Serviço público seria fechar serviços públicos

Os ricos pagarão os CTT estatais? Ou seja, temos de contar que ricos capitalistas, os tais accionistas gananciosos sejam gananciosos noutras áreas para conseguiremos pagar os CTT.

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Texto lido: https://www.youtube.com/watch?v=5YHbT-GQ5Js&feature=youtu.be

 

Os sindicatos querem reverter a privatização dos CTT para evitar o fecho de agências (fecho relativo já que, segundo um dos responsáveis dos CTT, a maioria vai apenas ser requalificada). Seguindo o mesmo raciocínio, os sindicatos deveriam também pedir a privatização da CGD para evitar o fecho das agências que já teve lugar. Pois a ideia deles é, implicitamente, que sempre que se fecha algo, tem de se pedir uma mudança de dono para evitar o encerramento.

 

Só que claro, os sindicatos não pediram isso… Como estiveram bastante calados quando a CGD fechou alguns dos seus balcões…

 

Já agora, isso acaba onde? Sempre que alguém deixa de fazer algo que queremos temos de o estatizar? Se a minha namorada deixar de fazer felações poderei a estatizar sob o pretexto que deixou de fornecer um “serviço público essencial às necessidades das populações”?

 

Entretanto, o BE anda preocupado com o Interior que está a ficar mais despovoado. E se fica mais despovoado é porque perde serviços públicos, tivesse serviços públicos não perderia população.

 

Ora o Interior perde população desde a década de 1950, altura em que começaram a aparecer os serviços públicos por ironia (ou não). Mas isso não interessa ao BE, são fundamentalmente os fechos de serviços que criaram o despovoamento. Os fechos recentes devem ter criado um despovoamento retroactivo a seguir essa lógica. As pessoas do Interior a partir da década de 1950 devem ter pensado que valia melhor sair de lá, porque dentro de 50 anos os serviços começariam a ser fechados…

 

Há tempos o partido irmão do BE em Espanha, o PODEMOS, declarou que ser patriota é “defender os serviços públicos”, penso que o BE se reverá nessa frase. Reparem bem, é defender os serviços públicos. Não é defender todas as pessoas, não é defender as pessoas honestas que não causam prejuízos, não é defender as gerações futuras. Não, é defender os serviços públicos. O Interior bem pode ficar vazio, mas o importante é continuar a haver correios no meio de desertos…

 

Outra figura do BE, Catarina Martins, disse que os accionistas estão a destruir a empresa. Isto porque pedem dividendos superiores aos lucros dos CTT, comportando-se como “gananciosos destruidores”.

 

É comovente ver esta preocupação com a saúde financeira de terceiros. Esperamos que o mesmo acontecerá quando forem publicadas as contas do Estado, da Segurança Social, do SNS ou das empresas estatais, que como sabemos são exemplos de probidade financeira.

 

Já agora, convém lembrar que quando os CTT foram privatizados, a compra de acções foi aberta a toda à gente. Entre os manifestantes e indignados, e claro Catarina Martins, quantos compraram acções para evitar a “ganância destruidora”?

 

Não tinham ou têm dinheiro para as comprar? Então se não há dinheiro como é que faremos para pagar os impostos que sustentarão os CTT estatizados – pois duvido que os CTT deem  lucros, já que lucro é “ganância destruidora”?

 

Os ricos pagarão os CTT estatais? Ou seja, temos de contar que ricos capitalistas, os tais accionistas gananciosos sejam gananciosos noutras áreas para conseguiremos pagar os CTT.

 

O problema é que a ganância deve ser proibida…

 

1 comentário em “Serviço público seria fechar serviços públicos”

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