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Aqui neste espaço, tenho alertado que o problema não é só a Dívida Pública Portuguesa. A dívida privada, no que diz respeito aos agentes económicos como famílias e empresas não financeiras, também tem que ser levada em conta, porque o seu peso no PIB é de cerca de 206,3% do PIB aproximadamente.

Imaginem um País A com uma geração anual de riqueza de 100 unidades monetárias(esqueçamos os euros…), e com os respectivos agentes económicos privados. Esses agentes económicos privados dos quais as famílias e empresas, são elementos mais representativos, tem uma dívida conjunta de 206,3 unidades monetárias. Percebem a ideia?

O problema da dívida privada Portuguesa tem pontos muito interessantes, porque advêm de políticas económicas erradas dos anos 90 e principalmente as condições tremendamente favoráveis de juros que permitiram uma panóplia de financiamento nunca antes vista para as famílias portuguesas. Além disso, sectores não reprodutivos como a Construção e grupos privados portugueses ditos “grandes” na altura, tornaram-se “gigantes” com pés de barro, mas de manutenção de vida quase que garantida devido ao esquema de rendas que o País apresenta.

Rendas essas concedidas pelo capitalismo de Estado, amigo dos amigos, que sufocam o crescimento da economia portuguesa a prazo, que limitam o crescimento dos nossos salários e que nos tornam reféns da oligarquia instalada. A dívida escraviza, mas um Estado que a promove é o principal traficante.

As duas décadas de irresponsabilidade, no sector privado português, levaram a que tanto as famílias como as empresas não financeiras levassem a sua dependência aos bancos e outros credores em geral a máximos históricos, estrangulando a capacidade das empresas em reinvestirem em si mesmas para a geração de nova produção e por conseguinte aumentar o emprego e a qualidade remuneratória dessa mesmo emprego.

A crise, lá está, é um factor de ajustamento das economias de mercado, a Economia é uma ciência humana, não é exacta, a Economia é como um corpo uno que depois de desdobra e que por um lado se auto regenera sozinha, o Estado faz de médico mas atrapalha com tantas injecções. O factor regenerativo, levou a que muitas empresas portuguesas falissem, mas que as que resistiram e as que abriram, redireccionaram os seus modelos de crescimento para os mercados externos o que leva hoje a Economia Portuguesa ter saldos externos consecutivamente positivos.

As famílias Portuguesas, como novo crédito Europeu e taxas mais baixas, aproveitaram para ser o novo povo Europeu rico e extravagante, mas, como sempre, as aparências custam caro sempre no longo prazo, os BMW`s,  os Mercedes e a casinha comprada são a mentalidade portuguesa no seu auge que nos levaram  no pico da crise de 2009 que tivéssemos uma dívida de particulares superior a 150 mil milhões de euros.

Já as empresas não financeiras tiveram no pico de 2009, uma dívida de qualquer coisa como 260 mil milhões de euros. O gráfico abaixo ajuda a explicar.

divida a
FONTE: Banco de Portugal, Boletim Estatístico

Reparem que, apartir do programa de ajustamento de 2011, a dívida das famílias desceu paulatinamente e tem estabilizado apartir de 2017/2018. A Dívida das empresas privadas também baixou mas o processo de estabilização também é inerente a esta rubrica. Se antes a dívida privada era de 245% do PIB aproximadamente em anos pré crise, hoje anda por volta dos 200% do PIB, valores tremendamente elevados mas que é um mérito no cenário português.

Só que agora é que temos o problema, a divida privada está incluída no que é a dívida externa que é a soma da dívida privada com a divida total das administrações públicas ou do sector público. A dívida externa podia ter baixado muito mais se o Estado tivesse feito outro esforço de consolidação e reforma estrutural.

O sector público não financeiro tem duas rubricas essenciais, as dívidas das administrações públicas e as empresas públicas. As empresas públicas tem a sua dívida a cair devido ao saneamento imposto pelos credores, o problema, lá está, é o consecutivo aumento dos valores em dívida do Monstro Estado que já vai em mais de 300 mil milhões de euros.

Em resumo, num cenário de crescimento estável e saudável, num cenário de mundial de estabilização, num cenário de uma política orçamental responsável, sem truques, maquilhagem e que seja um política estrutural, ou seja, tudo o que este governo não faz(falo da política orçamental), podíamos viver descansados com a inversão do ciclo económico que começa agora. Pois, um Governo responsável tinha aproveitado as drogas do BCE para efectuar “almofadas” contra uma crise vindoura, podia ter começado a reformar e a descer a despesa pública e a gerar saldos orçamentais positivos.

Mas não, Mário Centeno e António Costa nasceram com o síndrome do capitão gancho invertido, olham para o binóculo e a terra é vista em ziguezague, aproveitam um País anémico e ignorante e tratam da vidinha deles enquanto que os problemas estruturais se agravam. Basta um sopro, um pequeno sopro que o Castelo de cartas construído a cuspo caia, mas eles não querem saber.

Resumo de números:

◊ Dívida do Sector Público em ABRL/2018322,534 mil milhões de euros;

Dívida dos Particulares(141 478 mil milhões de euros) + Dívida das Empresas Privadas(260 279 mil milhões de euros) = 401 757 mil milhões de euros( Dívida Privada ou Sector Privado Não Financeiro)

∑(Somatório) da dívida do sector público e dívida privada= 724 290 mil milhões de euros(arredondado 724,3). Não esquecer que o somatório destas duas grandezas dá nos a dívida externa.

E só para ser mau, este valor subiu mais de 4 mil milhões de euros face ao mês anterior e mais de 6 mil milhões face a Abril do ano passado, apesar de que em % do PIB diminuiu, mas como a sorte não dura para sempre, num cenário de muito baixo crescimento devido à inercia geringonçal e a súbida constante da dívida os valores podem começar a subir(cenário idêntico para a divida pública).

Mini Glossário: 

⊗ PIB: Somatório de toda a riqueza produzida(bens e serviços), num determinado local e num determinado período de tempo por agentes económicos vigentes.

⊗ Dívida pública: É o somatório ou acumulação de todos os défices orçamentais que um País tem, quando um Estado tem défice este tem de se financiar para fazer face ás suas necessidades de financiamento que geram então a dívida, que é pública por ser “Estatal”.

⊗ Dívida privada: É o somatório ou acumulação das dívidas dos agentes económicos como as famílias e as empresas.

⊗ Dívida externa: É a soma da dívida pública com a dívida privada, apesar de que é algo mais complexo que isto, mas para perceberem a ideia.

⊗ Agentes Económicos: Podemos dizer que os Agentes Económicos são isso mesmo, agentes, um conjunto de indivíduos e que, através das suas decisões e acções, tomadas racionalmente, influenciam a economia. Quais são os agentes Económicos e o que fazem?

  1. ) Famílias: Tomam decisões como consumir(bens e serviços) como oferecem trabalho. Portanto temos a perspectiva do consumidor e do trabalhador respectivamente.
  2. ) Empresas Não Financeiras: Tem a função e decidem sobre recursos, produzem bens e serviços para os outros indivíduos. São não financeiras porque não tem essa finalidade, ou seja, a de guardar e gerar recursos financeiros como os bancos.
  3. ) Estado: Por mais que não goste deste agente económico, e não o devia ser, é considerado como um. É a entidade que define o conjunto de políticas e detém “áreas estratégicas” da Economia.
  4. ) Empresas Financeiras ou Instituições Financeiras: Ao contrário das empresas não financeiras, as financeiras recolhem recursos, poupanças, para financiar a actividade económica como um todo. São o garante da Estabilidade financeira.
  5. ) Resto do Mundo: Um agente económico com mais preponderância na Economia Portuguesa, é o agente com o qual temos relações comerciais, de troca de fluxos como exportações e importações.

Mauro Oliveira Pires

 

 

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