PSD- Partido Sem Desígnio

A Europa e o mundo vivem um momento diferente da realidade portuguesa, pequena realidade em todos os tamanhos multi dimensionais, diga-se. A direita seja ela conservadora ou liberal, quer se goste ou não, está a ganhar terreno face à terceira via que muitos dos partidos tradicionais europeus impuseram à Europa, aquela via do socialismo democrático(ou social democracia), que mistura um Estado mais “brando”, nas suas imposições autoritárias à iniciativa privada, deixando a “trabalhar”, para que esta financie o Estado social gigantesco que se construiu com pressupostos de um número de nascimentos que hoje não existe e com um outra realidade em termos de contexto económico-social, para que o partido que esteja à frente do governo, possa controlar uma espécie de clientela certa e previsível de onda possa recolher votos e assim perpetuar quase que um pacto de regime entre este(por exemplo o PS) e a população que vota para garantir os tais “direitos inalienáveis”, conseguidos sempre à custa do esforço de outros.

Em Portugal, é o partido socialista que faz de pedra basilar dos entendimentos rotativos entre a esquerda que se considera democrática e a direita liberal/conservadora entre PSD e CDS, tudo pelo simples facto de este ter uma máquina trituradora de comunicação social marxista ao seu lado, amparando possíveis gaffes e abafando determinados pontos da governação. Veja-se que, quando Pedro Passos Coelho teve que governar com um memorandum que não pediu, mas teve que se comprometer, a lavagem socialista da comunicação social foi pouco a pouco durante o seu mandato fazendo o seu trabalho de lavar mais branco, conotando Passos com o resgate.

A estratégia não teve sucesso, pois a tenacidade de uns, foi a desgraça de outros. A capacidade de resistência de uns, foi a cobardia e a fraqueza de se efectuar acordos por detrás das costas dos portugueses que deu origem à geringonça social-comunista, enquanto que Pedro Passos Coelho, bem ou mal, foi directo e franco naquilo que tinha que fazer, ainda que com erros e pedras que outros mandaram tanto de dentro do partido como de fora. O Estado oligárquico que muitos queriam que crescesse, para dar de comer aos mesmo, e que estava a ser desmantelado por Passos, era o pavor do PS que tinha de voltar aos lugares de poder antes que ficasse irrelevante no panorama político português.

Sim irrelevante, pois se Pedro Passos Coelho tivesse continuado a governar, ainda que de modo limitado, tinha feito algumas reformas e o processo de consolidação orçamental era mais saudável, aproveitava-se então da melhor forma a fase ascendente do ciclo económico para amealharmos para períodos mais difíceis. Não, o caminho foi totalmente o contrário essencialmente por egocentrismo individual de António Costa, que hoje sacrifica o País em sua prol. Costa, sei que muitos não gostam de ouvir isto, é um social democrata com elevados níveis de chico-espertismo e doses de maquiavelismo brutais. Costa não tem um plano de reformas para o País a não ser um plano de endividamento crescente e um conjunto de banalidades escritas com português duvidoso.

Mas, infelizmente, a alternativa é mais socialismo democrático, talvez mais suave, de Rui Rio que, até agora, tem sido o fiel amigo com movimentos de cabeça para cima e para baixo que deixariam qualquer ditador satisfeito. Rio luta mais contra os próprios camaradas de partido do que em criar uma alternativa que ao mesmo tempo diminua o peso do Estado na economia quer impostos, quer em despesa pública ineficiente que nos custa os olhos da cara todos os anos, tudo porque se quer centralizar escolhas ao nível estatal e se quer distribuir “rebuçados”. Rio não é alternativa a Costa porque não é fiel à matriz reformista do seu partido, e não vê que a força do mesmo vem dos pequenos empresários, do pequeno negócio, em fim, da ala liberal inconformista que não se revê em mais socialismo do Estado Central.

Não sei se Montenegro é opção ou até Miguel Morgado, mas ambos quando abrem a boca conseguem fazer mais oposição que vários banhos de ética somados.

Mauro Oliveira Pires

 

 

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