Medina Carreira Tinha Razão

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Uma das pedras do sapato da Economia Portuguesa na sua história económica é o bloqueio político ás reformas necessárias para que a retoma passe de transitória a estrutural, ou seja, que a composição de crescimento da nossa Economia, traduzindo para miúdos,  a forma como uma Economia cresce, seja o mais saudável possível, mas claro, que as reformas efectuadas por um governo sejam sempre alvo de continuidade do governo seguinte, isso em Portugal não acontece. A melhor forma de crescimento, se assim o podemos dizer, é que grande parte do crescimento provenha das exportações líquidas, por outras palavras, o que vendemos ao exterior subtraindo-se ao que compramos, gere um contributo positivo para o crescimento do PIB.

Para que tal aconteça, numa lógica de médio e longo prazo, é estritamente necessário que o quadro fiscal seja estável, previsível, que os Partidos do regime estejam de acordo para o conjunto de políticas fiscais para futuro, num País com uma taxa de poupança categoricamente baixa, o que dificulta o financiamento da actividade económica empresarial, porque, não nos podemos esquecer, que são através dos nossos depósitos que as empresas emprestam à economia gerando então os bancos o seu rendimento.

É então urgente que Países com capacidade de financiamento acentuada e com empresas que geram um elevado valor acrescentado invistam num País que não consegue, através do investimento interno, gerar mais produção e renovar todo o seu stock de capital fixo já de si gasto. O investimento Directo Estrangeiro é a única forma de a Economia Portuguesa crescer de forma sustentada, de criar mais riqueza e mais postos de trabalho com salários mais elevados e por sua vez mais consumo, pois este tem que ter origem da CRIAÇÃO e não da REDISTRIBUIÇÃO. Primeiro CRIA-SE para depois se GASTAR.

Mas, claro, num País com uma classe política que nunca trabalhou na vida e especialmente  maioria deles são das área das “Humanidades”, não se espera outra coisa que a não compreensão dos números(Não querendo insultar quem tem formação na área, claro). Para as suas excelências, o dinheiro cresce, é só ligar a máquina, mas desta vez não podem, só o BCE, desvalorizar o escudo escondeu as fragilidades estruturais de Portugal, a entrada para uma moeda que exigia disciplina orçamental e uma outra estrutura macroeconómica assustou a Oligarquia anos depois, o dinheiro fácil tinha um custo e todos nós pagamos a irresponsabilidade da maquilhagem, do facilitismo, não, a culpa não é da Merkel, do Trump e de algum furacão, é nossa, exclusivamente nossa.

Mario Draghi deu uma oportunidade de Ouro, comprando tempo, para que os Países mais frágeis do Euro adoptassem políticas estruturais, a Grécia seguiu as recomendações, por pragmatismo, Itália continua amorfa, mas maior parte da dívida pública é detida por Nacionais, Espanha está a colher os frutos de um período de reformas difíceis que Mariano Rajoy teve a coragem de fazer, é das Economias que cresce mais na Zona Euro quer na UE. Portugal teve “uma limpeza” semelhante à que o Bloco Central fez nos anos 80, mas desta vez sem a desvalorização do escudo, foram feitas reformas do lado da oferta, mas insuficientes.

Continuamos um poço de burocracias, com impostos que quem gere uma empresa não tem forma quase de pagar, pagamentos especiais por conta, IRC, TSU não querem imaginar o monstro. Não é assim que formamos um quadro de investimento estável nem muito menos previsível, o actual circo que o povo português assiste da actual governação está a ter custos, podíamos estar a crescer muito mais actualmente, com uma dívida pública mais baixa, já com superavit orçamental. Mas, claro, as clientelas estão primeiro.  Como o fogacho tem um prazo, preparem-se para avalanche e sim emigrem este País não é para gente honrada e trabalhadora só para os chico-espertos de Lisboa.

Este gráfico abaixo mostra a taxa de crescimento real da nossa Economia, como podem ver através do verde mais claro da “média de(17)” ou seja a média de crescimento de 2001 a 2017 é de 0,44%(!), das mais baixas do Mundo Se retirarmos o efeito “ajustamento da Troika”, a média claramente que sobe para 0,752% mesmo assim uma média desprezível, em que só Grécia e Itália fazem pior.

 

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FONTE: Pordata.

Nesta tabela abaixo, do INE(Instituto Nacional de Estatística), se fizermos a média de crescimento da UE e AE(Área do Euro) claramente Portugal em 2017 ultrapassou a média Europeia de crescimento, a Geringonça afinal não era Tsipras, Costa foi mais parecido com Passos Coelho, seguiu as recomendações Europeias e ninguém se aleijou. Mas, no final do ano, o cenário voltou ao mesmo, o abrandamento da Economia Portuguesa começou, pois sem reformas o laxamento do crescimento ia começar mais tarde ou mais cedo. A Economia é como um corpo se está doente os medicamentos são necessários até se curar, quando se para a meio a doença volta, não se sabe quando, mas volta. Costa, o teu sorriso cínico e malcriadez linguística vão acabar.

Medina Carreira tinha razão, eles são todos animais.

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FONTE: INE, crescimento trimestral.

Mauro Oliveira Pires

 

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