O ESTADO E A DINAMIZAÇÃO DO INTERIOR

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casa_de_pedraEm Novembro de 2016 o XXI Governo, este nosso querido Governo que ainda se mantém em funções, decidiu dinamizar o interior do País e produziu a sua Resolução do Conselho de Ministros n.º 72/2016,

onde elenca 164 medidas, todas óptimas, excelsamente pensadas e melhor planeadas, abrangendo áreas tão diversas como o banco de terras, as bolsas de mobilidade para jovens estudantes e a promoção da habitação jovem (?), o desporto transfronteiriço, a promoção do turismo termal e equestre, a criação do estatuto do “Jovem Empresário Rural”, etc., (ide ler, ide ler que é para não julgardes que governar bem é tarefa fácil).

Está naturalmente ainda por fazer a avaliação do impacto de tão ambicioso Programa. O cidadão provinciano poderá achar que está tudo rigorosamente na mesma, mas ele não será certamente quem estará em melhores condições para avaliar os elevados efeitos qualitativos das medidas que o programa contém nem para estimar o tempo necessário que a sua descodificação levará aos intervenientes.

Atente-se por exemplo na  Medida 1.11

“Apoiar a criação de redes de instituições de ensino superior no Interior com a missão específica de fomentar e apoiar estratégias inteligentes de desenvolvimento económico de base local.”

Fica-se aqui a saber que o Governo apoiará a criação de redes de instituições de ensino superior no Interior – não se percebe que tipo de redes são necessárias, nem qual será o apoio, ou se consistirá somente numa lista de endereços electrónicos a distribuir entre os participantes.

E que essas redes, devidamente apoiadas, terão a missão específica de fomentar e apoiar estratégias. E que essas estratégias se querem “estratégias inteligentes (pois das outras temos tido que chegue) de desenvolvimento económico de base local”.

Parece simples, mas isto não é fácil. Se já não é fácil escrever vacuidades é ainda menos fácil implementá-las!

Pelo que esteve bem, muito bem mesmo, o Manuel Heitor, ilustre Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, ao pragmaticamente anunciar que pretende “reduzir 1.000 vagas nas Universidades de Lisboa e Porto para poder ter mais estudantes de formação inicial gradualmente no interior do país.”

Agora, sim, agora falamos uma linguagem que todos entendem – Quais “redes” e  “estratégias inteligentes” qual carapuça!

Agora, sim, isto é que é ser pragmático – Que se lixe a liberdade de escolha do aluno, a sua preferência por ensino de qualidade. Às malvas o prestígio de algumas escolas públicas de Lisboa e do Porto que outros valores mais altos se levantam!

Agora sim, é hora de mudar e, acompanhe o XXI Governo o pragmatismo deste Manuel Heitor, talvez se consiga a implementação de mais medidas que promovam a dinamização do interior.

Exemplos:

  1. Desviar 5% dos voos da Portela para Beja – com pernoita obrigatória nas pensões locais;
  2. Desviar 5% dos sócios de bancada do Benfica, Sporting e Porto para o Campomaiorense, Aljustrelense e Moreirense
  3. Desviar 5% dos surfistas da Nazaré para a piscina de ondas de Amarante
  4. Desviar 5% dos turistas de Vilamoura para o Parque de Campismo Municipal de Serpa;
  5. Desviar 5% dos peregrinos de Fátima para Viseu, passando a realizar-se mensalmente, ao dia 13, a feira de S.Mateus.

Adicionadas estas sugestões à magnífica ideia do Ministro Heitor e estou certo que teremos:
a) meia dúzia de imbecilidades;
b) uma excelente base para a construção de “uma estratégia inteligente de desenvolvimento económico de base local.”

 

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