionários para cobrar e redistribuir os montantes, teremos de lhes dar meios para tal, teremos de edictar regulamentos para saber o que taxar ou não, como redistribuir ou não etc. Ou seja ainda fazer um compromisso sobre os gastos e os impostos, é potencialmente aceitar um compromisso que nada mude!

  • Conclusão

Voltanto assim ao tema do PSD, e de maneira geral ao “entrismo”[6], esperar por si só que aquele partido liberalize a fundo Portugal é ser francamente ingénuo. É certo que a situação de fragilidade financeira do Estado português fez com que dificilmente este possa continuar a inchar continuamente.

No entanto fazendo jus à “dependência do caminho” algumas medidas liberalizadoras tomadas por Passos Coelho poderão ter algum impacto para se continuar no caminho da liberdade. Agora não se trata de defender aqui que a melhor forma de liberalizar é de entrar no PSD.

Cada um faça como bem entender, e tenha sucesso na tarefa. Estes textos serviram para demonstrar sobretudo que não se obterá grande coisa esperando que os outros se mobilizem. Mais, nunca se esqueçam que se o Bom é impossível de alcançar, apenas podemos tender a ele, podemos sempre conseguir fazer pior… #Venezuela.

Também serve de apelo aos militantes e dirigentes do PSD. Em si a social-democracia não é um fim. O fim é o bem-estar sustentável das pessoas. Ora a recente falência do Estado, e a sua incapacidade em resolver os problemas dos nossos compatriotas, quando outros países mais liberais chegam a melhores resultados apenas vos devem incentivar a considerar o liberalismo como algo de bom para implementar.

Mesmo eleitoralmente, ter um discurso e uma prática liberal paga. Lembrem-se da campanha de 2011, em que Passos Coelho era taxado de ultra-liberal. Não acabou por ganhar as eleições? Durão Barroso também ganhou a prometer várias medidas liberalizadoras. Cavaco Silva ganhou duas maiorias absolutas sendo o primeiro a dar a maior machadada ao PREC. Sá Carneiro também ganhou voltando a aproximar-se de ideias mais liberais[7]. E, pelo contrário, em que circunstâncias o PSD perdeu as eleições?

Com Manuela Ferreira Leite, provavelmente a mais estatista dos candidatos em 2008 e como o revela a cada dia que passa desde então. Com Santana Lopes, que já andava a prometer o fim da austeridade (que nem veio…). Com Fernando Nogueira, o mais “consensual” dos candidatos. Com Mota Pinto o mais próximo candidato do PS que fez a seguir o Bloco Central. O próprio Sá Carneiro não ganhou em 1975 e 1976 quando andava a repetir os chavões do PREC, se bem que de forma mais aromatizada. Sobre a campanha de 1999 é difiícil pronunciar-se, Durão Barroso foi chamado um pouco à última da hora depois da desistência de Marcelo. Além de ser difícil ganhar num contexto em que Portugal crescia a bom ritmo (com os alarmes a soarem cada vez mais é certo) e com uma das suas melhores notas em termos de liberalismo económico[8].

Aliás, eu aposto que Passos Coelho teria obtido a maioria absoluta em 2015 caso não tivesse havido o monstruoso aumento de impostos, se a CGD fosse privada como o próprio propus em 2008, se não se tivesse voltado a reverter a Lei do Arrendamento, etc.

Como disse o Carlos Guimarães Pinto, “entre a social-democracia do PS e a social-democracia do PSD, os portugueses tenderão a preferir a primeira, porque ao menos lhes garante paz”[9] (quem diz paz entenda os sindicatos calados e a comunicação social complacente, creio que nos entendemos).

[1] http://mises.org.pt/2017/03/social-democracia-sempre/

[2] Otelo : « Nós em Portugal queremos acabar com os ricos! »

Palme : « Curioso. Nós na Suécia queremos acabar com os pobres. »

[3] O Governo de Passos Coelho pode servir de exemplo, na medida em que a emergência financeira o obrigou a tomar certas medidas liberalizadoras para evitar que o Estado fosse à falência.

[4] http://www.cairn.info/resume.php?ID_ARTICLE=SCPO_BOUSS_2010_01_0411

[5] Thatcher esteve no poder entre 1979 e 1990. O grande corte corte occoreu portanto durante o Governo de John Major, o seu sucessor também conservador.

[6] Por «entrismo » entendo quem defenda que para mudar o sistema tenhamos de entrar nele.

[7] O meu episódio preferido de Sá Carneiro está na biografia « Solidão e Poder » de Maria João Avillez, p. 105 :

Sá Carneiro e mais alguns reuniram-se para elaborar as bases programáticas do PPD. Propuseram a Barbosa de Melo de o reler. Acabou por desistir dizendo : “há um equívoco, realizaram as bases programáticas de um partido liberal”.

[8] https://www.fraserinstitute.org/economic-freedom/graph?page=graph&area1=1&area2=1&area3=1&area4=1&area5=1&type=line&min-year=1970&max-year=2014&countries=PRT ; André Azevedo Alves, “Depois da década perdida”, p. 36, in : “XXI Ter Opinião 2013 – Adeus Liberdade. Viva a Liberdade”, Fundação Francisco Manuel dos Santos.

[9] https://oinsurgente.org/2017/02/15/uma-licao-para-o-psd/

 

O dia da Liberdade

 

No dia 25 de Abril Portugal festeja a Liberdade. Não festeja o fim do Estado Novo, não festeja o início do Estado socializante, não festeja os capitães que se revoltaram em parte por questões laborais.

Festejamos a liberdade de exprimir as mais abjectas expressões.

Festejamos a liberdade de nós reunir com às mais odiosas pessoas.

Festejamos a liberdade de escolher a nossa Educação por mais estapafúrdia que possa parecer e não de nós imporem uma, cara, de má qualidade e que maltrata os seus funcionários.

Festejamos a liberdade de escolher a nossa Saúde, o que vai do direito a levarmos uma vida desastrosa, a poder escolher mecanismos de seguro não impostos.

Festejamos a liberdade de empreender, comerciar, negociar, empregar, despedir, e não de nós dizer como nós organizarmos, nos obrigar a preencher a maior variedade de papelada e nos sobrecarregar com encargos cada vez mais pesados.

Festejamos a liberdade de solidariedade, do direito de contribuir ou não a instituições de ajuda, de excluir ou não quem reclama nosso apoio, e não de nós impor uma imensa oficina que abandona os mais carenciados às suas portas e distribui ninharias enquanto lhes impede de saírem da miséria por eles próprios.

Festejamos a liberdade de podermos tomar decisões sobre o que é nosso, ou seja naquilo em que investimos e que nos atinge de forma palpável, e não de escolher quem decida por nós, nos faz pagar a fatura quando a coisa corre mal e não distribui os proveitos.

Festejamos os corolários da liberdade, ou seja a responsabilidade e a reciprocidade, e não a licença de dar cabo de tudo em determinado quadro e penas desajustas com os danos.

Festejamos a liberdade que nós dá a paz, o pão, a saúde, a educação, a habitação, do povo poder decidir sobre aquilo que é dele, e não esperar que nos distribuem esses itens todos, que nunca ou mal virão, e que outros decidem por nós sob a forma de falsas coletividades.

Festejamos um Portugal que ainda não nasceu, um país moreno onde é o Indivíduo que mais ordena.

Não festejamos o regime actual por consequente.

Festejamos a Liberdade!

PS: gostaria agradecer ao Mauro Pires pela sua confiança ao deixar-me escrever no seu espaço, tenciono agora não o decepcionar!
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