É mais Fácil Defender a Morte do que Defender a Vida

Nenhum comentário

Não concordo com o aborto ou com a eutanásia. Admito que já o tentei fazer na medida em que é demasiado sedutor e demasiado fácil defender estas situações. Quem não se quer livrar das consequências de uma noite mal ponderada? Quem não se quer livrar de dores e sofrimento cujo fim teima em não vir?

Todos nós aspiramos por uma vida de perfeição, por uma vida satisfatória, por uma vida que nos faça, pelo menos, um pouco feliz ou, para os pessimistas, por uma vida um pouco menos infeliz. O problema nesta nossa aspiração é que, infelizmente, não controlamos tudo o que se passa na nossa vida e isso assusta-nos. Assusta-nos ao ponto de desejarmos a morte, rápida e indolor para nós e para outros que possam, algum dia, passar por uma situação que a nós nos atormenta.

Portanto, a resposta para o medo é a morte. A resposta para a dor é a morte. A resposta para a incerteza é a morte. Porém, a morte é a única certeza que a vida nos dá.

É-me impossível defender tais acções pelo simples facto de as mesmas não passarem de homicídios. Vendo as coisas por todos os prismas possíveis, o acto não passa de homicídio. A morte de alguém provocada por outro. Argumentam que, no caso da eutanásia, isso não é bem assim porque o doente pede a outro que o mate e, logo, essa morte passa a ter toda a legitimidade sendo até algo piedoso e compassivo. Como se não bastasse, começa-se a vender a ideia de que, quem não aceitar aquiescer a este pedido, é uma pessoa imoral.

Este argumento continuou a não ser válido para mim pois não conseguiu justificar o homicídio, apenas passa graxa e lustro na acção, tentando pôr a coisa menos feia, provavelmente por considerarem necessária alguma atenuante de consciência.

Ora portanto, sendo isto homicídio, porque tais actos são tão defendidos? Porque se tenta vulgarizar tanto a morte, morte essa que é inevitável?

Não acredito que o foco seja a morte e a sua valorização, mas sim o inverso: a progressiva perda de importância da vida apoiada pelo asqueroso relativismo moral que hoje impera.

A vida foi diminuída ao ponto de apenas valer enquanto somos úteis, enquanto tivermos algum tipo de contributo para a sociedade, enquanto temos capacidade de ter algum tipo de satisfação ou prazer. A vida humana deixou de ser um valor absoluto e, como tal, tudo tem condições para ser ainda mais relativo.

Vejamos um argumento utilizado de quem defende o aborto: o embrião ou o feto ainda não é humano. O ser humano apenas é ser humano, com possibilidade de viver, quando a sociedade o determina conforme as suas conveniências. Como no caso dos doentes ou dos velhos que ficam doentes, o argumento de que eles deixaram de ser seres humanos não resulta, então que inventaram? Que a pessoa tem direito a morrer com dignidade. Isto significa, portanto, que qualquer pessoa que esteja entravada numa cama vive de forma indigna. A dignidade de alguém passou a ver-se pelo estado do corpo e não pelo seu carácter ou pelas suas acções.

Vergonhosamente, este nosso Portugal sofre o flagelo de abandono de idosos. Mais facilmente vemos indignados na praça pública por a eutanásia não ser despenalizada, mas nem um pio sobre os idosos abandonados. Quando os idosos dizem que não querem estar sozinhos, a sociedade não quer saber. Quando os idosos dizem que querem morrer, a sociedade junta-se para desligar a máquina.

O último recôndito dos defensores de homicídios assenta na liberdade da pessoa sofredora decidir como quer morrer. Se a pessoa quer morrer, é livre de se matar. Se a pessoa quer morrer e não o consegue fazer sozinha, não pode querer incutir esse tipo de acções noutras pessoas. Lamento, mas não há respostas felizes para todos os problemas da vida. O facto da pessoa o pedir, não justifica coisa nenhuma. Ao longo da nossa vida fazemos tudo aquilo que os outros pedem e desejam? Ou agora passamos a defender esta coisa em particular porque, de alguma forma, nos convém?

Como se tudo isto não fosse suficiente, todos nós sabemos que a vida sempre foi relativizada por regimes políticos ditatoriais. Acham que Hitler, Estaline ou Mao Tsé-Tung reconheciam algum valor à vida? Não. Reconheciam valor às vidas que eles queriam.

Se a vida é relativizada, tudo deixa de ter importância. As novas gerações irão nascer com a vida sem valor e a morte vulgarizada. Tudo isto não passa de uma guerra para dizimar os valores judaico-cristãos, baluartes da civilização ocidental, por muito que custe a todos os ateus que ganham urticária cerebral só de ouvir falar de cristianismo.

Acham mesmo que esta história da eutanásia ser só para doentes em estado terminal vai ficar só por aqui? Não. Tal como antes se falava do aborto, p.ex: em caso de perigo de vida para a mãe, hoje ele pode ser feito até às 10 semanas de gravidez. Portanto, a partir das 10 semanas e 1 dia, o tal bichinho tornou-se humano.

Onde devia existir a propagação do amor, do carinho e da dedicação, que é aquilo que doentes e pessoas fragilizadas precisam nos momentos mais difíceis da vida, a sociedade opta por banalizar a morte passando ela a ser a forma mais rápida e eficaz de resolver qualquer problema.

A civilização ocidental está a ser atacada por todos os lados: de fora, vêm para cá algumas pessoas que falam abertamente que a civilização ocidental é má, fonte de todos os males do mundo e que deve ser destruída. Acham que isso é mau? Não, o pior está cá dentro, com todas as vagas que existem de propaganda esquerdista, promiscua já com a direita, que renuncia por completo a tudo aquilo que nos fez chegar ao ponto civilizacional em que estamos: a família, o casamento, os valores morais judaico-cristãos, a tolerância (q.b. não me refiro à tolerância auto-genocida), o individualismo, a vida, a liberdade… e ainda fazemos propaganda igual à dos outros afirmando que somos todos maus e a fonte de todos os males do mundo.

Como tal, a nossa “auto-penitência” é matar bebés, velhinhos e doentes, aceitar quase pacificamente violações e atentados, achar que o judaísmo e o cristianismo são embrutecedores da sociedade, adorar os animais acima de todas as coisas e ter poucos filhos em prol do requintado estilo de vida materialista (a não ser que decidamos ter cães ou gatos em vez de seres humanos, neste caso a prol desta gente está garantida) o que nos faz ser ultrapassados demograficamente. Para quem é bom em matemática, mas limitado em demografia, será fácil perceber: se um ocidental tem em média 1 ou 2 filhos e imigrantes que apelam ao ódio do ocidente têm uma média superior, quem irá ter mais filhos daqui a uns anos e ser maioria na sociedade?

Tudo isto representa para mim uma coisa apenas: o progressivo fim da civilização ocidental que morrerá vítima da sua própria virtude em tudo aceitar relativizar, mas já nada valorizar. Com isto termino com o sentimento de que o relativismo moral assustar-me-á sempre muito mais do que a moral absoluta judaico-cristã.

Sara Albuquerque

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s