Mário Centeno Anda a Gozar Connosco

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O Ministro das Finanças está efectivamente a deslumbrar-se com o cargo, o poder conjunto do Terreiro do Paço somado ao do Eurogrupo levantaram a Crista de Mário Centeno para níveis nunca antes vistos, eu não duvido das capacidades técnicas do Ministro, tem um currículo muito interessante e obra científica boa de ler e coerente com um pensamento mais à direita e liberal, mas há determinados teatros a que Mário Centeno se devia recatar, se Bruxelas em termos do que é o défice em contabilidade nacional, ou seja, contabilizamos além do que sai e entra no Estado em receitas e despesas(fluxos de caixa)o défice em contabilidade nacional olha para o “todo”, para o lado macroeconómico e na óptica de compromissos, todas as injecções de capitais feitas no período de ajustamento financeiro foram contabilizadas e muito bem no défice orçamental em contabilidade nacional, ou seja, na óptica dos compromissos.

Reparem quando iniciamos um exercício orçamental de um ano, não existem, digamos assim, “salvamentos de bancos” todos os anos, é algo extraordinário, não se regista portanto no fluxo normal do que é a contabilidade pública, logo de todos os fluxos de recebimentos e pagamentos de um Estado temos que ter outro registo que nos permita registar “outros compromissos”, se injectamos capital na CGD então é despesa não financeira, em contabilidade nacional pelo menos. Se Mário Centeno se esquece dos princípios básicos das finanças públicas estamos com um problema grave, aliás, Centeno tem que nos explicar onde são feitas as cativações, ninguém efectivamente sabe onde são feitas, só quando chegamos ao local e somos espezinhados com horas de espera nas urgência é que percebemos o quão cativados estamos.

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FONTE: Conselho de Finanças Públicas, Outros Ajustamentos

Como vê Mário, volte para os Bancos da Escola.

O importante, pelo menos para futuro, é que o ajustamento orçamental restante que temos que fazer se faça, sim, pelo lado da despesa mas de modo estrutural, pensar em concreto, não em abstracto, como vamos reduzir o número de funcionários públicos que temos, como podemos eliminar elementos orgânicos da administração pública que são monstros burocráticos e sugadores de recursos, como podemos ter uma nova reforma administrativa desta vez do lado da fusão de Municípios. O problema disto tudo, é que temos que mudar a Constituição para despedir funcionários públicos e temos que garantir que um PS futuro não reverta todo o esforço feito. Portugal parece um infantário, temos mil papeis na secretária em branco, existe um na mesa e os meninos lutam por ele e desdenham-se a rasurar o papel. Um País não tem como resistir com pessoas destas na política.

Uma análise agora ás contas de 2017 de modo sucinto(incompleta que ainda faltam dados):

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FONTE: INE

Importante perceber, não temos o défice mais baixo da história da democracia, os foguetes foram parar ao charco do laboratório de ideias do PS. Além disso, 2017 marca outro marco histórico, marca 43 anos de défice orçamental(!), contínuos.

O défice orçamental em contabilidade nacional ficou em -5.709 mil milhões de euros(-3% do PIB), considerando que o PIB real ficou em 2017 em 193.048.635 mil milhões de euros (dados Pordata provisórios) a despesa pública total efectiva, situo-se nos 45,86% do PIB superior aos 45,1% do PIB, o aumento só não é mais significativo devido ao incremento mais forte do PIB. De referir que sem o efeito Caixa o défice orçamental teria ficado em -0,9% do PIB mas com maior parte do ajustamento a ser feito pelo lado da receita. Vejamos:

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FONTE:INE

 

Mesmo sem o efeito de 3,9 mil milhões de euros, despesa não financeira, a despesa pública teria aumentado de 83.371 mil milhões de euros em 2016 para 84.650 milhões de euros em 2017 logo um aumento de despesa de 1,5% com basicamente todas as variáveis da despesa a aumentar, desde prestações sociais, remunerações só com a rubrica dos juros a descer isto no que é a despesa corrente.

Do lado da receita esta sobe 3,1 mil milhões de euros de um ano para o outro, muito mais que o incremento de despesa de 1,279 mil milhões de euros sem efeito caixa.

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FONTE:INE

Considerando que o défice de 2016 terminou em 3665 mil milhões de euros e o de 2017 sem efeito caixa ficou em 1809 mil milhões de euros, logo 1859 mil milhões de euros de melhoria, todo o ajustamento foi feito do lado da receita. O Monstro Estado queria mais para funcionar, gastou mais e exigiu mais do esforço pessoal de cada um. Esta é a lógica, alimentas as clientelas que te garantem a reeleição, colocas os funcionários públicos felizes e quem produz, bem, esses tem que ficar calados porque não são ninguém. Portugal no seu melhor.

Mauro Oliveira Pires

P.S: Prometo Análise mais completa e detalhada quando os dados estiverem completamente consolidados.

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