A GANÂNCIA DOS MERCADOS E OS BIPOLARES

“artistas” que sofrem de bipolaridade, sendo a fase depressiva, aquela em que se lamenta a “ganância do mercado” que nos leva o dinheirinho com que poderíamos realizar tantas aspirações magníficas em benefício dos cidadãos e, sendo a fase eufórica, aquela em que se exige que esses empata-despesas saiam da frente

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O mais divertido aspecto da choraminguice esquerdista sobre a ganância dos mercados é, para mim, a indignação que a mesma falange esquerdista tem com as instituições que recomendam prudência nos gastos do Estado Português ou mesmo, abençoados!, a impõem.

Quem vê um “artista” (político, ou economista, para o efeito é igual), afirmar uma enorme preocupação com o nível das taxas de juro e o custo que isso impacta nas contas públicas nacionais e, mantendo o ar “sério e triste” de que fala o Rui Veloso, acrescentar com toda a naturalidade que

“ o Pacto Orçamental da União Europeia obriga os governos a prosseguir objetivos orçamentais tecnicamente irrealistas e insustentáveis do ponto de vista económico, político e social”

… quem vê, lê ou ouve tal, dizia, das duas uma: ou se preocupa com a sanidade mental de quem defende estas coisas, ou explode numa gargalhada. Provavelmente, nas primeiras vezes, preocupamo-nos com a sanidade mental do “artista”, relevando tal inconsequência para o rol dos lapsos.

Contudo, com a repetição do discurso – “de preocupação com o custo exagerado da dívida”  a que se segue a “rejeição do Programa de Estabilidade por considerar que o documento contém constrangimentos europeus que impedem o crescimento
começamos a colocar seriamente a hipótese de estarmos na presença de “artistas” que sofrem de bipolaridade, sendo a fase depressiva, aquela em que se lamenta a “ganância do mercado” que nos leva o dinheirinho com que poderíamos realizar tantas aspirações magníficas em benefício dos cidadãos e, sendo a fase eufórica, aquela em que se exige que esses empata-despesas saiam da frente, porque urge dinamizar o emprego, público claro, o investimento, público sim, a melhoria dos serviços de saúde e ensino, públicos pois então, a criação de riqueza, públ   ooops… pois esta tem de ser privada, e outras coisas fantásticas que constam de extensos programas mágicos que nos haverão de conduzir à sociedade socialista que a Constituição da República Portuguesa impõe.

Sendo a bipolaridade um caso sério de saúde mental, é confrangedor que alguém se divirta com os discursos destes “artistas”. Eu, para evitar dar gargalhadas em público, que denunciariam o meu desprezo por tal tipo de pacientes mentais, tenho um truque, que recomendo: Divido 245 mil milhões de Euros por aqueles 433 mil contribuintes da classe mais alta, ou seja aquela elite que ganha mais de 20 mil EUR por agregado, por ano e que paga 37% de IRS. Findo o cálculo, caso ainda esteja com vontade de rir, tente determinar durante quantos anos mais, depois de sair da vida activa, vão os seus descendentes ter de pagar os desvarios destes anormais.

Normalmente funciona: Passa  a vontade de rir da triste palhaçada que o discurso dos indignados-do-custo-da-dívida-mas-bom-mesmo-era-ter-mais-dívida, me provoca.

Como já dediquei uma boa meia-dúzia de textos a este tema da “ganância dos mercados”, provavelmente terei já esgotado o interesse do leitor pelo tema. E se é certo que o procurei abordar em múltiplas perspectivas, também é certo que estou farto de malhar no ceguinho.

Assim, para terminar, aqui, esta série, só me falta acrescentar outra meia dúzia de coisas:

  1. Os custos elevados com os juros da dívida pública atacam-se com superavit orçamental – coisa que não vi ainda ninguém defender na Assembleia da República;
  2. Criticar “o carácter parasitário e decadente do capitalismo” por não fornecer gratuitamente os meios para o estado prosseguir a sua actividade parasitária e decadente é absurdo e redundante;
  3. Eleger como “inimigo externo” quem nos obriga a ter um mínimo de bom senso é idiotice de elevado grau;
  4. Os mercados valorizarão sempre o risco associado ao incumprimento do Estado Português – os “Quantitative Easing” do BCE podem mascarar a situação temporariamente, mas
  5. Um dia destes vamos ter mais um “banho de realidade”
  6. IMPOSTO É ROUBO.

 

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