Supermercados vs agricultores?

Na ligação seguinte encontrarão um vídeo de Juan Ramón Rallo sobre a mais recente polémica política espanhola. O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, declarou assim que as grandes superfícies deveriam fazer uma autocrítica ao modo como pagam os agricultores. Obviamente entende-se que estes recebem pouco, enquanto o consumidor final paga preços elevados pelos seus produtos, a diferença indo para os malvados homens de negócios do comércio de retalho.

https://www.youtube.com/watch?v=NkiZDm2HsUQ

Porém, como sinalizou Juan Ramón Rallo “en caso de Carrefour, por cada euro de venta, lo embolsa 0,6 céntimos. No 0,6 euros, 0,6 céntimos. Ni siquiera 1 céntimo”.

Uma realidade que se aplicará igualmente em Portugal. Provavelmente as margens das distribuidoras ainda são menores nas terras lusas.

Por consequente, ou o sector agrícola português consegue fazer o mesmo que as grandes superfícies, isto é vender enormes quantidades a preços baixos; o que me parece altamente improvável em Portugal tendo em conta, nomeadamente, as características dos terrenos, sinuosos e montanhosos. Só mesmo o Alentejo poderá abarcar num modelo de negócios como este, e mesmo aí é contestável tendo em conta o problema da irregularidade do abastecimento em água.

Ou então o sector primário luso continua a especializar-se em mercados de nichos (vinho, azeite, cortiça, eucalipto…) e consegue realizar maiores lucros por unidade vendida.

Ora para atingirmos essa realidade, o sector precisa de mais liberdade, maior financiamento e novos canais de distribuição. Nos dois primeiros casos, o Governo tem de reduzir o seu grau de intervenção; é preciso revogar leis (por exemplo a “lei do sobreiro”[1] que requer autorizações para cortar sobreiros, o que apenas encarece e atrasa projetos de investimento quando não os impede[2]), reduzir impostos, baixar a despesa e baixar a dívida pública (para aumentar a disponibilidade em financiamento). Quanto à criação de novos canais de distribuição, isso apenas o sector o poderá realizar. Ou seja, é preciso mais conhecimento de venda e capacidade de exportação.

[1] Decreto-Lei n.º 169/2001, disponível em :

https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/332749/details/normal?q=sobreiro

[2] Ver nomeadamente os artigos 3 e seguintes do Decreto-Lei n.º 169/2001.

 

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