Catarina e Jerónimo, caros colegas, foram descartados

O povo português tem por vezes momentos de lucidez. Percebeu o que Pedro Passos Coelho passou e quis fazer durante os 4 difíceis anos em que governou e deu-lhe uma vitória com um tamanho considerável face à conjuntura. Quatro anos depois, de uma geringonça que pouco trouxe ao País, a não ser mais 20 mil milhões de dívida pública, uma economia que cresceu com base em reformas tímidas feitas pelo governo anterior, uma conjuntura europeia e internacional inigualável na história económica recente bem como casos duvidosos de condicionamento judiciário e das instituições, António Costa ganha as suas primeiras eleições legislativas e é primeiro-ministro com poderes reforçados para negociar com todo o continente legislativo.

Costa pode engrenar o seu governo com todas as munições que quiser, tem à sua disposição um bloco de esquerda com sede poder, pois, sem implantação autárquica e sem controle sindical, a agenda marxista a nivel económico e social tem que ser implementada de uma forma mais directa. Sem o poder, Catarina Martins continuará a eterna actriz com maquilhagem da loja dos trezentos. O problema, chama-se António Costa. O primeiro-ministro sabe perfeitamente que vem ai momentos difíceis a nivel macroeconómico com mais um ciclo económico de expansão a terminar.

Costa sabe que a consolidação das finanças públicas portuguesas, especialmente ao nível de despesa pública, necessita da aprovação um partido moderado e que cujo líder tenha trela suficiente para Costa manter os seus ex-parceiros coadjuvantes com um sorriso lunar enquanto que Rio fica a roer um dos ossos que Costa lhe deu para roer, dando tempo para que o líder socialista ainda dê um passeio no intendente e veja o senhor Medina a contar as notas da taxa turística. Que partido melhor que não o PSD do senhor Rui Rio que cujas culpas da queda do seu partido, são multivariadas e redistribuídas parvonicamente por toda a gente, até para ele, mas dando foco a todo um coro de criaturas que cuja substância física lhe é estranha até na essência, porque, como é claro, Rio não suporta a imprensa, uma tristeza franciscana do partido albergue espanhol onde as opiniões alheias e diferentes sempre foram respeitadas.

Rio e Costa merecem-se um ao outro. Um, António Costa, porque tem na mão o futuro partidário de Rio. Não lhe dando a mão, Rio fica a papaguear provincianismo contra Lisboa enquanto Costa, mesmo que perca as próximas eleições no próximo quadriénio, continua a governar com outros coadjuvantes à sua esquerda pois estes não suportam a “extrema direita”, à direita do PS. Rio precisa de Costa para ser vice-primeiro-ministro, elevando este o seu estatuto de vice-reitor-Cinfães(como lembrou e bem Vasco Pulido Valente), para ajudante mor do ex-número dois de José Sócrates. Costa junta assim dois mundos coloridos, ou seja, o seu ego satisfeito sem bater com o pé nas portas e travessas quando é contrariado no largo do rato e garante a aprovação de um conjunto de medidas duras quando a tempestade chegar.

É somar um mais um que nas contas do Dr. Centeno dá quatro e um par de décimas disfarçadas de cativações mal conseguidas. Já a direita, que se assuma como uma e que se una numa só frente. PSD, CDS, IL e Chega que encontrem uma solução conjunta de pré-coligação eleitoral, em próximas eleições e trabalhos conjuntos. Portugal precisa.

Mauro Merali

2 comentários em “Catarina e Jerónimo, caros colegas, foram descartados

  1. Dificilmente PSD e CDS se aliarão à IL e ao Chega, seja de que forma for. O PSD e CDS ultimamente têm demonstrado uma atitude cobarde, com receio de ser afirmarem de Direita (o primeiro afirma ser de Centro, o segundo não vai mais longe do que Centro-Direita). Por causa disso, têm defendido algumas posições para agradar os eleitores da Esquerda, iludidos que alguma vez conseguiriam convecê-los a votar em si. Ora, as autoridades esquerdistas têm dito que o Chega é facho e que o IL é extrema-direita e, como tal, a não ser que o PSD e CDS mudam radicalmente de atitude, não me parece que se aliem com os novos partidos de Direita, precisamente por medo de serem acusados de serem demasiado de Direita. Concordo que seria bom, mas infelizmente não me parece provável.

    Bom texto!

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