O Projecto de António Costa é o seu Ego

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Em Portugal temos um problema com a liberdade, é estrutural. Não conciliamos bem a liberdade de opinião alheia com o que pensamos individualmente sobre determinado contexto da nossa vida em sociedade. Se somos simpatizantes de Partido X e não gostamos do novo líder eleito é porque estamos a dividir o Partido, se esse mesmo líder fez o mesmo ao líder anterior não interessa, é passar a borracha e seguir em frente. É isto o PSD. Um Partido que sim, coloca os interesses do País acima dos seus, Passos foi o expoente máximo, mas que não precisa de inimigos, porque já os tem lá dentro.

Somos um País tradicionalmente Socialista e estamos presos a um modelo Económico passado num contexto em que os Países de leste não estavam como estão hoje e a própria China que apresenta-se cada vez mais poderosa. Os Países de Leste fizeram reformas, flexibilizaram o mercado de trabalho, com nós o fizemos no tempo da Troika, daí a descida abrupta da taxa de desemprego, desceram impostos para as empresas e colocaram o “clima fiscal” previsível para um longo período de tempo.

Grande parte dos Países de leste hoje tem uma PIB per capita maior ou equivalente ao Português, grande parte cresce a taxas semelhantes ou superiores as nossas, mas crescem sustentadamente e com equilíbrio de longo prazo, não é foguetório da loja do chinês. Isto são reformas liberais, retirar o peso do Estado da Economia, desburocratizar o aparelho, facilitar a vida das pessoas e das empresas, deixar que cada um de nós construa o nosso caminho, cada um de nós sendo um proprietário do seu próprio destino. Foi assim que Thatcher colocou o Reino Unido na órbita do Mundo outra vez, foi assim que o Leste Europeu e os Balcãs são hoje pólos tecnológicos avançados e com Índices de Desenvolvimento Humano maiores que nós.

Tenho alguns gráficos fáceis de compreender de um País de Leste, República Checa, de como um Estado Menor e pactos de regime trazem benefícios para o País, e depois a pedalada é outra. Não nos queixemos, temos o que merecemos.

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Crescimento do PIB anual, Fonte: Trading Economics
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Despesa Pública em % do PIB, Fonte: Trading Economics
rep chec ii
Taxa de IRC, Fonte: Trading Economics

Fazendo um resumo breve dos três meninos aqui de cima. A República Checa tem hoje taxas de crescimento muito maiores que Portugal, se hoje discutimos o orgasmo de 2,8% eles crescem mais de 3% e a média de crescimento deles deste século é maior que 2% enquanto nós é de uns míseros 0,2%. Cortaram despesa pública em 21 anos perto de 13% do PIB, menos Estado gera mais crescimento, os recursos para se suportar o bebé chorão vão para outros sectores, libertamos a Economia do fardo. Tem uma taxa de IRC, o imposto que as empresas pagam sobre os lucros, mais baixo que a nossa que o Doutor Costa ainda por cima inverteu a descida devido à eliminação da reforma do IRC. Queremos crescer? Baixemos o IRC para baixo dos 10%, a Hungria já o fez e claro, não andemos a mexer no imposto ano sim ano não.

Portugal está sempre na linha da frente do pelotão de trás. Nem sempre foi assim, houve um tempo, mais ou menos 180 anos, que fomos respeitados, a maior potência marítima, económica e militar, não aproveitamos todo o capital acumulado para reinvestir em estruturas produtivas, mandámos embora quem tinha capital também e o resultado foi a primeira revolução industrial no Reino Unido e a ascensão dos Países Baixos. Portugal recebeu o ouro do Brasil, hoje os actuais fundos Europeus, e fez o mesmo de sempre, rico por fora pobre de espírito por dentro. Não temos estabilidade desde 1580 meus caros, tudo devido a políticos irresponsáveis e os poucos que o foram, morreram desprezados.

Se hoje continuamos na mesma armadilha socialista de sempre, surfar a onda do Banco Central Europeu, ganhando eleições com maioria absoluta para depois aplicar um pacote de reformas num cenário de crise, dizendo sempre que a culpa é da Europa e os carneiros vão atrás, para depois Costa se eternizar no poder. Chama-se a isto chico-espertismo Costista, pragmático quanto baste, perigoso como sempre. Um ser eternamente maquiavélico e com um jogo de cintura como poucos. Mas, lá está, é só isso, jogo de cintura, combate, guerra, Costa não assenta, é imprevisível, o projecto não é Portugal, é o seu Ego.

Enquanto continuamos a brincar na areia falando da lógica da batata, o Mundo move-se, a Iniciativa privada em Portugal é assaltada, odiada e vítima de um Monstro chamado Estado. Outros tornam-se competitivos, crescem e reformam. Os outros são Países, nós continuamos o Portugal dos Pequeninos, o País que se deslumbra por tudo e por nada.

Que pena.

Mauro Oliveira Pires

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