O grande erro de Rui Rio é não defender o legado de Passos Coelho

Portugal, a nivel macroeconómico, está inserido hoje numa clara união económica e monetária com conteúdo político ao nível da política externa comum e a caminhar para o reforço da política interna, discutível a vários níveis, pois, uma Europa com culturas sociais e económicas diferentes, unida num só bastião governativo, é abrir uma caixa de Pandora com consequências imprevisíveis. O que une ainda mais a Europa, hoje, é a política responsável no que concerne à política financeira dos vários países que adoptam hoje o Euro, moeda forte que exige países com estruturas económicas flexíveis e viradas para a produção de bens transaccionáveis.

Pedro Passos Coelho foi o primeiro Primeiro-Ministro Português a governar neste contexto específico, de não poder usar moeda própria para desvalorização cambial, contribuindo para ganhos económicos de curto-médio prazo-aumentando as exportações e desvalorizando salários sem que as pessoas se apercebessem via efeito da inflação- mas que não eram estruturais, como no 2º resgate do período do bloco central, que cujas políticas foram meramente paliativas. Passos teve que não só restaurar a credibilidade externa do País e o crédito público, como tornar Portugal uma plataforma sensata e estável para o investimento externo privado, para que a nossa Economia crescesse de forma sustentada.

Tamanho projecto governativo era para mais de uma legislatura, a primeira era para apagar os fogos deixados por outros. Passos não só conseguiu o feito de dominar o défice orçamental  no contexto em que estamos, não só via condicionante de não ter moeda própria, mas especialmente porque enfrentou interesses poderosíssimos que em Portugal dá sempre direito a “chacina” e ao “afiar de facas”, quando o poder político está enfraquecido. Daí o golpe de António Costa, o filho do regime burguês de Lisboa, que quer o regresso ao passado, aos velhos vícios oligárquicos de manter o poder nos mesmos de sempre e nas mesmas famílias.

Um conluio de portas giratórias que domina a nossa vida de várias formas e em várias vertentes, seja no preço da energia- electricidade e preço dos combustíveis- a várias reformas que tinham que ser feitas para libertar o povo português das clientelas que o PS protege sempre para ganhar actos eleitorais. Daí Passos ser tão perigoso para este regime podre e a cair aos bocados. Não, não é Messianismo como certos puritanos gostam de abordar. É ser sensato, analisar os factos, e perceber que foi dos poucos políticos decentes que este País teve, com erros claros, muitos deles aumentados de forma desproporcionada por uma comunicação social entregue ao partido socialista, que logo voltaram ao “saco escuro”, onde eles escondem tudo e depois revelam  no “momento certo”.

O reformismo, o liberalismo, ainda que mediano, o deixar o “poder”, nas mãos das pessoas querendo que elas façam o que queiram do seu dinheiro, aumentando a liberdade de escolha em sectores da nossa vida-diminuindo o peso do Estado na economia e na escolha pública- é a bandeira do PSD. Ou devia ser. A matriz identitária de Sá Carneiro que muitos apregoam como social-democracia, eu chamo de liberalismo num contexto em que foi dos poucos que combateu o socialismo soviético com veemência. Respeitar Sá Carneiro e a sua memória é exigir que o PSD, partido de poder por excelência, ambicione construir um programa anti-socialista contra um PS cada vez mais irresponsável, maleável e táctico. Sim, Rui Rio não respeita a matriz do PSD como não respeitou o legado de Passos Coelho, tecendo no início do seu mandato elogios tímidos, quase para a fotografia. É socialista. E fala alemão. É a vida.

Mauro Oliveira Pires

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s