Pedro Passos Coelho

Podemos dedicar qualquer artigo a Pedro Passos Coelho que será um exercício meramente inútil e momentâneo. Descrever o homem que, esteve durante 4 anos e meio na governação de um país, fazendo o equilíbrio sempre hercúleo do cumprimento do programa de ajustamento financeiro, a oligarquia vigente, que lhe guarda um ódio visceral e estrutural, com uma população que vive num país estagnado há 20 anos e sem perspectivas de futuro, é entrarmos no campo do atrevimento.

Reformar Portugal nunca foi  tarefa para infantes da primeira hora como António Costa que tem vistas curtas na sua plenitude moral e ética, mas sim para aqueles que desde a primeira hora já tinham a noção do que ai vinha e, o que ai vinha, era sinónimo de muitas vezes ter de decidir medidas duras sem olhar para trás, para o ego dos seus ministros irrevogáveis ou para as manifestações de conveniência dos sindicatos de cor vermelha que se esbarraram agora no muro rosa do largo do rato. O trabalho de tentar reformar Portugal era para Pedro Passos Coelho e para a sua serenidade esfíngica, frieza ártica e para uma resistência que faz lembrar o Marquês de Pombal nas reformas que teve de implementar(necessário olhar para os contextos, primeiramente).

Portugal perdeu um activo que cujos fluxos de valentia e foco de 2011 a 2015 nos tirou do caos financeiro que hoje muitos relativizam e chamam de mero “fascineiro”, ou “cumpridor de um programa”, e que deu a António Costa um país a crescer, um défice orçamental diminuto e a uniformização do pensamento de contas certas para a parte mais canhota do nosso parlamento. Esta foi das grandes reformas estruturais na mentalidade portuguesa que é hoje um pilar para mantermos a nossa precariedade de crescimento e um saldo orçamental preso por arames.

A valentia, o foco, a ideologia, ou o modo como pensava a organização do país e do Estado em funções não foram a maior perda. A depreciação do sentido institucional e a interpretação do cargo presidencial do actual detentor do respectivo cargo, ou a postura Socrática de António Costa perante os meios de comunicação social, bem como o desprezo indigente que demonstra perante os seus adversários políticos, degradam a terceira república de dia para dia em todos os quadrantes. Passos Coelho tinha uma postura calma, serena, austera.

Elementos de personalidade que fazem falta a qualquer eleitor com alguma sanidade mental e que reforçavam o sentimento de segurança que o povo português aprendeu a ter durante a sua governação, discordando ou não dele, foi um dos pontos a seu favor nas eleições legislativas de Outubro de 2015 que ganhou.

Finalizando como iniciei. Disse que a elaboração de artigos sobre Passos Coelho eram um acto de atrevimento até porque, cada um de nós só tem uma pequena noção da globalidade e da complexidade do que este ser humano passou e passa. Digo tal coisa porque estive ontem presente no velório da Laura. O Pedro estava rodeado de pessoas. Cumprimentou-as uma a uma com a tal serenidade de ferro que não se consegue explicar com as mais bonitas palavras. A tal serenidade que nos tirou da lama enquanto país foi a mesma que usou para cuidar de quem mais amava. Os olhos estavam distantes e cansados. A normalidade de quem passou por tudo do céu ao inferno.  Precisamos dele, Portugal no fundo sabe disso, mas o problema é se nós o merecemos. A resposta é não. Porque como ele já não se fabricam e ele merece descanso. As minhas condolências, Pedro e família.

Mauro Merali

9 comentários em “Pedro Passos Coelho

    1. O meu respeito pelo Homem, a minha admiração pelo Político, a minha gratidão pelo Governante e a minha solidariedade pelo Marido que foi Passos Coelho! Um forte e sentido abraço!

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  1. O meu respeito pelo Homem, a minha admiração pelo Político, a minha gratidão pelo Governante e a minha solidariedade pelo Marido que foi Passos Coelho! Um forte e sentido abraço!

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  2. Portugal não merece Pedro Passos Coelho, nem parte do PSD merece a confiança de Pedro Passos Coelho, porque na hora da união alguns inteligentes decidiram criar um fratura no partido para colocar hoje como seu representante uma pessoa que não serve de oposição aos senhores “ vendidos e corruptos “ que governam de forma irresponsável o País que está a caminhar para o desespero novamente.
    Não se sente a estabilidade em pessoa alguma é muito menos nos empresários de pequenas e médias empresas
    Nós, cidadãos de um Portugal que desejávamos responsável, limpo de corrupção e empreendedor não nos podemos atrever a pedir a um estadista como Pedro Passos Coelho que volte, porque precisamos mais , muito mais dele agora, porque se não houver um travão ao marketing barato e ao vale tudo que está a acontecer com a imunidade e impunidade nunca vista, não vamos conseguir aguentar o barco à tona.
    Abraço e muita pena pela perda que sofreu.

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  3. Portugal n apenas o merece como o escolheu nas eleições , N está a governar por conta e um lei eleitoral de uma constituição de matriz marxista. Se parte do PSD n o merece é outra conversa,

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