António Costa já engoliu 3 sapos

O actual primeiro-ministro tem dois problemas essenciais: um de legitimidade e o outro que se prende por flechas gramaticais mal disparadas, quer no tempo, quer no espaço. O problema de legitimidade colocou Costa numa posição privilegiada para ser  um ser rancoroso, vingativo e com um nível de razoabilidade táctica a nível político que chega para brincar na caixa de areia que é a política portuguesa, onde os índices de mediocridade são elevados e o ambiente de vitupérios anda pelo mesmo trilho. Perdeu as eleições em 2015 para o primeiro-ministro “masoquista”- palavras do próprio- pois a austeridade era “imposta por Bruxelas”. Costa, em 2016 entretanto, baixa a despesa pública com maior foque na despesa de capital, rúbrica onde se insere o investimento público,  por imposição de Bruxelas, colocando em xeque até hoje os serviços públicos com uma austeridade conjuntural de vistas curtas. Até aqui já engoliu 2 sapos, engolindo ontem o terceiro com a derrota da sua geringonça europeia.

É verdade caros leitores que, é com as derrotas que aprendemos, mas uma vez por outra ter uma derrota “forte”, que nos abale a nossa estrutura emocional e nos faça mudar estruturalmente as nossas atitudes para futuro. Costa tem derrotas e não muda, adapta-se ao contexto como uma lapa, adopta medidas e políticas orçamentais que eram contra o seu senso comum e dispara foguetes de festa e nós apanhamos as canas, aumentando a amplitude de cabelos brancos que com certeza eu e muitos dos meus leitores começam a ter.

Não há dúvidas que Costa é pragmático, que sabe que tem de reformar, mas colocar isso como o pilar da sua próxima governação era acabar com a base da sua estrutura eleitoral. Se Portugal quer, nos próximos anos, ter o que se chama de politica de consolidação orçamental, mas a sério, terá que baixar a despesa pública não no investimento público, que terá de ser reposto para níveis aceitáveis, mas baixar despesa corrente e estrutural que aplicado ao mundo das empresas chamamos de custos fixos mas que, em finanças públicas, chamamos de despesa corrente. É portanto importante rever o tecto salarial da função pública, que continua maior em média que o sector privado, reformular as funções do Estado e como o queremos enquadrar enquanto agente económico, rever o número de funcionários públicos o sistema de pensões público bem como a constituição da república, para termos uma reforma ampla e consensual.

Isto, é claro, no mundo onde as rosas nascem cravos. Isto acontecia com um PS responsável, mais “centrista” e com algum pejo de ética, o que não acontece. Com isto, e sem uma política favorável à iniciativa privada e para a promoção do investimento directo estrangeiro, Portugal não passará da cauda da Europa e continuará amarrado ao colo do PS, que nos estrangula há 45 anos. Talvez quando os portugueses deixarem António Costa resolver a sua própria bancarrota podemos mudar a mentalidade do estado de coisas.

Mauro Merali

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