A Economia Portuguesa não resistirá a uma nova Gerigonça

O grande desafio da Economia Portuguesa no período de ajustamento financeiro e, já agora, de intervenção internacional, era o de tentarmos um novo modelo macroeconómico de crescimento que fosse ao mesmo tempo saudável e de longo prazo. Por modelo de crescimento saudável entendemos uma economia de pequena dimensão como a portuguesa mas aberta ao mundo, que consiga crescer em grande medida pelo lado da procura externa- exportações de bens e serviços- bem como pelo lado do investimento privado externo que nos desse retorno depois nas exportações e com mais valor acrescentado. Para que tal façanha fosse sustentável, o governo de Passos Coelho restaurou a credibilidade e o crédito internacional ao erário público como pelo meio ainda fez acordos fiscais com gente responsável do PS que cujo nome do líder traz saudades: António José Seguro.

Este era um modelo que nos escapava faz décadas e foi implementado com sucesso relativo. A continuação de mudança de um modelo estrutural de crescimento depende do que eu costumo chamar de “passagem de testemunho”, ou seja, os governos seguintes tinham que dar continuação e gerar novas reformas estruturais, algo que com António Costa não acontece. Parece masoquismo da minha parte, mas a nossa futura desgraça-devido à laxação e preguiça em reformar- é a bomba relógio principal que Costa e a sua trupe tem na mãos. Os vários pregos no caixão que Costa mandou vão se virar contra o mesmo num futuro muito próximo, pois Centeno já mudou de discurso há muito e até Costa segue a cartilha do seu ministro das finanças. O problema é que chegaram tarde, vejamos porquê:

ICoinciBDP.png
FONTE: Trading Economics, via Banco de Portugal

O indicador coincidente de atividade económica do Banco de Portugal, bastante fiável na antecipação da viragem de ciclos económicos, já nos tinha alertado em meados de 2017( barras rosas que mostram a tendência de abrandamento),que a Economia Portuguesa tinha chegado ao “ponto de inflexão” do seu ciclo máximo de crescimento que se iniciou em 2013. Segundo os “analistas” do Largo do Rato, a austeridade de Passos não funcionou, mas o facto é que como se vê no gráfico, a tendência de viragem da recessão inverteu-se em meados de 2012 antecipando crescimentos positivos em 2013 como aconteceu no 2º trimestre desse ano. Sim senhor, Costa este crescimento deve-se única e exclusivamente a Passos Coelho e não a si. A Economia Portuguesa cresceu APESAR DE SI, isso é que é primordial na análise.

A barra a bourdeaux(entrada da geringonça), mostra-nos que a Economia começou a ressentir-se com a mudança de políticas que Costa e Centeno queriam implementar. O facto, é que a economia abrandou no 1º e 2º trimestres de 2016 com os mercados(quem nos financia as nossas luxurias), a recearem uma nova pré-bancarrota para breve, entretanto Costa e Centeno recebem “avisos” de Bruxelas e possíveis sanções caso continuassem com a mesma política orçamental, no final Centeno começa a cativar. Nada é ao acaso, simplesmente a comunicação social encobre a incompetência de um governo que usa políticas orçamentais conjunturais em vez e estruturais e surfa ainda no ciclo económico positivo e ascendente criado por outros. Mais habilidade e matreirice não existem.

Para finalizar. Já está disponível a execução orçamental de 2018 que gostaria de analisar noutra altura mas que já nos mostra o monstro que Costa ajudou a criar. O défice de 2018 desceu cerca de 500 milhões de euros de 2018 face 2017, mas ficou acima da meta e, além disso, o ajustamento orçamental foi totalmente efectuado pelo lado da receita, uma vez que a despesa não desceu mas sim aumentou uns impressionantes 3000 mil milhões de euros de um ano para o outro. Tal aumento foi compensado por um acréscimo de receitas efectivas(5,2%), ou mais de 4 mil milhões de euros de aumento face ao incremento da despesa em 4,5%. Tanta percentagem e números para chegarmos a conclusão que estamos a gastar cada vez mais baseando nos em mais receita que provém de um ciclo económico positivo. Em recessão, a receita diminuirá e a despesa ficará lá toda, cada vez maior e o défice resvalará aumentando a nossa dívida pública para a segunda maior da Europa e a terceira maior do mundo.

Ser o “contabilista chato”, faz parte, nós avisamos, somos maquiavélicos dizem, frios, mas contas são contas. A matemática é a ciência mais mortífera do mundo.

Mauro Merali

 

 

 

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