O Lugar dos Ladrões Ainda é Na Cadeia?

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O lugar de ladrões ainda é na cadeia?

Os deputados da AR, eleitos pelas Regiões Autónomas, exceptuando uma jovem deputada do PSD, nobel honra lhe seja feita, foram todos eles apanhados a cobrar ao erário público, custos de viagens que nunca fizeram, ou a debitar e a receber, tais custos em duplicado.

Entretanto, após uma semana de silêncio entre todos os partidos, sendo quebrado unicamente para virem dizer que tudo isto é correcto e não representa problema algum, veio agora um deputado do BE, que tb foi apanhado no esquema, apresentar a sua demissão.

Alegando que o estava a fazer, porque reconhecia que teria procedido de forma errada e chegando até a pedir públicas desculpas por ter cometido tais actos.

Atitude absolutamente inédita, entre membros do nosso parlamento e que seria digna de louvor.

E digo “seria digna de louvor”, não fora o caso de entretanto se ter descoberto que a sua suposta demissão e o seu comunicado não ter passado de um acto da mais pura e vil hipocrisia.

Soube-se agora, que este seu pedido de demissão, que alegou ter apresentado agora, afinal já tem data de Março, e já tinha sido por ele comunicada em início de Fevereiro a sua intenção de abandonar o cargo de deputado para ir assumir outras funções. Nada teve a ver com a situação em que está implicado, como agora, quer ele quer o BE nos tentaram fazer crer.

O que tivemos da parte do deputado e do BE, ao invés de um acto de alguma dignidade, mais não foi que um acto encenado de mentira embuste e falácia, para mais uma vez tentarem enganar o povo português.

O que pensava ter sido uma demonstração ética e moral de arrependimento e de assumpção de culpa, mais não foi que uma mera e farisaica tentativa de aproveitamento político para realizar alguns dividendos. O normal e habitual nestas gentes. Bem me parecia que era um acto de ética, bom demais, para ser verdade.

Já entre os restantes deputados e os restantes partidos, ninguém assume o acto de roubo, nem sequer de conduta imprópria e imoral, nem a necessidade de demissões.

Mas demissão só não chega. Há que os obrigar a devolver TUDO o que roubaram ao erário público, até ao último cêntimo e serem objecto de um processo na justiça.

Estas gentes sabiam bem a natureza do que andavam a fazer. Andaram a roubar, e andaram a fazê-lo de forma intencional e consciente.

Estamos a falar de deputados da nação, que foram eleitos, para nos representar em defesa dos mais altos valores éticos, morais, das leis da república, e do superior interesse da nação. Gente de quem se exige e se espera uma conduta irrepreensível e práticas da mais alta ética e moral.

Não estamos a falar de um grupo de crianças ou de alguns garotos, sem formação, sem conhecimento, sem capacidades de discernimento suficientes para saber diferenciar entre o bem e o mal, e entre o certo e do errado. Por certo que não estamos a falar de um grupo de crianças, que precisam de constante vigilância “parental” e que necessitam que os pais lhes estejam sempre a lembrar o que é o bem e o queé o mal, e o que podem e o que não podem ou não devem fazer.

Ou talvez em boa verdade estejamos perante um grupo de crianças e garotos inimputáveis, pois as suas condutas, claramente assim o dão a entender.

Mas então se não conseguem diferenciar o bem do mal e o correcto do incorrecto, e não sabiam que o que andavam a fazer era um roubo ou era algo imoral e nada ético, então também é gente desprovida de capacidades suficientes, e sem condições para poderem ser deputados e representantes da nação, e como tal, só isso já é por si só motivo mais que suficiente para serem todos eles imediatamente demitidos.

Demissão ou demitidos, com devolução obrigatória do tudo o que roubaram, é o que se exige. É, face à gravidade dos factos e da forma como estão a decidir lidar com tudo isto, a única via possível.

Se não o fizerem, um grupo de cidadãos livres, em nome dos contribuintes, e da nação, deviam apresentar uma queixa crime junto do MP, por roubo ao erário público, contra todos estes ladrões.

Entretanto, Carlos César presidente do Partido Socialista, como já é seu hábito, já veio dizer que “nada de errado foi feito” que “está de consciência tranquila”, que tudo isto não representa qualquer problema ético, moral, nem legal, e que esta é uma “situação normal e corrente”.

Termos um presidente de um partido, que tb tem assento como deputado na AR, a dizer que deputados roubarem a nação e os contribuintes é uma situação normal e corrente, (já o sabíamos) e dizer que não representa qualquer problema ético nem moral, (o legal deve ser deixado para a justiça e os tribunais) diz bem da natureza destas gentes, e explica bem o estado a que esta pobre nação chegou. E tb diz bem quem é e o que é o Carlos César.

Em tempos idos, a máxima .”lugar de ladrão é na cadeia” – era algo que imperava como um dever, quer na sua aplicação pela justiça, quer como um dever moral perante a sociedade e pelos os valores condutores que dela emanava.

O acto de roubar, muito mais que um crime, era considerado um comportamento moralmente grave, repulsivo, sordido e degradante. E motivo de vergonha e opróbio público.

E os seus praticantes, quando apanhados em tal acto, na maior parte dos casos, sentiam genuina vergonha.

Tinham mais medo do sentimento da “vergonha” e do opróbio, do que das penas, duras, da justiça. O sentimento de desonra e de perda de dignidade pública, era receado e considerado um humilhação pessoal.

Entretanto, com o tempo, tudo isto mudou.

Se ainda resistem alguns grupos e cidadãos onde tais valores e princípios são considerados fundamentais, seguramente que já há muito tempo que deixaram de o ser, em muitos outros sectores e entre muitos outros grupos da sociedade.

Dentro da Assembleia da República, entre os seus membros, e no mundo sórdido da maior parte dos partidos, dos políticos e dos governantes, o sentimento de desonra e de dignidade, há muito que já deixou de existir ou de ser receado. Ali não só se convive bem com a mais abjecta ausência de honra, dignidade, ética, e moral, como é esse o caldo cultural normal e dominante.

Ali, nos dias de hoje, entre a maior parte destes, a máxima e o padrão de conduta seguido, praticado, e aceite, já há muito que passou a ser: – “rouba o que puderes, e enquanto puderes”. e “só estarás a errar se fores apanhado”.

E se fores apanhado, basta dizer: “estou de consciência tranquila” e “não considero que tenha feito algo de errado”, ou “o regulamento é omisso”.

Dizia um antigo ditado: “vergonha não é roubar mas ser apanhado a roubar”.

Mas, fica cada vez mais claro, que hoje em dia, entre grande parte dos membros da Assembleia da República, dentro dos partidos, e entre muitos dos governantes, titulares de cargos públicos por eleição ou nomeação, já nem ser-se apanhado a roubar, é considerado vergonhoso. Pois o roubar, “per si” já há muito tempo que tb não o é.

Curiosamente, o PS, o PSD e o PCP, não não só não pediram aos seus deputados que foram apanhados a roubar, que se demitam, como até ao momento, tb não consideram que estejamos perante um roubo à nação, nem perante um grupo de ladrões, conscientes e intencionais. Nem tão pouco consideram estarmos perante um acto absolutamente imoral.

O que diz muito dos partido políticos que temos. Aliás, diz tudo.

Claro podem dizer que não são todos os deputados que são ladrões, corruptos, ou gente sem ética nem moral. Ou que não foram todos os deputados que foram apanhados a roubar o contribuinte.

Pois não. Nem todos são deputados residentes nos Açores, com necessidade de viajar de forma recorrente para esse destino. Mas o que não faltam são exemplos de outros deputados que foram apanhados em outros esquemas, com os mesmos fins e os mesmos resultados: defraudar o erário público e roubar os contribuintes.

Quantos não foram já apanhados no esquema de dar falsas moradas, para receber subsidios de renda e deslocações estando a residir em Lisboa?

Claro que tb podem dizer que não foram todos apanhados a dar falsas moradas, Pois não. Mas desse “sérios”, quantos vieram a público condenar tais práticas?

Quantos deputados vieram a público demarcar-se de tais práticas, e condenaram publicamente os seus colegas da AR, ou mesmo os do seu próprio partido, que recorrem a tais práticas?

Quantos deputados vieram a público exigir que tais deputados se deveriam demitir, mesmo sendo do seu próprio partido? Quantos?

De facto, se o lugar de ladrões antes era na cadeia, agora tb o é na Assembleia da República. E quanto à vergonha, só a pode sentir quem a tem.

Rui Mendes Ferreira

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6 comentários em “O Lugar dos Ladrões Ainda é Na Cadeia?”

  1. Sinto vergonha de no nosso país aceitarmos que estes ladrões continuem a usufruir do dinheiro dos nossos impostos que tanto nos custam a pagar. Já é tempo de dizer BASTA.

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  2. Porque também penso que esta prática de muitos anos é uma nódoa negra no processo democrático, estando incorretamente a ser usufruída por gente sem moral, também digo, porquê só agora se faz alarido disto? Se o lugar de deputado em Portugal fosse como noutros Países Europeos, possivelmente alcançaria-mos um número dos ditos, mais concentaneo com a nossa realidade. Como continua a ser o que é, somos o povo do paga e não bufes.

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  3. 5 de Maio (15h)…todos JUNTOS contra a PARTIDOCRACIA…JUNTEM A VOSSA VOZ À NOSSA…só assim teremos VOZ
    NÃO PONHAM SÓ LIKES, PARTILHEM…ESPALHEM A NOTICIA…ADIRAM AO GRUPO…LISBOA…PORTO…COIMBRA…OUTRAS CIDADES
    ORGANIZEM-SE PARA APARECER 05-MAIO-2018… a passividade é o melhor que se pode dar aos partidos que só se preocupam com eles
    VAMOS POR NA AGENDA OS 10 MANDAMENTOS DO POVO

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