Parem com essas lágrimas de crocodilo!

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Perdoem-me mas é absolutamente insuportável ouvir certas figuras políticas falar sobre a tragédia de Pedrógão Grande! Com  ar sério fingindo-se preocupados e emocionados com aquele fatídico dia vêm passados 365 dias dizer alarvidades como se os portugueses fossem um bando de estúpidos sem qualquer capacidade de análise. Continuamos com o mesmo SIRESP apenas com umas “melhorias” e  com a mesmas cláusulas vergonhosas que desresponsabilizam em caso de catástrofe; continuamos com 60% de casas por reconstruir; continuamos com vítimas sem água nem luz nem apoio psicológico; continuamos com os mesmos “boys” incompetentes na ANPC; continuamos em meados de Junho sem prazo de entrega de viaturas à GIPS e GNR  para combates a fogos; continuamos sem saber onde estão os donativos; continuamos sem saber porque o Estado compra mais 4 Kamov por ajuste directo depois da experiência desastrosa com esse equipamento; continuamos sem saber porque o  Estado ainda não foi formalmente acusado por negligência depois de três inquéritos independentes que o comprovam. Francamente!

Como se isto já  não bastasse vem o Primeiro Ministro afirmar que “Portugal devia ter estado mais alerta a tempo e horas para evitar Pedrógão” quando foi ele próprio como ministro da Administração Interna que fragilizou o SIRESP alterando clausulas para diminuir custos. Foi seu comparsa Lacerda Machado o autor do brilhante texto que transformou o SIRESP naquilo que ele é hoje – uma nulidade absoluta – com a colaboração de Constança Urbano!! Foi ele também que acabou com os guardas florestais! Foi ele que já primeiro ministro autorizou que gente sem qualquer habilitação para o cargo – professores do ensino básico, advogados, licenciados em Desporto e Lazer, enfermeiros –  integrasse as chefias do ANPC. Foi ele que fez os negócios ruinosos dos Kamov. Foi ele também que rumou para Ibiza enquanto Portugal ardia e morria gente e no regresso foi a correr fazer um Focus Group para avaliar sua popularidade e vem agora dizer que se podia ter evitado Pedrógão como se a culpa fosse dos proprietários dos terrenos que ele fez o favor de perseguir em vez de ajudar?! É preciso realmente fazer de nós todos parvos.

Por outro lado, Marcelo sempre politicamente correcto, a deixar a mensagem outra vez que tudo foi feito – claro, até os políticos foram roçar mato, coisa nunca antes vista – que todos manifestaram empenho e fizeram tudo o que era possível (e de facto o empenho foi tão grande que há bens e dinheiro  doados sem controlo nenhum e até perderam rasto a donativos). Que  “Houve um Portugal metropolitano que acordou para os “Portugais” desconhecidos, os “Portugais” do interior, que são vários. Começou a acordar em Junho e depois continuou a acordar em Outubro”. A sério?!! Como acordar se nunca dormiram sobre o assunto? O abandono do interior é um facto perpetuado ao longo de décadas por não trazer votos. Todos sabemos que poderá continuar a arder, poderá continuar a despovoar, que  o abandono às gentes do interior não vai acabar. Porque aos olhos dos políticos, quem não compensa eleitoralmente é simplesmente ignorado. Vão mas é mentir para longe!

Entretanto,  a lista  de arguidos de Pedrógão que não pára de crescer, não tem um único político  ligado ao governo, como muito convém. Nem mesmo Valdemar Alves, o Presidente da Câmara de Pedrógão Grande durante a tragédia faz parte dela como deveria. Esse, quase que por “milagre”, livrou-se de boa ao contrário dos outros autarcas. Há gente com “sorte”.

Se tudo está a ser feito é no sentido contrário ao que deveria ser. É para encobrir quem de facto teve responsabilidade e incriminar apenas a arraia-miúda. Arrastar depois o processo até entrar no esquecimento com uma condenaçãozita sem importância nenhuma. Fingir depois que nunca se fez tanto pela prevenção e combate aos fogos quando na verdade estão apenas a aplicar as mesmas fórmulas  desastrosas com cosmética. Para depois, caso se registe nova tragédia, com lágrimas de crocodilo no canto do olho, dizer: “fizemos tudo mas as alterações climáticas, os eucaliptos, os raios, os proprietários com as matas por limpar,  são culpados”. Outra vez. Eles? Nunca têm culpa de nada.

Cristina Miranda

Via Blasfémias 

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