Entrevista a Sofia Afonso Ferreira

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Antes de vos mostrar o resultado, acho que ficou tremendamente produtivo e interessante, da entrevista que líder do novo Partido de Direita Liberal em Portugal, Sofia Afonso Ferreira, me concedeu  não posso deixar de eu, pessoalmente, deixar o meu humilde testemunho sobre a Sofia e igualmente sobre o contexto que nos envolve do Reinado das esquerdas unidas. Portugal é um País de gente desenrascada, pessoas boas e atenciosas, carinhosas com o próximo, mas, por outro lado, são ingénuos e com índices de literacia financeira baixíssimos. Logo, qualquer cenário utópico vindo do caviar das nossas esquerdas berrantes em gritaria é facilmente interiorizado por um povo que é facilmente permeável.

A pouca direita com valores liberais, aquela que defende a iniciativa privada, o Estado mínimo, que defende o individuo e a sua capacidade de realização, está com uma representação parlamentar em deputados algo fraca, os que se assumem são raros e os que existem não se assumem. É aqui que entra a Sofia, é aqui que entram todos os projectos liberais que tenham a intenção de o serem, que não ficam no sofá com a filosofia barata. Querem ler o que a Sofia tem a dizer não é? Vamos a isso!

Pergunta 1): O que é a Democracia 21? O que querem trazer de novo ao Palco Partidário? O que vai trazer de novo às pessoas? 

Começando por explicar o que é a Democracia 21, neste momento é um Movimento Cívico, estamos a recolher assinaturas, para constituir Partido e esperamos que a D21 seja no futuro e, vai ser, um Partido Liberal de direita, é bom frisar isto, portanto a diferença que oferece é por um lado um primeiro Partido liberal, ou, pelo menos, o que considero serem os valores fundamentais do liberalismo em Portugal, uma coisa que estamos à espera há muitos anos e que é preciso avançar e faz falta ao espectro político Nacional, não nos podemos esquecer que neste momento é a segunda maior força na Europa, entre muitos outros Partidos que compõe esta força, outros inclinam-se para a esquerda outros para a direita, mas, neste momento é importante que a D21 avance em Portugal bem como outros projectos, eu gostava que houvesse mais Partidos Liberais em Portugal.

Pergunta 2): Numa entrevista recente que deste à MAGG, revista do Observador, disseste que a tua geração estava arredada do poder, como vês um Rui Rio com 55-56 anos e António Costa com 55 anos, um líder partidário do maior Partido do País e outro Primeiro-Ministro e Macron com 40 anos Presidente de França? O que falta à política portuguesa para atrair os gente jovem e competente? 

Temos vários problemas em Portugal(Risos), a primeira tem a ver com a nossa história, tivemos uma revolução há 40 anos, depois de mais de 40 anos de Estado Novo, formaram-se Partidos na altura que conservam o poder até hoje de modo rotativo como o PS e o PSD, os dois maiores Partidos Políticos, o problema é que os mesmos não se renovaram e se actualizaram nos métodos, nas ideias de e formas de fazer política apresentado quase o mesmo projecto aos eleitores e neste momento, a minha  geração, e tenho 41 anos, esta pouco representada apesar do BE e do CDS hoje em dia tem pessoas da minha geração à frente. Na MAGG, como disseste, contei-lhes um episódio que ocorreu no ano passado em que apertei a mão ao Macron que é mais novo que eu e é daqueles momentos da vida de uma pessoa, em que começas a pensar em que estamos a apertar a mão ao Presidente de França com 40 anos e no meu País, percebo a dificuldade e o caminho que tenho pela frente, o nosso Presidente tem 68 anos e aqui se vê a diferença, Macron com 40 e Marcelo perto dos 70 concordemos ou não com as ideias deles, Portugal tem definitivamente um problema de “sangue novo” na política, há algo que tem de mudar rapidamente.

Pergunta 3) És a primeira líder partidária a usar o termo direita liberal, e não de centro direita. Poucos tiveram a tua coragem para usar esse termos, como arranjas explicação para uma “direita” como o PSD que já não se diz de direita, mas sim de esquerda, e muita gente no CDS da Ala mais Conservadora que querem a Assunção Cristas e Adolfo Mesquita Nunes fora? Como explicas a resistência dos lideres partidários da “direita” em se assumirem como liberais?

As coisas estão a mudar, estamos em 2018 e, olhando para o mosaico Partidário na Europa as coisas estão a mudar mais rapidamente, aqui em Portugal estamos atrasados e muito… É com a D21 e com outros projectos políticos de cariz liberal, que estão agora a surgir finalmente, que podemos mudar isto, repara, não há algo de diferente no ar? Se calhar já não é assim tão prejudicial dizermos que somos de direita liberal, o que posso dizer na minha perspectiva muito particular de quem montou a D21 muito recentemente, tivemos muita atenção por parte da imprensa e das pessoas para assinarem, foi dos poucos projectos a afirmar-se de direita logo de inicio e isso deu nos uma visibilidade que, se calhar, outros projectos não tiveram, porque fomos por esse caminho. Há muitas pessoas à espera que venham partidos diferentes, para melhor, face aos actuais.

Pergunta 4) Quais são para ti, os problemas fundamentais que urge resolver em Portugal? 

Essa é fácil(risos)! Menos Estado! Menos Impostos! Menos Despesa!  E mais liberdade individual, com reformas nos principais sectores. 

Pergunta 5) Qual o Político(a) que te mais inspirou a nível interno e externo? 

A nível Nacional é fácil, Sá Carneiro, eu nasci e cresci em 1977 no meio seio familiar, tínhamos esquerda e direita, mas onde a morte de Sá Carneiro foi muito sentida e isso acabou por me condicionar um pouco, a forma como as coisas foram correndo e passado alguns anos, quando cresci, acabei por me tornar apoiante do PSD devido a Sá Carneiro que ainda hoje é uma referência no pessoal da direita. A nível externo, Angela Merkel! A Alemanha é o País mais forte da Europa, nos anos de crise é interessante assistir à conduta política de Merkel e da forma como guiou a tempestade financeira dos Países do Sul, bem como o aguentar do projecto Europeu, por mais falhas que tenha é sempre importante manter um projecto que trouxe paz à Europa e algum liberalismo. Foi a figura que mais me marcou, apesar de não concordar com tudo.

Pergunta 6) Pedro Passos Coelho foi o líder incontornável da direita neste século e talvez da democracia Portuguesa, como lhe descreves? Qual a tua avaliação ao Mandato de Passos? 

Sou uma Passista convicta! Acabei por sair do PSD quando o Pedro saiu, isso acabou por me condicionar, pois estava céptica em relação ao rumo que o PSD estava a tomar e Rio não me agrada particularmente, o PSD entrou num caminho que não concordo. O Pedro, aguentou e governou numa altura muito específica, muito complicada, a crise não foi só aqui, foi na Europa e foi em geral, ele teve 4 anos de governo a apagar fogos, não governou numa altura normal, houve coisas que não concordei outras sim, mas no geral fez um trabalho fantástico. Engraçado que, Tsipras, Primeiro-Ministro Grego, fez um tremendo elogio a Passos agraciando a forma como Portugal manteve o seu rumo pós programa da Troika e portanto vemos que afinal, Passos tinha razão, acho que lhe devemos alguma coisa…

Pergunta 7) Achas que a comunicação social Portuguesa é parcial face ao PS?

A comunicação social é favorável e parcial ao PS e à esquerda em geral, mas tambem isso está a mudar, hoje há mais aceitação e predisposição para surgirem mais partidos liberais, tambem sem dúvida  que na imprensa as coisas estão a mudar, apesar de existir o desfasamento de tratamentos, sendo mais favorável aos Socialismo do que à “direita”. Na comunicação social maioria das “relações” são de esquerda, exceptuando o Independente, anteriormente, e o Observador mais recentemente.

Pergunta 8) Os liberais tem que ser mais pragmáticos e menos sectários na actuação? Concordas?

Concordo em parte, antes não existiam partidos liberais, para seres tens que estar a trabalhar agora e passar da teoria à prática, e é o momento ideal para isso, claro que ainda não existindo formalmente partidos liberais e não estando nos jogos de poder, há uma tendência para ficarem na filosofia, na parte teórica sem serem objectivos, tem que ser mais politicamente incorrectos no debate! Serem mais práticos.

Pergunta 9) O que é para ti um Liberalismo Pragmático?

Está um pouco ligado à aquilo que te já te disse anteriormente, precisamos de Partidos liberais em prática e não na teoria, que é o que conta, temos que criar uma onda positiva.

Pergunta 10) Achas que só o liberalismo pode salvar o País?

Acho! Porque sempre senti como pessoa de direita liberal, não me revendo na ala conservadora, que há no PSD e no CDS, faltava esta “terceira via” à direita que são pessoas que, em temos económico-financeiros, são por uma linha de menos intervenção do Estado, menos impostos, menos socialismo de Estado que já é algo anacrónico na sociedade portuguesa, por outro lado, nos costumes, somos igualmente liberais, achamos que o individuo é que deve escolher e não o Estado a interferir desde a quem queira casar, ao sal que usamos na comida e isto faz falta na direita Portuguesa. Temos reformas económicas a fazer, não temos que obrigar a Sociedade a viver no século passado, nós enquanto indivíduos donos do nosso corpo é que temos que decidir o que é melhor para nós, o Estado é um árbitro e não devia ser um jogador, é isto que temos de explicar às pessoas e que por vezes não sabemos explicar da melhor forma!

Entrevista à Líder do Partido em formação Democracia21(D21), em sua casa no dia 16-03-2017 às 20h00 da noite.

Entrevistador: Mauro Oliveira Pires 

 

 

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15 comentários em “Entrevista a Sofia Afonso Ferreira”

  1. Ouvi falar em Sá Carneiro em Dezembro de 1973 e aderi ao PPD em Agosto de 1974 , partido que ajudei a instalar no Concelho de Murça. Infelizmente, por causa do comunismo, deixei Portugal em Janeiro de 1976 para ser livre. .. No Luxemburgo, encontrei uma Liberdade responsável e exigente, por isso preferi abdicar do meu sonho universitário e ser dono do meu destino. Portugal precisa de pessoas corajosas e incorruptíveis para que o nosso país deixe ser um coitadinho, terra de chicos-espertos e manhosos que preferem viver de esmolas, sempre à procura de uma teta estatal. Os partidos tornaram-se o ântro e o lupanar onde de urdem as teias criminosas que armadilham o Estado. Uma democracia exigente não pactua com as canalhices que se vêem todos os dias em Portugal. Boa sorte Democracia 21 !

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  2. Acho que há algo que merece ser discutido no que diz respeito à direita liberal. Uma pessoa pode ser conservadora nos costumes e ao mesmo tempo defender a liberdade de uma pessoa fazer o que queira (desde que não afecte outrem). E acho que este Democracia 21 devia ir por aí. Por exemplo, o casamento gay. Há pessoas a favor e contra, o que é perfeitamente normal. Mas o facto é que o Estado não tem que casar ninguém. Seja gay, hetero ou outra coisa qualquer. Defendam isso.

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      1. O aborto não é uma questão de liberalismo ou falta dele. O liberalismo defende que cada um faz o que quer com o seu corpo, sim, mas não com o corpo de outra vida humana (a não ser que coloque uma vida em risco). E o aborto é nada mais do que matar uma vida humana por uma questão de conveniência, o que é do mais macabro que pode haver. O “my body, my choice” é uma falácia. É “someone else’s body”.

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  3. Fico muito agradada pela coragem demonstrada pela Sofia Afonso de arrancar com a formação dum Partido de Direita Liberal. O Pais precisa que, homens ou mulheres, dessa faixa etária ofereçam a sua vitalidade, inteligencia, dinamismo, para mudar esta sociedade amorfa que somos. Parabens e que o Partido tenha pernas para andar.

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