A Roubalheira das Ratazanas

4 comentários

E não é que rebenta mais um escândalo com roubalheira descarada, desta vez  na Associação de Solidariedade Social Raríssimas? Não entendo como podem ficar surpreendidos com esta “descoberta”. A mim o que realmente me surpreende e deixa completamente atónita é  a passividade do Estado na sua função fiscalizadora não só a estas Instituições como a TUDO em que ele está metido com entrega de fundos. Juro que não entendo ou melhor, se calhar até entendo muito bem o porquê…

Não faz de todo sentido que um Estado que persegue o contribuinte e até o penhora por meia dúzia de euros – ou cêntimos – , que não lhe perdoa 1 euro mesmo que esteja justificado por pobreza, desemprego ou falência sem dolo, que deixe correr a actividade das Instituições que financia, livres como passarinhos, sem as incomodar com auditorias surpresa para fiscalizar e assegurar assim a boa aplicação desses subsídios e donativos. Algo de muito errado se passa aqui.

E a prova está à vista de todos: não era só a Presidente da Raríssimas que usufruía desta gestão generosa. Também havia senhoras deputadas, senhores ministros e secretários de estado da saúde… Ora, como poderiam estas almas denunciar se estavam a beneficiar do banquete? Esta é a triste realidade.

Por isso a senhora Presidente da Raríssimas não se preocupava em esconder que levava 3000€ de salário a que juntava 1300€ de ajudas de custo isentas mais 1500€ de viagens de casa para o trabalho, um PPR de 800€, ainda um leasing de um BMW topo de gama de 900€, despesas em vestidos de 200€, gambas por 230 e tantas outras. Ou seja, tudo extra -salário pago com o subsídio do Estado e donativos entregues à Associação! Muito bem. Não fosse a denúncia destes bravos tesoureiros que não quiseram compactuar com esta gestão ilícita e a senhora Presidente iria continuar tranquilamente a enriquecer à conta da solidariedade. 

Não estou a dizer que a culpa é dela. Não é. A oportunidade faz o ladrão. E o Estado ajuda ladrões porque ele próprio o é. É a cultura da roubalheira descarada avalizada pelo Estado que dura desde o 25 Abril de 74. Porque o Estado quando quer sabe ser implacável com aquilo que lhe devem. Experimentem caros cidadãos anónimos atrasar ou deixar de pagar impostos que logo verão comprovada esta teoria.

Só assim se entende como Vieira da Silva ignorou todas as cartas do ex-tesoureiro Jorge Nunes. A primeira em 9 Agosto a pedir inspecção profunda àquela Instituição; a segunda em 15 Setembro onde volta a pedir intervenção da Segurança Social; em 21 Setembro mais um pedido urgente de fiscalização. Tudo sem resposta. Até a TVI denunciar o caso em reportagem…

Não faltaram reacções  que já conhecemos aquando Predrógão, Tancos e Incêndios de Outubro do estilo ” Governo vai avaliar situação e agir em conformidade” ou ” Marcelo quer apuramento dos factos” blá blá blá. Tudo a “encher pneus” para entreter enquanto se pensa num spin que possa distrair a malta deste escândalo. Mas a verdade é que se não for o Ministério Público a tratar deste assunto rapidamente, a máquina do sistema conseguirá abafar o caso enquanto se desmarca e desresponsabiliza esta gente sem escrúpulos que deveria conhecer a porta da rua para depois sentar no banco dos réus.

Mas nós comuns cidadãos já sabemos o que a casa gasta: 85% dos crimes de colarinho branco por cá são arquivados. Vai-se lá saber porquê, não é?

Obviamente que o caso Raríssimas não é único no país. Mas também não representa a realidade total. Há de facto muitas Instituições bem geridas e que desempenham suas funções com transparência e responsabilidade. E precisamente porque fazem falta e são extremamente úteis no seu papel social, que deve em nome da boa reputação dessas, haver um Estado que cumpra sua função fiscalizadora para que estas ratazanas e outras, não contaminem um trabalho que muitos executam com seriedade.

Ora, o problema é quando o próprio Estado estimula a roubalheira descarada protagonizando-a a toda a hora. Sem a limpeza  desse tipo de gente no Parlamento, a “ratazanagem” continuará e jamais conseguiremos uma sociedade séria que respeite o erário público. 

É por aí que devemos começar.

Via Blasfémias 

Cristina Miranda

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4 comentários em “A Roubalheira das Ratazanas”

  1. Portugal não é um estado de direito. o seu funcionamento favorece os trapaceiros, o pai puxa a brasa para o filho e a sucessão continua, depois é o primo, da prima , o amigo do amigo etc. devia existir uma lei evitasse estas situações Resumindo são parasitas que vivem à custa de quem trabalha por hoje é tudo..

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  2. Apenas não concordo q a ocasião faz o ladrao…. a ocasião apenas o revela tal como diz o filósofo dos nossos tempos Cortella …. è mesmo muito triste! Se calhar uma mãe q rouba um litro de leite ou um iogurte p dar ao filho q passa fome apanha 6 anos de prisão, vamos ver o q acontece a está senhora….

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  3. Em traços gerais estou de acordo com todo o artigo. Mas, aquela parte “Não estou a dizer que a culpa é dela. Não é. A oportunidade faz o ladrão”. Acho hilariante!! Quem fez o ladrão foram os valores que lhe transmitiram durante a vida e aquilo que lhe está na massa do sangue. A ser verdade a dita Srª vai meter sempre as mãos naquilo que não é dela e tanto faz que seja presidente da Raríssima como do Banco de Portugal.
    A pensar assim, coitados dos tipos (com todo o respeito) que transportam valores. Eram todos milionários!!

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    1. Negativo. O que faz as pessoas cederem às tentações é a fraqueza humana. Uns combatem-na eficazmente com os valores adquiridos, outros não. Dou exemplo: quantas pessoas com valores pede factura de todas as despesas q faz ? Quantas pessoas com valores encontra dinheiro e o vai entregar à polícia? Quantas pessoas com valores tem cd’s piratas em casa? Isto são apenas 3 exemplos. Mas há muito mais. Ou seja, podemos ser gente de valores e ceder em coisas menos correctas. Respondendo ao exemplo q dá da carrinha de valores, a razão pela qual o número de prevaricação é diminuto, tem a ver com a consciência das graves consequências desse acto q só por si são dissuasoras.

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