Luís Filipe Viera, Pinto da Costa, Bruno de Carvalho e o Futebol Português

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Não é só na actividade política que temos personagens menos recomendáveis, sejamos leves na abordagem, no futebol Português, nada que o comum mortal já não saiba, temos outro tipo de personagens bastante… Sui generis. Todos os três Presidentes dos chamados três grandes do futebol Português SL Benfica, FC Porto e Sporting Clube de Portugal, tem passados encobertos, estranhos, medonhos, na gíria popular efectivamente chama-se “Rataria”, não vamos por aí, os ratos não fizeram mal a ninguém, mas estes três homens são isso mesmo, sorrateiros, sabem da poda, conhecem os bastidores, tem jogo de cintura e conseguiram chegar a um lugar que parecem quase que… inimputáveis, vamos por partes.

Luis Filipe Vieira foi preso nos anos 90 por roubar um camião, sim, Vieira roubou um camião. Vieira começou numa pequena empresa de pneus, tinha jeito, tinha língua, sabia abordar a pessoa para comprar, tinha efectivamente jeito para arte do negócio, cresceu, tornou-se o “Imperador dos Pneus”, mas não eram pneus quaisquer, eram pneus “brancos”, o Senhor dos Pneus Brancos, percebem? Viera quando começou a meter-se no mundo futebolístico começou a ficar amicíssimo de Pinto da Costa, era sócio do Porto, mas também do Benfica mas também do Sporting…. Ora, sócio de três clubes ao mesmo tempo, há pessoas que acham normal, passemos para bingo.

Enquanto empresário da construção e Presidente do Benfica, dizem que os dois não se podem confundir, mas confundem-se, Vieira quer queira quer não é Presidente de uma Instituição que tem influência em perto de 6 milhões de almas em Portugal, um Clube com poder formal, pelos títulos que ganha, quer informal, pelo poder popular que tem, assim se geram contactos, normal, patrocínios, e toda uma estrutura em volta de um clube que tem impacto económico, também é uma empresa, Vieira também se aproveita do facto de ser Presidente do Benfica e ser empresário de outro ramo, é impossível pedir ao Homem que seja corrupto quando tem a fonte de contactos que tem.

Pinto da Costa tem valor incontestável enquanto dirigente desportivo, tem defeitos talvez na forma enquanto abordou as relações Porto-Lisboa, colocando o Porto sempre num patamar acima para usar enquanto escudo de protecção e fonte de energia e “raiva” para a sua equipa. É um Homem polémico, mas igualmente como Vieira, alguém não recomendável. No caso “Apito Dourado”, Pinto da Costa só não foi preso devido a uma condicionante na altura, não se podia usar escutas, e efectivamente havia escutas sobre o caso, com o Presidente a oferecer “fruta” e “café com leite” a árbitros, não se podia usar, Pinto salvou-se, mas o seu poder diminuiu e Vieira começou a ascender nas “estruturas” do futebol Português.

Bruno de Carvalho, talvez é dos três o mais “hernesto”, faliu várias empresas antes de chegar a Presidente do Sporting, não tem um passado profissional produtivo. Enquanto adepto e sócio parece que é dos mais activos, não se pode duvidar disso, na cadeira de Presidente o clube aproximou-se realmente dos seus rivais e Bruno conseguiu que respeitassem o Sporting quer financeiramente quer desportivamente. Tem um feitio para o bem e para o mal algo errático, por um lado a presença de “croquetes” no clube e o combate a esses mesmos croquetes é um combate assertivo, é politicamente incorrecto, importante no ambiente amorfo em que estamos, mas muitas vezes malcriado na forma como ataca, ser politicamente incorrecto não é ser malcriado, é falar a questão na forma verdadeira que esta devia ser efectivamente falada.

No fim, parece que estamos armadilhados, levamos com o circo de políticos de cartilha, mas no que é um hobby, um passatempo, que é o desporto e logo com o impacto que tem  em Portugal apaixona milhões, devíamos ter respeito institucional entre Presidentes para que o produto que se vende nas quatro linhas se potencie quer fora dela, mas esse é o problema, fora delas, três clubes que detém o monopólio da indecência, que não se dão ao respeito, não promovem um futebol em que todos podem crescer, armadilham os mais pequenos para que seja tudo um passeio.

O que é a estrutura de receitas dos clubes mais pequenos, os patrocínios e receitas de televisão são preponderantes, não se pode contar com as receitas de bilheteira, as assistências são baixíssimas em quase todos os jogos à excepção dos jogos dos “grandes” com os “pequenos”. Se estes três quisessem um campeonato mais competitivo, o modelo de distribuição de receitas de televisão de centralização, aquela que beneficiaria os clubes menores, não foi adoptada, mas sim o modelo de negociação individual, onde os três grandes tem força, e os outros não, não tem o volume de adeptos e poder que os outros três tem. Foi uma jogada de mestre para os manter a pão e água e continuarmos no quintal.

O futuro, pelo que parece, até na minha óptica é o mais viável, é a compra dos clubes portugueses por capital estrangeiro, pelo menos os mais pequenos.

No fundo no fundo, o futebol português é uma farsa, a política portuguesa é uma farsa. Um País onde todos se batem ninguém tem razão.

Mauro Oliveira Pires

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