O CONSERVADORISMO “É UMA CENA QUE NÃO ME ASSISTE”

Sendo certo que o conservadorismo nos pretende fornecer o escudo imunológico que visa a preservação da cultura ocidental, de valores judaico-cristãos, que nos dota dos valores éticos que guiam a nossa cultura e comportamento dito ocidental – que indubitavelmente queremos preservar por não reconhecermos qualquer outra alternativa válida (nem sequer melhor, antes simplesmente, válida) – não será por isso, apesar de muito, que se fará o frete de branquear o conservadorismo.

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O Rui Albuquerque, por quem confesso enorme estima pessoal e intelectual, re-publicou no mais activo e estimulante grupo de debate, no FB,  sobre o Liberalismo em Portugal

um texto intitulado

Liberais e Conservadores

 

fazendo aqui uma análise sobre a harmonização destas duas correntes de pensamento político, leitura que recomendo e que modestamente concluí com uma síntese de 2 pontos:

  1. Que o conservadorismo se tem aproximado crescentemente do liberalismo;
  2. Que o liberalismo não só tem beneficiado como poderá beneficiar ainda mais se se aproximar do “realismo político conservador”.

Este texto surge, tanto quanto percebi, de uma troca de mimos entre os mais ilustres membros do Lib_em_PT: o CGP, o JPS, o VC, o AM, o HF, (e outros, que me desculpem,  mas esgotaram-se-me as siglas).

Para um libertário, esta discussão é “ ouro sobre azul” e a conclusão do Rui A. é mais um inestimável contributo para a razão de existir de uma corrente de pensamento, claramente de direita, que defende os valores: Vida, Liberdade e Propriedade, mas rejeita os valores sociais adquiridos, ou valores sócio-culturais ou ainda a personalidade-de-base-social, conforme tenhamos por referência Myers, Sawaya ou Strey.

Sendo certo que o conservadorismo nos pretende fornecer o escudo imunológico que visa a preservação da cultura ocidental, de valores judaico-cristãos, que nos dota dos valores éticos que guiam a nossa cultura e comportamento dito ocidental – que indubitavelmente queremos preservar por não reconhecermos qualquer outra alternativa válida (nem sequer melhor, antes simplesmente, válida) – não será por isso, apesar de muito, que se fará o frete de branquear o conservadorismo.

Para que fique claro: quando me refiro ao conservadorismo, não me refiro ao conservadorismo socialista protagonizado pelo CDS:

– o da defesa da CGD e da RTP públicas:

-das rendas acessíveis à classe média nos imóveis a construir na Feira Popular de Lisboa;

-dos subsídios ás empresas que se localizem no interior e respectivas isenções de portagem;

-da redução da TSU para os produtores de carne de porco, etc., etc.-

não, isso são minudências de um Partido que diz defender os contribuintes no seu discurso mas que está sempre disponível para encontrar uma solução que garanta o escoamento da arrecadação fiscal – e, raramente disponível para apresentar propostas de corte sério de despesa de forma a propiciar a redução dos impostos a cobrar. O Governo de Passos Coelho, poderá muito bem ser caracterizado, no futuro, como a grande oportunidade perdida de se fazer tal Reforma, porque o incumbente, o seu Vice e parceiro de coligação, se mostrou totalmente incapaz de articular um plano minimamente consistente para que ela se realizasse.

Esse é o conservadorismo nacional, de compromisso, com lugares a preencher no Parlamento e mais disposto a implementar uma agenda socialista que lhe assegure popularidade do que a defender os valores liberais.

Não era certamente a este conservadorismo que o Rui se referia!

O branqueamento que quero aqui  tratar concerne a um outro conservadorismo:

-âquele que durante séculos aceitou como natural a escravidão de seres humanos e que depois, até 1741, só considerou “injusta” essa forma de propriedade se o escravo fosse cristão;

-àquele que durante séculos recusou o direito de voto das mulheres, conseguido, em Inglaterra, em 1918 contra os liberais e conservadores e apoiado pelo Partido Trabalhista britânico;

-àquele que durante séculos julgou que o casamento inter-racial era nocivo para a saúde (social, mental e genética) da população e que só viria a ser legalmente admitido em 1964, por um decreto do POTUS L.Johnson e contra a vontade dos republicanos;

-àquele conservadorismo que se revê na célebre encíclica “Humanae Vitae”, de Paulo VI, 1968, que proíbe o uso da pílula como método.anti-concepcional.

-àquele conservadorismo que continua a opôr-se a liberdades individuais, como o casamento homossexual, adopção por casais homossexuais, interrupção voluntária da gravidez, gestação de substituição, etc.

-finalmente, àquele conservadorismo que sabe o que me convém e que químicos posso ingerir, desde que homologados pela OMS e nas proporções prescritas em receita médica.

Pois este conservadorismo, “é uma cena que não me assiste!”

E “não me assiste” por uma razão simples. Com a persistência em se colocar no lado errado da evolução histórica da humanidade, cede, tem cedido, território grátis à esquerda.

A esquerda tem usado as liberdades individuais como arma de arremesso na luta política contra os valores conservadores e tem ganho a maioria delas – perdão,  tem ganho TODAS!

Depois, e em jeito de espólio, vai-nos cobrando as conquistas obtidas. Com a extorsão das liberdades económicas – que temos imbecilmente pago, sem tugir nem mugir.

E é isto que o Partido Libertário pretende inverter.

De uma forma simples, a filosofia libertária defende “a liberdade de perseguir a felicidade individual, respeitando o mesmo direito a todos os outros” nos termos de Ayn Rand ou o “direito de ir para o inferno da forma que mais lhe agradar” segundo David Friedman mas sem abdicar, nunca, da Economia de Mercado Livre e da Propriedade Privada.

Significa isto o abandono da ética que os nossos avós nos transmitiram? Não. De todo! aqui com Edmund Burke “Para que o mal triunfe é necessário que os homens de bem não reajam!” A civilização ocidental poderá dispensar as confissões, comunhões, missas e missões,  eucaristias e procissões – e tem-no feito de forma esmagadora – não o reconhecer é sintoma de mitomania!

Contudo, o cunho judaico-cristão que formou a nossa sociedade, perdurará muito para além de se terem extinguido os últimos ritos católicos e judeus – A ética que os 10 Mandamentos nos impõem continuará a persistir enquanto formos capazes de transmitir os nossos valores, com ou sem prática religiosa, aos nosso filhos. Só assim, nos continuaremos a rever numa civilização que identificamos como nossa.
(Se bem que eu, pessoalmente, desconfie que o IX Mandamento : ”Não consentirás pensamentos nem desejos impuros” só se manterá para que o seu número total se mantenha igual ao número de dedos das mãos….)

5 comentários em “O CONSERVADORISMO “É UMA CENA QUE NÃO ME ASSISTE””

  1. “Contudo, o cunho judaico-cristão que formou a nossa sociedade, perdurará muito para além de se terem extinguido os últimos ritos católicos e judeus – A ética que os 10 Mandamentos nos impõem continuará a persistir enquanto formos capazes de transmitir os nossos valores, com ou sem prática religiosa, aos nosso filhos.”

    Como é que é isto? Sem crença, onde é que se vai buscar a validade dos valores? Se reconhecem a importância e validade dos valores, qual o motivo/lógica para se ignorar ou desvalorizar a crença?

    É tão incongruente aquele que se diz crente e ignora a ética, valores e práticas da sua alegada crença, como o contrário.

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    1. Cristóvão, quer portanto dizer que quem não tem fé religiosa não pode ter os valores éticos que tanto o judaísmo como o crisitianismo, durante séculos propagaram, é isso?
      E essa convicção vem-lhe exactamente de onde? confidência de algum bispo da IURD? algum Concílio do Vaticano? da CCJ? pronto, esgotaram-se-me novamente as siglas.
      cumprimentos,

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      1. Errado, não foi isso que eu disse. Diz que lhe esgotaram as sílabas mas não foi capaz de responder a uma pergunta simples. Partindo do princípio correcto de que a civilização ocidental tem como base os mandamentos e princípios éticos das religiões judaico-cristãs, se uma pessoa não partilha dessas crenças, onde é que vai buscar a validade desses mesmos valores e mandamentos que elas defendem?

        Cada um é livre de acreditar e valorizar o que bem entender. Mas não é coincidência que a fé judaico-cristã e respectivos valores estejam em queda e o relativismo moral (entre outras coisas) esteja em ascenção.

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