Portugal ganhou o Euromilhões?

E não é que, do nada, o país da “Geringonça Esquizofrénica” que ainda há dias definhava a todo o vapor, ressuscita entre os “mortos económicos” e desata a prometer  comprar e investir em tudo e mais alguma coisa como se tivesse ganho o jackpot no Euromilhões? É verdade! Quem diria que tão almejada sorte nos iria bater à porta em 2019. Fantástico! Com tantos milhões disponíveis a ver se com o entusiasmo o governo não nos compre a nós também! Bem… pensando melhor, ele já nos está a comprar desde que entrou, às prestações. Adiante.

O Estado agora milagrosamente  “milionário” em 5 dias anunciou obras e aquisições que vão “resolver” todos os problemas com os quais nos enfrentamos neste momento para daqui a… 10 anos! Sim, 10 anos! Acha muito? Ora essa, uma década passa depressa, não seja pessimista que isso é coisa da direita realista e consciente dos embustes!

Assim, vamos ter mais 22 comboios apesar de neste momento fazerem falta já 35 urgentemente e daqui a 10-15 anos 400 para substituição da frota toda obsoleta que já se encontra em final de vida útil. Entretanto e enquanto esperamos, vamos continuar com as fórmulas de gestão alternativas que é a supressão de comboios substituindo-os por autocarros,  aluguer de comboios a Espanha ou simplesmente ficar apeados por não haver serviço de todo.  Portanto, 22 comboios daqui a 10 anos vão resolver  uma frota  totalmente envelhecida, comboios quase todos avariados, sem dinheiro para peças e oficinas sem pessoal suficiente para tamanha carga de trabalhos. Boa!

Foram anunciados também mais barcos: “Estamos a projectar a entrega do primeiro navio no final de 2020 ou no início de 2021, em princípio no final de 2020. Em 2021 a entrega de três navios e, depois, os seis seguintes serão ao ritmo de dois a cada ano. Significa que, em 2024, teremos os dez navios entregues”, disse à Lusa o secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade, José Mendes.”(fonte Observador).  Portanto, será um investimento a conta gotas pequeninas para não estragar o excel do Centeno. Com sorte muito depois das eleições. Até lá aguente-se com a falta de barcos para ir para o trabalho e habitue-se aos atrasos e caos. Se o seu patrão o despedir tem sempre “maravilhosos” apoios socais à sua espera. Não desanime.

Também vem aí mais um aeroporto no Montijo porque, claro está, não interessa para já só  aumentar o de Lisboa porque fica muito mais barato e assim não vem tanto dinheiro da UE para desviar sorrateiramente para outras rubricas do balanço do Estado que disfarçadamente paga “outras despesas correntes” com os fundos, como o denunciou e muito bem João Miguel Tavares afirmando: “o Governo aproveita o maná europeu para pagar os apoios sociais e desorçamentar despesa” (leia aqui o artigo todo no Público). Por outro lado, ao assinar um acordo para a construção do aeroporto no Montijo sem o estudo de impacto ambiental está a pressionar para garantir um facto consumado e influenciar a decisão do estudo. Porquê? Ora porque o governo está “cheio de dinheiro ” para distribuir pelos amigos do costume.

Pelo caminho o “sem palavra honrada” dá garantia de 150 milhões aos lesados do BES. Mais uma vez. É só garantias de coisa nenhuma desde que o BES faliu. Que ternura.  Ah! sem esquecer as propinas à borla para todos que isto de ter curso superior é um bem de “primeira necessidade” que não pode ser apoiado por bolsas, nem pode ser pago, como o meu,  com o estatuto de trabalhador estudante. Trabalhar e estudar faz calos.

Portanto, em apenas cinco dias, tivemos  cerca de 24 mil milhões de euros anunciados em investimentos com… ar.  Porque Portugal não ganhou o Euromilhões, nem em 3 anos criou riqueza para tal. Por isso,  esta treta toda da semana passada não passa de populismo eleitoralista para enganar, porque  a taxa de execução dos Sistemas de Incentivos do Portugal 2020,  no final de 2017, foi de  28,5% como  concluiu uma auditoria do Tribunal de Contas, mas já fazem promessas à conta do Portugal 2023. Francamente.

Na verdade o que temos e não vale a pena fingir que não vemos,   é um país pré-falido que tem todos os serviços do Estado a caminho da implosão por via da asfixia financeira grave imposta por Centeno. Por isso, só o SNS  viu a sua dívida aumentar nesta legislatura em 52,6%. Imagine em que estado estarão todos os restantes serviços. Bom… é melhor não imaginar.

Para piorar ainda mais o cenário, com esta governação, o nosso PIB per capita baixou para 77% da media da zona euro o que nos coloca em 15º lugar em 19 posições. Significa isto  que descemos 3 posições desde que estes assaltantes do poder se instalaram ao leme do país.  A reversão das  35h provocaram ruptura de serviços e aumento de despesa pública. Se juntarmos a reposição compulsiva  de regalias à função pública, temos aqui o sugadouro da pouca riqueza conseguida que, por não ser suficiente, foi depois compensada com o aumento obsceno dos impostos. Nunca o custo de vida foi tão alto com os bens essenciais a subirem acima da inflação. Ainda em 2018, somamos o valor mais alto da dívida pública – 251,1 mil milhões – que não pára de subir. Com novas  medidas fiscais sempre na berra, o investimento caiu. E como se não bastasse, um abrandamento do mercado externo  com a diminuição das exportações e aumento significativo das importações, levou a nossa balança comercial a registar um aumento do défice em 1.157 milhões.

Entretanto, o OE2019 deixa 850 milhões para Fundo de Resolução pôr no Novo Banco.

Se Portugal não ganhou  o Euromilhões, vamos pagar muito caro esta “festa”  toda.

Cristina Miranda

Via Blasfémias

 

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