Não vamos sair do Pântano

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Um Europeu normal que conheça a política portuguesa nos seus mínimos, sabe como funciona a desgraça piroclástica do pântano à beira mar queimado. Os interesses por detrás de cada partido, o “pote de mel” que todos querem e que não chega para todos, desde tachos partidários para os jotinhas mais incompetentes à promoção dessa mesma mediocridade paleolítica a deputados é o pão nosso de cada dia aqui no País dos deslumbrados. Em Portugal PSD e PS que são os Partidos “rotativos” da Governação deviam ter pontes de entendimento no essencial, não falo do Bloco Central de interesses, falo de pactos de regime em áreas essenciais como Impostos, previsibilidade fiscal e corte dos mesmos portanto, reformas económicas e Estado. Claro que isto é um conto de fadas digno de um Livro sobre Vacas Voadoras, mas nós nem tentamos partimos logo para o combate político que não interessa a quem paga contas ao final do mês e a quem paga salários.

Os políticos de Lisboa fazem o seu teatro, falam de cartilha, são opacos por fora e por dentro, não basta dizer que está tudo podre, temos que perceber porquê, as origens do nosso retrocesso e de sermos a cauda da Europa, já basta de baixarmos os braços para eles nos continuarem a exigir cada vez mais dinheiro que vem do nosso esforço pessoal só porque o Estado deixou de ser o agente regulador, para ser um agente de compra de votos, uma central de interesses para os mesmos de sempre. O protesto é uma boa arma, mas eles sabem que não temos esse feitio, o povo português tem que ter mais conhecimento financeiro, mais literacia nesse campo, porque ao analisar um político basta ouvir o discurso um minuto para nos apercebermos ao que vem, o político português é isto, FÚTIL!

O processo de escolha dos futuros deputados é sempre a mesma em Portugal, segue a mesma linha, o mesmo critério, a amizade, o amiguismo, o companheirismo, se cada deputado em Portugal tivesse que lutar por um voto, como se faz noutros Países, falo dos círculos uninominais, talvez os melhores se chegassem à frente, felizmente que hoje em Portugal os melhores se vão embora, porque quem quer aturar políticos que não querem reformar o País sendo estes de qualidade duvidosa é vivermos constantemente no equilibrismo, no precipício e na instabilidade. Se lá fora conseguimos retirar todo o nosso potencial porque o ambiente não é de inveja alheia e de podridão, a oportunidade é para se aproveitar. Mudar um País que não quer ser mudado é difícil mas é possível, mas o novo antídoto é ter cá a Troika mais de 10 anos.

Se queremos ser um País diferente, temos que ter políticos diferentes, responsáveis, com sentido de Estado que saibam colocar os interesses do País à frente de tudo e não pensar nas estruturas partidárias, em Portugal quem não liga logo é chacinado, é o País que temos. Se queremos crescer temos que mudar o modo como tratamos a Iniciativa Privada, primeiro baixar impostos, desburocratizar, facilitar a vida a quem produz riqueza verdadeiramente, temos que fomentar uma sociedade de proprietários, não de subsidio-dependentes, um País onde o risco seja a palavra de ordem, onde se tenha orgulho de cortar relações com o Estado e efectuar o seu próprio caminho.

Mostro aqui um gráfico que fiz sobre as Taxas de IRC praticadas em maioria dos Países da Europa de Leste e a nossa aqui em Portugal:

irc 201.png
FONTE: Trading Economics

A azul temos a taxa de IRC de 2016 e a vermelho de 2017.  Portugal tem em 2017 uma taxa de IRC aplicada ás empresas(temos depois várias subdivisões no imposto), de 21% acima da média de 16,5% praticada nos Países de Leste. Pergunto, como queremos crescer se maioria dos Países Europeus de Leste tem taxas de imposto mais baixas para os empreendedores e custos de contexto igualmente mais baixos? Como quer um País crescer se maior parte da constituição do preço dos combustíveis em Portugal é de impostos? Como quer um País atrair investimento estrangeiro se tem dos preços mais elevados a pagar pela electricidade em paridade e poder de compra?

Temos que baixar impostos, mas para isso temos que diminuir despesa pública, tocar nas clientelas falando para português ver. Se não o fizermos, a Venezuela será um Paraíso.

Mauro Oliveira Pires

 

 

 

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